Monte Santa Helena e recente manifesto dadaísta.                     

          21 fevereiro 2015 | 22:06                                                                                                                                                                               

Rezavam os estudos que a explosão do Monte Helena nos EUA em 18 de maio de 1980 no estado do Oregon, USA, iria provocar um micro cataclisma e a natureza poderia levar cerca de alguns séculos para se recuperar. Menos de 50 anos depois e mais algunas  explosões de menor impacto, testemunhou-se um fenomeno surpreendente. Uma reversão na cronologia das previsões. O suficiente para uma inacreditavel adaptação do bioma tivesse lugar e uma recuperação, bem mais célere e inesperada do que se pensava. Isso, ao contrário do que os  inspirou criticas dos espíritos contracientíficos, não desacredita a ciência, apenas a qualifica mais. Faz parte da ciência o teste de hipótese, o espírito aberto, a retificação de rumos. Pois os estudiosos reinterpretarem tudo e ainda não terminaram nada, A ciência e a arte são  sempre propositalmente incabadas. Há sempre mais perguntas que
respostas. Isso desmonta teses apressadas que querem tudo esclarecido para ontem. Grosso modo, toda plasticidade é maior do que se pensa. A maleabilidade também por que surgem novas formas de contemplar o problema. Isso nao significa ignorar ou adotar padröes estoicos em relação ao que se passa no mundo prático. Dai algum paralelo com nosso País é cabível.

Os sinais sísmicos estavam todos lá. Incompetência, populismo e arrivismo de resultados. Por isso, o atual cafundó.

Não adianta evocar a herança maldita pretérita, choque com o asteróide, ou a criação dos Cosmos. Algum opositor poderia se habilitar e  avisa-los: vocês são responsáveis pelo estado das coisas. Há fadiga de mentiras e o País só caminha porque é ainda um pouco autosuficiente em relação à anomia política. Por isso há espaço para encontrar uma diferença significativa entre a catastrofe que vem sendo a atual adminsitracao federal e o catastrofismo hiperbólico daqueles que acham que tudo acaba na quarta feira de cinzas. O Brasil não acaba tão fácil, nem sob a batuta de uma orquestra tão inoperante e desafinada como a que  vêm regendo o País.
Mas eis que um grupo de intelectuais lança um manifesto. Para perplexidade geral ele não se ocupava dos escandalos que varrem a América Latina. Nada dos excessos do Maduro, nenhuma palavra sobre o assassinato de Nisman. Ao lê-lo percebo o que significa ter descuidado da educação para doutrinar alunos. A cátedra foi tomada para administrar ideologias. Por que não prestaamos mais atenção nos rumores de uma predominância política-ideológica não só nefasta, mas sobretudo acritica. O manifesto é uma escandalosa e inútil lista de negação de fatos.

Um elogio à invenção e ao dadaísmo político. Uma obra teatrológica litigante. Ali se acusa um grande golpe prestes a irromper, que alinha os eventos de Jango e Getúlio Vargas, sob a direção  do capital internacional. Pensamos hipóteses variadas: tergiversação arquitetada pelo tal Santana. Menos: estratégia desesperada de manter algum benefício fiscal.  Terceira: eles realmente acreditam em tudo aquilo que subscreveram ali. Essa última a mais melancólica. Pois se, depois de tudo que já se viu, do que já foi provado e anotado, eles permanecem em negação para recusar enxergar o momento grave da República  é porque, apesar de provável erudição de alguns signatários, pouco aprenderam com o empirismo de fatos públicos e notórios.

Mas, já que emprestaram seus nomes para causas tão precárias é porque já não se importam com mais nada. Já abdicaram da preservação de seus nomes e do status quo que já gozaram. Neste caso, deve-se entrar na seara de qual a função do intelectual na sociedade.

Afinal intelectuais pensam ou militam? Se  pensam, não poderiam militar. Se militam significa que renunciaram ao fundamento do oficio: o pensarmento analítico e crítico. Cientistas políticos e filósofos nunca estiveram dispensados de prestar atenção aos  critérios de honestidade intelectual. Agora, se a nova função é só apoiar o regime e ajudar a alardear teses conspiratorias, são qualquer outra coisa, ainda sem nome.

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