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Jornal do Brasil
Quinta-feira, 28 de Março de 2013

Coisas da Política

Hoje às 17h09 – Atualizada hoje às 17h15

Homenagem aos volumes

Jornal do Brasil Paulo Rosenbaum*

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Homenagem aos volumes

Em nossos dias a velocidade das transformações é muito maior do que a capacidade para assimilá-las. Está criado um paradoxo. Senhor paradoxo. A revolução cibernética e a era digital estabeleceram dilemas perturbadores e sem debates satisfatórios. Ainda que os efeitos das revoluções só possam ser avaliados retrospectivamente, nada justifica o silêncio.

Ninguém faz a menor ideia de onde a cultura on line nos levará. Nem como nos sentiremos nesse novo lugar.

A sociedade da informação é só festejada – e talvez deva mesmo ser – mas é vital que alguma lucidez prevaleça sobre as sínteses fáceis.

No quesito informação, o excesso tem um efeito similar à escassez. A polissemia também enlouquece. Navegando…

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Quinta-feira, 28 de Março de 2013

Coisas da Política

Hoje às 17h09 – Atualizada hoje às 17h15

Homenagem aos volumes

Jornal do Brasil Paulo Rosenbaum*

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Homenagem aos volumes

Em nossos dias a velocidade das transformações é muito maior do que a capacidade para assimilá-las. Está criado um paradoxo. Senhor paradoxo. A revolução cibernética e a era digital estabeleceram dilemas perturbadores e sem debates satisfatórios. Ainda que os efeitos das revoluções só possam ser avaliados retrospectivamente, nada justifica o silêncio.

Ninguém faz a menor ideia de onde a cultura on line nos levará. Nem como nos sentiremos nesse novo lugar.

A sociedade da informação é só festejada – e talvez deva mesmo ser – mas é vital que alguma lucidez prevaleça sobre as sínteses fáceis.

No quesito informação, o excesso tem um efeito similar à escassez. A polissemia também enlouquece. Navegando pela net depara-se com um mar revolto e poluído por resíduos que chega a ser difícil saber o que e quanto se pode aproveitar. Não é só o bombardeio de imagens, a saturação do marketing, quantidade de terabites ou informes disponíveis que somos incapazes de processar. O problema principal é como filtrar e usar o que se colhe de uma rede não retrátil e sempre em expansão.

Seriam necessários pelo menos alguns meses, quiçá anos, para analisar a simples informação da palavra “josé” se a digitarmos para pesquisa na ferramenta do Google: 1.9000.00 que se realiza em exatos 0,29 segundos.

Se pelo menos fosse só com “josé”. Mas isso se repete indefinidamente, e a cada palavra encontramos novas abrangências e desdobramentos, as quais por sua vez se abrem em janelas infinitas em outras sequencias e aberturas, e assim em diante. A busca robótica têm o estranho poder de se inverter e se replicar à nossa revelia. A ponto de nos perguntar: quem usa quem?

Em vez de nos libertar, a infinidade abusiva de portas abertas pode funcionar como cadeira cativa para assistir nossa própria paralisia.

As palavras se transformaram em glossários e léxicos e as derivações transbordaram para muito além dos velhos dicionários e enciclopédias.

De repente, sob o espirito da unificação do saber, a linguagem encolhe ao se esparramar pelo abismo plano do ciberespaço. Região sem nenhuma fronteira ou malha de contenção.

Na pesquisa labiríntica e involuntariamente anárquica — como acaba sendo o surf digital – mobilizamos cada vez mais filtros para conseguir alguma objetividade.

Ainda assim, perdemos algo.

Pois diz-se que estamos enfrentando uma crise sem precedentes no mercado editorial e que tudo, ou quase tudo, se deve à gula avassaladora das grandes corporações sobre editoras e livrarias. Segundo outros, as brochuras estão com os dias contados e os assassinos são monitores luminosos que não fungam ou ocupam espaço. Ambas devem ser verdadeiras e ninguém duvida que já mutilou um mercado que aqui nem chegou a se desenvolver plenamente por aqui (quatro livros por ano) especialmente se nos compararmos com o restante dos leitores do mundo.

As informações que os livros trazem, suas especulações, diálogos e fruições são apenas parte do prazer e alegria de ler. Entretanto há deleites de outra natureza, sensoriais: o cheiro do papel, a textura da capa, a descida táctil até o rodapé ou a simples sensação de posse deles.

Claro que podem e devem ser digitalizados, colocados on line, vendidos para leitura em tablets e mercantilizados como chips de bolso, só não vale comparar o prazer real com o virtual. Melhor encarar que muito além do dilema – senão falso, superficial – entre o digital e o tomo em papel, está a ignorância na compreensão do que significa essa poderosa máquina de diálogos que chamamos livro.

Mas se for mesmo verdade e num destes duelos estúpidos alguém tiver que morrer, vale parafrasear José Mindlin e assumir que talvez não valha mesmo a pena viver num mundo sem livros.

*Paulo Rosenbaum é médico e escritor. É autor de A verdade lançada ao solo

http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2013/03/28/homenagem-aos-volumes-2/

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http://blogs.estadao.com.br/conto-de-noticia/a-pascoa-e-seus-multiplos-significados/

A Páscoa e seus múltiplos significados.

A páscoa se comemora a noite com uma refeição festiva. E é nesta mesa que estão dispostas referencias universais, simbólicas e filosóficas que atingem todos os povos e culturas.

As muitas interpretações do significado do termo hebraico “pessach” (passar por cima) nos remete à origem comum de todos os seres humanos. Quando a morte pula as casas para poupar os seus habitantes, a mensagem poderia ser lida de múltiplos ângulos distintos.

Se alguém pudesse encontrar uma síntese para a páscoa poder-se-ia sugerir ousadia e superação.

“Passar por cima” é uma expressão usada por motoristas hostis, arrivistas aflitos, estados totalitários, tubarões do mercado e representantes do capitalismo selvagem para demolir quem quer que se interponha a sua frente.

A superação que está contida no simbolismo do pessach tampouco tem algo a ver com esmagar a memória para poder ir em frente. A pílula da…

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A Páscoa e seus múltiplos significados

http://blogs.estadao.com.br/conto-de-noticia/a-pascoa-e-seus-multiplos-significados/

A Páscoa e seus múltiplos significados.

A páscoa se comemora a noite com uma refeição festiva. E é nesta mesa que estão dispostas referencias universais, simbólicas e filosóficas que atingem todos os povos e culturas.

As muitas interpretações do significado do termo hebraico “pessach” (passar por cima) nos remete à origem comum de todos os seres humanos. Quando a morte pula as casas para poupar os seus habitantes, a mensagem poderia ser lida de múltiplos ângulos distintos.

Se alguém pudesse encontrar uma síntese para a páscoa poder-se-ia sugerir ousadia e superação.

“Passar por cima” é uma expressão usada por motoristas hostis, arrivistas aflitos, estados totalitários, tubarões do mercado e representantes do capitalismo selvagem para demolir quem quer que se interponha a sua frente.

A superação que está contida no simbolismo do pessach tampouco tem algo a ver com esmagar a memória para poder ir em frente. A pílula da amnesia seletiva, saudada como iminente inovação psiquiátrica jamais nos traria um destino melhor. Esquecer é uma trapaça inconsequente e de proporções políticas perigosas conforme previu o escritor Aldous Huxley.

O lema que se generalizou em nossa quase homogênea cultura ocidental não poderia ser mais claro: se algo está no caminho remova-o, se não puder retira-lo, empurre, se não puder deslocá-lo, arranque-o e depois passe por cima.

Não é exatamente esse o espírito da páscoa que os hebreus e também cristãos comemoram nesta semana.

A ousadia chamada êxodo, que há 3.459 anos Moisés liderou, têm escopo mais sensível e universal. Ousar significa tomar risco e desafiar o estabelecido. Se há guerra deve-se usar o conflito não para dominar, subjugar ou submeter ninguém a nada, mas para alcançar a liberdade. Para nunca mais sofrer como estrangeiro, e, talvez, nunca mais tomar ninguém forasteiro.

Para escapar das escravizações sucessivas que nos ameaçam todo dia é preciso vigília. É necessário desviar das armadilhas, dos vícios de pensamento e ação. Além disso, a páscoa comporta uma aspiração utópica: ninguém mais precisaria ser estrangeiro em lugar nenhum.

E o mais peculiar é que isso depende de nós. Exclusivamente.

Nenhum mundo se tornará melhor enquanto os conflitos e a memória destes não forem usadas para a conquista da liberdade.

Portanto, sair da condição de escravos não é só uma batalha política ou revolução dos costumes. É a essência da luta travada para se aproximar da virtude conhecida como honestidade e a radicalização da lealdade ao si mesmo.

Povos escravizados e escravizadores podem hoje, como em nenhum outro momento histórico da humanidade, olhar para a extensa linha cronológica que construímos desde que nos tornamos bípedes e falantes. No gráfico panorâmico seria possível enxergar erros evitáveis e acertos prorrogáveis. Não se trata de revisão teórica para reaprender história, mas de uma educação sentimental que envolva todas as histórias.

Tudo para que nossa memória coletiva seja outra.

Outra memória, outra coletividade, outra sociedade e uma nova paz.

Nesses dias ázimos, de restrição, sem fermento e sem pão podemos pensar melhor se valeu a pena ter se expandido desordenadamente e vivido para acumular. Quanto será que nos custou ter diluído a extrema originalidade da herança mosaica? Pois como chamar lançar-se e ao povo numa aventura através do deserto? Ousadia que veio para mudar tudo para sempre. Assim como a narrativa do êxodo, a ousadia precisa de transformação.

Se ao menos cada mesa de seder pudesse ser um palco para sentir a luta contra nosso impertinente desejo de ser donos da verdade. Se notássemos melhor que essa é uma noite que bem à nossa volta, estão todos juntos, os de hoje e os de ontem, os atuais e os ancestrais.

Narrar a história dessa imigração maciça significa renovar a motivação original. A própria razão para que a tradição mereça permanecer viva.

Só permanecer ousando pode garantir isso.

E então não haverão mais estrangeiros porque todas as casas terão o endosso da incondicional hospitalidade.

Paulo Rosenbaum é médico e escritor. É autor de “A Verdade Lançada ao Solo”(Ed. Record)

Para ver o link
 http://www.estadao.com.br/noticias/impre…

Déficit de discernimento

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Déficit de discernimento.

 

Segundo os cosmólogos, muito provavelmente existem inimagináveis dimensões simultâneas, antimundos e universos paralelos ao nosso. Para simplificar vamos ficar no aqui e agora. Quantas coisas nos parecem insólitas, absurdas ou só incríveis, isso num único dia? Dezenas? Centenas?

 

Costumamos sentir a estupefação nas entranhas, porém é dentro das cabeças, aparentemente desconectadas do restante do organismo, que a estranheza é sempre  racionalizada para simular certa normalidade. Decerto acionamos algum mecanismo de defesa. Estamos fazendo nada mais que domesticar o non sense de modo que ele integre naturalmente a paisagem do dia a dia.

 

Começo pela saúde. Há programas no ministério da saúde que oferecem assistência e tratamentos gratuitos para varias patologias (gratuito até que é bem bolado, soa como se tudo fosse fruto de caridade e o Estado não tivesse deveres para com os cidadãos).

 

Mas ai de qualquer um de nós que se aventurar a ter uma doença rara.  Simplesmente o estado não cobre os custos decorrentes da doença. É que muitas “não estão na tabela” de reembolso do SUS. Juízes solidários têm sido a salvação dessas pessoas. Eles vêm emitindo liminares que obrigam o Estado e/ou os planos de saúde a cobrir os caríssimos custos destes tratamentos. Isso se repete, à indecência, sob muitas condições clínicas menos comuns. Aliás, a vida parece nos forçar ao que é comum, a ficar na média, e essa normatividade por decreto se estende ao adoecimento.

 

Para complementar o tour pelo país do inacreditável, pode-se visitar a política. Correntes da psicologia acreditam  que a fonte de muitos dos nossos males é oriunda da auto-sabotagem. Em condições normais os doutores poderiam ter razão. Não estanmos em condições normais e desconfio que estamos mesmo diante da temporada de erros estúpidos sequenciais. Dia desses foi a vez do ministro da fazenda (tentava explicar ao jornalista incrédulo porque temos impostos de primeiro mundo com serviços de quarto) que disse literalmente, está gravado: “os serviços públicos no Brasil são bons”. Como assim bons? Sabe-se que 9 entre 10 governantes tomam o brasileiro por um idiota funcional, mas tenha dó. Fossemos um país de opinião pública consistente ele e outros já teriam caído.

 

Mas são setenta e lá vai pedrada de aprovação. Perdemos a noção, só pode ser este o diagnóstico.

 

Pode-se discordar das críticas, mas avalie criteriosamente a sequencia de disparates: PIB em queda livre, volta da inflação e agora o loteamento cala-boca com feira de cargos públicos.

 

Afinal, o que significa esta aliança pela governabilidade defendida pela mandatária geral? Digo, o que isso representa na prática? Em uma palavra, em suas próprias, ela pediu lealdade. Ao governo, às suas aspirações, exigências e demandas. Mas ao colocar em postos chaves gente que tem um passado tenebroso ou inconsistente quem está traindo quem? Os eleitores parecem ser as únicas vítimas de adultério por aqui. Isso enquanto gente condenada tem fundos e subsidios partidários para sair país afora tentando desmoralizar o STF, adolescentes matam e entram por um punhado de  semanas em programas de ressocialização, homicidas perigosos tem penas curiosas e ganham liberdade mais cedo que estelionatários e viciados em drogas.

 

Se é que isso consola, a deficiência de autocrítica é mundial. A commoditie, escassa, parece ter se escondido no subsolo do reino dos caras de pau. Esses mesmos que vemos todos os dias nos telejornais. Não se sabe bem onde está a tal da sustentabilidade, nem gente capaz de liderar sem assumir ares monárquicos.

 

Todos os políticos parecem passar por uma metamorfose instantânea assim que o sufrágio termina. Pode ter origem na psicopatologia, mas o mais provável é que não há, nem nunca houve algo para ser transformado. Eles sempre foram o que são. O que se passa é que nós todos sofremos de um insanável déficit de discernimento.

 

Tudo que testemunhamos no universo do poder é puro palco a céu aberto onde os atores brincam de dramaturgia de décima. Fingem que governam, enquanto nós, que somos governados. 

 

Chegou a hora de mexer no roteiro. Os mesmos clichês e a mesmíssima ópera em cartaz por tanto tempo provocam exaustão da platéia e já há gente tomando coragem para ensaiar vaias construtivas.

 

As vozes ainda não escaparam, mas gritos isolados já foram avistados lá no front.    

  

Paulo Rosenbaum é medico e escritor. É autor de “A Verdade Lançada ao Solo”(ed. Record)

 

O colapso das ideologias

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Coisas da Política
Hoje às 06h36

O colapso das ideologias

Jornal do BrasilPaulo Rosenbaum – médico e escritor

O que é ser de esquerda? De acordo com o American Heritage, “grupo ou pessoas que pregam objetivos ou metas políticas igualitárias através da reforma ou por meios revolucionários”. Que beleza e que alívio se as definições enciclopédicas ainda tivessem algum paralelo na vida prática! Sem perder tempo com a estagnação da direita, agora a pergunta poderia se deslocar para “o que consiste a esquerda, hoje?”

No glossário impertinente significaria que “as metas ou objetivos igualitários” seria a primeira avaria terminológica. Já seria uma importante ruptura entre o conceito e o mundo político prático.

Venho de uma época onde, para além das definições acima aludidas, ser de esquerda também significava aspiração por liberdade, renovação e especialmente, paz e luta contra a opressão. O que muitos de minha geração esperavam era que o pensamento conservador e o estado estável que ele sempre representou pudesse ceder para enfim vivermos dias novos. Apesar de todas as promessas eles nunca chegaram.

Os regimes políticos que usaram Marx como base teórica de seu pensamento e ideologia, rapidamente deram sinais de que seriam sistemas tão opressivos, incoerentes e espiritualmente fracos quanto os governos conservadores que, em tese, vieram para substituir.

O uso do manto das lutas sociais se tornou um slogan fútil. Quase a antítese absoluta do que o romantismo original preconizava. O oposto ao movimento libertário que deu origem à caminhada dos revolucionários. A esquerda se reergueu na luta pelas liberdades civis e, mesmo com uma renovação fugaz, foi, ao seu modo, eficiente, especialmente sob a contracultura. E ainda teve uma extensão grátis com os desdobramentos da cultura hippie, a luta contra a opressão das minorias e até o reconhecimento dos direitos humanos e das mulheres.

Mas isso já faz 40 anos. Desde lá temos observado, passivos, a corrosão das liberdades individuais. A queda do Muro, a formação da União Europeia e a revolução promovida pela comunicação e informática, todos eventos que, teoricamente, teriam sido passos importantes para a promoção do bem-estar coletivo. Mas as ilusões se desmancham. Muitos avanços sucumbiram às agressões terroristas (alguém se lembra o que era pegar um avião antes do 11 de Setembro?) e setenta anos depois do fim da II Guerra Mundial temos conflitos — potenciais e reais — espalhados em quase todas as latitudes.

No continente africano, tribalismos e fundamentalismos, os mesmos das guerras regionais do Oriente Médio, a insanidade imperial da Coreia do Norte, teocracias autor-referentes e arrivistas que ganharam poder na América Latina. Nosso mundo assiste impotente (ou positivo operante?) à formação de conflitos graves no clima de acirramento e chamamento ao conflito. Não mais de classes sociais, mas de culturas. Não é difícil enxergar o perfil sombrio que geralmente emulam as guerras civis. O resultado palpável é que virou missão impossível fazer distinções claras e precisas dentro de tantas saladas ideológicas. A incoerência é a tônica e indica que há um colapso das ideologias.

A parte cheia do copo poderia vir dos avanços sociais. Da diminuição das desigualdades e do respeito pelas minorias. Mas infelizmente até essa metade tem evaporado. O esforço feito por quem governa tem sido para manter e concentrar mais poder. Com raras exceções predomina o desrespeito pelas minorias, e a xenofobia ganha ares dramáticos na Europa. Sobretudo, vivenciamos uma brutal e pouco crível incapacidade administrativa mundial.

Claro que ela é diretamente proporcional ao abandono de critérios técnicos e de competência pelo apadrinhamento político e benesses da burocracia da máquina para convidados vip. Tecnicamente falando, não vivemos nem em pleno estado de direito. Então, onde foram parar as forças da renovação? Ouve-se por aí que a esquerda cresceu e tornou-se pragmática. Quem acompanha de perto sabe que o nome da metamorfose é bem outro, enquanto uma emergente sociedade de castas e privilégios desponta.

A atual crise econômica com pinta de recessão mundial revela que o capitalismo acionário deu suas mãos ao capitalismo de Estado, causando boa parte dos problemas. O papel dos Estados seria o de encontrar saídas para as crises, mas uma vez que os governos têm interesses endógenos, o caminho até a solução deverá ser postergado até que as pessoas percebam que o poder não tem mais respostas para dar.

Talvez nem tenhamos mais perguntas para fazer.

http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2013/03/14/o-colapso-das-ideologias/

Blog No Estadão

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http://blogs.estadao.com.br/conto-de-noticia/2013/03/

Amigos e colegas, fui convidado e me convidei para um novo desafio. Trata-se do Blog “Conto de notícia” que passo a publicar/postar no Estado de São Paulo (Blogs, link acima).

Agradeço comentários e ajuda de todo tipo.

grande abraço em todos,

Paulo Rosenbaum
Conto de noticia – Estadao.com.br
blogs.estadao.com.br
Crônica, Política e Derivações

Para além dos pleonasmos

Sexta-feira, 1 de Março de 2013

Coisas da Política

28/02 às 06h59

Para além dos pleonasmos

Jornal do BrasilPaulo Rosenbaum – médico e escritor

Tudo, menos o pleonasmo. Com palavras similares, Le Corbusier abriu uma palestra pedindo mudanças. De longe, o Brasil e toda a América Latina ainda parecem lugares distantes. Ilhas quentes com as quais sonham os castigados por temperaturas negativas. Há qualquer homogeneidade em curso, e as pessoas, exceção para as pesadas roupas de inverno, usam os mesmos tecidos, as mesmas marcas, os mesmos carros, e os mesmos telefones celulares. A globalização — irreversível, inexorável, inevitável — é um fenômeno com muitos efeitos colaterais, mas talvez o aculturamento provocado por onde ela passa seja sua mais evidente e menos comentada interferência.

Com ou sem crise econômica, estamos muito distantes de qualquer perspectiva de Primeiro Mundo. O Primeiro Mundo não é um paraíso, mas o aspecto central é o processo civilizatório que estas sociedades alcançaram. O respeito sincrônico já é um grande começo. Não há exatamente gentileza e bom humor, em compensação há solicitude e pragmatismo.

Numa sociedade que se mexe quase que exclusivamente pelo sustento isso merece registro. Há também uma cultura da fila. Se o metrô quebra, todos se amontoam esperando a vez. Praticamente, não há depredação ou vandalismo. Há batedores de carteira em todas as cidades, mas não gangues armadas que dominam extensas áreas metropolitanas. Há violência, mas nada comparado com a epidemia que vivemos.

Não se trata de enaltecer a civilização europeia (nem é mesmo o caso; os chineses, por exemplo, consideram os europeus bárbaros pelo comportamento, omissão inclusa, que tiveram na Segunda Guerra). É que numa sociedade tão normatizada, a cultura da transgressão, que tanto conhecemos, é uma raridade.

Os carros dos políticos não têm chapa branca e são encarados — é o que são, afinal — encarados como serviçais. E a premissa é que são incessantemente cobrados pelo que fazem, pelo que dizem que fazem e pelo que não fazem. Enorme distância do que vemos na República Federativa do Brasil.

Claro que existe roubo de dinheiro publico, e deve haver corrupção, muito acima do que os periódicos estampam, mas não há achaque, não há estultilóquios colossais como 14º salário, auxilio vestuário, sobras de verbas de campanha ou desvios trilionários a céu aberto. Referendos e recall são habituais, e a divisão dos poderes ainda faz sentido. E por levarem isso muito a serio, as democracias europeias, destarte todos seus defeitos, funcionam.

Mas o aspecto mais interessante é que praticamente inexiste a bizarrice chamada de patrulhamento ideológico. Cada um vive na sua. Cada um faz o que lhe apraz. Os sujeitos estão imersos em suas próprias necessidades. O que, num julgamento moral, pareceria individualismo insuportável torna-se apenas mais um aspecto da história natural. São frios? Pode ser. E daí? Isso é o que pode acontecer quando problemas sociais estruturais gravíssimos estão solucionados ou bem encaminhados. Mas a crise sustentada anda rondando e ameaçando esta estabilidade.

Os europeus, assim como os norte-americanos, estão desempregados ou sob constante ameaça. Os pequenos negócios minguam, prospera a especulação imobiliária e a construção de redes, monopólios, grandes negócios. Como o capital é invencível e não quer perder nunca, tudo será superado e tudo voltará aos velhos trilhos do desenvolvimento. O capital quer tudo, menos a derrocada total. Ninguém deveria querer isso. Essa incessante engenharia de ciclos de recessão e progresso econômico deixa para trás a única discussão essencial.

Qual é afinal, se é que existe algum, o indicador de felicidade dos povos?

A Revolução Francesa, a americana e muito menos a soviética deram respostas adequadas a essa questão. De qualquer modo, a alegria pode estar desvinculada das palavras igualdade, liberdade, fraternidade. Talvez esteja em uma percepção do si mesmo. Isto é, da qualidade com que cada um usufrui das prerrogativas acima. A humanidade pode ser uma coletividade, mas só se pudermos voltar a viver como sujeitos.

Para isso é vital deixar que os outros também sejam. E para isso precisamos de tolerância. Os intolerantes querem a mordaça, veneram o grito, prezam a censura quando conveniente. Os intolerantes precisam ouvir e ver somente a reafirmação do que lhes serve.

Assim foram as hordas protofascistas de direita na Europa, assim são os atuais fascistas de “esquerda”, que não quiseram deixar a blogueira cubana falar.

Na verdade, preferem pleonasmos.

Vaias, só depois do entendimento. Ou desentendimento.

Paulo Rosenbaum é médico e escritor. É autor de “A Verdade Lançada ao Solo”(Ed. Record)

 

A Verdade Lançada ao Solo no Blog Verdes Trigos

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O blog Verdes Trigos falou sobre o romance de Paulo Rosenbaum, veja:

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Da contra hegemonia

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Da contra hegemonia

Não sei se o nome do novo quase partido está correto, nem sei se o que precisamos é de sustentabilidade, ou mesmo de redes. Na verdade basta de redes. Mas que seja.

O input de Marina Silva para criar o novo partido é o único (sim, negrito) fato novo na politica brasileira em muitos anos. Ouvi no hotel um grupo de brasileiros “se a BBC noticiou em seu telejornal mundial deve ser importante”.

Mas a sensação externa, digo do senso comum, é de que ela tentará fazer um governo da pureza. Oxalá seja assim e algo ela deverá ao espirito extrativista de Chico Mendes que trás a marca da elasticidade ingênua e branca. Da seiva e da borracha. Já avisou que não aceita doação ao futuro partido de produtores de tabaco industrial e bebidas alcoólicas. Por isso fica-se dividido entre o sarcasmo e a apreciação de um heroísmo descabido. Mas não será o descabido o essencial para resgatar o sagrado das coisas publicas? Talvez tenhamos que reavaliar o que é ou não é absurdo, e inverter a lógica que nos guiou até aqui.    

Admirável, ainda que insustentabilidade de forcas politicas não subsidiadas pelo capital, deu no que deu. No Brasil recente o subsidio entrou depois para garantir que quem quer que fosse o vencedor teria os habituais privilégios e regalias.

Voltando a ela e seu partido, não a pessoa, mas as forças sociais que ela representa. Elas são as realmente dignas de nota. E mais ainda por ela  estar em condições de, se não vencer o pleito, pelo menos vai desbalancear seriamente a arquitetura politica em curso.

Como já fez há pouco, impedindo que o partido governista levasse as eleições presidenciais no primeiro turno. O impacto deste fenômeno e os desdobramentos com sua abstenção posterior ainda merecem analises mais extensas.

Agora, as condições são muito distintas

Marina aglutina hoje muito mais do que os descontentes, petistas frustrados e a multidão anônima que acha ela com cara de “gente boa”,como se ouve por ai.

Ela aglutina credibilidade. Item escasso no mercado da (des)confiança mundial. E associa a ela o tema abandonado nas últimas gestões, o meio ambiente. Tandem poderoso. Pois a força que ela cria pode fazer varias trajetórias: sucumbir ás necessidades e acordos que convém ao triunfo eleitoral (o autentico revolucionário sempre padecerá da síndrome do dia seguinte aquele em que se chega ao poder) ou manter a arrogância da independência.

 

A arrogância pode ser uma virtude se ela esta ajustada a um objetivo generoso, só que em politica costuma ser fatal.

As perspectivas reais de sucesso estão, todavia, longe de serem boas, já que o outro lado esta carregado de gente que faz muito bem feito. Por isso Marina é uma quimérica contra perspectiva. Ainda que um sonho, suas aspirações e ingenuidade (piora quando ela procura demonstrar sagacidade politica) são a verdadeira bandeira que podem levar o Pais a um palmo acima.

Não se faz a mínima ideia de quais seriam suas equipes de governo nem se seu partido teria força para conduzir a desburocratização e a as reformas necessárias para que os projetos sociais não murchem na praia. Nem como lidar com gente bem mais agressiva e violenta que a indústria dos produtos alcoólicos e do tabaco.

Escolheram um nome tampão para o partido (espero) ate que surja algo melhor. Mesmo assim vale apoiar para ver se saímos da jogatina polarizada entre os mesmos de sempre e aqueles que fingiram não serem os mesmos de sempre.

Pode não dar na BBC, vale esperar as próximas ediçóes. O inédito sempre tem um gosto da mudança.

 

Paulo Rosenbaum é médico e escritor. É autor de “A Verdade Lançada ao Solo” (Ed. Record)  

Paulorosenbaum.wordpress