• Uma entrevista sobre Verdades e Solos
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” no Jornal da USP
  • A verdade lançada ao solo, de Paulo Rosenbaum. Rio de Janeiro: Editora Record, 2010. Por Regina Igel / University of Maryland, College Park
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” por Reuven Faingold (Estadão)
  • Escritor de deserto – Céu Subterrâneo (Estadão)
  • A inconcebível Jerusalém (Estadão)
  • O midrash brasileiro “Céu subterrâneo”[1], o sefer de “A Verdade ao Solo” e o reino das diáforas de “A Pele que nos Divide”.(Blog Estadão)

Paulo Rosenbaum

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Não reprisem Barbáries (Blog Estadão)

06 sábado jun 2015

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: antissemitismo, A Verdade Lançada ao Solo, Israel, Judeofobia, Leis raciais de Nuremberg, não reprisem barbáries, Universidade Federal de Santa Catarina, xenofobia

Não reprisem barbáries

Paulo Rosenbaum

05 junho 2015 | 13:20

barbariesantamariaXX

Merece ser lida com indignação a orientação contida no Memorando/Circular de número 02/2015, datado de 15 de maio de 2015 redigida pelo Reitor substituto da Universidade Federal de Santa Maria (RS) José Fernando Schlosser.  Junto com o documento que o antecede e assinado por três mãos, ele pede para ser informado da presença de discentes e/ou docentes israelenses no programa de pós graduação. Diz estar atendendo várias entidades representadas pelo “Comitê Santamarienense de Solidariedade ao Povo Palestino”.

Schlosser se perfila lado a lado aos mais rematados antissemitas da história, singularizando pessoas por sua origem. O ancestral ódio judeofóbico se instaura oficialmente em nossas faculdades pelas mãos deste indivíduo que, assim, em nome de minorias, supostamente, prejudicadas, advoga a xenofobia e toma a nuvem por Juno. Um real representante do universo acadêmico deveria defender as liberdades individuais e proteger seus pupilos em todas as circunstâncias, jamais promover segregação.

É evidente que seria preferível evitar concentrar a polêmica sobre um só nome. Porém foi pelas mãos do magnificentíssimo substituto que o manifesto federal mais recente na história de nossas instituições de ensino, abertamente judeofóbico, veio a público.

Claro que, mais uma vez, utiliza-se do desgastado álibi universal que pensa poder contornar o antissemitismo com a troca mágica de uma palavra por outra. O uso de “israelense” no lugar de “judeu” tem se tornado a marca de uma prática falsificadora na linguagem contemporânea. Se largamente usada, ainda é pouquíssimo denunciada, e menos ainda, acatada como o que realmente é: uma manobra semântica de disfarce para o preconceito judeofóbico.

Na verdade, por outros motivos e em contingencias históricas distintas, lembra uma das primeiras leis promulgadas em abril de 1933, que restringia o número e a atividade dos judeus em escolas e universidades alemãs. Como se sabe, a isso se seguiu a cassação, destituição e perseguição dos professores e alunos nas Universidades daquele País.

Um panfleto desta natureza seria compreensível como desculpa para iletrados e incultos, porém não deveria valer para quem chegou a conquistar qualquer título acadêmico como diz possuir o autor do referido libelo.

Parece ridículo, mas é necessário explicitar que solidariedade nenhuma, seja ao povo palestino, sírio, iraquiano ou ucraniano, justifica hostilizar, constranger, boicotar ou segregar povo de qualquer País, religião ou etnia. Oxalá que o reitor substituto estivesse isolado no protagonismo para reeditar perseguições que pensávamos superadas. Assim como os nazistas precisavam queimar livros para destruir o passado, a reflexão e o pensamento crítico, intelectuais e uma considerável quantidade de pessoas imagina que frente ao injusto, o ato de silenciar pode aceitar a classificação de neutralidade. O silencio tem uma carreira conhecida: se transforma em conivência, e, em rápida metamorfose, migrar para apoio tácito, é mera formalidade.

Para nossa perplexidade, há mais gente, supostamente esclarecida, que endossa essa discriminação. O que recentemente se ouviu de professores universitários é digno de perfilar entre as causas indefensáveis. O apoio à discriminação étnica macula muito mais do que a honra individual destes docentes, desabona a honestidade intelectual, último patrimônio do pensar. Ao acusar Israel de praticar um regime de apartheid e espalhar notícias deste tipo em redes sociais e em aulas magistrais estas caluniam um País e difamam um povo. Se demonizar um povo não é mais crime, o que seria?

É preciso reconhecer que essa versatilidade com as palavras obedeceu longo processo de amadurecimento. Entre nós, floresceu sob décadas de pregação de intolerância do lulopetismo, insuflada nos fóruns sociais da esquerda retrógrada — a direita truculenta, já suficientemente conhecida, não merece menção — que oportunamente eclipsa valores humanos fundamentais para defender causas. Em geral, uma ideologia, palavra de ordem ou fé sectária, que não podem ser contrariadas, não importa a aberração política que  impliquem.

Cria-se um ambiente no qual xenófobos, racistas e antissemitas ficam autorizados a escapar do armário e pregar suas diatribes. Para quem acha que tudo isso não passa de fantasia, basta lembrar do clima na franca e empolgante campanha de demonização de Israel na última guerra contra a milícia extremista Hamas.

Num mundo com superavit de paradoxos, alguém deveria ficar chocado com mais esta demonstração de decadência de nossas Universidades? Se não fossem por todos os outros motivos, pela infâmia. Para o que exatamente o Zoilo deseja ser informado de cidadãos israelenses do corpo discente e docente nas dependências da Universidade? A finalidade é clara ainda que inconfessável: expandir a propaganda de constrangimento. As guerras migram às propagandas, não é novidade. O fato novo aqui é a produção de um documento oficial que autoincrimina o professor pelo delito de racismo.

Se proibíssemos um habitante do País Z de vir e se quiséssemos impor sanções contra este sujeito em tempos de paz, teríamos que explicitar os motivos e fulanizar a escolha:  “Aquele sujeito prega intolerância”. “Este outro, defende a litigância entre povos”. “Este é um terrorista perigoso”.  Neste caso, vários de nossos políticos teriam que ser barrados ou banidos do ambiente acadêmico. Mas não se trata disso. Em seu ofício, o reitor e seus apoiadores suspeitam de qualquer habitante de Israel. Isto significa que todos eles merecem ser boicotados por serem israelenses ou judeus, o que, no fim e ao cabo, dá no mesmo e pouco importa. E o que dizer dos árabe-israelenses, drusos israelenses, cristãos israelenses, agnósticos e outras minorias fora do catálogo?

Considerando tudo, o inaceitável mesmo é o silencio da maioria. O silencio dos culpados significa a conivência maciça com uma segregação anunciada. Significa que estamos em terreno aberto e respaldado para a prática de arbitrariedades e generalizações inaceitáveis. Por que não realçar a paz e instigar o diálogo no lugar de bani-lo? Que tal um realce na inclusão? Que tal discutir o discutível e capinar a intolerância? Para aqueles que acham exagero o barulho que se faz em torno deste memorando, recomenda-se examinar melhor a história. Especialmente ênfase no estudo de períodos nos quais aparecem os primeiros indícios de legislação intolerante e discriminatória. Antes que nos submetamos à sua repetição é preciso começar a enxergar para além de uma historiografia superficial e baseada em boataria.

É nossa chance de prevenir a barbárie. Ou reprisa-la.

Escrito em coautoria com Floriano Pesaro

Tags: antissemitismo, apartheid, boicote, Gil e realce, Israel, judeofobia, judeofobia e antiisraelense, Leis raciais de Nuremberg, palestina, povo iraquiano, povo sírio, povo ucraniano, Show em Tel Aviv, Universidade Federal de Santa Maria, xenofobia

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Sagração da intolerância

29 sábado set 2012

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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armenios, assembléia de nações, avanço do fundamentalismo, bascos, charges e blasfêmia, curdos, estado Hebreu, gozação e ofensa, intolerância religiosa, inverno árabe, islamofacismo, islamofobia, jihadismo, mulheres e minorias, nepaleses, ogivas iranianas, omissão, ONU e parcialidade, palestinos, presságio ingenuo, primavera árabe, regime iraniano, sagração da intolerância, tolerância e omissão, valores burgueses, xenofobia

Sagração da intolerância

A primavera chegou tarde demais. O mundo que conhecemos desintegra-se rápido. E desta vez, é mais do que um rito de passagem. Mudanças drásticas são eminentes e estão para acontecer. E o oriente médio está na linha de frente.

Ontem uma charge, hoje um filme provocador, amanhã propaganda picante e depois de amanhã, violência imotivada. As condições e predisposições dos manifestantes estão bem desenvolvidas. Nunca realmente precisaram de razões. O alimento desse ódio se chama pretexto. Infelizmente aquela região sempre foi uma latitude propicia para incendiários.

Meus amigos muçulmanos ficam divididos entre fidelidade e radicalizar a autocrítica. Eu sei, eles sabem e a maioria entende que o verdadeiro islã não tem nada a ver com o que os esses manifestantes demonstram, mas como desconstruir a imagem daqueles que partem para o pau, e midiaticamente dominantes, passam a representar todos?

Publicar charges ofensivas a uma religião, troçar de seitas ou atacar ícones espirituais pode ser considerada uma prática ridícula e coloca em cheque mais o mau gosto do que a tolerância. A paz que esperamos para a região requer comedimento, restrição e respeito mútuo.

O atual elemento bizarro é tentar estabelecer equivalência moral entre uma ofensa – mesmo grave – e os assassinatos epidêmicos que agora assaltam o oriente médio, África, e parte da Ásia.

O que seria do mundo se toda piada ou gozação se transformasse em ofensa, depredação, e morte? Judeus, americanos, religiões e etnias não são atacadas, ridiculizadas e expostas diariamente mundo afora? Inclusive ou especialmente nos jornais árabes, uma das mídias mais hostis ao mundo ocidental? Num mundo instantâneo as reações se cruzam: o crescimento da retórica xenófoba e islamofóbica na Europa coincide com a sagração da intolerância no mundo árabe.

É que esse tipo de jihadismo, assim como todo dogma, não tolera o contraditório, sendo uma espécie de parasitismo religioso que concentra nitroglicerina ao deformar a mensagem do islamismo, a fé autentica de 1,5 bilhão de pessoas. Mas sem que lideranças esclarecidas venham a público para confrontar estas perversões, as massas tendem a se tornar progressivamente ingovernáveis.
Já a parcela da esquerda que, estrategicamente silencia, – para vibrar em casa com vinho tinto — quando embaixadas ocidentais são queimadas, pessoas executadas e crimes são cometidos está, em uma palavra, alucinada. Imagina que a energia liberada pela loucura possa ser de grande serventia para a derrocada final do capitalismo.

Só se esquecem que intelectuais, mulheres e minorias sempre são os segundos nas listas de execução desses comitês revolucionários. Subestimar a capacidade de avanço do fundamentalismo é ignorar os riscos autoritários que essas sociedades representam para a liberdade. Aprendamos pois e fujamos de lugares que não sabem separar Estado e religião. Não que as democracias populistas e seus ecléticos partners estejam lá muito preocupadas com o que chamam de “decadentes valores burgueses”.

Perdeu-se a oportunidade de alguém dizer hoje na ONU que as nações jovens tem os mesmíssimos direitos que as longamente estabelecidas. Ora, o problema das nações transcendem o nacionalismo, barreiras alfandegarias e protecionismos. Não se constroem identidades por decurso de prazo. Os argumentos em defesa do direito da existência de Israel são tão bons como os de qualquer outra nação. O sinistro é que o Estado hebreu parece ser o único que tem esse direito abertamente questionado por aquilo que deveria ser uma assembleia de nações. Uma minoria tem ou não direito natural à vida? Parece que não. E por isso, exatamente por isso que judeus, palestinos, armênios, curdos, catalães, bascos, nepaleses e outras pessoas espalhadas pelo mundo buscam autodeterminação para tentar manter coesão e identidade como povo.

É vital não confundir tolerância com omissão. Tolerância favorece a vida, omissão mata. Pois é inquietante o desvelo com que a comunidade internacional vem encarando as ameaças diárias contra a existência da nação judaica patrocinada pelos apeudeutas do atual regime iraniano e associados.

Os físicos nucleares reconhecem que desarmar ogivas dá muito mais trabalho que criá-las. A escalada acontece quando ninguém quer retirar o dedo do gatilho.

Talvez o recolhimento, a meditação e o perdão possam amenizar os ruídos de guerra, mas, se não, valerá pelo presságio ingênuo que deveria nos dominar mais vezes.

Paulo Rosenbaum é médico e escritor. É autor de “A Verdade Lançada ao Solo”(Ed. Record)

Paulorosenbaum.wordpress.com

Para acessar o link do JB

http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2012/09/28/sagracao-da-intolerancia/

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