Para aqueles que se escondem sob o confortável manto do antissionismo.

Sabes que esse seu manto já escondeu muita coisa? Ele está enxarcado de injustiças. E ele arrasta uma legião de massacrados. Sabes que há uma lista de pequenos esconderijos onde seus argumentos ficam reservados para causas selecionadas? Sabes que sua agremiação e aqueles que apoiam sua agenda contra Israel, não conseguem mais dissimular que ser contra o único estado judaico do mundo é ser contra a segurança dos judeus no mundo? Que há gravíssima contradição moral em se posicionar contra os judeus e apoiar quem deseja sua aniquilação?  

Ninguém pode dizer que seu alinhamento é incoerente. Juntos esconderam a omissão das feministas quando em 07 de outubro, sim, agora há pouco, quando todas as organizações do mundo se calaram diante das atrocidades de natureza sexual cometidas contra judias e não judias em Israel. Também juntos resolveram escolher termos que sabem que não revelam a realidade como, por exemplo, ignorar as questões históricas – exatamente o oposto do colonialismo, o oposto do apartheid —   e promover um revisionismo tanto irresponsável como de duvidosa acurácia intelectual.

Seu alinhamento é coerente quando explicitam apoio às autocracias sanguinárias, ditaduras violentas, teocracias misóginas e regimes homofóbicos. Seu alinhamento é revelado quando revela intolerância seletiva contra um País que precisa se defender de ataques terroristas sistemáticos. E finalmente seu alinhamento fica transparente quando você escolhe se perfilar à barbárie contra os valores da democracia e da vida civilizada.  

Agora entendes? Ficou evidente que lutar contra o antissemitismo esbarra numa clausula pétrea da ignorância: seu desejo de elevar os dogmas à condição de verdade. Que seu apego aos slogans supera seu desejo pela busca da verdade. Tudo que for dito será insuficiente, sabes por quê? De que outra maneira poderíamos acreditar em tuas falsas assertivas? De que a vítima merece ser constrangida pelos agressores. Agressores contumazes, que afirmam abertamente que fariam tudo de novo. “Fariam tudo de novo”. Sim, essa foi a frase. Precisamos de diplomacia, mas, antes urge alguma contundência quando a narrativa substitui não apenas os fatos, mas busca apagar todos os argumentos honestos.

Não preciso te provar, a matemática bem que o faria se comente respeitasse os procedimentos aritméticos básicos: não há genocídio muito menos intenção genocidária quando uma população cresce exponencialmente como é o caso da população palestina em Gaza e nos territórios controlados pela autoridade palestina. Por outro lado, onde estão os quase 1 milhão de judeus expulsos dos Países árabes de maioria islâmica? Onde estão? Ah, não saberia dizer ao certo? Pois bem, estão lá em Israel, único refúgio que lhes restou. Mas os argumentos não te seduzem, pois não?

Você prefere chamar os arquinimigos da humanidade, de combatentes. Foi você quem nomeou aqueles que imolam crianças vivas e queimam pessoas em suas casas de “resistência”. Foi sua escolha chamar de apartheid um Estado que abriga 25% de árabes israelenses, drusos e outros etnias e que ocupam cargos administrativos e não administrativos no parlamento, nas Universidades e na alta corte de Israel. Mas tudo isso não te diz respeito, não é mesmo?

Você me afirma que tem outra perspectiva: é tudo uma questão de ideologia.

Mas, agora não posso mais postergar, responda: onde é que está sua perspectiva de liberdade?

O que é democracia para você? Quem sabe, à noite, quando não há nenhuma testemunha você possa admitir que suas teses são de ofício, isto é, basta que você e aqueles que você influencia acreditem nelas. Em outras palavras, suas teses não precisam de comprovação, nem empírica nem intelectual: basta que você as endosse para que num passe de mágica você as eleve ao patamar da verdade. Da verdade absoluta. E então você esquece da dialética. E não há memória para recordar que sempre cabe um contraditório, vale? Não serei eu a te informar o nome deste tido de conduta intelectual, mas há um artigo no código penal que descreve perfeitamente a infração, ela está no campo da ética, mas avança à beira do campo criminal.  

E quanto a nós? Prosseguiremos no caminho de junto com a humanidade construir uma paz justa e mesmo efêmera, que construa elos baseados em valores, sob uma fraternidade que está na raiz do código mosaico, aquele que prioriza a mudança interna nos sujeitos sobre revoluções arbitrárias.   

O problema da desinformação que você, seus assistentes e colaboradores voluntários e involuntários promovem contra os judeus e Israel, Israel e os judeus, não importa mais a ordem, é que vocês passam a acreditar na eficácia de suas técnicas de despiste. Talvez você ainda não saiba que há um outro método que detecta todos os rastros que você vem tentando camuflar: no paradigma indiciário há sempre um caminho histórico que pode levar ao esclarecimento das provas. Há sempre um deslize, um ato falho que revela como aquele que odeia judeus, — como tantos outros submersos pelos escombros da história — esquece de enterrar a prova que adiante desmascarará seus álibis racistas.

Que o colocará nú diante de todo seu ímpeto colérico.

Que esclarece de vez quem é o perseguido e quem é, de fato, o perseguidor.

Pois bem Gleise, o manto caiu.      

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