O reino amarrotado (blog Estadão)

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Crônica, política e derivações

O reino amarrotado

Paulo Rosenbaum

12 Novembro 2016 | 12h00

 

O que fazer com povos que não sabem votar? É assim que os fóruns se saem ao deparar com resultados desagradáveis que recusam as previsões. Se for mesmo preciso, troque-se o povo, mantenha-se o governo. Os consensos destes pequenos e poderosos comitês tem repulsa por resultados desfavoráveis ao prognostico. Trata-se de uma clínica peculiar, ninguém mais precisa consultar o enfermo. Basta sair de uma reunião com rumores e deita-los na mesa do chefe da redação. Escrevi faz algumas semanas que a polícia definiria as eleições. Influenciou, mas não foi decisiva.

A democracia serve desde que aqueles que escolhem sigam a trilha exigida pelos que se acostumaram a pensar por todos. A intelligentsia nos proporciona essas e outras benemerências por dó de nossa inconsistência, por compassividade com nossas lacunas intelectuais e penalizada com a ignorância popular que ainda não captou o valor do sacrifício. No dossiê fica claro, a falta de erudição da classe média foi a grande responsável por “franjas de rancorosos” e “bolsões de intolerantes” que não entendem o significado das próprias decisões. Esta elite acadêmica merece respeito pois poupa-nos do desconforto das escolhas que teríamos imensas dificuldade em fazer. Estes facilitadores do voto evidente de bom grado aceitam uma peculiar diversidade: a multiplicidade homogênea de opiniões. Em resumo, não tem tanta certeza de que todos estejamos preparados para a democracia.

Formadores de opinião são todos sócios nesta matéria. A credibilidade dos consultores políticos, cientistas sociais e institutos de pesquisa que analisaram as últimas eleições só não está arrasada porque os critérios para avalia-la evaporaram junto. Uma fumaça incomoda. O vapor penetrou no desejo de escolher pelos outros. Bom mesmo seria a ditadura dos corpos docentes. O wishful thinking que vem ocupando as cátedras. Suas expertises fariam toda a diferença se ao menos tivessem o aval para instalar o cabresto, leve, prático, não incomodaria e  seria descartável.  Mínimo, poderia ser levado até a boca da urna para depois ser descartado em algum beco sem saída. Seria, inclusive, biodegradável.

Decerto que os populistas estão em alta e a vida culta deveria zelar por práticas políticas mais civilizadas. Mas para os titulares da sabedoria, há coisas mais importantes em jogo como, por exemplo, preservar o status quo. Para isso, seria vital convencer todos — sempre se pode recorrer às  campanhas publicitárias com financiamento público — de que o establishment nunca esteve tão saudável. De que está tudo sob controle. É preciso reforçar a tese de que só há um lado enfermo, o resto está nas mãos da neurose, ou dos liberais, tanto faz.

Não foram só analistas, nem cientistas políticos ou a mídia: todos os critérios e instrumentos de predição ficaram em estado de animação suspensa. Isso significa que a escolha num pleito democrático deve prever a histeria da surpresa. E no manual, a saída de emergência está no primeiro parágrafo: “1- Em caso de derrota criar o clima da presunção catastrofista”. A adoção de 1 “repara o terreno” e ajuda a disseminar o item 2:  Afirmar veemente e persistentemente: “nós não dissemos?”.

Mas os dados de solo indicam que a aversão ao populista anti estético explicita como nunca a seletividade intelectual. A análise descarta a realidade e foge com a fabulação daqueles que monopolizaram o bem pensar. Não houve um só que previsse que as escolhas se afunilariam até o drama. Foi então que, num tardo reflexo, perceberam que para negar a trombeta seria necessário santificar o establishment.

Sempre funcionou, mas eis que a velha formula vem perdendo vinco. Que venha o reino amarrotado.

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Atualidade de Hipócrates (blog Estadão)

Paulo Rosenbaum

18 Outubro 2016 | 22h41

Atualidade de Hipócrates (460 a.c. – 370 a.c.): Medicina que convém a cada um

A obra de Hipócrates é vasta e a autoria dos textos polêmica. Entretanto, superando-se a questão da autenticidade autoral, o conjunto de obras deixado pelo fundador da técnica médica – disponibilizados aqui em 10 volumes –, permanece indelével e surpreendentemente atual. Segundo o autor Charles Lichtenthaeler, “a história da medicina poderia ser resumida como retornos sucessivos a Hipócrates”. De fato, se pensarmos no conhecimento (e revalorização) do saber empírico, na capacidade observacional e na sistematização adquirida para narrar o que pode ser constatado a partir das evidências clínicas produzidas ou testemunhadas, esta afirmação ganha ainda mais consistência. O “retorno sucessivo a Hipócrates” não se dá por nostalgia de reviver suas obras, mas porque ele resume o “fazer” da arte médica. É isso que torna esta coleção única e justifica seu enquadramento no seleto grupo dos clássicos.

Embora pouco se saiba da vida do contemporâneo de Sócrates e Demócrito – as informações vieram de Platão e dos eruditos alexandrinos do século iii – há consenso que Hipócrates fundou a era técnica em medicina. Como? Através da invenção da história clínica. A coleção deste autor, conhecida como corpus hipocrático foi ampliada por seus seguidores da escola de Cós – que pautavam suas – contemporâneos e sucessivos compiladores, além de gerações de comentaristas posteriores. Hoje, a maioria dos historiadores da medicina admite que, dentre todos os textos, aqueles que mais sintetizam seu saber e aplicatio, são essas pequenas sentenças, os aforismos, palavra de origem grega cuja etimologia significa “delimitação” ou “distinção”, “separação”. Os aforismos médicos tornaram-se populares entre médicos e pupilos justamente pela forma prática e acessível que este tipo de disposição de texto era capaz de fornecer. Pode-se dizer que todo o corpus hipocrático encontra um perfeito abstract precisamente nestas sentenças. Ainda que o conjunto de obras hipocrático seja uma das coleções mais conhecidas da história da medicina, os leitores e pesquisadores precisam compreender que jamais se tratou de um patrimônio exclusivo da medicina. Na verdade, foi a partir do poder empírico e suas aplicações práticas que gerações de escritores, poetas, cientistas, filósofos e até estadistas foram influenciados por suas deduções, especulações e experiências.

Alguns se tornaram mais conhecidos e populares: “as pessoas constitucionalmente obesas estão muito mais sujeitas à morte súbita do que as magras” (segunda seção, 44); “os doentes com tétano morrem em quatro dias; se ultrapassam o quarto dia, curam-se” (quinta seção, 6); ou, ainda, “as feridas em torno das quais caem os pelos são de mau caráter” (sexta seção, 4). E assim, passaram à cultura. O médico medieval hebreu Moisés Ben Maimon, ou Maimônides, afirma ter testemunhado que, desde a infância, muitos tinham o hábito de decorar trechos dos aforismos hipocráticos nas escolas e confirma que “muitos são memorizados mesmo por quem não pratica a medicina”. Esta conquista e esta difusão científica só acontecem quando um livro encontra ressonância e gera efeitos. O nome e a obra de Hipócrates continuam, portanto, estritamente ligados ao desenvolvimento seminal da filosofia como ética e práxis médica. É o caso, por exemplo, dos volumes que abordam a dieta e a nutrição, a importância da anamnese e exame corporal, a ideia da perturbação fisiológica como propulsora da enfermidade, da analogia entre a natureza e o sujeito e dos limites e alcance ético da arte de curar. Particularmente importante é a hodierna correlação entre o habitat e as e maneiras de adoecer e recuperar a saúde. Mais contemporânea ainda é sua recomendação de individualizar a abordagem clinica: é o que convém que deve ser feito.

Distanciando-nos dos aspectos reverencial e mítico que a personalidade daquele médico grego ainda conserva em nossos dias – e de um possível viés laudatório deles decorrentes – não podemos deixar de insistir na surpreendente e inusitada contemporaneidade da sabedoria hipocrática. Em muitas das seções, a leitura atenta revela uma acurácia descritiva, prognóstica e, por vezes, terapêutica (que as vezes colocava ele mesmo em dúvida), esta última, ainda hoje, reconhecida. É esse pertencimento que perdura sobre uma suposta “desatualização” cronológica de uma obra que vem de tão longe.

Isso também não significa que seus escritos devam readquirir – como já tiveram – aura oracular e dogmática Como concluiu o médico e pesquisador Pedro Laín Entralgo, se a capacidade prognóstica e semiológica da escola de Cós era espantosa, sua terapêutica era pobre e contava com escassos recursos. Por fim, deixemos um trecho que desvela a filosofia médica de sua escola: “A vida é curta, a arte é longa, a ocasião fugidia, a experiência enganosa, o julgamento difícil. O médico deve fazer não apenas o que é conveniente para o doente, mas também com que o próprio doente, os assistentes, e as circunstâncias exteriores concorram para isso.” (Aforismo I). Definitivamente, devemos um retorno a Hipócrates.

Obs- Exte texto foi a base para a minha apresentação das Obras Completas de Hipócrates na Biblioteca Brasiliana Mindlin – Com as obras completas de Hipócrates (tradução do grego de E. Littrée) disponíveis para consulta e download gratuito no site da USP.

https://www.bbm.usp.br/node/209

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Shaná Tová

Shaná Tová

18 Elul,

Mestre Do Multiverso
Que a saúde e o bem estar sejam restabelecidos
Na Terra e nos Teus Difusos Domínios
Que Tua Toda Presença seja agora percebida
Pelo tato, aquecida pelos sentidos do corpo
Guardada pelas andanças da alma
Que Tua atmosfera forneça nosso ar
E teu hálito nos habite dia e noite
Nas viagens e no repouso
No trabalho e nos sonhos

E através de teus intermediários e transportadores
Que esta carga seja recebida com sincera aceitação
Que a resignação se torne suave entendimento
Que tua proteção ceda calor aos nossos dias
Que o inevitável seja revogado
Que a beleza e realeza dispensem severidade
Que o mundo da Ação penetre no da Luz
Que as dimensões se fundam
E nas cordas infinitas entrelacem nossa adesão

Que Tuas bênçãos, se infiltrem em todos
Que nossos poros mereçam Teu óleo
Que nossas vidas sejam destinadas
Ao propósito que, mesmo ignorado, estejam traçados por Ti
No milimétrico compasso do Teu Império

Peço por mim, mas peço por todos
Peço por cada um e pela comunidade
Peço pelos que necessitam e pelos que não sabem disso
Peço por Tua atenção e pelo Teu perdão
Por nossas deficiências e incompreensão

Que Tua proteção seja a norma
Para todas as vidas
Presente em todos os lugares
Espalhada em todos os códigos
Que Teu amor ultrapasse o consolo
E mude a rota em nossa direção
Diretamente para o nosso coração ávido
Pela tua dança e euforia

Ponha-se no lugar do outro (Blog Estadão)

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Há alguns anos uma Faculdade de Medicina de São Paulo resolveu criar um núcleo de ensino experimental. Em um dos módulos a proposta era uma inversão das funções. O estudante de medicina ficaria no lugar do paciente e vice versa. O resultado foi chocante. Deveria durar três meses, não sobreviveu duas semanas. Quem desistiu foram os aprendizes de medicina.  Não suportaram ficar no lugar dos pacientes. Desta lição fica claro que não se tratou de má vontade, incomodo com a hierarquia, nem de algum gênero de preconceito. O que os impactou foi a aflição. A sensação de solidão. O desamparo e a falta de diálogo. O que parece óbvio é que ainda há muito o que fazer para melhorar a percepção dos profissionais de saúde em relação aos seus objetos. O problema pode estar exatamente nesta palavra, objeto. É evidente que existem médicos solidários e humanistas, e talvez, a maioria desejaria uma maior aproximação com seus pacientes. Mas não só o  tempo escasso  como a mediação da tecno-ciência obstaculiza esse contato. Quando se trata de diagnósticos de doenças mais graves este hiato se agudiza dramaticamente. Não basta o paciente ser orientado sobre a patologia, nem mesmo é o suficiente que a sequencia do tratamento seja esmiuçada por panfletos, manuais de apoio ou SACs. A dificuldade está em outro lugar: lidar com a demanda subjetiva dos pacientes, os quais, via de regra, sentem-se perdidos e muitas vezes, pouco acolhidos. O mar de duvidas só tende à expansão, pois a consulta dos leigos aos sites e às informações on line tornaram-se inevitáveis, ela tornou-se necessária para preencher as lacunas. A maioria deles não são confiáveis como fonte de informação. Mas isso nào importa. Não basta atender demandas de perguntas protocolares e não completamente respondidas. Frequentemente a busca não é saber mais da doença, mas o que fazer com todas as informações sobre ela. Então, num mundo repleto de explicações virtuais um silencio aflitivo se instala na cabeça daqueles que precisam de assistência. Muitos sentem como se houvesse uma faca pendente sobre suas cabeças. E, muito provavelmente, nenhum médico possa, com seus conhecimentos, sozinho ou contando com ajuda,, desarmar essa sensação. Talvez seja mesmo um vazio insanável. Decerto uma maior preocupação com o Cuidado poderia, ao menos, prevenir uma parte desse sofrimento. Que não deveria ser encarado como inexorável. Não se pode aceitar a doença nem como um fenômeno abstrato, muito menos a penitência como parte integrante da moléstia. Além disso, a percepção subjetiva é, muito provavelmente, mútua. Os dois lados tem suas impressões.  É natural que o médico tente se proteger fantasiando que ele controla os fatos objetivos. Mas ele desconsidera que  também sofrerá o impacto de comunicar um diagnóstico, um prognóstico ou a difícil decisão de usar um tratamento mais invasivo ou arriscado. Lidar com os limites da vida e a proximidade da morte tem consequências diretas e indiretas, que se dirigem para os dois lados da maca. O significado de um paciente receber uma notícia mais dura é subestimado no atual modelo de relação médico-paciente. Se mesmo uma única palavra como a excessivamente utilizada “sobrevida” pode fazer a diferença no imaginário do doente, imaginem as avarias causadas pela distância e pela dificuldade de comunicação. Muitas vezes, quem se submete ao tratamento já se sente condenado, antes mesmo de saber quais suas chances de sobreviver à moléstia ou ao tratamento. Outros tantos relatam que se vêm diante de um estado  animação suspensa. Se por um lado compreende-se a necessidade por parte dos médicos de falar a verdade nua e crua é necessário saber que um veredicto clínico pode funcionar ao modo de pena de morte. Ou de prisão perpétua.  Por isso mesmo é necessário que a ciência da saúde prevaleça e tenha o cuidado de proteger as pessoas. Deixa-las menos vulneráveis à crueza e às tecnicalidades reducionistas com que algumas decisões clínicas são feitas. Mesmos os exames mais sofisticados e elaborados que utilizam as tecnologias mais avançadas, inevitavelmente contém algum grau de imprecisão, pois dependem de interpretação. Para muitos pode parecer surpresa mas nem os epistemológicos acham que a medicina seja ciência. No máximo a definem como ciência operativa. Neste sentido, o médico sempre deparará com limites. Se quiser ser exclusivamente técnico rejeitará sua percepção, seu olho clínico e seu felling.  Ajudar o paciente a tomar as decisões é sempre melhor do que impô-las à sua revelia  Sabemos que a medicina não tem todas as respostas, muitas vezes, infelizmente, poucas. De qualquer forma, admitir que a relação médico-paciente é uma construção sutil e imprescindível entre duas pessoas já seria um bom recomeço.

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Regresso à obscuridade (blog Estadão)

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Regresso à obscuridade

Paulo Rosenbaum

18 Setembro 2016 | 00h21

Repitam conosco:  os crimes  justificam os meios. Os meios explicam os fins. A finalidade perdoa o desvio. O desvio reafirma o heroico. A farsa atende a meta. A justiça muda toda norma. A verdade nunca será deles. A justiça é para todos, os outros. Nossa moral é única. Nossa ética hors concours, portanto, louvem-na ou deixem-nos em paz.

A profusão de frases de efeito caracterizava a República do Slogan, recém destronada.  Destronada, mas ainda não erradicada. O poder que muda de mãos é insuficiente para defenestrar longas impregnações. Falta analisar o aspecto bizarro do triunfo quase absoluto da propaganda. A especulação de que as instituições funcionam perfeitamente não bate com a velocidade com que tudo se esclarece até sua ampla resolução. Ou desvanecimento. A lentidão sempre favoreceu o facínora. Mais do que isso, entroniza, reifica, legitima. Isso explica que mesmo depois de tudo, pequenas multidões ainda sigam a histeria do partido. A exposição do choro em rede sensibilizou plateias. No modelo de marketing ilimitado ganha-se na base da persuasão. O convencimento pela razão se perde no coração dos condoídos. Tudo é pleonasmo que se estende por simulação. Um sentimentalismo dissoluto enterra toda análise. É dentro deste proto teatro que passamos a inverter tudo. O que nós, habitantes da terra dos desvios, precisamos sentir? A consciência estaria dada fôssemos nós vigilantes. Mas não somos exatamente atentos. Nossa seletividade é enganadora. Tendo repudiado direita e esquerda eu também me pego desejando a prisão, o castigo impiedoso, o bota fora exemplar. O objeto do desejo coletivo hoje é indiciamento,  justiçamento, reparação e, se possível, que eles experimentem algo análogo ao que vivenciamos. Reduzimos todas as expectativas ao desejo de prisão. Vibramos com tornozeleiras. Mas, ao mesmo tempo, o sentimento reflui à pena. O indulto para quem sofre. Mesmo aos marginais da República damos chance ao arrependimento. E então tudo se deforma no festival de gradações e atenuantes. É o momento no qual homens, até há pouco considerados inteligentes, submetem-se ao crivo da adulação ideológica. Narram a irrealidade de consensos inexistentes. A história conhece o discurso político com traços psicóticos, assim como seu poder de contágio. A inusitada novidade é a sobrevivência política de gente que cultivou a terra arrasada. De Porto Alegre à Araraquara eles podem ganhar novas imunidades com os álibis do voto popular. Quem passa por momentos mais infelizes, nós todos ou eles? Esta contabilidade do mal feito nunca terá precisão científica. Claro que nem se aproximará do espetáculo da contabilidade criativa azeitada na manteiga, e no virado ao fundo de pensão. Nunca houve golpe agudo. O golpe é outro e é crônico. Foi dado faz tempo quando a democracia, pensando ser representativa, passou a gestar lideranças “naturais” em laboratórios universitários, nas hierarquias intelectuais e em moitas canônicas. Caudilho nenhum nasce feito. Precisa primeiro da bênção dos que o antecederam. Depois, a chancela do segundo escalão dos bem pensantes penitentes. Que vieram de vários partidos. Todos convencidos de que sabem redimir como ninguém o povo sofrido. Depois foi necessário faze-lo ganhar projeção por terra e mar. Pulverizar a memória da sociedade com o expurgo de uma culpa que já durava meio milênio. E, por último, distribui-la, a culpa, nas telas e folhas impressas. Florestas inteiras derrubadas em manchetes favoráveis dedicadas ao líder. Milagre econômico herdado de um prólogo de civilidade. Ao libertador dos oprimidos foi oferecido, na bandeja da redenção, o País inteiro. Por fim eleito, apoio maciço e aprovação ímpar ao ícone das idoneidades máximas. O campeão da probidade.  A tese prometia: um trabalhador nato libertar-nos-ia do trabalho. E não é que foi um êxito absoluto? Com a palavra os 12 milhões de felizardos. Portanto, não basta repetir o surrado “deu no que deu”. Ao Supremo líder da seita e a todos os arquitetos do plano que, com esforço ativo ou passivo, direta ou indiretamente,  nos legaram estes intermináveis dias, só podemos desejar que tenham um bom regresso à obscuridade.

Não mais acredito em lágrimas (Blog Estadão)

Não mais reconheço lágrimas

Ofuscada a emoção, tudo virou cenário

Achavas realmente que igualar-nos em sofrimento,

Impondo silêncios, tornando princípios, mitos

Desalojando milhões e mudar regras às cegas

Nos condenaria à resignação?

Ah, agora lamentas os que ficaram de fora?

Alguma culpa pelo ônus e exaustão?

Pelo inassimilável custo dessa aventura?

Quem teceu o teatro escuso?

E a impostura dessa moldura?

A justiça, em obstrução, na contramão?

A única vitória é libertar-se sem libertadores

Ou deveríamos ceder à opressão?

Desvincular o abuso, do termo,

Do teu comando ativo, desgoverno.

Nos decretos e acordos que te perpetuaria

Na seda da hegemonia, à nossa revelia

Como nenhum homem é ilha

Devolva-se a República à calma

E às ruas, a alma

Retirada da inação e afasia

A sede que irriga este fim da folia.

Saio da política para entrar na amnésia coletiva (Blog Estadão)

Saio da política para entrar na amnésia coletiva

Paulo Rosenbaum

29 Agosto 2016 | 13h17

 “Ainda que tivesse perdido a inteligência de suas visões, teria no entanto chegado a vê-las”

 Arthur Rimbaud

Responsabilidade – do latim responsabile, calcado em responsu, de respondere. Dar garantia, palavra, dar fiança, endossar, precaver, seguro, fiador, obrigação.

Ninguém sabe exatamente o que ela esta dizendo, o previsível era mesmo a repetição dos refrões surrados, slogans de campanha, interjeições incompreensíveis e provocações não republicanas. Ela age como se fosse, mas ela não é, inimputável. A tese de que haveria uma insanidade temporária ou algum tipo de lapso causado por um stress super agudo também estão afastadas. Consciente de seus desvios, mas inconfessa convicta, prefere o papel de martírio tardio e de atriz subsidiada, a assumir suas responsabilidades. Menos pela sem precedentes desorganização das contas públicas e muito mais por desmantelar, junto com seu mentor, o próprio País. Sem entrar na avaliação da personalidade, seu penúltimo discurso atravessou a prepotência e desaguou, linear, no vazio de um heroísmo jamais concedido. Como se toda culpa fosse de outrem, vale dizer, os milhões que testemunharam um período político dos mais obscuros. Sua guerrilha agora se direciona à uma compaixão que prima pela secura, e a aridez característica de sua postura desvela o estado permanente de hostilidade. Sua autopiedade e apelo vitimizador não penetram mais em coração algum. Pois ela compõe, junto com seu séquito, uma cenografia tépida e sem contexto. Fosse ela a guerreira que julga ser, concederia a derrota e reconheceria a causa maior- a vida do povo que deveria ter governado – o verdadeiro ganho, seu afastamento definitivo. Fosse ela a dama de ferro que ostentou nas campanhas, libertar-se-ia de sua convicção e observaria a generosidade daqueles que se sacrificam pelo bem comum. Ao invés disso, ela se articula para prorrogar as dificuldades, agita a bandeira de sua própria causa e de seus beneficiários diretos. Usa recursos que não lhe cabem para arregimentar cineastas, políticos, cantores em claques que aceitaram fazer o papel de ventríloquos do inadmissível. Sem perceber claramente, suas ações aceleram sua desconstrução, corroendo os remanescentes fiapos de credibilidade. Claro que, com o capacidade de argumentação empobrecida voltam as palavras de ordem, onde “golpe” virou a exalação mais vulgar. Inútil narrar que, se houve algum, ele ficou patente em sua própria gestão. É mais do que provável de que assim como a superação dos obstáculos epistemológicos, cujo saldo deve ser examinado retrospectivamente, somente gerações adiante notaremos exatamente do que estávamos nos livrando. Só quando despacharmos o entulho petista, suas concessionárias, modelos, filiais, simpatizantes, entusiastas e sobretudo seu insuportável servilismo acrítico poderemos realmente finalizar o balanço da era mais pueril, nociva e absurda de nossa história recente. O discernimento, conquista da racionalidade e do bom senso devem continuar apagados por uma obstinação que perdeu o sentido, a direção e todo suporte. De todo modo, esta última década será conhecida como um apagão dos parâmetros razoáveis da convivência e do respeito pela cultura dialógica. E a culpa, desta vez, não poderá mais ser imputada às redes sociais, aos conservadores nem aos que discordavam do projeto. A toxicidade não provem do ódio, nasce da indignação sem voz.

O impeachment a ser definido, para além da figura jurídica do “crime de responsabilidade” — já que o responsável é aquele que assume, lidera, chama para si, patrocina — é o significado de responsabilidade. A pergunta sem contestação é: então quem respondia pelo País senhora? Aqui poucos méritos para a oposição que não conseguia cumprir seu papel e, sim, para as ruas e a opinião pública que, diante da acefalia, decidiu voltar a ser sujeito da própria história. Pode não durar. Aliás, não deve durar. É para lamentar, pois teria energia suficiente para modelar outro tipo de País: quem se esquecerá das maiores manifestações pacificas da história das democracias?

Em dias marcantes como estes, podemos até engolir o non sense, tolerar bravatas e assistir finais melancólicos como o que testemunhamos no plenário do Senado sem manifestar aborrecimentos: é que o saldo final será um estrondoso e extemporâneo sete de setembro.

A extinção (blog Estadão)

A última a falar no Congresso, Yelena Simia, afirmou que já fazia quase 70 anos que um deles havia sido avistado em ambiente doméstico, portanto mais de uma geração separava a data da inauguração do Museu, do período da grande extinção.

— As vezes é muito natural que todas nós nos perguntemos: e se eles ainda estivessem por aqui? O que seria do mundo? Como seriam nossas vidas?

Yelena ouviu vaias ao fundo, fez uma pausa rápida, para, em seguida, dar continuidade à palestra

— Talvez vocês não entendam, mas não faz tanto tempo assim, minha bisavó, imagine, minha bisavó, chegou a ter um em casa. Na época era normal.

As vaias diminuem.

–Eu sei, sei perfeitamente, hoje temos consciência do quanto eles são desnecessários, mas parece que nem todas eram infelizes com eles por perto. Em nossos dias fica bastante claro que depois que desapareceram, o mundo ficou melhor. As guerras estancaram, a violência e a desigualdade diminuíram, ninguém mais precisa suportar desmandos ou ideias dogmáticas fora das Universidades, barbas que espetam, arrogância cabotina, topetes loiros, cavanhaques ridículos, maus hábitos e convenhamos, os banheiros agora são definitivamente lugares limpos. Tanto os acervos fotográficos como todas as evidencias coletadas mostram que todos nasciam com deficiências genéticas de higiene e especula-se, um invencível complexo de superioridade.

Os aplausos começaram a dividir o fundo da sala de conferencias.

— Foi a história natural, e não nós, quem decidiu que eles já tinham cumprido seu ciclo. Quando os casos de autofecundação começaram a surgir e vingar no mundo todo, os cientistas honestos já previam, só poderia haver um desfecho. Os papers estampavam “quando some a função, o futuro é a extinção”.  Escreveram que 50 anos bastavam para que tudo estivesse consumado, foram necessários quase 100.

Aplausos se intensificam

–Vamos recordar a sequencia dos fatos. Nosso gênero conquistou cargos políticos. Passamos a ocupar o núcleo do poder. Em menos de 40 anos tornamo-nos hegemônicas. No início, reagiram com elegância. Diziam-se constrangidos pelos milênios de opressão. Depois, ficaram incrédulos com nossa eficácia na gestão do mundo. Claro que parecia inverossímil, mas me mostrem pelo um dos dinossauros que esperava pelo fim? Trouxe alguns dos jornais daquele período para que vocês todas reflitam. Vejam, por exemplo, esta manchete de março de 2032:

“Os machos agonizam, merecem a extinção?”.

E leiam essa outra, projetada ai no telão

“O masculino em vias de desaparecer?”

Aplausos seguido de gargalhadas. Yelena pede calma.

— Mas foi só quando, inexplicavelmente, os alfa começaram a ficar inférteis que tudo piorou. O golpe mortal foi no orgulho. Reagiram mal e nos ameaçaram com boicotes e sanções. Foi quando passamos a gerar sozinhas, dispensando todo seu provimento e patrimônio genético. Os biólogos logo constataram: somente fêmeas eram viáveis. O que nunca souberam é que nós jamais desejávamos isso, nem mesmo fizemos força para que entrassem em extinção.  Eu confesso, em caráter pessoal, alguma curiosidade em saber como seria ter um exemplar em casa em nossos dias.

Murmúrios azedos.

–Já imaginaram? Como seria dividir com eles a criação das famílias? Mesmo porque, pelo que tudo indica, parece que esse não era bem o forte deles. Amigas, nós nunca quisemos fundar aquilo que foi designado muito recentemente como “Feministão”. Natureza e evolução fizeram seu trabalho, e, depois de milhões de anos escolheu quem deveria sumir para dar lugar ao gênero que poderia viver para fazer o planeta sobreviver.  Como bem definiu Aristóteles “a natureza faz, não faz nada em vão, só faz, sem instrução,  aquilo que é necessário”. Vamos aceitar este presente e louvar nossa emancipação, sem culpa ou remorso.

— Ao mesmo tempo, é com orgulho que inauguramos nesta data, o Museu do Gênero Desaparecido, que abriga o maior acervo iconográfico, espécimes reais embalsamadas, e uma curadoria especial com os objetos de culto. Só não conseguimos espaço para coleções de álbuns de futebol com figuras carimbadas  da Copa e os carrões potentes. O intuito é mostrar que reconhecemos o quanto eles foram importantes em etapas prévias da humanidade. Sabendo que o tempo não desfaz seus erros nada mais justo prestar esse tributo aos saudosos machos, nossos parentes extintos, e reafirmar como somos reconhecidas por tudo que fizeram.

Yelena termina ovacionada, desce as escadas do palanque agradecendo o entusiasmo com as mãos.

Ao chegar ao camarim, disfarça a nostalgia. “A mãe natureza pode até fazer o que é necessário, alguém precisa avisa-la que não estamos obrigadas a aplaudir”

Certificando-se que a porta está trancada, retira o porta retrato, aproxima-o e chora. Em seguida aperta a fotografia contra o peito.

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Derrota na Cultura do Êxito (Blog Estadão)

Admito, fui ver uma sessão de atletismo dos jogos olímpicos. Precisava testemunhar e sobretudo arriscar uma interpretação para um fascínio o qual a princípio me sensibiliza mais pela perplexidade que pelo encantamento. Um aspecto que merece atenção neste revival repaginado do antigo ritualismo grego: quais as finalidades e significados destas reuniões? Supremacia do corpo? Filosofia da superação? Justo numa fase na qual os aspectos estéticos convencionais, os critérios éticos e a própria cultura apolínea estão oscilantes ou sob suspeita?

Destarte, o mais incrível e não menos determinante, parece ser a imaginação dos atletas. Observem como as moças  do salto em altura simulam os voos antes do impulso para superar marcas improváveis. Os nadadores encaram as raias das piscinas como ímãs unidirecionais. Os lançadores antecipam a rota e as vibrações do disco e do martelo. As esgrimistas cogitam esquivas radicais e estocadas clarividentes. Os lutadores derrubam oponentes, muito antes do desenrolar da contenda. As tenistas empurram mentalmente a bola em linhas diagonais ou paralelas em simulações permanentes. Frequentemente balançam as cabeças para torcer ou intuir trajetórias possíveis, fazem gestos repetitivos, obedecem suas superstições, emulam confiança, sonham com o palanque absoluto.

E quanto a derrota? É preciso analisar o símbolo e sua fisiologia. É fundamental penetrar na fenomenologia para bem além da representação dos estados nacionais e do aparente pretexto para exercitar o assim chamado espírito olímpico. Ninguém mais pode aderir incondicionalmente ao ideário de que o que importa é competir independentemente do resultado. A dor e a humilhação, o esforço invencível, o suor que marca a exaustão, este conjunto de trabalho e esforço impõem-se como símbolos majoritários. O orgulho e a hubris reservados para uma minúscula elite de heróis hipertrofiados, ultra-habilidosos, ou talentos da resistência psico-fisica.

Essas categorias já estão auto consagradas na cultura do êxito. O que realmente interessa esmiuçar é o valor inverso. O perdedor. Aquele que se contunde. A derrota é que é o grande tabu. A desonra reservada aos sofredores  sem medalhas que serão ultrapassados. Aqueles que, superados, fracassam. A competição que esmaga os que foram menos treinados e financiados. Ou aqueles que encontram-se dopados para alavancar propagandas político-comerciais. Decerto existe algo mais grave e me limito a mencionar : a naturalização do conceito de que, para alguns, não haverá equidade. Como foram os casos que testemunhei, isolados, mas contundentes. Um atleta negro foi ofendido,  um judoca egípcio recusou-se dar a mão ao seu adversário judeu. O constrangedor silêncio do COI significa que alguns podem ser discriminados sem maiores consequencias para a honra do esporte e em benefício dos patrocinadores.

Todos sabem que o esporte profissional tem um lado obscuro, mas o que interessa mesmo é o apelo à perfeição, o triunfo indiscriminado da performance.

Ainda assim quem poderá negar que é belo, notável e admirável.? A duvida não deveria recair sobre outro aspecto? Será bom? Uma prioridade? Os músculos exatos, a massa magra, a oxigenação extra podem não significar exatamente o que o senso comum imagina. Como já previa Hipócrates (aforismo 3, primeira seção) os maratonistas ou hiper-atletas, por exemplo, estão mais sujeitos à morte súbita que os não atletas. Aforismo comprovado só muito recentemente pela medicina contemporânea

Performances e records não valem saúde, nem super treinamento significa, necessariamente, boa forma e longevidade. Mesmo assim, e apesar de tudo, quem controla nosso potencial de envolvimento? O saldo final vai contra a intuição. Permanecemos emocionados com essa vertigem coletiva hipnótica chamada Olimpíada.

Resenha de “Céu Subterrâneo” no Jornal do Nordeste

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Uma jornada com destino às origens

Tendo como contexto o universo judaico, Paulo Rosenbaum apresenta um “herói acidental” em busca de suas raízes

Jerusalém é o lugar onde o personagem central de “Céu Subterrâneo” busca suas origens

No duelo entre tradição e tecnologias, eclodem ao ser contemporâneo a imersão em dilemas como a integridade da memória e até mesmo o armazenamento destas pegadas, destas manchas espalhadas entre as gerações. Diante do infortúnio de pouco equilibrar tais dados sobre a próprias origem, resta a alternativa de investigar o passado. Uma busca com ares de incansável e cega jornada.

Encerrado neste contexto, o personagem Adam Mondale parte para este encontro pessoal e único. É pelos caminhos e passos de sua perspectiva ácida e atenta que “Céu Subterrâneo”, novo romance do médico e escritor Paulo Rosenbaum se enovela.

A cria fictícia de Rosenbaum aponta um psicólogo, judeu laico e desfilhado (e abstraído) de qualquer origem. Após perder o cargo de diretor em uma conceituada instituição brasileira, Mondale embarca no último voo para Jerusalém. Diante da personalidade plural e do interesse particular, o brasileiro é regido pelos mistérios que envolvem um antigo e irrecuperável negativo fotográfico.

Na mala do viajante e, consequentemente, leitores, estão digressões narrativas baseadas em episódios familiares: a esposa, os pais sobreviventes ao holocausto, a abominável Ditadura Militar brasileira, o desejo de ser escritor e a aposentadoria precoce responsável pela pausa estratégica no cotidiano.

Travessia

Porém, um fator dramático é adicionado à viagem optada por Mondale. Diagnosticado com uma córnea defectiva, o aspirante a investigador corre contra o tempo. A visão, por vezes comprometida, simboliza a descida do protagonista por um corredor de mistérios. Todos, em maior ou menor grau, sempre estaremos cegos ante o desconhecido.

É preciso bravura durante a hospedagem por um território obscuro. Para o também colecionador de câmeras antigas cada detalhe esmiuçado é uma vitória.

A investida individualíssima de Mondale é premiada com a presença de um interlocutor, o amigo Assis Beiras. Entre Brasil e Israel, em meio ao futuro que se demora e um passado cada vez mais distante, a jornada construída por Rosenbaum dispensa o auxílio de uma cronologia uniforme na narrativa. O romance começa com a inesperada visita de policiais israelenses que imediatamente confiscam o passaporte do viajante.

Em seguida, somos jogados dentro de um taxi em direção ao laboratório fotográfico capaz de revelar a misteriosa imagem do negativo. Nesse intervalo, eventos comuns a não nativos como a dificuldade de transporte, comunicação e até mesmo precárias condições do ponto de estadia permeiam a trama. Grande parte desse material resulta da experiência do autor em solo israelense, adquirida após bolsa literária de pesquisa.

Mondale, assim, se perde pelos segredos da gruta da “Makhpelá”. A pretensão é saber se existe realmente no local o “Túmulo dos Patriarcas”, e também do primeiro homem ou de seu protótipo, o “Adam Kadmon” (curiosamente o mesmo nome do protagonista). Estas são chaves pouco precisas colocadas na mesa para o leitor.

“Céu Subterrâneo”, de Paulo Rosenbaum, se destina ao mais profundo mistério que, sem findar, revela a verdade que diz respeito a todos. Muitas vezes, os dilemas tem origem em caminhos mal traçados. Nessa perspectiva, perder-se faz bem.

http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/cadernos/caderno-3/uma-jornada-com-destino-as-origens-1.1596916

Livro

Céu Subterrâneo

Paulo Rosenbaum

Perspectiva

2016, 254 páginas

R$ 49