Sobre não pensar

Não é “não pensar”, essa instância impossível apesar de praticada por boa parte dos políticos e sociedade. E se não me engano há mais de 27 definições de paradigma. O problema foi o desvio do pensar. Pensar para que? Para ganhar mais? Para se tornar hegemonico? Para tornar a reflexão uma matéria intelectual amorfa e cultivar a erudição desteleologizada?

Um pensar tanto vago como esvaziado? A era dos “por ques?” precisa dar lugar a era do para que? O que significa a abundancia de produção? O que quer o homo faber? Os engenhos de produção do saber perderam o sentido porque servem a uma necessidade narcisista de respostas. De avanços que não (me) interessam. O espaço da arrogancia autojustificada. A ciencia que não liberta. Precisamos voltar a fazer as perguntas certas, e quem sabe, reconquistar o espaço interno, quase perdido. O cultivo desta innersfera é a única possibilidade, a única motivação para sairmos da circularidade, da cama de Procusto, desta volta vazia que damos em nossas consciencias sem poder alcança-la.

Até os corpos ficam perdidos com o extravio do espaço de realização do si mesmo. Voltar ao parametro de autoconhecimento da hermeneutica: autoconhecimento não é só conhecer a si mesmo, é conhecer como se conhece a si mesmo.

Lentes finas essas!

E olhos, mirem-se agora.