• Uma entrevista sobre Verdades e Solos
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” no Jornal da USP
  • A verdade lançada ao solo, de Paulo Rosenbaum. Rio de Janeiro: Editora Record, 2010. Por Regina Igel / University of Maryland, College Park
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” por Reuven Faingold (Estadão)
  • Escritor de deserto – Céu Subterrâneo (Estadão)
  • A inconcebível Jerusalém (Estadão)
  • O midrash brasileiro “Céu subterrâneo”[1], o sefer de “A Verdade ao Solo” e o reino das diáforas de “A Pele que nos Divide”.(Blog Estadão)

Paulo Rosenbaum

~ Escritor e Médico Writer and physician

Paulo Rosenbaum

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Nós, cobaias da pandemia. (Blog Estadão)

30 quinta-feira abr 2020

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  1. Nós, cobaias da pandemia.

Prosseguindo na coleta de distintas vozes e disciplinas, o Blog Conto de Notícia conversou novamente com Prof. Paulo H. Saldiva (PHS), médico patologista e Titular de Patologia na FMUSP, que foi um dos colaboradores acaba de publicar um artigo na revista “Journal of Thrombosis and Haemostasis”[1] com importantes avanços na compreensão da moléstia.

(O Blog usou negrito para dar destaques a alguns trechos da entrevista)

Blog – Vou começar com um aspecto simbólico que emergiu durante esta pandemia: em entrevistas anteriores você enfatizou que apesar do sofrimento, as famílias que perderam entes queridos aceitaram doar os corpos para autopsias, mas mais do isso, elas “doaram conhecimento”. Uma atitude relevante e de alta dignidade, onde mesmo na dor do luto, a morte pode ser ressignificada. No que esta consciência pode ajudar no progresso de uma ciência humanista, feita por homens em benefício dos homens?

PHS – Eu diria que a sua primeira pergunta, se nós vamos sair diferentes ou vamos ter uma ciência mais humanista… Eu não quero parecer piegas ou otimista, nem nenhum discípulo de Pangloss, mas eu acredito que sim. Veja, historicamente, todos esses períodos de crise, de pandemias, do medo do invisível, da morte de pessoas por causas que você não enxergava.  Eles suscitaram sempre o melhor e o pior dos seres humanos.  É como se tivesse aquela casca civilizatória que a gente veste ao longo da nossa vida. Ela se desfizesse e emergisse a verdadeira natureza do nosso íntimo. E olhando assim tanto lidando com a situação no cotidiano quanto vendo por exemplos externos, a gente percebe que existem aqueles que no Titanic, pularam na frente dos outros para dentro do escaler e aqueles que cederam o lugar.  Esse, eu acredito que é o exemplo das pessoas que estão trabalhando para responder as questões, vão mudar um pouco o papel da ciência. É como se a gente tivesse se libertado daquele quadradinho aonde nós fazemos as coisas para sermos avaliados por uma comissão de pós graduação ou para obter uma nota em um boletim universitário pelo qual nós somos avaliados. Nós ultrapassamos estas etapas intermediárias e muitos de nós chegamos à essência. Eu vou fazer aquilo porque é importante e em benefício das pessoas. E esse é um caminho sem volta, quer dizer quando você consegue se libertar, digamos, do formalismo das pastas amarelas, dos projetos das agências de fomento ou das universidades. Você começa a chegar direto a um objetivo reto com vínculo emocional dessa intensidade, acho que a gente sai melhor.

Blog– Poderia explicar no que consiste e quais foram os achados principais das autopsias minimamente invasivas que conduziu?

PHS – Bom quanto aos achados de autópsia mostram que esse vírus, a gente teve o privilégio aqui na FMUSP de fazer um comparativo dos três surtos de doenças infecciosas que mataram bastante gente: o H1N1 em 2009; a febre amarela em 2018; e agora o Sars Cov2. Do ponto de vista sistêmico, a febre amarela era mais agressiva, mas comparando dois vírus respiratórios, o Sars cov e H1N1, que é uma variante do influenza, esse é muito mais agressivo.   Mais agressivo do ponto de vista de agressão ao pulmão e da progressão rápida para o desenvolvimento de uma fibrose. O indivíduo pode perder, nos casos que a gente pega que são os piores, é lógico, pode perder o pulmão significativamente, e ter uma fibrose importante em cerca de 10 dias, 12 dias.  A agressividade do vírus no artéria respiratória é muito grande e ele está associado também com manifestações sistêmicas, por exemplo, agora estão aparecendo lesões cerebrais. Nós já tivemos dos 30 casos que fizemos, quatro com lesões cerebrais detectadas na tomografia, sugerindo lesões, necroses focais parecendo infartos cerebrais recentes. E agora, no presente momento que estou falando com você, tem mais um caso aonde o indivíduo tem uma extensa lesão em região frontal, lobo frontal esquerdo, que estamos agora fazendo exames de ressonância e também de angiotomografia e coletando material para esclarecer.

Blog – Um dos achados mais importantes foram as lesões micro-trombo-embólicas em vários órgãos e mais particularmente nos pulmões. O estudo que você e colaboradores conduziram e publicaram evidenciou isso: quais foram os impactos e desdobramentos dessas descobertas para a compreensão da atuação do vírus covid-19 e como os clínicos podem instrumentalizar este conhecimento para a terapêutica?

PHS – Então as lesões micro trombóticas também que aconteceram, que a gente ajudou, de alguma forma a dar substrato, ela vem dar suporte aos achados clínicos de que os pacientes que tinham marcadores de inflamação, desculpe, de trombólise como Dímero-D, aumentados, tinham mal prognóstico.  A gente mostra que em relação a, por exemplo, ao H1N1, a presença de micro trombos pulmonares, as vezes de pequena monta invisíveis aos exames convencionais de angiotomografia ou angioressonancia , mas eles ocorrem  em ramos intralobares,  bem lá dentro, no interior do pulmão .

Isto talvez explique porque alguns pacientes, não muitos, mas uma fração deles, apresentarem uma insuficiência respiratória desproporcional aos achados radiológicos, ou seja, nem sempre você pode entrar em insuficiência respiratória só por alteração da ventilação, por inundação do alvéolo, por exudato inflamatório, mas também podem ser por alterações da perfusão. E isso indica que em alguns pacientes que tem dispneia desproporcional à imagem e que são entubados com o pulmão sem estar muito rígido, o pulmão relativamente mole, talvez se beneficiem com uma anti-coagulação não plena, mas tentando reduzir ou reabrir essas vias vasculares que estejam entupidas.

Blog – Poderia nos explicar como se produz a chamada “tempestade imunológica” que o vírus dispara? Neste sentido, além de manter as comorbidades sob controle naqueles pacientes com patologias crônicas, há alguma forma de agir preventivamente?

PHS– Quanto à tempestade imunológica, ela ocorre sim.  É o que, chamados de tempestade de citocinas. Ela ocorre numa fração de pacientes, com uma grande ativação da resposta, digamos, de defesa, da linha de defesa. Ele pode fazer com que o dano seja no afã de eliminar o micro-organismo, você elimine também, destrua o tecido.  Isso se pode fazer por extrusão de enzimas da parte dos linfócitos, macrófagos e neutrófilos, mas também tem um fenômeno que é chamado “net”. São redes de DNA que os neutrófilos soltam, uma rede, como uma malha, como aquela dos antigos gladiadores. Essa malha vem temperada, vem aderida com um monte de proteases.  Isso aumentando muito a eficiência da destruição, porém reduzindo a sua pontaria.

Como se você joga uma enorme rede visando aprisionar as bactérias, por exemplo, o agente que você quer eliminar, mas essa rede pode atingir outros lugares. Estamos estudando isso.  E isso se você já tem um estado pré inflamatório crônico, seja por obesidade, seja pelo fumo ou o próprio diabetes, ou tem um efeito pró inflamatório, você tem mais gladiadores prontos para jogar a sua rede e muito mais suscetível a desenvolver então uma complicação. Aonde você quer, matar uma barata, por exemplo. Num quarto você pode matar a barata, mas em vez de você usar um chinelo ou então, um anti bacterícida específico que seria um anticorpo, você pode dinamitar a sala, ou seja, morre a barata e tudo que tiver ao redor.

Blog – Os caminhos da ciência envolvem retificações constantes, porém o excesso de informações corre o risco de gerar desinformação. E isso vem acarretando certa desconfiança na opinião pública. Isso aconteceu com os próprios relatórios da OMS.   Como equilibrar esta equação e, ao mesmo tempo produzir um saber que pode ser demonstrado para a população que não é especializada em ciência?

PHS– E quanto ao diálogo entre ciência e ignorância, esse é um diálogo que sempre existiu, né? E você vai ver historicamente em todas as pandemias. Você vai ver desde o primeiro episódio, a Peste justiniana e nos outros períodos da antiguidade clássica. E vendo depois a peste na Europa a partir do século XIV. Sempre houve uma relação entre, digamos, entre incompreensão e aqueles que estudavam de forma mais objetiva.  Isso porque os nossos medos estão, não que a fé seja uma manifestação de ignorância, mas ela vai ser a única, ou teorias conspiratórias também, que foram colocadas como se isso não houvesse nada ou então, como aconteceu antigamente, eram os judeus, os ciganos e outros “inimigos” que tinham trazido a peste, como uma forma de, digamos, de prejudicar uma nação ou um povo. Quando não era o Deus, que nos punia pelos pecados, eram os nossos “inimigos” ou as pessoas que a gente não gostava.

A ciência se equilibra entre isso.  Eu acho que o saldo também vai ser positivo, porque na hora que todos esses discursos das fake news, eles desmoronam, frente uma realidade evidente, que são corpos se acumulando nos cemitérios, a razão então começa a falar: bom, acho que esse pessoal tinha alguma razão, não?  Esse pessoal que falava que ia morrer gente e que era importante se preservar, tinha alguma razão e é muito mais palpável, as mortes são muito mais palpáveis, porque se você fala, por exemplo, as mudanças climáticas não existem, o efeito é lento e geralmente é distante. As pessoas não enxergam isso, mas quando começam acontecer digamos, filas de hospitais ou excesso de enterros, qualquer um aprende.

É um powerpoint trágico de realidade para aqueles que não acreditam na ciência. A ciência também tem sido utilizada como um fetiche, por outro lado, não? Governadores, políticos, argumentam que certas medicações, o que existe, vão fazer a reabertura do comércio baseado em dados científicos. A ciência não tem as bases ainda para saber, especificamente no caso do Brasil, nem quantas pessoas morrem e nem aonde.

Portanto, os modelos são alimentados de forma imperfeita e nós estamos então utilizando a ciência, dizendo que vão tomar, baseado em ciência por uma coisa que ela não pode produzir.

A ciência não faz milagres! Ela tem o seu papel e talvez tenha o papel em desenvolver vacinas mais rapidamente e descobrir alvos terapêuticos para tratar os doentes. Mas saber se vai abrir o comércio ou não, baseado em dados científicos, eu acho que estamos usando um fetiche para, digamos, temperar com um pouco de conteúdo aquilo que é determinado pela necessidade econômica que pressiona os governantes no sentido de abrir o espaço.

Blog – Quais eram suas impressões originais e como ela se modificou com seu contato com pacientes que foram infectados? Qual é a sua opinião pessoal sobre o uso do conhecimento empírico em medicina?

PHS – É… mudei de opinião diante das primeiras impressões. Eu achava que não era tão grave, fui surpreendido pela gravidade da doença.  Eu imaginava, estava com a cabeça voltada para o H1N1, mas quando a gente viu o primeiro resultado de uma autopsia do pulmão, e a primeira tomografia, eu nunca tinha visto uma tomografia pós mortem com um pulmão tão afetado, no paciente inicial que nós vimos.

Isso foi, digamos, eu percebi que nós estamos lidando com uma doença diferente e à medida que a gente foi vendo, é uma doença que afeta múltiplos órgãos e que pega gente, que não deveria ter morrido e que teria ainda muito a contribuir, ela faz com que você saia do mundo muito antes do que poderia ter saído. O que também nos dá para uma sensação de fragilidade. E é a fragilidade. E ela aumenta porque, a gente também é exposto. Nós temos hoje médicos, internados nas UTIs do Hospital das Clínicas, e eu acho que isso faz com que a gente tenha mais consciência. É trágico isso, mas é a realidade, a gente sempre se coloca numa posição diferente do paciente.  Nos colocamos num outro nível. Não tem aquela alteridade do Martin Buber: o eu e o tu. Por incrível que pareça, eu particularmente quando estou fazendo autópsia, às vezes, imagino que eu podia estar ali, ou poderei estar ali pela minha idade e por ser asmático.

Então é como se fosse uma empatia na tragédia. Já que a gente não conseguiu dar essa empatia em vida, porque a gente vê, Paulo, que as coisas, que os doentes que estão aqui, que a gente está  fazendo autopsia, são indivíduos que não puderam nem fazer quarentena ou foram infectados em casas que moram várias famílias, onde alguns tinham que sair para trabalhar.  Então essa é a empatia na morte. Ela trouxe a morte para perto de nós, nós médicos.

Blog – Como médicos seguimos o juramento hipocrático de que não só devemos ter como meta a cura, mas também o alívio, a paliação, e, quando for o caso, o consolo daqueles que sofrem. Há uma discussão que vem se desenrolando há anos de que a carga excessiva de tecnologia aplicada à medicina criou barreiras para a relação médico paciente. Será a pandemia uma situação na qual a tecnologia científica pode voltar a ser aliada de uma abordagem mais empática e humanista da medicina?

PHS– Isso eu acredito que vai, que a gente não fique indiferente a isso… Tem uma transformação permanente na nossa alma e eu acho que quando se dimensiona essa tecnologia aplicada, a medicina criou se uma barreira com relação a médico/paciente, eu também sou otimista.  Como a maior parte do conhecimento que tínhamos ter de memória cabe hoje no bolso, no smartphone, no aplicativo, talvez tenhamos que ter mais tempo, nos sobrará mais tempo para  perguntarmos ao paciente, o que ele sente, se ele pode fazer aquilo que estamos prescrevendo e obter informações, que talvez eles nos deem, por falta de confiança.  Então eu acho que a tecnologia vai libertar o lado, digamos, mais humanista da prática médica paradoxalmente.

Blog – Já que agora existem alguns tratamentos disponíveis, conhecemos um pouco mais da fisiopatologia da enfermidade, e o isolamento social parece estar produzindo o efeito desejado com o achatamento da curva de contágio, você arriscaria dar algum prognóstico para o fim da pandemia? Ou ao menos quando poderemos mitiga-la de forma significativa? Já alguma evidência ou sinal de que estejamos a caminho de obter uma imunidade de rebanho?

PHS – É, quanto ao prognostico do fim da pandemia, eu acredito hoje pelas modelagens que a gente vê com o pessoal que trabalha com isso que o Brasil vai ter um comportamento atípico, ou seja, o Brasil não é Itália. Ela que é um país relativamente pequeno e muito denso, eu acho que nós vamos ter várias ondas de epidemia deslocadas no tempo e no espaço.

Então, São Paulo vai ser uma Itália, ou uma Espanha. Aí isso chega no Rio um pouco depois, depois isso vai chegar em outras cidades.  Está começando agora. A epidemia está se deslocando da região metropolitana, indo agora para outras regiões metropolitanas, como Campinas, como Santos, como São José dos Campos. Ela não chegou ainda em Ribeirão Preto, mas pode chegar, então, nós vamos ter várias ondas locais e regionais e nós vamos ter, infelizmente, talvez, ao longo do território brasileiro, uma doença que vai se espalhando pela imensidão do nosso território. Eu acho que é por isso que é totalmente imprevisível, quando que vai acabar e quanto a imunidade de rebanho ela vai acontecer, mas a gente ainda não sabe o tamanho disso, ou seja, nós estamos vivendo um enorme experimento ecológico observacional onde não podemos interferir com as variáveis e cujo desfecho só será conhecido ao final da história e infelizmente, nós somos os seres que estão sendo estudados. Nós somos as cobaias desse momento. É isso que eu tinha a dizer para você.

 

[1] Pathological evidence of pulmonary thrombotic phenomena in severe COVID-19  Marisa Dolhnikoff1*, Amaro Nunes Duarte-Neto1*, Renata Aparecida de Almeida Monteiro1, Luiz Fernando Ferraz da Silva1,2, Ellen Pierre de Oliveira3, Paulo Hilário Nascimento Saldiva1, Thais Mauad1, Elnara Marcia Negri4 Para ler o link do artigo acesse: https://www.researchgate.net/publication/340669733_Pathological_evidence_of_pulmonary_thrombotic_phenomena_in_severe_COVID-19/link/5e9cc425299bf13079aa31b6/download)

 

 

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A Pandemia sob o olhar interdisciplinar (Blog Estadão)

25 sábado abr 2020

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Prosseguindo na tentativa de elucidar e promover debates profícuos sobre o atual e muito particular momento vivido pelo mundo o Blog Conto de Notícia tem buscado ouvir as perspectivas multiprofissionais sobre os temas ligados à pandemia. Desta vez conversamos com o advogado e mestre em Direito Flávio Goldberg (FG), o cientista social pela USP André Montoro (FM) e o economista Márcio Chaves (MC)

Blog A discussão também passou a envolver aspecto jurídicos e legais, como por exemplo, se os governantes podem, constitucionalmente deter pessoas que não respeitem a quarentena. Na opinião de vocês falta uma legislação específica para os casos de epidemias e pandemias? Especialmente quando parecem fora de controle? Este não parece ser o caso do Brasil que já contou com o célebre episódio da “revolta da vacina”. E o que sugerem para controlar os possíveis abusos de autoridade decorrentes de “períodos de exceção”? A enorme constituição de 1988…

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O Dia do Levante do Gueto (Blog Estadão)

20 segunda-feira abr 2020

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Neste dia 19 de abril, em 1943, iniciava-se a Revolta do Gueto de Varsóvia. A população judaica do gueto submetida às piores condições, as mais subumanas e degradantes de existência. Sob imagináveis sofrimentos e completo abandono, a população civil insurgiu-se heroicamente contra o poderoso e covarde inimigo nazista, num ato de pura insubmissão. A revolta terminou só no dia 16 de maio com 13.000 judeus mortos e o gueto destruído com o restante da população enviada para o campo de concentração e posterior extermínio em Treblinka. Foi o maior levante judaico da Segunda Guerra Mundial. Perdemos parte da nossa família na revolta, que morava nas cercanias do levante, o que só nos enche de orgulho pela perseverança e capacidade de perdurar, mesmo em meio as barbáries e adversidades. Estivemos lá, continuaremos aqui. Aqui, dois poemas homenagens “Seis Milhões” e “Diário de noite na rua New Olipik” – Do livro “A Pele Que Nos Divide”. Quixote-Do, 2018.

SEIS MILHÕES

I

Os seis estão bem aqui.
posso senti-los
sob meus pés,
regulares, como todas as descidas rítmicos como gelos.

intensos como florestas

No declive de gênero fantasiados de corporações
nos trens improvisados,
como maquinas de extração

enquanto metrificavam judeus,

a IBM e a Krupp
acendiam os fornos da despensa

Do trem, digo
não era noite ou fumaça e de todos os dias,
o carrasco detinha
os trilhos da proficiência

Não vi campos,
nem sinais de gritos, ou angustia das vitimas

senti cada parada
cada pequena que viveu nas cavernas preservadas nas coleções intactas
ou na predação canônica

A seleção naturalmente objetivada pela negação da naturalidade.

Não me interessa que não vi, (nem quem não viu),

Nem quem soprou seu silencio para o vapor da constância,
de quem preferiu as mãos
que alimentam quem dizima.

Só saberemos quando vivermos nos esconderijos

desacreditados na sonolência de nossos dedos ou nas qualidades extintas

como nós,

extintos.

Não importa (nunca importou) o cultivo, mas a produção,
o apreço por resultados,
o rastreamento de objetos

que com vida ou sem melancólica seré,

Aí temos o protocolo superado

a experiência romântica sustentada na escala

Enquanto o mundo pensa em paz,

Na calma capturada do carvão dos ossos

A travessia que importa
Usa força do solo como tingimento,

E, como furos em flautas
alternam sons com acendimento
de vela perfiladas,
nas presenças sem sequencia.
na curva do mundo

Na atenuação final de vidas em estudo

Porque nossos olhos retém
o não expresso

E, como trens, invadimos o mundo com troncos negros Na matéria que se impõe como referendo do espírito,

Agulham nossos dias com palheiros e, à latitude da ilusão.

Aterram o assombramento

Tudo, tudo mesmo
e para que essa perplexidade
gere totens
e olhos sem braços nos alcancem
em noite de cristais, pogroms ou vidraças nos nomes que esfacelem a realidade, que, sem chances, observa
a violência do descuido

Mas a noite, sim, anônima

Impõe a presença

Recontada ao infinito

Mesmo que cada grão do carbono esgotado Entupa de maturidade as nações

Achamos que,
do tabuleiro de onde estiver,

deves absorver tuas regras.

II

Para infortúnio geral
Somos um passado atento
Seis milhões nas curvas
Assistidos com a brutalidade da demora O esquecimento do mundo
A carga excessiva
Que impressiona apenas
os tolhidos da cena

(Em Stuttgart testemunham-se monumentos nos quais as vitimas são eles)

Mesmo à distancia do meio do Atlântico Estancaremos perto do nada

Só faz 70 anos
Os campos estavam nos libertando da vida
Enquanto a eugenia dos doutores
do partido
Subiam de incenso na mente do povo do silêncio

Ah, estamos em comunhão Mas, para registros futuros jamais o barometro do céu agira aqui-agora

como o esmagamento do ali-afora.

 

STUTTGART–PARIS JUNHO.2007

________________________________________________

 

DIÁRIO DE NOITE NA RUA NEW OLIPIK

Responsa do Eterno
(para Nachmann Ben Wolf )

só posso ouvir o dia nas noites
noturnos são gatilhos de engrenagens

que nos varrem

só posso saber de ti
se houvesse um quintal qualquer, qualquer um, desocupado de gente, mas tudo, decisivamente tomado

só posso trincar o gelo se houve leitura
mas tudo esteve atado
a biblioteca estalava de papéis despedaçados cadeiras varavam janelas.

só posso medir o gueto pelo volume de fagulhas de onde olho, traças, nenhum grande inseto

só posso me mexer
na meticulosidade dos estremecimentos nas calcadas, entre tanques em branco sapatos e crianças espalham-se sem donos

s;o hoje vi a luz do dia. da varanda oca
D-us acenava:
só mais um minuto

quando levantei ocorreu o seguinte: só agora via tudo
as fotos regiam os meus anos, celebrei mais esta noite

só agora sei que vivi a tragédia uniforme

e só a infância,
é a eterna resposta do Eterno.

 

https://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/dia-do-levante/

 

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A Pandemia sob o olhar interdisciplinar (Blog Estadão)

18 sábado abr 2020

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

≈ 1 comentário

Prosseguindo na tentativa de elucidar e promover debates profícuos sobre o atual e muito particular momento vivido pelo mundo o Blog Conto de Notícia tem buscado ouvir as perspectivas multiprofissionais sobre os temas ligados à pandemia. Desta vez conversamos com o advogado e mestre em Direito Flávio Goldberg (FG), o cientista social pela USP André Montoro (FM) e o economista Márcio Chaves (MC)

Blog A discussão também passou a envolver aspecto jurídicos e legais, como por exemplo, se os governantes podem, constitucionalmente deter pessoas que não respeitem a quarentena. Na opinião de vocês falta uma legislação específica para os casos de epidemias e pandemias? Especialmente quando parecem fora de controle? Este não parece ser o caso do Brasil que já contou com o célebre episódio da “revolta da vacina”. E o que sugerem para controlar os possíveis abusos de autoridade decorrentes de “períodos de exceção”? A enorme constituição de 1988 não lhes parece deficitária ou insuficiente?

FG- A Constituição Federal de 1988 é um avanço nos resguardos dos direitos humanos que protege a cidadania mesmo em épocas excepcionais como da atual pandemia e cumpre bem o seu papel. No entanto, estamos vivendo momentos críticos, não só no Brasil, mas em todo o globo. Medidas de restrição de circulação foram tomadas em todos os países do mundo. De qualquer forma o direito constitucional de ir e vir deve ser respeitado. O Estado deve dar importância a conscientizar o cidadão de o quanto menos ele circular, menos contaminações ocorrerão e melhor será para ele e para a sociedade. Em relação a legislação específica, não creio necessidade, porque já existem medidas legais que tem sido tomadas e que tem dado resultado, porque as instituições estão funcionando. Essas mesmas instituições serão as que controlarão abusos cometidos pelos diferentes agentes políticos do país.

Hostilidade e preconceito contra idosos

Blog- Ouvimos vários relatos de pacientes, e até de médicos e profissionais de saúde idosos que foram hostilizados e admoestados nas ruas por estarem andando. Alguns deles movimentando-se para trabalhar nos serviços de saúde.  Qual a interpretação que poder-se-ia dar à fenômenos como estes? Quando justamente os mais vulneráveis tornam-se objetos da hostilidade popular? Não lhes parece que aqui opera uma espécie de bizarra inversão de valores sociais quando a agressividade elege potenciais vítimas como alvos?

FG- Os episódios relatados são tristes, porque demonstram uma falta de consideração pelas pessoas que estão lutando contra o vírus, sejam pacientes, enfermeiros e médicos, além da população idosa, que teve uma vida toda de luta e que sempre deve ser admirada e respeitada no país. Acredito que esses episódios foram pontuais no início do fenômeno, e creio que a população brasileira está aprendendo a conviver com as medidas protetivas com relação ao vírus. Além disso, ao contrário de países europeus que tem rígidas e severas leis protetivas para o idoso, inclusive prevendo penalidade para discriminações, não há o devido respeito ao Estatuto do Idoso, que relativamente é recente para a história de nosso país e foi somente instituído em 2003. No Brasil, que prepara-se para se tornar um país com maioria de idosos já em 2030 (segundo o IBGE), precisamos nos atentar para respeitar essa significativa e sensível parcela da população.

Exploração do clima de pandemia

Blog – Recentemente, em meio à pandemia, testemunhamos a eclosão de informações contraditórias (no início a própria OMS emitiu notas díspares: não haveria transmissão inter humana, depois reconheceu que sim, que não recomendava máscaras, depois passou a recomendar só para infectados e agora recomenda que todos a usem) com intensas repercussões não só nas mídias sociais, como na divulgação confusa na própria imprensa. Confusão aceitável até certo ponto já que a ciência sempre aprende empiricamente, porém identificamos desdobramentos de natureza ideológica na discussão. Sabemos que a manipulação da ciência e dos dados científicos sempre promovem mais obscurantismo do que elucidação.  E os argumentos então passaram a resvalar nas teses quase surreais quando “torcidas uniformizadas pró revolução pelo vírus” enfrentaram o “medicamento do presidente”, culminando em uma preocupante crise de autoridade e de lideranças, sob a instrumentalização política de eventos clinico-epidemiológicos. Podem dar suas impressões sobre estas ponderações.

FG- O Brasil não é para principiantes e nem para especialistas diriam alguns. Nós conseguimos politizar uma pandemia global, que em outros países uniu o povo e as autoridades públicas, fez subir a popularidade do presidente.  Aqui no país faltou grandeza e humildade ao presidente. Faltou cumprir seu papel, unindo todos os cidadãos contra um vírus extremamente danoso. Exemplarmente tivemos líderes de governo como Angela Merkel, extremamente honesta ponderada nas suas atitudes à frente da Alemanha e mesmo alguns líderes que tomaram decisões equivocadas. desacreditando a força do vírus, como Boris Johnson no Reino Unido e Trump nos EUA, reconheceram equívocos e construíram um discurso unificador para seu país. Aqui o presidente incentivou os ânimos, questionou a ciência, fez pouco caso com os alertas de especialistas em saúde do próprio Brasil e do mundo. Dessa forma colocou brasileiros em clima de torcida ideológica, que só traz malefícios para nós, do ponto de vista sanitário e econômico, além de desgastar ainda mais a imagem do país no cenário internacional.

O acesso a saúde numa sociedade democrática

Blog – O SUS foi uma grande e benéfica conquista do período recente para a saúde pública no Brasil. Como opinam em relação ao estado de preparo da saúde pública para lidar com quadros como o da mutação do coronavírus e seus impactos? Experiências de alguns países onde a medicina foi socializada mostraram ganhos, mas também sérios problemas estruturais, especialmente quando se refere ao acesso às técnicas mais sofisticadas da medicina. A organização da saúde na Europa é muito distinta do Brasil, mesmo assim Espanha e Itália, por exemplo, ainda vivenciam dias de drama e caos nos serviços de saúde. De acordo, Trump e Boris Johnson agiram com objetivo claro de unificar as ações, e, ao mesmo tempo, dar autonomia e apoio para decisões regionais com apoio e respaldo de equipes que pareciam não estar sujeitas à subordinação ideológica. Porém, no Brasil, assim como parte de muitos países em desenvolvimento, o esforço político ainda está centrado numa lógica de concentração de profissionais de saúde nos grandes centros sob uma ótica hospitalocêntrica. Isto é, a preferência é dada para estruturas de atenção secundária e terciária, quando ainda há uma déficit significativo de espaço para atenção primária como ambulatórios, centros e unidades básicas de saúde. Países como Israel, por exemplo, onde há uma das mednores taxas estatísticas de mortalidade, investiram em orientações médico-sanitárias através da telemedicina e testes maciços em boa parte da população. Somente pacientes com sintomas mais importantes e graves são orientados a procurar os hospitais.  Como esta discussão deveria ser encaminhada do ponto de vista social e jurídico?

AM- A proteção da saúde é um direito fundamental garantido pela Constituição Federal. A situação criada pela COVID-19 prova a importância do maior sistema público de saúde do mundo, o SUS. Além disso, se mostra necessidade, após passada a pandemia, de se aperfeiçoar o sistema, em um trabalho coordenado entre Ministério da Saúde, as Secretarias Estaduais e Secretarias Municipais. A melhor forma de fazer isso seria por meio da coordenação e dos entendimentos entre os gargalos e casos de sucesso comunicados por técnicos, gestores públicos  e especialistas dos diferentes níveis da federação. É necessário hierarquizar fortemente o sistema, isto é, definir hospitais exclusivos para casos de alta complexidade, outros para média complexidade e as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) atenderem os casos de baixa complexidade. Isso somado a um gasto orçamentário responsável e eficiente são os caminhos de aperfeiçoamento do sistema que são tão necessários. Em relação a estrutura de unidades básicas de saúde, mais do que ampliar sua quantidade, o foco deve ser a qualidade e a fiscalização no investimento para melhoramento da instalações e bom encaminhamento da port de entrada do sistema de saúde no país. Como repete o sanitarista e sempre deputado constituinte Eduardo Jorge, um dos artífices do SUS na Constituição: “É o SUS ou a barbárie”, ainda mais no Brasil, um país com enormes diferenças sociais e econômicas.

A influência do pânico na violência social, crime e os índices de criminalidade.

Blog – O isolamento pode ter sido até aqui a medida epidemiológica mais correta, talvez a única efetiva disponível, mas agora será preciso pensar e enfrentar também as consequências sócio econômicas da paralisia e da desaceleração. Gerará mais violência urbana? Como lidar com as consequências sociais das decisões epidemiológicas? Quem será responsável? Também é preciso chamar a atenção que, enquanto a atual pandemia ganhou os holofotes quase hegemônicos das mídias, os índices de criminalidade – que chegaram aos alarmantes 59.000 homicídios e que vinham gradativamente abaixando, ainda que perturbadores em relação à média mundial – deixaram de ser noticiados. E os demais enfermos? Como ficam?

AM- As consequências sociais da pandemia virão para o mundo todo. FMI, Banco Mundial, FED já preveem depressão econômica considerável no mundo todo. A questão da violência no país será impactada, não há saída. Outro caminho no qual nos vemos presos, é com relação a dura quarentena imposta a majoritária população, com exceção daquelas pessoas que praticam serviços essenciais. Nesse momento de crise, o vírus tem característica altamente contagiante e de sobrecarga do sistema de saúde e não há outra saída a não ser quarentena. Tempos extraordinários pedem medidas extraordinárias, portanto tudo que faltará devido a baixa na produtividade, da diminuição da renda da população, deverá ser provida pelo Estado, felizmente também tem sido provida pela filantropia e pela população. Voltando a violência, essa será uma dura consequência, e precisa ser trabalhada pela continuidade, como serviço essencial, do aparato policial que mantêm seu trabalho em tempos de crise. Realço aqui: não existe justificativa para repetirmos uma Itália, Espanha ou EUA, que entraram em colapso, justificando-se pelo aumento da violência ou do desemprego. O Estado precisará agir estrategicamente para combater esse desafio.

Blog – E quanto aos outros enfermos? Pessoas portadoras de outras patologias têm deixado de procurar hospitais e unidades de saúde pelo medo do contágio, mas também pelo receio de serem negligenciadas. Há relatos de pacientes cardiopatas e com moléstias autoimunes que relatam que preferem não se arriscar. Na sua opinião não há uma gravíssima falta de transparência e simultaneamente uma lacuna de campanhas sistemáticas de conscientização da sociedade sobre nosso momento atual. Conscientização que precisaria ir um pouco além das importantes, porém insuficientes medidas como usar álcool gel e lavar as mãos?

AM- A informação não é só um direito é também um dever. Cabe ao Estado o papel didático de proteger a população alertando para importância de todos os cuidados com a saúde, o que tem sido feito para a população geral. No quesito relacionado a parcela da população que utilizaria do serviço de saúde não devido ao COVID-19, falta uma comunicação mais direta, que poderia ser feita inclusa nas didáticas peças de publicidade produzidas pelo Ministério da Saúde por todas as mídias no país.

MC – Uma perspectiva fundamental que precisa ser observada diante da crise social provocada pela pandemia é a sua repercussão gravíssima na Economia brasileira. Se estabeleceu uma polêmica que polarizou a opinião pública colocando de lado o ex-ministro Mandetta e o presidente Bolsonaro divergindo quanto a questão do confinamento e o seus limites na vida financeira e econômica da população de um lado os que advogam o retorno imediato ao trabalho para garantir os empregos e a sobrevivência de milhões de pessoas jogadas na linha da pobreza. De outro aqueles favoráveis ao isolamento horizontal para evitar a disseminação do contágio pelo Covid-19.

MC- Acredito que levando em conta os dados científicos concernentes a pandemia e a obrigação do Estado em evitar a falência sobre a falência da própria estrutura da nação em medidas gradativas que assegurem a superação de uma crise que pode ter caráter catastrófico. Isto demanda um consenso nacional acima de disputas políticas e ideológicas com um senso de patriotismo e até sacrifício de interesses.

Blog – Sempre acreditei que a imaginação e a criatividade são os nossos recursos mais extraordinários. Diante da dificuldade evidente dos governantes em usar essas capacidades, gostaria que cada um de vocês citasse três sugestões de aplicação imediata que a sociedade civil poderia encabeçar para amenizar e/ou suavizar os efeitos jurídicos, sociais e econômicos nesta crise.

Flavio Goldberg – Tendo em vista o estado de risco de calamidade pública, unificar as medidas de transição para saída da quarentena através de medidas jurídicas em caráter de excepcionalidade, abrangendo todo território nacional.
É o momento de solidificar as garantia dos direitos fundamentais elencados na Constituição Federal.
Que os leitos de UTI disponibilizados para doentes afetados pela Covid-19 tanto para hospital público quanto servicós privados, desde que obedeçam aos critérios da ética médica, e impor aos planos de saúde a cobertura imediata em caso de internação.
André Franco Montoro – Abertura emergencial dos tradicionais restaurantes comerciais a um real em todas regiões abaixo da linha da pobreza.
Abrigo provisório durante a crise para população de moradores de rua em escolas públicas.
Acesso gratuito a material de higiene e prevenção como o álcool em gel disponibilizando em todas dependências em funcionamento de cada município.
Marcio Chaves – Volta paulatina em turnos diferenciados ao trabalho.
Abertura do comércio e prestação de serviços também em horários diversificados inclusive noturno, para evitar concentrações.
Parcelamento com eventuais abatimentos e acordos para pagamentos de impostos e tributos municipais, estaduais e federais.
https://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/a-pandemia-sob-olhar-interdisiplinar/

https://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/

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A incrível história de uma obsolescência induzida (Blog Estadão)

13 segunda-feira abr 2020

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Nilda Raw – Técnica Mista sobre tela (2016)

A democracia’ o governo do povo, para o povo, pelo povo. Esse é o padrão, o slogan que todos nós fomos treinados a aceitar quando a palavra mágica DEMOCRACIA surge na testeira do jornal, tela do I pad ou no screen dos celulares, certo?Poís algo muito plástico pode estar acontecendo com o conceito neste exato minuto. E não é apenas um mimetismo provisório, de ocasião, é mesmo um caso de mutação. A democracia pode não mais ser definida pelo sentido original que costumavamos atribuir à palavra. A ruptura é ampla e decreta, além de antecipar a instabilidade sobre o futuro próximo. O significante deslocou-se do significado dando origem às metamorfoses que passaram a servir muitos interesses, menos a quem mais interessa, a saber, a multidão, os beneficiados anônimos. Massas habitualmente magnetizadas pelo populismo ou desatentas a ponto de aceitar que se casse…

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Haverá outro código para a Medicina?(Estadão)

13 segunda-feira abr 2020

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Haverá outro código para a Medicina ?*

10 de abril – data de nascimento de Samuel Hahnemann

O que é um código? Pode ser uma coleção metódica e sistemática de leis, uma coleção de regras sistemáticas de procedimento e conduta, ou um sistema de sinais secretos ou convencionais usados no comércio e na literatura. O título deste livro insinua que pode haver mais de uma compreensão para a medicina, pode haver mais de um código de procedimento e conduta para compreeender saúde e enfermidade. E um não exclue necessariamente o outro. Vários códigos podem conviver e ser simultâneamente usados, sem que um tenha supremacia sobre o outro.

O público que consome livros científicos conhece pouco de medicina preventiva e tem noções muito vagas sobre as medicinas integrativas.  O conceito popular é de que a prevenção não é solução e de que uma medicina menos invasiva como as técnicas das medicinas…

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The Mose’s crossing IV

12 domingo abr 2020

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Pesach – The Moses crossing IV (imminent liberation)

(dialogue between Moses and Joshua)

– Master is still missing? A gasping Joshua asks while he is going down the mountain to organize the survey of the camp and proceed towards Eretz Israel, the Promised Land, after the people have parked in the desert.

– Forty, Moses answers.

– Forty days?

— Not!

– Months?

– It’s a long way, years, son, forty years son.

– Are you kidding me?

Moses doesn’t stop, he just speeds up and takes a deeper breath.

Q: What about the threats we face? We have already gone through plagues, pharaohs, economists on duty, parties that hope for the worst, non-republican oppositions, crude politics, clueless leaders, opportunists, dissatisfied people.

– How many people are satisfied? What keeps us alive is the right to complain, let’s get going, let’s not give up on bad luck.

– No, no, the motto is what you always proposed Mazal Tov and the joy even in difficulties. But the SAC can no longer stand people at the tent door. What do I say to them oh Great Leader?

“if they just knew, all i wanted was to not have to be the leader of anything”

– Just say we have all the time in the world. See the proportion, in a Multiverse of 15.3 billion years, what are forty years?

– Are you a fan of the Big Bang? Now you are in this general relativization too?

–Every day a kind of humor. My emunah (faith) may be intact, but we have the right and the duty to challenge the Creator. Today, for example, I am a philosopher of uncertainty and a staunch believer in the imponderable.

– Is that they are feeling confined …

–Confined we were before, “we were slaves in Egypt”, remember? It was just now.

– But they do not know what to deal with, what do you advise, master?

– Only the Most High to answer you son. How about taking care of the families themselves, taking care of the garden, milking the flock, getting a good parchment? It is advisable not to read sensational headlines. Without business, the wave is to cultivate leisure, didn’t everyone always complain about work, overtime, the burning out syndrome?

– It is (embarrassment) but it is that the wives are also complaining, a lot of people in the tents, the children without classes, everyone is stuck.

– Look, friend, remember? Straight ahead, we have an entire desert to cross. Calm that will pass. Moses looks with pity at his interlocutor.

— Right!

– Are you envisioning alternative leaders to lead the people?

“Sir, does he still have any idea that the pineapple is going to be his?” Moses thinks.

– No offense, they are worse than others. And Master, no one is questioning your authority

– What a pity, I’m one of those who likes to be put in check, I can’t wait to pass that hot stick (Moses threatens to throw his staff in the sand)

– Don’t get me wrong, but there is a lot of pressure on the camp leaders, the infra personnel, the courts, the governors. They are losing their minds, threatening to arrest, rotate, now they talk about tracking everyone. Even the general commander is lost.

–I knew it. Will they ever understand? That repression was never pedagogical, did they not read Arendt? When does authority appear, authoritarianism appears? Moses looks up. The Most High warned me that they were a difficult people.

– There are people saying that they preferred the Ramses dictatorship.

Q: Do they want the old regime back? I know, guaranteed slavery or your money back.

(violent crashes at the top of the mountain)

– What’s more, they also want to vote on a petition to apologize to Pharaoh. The media is publishing headlines that without slaves the market will sway and that now it would be different, blah blah blah, their propaganda there, you know?

– Look, son, if I hadn’t left your mouth I wouldn’t believe it.

–Is that….

– Go, talk, spill

– I am your faithful servant and

– I don’t want any faithful servant. If there is one thing I learned from this very short leadership, it is that there is no serious loyalty from an ambitious client. I never had a desire to consume – apart from the giant chariot of 30 horses – but if I had one it would be asking people with imagination to face this situation together. I have decided, let’s go back to the advice of elders.

– Sir, sorry for the frankness, but this old age again?

– Elderly, old age, senescence, last season,  call it what you will. Do you remember what the difference was between the Greek and Jewish assemblies?

–Sincerely? Do not.

– In the Greeks, the old people sat farther and farther away from the board of directors, while in the Jews they grew closer and closer.

–Sure master, but they have already contributed, don’t we need fresh blood?

“I prefer trampled blood, you know?”

–I didn’t get Master.

-Never mind. We need the people who have experience, who witnessed the actions that almost made the Empire go bankrupt, it was their strategy that finally showed us a way out of that abyss, or do you think I did it all by myself?

– But the kids are saying that they already had their time, and that now they should be quiet, they’ve done their part, they don’t make that much difference.

(thunder and lightning, some rocks flew away and new party tents were shattered)

-I understand, master I understand. How about proposing a government of national unity? Joshua responds scared.

– With or without self-criticism? Moses laughs.

– It complicates Master, you know, the hard core is closed with ideology. You know, a matter of principle, they cannot and will not show regret, without going to confess guilt.

– Not even those convicts who were released?

– I’m afraid not.

–Oh no, without self-criticism it is not possible!

-Got it.

– I think I’ll go to the Creator again. It seems that none of you understood the meaning of the thing. If newbies did not know how to understand the value of history, what and when will they learn? They will reproduce tomorrows of old mistakes. Was this crossing, where each one was with his family exactly the perfect place to meditate, tailored, was the right time to change that, capiche?

(strong wind followed by a chorus of low voices reminiscent of Paul Johnson and Louis Armstrong singing “Let my people go”)

-But master, there is a mess, lots of people talking at the same time, contradictory things, each one has an opinion. You know, these lives on the net?

-Still well, better this way, in fact, before, only those “all are” types spoke. Now we have a kind of generalized uber to compete with the ordinary media, don’t we?

– That’s it, but the thing is very polarized between right-left that today the politically correct one calls it the “binary thinking”.

–Zero of appreciation for the politically correct. This is a gag in disguise. Have they heard of the middle path?

–Never Master

-If you didn’t hear, you will hear there in the future, a brilliant doctor named Rambam will teach the technique. And stop calling me Master.

-Okay, Moses is right.

-No son!! Avoid this expression. That sentence is getting really bad now.

-Moisés, you are correct.

– Let’s put the formality aside, okay?

– Most certainly Master.

– By heaven!

(thunder with celestial noises and on a clear day, sudden storm)

– Forgiveness, Omnipotent, it was just an outburst, Moses lowers his head to apologize.

– And Chief, there’s one more question.

– Which one? Moses cuts in with a sigh and shakes his head.

– So now they want to end fiscal austerity.

–For heaven’s sake, again, they didn’t see what happened? Do these people think that terror is pedagogical?

– I think so, but between us scaring people can work, right? The people understand orders only on the basis of fright and threat.

-Oh Lord, and what else? Do you have any good news?

– There’s China.

– What about China?

–China, the medicine, not the country.

–We will not touch on this subject now.

– Perfectly boss.

– Only one point, to take this drug there, China (Chinchona Officinalis the origin and raw material of hydroxychloroquine) are consulting the medical staff as I have instructed, right? Or at least using Hahnemann’s advice to use ultra-diluted doses?

– No, Master, there you are. Afraid of pandemonium, they are taking it by self-prescription, at the base of the bottle. The dome of the plateau is already in this wave of China.

“The plague ends, ignorance never”

-By the beards of Abrão, Isaac and Yaacov, Was that the good news?

– No Rav, the good news is that we are coming soon.

– Oh really?

– Look ahead to the hills, can you see the Promised Land? We are very close, Cannaã is here, our quarantine is close to the end and we haven’t even seen time go by.

–Awesome, 40 years in 40 minutes.

Moses embraces Joshua and they sing the song Jerusalem Shel Zahav (Jerusalem of Gold) together

Moses extends the staff to Joshua who picks it up, while he leaves quickly and humming Beethoven’s ninth, imagining himself free.

On his way back to Mount Sinai, and seeing the disciple’s bewilderment, in the distance Moses teased waving a goodbye:

-That’s your Joshua.

https://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/pessach-a-travessia-de-moises-iv-iminencia-da-libertacao/

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Pessach – A travessia de Moises IV (iminência da libertação) (Blog Estadão)

12 domingo abr 2020

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Pessach – A travessia de Moisés IV (iminência da libertação)

(diálogo entre Moisés e Josué)

— Mestre ainda falta muito? Um arfante Josué indaga enquanto está descendo a montanha para organizar o levantamento do acampamento e prosseguir em direção a Terra Prometida depois que o povo estacionou no deserto.

— Quarenta, Moisés responde.

— Quarenta dias?

— Não!

— Meses?

— It’s a long way, anos, filho, quarenta anos filho.

— O Senhor está de brincadeira?

Moisés não para, apenas acelera o passo e respira mais fundo.

–E as ameaças que enfrentaremos? Já passamos pelas pragas, faraós, economistas de plantão, partidos que torcem pelo pior, oposições não republicanas, política crua, líderes sem noção, oportunistas, gente insatisfeita.

— Quanta gente satisfeita? O que nos mantém vivos é o direito de reclamar, vamos andando, não vamos dar mole para a falta de sorte.

— Não, não, o lema é o que você sempre sempre propôs Mazal Tov e alegria mesmo nas dificuldades. Mas é que o SAC não aguenta mais gente na porta da barraca. O que digo para eles oh Grande Líder?

“se eles apenas soubessem, tudo o que eu mais queria era não ter que ser líder de coisa nenhuma”

–Diga só que temos todo o tempo do mundo. Veja a proporção, num Multiverso de 15.3 bilhões de anos, o que são quarenta anos?

— O Senhor é adepto do Big-Bang? Agora também está nessa de relativizar geral?

–Cada dia um tipo de humor. Minha emunah (fé) pode estar intacta, mas temos o direito e o dever de interpelar o Criador.  No dia de hoje, por exemplo, sou um filósofo das incertezas e um convicto crente no imponderável.

— É que eles estão se sentindo confinados…

–Confinados estávamos antes, “escravos nós fomos no Egito”, tá lembrado? Foi agorinha.

— Mas é que eles não sabem com o que devem se ocupar, o que o Sr. aconselha mestre?

— Só o Altíssimo para te responder filho. Que tal se ocupar das próprias famílias, cuidar da horta, ordenhar o rebanho, pegar firme um bom pergaminho?  Aconselhável não ficar lendo manchetes sensacionalistas. Sem negócio a onda é cultivar o ócio, todo mundo não vivia reclamando do trabalho, hora extra, da síndrome de burning out?

— Pois é (constrangimento) mas é que as esposas também estão reclamando, muita gente nas tendas, as crianças sem aulas, tá todo mundo entocado.

— Olha bem amigo, lembra?  Sempre em frente, temos um deserto inteiro para atravessar. Calma que vai passar. Moisés olha com pena para seu interlocutor.

— Certo!

— Você está vislumbrando líderes alternativos para conduzir o povo?

“Senhor, ele ainda nem faz ideia de que o abacaxi vai ser dele?” Moisés pensa.

— Sem ofensa, são uns piores que os outros. E Mestre, ninguém está questionando sua autoridade

— Que pena, sou daqueles que gosta de ser colocado em xeque, não vejo a hora de passar esse bastão quente (Moisés ameaça jogar o cajado na areia)

–Não me entenda mal, mas é muita pressão nos chefes dos acampamentos, o pessoal da infra, os tribunais, os governadores,  Eles estão perdendo a cabeça, ameaçando prender, fazer rodízio, estão ameaçando rastrear todo mundo. Até o comandante geral está perdidaço.

–Eu sabia. Eles nunca vão entender? Que a repressão nunca foi pedagógica, será que não leram Arendt?  Quando some a autoridade aparece o autoritarismo? Moisés olha para cima. Bem que o Altíssimo me avisou que era um povo difícil.

— Tem gente dizendo que preferia a ditadura do Ramsés.

–Eles querem a volta do regime antigo? Sei, escravidão garantida ou seu dinheiro de volta.

(estrondos violentos no alto da Montanha)

— E tem mais, também querem votar uma petição para se desculpar com o Faraó. A mídia está publicando manchetes que sem escravos o mercado vai balançar e que agora seria diferente, blá blá blá, propaganda deles lá, sabe?

–Olha filho, se eu não tivesse saído da sua boca eu não acreditaria.

–É que….

— Vai, fala logo, desembucha

— Sou seu servo fiel e

— Não quero nenhum servo fiel. Se há algo que aprendi nessa curtíssima liderança é que não há fidelização séria de cliente ambicioso. Nunca tive tenho desejo de consumo — fora a biga gigante de 30 cavalos —  mas se tivesse um seria pedir gente com imaginação, para enfrentar a situação. Estou decidido, vamos remontar os conselhos de anciões.

— Senhor, perdão pela franqueza, mas essa velharada de novo?

–Idosos, idade avançada, senescencia, última estação, sênio, estação das neves, segunda infância, canície, gerocomio, vedro, dioso, tarouco, cadivo, anoso, chame como quiser. Lembra-se qual era a diferença entre as assembleias gregas e judaicas?

–Sinceramente? Não.

–Nas gregas, os velhos sentavam cada vez mais longe da mesa diretora, enquanto nas judaicas ficavam cada vez mais próximos.

–Certo mestre, mas eles já deram sua contribuição, não precisamos de sangue fresco?

–Prefiro sangue pisado, curtido sabe?

–Não peguei Mestre.

–Deixa para lá. Precisamos do pessoal que que têm experiência, que testemunhou as gestões que quase fizeram falir o Império, foi a estratégia deles que afinal nos mostrou uma saída daquele abismo, ou você acha que fiz tudo isso sozinho?

— Mas é que a moçada tá dizendo que eles já tiveram o tempo deles, e que agora eles devem ficar quietinhos, já fizeram sua parte, não fazem tanta diferença.

(trovões e raios fulminantes, algumas pedras voaram longe e tendas de novos partidos foram destroçadas)

–Entendi, mestre já entendi. E que tal propor um governo de união nacional? Josué responde assustado.

— Com ou sem autocrítica? Moisés ri.

— Ai complica Mestre, sabe como é, o núcleo duro está fechado com a ideologia. Sabe, questão de princípios, eles não podem nem irão  demonstrar arrependimento, sem vão confessar a culpa.

— Nem mesmo aqueles condenados que foram soltos?

— Temo que não.

–Ah não, sem autocrítica não dá!

–Entendi.

— Acho que vou ter com o Criador de novo. Parece que nenhum de vocês  entendeu o sentido da coisa. Se os novatos, não souberam entender o valor da história, o que e quando aprenderão? Vão reproduzir amanhãs de erros antigos. Essa travessia, onde cada um esta com sua família era exatamente um espaço perfeito para meditar, sob medida, era o tempo certo para mudar isso, capiche?

(vento forte seguido de um coro de vozes graves lembrando Paul Johnson e Louis Armstrong cantando “Let my people go“)

–Mas mestre, lá está uma confusão da breca, monte de gente falando ao mesmo tempo, coisas contraditórias, cada um tem uma opinião. Sabe, essas lives da net?

–Ainda bem, melhor assim, na verdade, antes só aqueles tipos “tá em todas” falavam. Agora temos uma espécie de uber generalizado para competir com a mídia ordinária, não é mesmo?

–É isso, mas a coisa está muito polarizada entre direita-esquerda que hoje o politicamente correto manda chamar da “coisa binária”.

–Zero de apreço pelo politicamente correto. Isso aí é mordaça disfarçada. Será que eles já ouviram falar de caminho do meio?

–Nunquinha Mestre

–Se não ouviram vão ouvir lá no futuro, um médico genial chamado Rambam vai ensinar a técnica. E pare de me chamar de Mestre.

–Certo, Moisés tem razão.

–Não filho!! Evita a expressão. Essa frase agora está pegando muito mal.

–Moisés, o senhor está correto.

— Vamos deixar a formalidade de lado, ok?

— Certíssimo Mestre.

— Céus

(trovões com ruídos celestiais e sob um dia limpo, tempestade súbita)

— Perdão, Onipotente, era só um desabafo, Moisés abaixa a cabeça para desculpar-se.

— E Chefia, tem mais uma questão.

— Qual ? Moisés atalha com um suspiro e balançando a cabeça.

— Tão falando agora que querem acabar com a austeridade fiscal.

–Pelo amor dos céus, de novo essa lenga-lenga, eles não viram no que deu? Essa gente acha que terror é pedagógico?

— Acho que sim, mas cá entre nós assustar as pessoas pode dar certo, né? O povinho só entende ordens na base do susto e da ameaça.

–Oh Lord, e o que mais ? Tem alguma boa notícia?

— Tem a China.

— O que tem a China?

–China, o medicamento, não o País.

–Não vamos tocar nesse assunto agora.

— Perfeitamente chefe.

— Só um ponto, para tomar esta droga aí, a China (Chinchona officinallis a origem e matéria prima da hidroclroquinina)  estão consultando o staff médico como eu orientei, certo? Ou pelo menos usando os conselhos do Hahnemann de usar doses ultra diluídas?

— Não, Mestre, ai é que está. Com medo do pandemônio estão tomando por auto-prescrição, na base da garrafada. A cúpula do planalto já tá toda nessa onda da China.

“A peste termina, a ignorância nunca”

–Pelas barbas de Abrão, Isaac e Jacob, Essa era a boa notícia?

— Não Rav, a boa notícia é que já estamos chegando.

— Sério?

— Olhe adiante as colinas, consegues enxergar  a Terra Prometida? Estamos bem próximos, Cannaã está aqui, nossa quarentena está perto do fim e nem vimos o tempo passar.

–Impressionante, 40 anos em 40 minutos.

Moisés abraça Josué e entoam juntos a música Jerusalém Shel Zahav (Jerusalém de Ouro)

Moisés estende o cajado para Josué que o apanha, enquanto ele sai rapidamente e cantarolando a nona de Beethoven, imaginando-se livre.

Em seu caminho de volta ao Monte Sinai, e vendo a perplexidade do discípulo, à distância Moisés provoca acenando um tchau:

–Vai que é tua Josué.

https://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/pessach-a-travessia-de-moises-iv-iminencia-da-libertacao/

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Crise sanitária e atualidade de Samuel Hahnemann (Blog Estadão)

10 sexta-feira abr 2020

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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https://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/crise-sanitaria-e-a-atualidade-de-samuel-hahnemann/

Avatar de Paulo RosenbaumPaulo Rosenbaum

Para quem ainda não conhece Samuel Hahnemann (1755-1843) médico alemão, nascido em Meissen, foi o fundador de um sistema terapêutico complexo que usa e aplica substâncias atenuadas e infinitesimais na terapêutica. Baseando-se em experiências e induções sua proposta terapêutica era menos baseada no nome da patologia ou de seus agentes etiológicos e muito mais nos sintomas individuais e idiossincráticos de cada enfermo. Grande engano achar que seu sistema terapêutico não tem muito a ensinar à medicina contemporânea, especialmente à luz dos últimos desdobramentos desta pandemia.

O médico de Cós, Hipócrates (460 AC – 377 AC) , o pai da medicina técnica e o inventor da história clínica enunciou três grandes princípios: moléstias poderiam ser cuidadas a partir dos contrários, dos semelhantes e também pelo que mais convém a cada um. Mas esta pluralidade de possibilidades terapêuticas foi, desde Galeno, obscurecida pelo predomínio de apenas um destes princípios anunciados pelo médico…

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Sanitary crisis and the contemporaneity of Samuel Hahnemann (Published in brazilian newspaper “O Estado de São Paulo”)

10 sexta-feira abr 2020

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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For those who do not know Samuel Hahnemann (1755-1843), a German doctor, born in Meissen april, 10, 1755, was the founder of a complex therapeutic system that uses and applies attenuated and infinitesimal substances in therapy. Based on experiences and inductions, its therapeutic proposal was less based on the name of the pathology or its etiological agents and much more on the individual and idiosyncratic symptoms of each patient. It is a great mistake to think that its therapeutic system does not have much to teach contemporary medicine, especially in light of the latest developments in this pandemic.

The doctor from Kos, Hippocrates (460 BC – 377 BC), the father of technical medicine and the inventor of clinical history enunciated three main principles: diseases could be taken care of from the opposites, from the like and also from what suits each one more. . But this plurality of therapeutic possibilities has, since Galen, been obscured by the predominance of only one of these principles announced by the Greek physician. Hahnemann then rescued the hypocratic idea to re-open the experimental use of the similar principle.

I mention just a few of his other contributions: he supported the idea of ​​the British physician Edward Jenner (1729 – 1823) – inventor of the vaccine – that medicine would benefit from the intelligent use of infectious agents once attenuated. Almost 50 years before Claude Bernard (1813–1878) the father of experimental medicine – he proposed in the 18th century an empirical basis for medical therapy. Not wild empiricism, but methodical and systematized experiments according to clear research rules in human beings to understand how drugs work by provoking feelings, sensations and symptoms.

Since the pathologies started to be classified in nosological trees – the way Carl Linneo (1707-1778) proposed to elaborate the taxonomy of the plant kingdom – the symptoms became “parasites” of the disease, that is to say, they had value only for to establish a classificatory pattern and an increasingly less important value for therapy since the interest was in establishing the diagnosis of the name of the disease. The German doctor then valued individual symptoms as the most reliable guidelines for prescribing – because that was what emerged from his experimental proposals – and pointed to the medicine of his time as a major epistemological error: underestimating the symptom as a guide for establishing therapy rational. From then on it was very much fought and, at the same time, obtained recognition from a good part of the western world for the practical results that it obtained.

To explain epidemics and the practical epidemiological use of medicinal substances he echoed Thomas Sydenhan’s (1624 – 1689) concept of “epidemic genius”, that is, each epidemic had a peculiar characteristic that could indicate the medication corresponding to the necessary, preventive intervention, palliative or curative. A century before Sigmund Freud advised physicians to pay attention to each person’s mental state and subjectivity.

Certainly, medicine had a surprising evolution in the last half of the twentieth century that prepared the current revolution of biomedicine in aspects such as hospital support, genetics, molecular medicine, biological therapies, transplants, prostheses, totipotent stem cells and now the promising immunotherapy. But none of this invalidates what this agent of medicine brought to the world of therapeutic knowledge.

Despite being socially validated, homeopathy continues to be viewed with suspicion and under gray status for much of the mainframe of technoscience. It forms the basis of treatment for millions of people worldwide and yet it has been unfairly disqualified. The accusations range from pseudoscience to quackery, even though its portfolio contains favorable meta-analyses and a broad research program. It is evident that research is still due when it comes to a consensual explanation for, for example, explaining and demonstrating experimentally how an ultra-diluted drug in solute-solvent mixtures can present the claimed biological plausibility and effectiveness.

The system that Hahnemann gave rise to, today better known by the name of homeopathy, is frequently attacked. Aside from self-evident pecuniary interests in eliminating any competition from large pharmaceutical companies and industries, there are many people who criticize without knowing or bothering to try the method. But here, too, there is another binary bias, much more subtle and rarely denounced. On the one hand, partisan militancy adept at scientific skepticism and, on the other, a fanatical idolatry that has a nostalgia for counterculture through “unconventional” or anti establishment methods. Some degree of skepticism is not a defect, it is even a basic quality for the scientific researcher as long as he investigates any matter without prejudice.

Unfortunately, this is not the case when it comes to assessing integrative medicines impartially. When ideology and unscientific ferocity arise, rationality disappears and it is humanity that loses the most.

The pandemic has raised huge insecurity in social networks and public opinion in the face of non-uniformity in the interpretation of data that has emerged as the number of infected people has increased. Despite the relative success of the proposed epidemiological barriers such as social distance to reduce the speed of contagion, the problem continues to face what to do with the percentage of the most vulnerable patients who need more support and assistance. And then, how to deal with the huge impacts on the economy of the affected countries.

Vaccines, hydrochloroquinine sulphate with or without associated azithromycin, plasma transfer, and, more recently, antiparasitic drugs such as ivermectin have entered the list of controversies about the true therapeutic efficacy of each one. How long do we need to use them safely? Should drugs be used that have not been widely tested in cases that develop poorly? What about using them early? In many epidemics, integrative medicines have been called upon to join forces to mitigate the health crisis, it was like that in the scarlet fever epidemic in Europe (1790), it was like that in the cholera pandemic (1820), in the Spanish flu (1920). Since January of this year, the Ministry of Health of India has suggested the homeopathic medicine Arsenicum album and massively distributes it to the population as a supporting measure for the prevention of the disease caused by covid 19 that emerged in Whuhan. You will have to wait and see if the flattening of the contagion curve there will behave differently. Wouldn’t it be ethical and interesting for health authorities to hear what other forms of medical intervention have to say?

It is important to clarify that medicine – despite the fantasies of common sense – is not an exact science. Some epistemologists have already classified it only as an “operative science”. And although medicine has unifying techno-scientific criteria, such as scientific research, randomized clinical trials researched in double or triple-blind (when neither the researchers nor the patients know whether they are taking the real medicine or the placebo), epidemiological studies cohort, community and transversal, it is necessary to emphasize that it still does not have the idealized uniformity, nor is it completely homogeneous in its procedures.

This is particularly evident when drugs go down to the empirical field, that is, they will be tested in large populations: it is there that side effects, paradoxical and others, the unusual, appear and are registered in publications validated by peer review. As the authors Goodmann and Gilmann wrote with rare honesty in their monumental work “The pharmacological bases of therapeutics” it is only at the moment that the drugs will be used by the general public that we will know if they really work well. Experimental tests on guinea pigs and humans are important preambles, yet preambles.

When the therapy goes down to operation, the truth is that the medical art varies from doctor to doctor, because it is an application that also involves and mainly the subjective perception of clinical evolution, the so-called “clinical eye”, where only the statistics and “tested medicine” may not be enough to make a decision. And the decision needs to be made especially in severe and acute conditions such as an epidemic that has high contagiousness due to viral mutation. Mutation that makes us temporarily unprotected to respond to aggression appropriately. This implies weak immune responses where the allergy-inflammatory process often wins out. The proper immune response will come with time and once again we will survive until the next outbreak of some new smart virus. That is why it is so important to pay close attention to those who have healed spontaneously.

Iatrophilosophy, or medical philosophy, contains many trends and points of view and this should not be taken as discredit. Science has always walked through constant refutations and rectifications. This is a correct pattern of research, when we often encounter the counterintuitive, the unexpected, and even the surprising in the trial and error technique. Yes, it is also a technique.

Numerous medicinal properties and effects of well-known drugs were discovered empirically, that is, when they started to be used in large populations. And it is necessary to emphasize that many clinical disasters also resulted from this same practical empiricism, such as the use of thalidomide and more recently the anti-inflammatory brand “Viox”. The answer to the dilemma is that nothing can be ruled out and that scientific research needs to be uninterrupted.

Surgery, from time to time, research and freelance researchers like the Nobel Prize for Medicine Luc Montagnier (virologist who discovered the AIDS virus) and Jacques Benveniste (immunopathologist and french allergist who formulated the “memory of water” theory) touched on hypotheses that help to validate the premises defended by Hahnemann, not only as a practice that produces important clinical results and with the potential to act in primary care, but as a rationale, which makes a lot of sense for today’s scientific epistemology.

https://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/crise-sanitaria-e-a-atualidade-de-samuel-hahnemann/

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