• Uma entrevista sobre Verdades e Solos
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” no Jornal da USP
  • A verdade lançada ao solo, de Paulo Rosenbaum. Rio de Janeiro: Editora Record, 2010. Por Regina Igel / University of Maryland, College Park
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” por Reuven Faingold (Estadão)
  • Escritor de deserto – Céu Subterrâneo (Estadão)
  • A inconcebível Jerusalém (Estadão)
  • O midrash brasileiro “Céu subterrâneo”[1], o sefer de “A Verdade ao Solo” e o reino das diáforas de “A Pele que nos Divide”.(Blog Estadão)

Paulo Rosenbaum

~ Escritor e Médico Writer and physician

Paulo Rosenbaum

Arquivos do Autor: Paulo Rosenbaum

De @OswaldoAranha para @Presidencia.planalto.gov (Mesonychoteuthis)

06 quarta-feira mar 2024

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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https://www.estadao.com.br/brasil/conto-de-noticia/de-oswaldoaranha-para-presidencia-planalto-gov-mesonychoteuthis

De @OswaldoAranha para @Presidencia.planalto.gov (Mesonychoteuthis)

Paulo Rosenbaum com colaboração de: Codinome Dady

O que é isso companheiro?

Eu nunca votei em você. Nem no outro. Não gosto de partidos que não possuem um programa de governo claro. Uai, não é coerente? Se era para ficar no culto à personalidade vamos voltar ao Brasil Império. Aliás, nem tenho votado. Aqui não tem burocracia e o café da manhã é excelente. Eu também não tenho apreço por uma atitude política como a sua que faz questão de anular a própria herança. Saiba que, no início, eu até achei que a coisa ia andar, mas depois vi quem você foi escolhendo. Amigo, dá um tempo. E olha que só descobri a palavra “aparelhamento” com aquela sua amiga que tinha problemas com o nosso idioma. Mas veja bem, uma coisa é ter todo esse perrengue com você, o outro, é não desejar que o País vá bem. Na democracia deveria ser mais ou menos assim, concordas? Se estou entendendo bem você quer governar sozinho, sem oposição? Mano, isso nunca deu certo. Tirando o fato de que você possa estar sob o efeito Millôr e o “fracasso tenha lhe subido a cabeça” eu te pergunto onde você estava com a cabeça quando resolveu falar tudo que lhe vem a telha? Confundir, não é a palavra e você é bem esperto. Esperto demais. Então, filho, não é confusão, é  provocação premeditada! O público não é bobo, não tinha um slogan assim? O que você pretende? Quando um País como Israel sofre um atentado destas proporções é mais do que necessário, na verdade obrigação do exército defender a população e eliminar a ameaça. Obviamente, dentro da lei internacional. Os hebreus já não sofreram o bastante?  Milhões, foram seis, não? E você foi me falar da maior ferida deles desse jeito? E ainda fica repetindo as bobagens desdizendo o que disse anteontem? Dizem que os brasileiros não tem boa memória. Não é bem assim. Por isso, no Céu, agora gravamos tudo. Tenha Santa Paciência (Estrondo Violento). Ok Altíssimo, já entendi. Filho, faz o seguinte, vai visitar anônimo o Yad Vaschem, o Museu do Holocausto, é, lá na Terra Santa e depois me diz se o que você disse fez qualquer sentido. Véio, admita, você fez burrada.  Já te chamaram até de irredutível,  e olha, até que ficou barato. Que história é essa de mexer com os judeus que tanto lhe ajudaram? Não politicamente, mas defendendo a democracia, que inclusive permitiu tua eleição. Muita gente deu a vida por isso. Em muitas ocasiões, e você sabe bem do que falo, nem preciso entrar nos detalhes. E agora você insufla o ódio contra essa gente? Põe a mão na consciência, rapá. Uma das vantagens de estar aqui em cima é ter uma visão panorâmica, e hoje o pessoal do comitê proibiu drones. E Netflix só documentários, tá osso. Ah, e aqui aqui não entra mais influencer! Não sei se você sabe, mas arranho o hebraico e posso te dizer que nossa Pátria deve ficar honrada em ter acolhido tanta gente do Povo do Livro. Acho que você não sabe, mas a nossa é a maior nação filossemita do mundo. Querido, era para você se orgulhar. Os brasileiros se orgulham. Foi um papelão e ponto final. E observe bem, como eles são gratos ao Brasil, tu nem faz ideia. Agora vem cá,  essa preciso saber: quem é que está te aconselhando? Eu sempre procurei ter gente do bem ao meu lado – é claro que sempre tem um ou outro traíra.  Quem está te sustentando? Calma. Digo, politicamente. Te conto que aqui temos uma comunidade porreta e fiquei muito amigo do D. Pedro II, gente finíssima. Sabia que numa votação ele foi escolhido o brasileiro mais relevante de todos os tempos? De dar inveja, não?  Quando ele soube da tua pataquada soltou uma expressão curiosa, mas foi em idish “Oi Vei”. Boiei. Por acaso você sabe o significado? E depois ele me perguntou sobre você: “Ele trata as pessoas com decência?” E eu te repasso a pergunta: você tem sido decente? Eu queria mesmo é que outros nomes surgissem na cena política, sabe? Você está cercado de aduladores, mas eu posso falar na lata: você não quer ter sucessores. Olha filho, se forem como você nessa terceira fase melhor não ter mesmo. Ah, sim, tem sempre a dignidade de gente emancipada, um menscht como o Roberto Freire. Leu o recado dele? Deveria. Ainda tem muita gente de valor na Câmara apesar de você já tê-los chamado de picaretas. Meu rapaz, você poderia ter feito tanto. Mas tanto. Comentávamos na rodinha que você tinha muito potencial. Tinha. Quantas chances você teve e como sempre as desperdiça. Tem aquele lance do Freud de auto sabotagem, mas não embarco nessa não. Você desonrou o voto de muita gente. Aqui a gente as vezes brinca de voto. No papel, só para zoar. E vou te contar, teu IBOPE caiu muito. Mesmo assim muita gente ai em baixo ainda te vê como a salvação da lavoura. Lavoura não, sei que você detesta o agro. Mas, espera, sempre quis te perguntar, não é o agro que dá o tal superávit? Sei lá, não entendo de macro. Talvez teu ministro da economia possa explicar. Antes de ouvir outras bravatas saiba que apesar do papai Getúlio sempre fui de centro. E também nunca aderi aos movimentos sanguinários. Por falar nisso quem é esse pessoal “Hamas” que anda te elogiando de montão nas redes? Decerto é um agrupamento democrático pelos direitos humanos. Propõem ações inovadoras nas artes? Na cultura? São trabalhadores? Direito das minorias, gays e mulheres? Espera, espera, José Bonifácio – acredita que ele hoje é um chegado? – acaba de me cochichar aqui que eles são muito perigosos. Como? Opa. Um exército de gente do mal que mata e viola bebes.

O que é que é isso companheiro?

E onde é que estão os teus valores democráticos? Que desperdício cara. TSS TSS. Aqui a noitinha é meio porre (TROVÃO e RELÂMPAGOS). Ok, ok, só as vezes. Daqui de cima, fora o carteado não tem grandes atividades e a gente fica ligado na política. Acompanhei a carreira de muitos daqui de cima, de telescópio vi o Lech Walesa, o Vaclav Havel, que líderes! Que Estadistas. Clinton e a Merckel foram direitinhos, até certo ponto. Agora assistimos o tal Milei. Vamos ver no que vai dar. No começo não coloquei muita fé (TROVÃO!!!) Perdão Senhor. Ok, ok. Eu achei que você ia nessa linha, honestidade, luta pelos direitos dos trabalhadores, liberdade de expressão, amor incondicional à justiça. Mas, véio, que decepção que você está me saindo. Você tem ideia do estrago que está causando para a imagem do País? Deixa de molecagem. Justo nós que demos o voto de confiança decisivo para a criação do Estado De Israel? Povo que recebeu com festa a notícia, sempre gratos ao Brasil. Quem não aceitou a divisão foram os outros. Estou achando que você agora quer mais é se vingar. Sabia que a vingança é proibida na Bíblia? Você não precisa ser religioso para admirar o livro sagrado. Já leu Harold Bloom?  Deveria. Olha, você teria que mudar. Vai um conselho, grátis: se continuar a falar besteira você ainda vai perder muita gente que iria te apoiar. Os evangélicos são grandes amigos dos israelitas. Porque você torceu o nariz? Sai dessa. Já falou lá atrás aquelas asneiras na playboy. Não interessa, falou tá falado.  E agora quer importar uma guerra para a Pátria? Furada. Papai me sopra “Olhe primeiro para o Brasil”. Estadistas são construídos nas realizações feitas em benefício do próprio País. Ontem fiquei perplexo, o Sobral Pinto, conhece? Bem, ele me contou que teve tiroteio entre as forças de segurança. Confere? Seu governo perdeu o controle? Informaram aqui que aí já são 50k assassinatos por ano. Você está cuidando direitinho da segurança pública? A prisão de segurança máxima, nos trinques? Afagos em ditadores e tiranos da América Latina? Além da guerra no Oriente Médio não ser nosso problema você se cercou de um pessoal para lá de duvidoso. Stalin? Faça-me o favor! Você está comprometendo 2 séculos de boa tradição do “deixa disso” brasileiro. Jogando no lixo nossa incrível capacidade natural para mediar e promover paz para tocar fogo no circo? Quem é você de verdade? Até o Ferreira Gullar escreveu que quase todas as reivindicações relativas aos direitos dos trabalhadores que estavam no Manifesto Comunista estão hoje na nossa Constituição. Cara, se ninguém tem coragem para te dizer eu digo: você está andando para trás. Para mim, você micou. Eu particularmente tô fora, e a maioria aqui, também já colocou o dedão para baixo.

Quem sabe na próxima?

Em tempo, se você realmente queria um País reconciliado, pisou na bola.

Saudações minhas e de Sua Majestade, que hoje deprimiu de vez depois de te ouvir.

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Convite para o lançamento de “Navalhas Pendentes” 06/02/2024 as 19 hs (Livraria da Vila- Shopping Pátio Higienópolis)

04 domingo fev 2024

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Prezados amigos do Blog

Como autor do livro “Navalhas Pendentes” publicado pela Minotauro-Almedina gostaria de convida-los para o lançamento do livro que acontecerá dia 06/02, ás 19:00 na Livraria da Vila do Shopping Pátio Higienópolis.

Se possível, solicitaria ajuda na divulgação em suas redes.

Muito obrigado por sua atenção.

Um abraço,

Paulo

https://www.estadao.com.br/brasil/conto-de-noticia/minhas-navalhas-pendentes-por-lucia-blanc-barnea-resenha

“Navalhas Pendentes” de Paulo Rosenbaum, além de oferecer uma história surpreendente, na qual seus conhecimentos médicos são utilíssimos, o autor coloca em xeque a liberdade autoral, a liberdade dos leitores e a dimensão por vezes esquemática das narrativas em que estamos todos mergulhados. Grande livro e grande projeto gráfico.”*
*Cintia Moscovitch (Jornal Zero Hora)

“O segredo dos livros mais vendidos

Em Navalhas pendentes, Paulo Rosenbaum encontrou, talvez, o segredo dos livros mais vendidos. Todo editor está sempre em busca de um bom livro para publicar, seja ele técnico, científico, escolar ou ficcional. De autor conhecido ou não, para uma casa editorial que vive de suas publicações, um bom livro é aquele que tem conteúdo relevante e/ou interessante, mas é, também, aquele que traz lucro.
Existe uma categoria de livros que vendem mais, MUITO mais: o chamado best-seller. Encontrar esse livro, antes de sua publicação, é quase uma aposta que, se confirmada, é um prêmio. Sendo assim, a publicação de um livro que vende muito, para além das expectativas, pode ser fruto do investimento em uma rede de prospecção de originais ou, simplesmente, um golpe de sorte. Não são poucos os casos de pequenas editoras que encontraram o “grande prêmio”, mas, de forma geral, o poder econômico das editoras maiores é que é recompensado com maior número de livros nessa categoria.
Mas, e se não for assim? E se capacidade de identificar e publicar livros de grande volume de vendas não obedecer ao esforço de prospecção por novos livros? E, se uma editora encontrar algum mecanismo para publicação de best-sellers?
Neste livro, Paulo Rosenbaum apresenta uma hipótese ficcional envolvente para esse mecanismo. Na trama, uma editora se destaca no mercado por sua enorme e inacreditável capacidade de publicar livros que se tornam campeões de vendas. Em tempos de inteligência artificial, essa hipótese é quase um diagnóstico. O leitor que fique de olhos bem abertos.”

Eduardo Salomão

Rua Pará 76 cj. 83 tels. 32141150 e 32573865
Cel 999361048 rosenbau@ualumni.usp.br rosenbpaulo@gmail.com

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O Embuste da Memória Artificial e Elogio do Senso Histórico* (Blog Estadão)

Destacado

Posted by Paulo Rosenbaum in Livros publicados, Na Mídia

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O Embuste da Memória Artificial e Elogio do Senso Histórico*

Estamos chegando ao dia 27 de janeiro, Dia Internacional em memória das Vítimas do Holocausto – relembrar para não repetir.

Normalmente, um dia de memória é data para tributo. Para muito além disso, é uma ocasião de alertas para a prevenção de erros recorrentes. Desculpem, falhamos, não é o que tem acontecido. Não há o que celebrar.

Você me diz que é assim mesmo, mas como é que não sinto assim? O que posso te dizer? Que cansei de enaltecer a memória?

Que assim como na negação da morte, só conseguimos viver ao reconhecer que precisamos nega-la? Uma certa amnésia parece tanto inevitável como necessária.

Você considera derrotismo? Antes de criticar apresento um exemplo: lembro de quase tudo o que houve com a família do meu avô, e como todos eles desapareceram no gueto de Varsóvia.

Querem saber se foram assassinados pelos nazistas?

Decerto. Mas é mais importante registrar que nunca mais se ouviu falar deles. Sumiram sem deixar marcas no mundo. Evaporaram como folhas secas trituradas e pulverizadas que jamais serão identificadas. Meu avô foi o único que conseguiu sair de lá, e isto só aconteceu porque ele serviu o exército na Polônia. Se já existem negadores do Shoah hoje, imagine daqui a 100 anos.

Deduz-se então que a memória pode envenenar. Como afirmava o médico medieval Theophrastus Bombastus Von Honenhein, também conhecido como Paracelso, ela, a memória,  pode funcionar como veneno ou bálsamo. Ela intoxica pelo excesso. Ela nos adoece pela distorção. Vejam e ouçam a multidão que desfilou solidária aos terroristas. As marchas que fizeram coro de ódio contra judeus. Há pouco mais de 75 anos do fim da segunda guerra mundial o mundo fez renascer o que jamais morreu. Em 07/10 algo foi destravado e dos galpões saíram neonazistas, stalinistas, gente intolerante de todos os espectros políticos. Você acha mesmo que todas estas mobilizações se referem a Israel? À resposta de auto defesa contra os massacres sem precedentes intencionalmente impostos contra civis desarmados? Da reação de legitima defesa contra os terroristas palestinos do Hamas e seu jihadismo por procuração?

Nada disso. Isso tampouco é por falta de memória. Estamos sim, diante de uma memória a serviço da desinformação. Que funciona a todo vapor.

Você agora me pergunta: os judeus são vitimas crônicas do mundo?

Não colocaria desta forma. Aqui no ocidente, somos todos pacientes de uma medicina inescrupulosa chamada geopolítica. Terá a ver com a Rússia despistando suas ações na Ucrânia? China fazendo o mesmo em relação às suas ambições sobre Taiwan? Ou os Aiatolás tentando dar sobrevida à uma teocracia terminal?

Provavelmente. Mas é chegada a hora de  lançar decretos sobre nós mesmos e impor uma certa alienação. Há uma idade que podemos nos dar a este luxo. Não, não , isso que você me apresenta também não é memória.

Enxergo memória seletiva, memória informada, memória distorcida, memória parcial,  memória lacunar, memória intermitente e tantos outros tipos de acúmulos: a memória ao qual estamos acostumados são as notícias estrategicamente colocadas nas manchetes das consciências. É isso, são trechos de informação em meio aos novelos de desinformação. Todos enroscados na cabeça das pessoas. Mas elas não entram, ficam paradas na superfície. Nas imagens do Instagram. Nos comentários dos tribunais eletrônicos. Na opinião pública sem livre arbítrio. As notícias selecionadas pelos editores não são metabolizadas. Não foram feitas para fazer parte do sangue, das células, da genética, do corpo e do espírito. São montadas para que você julgue instantaneamente. Porque se fossem processadas e discutidas esculpiriam em cada sujeito o que realmente faria toda diferença: senso histórico. Um sentido muito mais importante do que a memória. A memória nos obriga a lembrar de fatos, fotografias, encontros e trechos da vida. O senso histórico é um registro anímico.

Por isso, por favor, agora que você já sabe, nunca mais exija coerência da memória.

A memória também pode ser ilógica, pois ela não é necessariamente sequencial. As consequências, por exemplo, podem vir antes das causas, as teses antes das hipóteses, o revisionismo histórico contra os fatos e os fenômenos, e assim por diante. Entendes agora porque elogio algum esquecimento? Imagine por um momento: uma certa amnésia pode ser ser a origem de uma paz embrionária. Um lapso curto pode fazer esquecer do teu compromisso com a vingança. E aquela lista negra que carregamos para todo lado poderia muito bem ficar extraviada depois do cafezinho, em uma restaurante de beira de estrada.

A memória pode, inclusive, ser tirânica. Como as declarações recentes de pessoas que se imaginam lideres. Que tem a ilusão de grande personagem, mas são incapazes de exercer o altruísmo mínimo. O tirano sempre nutri um sonho narcisista. Assume-se como benfeitor com nostalgia do reconhecimento das massas. Através de manobras populistas pode atingir algum êxito. Já à noite, ah, a noite não perdoa!  A verdade impertinente entra e assopra à queima roupa, o que os obriga a reconhecer, no espelho, o tirano jamais será, de fato, um Estadista. E o recalque obriga-o a trabalhar dobrado, impulsionado pelo leitmotiv da desforra, da represália e da vendeta mesquinha. Um exemplo auto evidente de como opera uma memória regida por um núcleo mental perverso.

O que deseja o mundo quando se trata dos judeus?

Uma reedição informal das leis raciais promulgadas em 1935 pelos juízes arianos de Nuremberg? Ali também foram leis publicadas por um Tribunal: “os judeus pertencem a uma raça separada, inferior a todas às demais raças” Desta vez, porém, não serão mais leis raciais. O argumento racial está desprestigiado, pegaria mal. E já não podem confessar abertamente o que desejam: submeter os judeus novamente ao status de “Sem Nação” e força-los a viver sob a velha insegurança ancestral? Quem sabe para reafirmar o gozo: “continuarás a ser o judeu errante de sempre”!

De que outro modo explicar a postura do atual executivo brasileiro rasgando toda doutrina de comedimento diplomático em política externa? Claro que o fizeram usando o astuto manto do antissionismo. E usaram estratégicas redes de desinformação salpicadas de implantes de memória artificial. Por acaso esqueceram do papel simbólico fundamental de Oswaldo Aranha? Uma coisa já é possível afirmar, há limites para fluxo de manada contra Israel, — que deve respeitar as leis humanitárias mesmo lutando contra um exército terrorista vil — incluindo o apoio ao previsível julgamento político contendo acusações caluniosas de intenções genocidárias levadas ao Tribunal Penal Internacional. O veredito? Acaba de sair com um resultado parcialmente favorável a Israel, apesar de uma retórica para lá de duvidosa. Conforme nos adiantou um brilhante e sagaz advogado: nada sobre o maroto jogo de palavras do País que, seguindo o plano premeditado, provocou o tribunal. Em síntese: essa memória artificial não presta. É um engodo.

Destarte, lembrem-se, e repitam em voz alta: vocês não estão sendo traídos pela memória. Vocês é que a traem.

Afinal, como previsto, você acabará me perguntando:

— Será que o mundo não tem memória?

Possui excelente memória, memória corrompida pelo revisionismo de ocasião.

Portanto, passou a ser muito mais honesto exaltar a senso histórico.

Só preciso saber o que fazer com o meu senso histórico:  ele continua a emitir sinais ambíguos, onde se alternam estados de alerta e lampejos de esperança.

Vou avaliar o que sobrar no final do dia.

Se sobreviver, informo.

*Para todos aqueles que tombaram na luta contra a intolerância.

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100 dias: novo manuscrito achado no Mar Morto (Blog Estadão)

Destacado

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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“Qualquer pessoa que tenha se envolvido seriamente em qualquer tipo de trabalho científico percebe que na entrada
dos portões do templo da ciência estão escritas as palavras: Vocês devem ter fé.
É uma qualidade da qual o cientista não pode prescindir.”

Max Planck

Em 2016 recebi uma bolsa literária para escrever em Israel.  Resolvi caminhar perto das cavernas, nas encostas que contornavam um dos portos do Mar Morto. Chutando pedras deparei com o que parecia ser um fragmento de garrafa de cerâmica. Eu a recolhi, e, dentro, havia um rascunho. Parecia ser uma mensagem destinada ao futuro: estava enrolada como um pergaminho, havia uma camada de cera que o envolvia e continha uma tinta espessa, em relevo, As bordas do documento estavam parcialmente queimadas. Com alguma dificuldade removi o papel, depois afastei um lacre e finalmente pude ter acesso ao texto escrito em uma língua com caracteres curiosos e que se lia da direita para a esquerda. Era aramaico. Passei a noite olhando para aquela descoberta, mas passada a síndrome de Champollion senti culpa e fiquei dividido. No dia seguinte, por amor à história, decidi leva-lo pessoalmente a um museu, onde uma equipe de especialistas imediatamente debruçou-se, maravilhada, sobre a peça arqueológica que descobri aleatoriamente, chutando cascalho. Achei muito curioso, já que até hoje nenhum pesquisador conseguiu ainda fornecer um resultado para estabelecer a datação com precisão. A partir dai necessitei de um certo controle para não entrar em devaneios místicos. Meses depois soubemos que era uma escritura não datada e cujo relatório afirmava:

“O texto, inédito, parece fazer parte de uma comunidade hermética. Pode-se constatar no material a atividade do carbono radioativo em 11 dpm/g. Após cálculos, verificou-se a idade aproximada de 2.500 anos comprovando que o papel e a tinta podem ser aproximadamente desta data. O que causou perplexidade foi a constatação de um dado aparentemente contraditório: a presença de um elemento químico que emite baixa radioatividade e desconhecido na terra. Por consenso, decidimos batiza-lo de Eli 180, isso foi ao mesmo tempo uma descoberta breakthrough e um enorme enigma, esperemos que novas pesquisas científicas o decifrem”

Abaixo a tradução do pergaminho:

“…desde o décimo quinto dia do mês de Tishrei: 100 dias e ainda sob uma neblina indissipável. 100 dias e ninguém declarou liberdade. 100 dias sem um segundo de respiração completa. 100 dias de animação suspensa. 100 dias que não são de silencio, mas do mais ruidoso e severo julgamento de uma nação pela história recente. 100 dias de corações congelados pelo liquido insensato. 100 dias sem aval para legitima defesa. 100 dias de ímpias arbitrariedades. 100 dias de gargantas ressecadas por pedidos adiados. 100 dias em prisões subterrâneas. 100 dias sob a tutela da perversidade. 100 dias de instituições desonradas pela conivência. 100 dias mudos de dor. 100 dias sem conhecer a luz natural. 100 dias de marcha ao abismo. 100 dias de nostalgias premonitórias. 100 dias sem um único dia comum. 100 dias tomados pela estranheza de um mundo novo. 100 dias de mudanças nunca requisitadas. 100 dias de perplexidade 100 dias sem mães, pais, irmãos, avós. 100 dias de uma paz unilateralmente violada. 100 dias que nos remeteu ao cativeiro na Babilônia. 100 dias que vivemos sem viver. 100 dias da brutalidade. 100 dias de uma campanha de abusos. 100 dias de tentamens sórdidos. 100 dias de ameaça existencial. 100 dias de coragem supernatural para enfrentar a covardia mundana. 100 dias de injurias ignominiosas. 100 dias de acusações sem lastro. 100 dias de injurias sem processo. 100 dias de multidões por causas nefastas. 100 dias de sons de laringes estreitadas. 100 dias nos quais quem rompe o cessar fogo é tomado como vitima. 100 dias de pedidos irrealistas. 100 dias de sonhos perdidos por séculos. 100 dias de traumas contínuos. 100 dias de julgamentos seletivos. 100 dias de permanência ao relento. 100 dias de luzes apagadas. 100 dias de mutações na linguagem. 100 dias de uma inimaginável inversão. 100 dias de destinos isolados. 100 dias de meninas perdidas. 100 dias de manobras injustas.100 dias de animais executados. 100 dias lotando abrigos. 100 dias sem pisar em casa. 100 dias errando pelo sul. 100 dias de destinos interrompidos. 100 dias recolhendo fragmentos. 100 dias de espíritos dispersos. 100 dias de déspotas triunfantes. 100 dias mostrando quem é intolerante. 100 dias de álibis repugnantes.

E, a partir do Nissan 14, teremos o inesperado:

Aconteceu naqueles dias e soubemos, Ele é Ele:  A Escada da Ascensão apareceu, e a partir deste dia serão milhares de momentos de reconstrução e união, apreciação mútua, de uma paz eleita com quem escolhermos, de um horizonte nunca percebido pelos olhos, de insubmissa tenacidade, de símbolos preservados, de uma tocha que arde como o sol, de astros que iluminam os dias, de uma leveza sem precedentes, de amenidades da natureza, de berços acolchoados, do afeto de desertos que já não são, do retorno dos bebes, de saúde transcendente, de continentes que foram movidos, de promessas de terra fixadas nos céus. De permanência, rio e mar. E a força vital transformada na própria vida do homem. Chegou este momento. Adesão e devoção. Este é o dia”

Até hoje me pergunto se aquele futebol com as rochas trouxe uma informação antecipada ou era apenas um amontoado de coincidências, fruto do nosso pensamento rápido. Serão as profecias antecipações anunciadas exatamente para que as contornemos?  De qualquer modo, como ortodoxo não observante, fiquei  intrigado com o lema “adesão e devoção”. Nessa ordem. Afinal, até na ciência a fé não pode falhar.

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Woke, um pesadelo insone. (Portal Ig)

22 segunda-feira jan 2024

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Woke, um pesadelo insone.                             

Os slogans todos conhecem: a luta anticolonial, o revisionismo histórico (não baseado em evidencias mas em narrativas selecionadas), a teoria racial critica e os desdobramentos, (também filtrados) como a ideologia de gênero e a linguagem neutra. São essas as bases teórico-metodológicas com as quais a ideologia woke trabalha. 

Recentemente, em função da guerra unilateralmente declarada pelo exercito terrorista do Hamas, observou-se um novo e inusitado front nesta ideologia: um arraigado antissemitismo. Muitas vezes estrategicamente disfarçado pela retórica antissionista. Como tem ficado cada mais evidente o antissionismo é uma espécie de desculpa do soft power para não incorrer em uma judeofobia politicamente incorreta.

Para ir além dos refrões, o uso de terminologias reducionistas, as notícias falsas e arregimentação de outras forças, tanto laicas como jihadistas, o movimento vem se arraigando, especialmente nos campi das universidades norte americanas, penetrando no mindset da classe média e em vários rincões da sociedade.

Assim, optamos por examinar sinteticamente cada uma das aporias woke, visando buscar se seus testes de hipóteses passariam por um crivo analítico. Importante salientar que este artigo não pretende estimular as polarizações preexistentes, nem está alinhado a uma corrente específica de pensamento.

O objetivo desta matéria é exatamente refutar a ideia de que haveria uma espécie de argumento final, como sugerem alguns textos dos acadêmicos ligados à ideologia. Precisamos  defender a liberdade de expressão, já que achamos que o debate não pode ser intermediado por padrões principistas que rejeitam a argumentação “a priori” por vir de agendas “que não são vinculados à extrema esquerda” ou não comungam com valores “que não sejam progressistas” (sic).

Progressismo, conceito que do ponto de vista formal hoje não é senão uma carta de compromissos vaga e que abriga várias tendências ideológicas. Normalmente estaria associado à defesa intransigente defesa de valores liberais e democráticos, mas nos partisãns woke estes valores também têm se relativizado. Ao assim proceder, a parcela da comunidade acadêmica que  clama por liberdade absoluta, deseja licença para ameaçar e conclamar extermínio de outras nações e etnias. E que almeja, na verdade, cancelar aquela parcela que enxerga o debate como um esforço de análise da realidade e não como uma alusão às pautas ideológicas predefinidas.

Vale dizer, se não se pode ser seletivo em matéria da defesa da liberdade de expressão tampouco deve-se permitir que a intolerância tenha uma tal expressão que lhe permita suprimir o debate ou coagir fisicamente os oponentes. E parece ser este o caso. Como bem sintetizou a advogada Lena Barcessat “A ideologia woke rejeita o livre pensamento, o pensamento crítico, através do cancelamento das outras formas de pensar”

Esta forma de racionalizar uma série de preceitos ideológicos deu origem ao conceito de interseccionalidade.

Vejamos como a definiu a militante Carla Akotirene em uma recente entrevista:

“É uma ferramenta teórica e metodológica usada para pensar a inseparabilidade estrutural do racismo, capitalismo e cisheteropatriarcado, e as articulações decorrentes daí, que imbricadas repetidas vezes colocam as mulheres negras mais expostas e vulneráveis aos trânsitos destas estruturas.”

Neste sentido, nota-se que a interseccionalidade é uma espécie de novelo de co-dependencias conceituais, sempre com uma conotação de denúncias e perspectivas negativas e que, ao fim e ao cabo visam opor-se à “sociedade opressora”. Ora, ao assim entender quase todo mundo ocidental, e, propor que os seus valores sejam combatidos, fica-se com a impressão de que a oposição da teoria teenager é ao mundo tal como o conhecemos. E vale indagar: seria substituído por qual tipo de sistema? Mas se isso não está muito claro há parâmetros indiciários que pressupõem que a doutrina woke não passe de um culto, intolerante e radical, que, ao defender a própria supremacia intelectual não apenas despreza, como sugere a abolição da diversidade de pensamento.

Mas o fato é que ao estabelecer uma relação axiológica de valoração negativa ligando capitalismo/racismo/cisheteropatriarcado, conceitos que estão tão vinculados e intrinsecamente conectados que não se pode isolá-los para produzir qualquer análise.

É uma síntese ideologicamente forçada para atribuir senão todas, mas boa parte das mazelas à perfomance das sociedades ocidentais, já que em sua maioria são capitalistas e heterossexuais, mas, para frustração do núcleo duro de mais esta tese de ofício, não necessariamente racistas. Ao assim unir os conceitos sob a forma de um “pacote”, estariam garantindo uma espécie de imunidade analítica antecipada, uma vez que só se pode compreender de forma “verdadeira” estes conceitos, se fossem tomados como um tanden, pois viriam sempre juntos, pois indissociáveis.

Destaco aqui a palavra “inseparabilidade”, que demonstra como o contexto transformou-se num álibi para tecer distorções. Não é fortuito que as reitoras universitárias de Harvard, Penn e do MIT, tenham evocado a palavra “complexidade”. A indulgência da complexidade gera uma confusão voluntária a qual embaralha o que precisa ser objetivamente discutido. Em outros tempos chamaríamos de dogmas. Daí o nome interseccionalidade que favorece uma farsesca terminologia instrumental como, por exemplo, nomear todos aqueles que não se submetem ao ideário de “fascistas”.

Só se poderia compreender bem o conceito caso houvesse clara percepção destas linhas que se cruzam. Como acredito um pouco na premissa cartesiana, aquela das ideias claras e distintas, admito certo constrangimento em penetrar nesta estranha definição.

Não seria o caso de perder tempo para melhor compreendê-la se esta exótica mistura de militância, ideologia radical, e, até certo ponto conspiratória, não tivesse com ajuda de financiamento de países autocratas, dominado parte significativa do ambiente universitário norte americano e se expandido para países do terceiro mundo de forma acrítica.  E, principalmente, se não estivesse tão comprometida com o combate à discriminação de forma eletiva.

Um comprometimento que resvala em uma peculiar seletividade da anti cultura woke:  esmorecer quando se trata de condenar o antissemitismo, falha quando se trata de denunciar grupos ou etnias “midiaticamente menos interessantes” como os massacres contra os cristãos na Nigéria, os muçulmanos Hazara no Afeganistão,  os  Yazidis no Iraque, os Rohingyas em Brunei. E, claro, na recente e ignominiosa omissão quando os inimigos da humanidade, o exército terrorista do Hamas, cometeu crimes sexuais inomináveis contra mulheres judias e não judias no dia 07 de outubro em Israel.

Talvez seja melhor mergulhar na velha sonolência para esperar que o pesadelo insone dos “acordados” passe logo e voltemos a viver sem as aberrações do terror justificado, e livres de aventuras ideológicas pueris.    

https://ultimosegundo.ig.com.br/colunas/paulo-rosenbaum/2024-01-15/woke-um-pesadelo-insone.html

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For those who hide under the comfortable cloak of anti-Zionism. (Blog Estadão)

01 segunda-feira jan 2024

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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For those who hide under the comfortable cloak of anti-Zionism.

Do you know that that cloak of yours has already hidden a lot of things? He is full of injustices. And he drags a legion of massacred people. Do you know that there is a list of little hiding places where your arguments are reserved for selected causes? Do you know that your group and those who support your agenda against Israel can no longer hide that being against the only Jewish state in the world is being against the security of Jews in the world? That there is a very serious moral contradiction in taking a stand against the Jews and supporting those who want their annihilation?

No one can say that your alignment is inconsistent. Together they hid the omission of feminists when on October 7th, yes, just now, when all organizations in the world were silent in the face of the atrocities of a sexual nature committed against Jews and non-Jews in Israel. Together, they also decided to choose terms that they know do not reveal reality, such as, for example, ignoring historical issues – exactly the opposite of colonialism, the opposite of apartheid — and promoting a revisionism that is both irresponsible and of dubious intellectual accuracy.

Their alignment is coherent when they express support for bloodthirsty autocracies, violent dictatorships, misogynistic theocracies and homophobic regimes. Its alignment is revealed when it reveals selective intolerance against a country that needs to defend itself from systematic terrorist attacks. And finally your alignment becomes transparent when you choose to take a barbaric stance against the values of democracy and civilized life.

Now do you understand? It became clear that the fight against anti-Semitism comes up against a fundamental clause of ignorance: its desire to elevate dogmas to the status of truth. That your attachment to slogans outweighs your desire to search for truth. Everything that is said will be insufficient, do you know why? How else could we believe your false assertions? That the victim deserves to be embarrassed by the attackers. Contemptuous aggressors, who openly state that they would do it all over again. “They would do it all again.” Yes, that was the phrase. We need diplomacy, but first some forcefulness is needed when the narrative replaces not only the facts, but seeks to erase all honest arguments.

I don’t need to prove it to you, mathematics would do it if it respected basic arithmetic procedures: there is no genocide, much less genocidal intention when a population grows exponentially, as is the case with the Palestinian population in Gaza and in the territories controlled by the Palestinian authority. On the other hand, where are the almost 1 million Jews expelled from Arab countries with an Islamic majority? Where are? Oh, wouldn’t you know for sure? Well, they are there in Israel, the only refuge they have left. But arguments don’t seduce you, do they?

You prefer to call humanity’s archenemies combatants. It was you who named those who immolate children alive and burn people in their homes “resistance.” It was his choice to call apartheid a state that is home to 25% of Israeli Arabs, Druze and other ethnicities and who hold administrative and non-administrative positions in parliament, universities and the high court of Israel. But all that doesn’t concern you, does it?

You tell me that you have another perspective: it’s all a question of ideology.

But now I can no longer delay, answer: where is your perspective of freedom?

What is democracy for you? Who knows, at night, when there are no witnesses, you can admit that your theses are ex officio, that is, all you need is for you and those you influence to believe in them. In other words, your theses do not need proof, neither empirical nor intellectual: you just need to endorse them so that by magic you can elevate them to the level of truth. Of absolute truth. And then you forget about dialectics. And there is no memory to remember that there is always room for a contradiction, right? I won’t be the one to tell you the name of this type of intellectual conduct, but there is an article in the penal code that perfectly describes the infraction, it is in the field of ethics, but it borders on the criminal field.

And what about us? We will continue on the path of, together with humanity, building a just and even ephemeral peace, which builds links based on values, under a fraternity that is at the root of the Mosaic code, one that prioritizes internal change in subjects over arbitrary revolutions.

The problem with the disinformation that you, your assistants and voluntary and involuntary collaborators promote against the Jews and Israel, Israel and the Jews, no matter the order, is that you start to believe in the effectiveness of your deception techniques. Perhaps you still don’t know that there is another method that detects all the traces that you have been trying to camouflage: in the evidentiary paradigm there is always a historical path that can lead to the clarification of the evidence. There is always a slip-up, a mistake that reveals how those who hate Jews, — like so many others submerged by the rubble of history — forget to bury the evidence that will later unmask their racist alibis.

That will make him naked in front of all his wrathful impetus.

Which clarifies once and for all who is the persecuted and who is, in fact, the persecutor.

Well, Gleise, the mantle has fallen.

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Para aqueles que se escondem sob o confortável manto do antissionismo. (Blog Estadão)

01 segunda-feira jan 2024

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Para aqueles que se escondem sob o confortável manto do antissionismo.

Sabes que esse seu manto já escondeu muita coisa? Ele está enxarcado de injustiças. E ele arrasta uma legião de massacrados. Sabes que há uma lista de pequenos esconderijos onde seus argumentos ficam reservados para causas selecionadas? Sabes que sua agremiação e aqueles que apoiam sua agenda contra Israel, não conseguem mais dissimular que ser contra o único estado judaico do mundo é ser contra a segurança dos judeus no mundo? Que há gravíssima contradição moral em se posicionar contra os judeus e apoiar quem deseja sua aniquilação?  

Ninguém pode dizer que seu alinhamento é incoerente. Juntos esconderam a omissão das feministas quando em 07 de outubro, sim, agora há pouco, quando todas as organizações do mundo se calaram diante das atrocidades de natureza sexual cometidas contra judias e não judias em Israel. Também juntos resolveram escolher termos que sabem que não revelam a realidade como, por exemplo, ignorar as questões históricas – exatamente o oposto do colonialismo, o oposto do apartheid —   e promover um revisionismo tanto irresponsável como de duvidosa acurácia intelectual.

Seu alinhamento é coerente quando explicitam apoio às autocracias sanguinárias, ditaduras violentas, teocracias misóginas e regimes homofóbicos. Seu alinhamento é revelado quando revela intolerância seletiva contra um País que precisa se defender de ataques terroristas sistemáticos. E finalmente seu alinhamento fica transparente quando você escolhe se perfilar à barbárie contra os valores da democracia e da vida civilizada.  

Agora entendes? Ficou evidente que lutar contra o antissemitismo esbarra numa clausula pétrea da ignorância: seu desejo de elevar os dogmas à condição de verdade. Que seu apego aos slogans supera seu desejo pela busca da verdade. Tudo que for dito será insuficiente, sabes por quê? De que outra maneira poderíamos acreditar em tuas falsas assertivas? De que a vítima merece ser constrangida pelos agressores. Agressores contumazes, que afirmam abertamente que fariam tudo de novo. “Fariam tudo de novo”. Sim, essa foi a frase. Precisamos de diplomacia, mas, antes urge alguma contundência quando a narrativa substitui não apenas os fatos, mas busca apagar todos os argumentos honestos.

Não preciso te provar, a matemática bem que o faria se comente respeitasse os procedimentos aritméticos básicos: não há genocídio muito menos intenção genocidária quando uma população cresce exponencialmente como é o caso da população palestina em Gaza e nos territórios controlados pela autoridade palestina. Por outro lado, onde estão os quase 1 milhão de judeus expulsos dos Países árabes de maioria islâmica? Onde estão? Ah, não saberia dizer ao certo? Pois bem, estão lá em Israel, único refúgio que lhes restou. Mas os argumentos não te seduzem, pois não?

Você prefere chamar os arquinimigos da humanidade, de combatentes. Foi você quem nomeou aqueles que imolam crianças vivas e queimam pessoas em suas casas de “resistência”. Foi sua escolha chamar de apartheid um Estado que abriga 25% de árabes israelenses, drusos e outros etnias e que ocupam cargos administrativos e não administrativos no parlamento, nas Universidades e na alta corte de Israel. Mas tudo isso não te diz respeito, não é mesmo?

Você me afirma que tem outra perspectiva: é tudo uma questão de ideologia.

Mas, agora não posso mais postergar, responda: onde é que está sua perspectiva de liberdade?

O que é democracia para você? Quem sabe, à noite, quando não há nenhuma testemunha você possa admitir que suas teses são de ofício, isto é, basta que você e aqueles que você influencia acreditem nelas. Em outras palavras, suas teses não precisam de comprovação, nem empírica nem intelectual: basta que você as endosse para que num passe de mágica você as eleve ao patamar da verdade. Da verdade absoluta. E então você esquece da dialética. E não há memória para recordar que sempre cabe um contraditório, vale? Não serei eu a te informar o nome deste tido de conduta intelectual, mas há um artigo no código penal que descreve perfeitamente a infração, ela está no campo da ética, mas avança à beira do campo criminal.  

E quanto a nós? Prosseguiremos no caminho de junto com a humanidade construir uma paz justa e mesmo efêmera, que construa elos baseados em valores, sob uma fraternidade que está na raiz do código mosaico, aquele que prioriza a mudança interna nos sujeitos sobre revoluções arbitrárias.   

O problema da desinformação que você, seus assistentes e colaboradores voluntários e involuntários promovem contra os judeus e Israel, Israel e os judeus, não importa mais a ordem, é que vocês passam a acreditar na eficácia de suas técnicas de despiste. Talvez você ainda não saiba que há um outro método que detecta todos os rastros que você vem tentando camuflar: no paradigma indiciário há sempre um caminho histórico que pode levar ao esclarecimento das provas. Há sempre um deslize, um ato falho que revela como aquele que odeia judeus, — como tantos outros submersos pelos escombros da história — esquece de enterrar a prova que adiante desmascarará seus álibis racistas.

Que o colocará nú diante de todo seu ímpeto colérico.

Que esclarece de vez quem é o perseguido e quem é, de fato, o perseguidor.

Pois bem Gleise, o manto caiu.      

https://www.estadao.com.br/brasil/conto-de-noticia/para-aqueles-que-se-escondem-sob-o-confortavel-manto-do-antissionismo/

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We, genocide survivors! (Ig – Último Segundo)

21 quinta-feira dez 2023

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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We, genocide survivors!

In recent articles published sequentially in periodicals and other newspapers, columnists brought their opinions on the current conflict in the Middle East. However, when evoking the backdrop of the war that is being fought between Israel and the Hamas terrorist army, one of them brought unacceptable historical distortions. Vladimir Safatle , for example, published an article on 11/23 to “narrate” his perspective on events.

He begins his diatribe indignant at some of the exponents of contemporary critical theory such as Jurgen , Habermans , Forst , Deitelhof and Gunther who published a text as an open letter on 10/13 “Principles of solidarity. An affirmation”, in the original Grundsätze der Solidarität . Eine Stellungnahme . In the text published on the research website Normative Orders from Frankfurt’s Goethe University, those authors defended the obvious: Israel’s right to retaliate. An eloquent defense of that country, they denounced the “anti-Semitic feelings and convictions (hatred against Jews), under every form of pretext”, referring to any attempt to baselessly attribute Israel’s military counter-attack action as “genocidal intentions ” .

Here is an excerpt from the open letter:

“The current situation, created by Hamas’ unparalleled attack and Israel’s response to it, has led to a series of moral and political statements and demonstrations. We believe that despite all the contradictory opinions expressed, there are some principles that should not be challenged. They underlie the solidarity rightly extended to Jews in Israel and Germany. The Hamas massacre, with its stated intention to destroy Jewish life in general, prompted Israel to retaliate. The way in which this counterattack, in principle justified, is carried out is controversially discussed; the principles of proportionality, avoiding civilian casualties and waging war with the prospect of future peace must be guiding principles. In particular, Israel’s actions in no way justify anti-Semitic reactions, especially in Germany. It is unbearable that Jews in Germany are once again exposed to threats to life and limb and have to fear physical violence in the streets.”

Genocide is a word coined by Polish-born writer Raphael Lemkin , himself a survivor who escaped the Holocaust. Lemkin was disturbed when he heard in a radio broadcast by the then English Prime Minister Winston Churchill: “we are in the presence of a crime that has no name”. Lemkin , exiled to the USA in 1943, having lost his entire family murdered by the Nazis, imagined that the “crime without a name” required a more precise definition than the unnameable. The word was created from everything that was seen during the attempt to eliminate ethnicities and human groups, as was the case with the extermination of at least 1,500,000 Armenians by the Turkish-Ottoman army, known as the great crime, “ Medz Yeghern ”. Although other peoples regrettably also experienced extermination attempts, in the case of the Jews there was an unprecedented continuous, systematic and transnational action, which lasted about 6 years. Trains of Jews in train carriages from all over Europe systematically went to extermination camps where they were enslaved and then eliminated with Zyclon -B, a gas specially developed for mass murder. Lemkin then brought together the word genós (from the Greek tribe or race) and Cide (Greek – murdering or killing), and obtained the word genocide.

The word “genocide” only began to be used more frequently some time later, in 1948. The word, for example, did not appear in older editions of the Oxford Etymological Dictionary – but it was already present in American Heritage and became more enlightening:

“Systematic planning for the annihilation of a political, racial or cultural group.”

To dismantle the thesis that Israel proposes some form of genocide – and refute it – it will be necessary to turn to numbers: the Palestinian population of Gaza had a significant demographic growth rate growing at a growth rate of 2.25 (2018 estimate) and birth rate of 30.5 births per 1000 inhabitants. The population of Israeli Arabs, which numbered 151,000 after 1948, now numbers 1,995,000 million, a growth of approximately 1,231% with a fertility rate of 2.98 unborn children for each woman.

Now, what genocide (sic) is this, which produces a reverse mathematical result? That is to say, an exponential demographic increase in the population supposedly subjected to systematic and programmed extermination.

Safatle ‘s central argument :

“Genocide is not something linked to some absolute number of deaths, but rather to a specific form of policy of erasing bodies, dehumanizing the pain of populations, silencing public mourning that strips populations of their humanity and expresses historically reiterated processes of subjection.”

Now, it is almost self-evident that the description used – “erasing of bodies, silencing of public mourning that strips populations of their humanity” – would fit much more closely with the acts aimed at genocide by Hamas terrorists than to the Israel Defense Forces. In fact, it is practically the same script used by jihadist killers .

If you insist on stating that the “genocide” you are referring to, how about explaining better why it is not based on mathematical evidence of demographic decline? Would it be in another category? Can a genocide not necessarily be reflected in a population decrease in numerical terms? Would we be facing a genocide with a population surplus?

As we have seen, the article signed by Habermans and collaborators repudiates the “expressions of genocidal intention”, while the author of the article published in the São Paulo newspaper attributes such intention with poetic freedom to the government of Israel. Would he have been so reactive due to the accusation of “anti-Semitic convictions”?

Let us then once again evoke some facts, phenomena that embarrass those who feel they must give up their seats for grandiloquent speeches:

In 1939 there were 18 million Jews in the world. Today Jews number 15 million. In 1948, 951,000 Arabs lived in the Palestinian region and during the War of Independence – after Israel was invaded by Egypt, Jordan and Syria – 141,000 remained, and today Israel has 1.995 million Arabs.

Some TV media, such as the BBC and the French TV5 in Spanish, uncomfortable with the expression “terrorists” – even though the governments of the United Kingdom and France considered the Gaza group a terrorist entity – still grant the kidnappers and baby roasters, the nickname “militant group” or “ free fighters ”.

The outrage should be directed at those who justify the acts of 10/7 as a “proportionate” response to oppression. This is when the parade of slogans that try to pass themselves off as truth begins, such as “ apartheid regime ” or “terrorist state”, when it is known that the social integration of Arabs in Israel, although far from perfect, is an example of isonomy among citizens. In which apartheid regime are there opposition parties, the right to vote, the exercise of the same rights and duties and in which Arab judges are part of the Supreme Court of Justice?

These ideologically instrumentalized concessions/perversions of language operate in an ignominious way, and by bastardizing the word genocide there is, at the very least, bad conscience.

It’s time to lose the illusion that those who are convinced are persuadable. But in this global crisis it became clear that Hamas, in addition to using civilians as human shields under hospitals, temples and UN organizations, managed, at least initially, to deceive the press and public opinion. A temporary achievement, because it is unsustainable. By openly confessing that its purpose is to “blame and hold Israel responsible for the humanitarian tragedy” and that the objective is to “repeat what was done on 10/7 again and again” the false dilemmas about the evil nature of Hamas must dissipate.

No, in fact it is not a single cause, but it is the efficient cause.

While in the attacked country’s response, civilians are unfortunately affected in an involuntary and unsystematic way as they seek to dismantle the structure of the terrorist army financed by the Ayatollahs and other regimes governed by autocratic leaders, Hamas’ strategy is abjectly transparent: it proposes the elimination of a State and of its citizens in its “constitutional charter”. Furthermore, it wants to take its fight beyond the borders of the Middle East by proposing the globalization of jihadism . There are those who support the strategy.

The question is: to what extent will they support this? By making terror pop, do the masses who march with terrorist flags and insignia know what values they are proclaiming?

If you know, in this case you need to bear the consequences of your decisions: supporting the enemies of humanity will result in autocratic governments, theocracies, ruthless religious laws imposed on the majority of the population, intolerance to diversity, institutional homophobia with criminal sanctions and capital punishment, criminalization of other religions and cults, setbacks in individual freedoms, abolition of civil legislation and installation of a 7th century penal code.

If defenders of acts of sub-humanity persist in defending those crimes committed by murderers in a state of ecstasy, it will be necessary to create new social contracts, that is, to redo all the legislation and moral codes we know. If victims can no longer respond to attacks, we will need to re-found the foundations of international law and legislation as we know them today. If legitimate defense and acts of preventing the repetition of barbarism (repeatedly reaffirmed by terrorists and philo-terrorists ) come to be considered more malicious than the attack itself, it will be necessary to reconfigure everything we have learned not only from the point of view of culture, but also also, and mainly, on where our concept of civilization is based.

The malaise in culture predicted by Freud in the moments leading up to the outbreak of the Second World War may be repeating itself, although under another configuration, the central crisis is axiological: it is in values, in the meaning of the good, of self- transcendence, of ethical-moral axes, and culture itself.

The nodal point demands maximum attention from humanity: the choice between civilization and non-civilization. And here we can evoke Karl Popper’s principle: the paradox of open societies and their enemies. What if these societies allow the rise to power of groups that begin to fight to suppress it? How can we prevent these forces from turning against democratic values? What if religious freedom is questioned? What mechanisms do we have to stop the abuses of autocrats, populists and fanatics usually united to move forward on the path from catastrophe to catastrophe?

So far, reality shows that we have not yet found effective measures against these paradoxes. It is impossible to emerge dry from this sea of problems, and, without delving into the dilemma, no one will emerge unscathed.

Nobody.

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Nós, sobreviventes do genocídio! (Jornal “O Dia”)

21 quinta-feira dez 2023

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Nós, sobreviventes do genocídio!

Em recentes artigos publicados sequencialmente em periódicos, e em outros jornais, articulistas trouxeram suas opiniões sobre o atual conflito no Oriente Médio. No entanto, ao evocar o pano de fundo da guerra que se trava entre Israel e o exército terrorista do Hamas, um deles trouxe inaceitáveis distorções históricas. Vladimir Safatle, por exemplo, publicou um artigo no dia 23/11 para “narrar” a sua perspectiva dos eventos.

Ele começa sua diatribe indignado com alguns dos expoentes da teoria crítica contemporânea como Jurgen Habermans, Forst, Deitelhof e Gunther que publicaram um texto como carta aberta no dia 13/10 “Princípios de solidariedade. Uma afirmação”, no original Grundsätze der Solidarität. Eine Stellungnahme. No texto publicado no site de pesquisa Normative Orders da Universidade Goethe de Frankfurt, aqueles autores defenderam o óbvio: o direito de retaliação de Israel. Uma eloquente defesa daquele País, denunciaram os “sentimentos e convicções antissemitas (ódio contra judeus), por toda forma de pretexto”, se referindo à toda tentativa de atribuir de forma infundada à ação militar de contra ataque de Israel como “intenções genocidárias”.   

Eis um trecho da carta aberta:

“A situação atual, criada pelo ataque inigualável do Hamas e pela resposta de Israel ao mesmo, levou a uma série de declarações e manifestações morais e políticas. Acreditamos que, apesar de todas as opiniões contraditórias expressas, existem alguns princípios que não devem ser contestados. Eles são subjacentes à solidariedade corretamente estendida aos judeus em Israel e na Alemanha. O massacre do Hamas, com a sua intenção declarada de destruir a vida judaica em geral, levou Israel a retaliar. A forma como este contra-ataque, em princípio justificado, é realizado é discutida de modo controverso; os princípios da proporcionalidade, de evitar vítimas civis e de travar uma guerra com a perspectiva de uma paz futura, devem ser princípios orientadores. Em particular, as ações de Israel não justificam de forma alguma reações antissemitas, especialmente na Alemanha. É insuportável que os judeus na Alemanha sejam mais uma vez expostos a ameaças contra a vida e a integridade física e tenham de temer a violência física nas ruas.”

Genocídio é uma palavra cunhada pelo escritor nascido na Polônia, Raphael Lemkin ele mesmo sobrevivente que escapou do holocausto. Lemkin ficou perturbado quando ouviu numa transmissão radiofônica do então primeiro-ministro inglês Winston Churchill: “estamos na presença de um crime que não tem nome”. Lemkin, exilado nos EUA em 1943, perdera toda a família assassinada pelos nazistas, imaginou que o “crime sem nome” exigia uma definição mais precisa do que o inominável. A palavra foi criada a partir de tudo que se viu durante a tentativa de eliminar etnias e grupamentos humanos, como fora o caso do extermínio de, pelo menos 1.500,000 de armênios pelo exército turco-otomano, conhecido como o grande crime, “Medz Yeghern’. Embora outros povos lamentavelmente também tenham experimentado tentativas de extermínio, no caso dos judeus houve uma ação contínua, sistemática e transnacional inédita, que durou cerca de 6 anos. Comboios com judeus em vagões de trens de toda a Europa seguiam para os campos de extermínio de forma sistemática onde eram escravizados e depois eliminados com o Zyclon-B, gás especialmente desenvolvido para assassinatos em massa. Lemkin então reuniu a palavra genós (do grego tribo ou raça) e Cide (grego – assassinando ou matando), e obteve a palavra genocídio.

Mas a origem pode também ser etimologicamente esclarecida através de uma análise ainda mais atenta. Para isso recorremos ao verbete, que, na história das línguas, é relativamente novo pois “genocídio” só começou a ser mais frequentemente usado algum tempo depois, em 1948.  A palavra por exemplo, não figurava nas edições mais antigas do Oxford Etimological Dictionary – mas já estava presente no American Heritage e vejam só como ela foi ficando mais esclarecedora:

“Planejamento sistemático de aniquilamento de um grupo político, racial ou cultural.”

Para desmantelar a tese de que o Israel propõe alguma forma de genocídio – e refutá-la – será preciso recorrer aos números: a população palestina de Gaza teve significativa taxa de crescimento demográfico crescendo num índice de crescimento de 2,25 (estimativa de 2018) e de nascimento de 30,5 nascimentos por 1000 habitantes. Já a população de árabes israelenses que contava com 151.000 depois de 1948, hoje conta com 1.995,000 milhões, um crescimento de mais ou menos 1.231 % com uma taxa de fertilidade de 2,98 nascituros por cada mulher.

Ora, que genocídio (sic) é esse, que produz um resultado matemático reverso? Vale dizer, aumento demográfico exponencial da população supostamente submetida a um extermínio sistemático e programado. Para além do debate intelectual, seria importante que autores que discutem o tema contivessem seus ímpetos ideológicos e voltassem à análise fidedigna. Não seria má ideia retificar os cálculos e a publicação de um pedido de desculpas aos leitores.

Examinemos o argumento central de Safatle:

“Genocídio não é algo ligado a algum número absoluto de mortes, mas sim a uma forma específica de política de apagamento dos corpos, de desumanização da dor de populações, de silenciamento do luto público que retiram populações de sua humanidade e expressam processos historicamente reiterados de sujeição.”

Ora, é quase auto evidente que a descrição usada – “apagamento dos corpos, silenciamento do luto publico que retiram populações de sua humanidade” — adequar-se-ia muito mais aos atos que visavam o genocídio por parte dos terroristas do Hamas do que às Forças de Defesa de Israel. Na verdade é praticamente o próprio roteiro usado pelos assassinos jihadistas.  

Caso insistam em afirmar que o “genocídio” ao qual se refere que tal explicitar melhor porque ele não está baseado em evidencias matemáticas de decréscimo demográfico? Estaria numa outra categoria? Um genocídio pode não se refletir necessariamente em decréscimo populacional em termos numéricos? Estaríamos diante de um genocídio com superávit populacional?

Como se viu artigo assinado por Habermans e colaboradores repudia as “expressões de intenção genocidária”,  já o autor do artigo publicado no periódico paulista, usando extravagante liberdade poética, atribui tal intenção ao governo de Israel. Teria ficado tão reativo em função da acusação de “convicções antissemitas”?

Ou seja, ele se outorga a decisão do que pode ou não ser considerado genocídio. Neste caso deveria assumir que criou uma espécie de nomenclatura super personalizada, que ele mesmo cunhou para si com a função de administrar aulas de doutrina para o seu público. Teríamos então que chamar a atenção para um evidente desvio de função da ação pedagogia, pois sua técnica foi recorrer à uma linguagem não consensual. 

Vamos então novamente evocar alguns fatos, fenômenos que constrangem aqueles que acham que eles devem desaparecer para ceder seus lugares para discursos grandiloquentes:

Em 1939 havia 18 milhões de judeus no mundo. Hoje os judeus somam 15 milhões. Em 1948 habitavam a região Palestina 951.000 árabes e que durante a Guerra de Independência – depois que Israel foi atacado pelo Egito, Jordânia e Síria e suas respectivas populações – restaram 141.000, e hoje Israel conta, como repetido acima, com 1.995 milhão de árabes.

Para que não se tome as nuvens por Juno, e para que os leitores entendam o conceito de uma forma mais adequada, trouxemos mais elementos para análise. Ao reagir ao ataque dos inimigos da humanidade, a insinuação é que a resposta armada de Israel estaria agindo para aniquilar indiscriminadamente todos os civis de Gaza.

Algumas mídias da TV, como por exemplo a BBC, e a TV 5 francesa versão em espanhol,  incomodadas com a expressão “terroristas” – mesmo tendo os governos do Reino Unido e da França considerado o grupo de Gaza como entidade terrorista – ainda concedem aos sequestradores e assadores de bebês, o apelido de “grupo militante” ou de “free fighters”. 

E não são poucos aqueles que justificam os atos de 07/10 como uma resposta “proporcionada” diante da opressão. E aí vemos o desfile de expressões e slogans que querem se fazer passar por verdade, tais como “regime de apartheid” ou “estado terrorista”, quando é sabido que a integração social dos árabes em Israel, mesmo longe de perfeita, é um exemplo de isonomia entre os cidadãos. Em qual regime de apartheid há partidos de oposição, direito a voto, exercício dos mesmos direitos e deveres e no qual juízes árabes integram a Suprema Corte de Justiça?  

Ora, na mais generosa acepção, estas concessões/perversões da linguagem ideologicamente instrumentalizadas – operam de um modo ignominioso e espalham confusão e ódio.  Ao bastardizar a palavra genocídio há no mínimo, má consciência. Não passaria, por exemplo, no crivo de nenhuma análise minimamente rigorosa. Muitos articulistas, comprometidos por uma ideologia prévia ao deixar-se levar pelas distorções quando apresenta seus comentários. Trata-se de uma tese de ofício, que independe da verificação dos fenômenos.

Já está na hora de perder a ilusão de que aqueles convictos — em sua maioria gente que vive à revelia da realidade — sejam persuadíveis. Mas nesta crise mundial ficou evidente que o Hamas, além de usar os civis como escudos humanos sob hospitais, templos e organizações da ONU, conseguiu, pelo menos num primeiro momento, ludibriar a imprensa e assim levar junto a opinião pública. Mas este primeiro logro será passageiro, porque insustentável. Ao confessar abertamente que seu propósito é esse “culpabilizar e responsabilizar Israel pela tragédia humanitária” e que o objetivo é “repetir o que foi feito no dia 07/10 de novo e mais uma vez” os dilemas sobre a natureza do Hamas maligna devem se dissipar.

No entanto é preciso reafirmar que temos uma tragédia induzida voluntariamente pelos assassinatos em massa, estupros e sadismo só testemunhados quando o Daesch teve seus odiosos 15 minutos de fama. Não, de fato não é uma causa única, mas é a causa eficiente.

É tão difícil assim perceber as diferenças? Enquanto na resposta do País agredido os civis infelizmente são atingidos de forma involuntária e assistemática ao buscar desmantelar a estrutura do exército terrorista financiado pelos Aiatolás e outros regimes regidos por líderes autocráticos, a estratégia do Hamas é tanto abjeta como transparente: propõe a eliminação de um Estado e de seus cidadãos em sua “carta constitucional”. Além disso, quer levar sua luta para além das fronteiras do Oriente Médio ao propor a globalização do jihadismo, e o sacrifício da população palestina a fim de alcançar seus objetivos estratégicos terroristas.

E notem, há quem apoie a estratégia.

A pergunta que fica é até que ponto assumirão este apoio? Ao tornar o terror pop – que os céus me perdoem pela expressão – as massas que marcham com bandeiras e insígnias terroristas sabem realmente quais valores estão proclamando?

Há duas possibilidades: se sabem, precisam arcar com as consequências de suas decisões: apoiar os inimigos da humanidade resultará em governos autocráticos, teocracias, leis religiosas implacáveis impostas à maioria da população, intolerância à diversidade, homofobia institucional com sanções penais e pena capital, criminalização de outras religiões e cultos, retrocesso nas liberdades individuais, abolição da legislação civil e instalação de um código penal do século VII. 

Se não sabem, eis o momento de dar marcha a ré e sair da onda enquanto é tempo.

Se os defensores de atos de sub-humanidade persistirem na defesa daqueles crimes cometidos por bandos assassinos em estado de êxtase, será preciso fazer novos contratos sociais, vale dizer, refazer toda legislação e códigos morais que conhecemos. 

Se as vítimas não puderem mais responder aos ataques precisaremos refundar as bases do direito internacional e da legislação jurisprudencial tal qual os conhecemos hoje.

Se a legitima defesa e os atos de prevenção à repetição de barbáries (reiteradamente reafirmados pelos terroristas e filoterroristas) passarem a ser considerados mais dolosos do que o próprio ataque, será preciso reconfigurar tudo o que aprendemos não apenas do ponto de vista da cultura, mas também, e principalmente, sobre onde está fundamentado nosso conceito de civilização.

Ou, se não aprendemos, no que consiste esta falha pedagógica monumental a não ser uma perversão absoluta de noções como o significado do bem, da auto transcendência, dos eixos ético-morais, e da própria cultura que tem guiado boa parte do mundo Ocidental.

Se o objetivo é recorrer às narrativas – que tomaram o rumo ambíguo de uma dialética fácil, pois não é mais o argumento que vale, mas sim as convicções prévias ao debate — sabemos que seremos dominados e soterrados pelos mesmos refrões que tem regido e dominado o debate acadêmico doutrinador com suas repetitivas palavras chaves: colonialismo, teoria racial critica etc.      

O mal-estar na cultura prenunciado por Freud nos momentos que antecederam a eclosão da 2ª Guerra Mundial pode estar se repetindo, ainda que sob outra configuração. O mal-estar de nossos dias excede, portanto, a polarização, ultrapassa a mera divisão entre blocos de países com interesses divergentes.

O epicentro da crise central é axiológico: está nos valores.

Pode ser o ponto nodal que exige atenção máxima da humanidade: a escolha entre civilização e não-civilização. E aqui pode-se evocar o princípio de Karl Popper: o paradoxo das sociedades abertas e seus inimigos. E se estas sociedades permitirem a ascensão ao poder de grupos que passem a lutar para suprimi-la? Como prevenir que estas forças se voltem contra os valores democráticos? E se sob uma votação em pleitos e sufrágios, mesmo abertos, legítimos e auditáveis, se o vencedor transformar-se num autocrata e desejar exercer a tirania e avançar sobre as garantias individuais? E se a liberdade religiosa for questionada? Com quais mecanismos contamos para barrar os abusos? Arrisco: não nos preparamos para o paradoxo, pelo menos não de forma adequada.

Até aqui a realidade mostra que ainda não encontramos medidas eficazes contra os abusos de autocratas, populistas e fanáticos, habitualmente unidos para ir adiante trilhando o caminho de catástrofe em catástrofe. 

Impossível sair seco deste mar de problemas, e, sem mergulhar no dilema, ninguém sairá ileso.

Ninguém.

https://ultimosegundo.ig.com.br/colunas/paulo-rosenbaum/2023-12-04/nos-sobreviventes-do-genocidio.html

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The Promisses of the Earth (IG site)

21 quinta-feira dez 2023

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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The promises of the Earth

Arlene’s Clemesha argument in the article “Promised Lands” published in a São Paulo newspaper on 11/25/23, although it carries more self-references than references, it does not bring either the density or the necessary intellectual accuracy, especially when it comes to insinuations and statements so peremptory in in relation to the ongoing conflicts in the Middle East.

The author makes a case of historical revisionism, based on the “orientalist” theses of Edward Said and the ideological fantasies of the author Ilan Pappe , supported by the corresponding bibliographies. A kind of bibliographically referenced craft thesis or misinformation hidden by erudite mimicry. That is, they give certainty that certain “new discoveries”, (a euphemism for revisionist theses) always repeating a selection of favorite authors, and presenting them as if they were the last word in terms of academic reading.

Said, using a thesis of “rereading” all orientality , which according to him, was deconstructed by the West, makes historical revisionism a militant and ideological test of what he believes, like an omniscient narrator, to be a kind of historical reparation . In fact, what Said produces is a great politically motivated libel not only to delegitimize the Democratic State of Israel, but also to exalt an undeniable justificationist version of jihadism that would henceforth take on secular features. I’m mistaken.

The writer, poet and columnist Nelson Ascher had already scrutinized and foreshadowed Said’s juggling with historical facts in 2003:

“A year later, in 1979, his other “classic” would come out, “The Question of Palestine”, a book that aims to narrate the tragedy of his people, but whose contacts with historical truth are, at best, tangential. Among the countless mystifications on which this distorted version of the past is built, the most scandalous is the mysterious disappearance of the Grand Mufti of Jerusalem, Hadj Amin Al Husseini (1893-1974). The main political leader of what Said calls Palestine, the trigger and leader of the anti-British revolt of 1936-39, the ally of the Nazis who tried to convince Adolf Hitler to exterminate the Jews of Tel Aviv and Haifa, the personality who dominated the lives of Arabs of the region between the 20s and 60s, leading them from catastrophe to catastrophe, appears only once, in passing, in the entire book. This is equivalent to writing about the USA or Italy from the same years omitting the names of Roosevelt and Mussolini respectively.” (FSP, 09/29/2003)

Well, this notable omission of Al Husseini ‘s role strategically persists in most subsequent analyzes carried out by revisionists and it is understandable why: the uncomfortable association of Nazism with the revival of Judeophobia in the holy land, and, as some authors have pointed out, one of the inspirations for the so-called “final solution” that culminated in the extermination of 6 million Jews.

In fact, we are well aware of this type of exhortation that is more similar to libels inspired and based either on the booklet produced by the tsar’s political police, or on neo-Marxist doxology and on the already mentioned revisionist theses, rather than actually analytical work, the reason for being, in truth is the only raison d’être of academic hermeneutics. And we also know that, the last times these libels triumphed, we had as a result structural anti-Semitism – which seems to want to redesign itself – which culminated in the Shoah , the Holocaust, an event that many authors have already defined as the greatest drama in Western history. .

The orientalist theses of Said and his more contemporary successor end in the same sandy source: when claiming to defend anti-colonialist and libertarian theses, they fall into one of the most simplistic arguments, when trying to revive Gamal Nasser’s theses on Arab nationalism to retell the “myth ” of the creation of the State of Israel.

In order for the reader to better understand the exhortation for the revival of nationalism and pan-Arabism by these authors, it is basically based on what is most retrograde in terms of customs, as it is anchored in a reactionary anti-Western and, to a certain extent, retrograde and undemocratic.

Ascher ‘s text to denounce the abuse of concepts brought by Said and other more contemporary revisionists:

“His “classic” (by Edward Said) is a confused, uninformed and angry diatribe that amounts to the application to a particular case of the well-worn generic thesis according to which intellectuals are, for the most part, lackeys of the ruling class. What “Orientalism” tries to expose with half-truths, with one “non sequitur” after another, with abstruse examples and exceptions converted into rules, is that orientalism, the discipline, or rather, the set of disciplines dedicated to the study of peoples and cultures in Eastern Europe are nothing more than the theoretical arm of imperial practice. Put simply, anyone who has delved into the study of difficult languages such as Chinese or Sanskrit, translated and annotated ancient or forgotten works from Persia or Japan, located and restored the ruins of buried temples and palaces has done what they did. so that London or Parisian capitalists could comfortably extract the surplus value generated by distant peoples.” (same source)

The alibi that justifies terror based on “occupied lands” can be discussed from the point of view of ethics and philosophy, but it would be more appropriate to also direct the discussion from the point of view of the cultural logic of our time. The author of the aforementioned article intends to destroy the “myth of the voluntary exodus of the Palestinians in 1948” (sic) by omitting the context of who was the first aggressor – a coalition of national armies led by Egypt, Syria and Jordan — as soon as the UN proclaimed the division of the region in the historic year of 1948.

And, at the same time, the author hides from readers the exodus of Jews expelled from Arab countries, this exodus, yes, blatantly involuntary. Let’s take a quick look at the numbers to understand this point.

135,000 Jews were expelled from Iraq, today 4 live, from Syria 40,000, from Lebanon 20,000, today 29 live, from Libya 38,000, today none, from Tunisia 105,600 today live 1000, from Morocco 265,000, today live 2100, from Egypt 63,500, today 3 live, from Algeria 140,000, today live 200, from Yemen 60,000, today only 1 lives, and hundreds of thousands more from neighboring countries. Apart from those expelled from non-Arab countries, such as Iran, where more than 100,000 Jews were invited to “move”, today only 1000 live in the Persian country. In Gaza there lived 7,947 Jews, today none.

The right question should be: where are these expelled Jewish populations today?

There is no answer that is politically bearable for those who create fabricated theses to misinform.

Therefore, if the subliminal accusation of ethnic cleansing (a slogan that continues to win over the unwary and those who do not want to look into the facts) had the slightest foundation, we would see another reality on the ground: not just other numbers.

In the specific case of the current conflict in Gaza, the “Hamas Ministry of Health”, whatever it means in terms of reliability, seems to have plenty of time to count in record real time all the identification records of the victims of the war. Civilian victims and innocent injured are always a tragedy to be lamented, however the circumstances are increasingly transparent: Hamas not only uses them in an instrumental way, but also desires the death of civilians. And it uses the distortion of facts to leverage its genocidal agenda against Israel, Jews and all “infidels” in the world. Just check the exact number of civilians that terrorists claim have died in Gaza. Note that among them there are no combatants, no armed terrorists. If Israel’s military capacity were fully exercised, we would certainly have a different type of outcome.

The omission or leading role of the international community in finding a solution of civilians used as human shields, the military use of hospital facilities, and the international financing of terrorist groups are also part of the equation.

Therefore, it is astonishing that the public space of a periodical is used to spread slogans without consistency. For what purpose does the persistence in misinforming continue? Promote known anti-Zionist tendencies? Reaffirm theses that are not very empathetic towards the Jewish people? Now, the current scenario is well known to Jews, those who survived multiple systematic persecutions.

There is no intention here of cleaning up the toxic environment in which the debate surrounding this war has become. War, it is worth remembering, that it was not started by Israel. Amos Óz , a famous and recognized agent for peace, known worldwide, made it clear, he was not exactly a pacifist, he defined himself rather as a peacenik .

The difference between the two would be: their conviction for peace would remain firm until aggression was found. If it occurs, as was the case with the massacres that Hamas terrorists carried out against children, women, the elderly and other civilians, in the south of Israel with rapes, mutilations and unprecedented perversity, leaving a trail of 5,000 injured, 1,200 dead, and with more than 130 kidnapped remaining, it not only needs to be answered, it is an obligation of the State towards its citizens.

Is Israel isolated in its position to exercise self-defense? If it depends on the presidents of 3 of the largest university institutions in the USA Elise yes. Representatives from Harvard, Pennsylvania and MIT failed the Congressional hearing when challenged by courageous Congresswoman Rep. Elise Stefanik . They were asked whether they condemned the violation of the respective codes of conduct present in the statutes of these institutions when pro-Palestinian students promoted vandalism and acts of intimidation against Jews on their campuses, calling for death and genocide. The trio responded with a cold and pathetic “it depends on the context” in a combined vexatious and unethical joke.

Now, what context does it depend on to condemn violence and bullying within its academic domains?

From the context of political expediency?

Or the volume of subsidies coming from countries like Qatar, alone responsible for donating 4.7 billion dollars to American Universities in 2022 alone?

It is hoped that they will now be able to provide slightly more elaborate answers, in line with their academic titles.

Recently, former US presidential candidate Bernie Sanders and former first lady Hillary Clinton and other relevant figures from the current North American administration recognized: it is necessary to always safeguard the lives of civilians, even when terrorism uses them in a instrumental form, but it cannot be granted to an adversary who renews his oath of death several times a day to a country and its people.

In these circumstances, action to protect oneself from terror is no longer optional: it becomes compulsory. Evidently, a penalty must be applied to prevent the aggressor from being free to repeat the crime.

For this purpose, the law gave us the concept of dosimetry.

But what if the aggressor is a usurping government? What if domination is exercised in a tyrannical and autocratic way? What if we are inside a reign of terror? This is what has been happening in Gaza since 2005, when through a coup d’état, Hamas, supported by countries such as Iran and other autocracies, implemented an Islamic dictatorship with a theocratic basis, openly preaching the genocide of other religions and ethnicities.

Israel and the Jews of the world will never submit to forces that have never given up wanting to eliminate them. Earth’s promises have always been backed by historical, archaeological, scriptural, epistemological evidence and long-standing tradition. The promises of the land went from a barren courtyard to a promised land. It is this evidence that attests to its strength and permanence. If they don’t want to hear it, Israel will be present in absentia. If they do not wish to allow its existence, it will become the earth itself. Until the desire for peace and coexistence reaches consensus among peoples who accept civilization.

Preferably with a fair, perhaps lasting peace, built with interlocutors who declare, not behind closed doors to their own diplomatic corps, but to the four winds, and, publicly: from now on they renounce death.

From now on they will give preference to life.

Absolute preference.

Paul Rosenbaum

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