• Uma entrevista sobre Verdades e Solos
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” no Jornal da USP
  • A verdade lançada ao solo, de Paulo Rosenbaum. Rio de Janeiro: Editora Record, 2010. Por Regina Igel / University of Maryland, College Park
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” por Reuven Faingold (Estadão)
  • Escritor de deserto – Céu Subterrâneo (Estadão)
  • A inconcebível Jerusalém (Estadão)
  • O midrash brasileiro “Céu subterrâneo”[1], o sefer de “A Verdade ao Solo” e o reino das diáforas de “A Pele que nos Divide”.(Blog Estadão)

Paulo Rosenbaum

~ Escritor e Médico Writer and physician

Paulo Rosenbaum

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A Paz começa com perguntas. (Estadão)

14 domingo abr 2019

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Paulo Rosenbaum

terça-feira 22/07/14

É preciso alguma frieza para exercer a autocrítica em meio ao fogo, mas também é preciso saber que nem tudo que sua tribo faz está correto, só porque é sua tribo. Em muitos aspectos o governo de Israel pode estar errando, mas o julgamento não pode se assentar na acusação de fazer a defesa da […]

É preciso alguma frieza para exercer a autocrítica em meio ao fogo, mas também é preciso saber que nem tudo que sua tribo faz está correto, só porque é sua tribo. Em muitos aspectos o governo de Israel pode estar errando, mas o julgamento não pode se assentar na acusação de fazer a defesa da população de ataques violentos. Para quem quer discutir a questão do ponto de vista legal, leia o artigo de Christopher Greenwood, “Self Defense” na Enciclopedia Max Planck de Leis Internacionais. Num País com democracia estável e com muitas vozes, a praxe é falta de consenso. Isso colocado, a demonização a qual Israel — e, por tabela, judeus — estão sendo submetidos só não é sem precedentes, porque o holocausto é, em termos históricos, um evento recente. Não bastasse a desproporcional quantidade de citações desqualificadores de Israel nas redes sociais e na mídia, o abuso de comparações descabidas, o discurso agora está centrado na ideia de que a injustiça está na desproporcionalidade das forças. Só por má consciência, ignorância ou incapacidade intelectual de discernimento um País que tem um milhão e meio de árabes israelenses, a maioria muçulmana, poderia ser acusado de limpeza étnica ou genocídio, sem gerar escândalo. Mas não só ele não aconteceu como a acusação vêm sendo replicada e endossada por intelectuais. A maioria são aqueles de sempre, que tem uma militância (desconfie sempre deste gênero) que parece apagar os traços de treinamento na arte de pensar. Essa situação chega a ser mais grave do que a própria guerra, porque reedita o apoio aos períodos em que os povos eram ritualisticamente demonizados. Para a maioria, a distinção entre antissionismo e antissemitismo tornou-se apenas retórica. Entretanto, quem precisa ser convencido da desproporcionalidade não são as forças de defesa de Israel, mas as lideranças que se ocupam em espalhar o terror. Quem contesta, que então defina melhor: o que significa construir túneis embaixo de hospitais, mesquitas e centros residenciais? O que representa para essas pessoas manter foguetes nos céus dirigidos especificamente contra populações civis? E é precisamente esse o ponto central. Muito provavelmente Israel aceitaria o cessar fogo e a abertura de fronteiras. Desde que se garantisse que o fluxo de armas, mísseis e material bélico fosse substituído por alimentos e infra estrutura para os habitantes de Gaza. E quem pode garantir isso? A ONU? Os EUA? Os países da Península? A Comunidade Europeia? Ontem, um dos líderes do Hamas condicionou a trégua ao direito de resistir. Chegaríamos ao seguinte paradoxo, e preparem-se para o nonsense: reivindicam do algoz a liberdade de obter aparatos e tecnologia bélica para ataca-lo. Curiosamente, Israel vem sendo pressionado neste sentido! Mesmo correndo o risco de ser deslegitimado, a contradição apontada tem a estranha mania de sobreviver às personalizações. É inusitado que os esforços pela legítima defesa dos civis de um País sejam colocados em cheque, só porque no imaginário social os habitantes deste País tenham propensão ao sacrifício diante de quem explicita seu desejo de extermínio.São tempos nos quais já é impossível acreditar que quaisquer esforços racionais sejam suficientes para demover quem já tem todas as respostas. A paz começa com perguntas.

http://blogs.estadao.com.br/conto-de-noticia/a-paz-comeca-com-perguntas/

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Fé no Estado Laico (Estadão)

14 domingo abr 2019

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Ninguém precisa de poesia. Como apontam pragmáticos e inimigos da subjetividade, talvez ela não sirva para nada. Ainda assim, palavras tem o potencial para nos livrar de uma trama sinistra, da qual o senso comum nem desconfia.
Por trás de toda fanfarra totalitária está o elemento que ninguem previu. Para que um Estado totalitário se instale é preciso contar com algo além da cegueira das maiorias. Tampouco bastam ideólogos e intelectuais de arrimo, os sustentáculos acadêmicos do regime. No debate numa grande Universidade sobre os recentes protestos pode-se perceber o mal estar quando alguém da plateia perguntou:
–E os intelectuais? Como se posicionam nesta história toda? (das manifestações maciças por todo País)
Entre pigarros e acenos para o chão, a sala se encheu de constrangimento. Tudo devidamente racionalizado com as indevidas evasivas.
A rigor só há uma função decente para intelectuais, assim como para a imprensa: vigiar e cobrar o poder de suas responsabilidades. Não importa quem governe. Aliás, o vigor da academia e da informação está na crítica, não na aquiescência, jamais na cumplicidade. Tudo que deviam evitar é chapa branca e uniformes dos partidos.
Mesmo agora, depois da perplexidade inicial o núcleo duro que dá respaldo ao governo não parece arredar pé. Escolheram sustentar o engano a consentir e proceder uma revisão vital. Para muitos deles, assumir erros é capitular, examinar erros é fraqueza e a autocrítica não passa de punição. Mas qual é a ciência que se sustenta sem elas?
A reação da legião uniformizada surpreende mesmo os mais pessimistas. Esperava-se que diante da claríssima contestação popular, pudessem conceder que houveram desvios graves. A flexibilidade doutrinária seria enxergar que todos fomos grosseiramente ultrapassados pelos fatos.
Sempre que bem pensantes se alinharam a projetos hegemônicos de poder a história os desmascarou. Salvo exceções, a análise retrospectiva mostrou que estavam do lado errado: muitos deram legitimidade para o uso do poder contra a população e a sociedade. Os que resistiram aos conluios não sobreviveram inteiros.
Sem generalizar, ninguém se exime de omissão. Estiveram respaldando os partidos que agora negam tudo para se livrar dos apuros em que nos meteram.
Por intuição, sabíamos que o poder esteve tentado a usurpar direitos individuais a fim de atender supostas necessidades coletivas. Para tanto foi necessário que se criasse o sentimento de servidor da pátria. Só que a ousadia vêm ultrapassando todos os limites razoáveis. Promulgou-se o decreto de que doravante categorias profissionais serão escaladas para a semi-escravidão. É muito significativo que tenham escolhido estudantes de medicina para suprir inépcias crônicas de seguidas administrações federais. No mínimo, há flagrante violação da constituição federal e das leis do trabalho escravo sancionada pela OIT do qual o Brasil é signatário. Em teoria, o servidor, antes de ser reduzido pelos administradores a uma unidade vigiável com RG, teria sido um cidadão de carne e osso, com direito à liberdade, autodeterminação e privacidade.
Isso significa mais ou menos o seguinte; a educação totalitária – a qual testemunhamos — precede o estado totalitário – cuja instalação está sendo cozida no vapor.

http://blogs.estadao.com.br/conto-de-noticia/

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De @bengurion para @bibi: Auschwitz hoje. (Estadão)

14 domingo abr 2019

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De @bengurion para @bibi: Auschwitz hoje.

Paulo Rosenbaum

26 janeiro 2015 | 18:23

debengurion

Bibi, na santa paz na qual me encontro hoje fui chamado às pressas. Amigo, esqueça memorandos e encare esta comunicação como um telegrama urgente. Não houve escolha: por aqui, quando te sacodem de madrugada, é como ser convocado. Enquanto era balançado me explicavam, amanhã faz 70 anos que as tropas russas libertaram o campo de extermínio de Auschwitz.

Vim mais para ouvir, mas se você abrir uma exceção, forneço um par de conselhos. Nossa extraordinária desvantagem na mídia não pode servir como desculpa. Não, não, nisso estamos de acordo, as críticas mais benevolentes, da esquerda à direita, amiúde mostram pouca, vale dizer quase nenhuma, simpatia por Israel. São vícios do discurso. Não compreendo também, há algo de irracional, inexplicável, atávico e insondável. Até já perguntei para a chefia, mas parece que o assunto é altamente classificado. Vai entender.  Mesmo assim, há sempre aquela parcela que merece um “por que?” A direita sempre foi o que foi. Por que essa cara? Não tem nada de indireta. Falo como um velho socialista olhando nos teus olhos. Não é provocação. Aliás, como esses pensadores esperam credibilidade se militam no lugar de manter o foco na análise? Você acha que é a propaganda? É possível. Comentava com os companheiros de nuvem, nunca, nem na época mais fértil da minha imaginação, poderia conceber o retorno de um clima tão hostil contra minorias. O mal que considerávamos superado foi reativado, separatismo, intolerância e xenofobias. Desta altura, terrorismo parece um termo desgastado, mudem para inimigos públicos da humanidade. Na sigla ficaria IPH.

A Europa não aprende? Os algozes se reciclam? Se o nazismo tem uma nova cara é preciso arrancar sua máscara. A liberdade de existir não deve preceder a de expressão? É claro que com o volume de agregados antissemitas e anti-israelenses tenho dificuldade em enxergar a distinção entre uns e outros. De acordo, é só ver o que acaba de acontecer na capital Argentina. Vergonhoso, mas auto evidente. Ao fim e ao cabo, dá no mesmo. Se estou fechado com sua posição? Confesso que oscilo,  concordo e discordo de sua condução política.

É claro que vejo o risco e compreendo a agitação. Ninguém por aqui quer que Auschwitz e as outras fábricas de extermínio sejam só símbolos da tragédia. E garanto, nem aqui nem ai vamos esquecer o que aconteceu. Nunca. Mas é que vendo da perspectiva que tenho hoje, o mundo mal começou. Prefiro que o Shoah se transforme em espírito de recuperação para toda a humanidade. Lembra-se? Nenhuma palavra será a última, muito menos o principio de todas as outras. Dialética é assim mesmo, mas quem entende? Pois deveriam, imagine uma civilização com o espírito talmúdico?

Não deboche deste antigo batalhador. Temos defeitos como insistem em apontar, mas que tal fazer valer nossas virtudes? A principal delas, subvalorizada. Ou você conhece alguém com nossa capacidade de superação? Fica até chato, mas qual povo duvida tanto de tudo?  Nós, que superamos o conceito de blasfêmia e heresia, escolhemos o bom humor. Há outro nome para questionar o universo e arguir até a palavra divina? Não ficamos tentando achar novos sentidos para cada palavra? Pode ser irritante, mas cada povo com suas idiossincrasias. Com elas é que fomos nos tornando mais tolerantes. O que torna um País único não são decretos ou exigências formais, mas capacidade de conversar. Você está enganado. Não sou nenhum ingênuo colega. Sei que fanáticos não tem conserto, mas que tal prevenir conversões em massa?

Nem perguntei, ainda há tempo? Sei que está trabalhando no discurso para o Congresso.

Mais um minuto, bem conciso. Falo do status quo do nosso povo em nossa terra, mas falo principalmente do mundo atormentado em que vocês vivem. Você só quer o bem do  povo? É o que todos dizem. Mas e se não for suficiente? Você enxerga a situação como um todo? Sabe desarmar os espíritos? É só isso que interessa. Não, não quero saber de chips, nem das últimas tecnologias da defesa. Certo, certo, abaixo do equador fale como revertemos a crise hídrica usando o mar.  Escute mais uns segundos. Não, não falo dos profetas hebreus, nem de religião, falo de cultura e de homens de Estado. Gente palpável no agora. Quantos pensaram estar mudando o mundo? Mas cá de longe dá para ver, a maioria só administrou um status quo indesejável. Quanto desperdício de biografia. Há muita gente interessada em entornar o caldo. Não sabe o que é isso? Você?

É evidente que todos aqui apreciamos e achamos mais do que justa sua participação na marcha de Paris, mas permite? Aqueles acenos do pessoal da linha de frente pegou mal: não cabe aclamação no luto. Agora posso dizer o panorama que vejo ? O caráter judaico da terra não pode, não deve, ser dado por decreto. O que? Não, não, [riso rouco] nem sonho mais com paz. Minha fantasia recorrente é convívio tenso, mas justo. No estilo do pedido de Amós. Não, não o profeta, o escritor. Dois Estados, lado a lado, sem falsas identidades. Paciência eu tenho de sobra. A chefia reclama todos os dias “quando vão perceber que o oxigênio vêm da atmosfera comum?” Já que ninguém vai mesmo sair dai, que tal tomarmos a iniciativa e estabelecer as condições para que cada um ocupe seu lugar. Sim, ao sol. Nunca ninguém conquistou corações e mentes com chumbo.

Dia desses, no meio da rodinha enquanto jogava xadrez com Isahiah Berlin, cometi mais um daqueles aforismos: a melhor defesa é o ataque, diplomático.

Minha estima e votos de sucesso,

Shalom,

David

http://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/de-bengurion-para-bibi/

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Os Cristais do Muro (Estadão)

14 domingo abr 2019

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Os cristais do Muro

Paulo Rosenbaum

09 novembro 2014 | 16:54

murocristalXXng

Esta noite, Kristallnacht. Será contada como resumo de todas as outras. A areia compacta se misturou ao fogo. E o calor, guiou a flama ao mundo. A mesma que incinera livros e pessoas. Livros e pessoas. Repare e repita. Livros e pessoas livros e pessoas, livros pessoas. Até que sumam as distinções. Falta pouco. Uma página após outra. Uma pessoa após outra. As mesmas almas. As mesmas linhas. A mesma gramatura. Os temas é que mudam. Uma noite de cristais não é, nunca foi, só uma noite. E os cristais, não são só, estilhaços. Os destroços que deixam, inauguraram uma fase chamada fim. O concurso da exclusão. A obrigação do mal. Ela declara o ciclo: a peste emocional é viral. E tuas mãos, hoje, não trançam mais as pedras. Nos gatilhos eletrônicos, o rancor é digital. A violência ousa justificação. Os ossos não apontam, silenciam. A cor da intolerância já se adapta. A impossibilidade do outro vive das invisibilidades. Do ódio difuso. Se todas as narrativas estivessem aqui, talvez, tua boca falaria com tuas palavras. Mas, quem foi perdeu a voz. Exceto pelas memórias, eles hoje só respiram nos céus. E é nesta data dupla. Um quarto de século atrás, outro muro recebeu marteladas. Quando a destruição recobra seu caráter reconstitutivo. Os resíduos, relíquias. O tijolo, cristal. A regeneração vem dos que veneram a liberdade. As mudanças, pelas mãos que negam a hegemonia. Ao custo de vidas potenciais e heróis sem identidade. Por isso, eis a noite propensa a ser dia. Dia no qual cacos se fundiram ao concreto. Juntos, inscreveram a recusa infinda na história. Num lema, provisório, impreciso, incondicional, mas, como poucas vezes antes, presente: nunca mais.

Tags: Kristallnacht, muro de Berlim, noite de cristal, queda do muro

http://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/os-cristais-do-muro/

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O Curador (Estadão)

14 domingo abr 2019

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O Curador

Paulo Rosenbaum

11 junho 2015 | 12:07

retrogradoUU

–Sente-se!

–Obrigado, falamos de pé mesmo. Um aspecto chamou muito nossa atenção em seu parecer. Na justificativa para  a decisão, o que significa ter aparecido numa só linha: “retrógrado”?

–O oposto da evolução, retrocesso, regressão, marcha à ré? Ficou claro?

–Conciso ele é. Queremos saber como elaborou veredito tão embasado.

–Vocês estão conscientes que é irrevogável, não? Cá entre nós: o que ele fala me incomoda. não incomoda vocês?

– Queremos ouvir exemplos.

–Nossa opinião política, por exemplo, é oposta a dele. Este autor escreve naquele outro jornal, e ele seleciona os assuntos sobre os quais escreve.

– E a Senhora não? Com quais obras dele está familiarizada?

– Queridos. Adotamos outro critério. Ler, ler, isso é coisa do passado. Não é mais necessário. A palavra chave hoje é “quem”. Só precisamos ver onde você escreve, os temas e quem compartilha, e dali já sacamos todo perfil.

–Teu parecer foi dado sem análise?

– Haja! Acabei de explicitar a nova metodologia!

– Estamos nos referindo à análise de conteúdo. Lembra do último concurso de literatura?

–Combinamos não tocar nesse assunto.

– Estamos escolhendo ou vetando sem examinar o conteúdo?

– Chame de faro literário, intuição clínica. Bato o olho, e, de cara, já vejo se é alguém que faz sentido ou vai me atrapalhar a feira.

– Atrapalhar? Mas não era uma mesa com debate? Pluralidade de ideias? Abertura ao contraditório?

– Amor, isso aqui não é o Supremo. Quero nomes consagrados, que garanta público, precisamos de mídia e consistência.

–Consistência e unanimidade?

–É gente está do lado certo da história, pessoas do partido, pessoal que converge

– Convergir lembrou aqueles coros que recitavam monólogos

– Além disso, ouvi falar que ele é conservador.

–Só porque gosta de pickles?

(Risos)

–Hilário. Vão querer encrenca? Também sei engrossar. É ele ou eu. Faço curadoria dinâmica, aquela que bem entendo, estamos conversados?

–Perfeitamente. Critérios claros, princípios equânimes e plena exposição dos conflitos de interesse.

– Vocês podem se retirar, e tenham todos um bom dia. O último apague a luz, por gentileza,

A Comissão sai e chega a enxaqueca violenta. De dentro do silêncio pulsátil e obscuro exclama: “vou aparelhar mesmo, bando de moralistas, udenistas de ocasião”. “Deixa estar. Aproveito o Congresso de hoje a tarde para denunciar essa perseguição”.

 http://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/o-curador/

Tags: aparelhando, concursos literários, curadoria, feiras literárias, o aparelho curador, o curador

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Tabu, ou, o politicamente correto (Estadão)

14 domingo abr 2019

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Tabu, ou, o politicamente correto

Paulo Rosenbaum

09 julho 2015 | 01:12

irrelevante

O politicamente correto pode conservar o nome, mas talvez não seja político, nem correto. Pouquíssimo dialógico, produz mais dissonâncias que aproximações. De obras de Monteiro Lobato banidas ou censuradas nas escolas por supostos trechos racistas até a cartilha subsidiada pelo MEC com erros crassos propositais para não criar “constrangimento” em quem têm dificuldades no uso da língua, o politicamente correto se transformou numa bandeira com um simbolismo inquietante.

Chegamos a um mais do que improvável paradoxo: o senso comum não tem muito mais para oferecer, enquanto uma enorme quantidade de percepções e pensamentos precisam ser coibidos em nome de uma espécie de consenso que é apenas uma suposição apriorística, um tabu.

Foi a recente frase do Nobel de medicina sobre as peculiaridades de trabalhar com mulheres em laboratórios que gerou outro quinhão histérico de litigantes. Mas, o curioso, é que não se trata de extrema suscetibilidade, mas, antes, de um ilícito subjetivo cometido contra um glossário fixo e predeterminado. A intolerância de gênero, se é que aquele Dr. realmente externou algo assim, não é só dele. As redes fervilharam com ataques, às vezes contra uma opinião insossa e irrelevante. Quando há algum mérito no que foi pronunciado o que valeria a pena discutir é a opinião, não se ela está ou não na lista de frases que podemos aceitar no concílio imaginário que demarca a fronteira entre correto e incorreto. Neste sentido, é a hipocrisia pactuada e um maniqueísmo primitivo, disfarçado de debate democrático, quem comanda o cenário. O mesmo se deu até pouquíssimo tempo quando se discutia se algum governante poderia sofrer impeachment, deveria renunciar ou se novas eleições mereceriam ser convocadas. Por sinal, o que importa se o ex-apresentador conhece ou desconhece o cantor morto?

A onda é ampla e infame, sobretudo preconceituosa. Exemplo recente está naqueles que recentemente aderiram à campanha de ex roqueiro do Pink Floyd, que, pretendendo isolar Israel, fez uso seletivo e arbitrário do conceito de discriminação étnica. É só mais uma amostra de pactos baseados em insuficiências e inconsistências. A velocidade das transmissões e retransmissões na web, confronta a reflexão. Acusações de superfície, vazamentos e insinuações caluniosas operam o mesmo estrago que fatos ou evidencias significativas. E assim, a sociedade vai caminhando com construção de estereótipos nocivos, contando com ampla e impressionante aceitação, impulsionada através das replicações acríticas nas redes sociais e na mídia. Ao largo da aceitação das diferenças, a onda de tabu endossa o racismo com destaque para o especialista:  o partisã de boatos. Subordinar ideias à difamação ou reduzir alguém a nada em algumas horas, por uma frase, uma entrevista ou um pulso no Twitter, mostram a velocidade e denotam a pobreza cultural contemporânea.

São exatamente os mesmos que julgam terem construído consensos aqueles que mais se mostram violentos quando alguém trata de explicitar quão diferentes somos. Eis o supremo paradoxo: na linguagem politicamente correta as diferenças estão proibidas, e é a sua explicitação que dispara sinais eletrônicos que acionam o bullying tolerado. A luta de classes migrou, por caminhos inusitados, para um estranhamento mútuo das peculiaridades, de pessoas, grupos, nichos e raças. E a desinibição propagada através de perfis falsos, anonimato ou a certeza de impunidade, produzem legiões de franco atiradores digitais. Recrutar terroristas, convocar gente para qualquer tipo de ação nas ruas ou simplesmente entrar atacar e sair, tornou-se uma vulgarização pop. Às vezes, bem remunerada. Até a Grécia, em sua luta anti austeridade entrou na frequência. Uma coalizão de articulistas pelo mundo tentou mostrar como a luta grega é justa (politicamente correto) contra terríveis agentes capitalistas selvagens (politicamente incorretos), quando qualquer aluno mediano do segundo semestre da graduação de um curso de economia poderia nos contar algo mais interessante. Nas políticas de Estado não existem mocinhos, tampouco algozes. Neste sentido, o que o politicamente correto faz é sequestrar a discussão por um punhado de convicções anacrônicas e sustentadas pela manipulação eleitoral.

O ambicioso conceito de cidadania, amplamente evocado mas efetivamente inexistente no mundo prático, exige cimento mais consistente do que campanhas motivacionais, academias ideologicamente comprometidas ou governos com aspirações totalitárias. Exige, bem ao contrario do politicamente correto, um exame escrupuloso dos conteúdos da linguagem e suas mensagens: superar a imobilidade dos tabus.

http://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/tabu-ou-o-politicamente-correto/

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A Legalidade (Estadão)

14 domingo abr 2019

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A legalidade

Paulo Rosenbaum

16 julho 2015 | 14:35

legitimidadeXXX

Quem ouviu  soube. O que se passou nos últimos dias é mais que simbólico. Aqui na CPI, Viena ou Atenas. A legalidade transformou-se numa embarcação que não pode mais ancorar. Isso durará mais do que o previsto. Enquanto as velas se distribuírem pelas marés, enquanto estivermos à deriva, enquanto a agitação exceder a orientação, enquanto a carta náutica modular a dissipação, enquanto a tormenta for maior do que os ventos, enquanto a vida ameaçar o consenso, enquanto a decisão de um, solapar o combinado com tantos outros. O compartilhado à muitas mãos. Blefe rima com esquece. Legalismo não pode ser  oratória, nem persuasão stricto senso. A legalidade se transformou num conjunto de regras. Ainda bem. Mas é igualmente impossível esquecer que há uma legalidade sem credibilidade. Se há excesso ou déficit, ambas fabricam distorções progressivas e insanáveis.  O que esta em questão na governança é bem mais do que o jogo perigoso num jogo de futebol. A falta costuma ser evidente. Já jogo perigoso é a intenção deletéria, cuja penalidade é feita com cobrança livre indireta. O legalismo não pode disfarçar nem a falta grave, nem o jogo perigoso. Ou tergiversar não é uma outra forma de obstruir a justiça?

A legalidade é contra o senso comum. Não pode emergir da criatividade, da engenhosidade, do desejo de fazer justiça a qualquer preço.

O Estadista não pode achar, nem por um minuto, que seus êxitos se devem à retórica. Todo triunfo de um líder, deveria ser, por natureza, essencialmente coletivo e não populista. Ou com tudo pelo qual estamos passando alguém ainda acha que deveríamos preferir quem argumenta melhor aquele que emana confiança? Acordos podem ser costurados na base da verificação, mas confiar continua sendo  essencial. Se ainda estiver por aí, a história será o juiz no caso do acordo nuclear.  Mas não importam esforços diplomáticos de adiamento, ou a misericordiosa paciência dos aitolás: há jurisprudência suficiente para demonstrar que acordos mal traçados são muito mais nocivos que um status quo incerto, mas que preserve a vigilância e o alerta do mundo.

Aqui ou na Europa, extremas, direita e esquerda, abjuram posturas de centro. Preferem convicções à dúvida. Fieis aos pressupostos, devotos da ideologia, escolheram não pensar para se alinhar. Se as motivações são claras as consequencias são imprevisíveis.  A imposição de qualquer revolução é um novo status quo, o qual partilham intencional ou involuntariamente. Quanto pior, mais generalizado, quanto mais embaralhado, mais fácil manipular.

O que fica claro é que existe mais de uma forma de romper com a ordem regimental ou readequá-la. Melar operação e ajeitar a votação são sinônimos. Consequencias diretas das rupturas anteriores, onde o culto à personalidade sempre vale mais do que as Instituições.  Quem vibra com exceções são os mesmos que as abjuram. São tentativas de sacrificar o diálogo pela imposição adocicada de opiniões. A acusação de seletividade vale para qualquer lado, apenas que o selecionado continua valendo. Não pode ser apagado por quem, à contra ordem, quer anular um pelo outro.

Séculos foram necessários para que que conquistássemos o estado laico e mais uma eternidade para que a academia não fosse apenas uma plateia de doutrinados acríticos. Conquistas que, lentamente, definham no esteio do desprezo por culturas e tradições. Um fordismo afoito tomou conta dos procedimentos políticos e uma animação suspensa vigora no mundo. Nessa, uma linha de montagem onde todos carimbam automaticamente, contra ou a favor. Ninguém confunde política com partidarismo numa terra onde todos deslizam juntos. Porém, para infortúnio de muitos, uma figura chamada “escala” subsiste. Há um quanto para qualquer sociedade e essa enormidade de malefícios acaba de chegar aos destinatários; só o remetente ainda não se deu conta que já foi.

http://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/a-legalidade/

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Pessach e Páscoa: libertem as idiossincrasias (Estadão)

14 domingo abr 2019

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Pessach e Páscoa: libertem as idiossincrasias

Paulo Rosenbaum

03 abril 2015 | 17:19

 

idiossincrasiaII

Alguns dias são mais díspares que outros. Hoje é um deles. Reparem nos poetas alienados, nas alegrias infundadas, nos sonhos para um final.

Nossa única constância vive de travessias infindas, na carne esquecida, nas mortes mitigadas, na resistência das cascas de ovos sem fim, num mundo sem rugidos nem gemidos.

Abram alas: precisamos de espaço, ideologias e seus mentores que esperem, enfim nossa vez de passar. Nós merecemos dizer o que queremos, exigir o que desejamos, mostrar ao que viemos. A passagem pode não ter beira nem margem, pode não acrescentar beleza nem coragem. Tudo passa, limbo e muro, enquanto a vida insiste, futuro.

Se sobrou qualquer significado para as tradições? Recobrar sentidos que pedem expressão, presença de símbolos que isolam certezas. Hoje é dia ideal para cabeças feitas, desfeitas. Mesas postas na nova ordem. Sequencias sem ritual, formas sem apego, ritmos sem hiatos. Religiões e não religiões. As idiossincrasias são sagradas,  são elas que podem nos restituir a união.

Na paz permanentemente adiada, acordos podem ser pesadelos.  E desacordos são lá uma alternativa? Hoje é o dia no qual as regras foram abolidas, réguas desprezadas, tréguas assimiladas. Nenhuma paz será derradeira mesmo que todos os sonhos sejam roubados por guerras rejeitadas.

O dia cuja passagem tornou-se permanente. No qual presidentes falam baixo, juízes benévolos, juízos perfeitos. Na travessia, a infância dos homens transformou nossas retinas para sempre. Apagou-se o fosco do céu. Impeliu brilho aos confins. Para que o Cosmos ajeitasse as coisas eis o dia da leniência abstrata. Da pax correlata. Da vigência temporária. Da flexibilidade originária. Coacervados mudos e algas falantes, evolução errante. Campos que alimentam as raças.  Animais mutantes e homens persistentes.

Hoje, dia das faunas mistas. Das concretudes explicitas. Das mulheres sem dono. Dos radicais enjaulados. Da democracia para espíritos. Da incontinência dos libertários. Das conchas radiofônicas. Da velhice jovial. De palcos cordiais. Da derrota do inevitável.

Hoje, a tragédia foi abolida. Desvelada a calçada até a utopia, suspendam toda política. A razão da liberdade invadiu toda análise. Eis o dia em que a casa arderá com convívios. A noite da refeição direta. Diante da uva transformadora. O dia da interlocução como único valor. O momento da síntese Eterna.

Não importa como acordaremos: este é o dia.

http://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/pessach-e-pascoa-libertem-as-idiossincrasias/

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Estado volátil (Estadão)

14 domingo abr 2019

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Estado Volátil

Oposição no Senado diz ter apoio necessário para CPI da Petrobrás

Atitude de Obama na crise da Ucrânia é impopular nos EUA, diz pesquisa

Reparem, há uma estação própria para palavras. Elas vem, duram um tempo e se mandam. Em geral, pegam a última carona. Hoje dá até para medir a frequência com que aparecem. Não faz muito foi a palavra crack (da bolsa, da crise, do colapso, das drogas) mas também já tivemos impeachment, inflação e sustentabilidade (7.410.000 resultados).

Um destas palavras da hora é manifestação (563.000 resultados).  Agora outra ameaça colocar-se na dianteira: volatilidade. Tudo está cada vez mais volátil. (do latim volatile, fig. inconstante, instável, volúvel, que pode ser reduzido a gás ou vapor, Nascentes, A.) Palavras, governo, país, economia e pessoas.

Quanto vale uma refinaria? Um imóvel na Vieira Souto? Chuva no lugar certo? O corpo humano? Um voto? E a palavra de honra?

Esqueça a ideia de inflação, e, se puder, apague da memória a percepção de que há uma sensação de descontrole no ar. Num prazo recorde, o país que decola é o mesmo que debica.

Não serão os últimos dias de Pompéia, mas podemos estar captando o início da montanha russa. Não será nenhuma terceira guerra, mas secessões em cadeia, conflagrações civis e a desorganização social são formas de conflito não menos terríveis.

O mundo sempre foi essa esponja turbulenta – davam de ombros os mais vividos – mas até eles admitem que o clima acumulou nebulosidade.

Exemplos recentes de volatilidade das palavras, e como ela se tornou um dos problemas mais complexos do presente?

Quatro grandes nações prometeram à Ucrânia proteção caso se livrasse das ogivas. A linha vermelha pelo uso de armas químicas na Síria. A manipulação das informações no caso do último acidente aéreo. A semelhança dos discursos e o comportamento paradoxal e errático dos políticos.

Que dizer? Que a natureza incontrolável dos fenômenos e sua comunicabilidade instantânea nos guiaram à inconsistência?

Pode-se mudar de opinião, instante a instante. Para a contemporaneidade, a coerência é uma máscara abjeta. Ninguém pode ser julgado. A decência pode ser um valor burguês superável. O crime e a violência adquirem álibis cada vez mais plausíveis. Ainda assim, a volatilidade não deixa de ser um produto perigoso. Mais cedo ou mais tarde virá a bula. Se o volátil representa flexibilidade, plasticidade, adaptação e dinamismo, ao mesmo tempo significa incerteza, imprevisibilidade, oscilação e temeridade.

Se há saída?

Precisamos evaporar com classe.

http://blogs.estadao.com.br/conto-de-noticia/estado-volatil/

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Monte Santa Helena e recente manifesto dadaísta. (Estadão)

14 domingo abr 2019

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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                           Monte Santa Helena e recente manifesto dadaísta.                     

          21 fevereiro 2015 | 22:06                                                                                                                                                                               

Rezavam os estudos que a explosão do Monte Helena nos EUA em 18 de maio de 1980 no estado do Oregon, USA, iria provocar um micro cataclisma e a natureza poderia levar cerca de alguns séculos para se recuperar. Menos de 50 anos depois e mais algunas  explosões de menor impacto, testemunhou-se um fenomeno surpreendente. Uma reversão na cronologia das previsões. O suficiente para uma inacreditavel adaptação do bioma tivesse lugar e uma recuperação, bem mais célere e inesperada do que se pensava. Isso, ao contrário do que os  inspirou criticas dos espíritos contracientíficos, não desacredita a ciência, apenas a qualifica mais. Faz parte da ciência o teste de hipótese, o espírito aberto, a retificação de rumos. Pois os estudiosos reinterpretarem tudo e ainda não terminaram nada, A ciência e a arte são  sempre propositalmente incabadas. Há sempre mais perguntas que
respostas. Isso desmonta teses apressadas que querem tudo esclarecido para ontem. Grosso modo, toda plasticidade é maior do que se pensa. A maleabilidade também por que surgem novas formas de contemplar o problema. Isso nao significa ignorar ou adotar padröes estoicos em relação ao que se passa no mundo prático. Dai algum paralelo com nosso País é cabível.

Os sinais sísmicos estavam todos lá. Incompetência, populismo e arrivismo de resultados. Por isso, o atual cafundó.

Não adianta evocar a herança maldita pretérita, choque com o asteróide, ou a criação dos Cosmos. Algum opositor poderia se habilitar e  avisa-los: vocês são responsáveis pelo estado das coisas. Há fadiga de mentiras e o País só caminha porque é ainda um pouco autosuficiente em relação à anomia política. Por isso há espaço para encontrar uma diferença significativa entre a catastrofe que vem sendo a atual adminsitracao federal e o catastrofismo hiperbólico daqueles que acham que tudo acaba na quarta feira de cinzas. O Brasil não acaba tão fácil, nem sob a batuta de uma orquestra tão inoperante e desafinada como a que  vêm regendo o País.
Mas eis que um grupo de intelectuais lança um manifesto. Para perplexidade geral ele não se ocupava dos escandalos que varrem a América Latina. Nada dos excessos do Maduro, nenhuma palavra sobre o assassinato de Nisman. Ao lê-lo percebo o que significa ter descuidado da educação para doutrinar alunos. A cátedra foi tomada para administrar ideologias. Por que não prestaamos mais atenção nos rumores de uma predominância política-ideológica não só nefasta, mas sobretudo acritica. O manifesto é uma escandalosa e inútil lista de negação de fatos.

Um elogio à invenção e ao dadaísmo político. Uma obra teatrológica litigante. Ali se acusa um grande golpe prestes a irromper, que alinha os eventos de Jango e Getúlio Vargas, sob a direção  do capital internacional. Pensamos hipóteses variadas: tergiversação arquitetada pelo tal Santana. Menos: estratégia desesperada de manter algum benefício fiscal.  Terceira: eles realmente acreditam em tudo aquilo que subscreveram ali. Essa última a mais melancólica. Pois se, depois de tudo que já se viu, do que já foi provado e anotado, eles permanecem em negação para recusar enxergar o momento grave da República  é porque, apesar de provável erudição de alguns signatários, pouco aprenderam com o empirismo de fatos públicos e notórios.

Mas, já que emprestaram seus nomes para causas tão precárias é porque já não se importam com mais nada. Já abdicaram da preservação de seus nomes e do status quo que já gozaram. Neste caso, deve-se entrar na seara de qual a função do intelectual na sociedade.

Afinal intelectuais pensam ou militam? Se  pensam, não poderiam militar. Se militam significa que renunciaram ao fundamento do oficio: o pensarmento analítico e crítico. Cientistas políticos e filósofos nunca estiveram dispensados de prestar atenção aos  critérios de honestidade intelectual. Agora, se a nova função é só apoiar o regime e ajudar a alardear teses conspiratorias, são qualquer outra coisa, ainda sem nome.

http://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/monte-santa-helena-e-o-manifesto-dadaista/

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