• Uma entrevista sobre Verdades e Solos
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” no Jornal da USP
  • A verdade lançada ao solo, de Paulo Rosenbaum. Rio de Janeiro: Editora Record, 2010. Por Regina Igel / University of Maryland, College Park
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” por Reuven Faingold (Estadão)
  • Escritor de deserto – Céu Subterrâneo (Estadão)
  • A inconcebível Jerusalém (Estadão)
  • O midrash brasileiro “Céu subterrâneo”[1], o sefer de “A Verdade ao Solo” e o reino das diáforas de “A Pele que nos Divide”.(Blog Estadão)

Paulo Rosenbaum

~ Escritor e Médico Writer and physician

Paulo Rosenbaum

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Justiça e grande justiça, para que servem?

19 quinta-feira abr 2012

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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direito romano, grande justiça, justiça, mensalão, repsol

Justiça e grande justiça, para que servem?
Jornal do Brasil

Paulo Rosenbaum

É justo que o diplomata iraniano com “imunidade diplomática” não seja indiciado pela suspeita do crime de molestar crianças em Brasília? É justo que a presidente da Argentina exproprie a Repsol sem discutir a indenização? É justo que a corte brasileira postergue o julgamento do mensalão até que prevaleça a tese de que ele não passou de “uma conspiração burguesa contra o governo popular”? O jurista dirá que a aplicação da lei não é ciência exata e contempla contextos. É verdade, mas quais os limites para que as regras sejam retorcidas? O fato é que, com tantas contextualizações, já nem se sabe se a justiça pode, de fato, cumprir seu papel constitucional como poder independente.

Claro que aqui neste espaço jornalístico não cabe definição de justiça, pelo menos ao modo dos compêndios de direito. Podemos partir do suposto consenso: a justiça é um dos fundamentos da democracia, portanto da civilização contemporânea.

Será?

Adotássemos outra perspectiva filosófica uma visão, mais ampla, surgiria. Mesmo que, às vezes, confunda-se justiça com hermenêutica jurídica o “senso do justo” inato é raro.

É conhecida a tradição do direito romano, e bem menos conhecida a do direito talmúdico. Nesta última a perspectiva da justiça não é só uma terminologia que se aproxima da ética. A justiça não é monopólio de juízes ou tribunos, religiosos ou laicos. É a justiça do dia a dia realizada e praticada pelos homens comuns. No sentido filosófico é um conceito de justiça que se aproxima da cultura e mistura caridade e diálogo. Segundo essa hermenêutica somos apenas, quando muito, aspirantes que devem se conformar com a condição de “justos que sofrem”.

Se justiça é termo tão cheio de significados, o que ela é e para que serve?

Na grande justiça podemos enfocar justiça como uma atitude que norteia a vida. Justiça como fundamento poético (estético também) e liberdade.

Sofremos por não ser possível aos seres humanos comuns — aqueles que não nasceram com os devidos pesos e medidas introjetados — escolherem a perfeição. Pois na santa imperfeição sofremos todos e coletivamente, exatamente porque precisamos de justiça. Justiça que não está ao nosso alcance, justiça longínqua, inaccessível, justiça que só a vida teria potencial para oferecer. Mas nem sempre a potência se torna ato. Vira e mexe, saímos dos tribunais com documentos cheios de promessas.

Como a justiça não é inata um dos papéis humanos é tentar criar, contra o senso comum, o que não é espontâneo em nossa natureza. Assim como a indução funciona num experimento científico, a prerrogativa é assumir as responsabilidades das coisas que fazemos. Só renunciando à perfeição podemos repensar nossos papéis. Buscar justiça não é só condenar criminosos, organizar delatores, postergar o direito, marchar contra a corrupção, garantir as posses ou obter ressarcimento. Devemos recuperar a grande justiça. Agir de acordo com consensos éticos, malgrado conscientes da nossa própria brutalidade, omissão e de que sempre tentamos ser mais espertos. Mesmo assim, temos o dever de recusar a rendição às debilidades e vícios moralistas. Somos obrigados a conviver com sombras internas de uma natureza indissipável. Pode ser assimilada se formos mais compreensivos diante da irreversível condição de seres intermediários.

Apenas em parte a alarmante corrupção que corre solta é explicável pela maior transparência. O jogo da atual administração está claro: abafar o que a opinião pública sente na carne. Mas isso nem funciona nem basta. O poder se perdeu e o resgate da credibilidade não é mais tarefa simples. A epidemia de violência que vivenciamos em todo o País, por exemplo, é um dos efeitos colaterais da falta de cultura da justiça lato sensu.

Em outras palavras, será preciso recuperar, através da cultura, o sentido do justo. Noção, falsamente ingênua, presente nas várias tradições. Por acaso somos justos, sequer razoáveis, no julgamento que fazemos dos outros? Quem denuncia a denúncia de quem denuncia quem denunciou?

É polêmico, mas temos que considerar a hipótese de que já faz tempo que o direito institucional perdeu o sentido filosófico do justo. A sociedade clama justiça como punição. Esqueceu-se do fragmento solidário que torna a justiça uma aliada do cidadão e não seu algoz. Precisamos recuperar essa outra dimensão da justiça. Isso, só isso, já produziria enorme mudanças no mundo prático e no universo político.

*Paulo Rosenbaum é médico e escritor. Autor de “A Verdade Lançada ao Solo” Editora Record.

Para comentar acesse: http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2012/04/19/justica-e-grande-justica-para-que-servem/

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A eloquência de Demóstenese as cabeças de Giacometti

15 domingo abr 2012

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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demostenes, giacometti, julgamentos instantaneos, politica como business

JORNAL DO BRASIL

Coisas da Política

14/04 às 08h09

A eloquência de Demóstenese as cabeças de Giacometti

Jornal do Brasil

Paulo Rosenbaum

Muito cuidado ao dar nome aos filhos. Eles podem herdar um peso indesejável. A biografia do grego Demóstenes (350 A.C) comprova a mitologia do retorno. Filho gago de um armeiro que faleceu prematuramente ele se dedicou então ao estudo da eloquência. Já especialista em oratória pública engajou-se na luta contra o expansionismo Macedônico, denunciando as manobras do rei Felipe. Tornou-se chefe da Liga Patriótica, uniu Tebas e Atenas, mas perdeu a guerra do cerco à Queronea, e foi então condenado ao desterro pelo próprio partido.

Escassas semelhanças à parte, o problema recente com o Senador da República envolvido nos escândalos em cascata não é fenômeno isolado, muito menos merece ser tratado na esfera exclusivamente política. É claro que fica sempre a dúvida sobre quem define quando as denúncias devem vir à praça? Ou ninguém desconfiou quão oportuno foi o enfraquecimento agudo do DEM, desviando direitinho o foco e dando fôlego para a reestruturação da bizarra “coalização” governamental?

Há aqui preciosa metáfora pedagógica sobre a natureza do Estado e como a vida política partidária não só afoga-se no poder, mas mergulha fundo no abismo psicopatológico.

Precisamos aceitar que há dificuldade generalizada de discernimento social e excesso de julgamentos instantâneos. Isso vale tanto para os representantes da República nos sufrágios eleitorais como para todos ossegmentos sociais. O eloquente discurso tem vindo falando de um coletivo abstrato. Quando o discurso refere-se às massas, esta vira um objeto. E este objetificaçãoretira de cena e esmaece a importância do outro, do sujeito irrepetível. Pessoas de carne e osso, talvez a única realidade com que se pode contar.

A crise portanto não está neste ou naquele partido e nem mesmo num grupo específico de pessoas, mas instalada na própria essência da cultura que prioriza a vida centrada na matéria.

A missão do Estado foi modificada. Mudou à revelia dos desejos da sociedade. No mundo todo, o poder público passou a ser gerenciado como business. Apesar de País nenhum merecer ser reduzido à empresa, nem o povo assalariado do Estado, quantos discursos pediram que o legislador fosse “gerente”, “técnico”, “realizador” e “empreendedor”.

Porém “empreendedores” de Estado, diferentemente dos empresários do mundo privado, tratam a verba pública com o descaso de playboys. Ao gerenciar a coisa pública como administradores vitalícios, ainda que ineptos, eles ficam tentados a se perguntam se a remuneração que recebem faz jus tempo que gastam com a Pátria. Então as nobres excelências, cheias de auto-indulgencia, aceitam receber benefícios, informação privilegiada ou dinheiro. Não há mais dúvida: quanto mais transparentes forem as contas públicas, mais escândalos seriados ela produzirá.

Mas o bug verdadeiro está lá, escondido, no sistema de valores. Auxiliados pela permissividade e a certeza de invulnerabilidade o clima produz um torpor conhecido como “estado coletivo de inocência presumida”. É ai que começamos a ouvir os argumentos conhecidos: mas do que reclamam tanto? Bombando, e com 77% de aprovação! No torpor público-privado os políticos dizem que o que importa é que teremos mais obras, mais estádios, mais infraestrutura, mais desenvolvimento econômico. Aqueles que praticam violência dizem apenas que se descontrolaram como foi o caso da doceira envenenadora.

Os atuais acontecimentos do País contém uma mensagem. Há certo enlouquecimento silencioso e ele não é uma conspiração da máfia, dos políticos, da Big Pharma ou de ninguém. É um complô sem organizador que numa orquestração involuntária afunilou nossas vidas em necessidades criadas. Lacunas materiais que precisam ser preenchidas,caso contrário deparamos com frustração, ansiedade e depressão.

Há nítido impasse para pensar criativamente o Brasil! As mentes disponíveis estão entregues ao mercado, resignadas ao silencio intelectual ou alinhadas ao Poder. Sem contabilizar os cérebros que fugiram a pé. A arte nao se propoe a solucionar nada mas oferece uma saida ao momento.

As obras do artista Alberto Giacometti –em exposição na Pinacoteca de São Paulo – apresentam particular preocupação com a representação pictórica das cabeças. Cabeças pequenas e afiladas convivem com corpos graúdos e esparramados, desproporcionais, que parecem não sustentá-las devidamente. As vezes cabecas espichadas em corpos finissimos. Todos símbolos das cabeças que nos fazem muita falta nesse momento em que a nau esta à deriva.

Cabeças que deixaram saudades, e, como a lista é curta, melhor só suspirar.

para comentar use o link do jb

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circunvagantes de pessach

06 sexta-feira abr 2012

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

≈ 3 Comentários

 

Nada no solo te diz quantos passos

e atravesso a travessia de infinitas formas

e já nem digo qual o caminho

 

O sol acompanha e nos salva,

a sombra que quer ir sem saber

por que vai, se vai, para onde vai?

 

e é longo, o círio dos errantes de cor

 circunvagos que andam em ondas

lucífugos que se encaixam em todo terreno

no mundo trazem e são trazidos para os povos

 

no periplus, descobrimos, os tripulantes somos nós.

e a liberdade anda adiante

 

por isso cruzamos a Terra.

Só por isso.   

 

 

 

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Execráveis tambores, explosões racistas e o mal do mundo

06 sexta-feira abr 2012

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

≈ 3 Comentários

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antisemitismo, demonização anti imperialista, Erza Pound fascistófilo, Gunther Grass nazista, o fim da esquerda, racismo, Süddeutsche Zeitung</, Tarek Ali

Execráveis tambores, explosões racistas e o mal do mundo

 

Günter Grass acaba de agitar seus atabaques ao publicar no Süddeutsche Zeitung, em seguida reproduzido em outros jornais e mídias da Alemanha, um poema de quase setenta versos identificando Israel como A ameaça à paz mundial.Ninguém duvida que o ganhador do Nobel de 1989 tenha lá motivos para expor o país hebreu e adicionar seu nome à legião infame que dá cobertura e credibilidade à intolerância que cresce pela Europa, e não só por lá. Em geral, o endosso que vem da intelligentsia – foram pálidos os poucos chiados de reação — se oculta no discurso amparado pela retórica de esquerda. Mas o que restou da esquerda?
Precisamos recuperar a memória: é verdade, houve uma esquerda.

 

Hoje reduzida e rendida ao anacronismo baseado quase que exclusivamente na demonização anti-imperialista e numa grandiloquência mais nostálgica que autocrítica. O apoio de intelectuais e artistas europeus ao jihadismo, por exemplo – autojustificada como contra-propaganda aos norte americanos e à direita que cresce nas urnas – não consegue sobrevida diante da análise. A racionalização sempre busca meios para justificar impulsos inconscientes.

E a pulsão atual está nua: é capaz de se alinhar com qualquer rebeldia que, por exemplo, pegue em armas contra colonizadores e supostos espoliadores da nação. Por isso mesmo, estampas racistas viraram rotina. O baú de infâmias, antes lacrado, definitivamente se rompeu nas mídias e o fenômeno é mundial. Agora periodistas e articulistas continentais armam suas pistolas e disparam um tiro no próprio pé, bem no meio das redações.

 

O poder de persuasão dos escritores sempre foi superestimado mas quando alguém empresta sua pena à causa, seja ela qual for, precisa assumir o risco de que a obra toda inscreveu-se automaticamente no tribunal histórico, o único que julga com isenção. O problema é que Grass não está sozinho nessa perigosa vertente devidamente acomodada no manto anti-israelense.

É muito mais confortável ser identificado como obstinado antagonista do Estado hebreu, que caçador de judeus.

 

Convenhamos, é outro status.

 

Ah, dizem alguns, condenar um País não é, necessariamente, atacar seu povo, a etnia ou a religião que professam os que ali habitam. Depende. Para o bem ou para o mal, Israel tem sido encaixado numa perspectiva de “pacote”, e mesmo considerando que existem um milhão e meio de cidadãos árabes-israelenses a condenação quase maciça da Mídia às ações governamentais daquele País traz sempre uma única conotação, a de se trata afinal de um “país de judeus”. Pois é essa evocação subliminar, às vezes explicitada, que confere às críticas ao País o caráter de  condenação coletiva do povo judaico.   

 

O conflito israelo-palestino é somente um precário e ordinário pano de fundo para a assustadora retomada, desde que os nazistas foram derrotados pelos países aliados, do mito do judeu dominador. E lá vamos nós de novo resgatar mitologias destrutivas. As projeções de estrelas de David – tradicional emblema judaico – no show de Roger Waters poderiam ser só alusões estéticas e não motivo de preocupação. Porém quem viu o show sabe que insinuações suscitadas pelas projeções não são  paranoias. Associam abertamente o emblema ao dinheiro, aos especuladores, e, portanto ao mal do mundo.  

Além disso, o socialista Gunther tem um probleminha adicional. Precisou omitir de sua biografia por décadas a militância nazista na 10ª Panzerdivision Waffen-SS, pois, como admitiu depois, isso prejudicaria sua carreira. Realmente, se os sábios de Estocolmo sabem de uma coisa dessas…

De qualquer modo, o antissemita alemão se associa ao seleto grupo de gente que o antecedeu, como o poeta fascistófilo Erza Pound e contemporâneos como Tarek Ali. Numa entrevista por aqui o paquistanês analisou seletivamente os desvios dos americanos e israelenses sem dar o menor contrapeso à belicosidade do regime iraniano – nem uma palavra! — ou a sanha xenófoba de regimes islâmicos contra minorias cristãs e de outras etnias em vários países árabes. A desonestidade intelectual passa, necessariamente, pela seletividade com que se elegem os alvos.  

 

Se o Estado de Israel comete erros – e decerto os comete – eles não devem ser separados do contexto que cerca as delicadas circunstâncias em que são cometidos, ainda que, para alguns deles, não deve haver complacência. O regime dos aiatolás é um problema bem mais nocivo ao mundo, assim como o abandono do povo sírio à própria sorte deveria pesar na consciência – se houvesse uma — dos dirigentes chineses e russos.

Uma estranha passividade hipnotizou a vida. Mas o mundo, que testemunha explosões de intolerância, rebeliões e fanatismo não está interessado em refrear o empuxo de guerra entre os povos. Parece que basta observar e a calma reina ao nomear como natural o incremento das hostilidades como “choque de civilizações”. E está na cara que a maior prova de nem termos alcançado o estatuto de civilização, será se realmente o tal choque ganhar vida.  

A história mostra que tanto omissão como resignação tem um preço, e desta vez, pode não haver mais desconto para fornecedores.

Rosenbaum é médico e escritor. É autor de “A Verdade Lançada ao Solo”. (ed. Record)

Para compartihar use o link do JB http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2012/04/06/execraveis-tambores-explosoes-racistas-e-o-mal-do-mundo/

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As Verdades da Verdade

05 quinta-feira abr 2012

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Há alguns aspectos do “Verdade Lançada ao Solo” que anteciparam eventos. Compartilho com meus amigos um deles. Na III parte do livro Sibelius, depois de ser perseguido pelos colegas-gangsteres do seu ex-partido:

“A Verdade Lançada ao solo”

“Um dia acordou de madrugada com pesadelos. Recordou de muitas coisas menos do conteúdo opressor dos sonhos:

Lembrou-se da velhice paranóica de Stalin e da temporada de caça aberta aos médicos judeus . Repassou na cabeça um livro com lombada restaurada das ultimas cartas de Trotsky. Viu poetas que acobertaram o assassinato do líder russo na embaixada chilena no México. Lembrou-se de Erza Pound e enguliu que poetas olímpicos podem ser delatores ou militantes de causas espúrias. Como uma vertigem que começa em espiral, direita e esquerda se misturaram em sua mente, embaralhando sua capacidade de aludir à realidade.

Uma dor de cabeça fina e persistente arrebenta em seus ouvidos. Quer parar com tudo e beber um galão de alguma coisa, pois sua língua esta desfiando. Corre e pega um lenço para estancar o sangue que vaza da narina esquerda. Mesmo assim não pode interromper as imagens que vão, a sua revelia, passando sob seus olhos.

Lembrou-se das cenas reais, simulacros de colagens, dos aiatolás iranianos desfilando com a cúpula do PC em Havana em algum evento anti norte americano. Viu o ex-SS Kurt Waldheim, aclamado secretário geral da ONU menos de 25 anos depois do fim do nacional socialismo alemão. Imaginou os massacres de Darfur enquanto Koffi Annan sorria com sua voz felpuda acalmando a platéia. Refez a solenidade imperial com que Pinochet enganara os psiquiatras ingleses e de sua risada explosiva quando embarcou na limusine imediatamente após o acting out. Repassou o escritor Gunther Grass e sua habilidade para ocultar sua biografia nazista até alcançar o prêmio Nobel. Recuperou os papéis da juventude hitlerista de Heidegger que sem nenhum constrangimento, os sepultou na floresta negra, esperando, em vão, que o tempo limpasse sua euforia ariana. Explodiu-lhe no rosto o orgulho sardônico dos militares bolivianos sobre o espólio cadavérico de Che Guevara, a penúria dos professores humilhados durante a revolução cultural na China. Lembrou-se do sorriso convicto do general Videla, da concentração desesperada de mães na Plaza de Mayo e depois sua exploração política por ditadores populistas. A sua revelia chega à imagem da funesta figura de Lopes Rega, “El brujo” argentino impecável, com seda escocesa enrolada no pescoço preparando-se, a salvo, para uma sauna em uma cidade do centro-oeste brasileiro. Dos remendos de corpos espirrados a 600 metros no atentando da Amia que uniu a extrema direita argentina aos teólogos de Teerã. Recordou-se de Eichmann, suas regalias brasileiras, seu requinte portenho, antes de ser denunciado por um cego e ser justiçado em Israel. Mengele escondido em Bertioga, acobertado pela polícia local, e da milionária farsa para justificar sua morte. Lembrou-se de Walter Benjamim nas passagens que enfim o levariam daqui, pouco antes da era messiânica.”

——————————————————————————–

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Não Pensar II

03 terça-feira abr 2012

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Sobre não pensar

Não é “não pensar”, essa instância impossível apesar de praticada por boa parte dos políticos e sociedade. E se não me engano há mais de 27 definições de paradigma. O problema foi o desvio do pensar. Pensar para que? Para ganhar mais? Para se tornar hegemonico? Para tornar a reflexão uma matéria intelectual amorfa e cultivar a erudição desteleologizada?

Um pensar tanto vago como esvaziado? A era dos “por ques?” precisa dar lugar a era do para que? O que significa a abundancia de produção? O que quer o homo faber? Os engenhos de produção do saber perderam o sentido porque servem a uma necessidade narcisista de respostas. De avanços que não (me) interessam. O espaço da arrogancia autojustificada. A ciencia que não liberta. Precisamos voltar a fazer as perguntas certas, e quem sabe, reconquistar o espaço interno, quase perdido. O cultivo desta innersfera é a única possibilidade, a única motivação para sairmos da circularidade, da cama de Procusto, desta volta vazia que damos em nossas consciencias sem poder alcança-la.

Até os corpos ficam perdidos com o extravio do espaço de realização do si mesmo. Voltar ao parametro de autoconhecimento da hermeneutica: autoconhecimento não é só conhecer a si mesmo, é conhecer como se conhece a si mesmo.

Lentes finas essas!

E olhos, mirem-se agora.  

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A invisibilidade é uma arte

01 domingo abr 2012

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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poesia

a invisibilidade é uma arte
de trama inconstante
veja a pele e seu silencio
ela, e não voce
ela, e não nós, 
sabe mais do que fala.  
 
 

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Copa, jogos e diversão contra o culto da vitória

30 sexta-feira mar 2012

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Copa do Mundo, Culto da Vitória, diversão, escolas de samba, idolatria do êxito, ilusão política, o sentido da diversão, sociedade industrial, violencia das torcidas

Copa, jogos e diversão contra o culto da vitória

Jornal do Brasi/lPaulo Rosenbaum

Todos devidamente ultrajados com a tragédia pela briga de torcidas de futebol deste último domingo? Não será a última. A fórmula é simples: ultrapasse as fronteiras simbólicas da competição e tome concretamente o adversário como inimigo mortal. É que esquecemos completamente da raiz da palavra diversão, do latim divertere, “ir-se embora, afastar-se”.

Tudo pode eclodir no futebol, nas escolas de samba, em agremiações partidárias e até no pacato salão de festas do condomínio. Mas houve um ponto, anterior, que foi dando legitimidade à explosão de ações incivilizadas. E o que tem a ver estilo de vida contemporâneo com a violência – ainda imbatível como primeira causa de morte entre adultos jovens no Brasil – e o combinado pela internet de lutar à morte?

Tudo a ver!

Viramos fanáticos por resultados.

Desde pequenos, estimulados pela ambição, somos levados a acreditar que a competição é a alma do negócio. Há uma “pedagogia baseada em pódio”, e a instrução é clara: sejam os melhores, primeiros da lista, mais elogiados e cotados; não se esqueça de trazer a melhor nota e, finalmente,… Harvard. Aí, tornem-se presidentes, gerentes gerais, sócios-fundadores, chefes de repartição e políticos de peso. O conselho essencial, este subliminar, “se necessário, mate”. Há uma fila de exemplos demonstrando que a sociedade pós-moderna não conseguiu superar o estigma da educação como instrumento discricionário.

Para compor o arsenal discriminatório contamos com bullyings de Estado, acossamentos dos estranhos, e perseguições aos fracos. Talvez disso decorra alguma empatia pelo perdedor, como se ele mesmo não tivesse tentado, em algum momento, erguer o troféu. A máquina social pressiona, e mergulhamos de cabeça na ideologia da sociedade industrial. Achamos, enfim, o novo ícone pagão: o culto da vitória.

Não que se possa duvidar da meritocracia como critério justo, mas o questionamento vai por outra via: qual exatamente é o mérito da vitória? A própria democracia se baseia num jogo onde o vencedor é quem convence a maioria. Mas a que preço esse triunfo? Na política adulta não há espaço para ingenuidade: vence quem ilude melhor. Fazer o quê? Vivemos de ilusão. O problema é que a prestidigitação pública pode custar os olhos da cara e, não raramente, a cegueira da nação. Parece chato, mas mesmo o mundo dos talentos se rendeu ao business corporativo: do jogador de futebol aos artistas, tudo gira nas mãos dos agentes, dos empresários, e da instrumentalização da mídia.

Aqueles que ainda se inspiram em macro teorias socioeconômicas para explicar a violência – do marxismo ao capitalismo liberal – malograram. São obrigados a recorrer à lengalenga: “o problema é social”, “construção de mais presídios” ou “torcedores e agressores sem causa precisam de lazer”. O resultado final do justificacionismo irresponsável é o nonsense das políticas judiciárias e de segurança pública: encarceram-se punguistas, desocupados e viciados inofensivos enquanto assassinos renitentes e motoristas alcoolizados são liberados com recomendações de “medidas socioeducativas”. O que antes colava fácil, hoje derrapa na desonestidade intelectual. E chega de preconceito de classe social. Todas se envolvem em delinquência e em crimes hediondos. Não faltam B.Os. para comprovar.

Urgente: precisamos mudar de sentido. Que tal começar pelo circo?

Com a aproximação da Copa e da Olimpíada teríamos uma chance, única, de subverter a idolatria do êxito. Antes dos jogos façamos uma convivência lúdica entre rivais. Torcidas adversárias, misturadas, disputem partidas cômicas. A risada, a exposição ingênua ao ridículo e a autogozação, todas elas poderosas armas dissuasivas contra a banalização do ódio.

Na jogatina de palhaços distraídos pouco importa competir ou vencer: só vale nos divertirmos juntos.

Vamos nessa!

Para ver e comentar acesse o link do JB: http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2012/03/30/copa-jogos-e-diversao-contra-o-culto-da-vitoria/

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Cura a termo

28 quarta-feira mar 2012

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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poesia

Cura a termo se calo,

aceito tudo,

o mal está feito

se grito,

nem rochas vibram

só a conversa é audível,

preenche tudo entre nós:

cura a termo. 

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Cura a termo

28 quarta-feira mar 2012

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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po, poesia

Cura a termo se calo,

aceito tudo,

o mal está feito

se grito,

nem rochas vibram

só a conversa é audível,

preenche tudo entre nós:

cura a termo. 

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Artigos Estadão

Artigos Jornal do Brasil

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Entrevista sobre o Livro

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