• Uma entrevista sobre Verdades e Solos
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” no Jornal da USP
  • A verdade lançada ao solo, de Paulo Rosenbaum. Rio de Janeiro: Editora Record, 2010. Por Regina Igel / University of Maryland, College Park
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” por Reuven Faingold (Estadão)
  • Escritor de deserto – Céu Subterrâneo (Estadão)
  • A inconcebível Jerusalém (Estadão)
  • O midrash brasileiro “Céu subterrâneo”[1], o sefer de “A Verdade ao Solo” e o reino das diáforas de “A Pele que nos Divide”.(Blog Estadão)

Paulo Rosenbaum

~ Escritor e Médico Writer and physician

Paulo Rosenbaum

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Diário de apartamento 9 – Ilhas de sanidade (blog Estadão)

05 segunda-feira abr 2021

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Diário de apartamento 9

Ilhas de sanidade.

“Não rir, não lamentar, não odiar, mas sim compreender.”

Baruch Spinoza

“Hoje não sinto vontade de demonstrar que a sanidade é impossível. Ao contrário, embora eu permaneça não menos triste do que no passado, de que a sanidade é um fenômeno bastante raro, estou convencido de que pode ser alcançado e gostaria de ver mais disso. Por ter dito isso em vários livros recentes e, acima de tudo, por ter compilado uma antologia do que os sãos disseram sobre a sanidade e os meios pelos quais ela pode ser alcançada, (trata-se do Livro “Filosofia Perene”) um eminente crítico acadêmico me disse que sou um triste sintoma. do fracasso de uma classe intelectual em tempo de crise. A implicação é, suponho, que o professor e seus colegas são sintomas hilários de sucesso. Os benfeitores da humanidade merecem a devida honra e comemoração. Vamos construir um Panteão para professores. Ele deveria estar localizado entre as ruínas de uma das cidades destruídas da Europa ou do Japão, e sobre a entrada do ossário eu inscrevia, em letras de seis ou sete pés de altura, as palavras simples: SAGRADO À MEMÓRIA DOS EDUCADORES DO MUNDO. SI MONUMENTUM REQUIRIS CIRCUMSPICE.

Aldous Huxley, novo prólogo escrito em 1946 para seu livro “Brave New World”.

Prometi, não posso revelar para quem, que não iria mais me render às teorias conspiratórias. E não me renderei. Em primeiro lugar as teorias não são tão carismáticas a ponto de terem auto suficiência para explicar a experiência atual do mundo, em segundo lugar elas não conduzem o homem à ação, como pedia Aristóteles, mas à imobilidade. Eles são ressentimentos parasitários, remorsos mal orientados. E por fim elas, as teses conspiratórias, engessam a vida. Paralisam pela má vontade que inspiram ao pressupor que o gigante é onisciente e invencível, e que a orquestração é de uma perfeição insuperável. E finalmente insta as pessoas a pararem de lutar.

Proponho aqui uma crônica analítica – sem ceder ao neutralismo — tentando seguir o acima citado aforismo de Spinoza. Considerando o que acabo de escrever, reforço o que Aldous Huxley escreveu para a segunda edição do seu clássico “Brave New World” em 1946 (traduzido para o português como “Admirável Mundo Novo”).

Por que Huxley escreveria que a sanidade é um fenômeno raro? Por que é verdade? Esta palavra que está sendo banida pelo repertório mundial de relativização e revisionismo impulsivo. O que temos testemunhado dentro e fora desta doença social sistêmica, que alguns se limitam a chamar de pandemia, e os mais corajosos poderiam nomear como insanidade justificada, é a prova que estamos diante de uma mistura de histeria induzida com um pano de fundo de uma doença que é de fato muito perigosa para uma parcela das pessoas.

O negacionismo por sua vez é um fenômeno real e que costuma apresentar uma dupla característica. A mais evidente é produzir um alívio catártico contra a constatação da nossa impotência frente à catástrofe e a miséria da dor e da morte conforme descreveu Ernst Becker. No entanto, essa característica tem levado a uma curiosa bastardização do termo, que assume proporções alarmantes quando qualquer discussão termina com a desqualificação: “negacionista”. Eles de fato existem, mas eles não são apenas negacionistas. São pessoas que diante da percepção real e concreta de uma ameaça reagem buscando teorias alternativas tanto à realidade quanto à ameaça contra as quais não tem recursos psíquicos para enfrentar. Devem ser perseguidos? Ameaçados? Culpabilizados? Boicotados? Não na minha opinião. Devem antes ser compreendidos pois, em certa medida, conscientes ou não disto, somos todos mais ou menos tanatofóbicos, e com ou sem pandemia a maioria apresenta sintomas e traços patofóbicos.

A segunda característica do que erroneamente vem sendo confundida pelo senso comum com negacionismo é a propagação de teses conspiratórias de alguns grupos não importa a matiz ideológica. Neste caso, estamos lidando com a mera recusa em adotar medidas de proteção pessoal e/ou coletiva uma vez que tudo ou quase relativo ao SarsCoV2 seria uma espécie de fabulação com propósitos distintos. Subestimam assim outras alternativas bem mais simples e ao alcance de projeto de tiranos, ainda que seja inegável que muitos governantes têm se valido da doença para implantar seus planos arbitrários. Existem também formulações mais complexas como aquelas que apontam o controle da humanidade através de microchips incluídos em algumas formas de imunização, e outros exageros análogos, como o plano de exterminar parte da humanidade, uma espécie de eugenia programada por gestores internacionais usando o vírus como vetor.

Para além das teses conspiracionistas, existem também um movimento que rigorosamente também não está no campo do negacionismo mas de uma conhecida concepção individualista de vida social, que diante de uma circunstância de problema/perigo coletivo como o que agora enfrentamos fica mais evidente. Ora, sem juízo de valor, o individualismo é um traço marcante e predominante das sociedades contemporâneas. Vale dizer, o individualismo, pode estar sendo uma espécie de resposta reativa ao excesso de Estado e sua sistemática tentativa de anular o sujeito. E é no mínimo ingênuo imaginar que a tendência deve ser objeto de cura ou regeneração. Muito menos com uma terapêutica reeducativa proposta pela benevolência do Estado. Mas parece que é o sonho de toda uma geração de educadores e influenciadores como fez notar Huxley. Neste delírio dos notáveis homens de bem não está fora de cogitação trancá-los em campos de reeducação. Quem sabe usando pedagogias avançadas como as adotadas no modelo chinês, iraniano ou venezuelano. Pode-se também contratar consultores avulsos nas Philipinas ou recrutar ex-agentes da KGB para a excelsa tarefa.

Só que nesta última modalidade, não caberia a imputação de negacionista a estes grupos. Distorcido ou não, atuar visando apenas as necessidades e desejos pessoais é antes de mais nada uma reafirmação do caráter vigente do tipo de contrato social sob o qual todos vivemos. E sobretudo resultado de imitação dos exemplos de nossos representantes, jamais dispostos ao sacrifício pessoal quando de trata de dar prioridade ao bem comum. Daí não ser muito compreensível a manifestação de indignação e perplexidade de setores da sociedade contra estes grupos, já que também estes vem vivendo sem grandes protestos e se pautam por este mesmíssimo contrato.

Diante desta incapacidade não se trata de isentar aqueles que arriscando-se, põem os demais sob risco, mas de apontar para a irresponsabilidade dos governantes em sua inação. Todos erraram no timing, omitiram informações, não proveram as medidas compensatórias para a brutal crise econômica gerada, o que não deixa de ser uma forma, ela mesma, de negacionismo instrumental.

O significativo é constatar que nesta atmosfera de confusão observa-se pouca ou nenhuma campanha de esclarecimento real: nada ou quase nada sobre máscaras, escassez quase absoluta sobre como funcionam as várias formas de imunização, ou a importância prática de uma racionalização sobre formas mais inteligentes e menos onerosas de isolamento social. Não vemos campanhas assim nem entre comerciais, muito menos em horário nobre na Tv ou nas emissoras de rádio. Por que?

O mesmo não se pode dizer quando se trata de capitanear politicamente em prol daquele político ou governante que oferece – o que não seria nada além de sua obrigação — mais vacinas, medicamentos, e insumos hospitalares além de medidas mais eficientes de proteção aos seus cidadãos. Neste caso, a culpa pelo longo lapso recai, de fato, sobre o fiasco das várias formas de comunicação governamental, assim como das empresas midiáticas que prestam estes serviços de informação.

Pois não é possível que a única forma que o poder organizado aqui ou em qualquer parte do mundo, parece ter encontrado para conter a virose é impor medidas restritivas com regras mutantes e arbitrárias sem explicar o que isso significa aos seus cidadãos. Cidadãos? Ora, um eufemismo, pois não temos sido tratados como tal. Erigir um estado policial e o incremento do aparelho repressor não, nunca será uma resposta satisfatória para conter uma emergência sanitária. Medidas punitivas e ameaçadoras não são a resposta. Afinal é lícito perguntar, qual é mesmo o plano? Qual é o horizonte social e econômico? Ou perguntas como estas também viraram tabus? O cidadão acaba não sabendo, por exemplo, porque os hospitais de campanha vieram e foram desmontados. Não fica sabendo acerca dos contratos sobre a produção dos imunizantes. Desconhece o que significa tantos gastos públicos sem licitação. Não tem ideia de porque o governo central e os estados vivem às turras. Afinal, quais são as prioridades? Onde está a transparência? Inépcia generalizada federal-estadual-municipal pode ser uma nomenclatura mais adequada para exemplificar o descontrole que estamos testemunhando. Ou seja, são os governantes com seus maus feitos e instrumentalização da pandemia – no mais abjeto estilo de saqueadores durante desastres naturais – quem acabam municiando os conspiracionistas para justificar suas teses esdrúxulas. E, de fato, com tantos exemplos, quem pode acusá-los de insanidade?

Decerto imputar a uma única esfera governamental à situação absurda que vivenciamos é, já, uma das grandes manipulações ao qual estamos sendo submetidos. A grande aberração é quando o cientificismo de palanque rechaça qualquer discussão científica que não esteja alinhada à ideologia defendida. Trata-se da inimaginável doutrina dos partido fármaco-terapêuticos. A falta de diversidade nas mídias e a criminalização de qualquer opinião divergente, é este o fenômeno que atesta o momento institucional disruptivo pelo qual passamos. Há, nos poderes da República, uma rara espécie de isonomia de incompetências que precisa ser sublinhada para se opor aqueles que defendem as administrações anteriores como um exemplo virtuoso. Isso, quando todos sabemos do escandaloso histórico de desvios recentes que culminou com o impeachment. Mesmo que estes tenham sido recentemente abonados por um poder que vem exercendo, impunemente, uma hermenêutica incompreensível para a opinião pública e até para aqueles pares mais corajosos que ousam expor as incoerências.

Voltando ao texto de Huxley, que por se opor de forma veemente ao totalitarismo de esquerda e de direita foi acusado de “um triste sintoma do fracasso de uma classe intelectual em tempo de crise”. Mas ele foi mais atacado ainda quando propos que se ouvisse o que “os sãos disseram sobre a sanidade e os meios pelos quais ela pode ser alcançada”. Diante da voracidade com que o poder tendia a concentrar poder não era inesperada o desfecho pessimista conforme ele escreveu um ano depois do fim da segunda guerra mundial: “É provável que todos os governos do mundo serão, mais ou menos completamente totalitários”. E não é difícil compreender por quê. É que dentre todas as gradações de insanidade, uma das mais perturbadoras é aquela na qual a sociedade acata com entusiástica submissão o veredito e regras ditadas por legisladores e homúnculos lunáticos.

Ainda há tempo para evitar o aludido panteão, criar ilhas de sanidade para recusar o continente de fanáticos.

https://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/diario-de-apartamento-9-ilhas-de-sanidade/

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circunvagantes de pessach

30 terça-feira mar 2021

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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https://paulorosenbaum.com.br/2012/04/06/circunvagantes-de-pessach/

Avatar de Paulo RosenbaumPaulo Rosenbaum

 

Nada no solo te diz quantos passos

e atravesso a travessia de infinitas formas

e já nem digo qual o caminho

 

O sol acompanha e nos salva,

a sombra que quer ir sem saber

por que vai, se vai, para onde vai?

 

e é longo, o círio dos errantes de cor

 circunvagos que andam em ondas

lucífugos que se encaixam em todo terreno

no mundo trazem e são trazidos para os povos

 

no periplus, descobrimos, os tripulantes somos nós.

e a liberdade anda adiante

 

por isso cruzamos a Terra.

Só por isso.   

 

 

 

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Artigo “Equilíbrio Instável” transformado em questão do Vestibular

24 quarta-feira mar 2021

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Avatar de Paulo RosenbaumPaulo Rosenbaum

Clique para acessar o LPortuguesa_CulturaGeral_Espanhol.pdf

LÍNGUA PORTUGUESA
Equilíbrio instável
Paulo Rosenbaum
Vigora a velha ideia distorcida sobre o que
é saúde. Às vezes, ela é encaixada em tópicos
estéticos e procedimentais. O que vale, hoje, é
ser musculoso ou consumir o que é oferecido
como a última palavra em tecnologia. O consumo
irracional de procedimentos tem se tornado um
problema de saúde em si. Muitas vezes, em
detrimento da saúde do próprio sujeito. Excesso
de cirurgias – como a bariátrica, por exemplo – e
o consumo exagerado de drogas, com ou sem
automedicação, colocam o sujeito exposto a
tantos males quanto os que eles supostamente
estariam tentando corrigir como advertiu
abertamente o National Institute of Health dos
EUA, há alguns anos, num extenso relatório.
O fato é que estamos muito distantes de
uma medicina apropriada ao sujeito. No
Congresso Internacional da Medicina da Pessoa,
realizado na Austrália nos anos 50…

Ver o post original 1.642 mais palavras

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Nem tudo foi dito (Blog Estadão)

10 quarta-feira mar 2021

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Encômio aos excelentíssimos homens e gestores públicos

Nem tudo foi dito

Mas calculado, pensado, desperdiçado,

Resta-nos apenas o espaço para renegá-los

Cansamos das desculpas, declarações, dos ditados apócrifos

Nem tudo foi dito,

Mas repisado, manipulado, esquecido

A amnésia exerce a tirania sobre o passado, recém apagado

Tua voz defende o que supúnhamos superado

Mas, não. Nem tudo foi dito

Toda epidemiologia totalitária

Todo álibi à serviço da força, da repressão

O autoritarismo, sob o justificacionismo da patologia

Retirar direitos, restrições excessivas, até capitularmos pelo pânico

Abriram-se as alas para o progresso do regresso

Tua voz pode ser sentida naqueles que esperam vaga

Ali, onde os verdadeiros abnegados agem

E no vácuo das tuas condenações

A ficha corrida com um plano Marshall de desvios

Até quando?

A auto regulação do sistema preserva o próprio

Esmaga a quem deveria servir.

É o sujeito que precisa se proteger das instituições

Inversão para bem além do paradoxo

Nem tudo foi dito, ainda.

O que precisava ser dito nos inibiria para sempre

Do palanque, da tribuna, ou das luxuosas sedes dos partidos

Constranges a vida com refrães empobrecidos

E nos conduz à longa prancha que desemboca em alto mar

Já sabemos o que vocês querem

E pensar quantas vezes concedemos nos sufrágios,

Não por empatia, medo ou inércia

Nem mesmo pelo bem comum,

Foi por pura esperança assimétrica

Agora, tardiamente, sempre é tempo para recusar

Quem pode aceitar o tecido social induzido ao esgarçamento?

Destroçado por acordos melífluos, redigidos com sarcasmo

Pautados na conveniente edição do dia anterior

Nas mídias que militam uníssonas, tanto faz para quem

Na diversidade cosmética que monopoliza a opinião pública

Através dos influenciadores do senso comum

Lemos os textos, matérias pagas, que prenunciam amanhãs

Com o injustificável apetite de quem já nem consegue abocanhar o acúmulo

Nem tudo foi dito

Mas, à tua revelia, repensado

E sobre tua sombra desenhado

De quem é a culpa pela fragorosa inépcia?

Quem fez questão de exercer mandatos?

Vossas atribuições foram usurpadas por narcisismo?

Temos castas que estão acima das sanções?

Nem tudo foi dito

Pois vai um aviso: a mordaça voltará como bumerangue

Das bocas sem voz

E caso contes com nossa vaga memória

Refaremos o trailer

Que outrora asfaltou teu poder até a vitória

Até repassar as cenas

Dos tribunais do vexame, das votações secretas, de álibis esfarrapados

Para propagar tuas anti-façanhas, de dia e de noite

Não era com o que contavas?

Pois a luta se fará nas cidades, nas montanhas,

Dentro e fora dos espaços públicos aparelhados

Nem tudo foi dito

E não estamos mais nas cercanias das cidades

Nem ilhados fora das jurisdições,

Logo desceremos aos milhões

E não será para louvá-los

Ou engrossar teu coro de idolatras

Mas para dizer não à sombra na qual mergulharam o país

Para desmentir tua sanha heroica

Ou vos parece crível nossa aceitação passiva?

Achas mesmo que compramos vossa mitômana versão de democracia?

Somos dotados de uma fibra estoica

É a necessidade inspirada na convicção

De que a liberdade é a única moeda aceitável

É com ela que propagaremos a responsabilidade

Assumiremos o que nos tem sido negado

Pois notamos que é nossa única e última atribuição.

Exclusiva, definitiva, inegavelmente nossa.

Nem tudo foi dito

Porque emancipações são partos difíceis

E as gestações costumam nascer das explosões

Avalanches irreversíveis em tempestades inesperadas

Resultados de hermenêuticas incompreensíveis.

De garantismos sustentados por jurisprudências negacionistas

É dali que nascerá a insurreição

Que paralisará a guerra pela hegemonia da linguagem

Nem tudo foi dito

Homens públicos, incompetências privadas

Tiranias exercidas por marionetes, postes ou algoritmos

E templos miméticos de injustiça que se espalham com a pompa

Das palavras, palavras, palavras, e palavras ressonantes.

Que nem com todo esforço semântico

Tornaram-se relevantes

Nem tudo foi dito, já que agora estamos com a palavra

E tua sorte foi lançada num torneio sem mérito

Nem tudo foi dito porque os ossos por ti enterrados

Ainda estalam dentro de sepulcros improvisados

É que existem crimes que só prescrevem através de canetas pegajosas

E quem sofreu continua gritando através do subsolo,

Mesmo aqueles instalados em covas bem rebocadas

Nem tudo foi dito porque, involuntariamente, tuas mãos revelarão

O que nunca deve ser pronunciado

E entregarão o sangue que te persegue

Nem tudo foi dito porque perdemos o medo

Não tememos mais o exílio

E a submissão, não é mais uma opção

Enquanto vocês simulavam ofertar liberdade

Éramos nós que lutávamos contra o arbítrio

Nem tudo foi dito porque o pesadelo nunca falha

Dura até que o sonho da pacificação se sobreponha

Acabamos de lembrar do “nós contra eles”

Dos abusos, da linguagem caricata, do desprezo

Do abandono de populações inteiras compradas com cala-boca mensais

Do represamento das insurreições com gorjetas

Da oposição fantoche

Enquanto o Estado descia

Resultados de emergências artificiais

Enquanto as reais jamais são contempladas

Para que conscientizar se é possível ordenar?

Nem tudo foi dito, é verdade, pode demorar

Mas te faremos discernir o que você nunca poderá entender

Afastaremos você e teus discípulos

Hábeis em criar anti-destinos e no culto à personalidade

E mundos nos quais as vítimas permanecem emudecidas

Por ora, estamos subjugados, mas amanhã

Amanhã podemos não te dar posse

Hoje aflitos, amanhã saberemos quem nos coagiu

E nos forçou a aceitar os injustos impostos

Hoje calados, amanhã libertados por espalhar teus erros

Nem tudo foi dito

Mas temos uma vantagem

Sabemos que, até aqui, nenhuma tortura fez a história retroceder

E tuas manobras podem terminar em nada

E apesar dos teus idolatras e dos teus enganos bem articulados

Não cederemos à decomposição, ao clamor pelo conflito

Antes, ergueremos muros sem pedras

Com as barreiras da verdade que tanto relativizas

E se nem tudo foi dito

Hoje diremos tudo, de vez, até o último fôlego.

Sem que ninguém interrompa.

E o que ao poder nunca foi dito?

Será um eco

O eco que invadirá a casa das omissões.

Para regenerá-la em ações.

E vossas digníssimas presenças

Serão as mais comemoradas ausências.

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The extraordinary in man

08 segunda-feira mar 2021

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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The extraordinary in man

The Bait Jewish Center has just published a book entitled “Rebbe: the life and teachings of Menachen M. Schneerson , the most influential rabbi in modern history” hides a remarkable and unknown scope. To know more about the life of a clergyman who, as the subtitle part says “the most influential rabbi in modern history” – should give curiosity in specific niches of religious communities to people interested in contemporary philosophical discussions. Thus, “Rebbe”, written by Joseph Telushkin deserves to be read by a larger audience and appreciated in all its breadth, just as the personality of the biographer is presented. 

The author faithfully researched and compiled fundamental excerpts from a figure, who, well beyond the cult of personality and the inevitable partisan praise , moved into areas that transcend specialties and blur the boundaries of literary expertise. Eclectic, lively and generous Menachem Mendel managed the feat of shedding light on the most obscure subjects with discernment, and thereby attracted the admiration of people of all creeds and ideologies, as comments by Dennis Prager on the fourth cover. On the same fourth cover Alan Dershowitz recommends “a case study” for Harvard Business School for the success of this rabbi’s efforts to promote Jewish and humanitarian values ​​around the world.

Menachem Mendel Schneerson 1902-1994, born in the Russian city of Nikolaye , was the seventh rebe of the dynasty of a religious movement, succeeding his father-in-law in the leadership of the Hasidic Chabad movement (acronym for the Hebrew words Chochma , Bina and Dat , respectively, wisdom, understanding, knowledge), Jewish religious organization born in the Russian city of Lubavich . He graduated in naval engineering at the Humboldt University in Berlin, a profession he formally pursued for some time. It is important to note, as Peggy Noolan noted in her 2003 book “What I saw in the Revolution, a political life in the Reagan era”, that the word “Rebbe” always used to mean “special rabbi and master of Jewish holy texts” but after Menachem Mendel, the term has transcended ordinary nomenclature. In a unique and peculiar case, since Schneerson , the word has come to personify a single and specific individual: Schneerson himself .

Rare were the areas of knowledge that Menachem did not dare to comment on. From language to medicine, through political strategies, fighting for political and persecuted prisoners in the former USSR, women’s rights and encouraging charitable actions aimed at the most vulnerable. In this sense, the Rebbe became a respectable leader, who, at the same time, presented the rigid and flexible facets. He admonished politicians, but he also received them to engage in persuasive dialogues, it was not easy to obtain concessions from him, on the other hand he avoided judging those who had antagonistic positions to his. 

By the time that conflicts between the Jewish community and african American erupted in Brooklyn, in the Crown Heights neighborhood, location of the headquarters of the movement Chabad in the city, the Rebbe received the then New York Mayor David Dinkins . In expressing his desire for Dinkins to help pacify the city, he responded “to both sides” to which the rabbi replied “We are not two sides, we are one people living in a city under a government and a God. That he protect the police and all the people of this city “.  

His actions were often directed towards a collective purpose, as in 1964, when he met Robert F. Kennedy — who at the time was running for the Senate election in New York – when the Rebbe urged Kennedy and Franklyn Delano Roosevelt Junior to take action. address the drug problem among teenagers.

Once, in an interview with the newspaper “The New York Times” when the journalist teased him about his willingness to offer advice on issues that went beyond religious themes in areas as diverse as business and even medical issues, Menachen answered :

“I’m not afraid to say that I don’t know something. But if I do, I have no right not to respond. When someone asks you for help and you can help that person in the best way possible and you refuse to help, you become the cause of this person’s suffering “.

Surprising, and the author of perplexing spurs , perhaps that is why he influenced such heterogeneous figures – both from an existential and ideological point of view – in direct or indirect contacts such as Bob Dylan, Bill Clinton, Israel’s first ministers, Labor Shimon Peres and the conservative Menachen Begin, the Polish worker and former president Lech Walesa, the former Uruguayan president Luis Alberto Lacalle , as well as Ronald Reagan, and a significant number of artists and intellectuals. His campaigns for education and the encouragement of charity and “promoting education and perfecting the human race” earned him the ” National Honor Award ” granted by the American Congress. 

His “silent diplomacy” was successful, despite the criticism he received, in many episodes during the cold war, when religious practice was typified as a crime, and Russian Jews, persecuted by the communist regime, were often sent into exile in Siberia.

The book also shows how Schneerson was particularly adept at using language to produce small resignifications that managed to balance concepts and dogmas: he suggested a replacement for the common word beit cholim (which in Hebrew means ‘hospital’, but whose literal meaning means ‘home’ of patients’), also suggested the word ” due date “, which is close to “beginning of life, birth”, to replace the expression ” deadline” whose connotation is “end of life”. In more than one letter he stated that in his vocabulary preferred to ignore the word “retirement”.   

His letters also reveal his absolute respect for individual will and the sacredness of free will. Asked once by a boy if he should commit to a girl “When it comes to marriage, I cannot help you, neither your father can help you , nor your mother, nor your seichel (intellect). helping you is your heart. If you have feelings for the girl go ahead. If you don’t have them, don’t get married “.

Without incurring simplifications of common sense, its rating system favored positive pointing over destructive criticism, gave preference to praise for failure and, whenever possible, avoided the hasty and summary judgment of human actions to seek to find some dignity in the mistakes and faults of others. , nor criticize their motivations, since speculations of intentionalities are nothing more than pretentious interpretations. 

But it was because of his insights and ability to formulate from detailed analyzes of sacred texts to elucidative and controversial syntheses that he stood out and achieved unprecedented worldwide projection. The book “Rebbe” is more than an intellectual biography since it addresses the profile of a complex man. One might fall into the temptation to call him extraordinary, but in his honor this should not happen. For perhaps he himself suggested not to be touted as an exceptional person , since modesty would be consistent with his insistent exhortation to precisely reaffirm that every man has the potential to perform unusual tasks and missions. In his own words “I don’t talk about people, I talk about opinions”. According to Schneerson, everyone has a fraction above the average. It is enough to exalt it , to attract it, to make it emerge from the buried shells of material stupidity. This would be a summary of the mission of man and humanity. And that goes for all races, ethnicities, religions and creeds.   

In this sense, there would be an additional subtitle to the book: “the extraordinary in man”.

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O Extraordinário no homem (Blog Estadão)

28 domingo fev 2021

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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O Centro Judaico Bait acaba de publicar um livro cujo título “Rebe: a vida e os ensinamentos de Menachen M. Schneerson, o rabino mais influente da história moderna” esconde uma notável e desconhecida abrangência. Saber mais sobre a vida de um clérigo que, como afirma a parte do subtítulo “o rabino mais influente da história moderna” —  deve ensejar curiosidade em nichos específicos de comunidades religiosas às pessoas interessadas nas discussões filosóficas contemporâneas. Destarte, “Rebe”, escrito por Joseph Telushkin merece ser lido por um público maior e apreciado em toda sua amplitude, tal qual se apresenta a personalidade do biografado.

O autor pesquisou e compilou com fidelidade excertos fundamentais de uma figura, que para bem além do culto à personalidade e dos inevitáveis enaltecimentos partisãs, transitou em áreas que transcendem as especialidades e borram as delimitações das expertises literárias. Eclético, vivaz e generoso Menachem Mendel conseguiu a façanha de jogar luz sobre os assuntos mais obscuros com discernimento, e com isso atraiu a admiração de pessoas de todos os credos e ideologias, como comenta Dennis Prager na quarta capa enquanto Aaln Dershowitz recomenda “um estudo de caso” para a Harvard Business School pelo sucesso do empreendimento deste rabino em promover os valores judaicos e humanitários pelo mundo.

Menachem Mendel Schneerson 1902-1994, sétimo rebe da dinastia de um movimento religioso, sucedeu seu sogro na liderança do movimento hassídico Chabad (acrônimo para as palavras hebraicas Chochma, Bina e Dat, respectivamente, sabedoria, compreensão, conhecimento), organização religiosa judaica nascida na cidade russa de Lubavich. Graduou-se em engenharia na Universidade Humboldt em Berlin, profissão que nunca exerceu formalmente. Importante salientar, como notou Peggy Noolan em seu livro “O que vi na Revolução, uma vida política na era Reagan” de 2003, que a palavra “Rebe” sempre costumava significar “rabino especial e mestre em textos sagrados judaicos” porém depois de Menachem Mendel, o termo transcendeu a nomenclatura ordinária. Num caso único e peculiar, desde Schneerson, a palavra passou a personificar um único e específico indivíduo: o próprio Schneerson.

Raras foram as áreas de conhecimento sobre as quais Menachem não ousasse se pronunciar. Da linguagem à medicina, passando por estratégias políticas, luta pelos prisioneiros políticos e perseguidos na ex URSS, direitos das mulheres e incentivo às ações de caridade dirigidas aos mais vulneráveis.  Neste sentido é que o Rebe tornou-se uma liderança respeitável, que, ao mesmo tempo, apresentava as facetas rígida e flexível. Admoestou políticos, mas também os recebeu para travar diálogos persuasivos, não era fácil obter concessões dele, por outro lado ele evitava julgar aqueles que tinham posições antagônicas às suas.

Na época em que conflitos entre a comunidade judaica e afro-americana eclodiram no Brooklyn, no bairro de Crown Heights, local da  sede do movimento Chabad na cidade, o Rebe  recebeu o então prefeito de Nova York, David Dinkins. Ao expressar seu desejo de que Dinkins ajudasse a pacificar a cidade, este respondeu “a ambos os lados” ao que o rabino respondeu “Nós não somos dois lados, somos um só povo vivendo em uma cidade sob um governo e um Deus. Que ele proteja os policiais e todo povo desta cidade”.

Suas ações eram frequentemente dirigidas a uma finalidade coletiva, como em 1964, no encontro com Robert F. Kennedy — que na época concorria à eleição para o senado por Nova York — quando o Rebe exortou Kennedy e Franklyn Delano Roosevelt Junior a se debruçarem sobre o problema das drogas entre os adolescentes.

Certa vez, em uma entrevista concedida ao jornal “The New York Times” quando o jornalista o provocou sobre a disposição que apresentava em oferecer aconselhamento sobre assuntos que extrapolavam os temas religiosos em áreas tão diversificados como negócios e até mesmo questões ligadas à medicina, Menachen respondeu :

“Não tenho medo de dizer que não sei algo. Mas se eu sei não tenho o direito de não responder. Quando alguém lhe pede ajuda e você pode ajudar esta pessoa, da melhor forma possível, e se recusa a ajudar, você se torna a causa do sofrimento desta pessoa”.

Além das respostas desconcertantes e talvez por isso mesmo tenha influenciado figuras tão heterogêneas — tanto do ponto de vista existencial como ideológico — em contatos diretos ou indiretos como Bob Dylan, Bill Clinton, o primeiro ministro de Israel, o trabalhista Shimon Peres e o conservador Menachen Begin, o operário e ex presidente da Polônia Lech Walesa,  o ex presidente uruguaio Luis Alberto Lacalle, além de Ronald Reagan, e um número expressivo de artistas e intelectuais. Suas campanhas por educação e estímulo à caridade e “promover a educação e aperfeiçoar a raça humana” lhe valeram o” Prêmio da honra nacional”outorgado pelo congresso americano.

Sua “diplomacia silenciosa” foi bem sucedida, a despeito das críticas que recebeu, em muitos episódios durante a guerra fria, quando a prática religiosa era tipificada como crime, e os judeus russos, perseguidos pelo regime comunista eram frequentemente enviados ao exílio na Sibéria.

O livro mostra também como Schneerson era particularmente hábil no uso da linguagem para produzir pequenas ressignificações que conseguiam balançar conceitos e dogmas: sugeriu uma substituição para a palavra corriqueira beit cholim (que em hebraico quer dizer ‘hospital’, mas cujo significado literal significa ‘casa dos doentes’), também sugeriu a  palavra “due date“, que se aproxima de “inicio da vida, nascimento’, para substituir a expressão ‘deadline’ cuja conotação é ‘fim da vida’.  Em mais de uma carta afirmava que em seu vocabulário preferia desconhecer a palavra “aposentadoria”.

Suas cartas revelam também seu absoluto respeito pela vontade individual e a sacralidade do livre arbítrio. Perguntado certa vez por um rapaz se deveria se comprometer com uma moça “Quando se trata de casamento, eu não o posso ajudar, nem seu pai pode ajuda-lo, nem sua mãe, nem seu seichel (intelecto). A única coisa que pode ajuda-lo é o seu coração. Se você tem sentimentos pela moça vá em frente. Se não os têm não se case”.

Sem incorrer em simplificações do senso comum seu sistema de notação  privilegiava o apontamento positivo no lugar das críticas destrutivas, dava preferência ao elogio à reprovação e sempre que possível evitava o julgamento precipitado e sumário das ações humanas para buscar encontrar alguma dignidade nos erros e faltas alheios, nem criticar suas motivações, já que as especulações das intencionalidades não passam de interpretações pretensiosas.

Mas foi por seus insights e capacidade de formular desde análises detalhadas de textos sagrados até sínteses elucidativas e polêmicas que ele se notabilizou e alcançou projeção mundial inédita. O livro “Rebe” é mais do que uma biografia intelectual já que aborda o perfil de um homem complexo. Poder-se-ia cair na tentação de chama-lo de extraordinário, mas em sua honra isso não deverá acontecer. Pois talvez ele mesmo sugerisse não ser alardeado como alguém excepcional,  já que a modéstia seria  coerente com sua insistente exortação de precisamente reafirmar que todo homem tem o potencial para realizar tarefas e missões incomuns. Em suas próprias palavras “Não falo sobre pessoas, falo sobre opiniões”. De acordo com Schneerson todos tem uma fração acima da média. Basta exalta-la, atraí-la, faze-la emergir das soterradas cascas do embrutecimento material. Este seria um resumo da missão do homem e da humanidade.  E isso vale para todas as raças, etnias, religiões e credos.

Neste sentido, caberia um subtítulo adicional ao livro: “o extraordinário no homem”.

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Para não amanhecer em Caracas

23 terça-feira fev 2021

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Avatar de Paulo RosenbaumPaulo Rosenbaum

 

Jornal do Brasil

Quinta-feira, 20 de Fevereiro de 2014

 

Coisas da Política

Hoje às 06h00

Para não amanhecer em Caracas

Paulo Rosenbaum*

Não é difícil ficar aflito testemunhando o que está acontecendo pelas ruas. Afora o número incrível de passionais que querem marchar contra e a favor, o País soluça e há cada vez mais gente querendo que uma democracia jovem resolva tudo. Tudo ou nada. Legiões de diagnosticadores, multidões de juízes imediatistas e um império de convictos. Curiosamente são os mesmos torcedores fanáticos que migram da sede dos partidos para a arquibancadas com as organizadas.

 A questão pode ser menos nosso sistema mental classificatório e muito mais a incapacidade de guardar conosco o que realmente achamos das coisas e das pessoas. O que antes era “pensar cá com meus botões” não serve para mais nada. Não se pode mais ter uma opinião e simplesmente guardá-la. É preciso…

Ver o post original 468 mais palavras

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DA RAZÃO MÉDICA E SEUS AFAZERES (Blog Estadão e Site da AMHB)

18 quinta-feira fev 2021

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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DA RAZÃO MÉDICA E SEUS AFAZERES*

“Sem referência à epistemologia, uma teoria do conhecimento seria uma meditação sobre o vazio; e sem relação à história das ciências, uma epistemologia seria uma réplica perfeitamente supérflua da ciência sobre a qual pretenderia discorrer”

Hilton Japiassu

Modelo de esfigmomanômetro portátil, invenção do médico homeopata escocês Robert Ellis Dudgeon (1820-1904)

Segundo Henri Bergson, o trabalho do filosofo consiste em inverter a direção natural do trabalho do pensamento. Descartada a pretensão e como acredito que haja uma filosofia da medicina, apenas tentarei fazer algo análogo. Começemos do fim. Em todas as versões aceitáveis do que essencialmente caracteriza a atividade médica encontramos pelo menos um objetivo principal razoavelmente compartilhado: cuidar da saúde das pessoas.

Temos observado um padrão de comportamento com assuntos científicos polêmicos na mídia que vêm se caracterizando tanto pela fulanização do problema, como pela desqualificação — que por conveniências não explicitadas — seleciona ou simplesmente deleta argumentos alheios. Toda critica consistente deveria ser enaltecida, este é, ou deveria ser, o papel da oposição na política, das teorias rivais nas ciências. Um autor deveria agradecer uma boa análise crítica de um comentarista ou de um referee. Mas não é que ela é quase sempre mal recebida? Considerada uma ofensa. Nos meios mais sectários, um golpe. Termo quase bastardizado em nossos tempos de dossiê versus dossiês. A tradição da polêmica, infelizmente empobrecida no país, teria o mérito de resgatar um debate saudável. Aonde todas as partes sairiam mais esclarecidas, mesmo  que com as divergências acirradas, na medida em que, ao menos aprofundariam o conhecimento do assunto acerca de matérias sensíveis. E as tornariam mais disponíveis para o grande público. Afinal, só assim faz sentido a res publica e o bem comum como aspiração consensual dos cidadãos.

Comecemos de novo, desta vez pela experiência. O que é a experiência do ponto de vista científico? Não são só dados laboratoriais reproduzíveis como pode pensar o senso comum. Segundo Bachelard experimentar consiste em se fazer as perguntas certas. Ele destaca que a história das ciências não pode ser meramente empírica, mas, antes de tudo, o progresso das ligações racionais do saber. Neste sentido, a epistemologia histórica é uma reação ao positivismo. Graças a esta estratégia pode-se resgatar procedimentos que foram precocemente descartados pela ciência e resignifica-los mostrando que a história pode não ter mesmo terminado. Foi, por exemplo, o típico caso da acupuntura. Do descarte precoce à sua redenção temos uma história interessante relatada pelo epistemólogo austríaco Paul Feyrabend. Conta este autor que quando Mao T. Tung chegou ao poder na China quis saber quais alternativas teria aquilo que classificou como “medicina ocidental burguesa” (sic). Foi informado que nas montanhas, muito além de Beijing, resistiam praticantes de uma multimilenar forma de medicina tradicional chinesa que envolvia a associação de procedimentos como moxabustão, acupuntura e fitoterápicos. O objetivo era evidentemente político: contrapor a tecnologia ocidental ao padrão artesanal “nacionalista” do velho Império.   O ditador chinês convocou estes supostamente anacrônicos representantes da arte curativa que para surpresa geral foram provando seu valor quando instalados em ambiente de estímulo a pesquisa na Universidade de Pequim. Décadas depois haviam refeito a tradição, as vezes até mesmo sob o risco de descaracterizá-la, porém continuaram sendo financiados para aplicar sua arte e pesquisá-la dentro de um ambiente acadêmico. Até que nas últimas décadas a acupuntura (apenas um braço da medicina tradicional chinesa) vêm se validando cientificamente e encontrando cada vez mais adeptos no mundo, especialmente a partir de um boom ocorrido na América do Norte nos anos setenta. Assim há que se criticar a falsa noção, ainda fecunda dentro das ciências duras, de que haveria um “experimento crucial” que determinaria a completa aceitação ou repúdio de uma disciplina. Mesmo porque, segundo Lakatos, experiências cruciais “só são vistas como cruciais muitas décadas mais tarde”.

Quando a análise enfoca a história da medicina, raros são os historiadores que, lançando um olhar retrospectivo sobre esta ciência, discordam do aforismo de Claude Bernard de que uma anterioridade cronológica é uma inferioridade lógica. Sabemos que a lógica em si mesma é insuficiente para dar conta de exigências e possibilidades de validade que, conforme nos mostrou Thomas Kuhn, em seu clássico “A estrutura das revoluções científicas”, ampara-se em valores e necessidades de uma dada cultura, em determinado momento histórico. Ou seja, impõe-se reconhecer a não universalidade e a não univocacidade dos padrões normativos de ciência alguma. É verdade que abusamos do termo “paradigma”. É tratado como se fosse uma palavra mágica e auto-referente. Mas ele nem é mesmo uma palavra, talvez seja um grande tema, já que comporta, segundo Imre Lakatos, 27 diferentes significados. Mas que se pode fazer, se este é o preço a se pagar sempre que estamos em áreas sem fronteiras delimitadas?

Para Bachelard, identificar e compreender uma ciência é mapear os impasses metodológicos e teórico-práticos que a originaram como procedimento racional. Esta condução da problemática pode não parecer, mas foi conceitualmente bastante inovadora. Inscreveu-se como uma reação importante contra a confiança excessiva que a sociedade industrial depositou nas ciências experimentais e em suas metodologias, características do positivismo clássico. Confiança que ganhou, nesta doutrina, um estatuto axiomático: tratava-se de verdades unívocas e irrefutáveis. As ciências experimentais pretendiam, grosso modo conseguiram, construir robustos “superparadigmas”. O positivismo, como todas as correntes de pensamentos, teve seu momento e valor, mas seu determinismo causalista e sua pretensão hegemônica não podem mais ser parâmetros para construção dos genuínos diálogos científicos. A abertura intelectual desejável no mainframe ainda está bem longe de ser exercida na prática.

Por isso a epistemologia proposta por Bachelard critica o positivismo lógico e seu método de construção da ciência:

“Ver para crer, este é o ideal desta estranha pedagogia. Pouco importa se o pensamento for, por conseqüência, do fenômeno mal visto para a experiência mal feita…em vez de ir ao programa racional de pesquisas para o isolamento e a definição experimental do fato científico, sempre artificial, delicado e escondido”

Esta versão filosófica dos fatos tem enorme valor quando analisamos a vida prática da sociedade contemporânea, especialmente no caos de informações suscitado pela pandemia. Pois bem, a epistemologia histórica sendo, por excelência, uma análise crítica da ciência que alcança também suas dimensões histórica-social e lógica, examinava menos o “como” da atividade científica e muito mais seu “por que?” Bachelard usa o racionalismo aplicado na busca destas respostas, fazendo perguntas incomodas e por isto mesmo muito relevantes: o que direciona a ciência em suas trajetórias? quais seus possíveis alcances e limites? como se insere na relação e nas ligações com outros campos de conhecimento? Atenderá ela as necessidades ou mesmo o desejo dos sujeitos da sociedade? Temos consciência de quanto esta relativização dos procedimentos irrita o pragmatismo imediatista. Postados com porte olímpico, como se em uma largada em frente aos instrumentos, desejam, claro, começar já várias novas pesquisas. Por vezes a fim de atender os critérios e exigências das agências de fomento no quesito produtividade cientifica.

Destarte, muitas vezes porque produzir cada vez mais é o leitmotiv na ideologia das sociedades industrializadas. Certo que a pesquisa deve ser sempre a busca de um novo, mas mesmo sendo independentes elas devem ser elencadas sob pautas que consideram as prioridades e as necessidades reais da sociedade. Esta reflexão desdobra-se em outras inquietações: se uma sociedade pode produzir milhões de papers ao ano haverá um leitor disponível para cada um deles? Pode-se dizer que a atualização científica no caso da atividade médica é só uma tarefa intelectual? E quanto ao valor do conhecimento prático, onde ele fica? Não, senhores, a lente da experiência cínica ainda é instrumento insubstituível de autoformação, assim como, ou tanto quanto, a densidade existencial proporcionada pelo trato com semelhantes, que, em nosso caso chamamos de amizade médica.

Bachelard procurava, afinal, uma filosofia suficiente para que a ciência pudesse construir sua própria crítica. A proposta seria resistir à idéia de que o conhecimento sensível pudesse ser a fonte imanente de descobertas. Temos que apontar sempre  para o reconhecimento de sua insuficiência. Deve-se desconfiar de uma clareza conceitual intrínseca como quer uma razão monológica que afirma que tudo domina. Que desconhece o desconhecimento. Por isto vale muito investir no instinto formativo que busque uma nova pedagogia da ciência – contra o velho espírito conservador – comprometida em obter provas da clareza de sua indução.

Pois é esta crítica, ou autocrítica para ser mais rigoroso, que falta a uma aplicação universal da evocação de uma ciência acabada para as artes médicas, como prefiro chamá-la. Sem dúvida que quanto mais padronizado, testado, vale dizer, quanto mais evidente for um benefício, considerando a incontornável equação epidemiológica risco-proteção, tanto melhor e mais desejável será o procedimento eleito para um enfermo. E a ciência médica pode e deve buscar este padrão “ouro” de excelência científica em suas pesquisas. Ninguém inteligente dúvida disto. O que nem ela, nem seus protagonistas podem evitar, — e aí sim é o momento de duvidar se isto acontece — é subsumir que porque ela se pauta em achados epidemiológicos de relevância estatística ela pode abstrair de seus horizontes outras metodologias médicas, ou racionalidades, como prefere Madel Luz, que não puderam ter a mesma constância ou regularidade estatística nos tradicionais desenhos de pesquisa clínica.

Não pode haver equivalência moral em comparar as condições de desenvolvimento das racionalidades médicas integrativas sem considerar a disponibilidade efetiva proporcional de recursos para pesquisas e publicações. Ou não conta o fabuloso faturamento bruto de U$ 500 bilhões de dólares (segundo Peter Rost, ex executivo da Pfizer, dados de 2005) da indústria farmacêutica na década passada? Claro que, como afirmava o historiador de medicina Henry Sigerist em meados do século XX, somente a independência e um budget para investigações cientificas provido pelo Estado podem tornar as pesquisas com fármacos e investigação de procedimentos clínicos mais imparciais, seguros e sobretudo confiáveis. Também não se pode desconsiderar que outros procedimentos agem em outros aspectos do sujeito, muitos deles para além da moléstia propriamente dita. Ou a psicanálise, a massagem, os exercícios, alimentos e procedimentos que não envolvam fármacos, sem contar o próprio ócio, não desempenham um papel relevante na vida humana? Decerto que interferem em outros critérios de sucesso, e, portanto, produzem outras evidências. Se a ciência médica vem encontrando respostas importantes na pesquisa genética e na biologia molecular, mais importante ainda se torna voltar-se ao sujeito e compreender suas idiossincrasias e suscetibilidades que o caracterizam na enfermidade e na saúde. É assim que mais relevante ainda torna-se responder a inquietante dúvida de por que é que o mesmo agente causal não determina a mesma patologia em todos os expostos, ou por que reagimos diferentemente aos mesmos fármacos.

Não basta dar aulas de humanidades aos médicos em formação ou aos profissionais das ciências da saúde, ainda que isto já seria, por si só, um início bastante auspicioso. É necessário repensar os critérios de formação de forma mais aguda e só para usar uma palavra pudicamente evitada, radical. É necessário colocar maior peso no generalista e na atenção primária à saúde, pois é esta que pode tornar o Cuidado um bem mais acessível. São estas correntes que juntas podem, efetivamente, prevenir enfermidades e promover a saúde. É preciso ensinar as novas gerações de médicos tudo de mais moderno disponível, mas dando o devido contrapeso à tecnologia. Por exemplo, enfatizar que imagens e a propedêutica armada são muito importantes, mas infelizmente não bastam. Voltar a desenvolver os cinco sentidos não seria má ideia. Como fazem algumas faculdades de medicina da França atual que ainda ensinam aos seus alunos de medicina, a arte de desenhar. Lembremo-nos que os exames laboratoriais trazem hoje no rodapé de cada lauda a informação de que seu valor é apenas preditivo. O diagnóstico depende sempre da correlação com os dados clínicos do paciente. É necessário que os discursos sejam contextualizados, que o sujeito atrás das tabelas e protocolos experimentais seja sempre enxergado. Cada vez mais.

Isto não é luta qualquer. Não há protagonista principal aqui. Há espaço para todas as medicinas integrativas e para toda boa atuação médica. A descentralização que pede a migração da política hospitalocêntrica para as práticas ambulatoriais é recente e benéfica herança desta visão mais arejada da realidade.

Assim como as intuições e os conceitos são pares indissociáveis, a experiência e as informações são tandens. Andam sempre juntas. Não podemos descartar nenhuma das duas, sob pena de uma suprimir a outra. Não há perigo em universalizar pois todas as atividades humanas dependem desta correlação de forças. Sofia (conhecimento teórico) e phronesis (vida prática) são desejavelmente simbióticas. Sabemos que elas só fazem sentido se podem co-existir e permanecer interagindo. Aliás, só por isso existimos como seres aptos para interpretar o mundo.

  • Artigo recém publicado no site oficial da AMHB – https://amhb.org.br/da-razao-medica-e-seus-afazeres-por-dr-paulo-rosenbaum/

https://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/da-razao-medica-e-seus-afazeres/

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Does the Holocaust still bother you?

27 quarta-feira jan 2021

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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If everything has been said, why not shut up? There is a silence to which we are reduced. Is it a symptom? Symptom of what? Sample of resignations that are recycled. Reject induction, atavistic, persistent, corrosive. Hate induction. You can follow or not what everyone says it is. Better to be suspicious. A new era is suspected of surrendering to claustrophobia and commanded by common sense. We no longer see the subtext, which progresses unscathed. That was how intolerances took to the streets.

We are lost, in adulterated terrain. Beyond contempt, we underestimate the diffuse hostility that spreads in the wholesale. Whole demonized categories: immigrants, refugees, the sick, passersby. Evil remains, no longer as a metaphor.

The dispersion, much more than a book title , has succeeded as a reality. Perversion operates under the code of widespread attack and successive sold – out editions of “my struggle” .

So, when I open the testimonial scripts as the only answer, “never again”. Only then do I wonder about its meaning? Will it ever be again? One at any time? Or is it slightly modified repetition that counts? European soil, from Paris to Brussels, may be being revolved by less obvious ashes. Yet it is the same nightmare, the very same and redundant nightmare that crowns the West.

Jews, this ethnicity, race, religion, in any human condition, are again at the center of a battle. No official declaration of war, no ultimatum and no armistice.

But the Jew is also the non-Jew. It is the agnostic and the fanatic, the Islamic and the Buddhist, the convinced and the perplexed, the minority and the mass. And it may turn out to be the fragmentation of torpor that unfolded: from the unconscious to the collective amnesia.

The world, giving up on education, now discriminates, or charges, or confiscates, or kills. The world forgetting its foundations and criteria, doctrine. The examples were fixed as outdated morality. Transcendence migrates to the clash between ideologies, after all, there is always someone operating telemarketing.

Exactly 76 years ago, at the gates of any concentration camp, an unknown soldier saw the unspeakable passivity of the tortured in the crowd. And where is today, the never again? In the boycott of Israel and its citizens? In underreported knife attacks? Inverted headlines? In selective outrage? In moral non-equivalence between different things? In the immorality of oil-subsidized academic consensus? If anyone doubts, just consult, the reality is statistical. Immersed in the new obscure chamber, the precedents were skillfully removed in order to lengthen a path marked by replicating agonies. That, when all we needed were purposeful lives.

The fight is now corporal. Kindness, criminalized by overseers who breathe vengeance. It’s a shame, a double shame: we went down to the predatory stronghold.

Still, and for the penultimate time: never again.

http://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/o-holocausto-ainda-te-incomoda/

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Israel e os Vícios das Mídias, uma atualização (Blog Estadão)

23 sábado jan 2021

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Conto de Notícia entrevistou o cientista social André Lajst (AL) diretor da SWUBrasil, sobre os recentes desdobramentos da situação no Oriente Médio e um balanço do que foi o ano para as relações internacionais.

Blog – Houve uma notável aceleração de notícias fraudulentas na web, vícios de informação nas mídias, e muitas delas envolvem ataques contra Israel. Primeiramente queríamos enfocar especificamente a pseudo polêmica com a Autoridade Palestina sobre a recente campanha de vacinação em Israel. Ficou evidente a manipulação política da Autoridade Palestina no episódio e a tentativa de transformar um feito invejável de vacinação em massa em acusações sem fundamento. Poderia fazer um resumo da situação?

AL – Basicamente, Israel não tem obrigação, pela Lei Internacional, de vacinar os palestinos. A primeira coisa a ser clarificada é que os territórios da Cisjordânia não são territórios e o território não é considerado ocupado. Pela Quarta Convenção de Genebra, territórios são considerados ocupados quando são conquistados por um poder soberano. A Palestina não existia em 1967 e a Jordânia não era um poder soberano legal na Cisjordânia entre 1949 e 1967, então o estatuto real da região está na categoria de territórios em disputa. Depois da criação da Autoridade Nacional Palestina em 1994 através dos Acordos de Oslo – que foram acordos assinados pela Autoridade Palestina com os israelenses – ficou acordado que a responsabilidade pela saúde pública da população civil palestina passaria a ser responsabilidade integral do novo governo palestino. Então quem tem a responsabilidade de vacinar a população palestina e suprir todas as necessidades básicas dos palestinos em relação à saúde é a Autoridade Nacional Palestina. Além disso, os palestinos não fizeram requerimento para que Israel desse ou comprasse vacinas para eles e recentemente, quando Israel lhes ofereceu uma quantidade simbólica de vacinas, eles rejeitaram.

Blog – O número de condenações e de sanções contra Israel na ONU impressiona e bateu um recorde em 2020. Considerando que as acusações nunca são comprovadas e muitas vêm do Conselho de Direitos Humanos (que tem como integrantes representantes de países como Irã e Venezuela) qual seria o viés da Organização? Em sua análise trata-se de um problema ideológico?

AL – Esse problema que as Nações Unidas tem com Israel é antigo. As Nações Unidas são um conjunto de 193 países que votam em uma assembleia democrática, cada país pode dar um voto, independentemente do tamanho da população ou do governo que possui. Quase metade desses países não são democracias, e muitos considerados democracias são democracias falhas, que possuem problemas de censura da imprensa,  um sistema jurídico atrelado ao executivo, ou setores que não são  parte do governo oficial mas que influenciam as políticas externas do país, como é o caso do Líbano, que é um país em teoria democrático, mas que na realidade não é, se formos ver quem controla as decisões do governo libanês.

Quando escutamos uma frase “a ONU votou na resolução x ou Y” estamos falando no conjunto desses países votando em alguma resolução, que por sua vez pode ter sido introduzida por um país ditatorial, como a Líbia ou a Arábia Saudita, e se a resolução passa, fica o nome da ONU em uma decisão que não necessariamente é moral ou ética. As votações contra Israel são motivadas pelo ódio ao país e não por preocupações com a vida dos palestinos.

Em relação especificamente ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, que antigamente se chamava Comissão de Direitos Humanos, esse Conselho foi reformado, lá pelos anos de 2004, 2005, justamente a pedido de alguns países como os Estados Unidos que viam nesse Conselho um viés muito forte contra Israel desde sua criação, na década de 1990. Mesmo com a reforma, isso continuou. Países são escolhidos por votação para preencherem vagas de 54 cadeiras, e os países eleitos acabam mantendo uma agenda anti-Israel para poder fazer uma frente diplomática extremamente enviesada contra Israel para que saia nos jornais esse tipo de notícia que vemos hoje, com manchetes como “A ONU condenou Israel”, “o Conselho de Direitos Humanos condenou Israel”. Um leigo que não entra a fundo no tema vai achar que realmente Israel é o maior violador de direitos humanos do mundo dada a quantidade de condenações que se dá ano após ano nesse Conselho. Mas é importante lembrar que nas reuniões ordinárias do Conselho, que acontecem algumas vezes por ano,  o único país que é citado de forma nominal é Israel e as supostas violações que Israel comete contra os palestinos. Nenhum outro país é citado nominalmente. Isso não significa que Israel não tenha que ser citado ou que não haja violações em Israel.  O problema é que nenhum outro país é citado, por maiores que sejam as atrocidades cometidas nesses países.  Nem a Venezuela, nem o Irã, nem a Arábia Saudita, nem a Coreia do Norte, nem outros países não-democráticos com governos problemáticos e ditatoriais, que perseguem minorias étnicas e religiosas, são citados uma única vez.  E quando o Conselho de Direitos Humanos da ONU acusa Israel, ninguém questiona quem faz parte deste Conselho, qual a sua agenda, etc. Claramente existe um problema ideológico, um problema de não aceitação da existência do país. E isto é interessante, pois a ONU votou na decisão que criou a legitimidade internacional para a existência de Israel, e agora um Conselho da mesma organização conta com uma agenda para condenar e deslegitimar Israel constantemente.

Como as frentes militares, as frentes de boicote, e as frentes terroristas das décadas de 1990 e 2000 falharam, desde 2005 há uma tendência de se formar frentes diplomáticas, como por exemplo via organizações internacionais, para fazer com que Israel seja condenado e consequentemente isolado do mundo por causa disso. E isso é um grande problema para a comunidade internacional, porque a população mundial acaba sendo influenciada por essas decisões, acreditando que Israel é o maior violador quando na verdade não é, e isso acaba gerando, no final das contas, antissemitismo.

Blog – Historicamente em períodos de peste e epidemias as mitologias tendem a se acentuar. O povo hebreu parece ter sido a vítima preferencial de bizarras teses conspiratórias. O jornal Jerusalem Post fez uma analogia desta pletora de acusações com os famigerados “libelos de sangue” que circulavam na Europa durante a Idade Média, quando judeus eram responsabilizados pelas epidemias. A pandemia e suas catastróficas consequências sobre a economia e a restrição das liberdades individuais suscitou vários ataques contra organizações judaicas pelo mundo e não seria surpresa o recrudescimento deste número no ano que entra, especialmente se Israel obter sucesso na campanha de imunização de sua população.

AL – Historicamente existem sim essas acusações que aconteciam na Idade Média, e na Idade Moderna,  obviamente também por conta do infame “Protocolos dos Sábios de Sião” (libelo elaborado pela polícia czarista para incriminar os judeus russos) então não é de hoje que existem essas acusações.Obviamente ainda existem setores da extrema esquerda ou extrema direita que acusam judeus, ou Israel, por epidemias, e quando Israel sair da pandemia vacinando sua população, obviamente é possível antecipar que vão acusar o Estado judaico de estar em conluio com algum tipo de intenção maligna por ter saído da pandemia antes de todos os outros países por meio da vacinação em massa.

Blog – As redes sociais se transformaram, para o bem e para o mal, em importantes veículos de informação. Parece que o caminho da censura usa um álibi frágil contra os diversos “discursos de ódio”. As grandes corporações tecnológicas têm adotado um problemático critério seletivo, pois enquanto bloqueiam e tarjam certas informações como falsas, a autoridade máxima do regime teocrático do Irã, por exemplo, continua livre para clamar pela destruição de Israel e o twitter permite que negadores do holocausto continuem propagando informações falsas. Como enxerga este problema?

AL – Em relação às mídias sociais, acredito que haja um problema moral e ético quando uma empresa privada faz uma decisão interna, trazida de uma pressão popular muito forte e também por causa da ideologia, de bloquear um presidente de um país democrático e não um ditador de um país teocrático. Existe um problema moral.  Pessoas podem ser banidas por incitar violência ou colocar a democracia em risco, e eu não estou entrando especificamente no caso do ex-presidente Trump, mas sim no fato do regime iraniano ter proibido o Twitter no país, mas o aiatolá ter sua conta no Twitter, apesar de morar no Irã. Por que ele pode ter Twitter e a população não? Só isso já poderia ser considerado um problema moral e ético. Pois bem, ele usa essa ferramenta para clamar pela destruição do Estado de Israel, e chama Israel de “câncer que deve ser eliminado”, também é trazer incitação à violência e ao ódio, o que eventualmente tem enorme potencial para gerar mortes e destruição. Mas o Twitter do aiatolá não foi banido. Como também não foi banido o do presidente da Venezuela, do ditador da Coreia do Norte e de outras pessoas que lideram grupos – até mesmo os terroristas – que possuem contas oficiais no Twitter e em outras redes sociais. Então, a política deveria ser algo geral e não algo direcionado.

Blog – Israel é um País que se notabilizou em promover ajuda humanitária em várias partes do mundo, às vezes em regiões que sofreram desastres naturais, outras vezes quando apenas existem crises como fome e epidemias. O que particularmente mobiliza Israel nesta direção de treinamento do voluntariado e priorização em ajuda humanitária? E por que muitas vezes há resistência em que alguns países aceitem esta ajuda?

AL – O que mobiliza Israel é um conjunto de fatores que funcionam em harmonia. Ajudar o próximo é parte da cultura judaica. Israel se preocupa não só em exportar essa ajuda, mas internamente também. Israel conta com muitas ONGs e associações da sociedade civil que possuem milhares de voluntários, nas áreas de educação, medicina, segurança, e outros setores com milhares de voluntários dentro do próprio país e que servem à própria população de Israel nesse voluntariado.  Isso acaba sendo exportado quando há crises humanitárias, como enchentes, desabamentos, deslizamentos de terra em algum lugar, etc.  Pelo fato de Israel ter essa experiência e invejável know-how além de já possuir um sistema cultural de voluntariado, é natural que o país exporte esse voluntariado. Essa vontade de ajudar países vizinhos e também a comunidade internacional é portanto “natural” quando as circunstâncias exigem.  Isso ajuda a mostrar a imagem verdadeira do país, cuja missão é de cooperação e ajuda à outras nações, inclusive países que não mantêm relações diplomáticas com Israel. Recentemente, há alguns anos, o Irã passou por uma seca muito grande, e Israel produziu vídeos em persa que foram enviados pela internet para agricultores iranianos para que eles pudessem criar formas de irrigação baratas e superar o período de seca, apesar de que nunca ter sido muito divulgado. Isso mostra que mesmo com o governo iraniano sendo extremamente agressivo e contra a existência de Israel, Israel vê a população iraniana de maneira diferente do que seu governo. Como vizinhos no Oriente Médio, Israel tinha interesse em ajudar a população iraniana a mitigar esse problema tão grave, que é a falta de água na agricultura. Alguns países não aceitam essa ajuda por recusar legitimar a existência de Israel. Ou imaginam que a exaltação da imagem do país, ajude a destacá-lo favoravelmente neste tipo de assistência. Infelizmente, apesar de se beneficiarem dessa ajuda, não é infrequente que os países beneficiados não reconheçam publicamente a  ajuda humanitária que recebem.

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