• Uma entrevista sobre Verdades e Solos
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” no Jornal da USP
  • A verdade lançada ao solo, de Paulo Rosenbaum. Rio de Janeiro: Editora Record, 2010. Por Regina Igel / University of Maryland, College Park
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” por Reuven Faingold (Estadão)
  • Escritor de deserto – Céu Subterrâneo (Estadão)
  • A inconcebível Jerusalém (Estadão)
  • O midrash brasileiro “Céu subterrâneo”[1], o sefer de “A Verdade ao Solo” e o reino das diáforas de “A Pele que nos Divide”.(Blog Estadão)

Paulo Rosenbaum

~ Escritor e Médico Writer and physician

Paulo Rosenbaum

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Literaturas (Estadão)

14 domingo abr 2019

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 Marta Suplicy reage a críticas feitas por Ruffato durante Feira do Livro

Não sei se foi ou não aula de sociologia mas faz muito sentido que o discurso do escritor brasileiro em Frankfurt tenha sido uma crítica generalizada. O Estado contemporâneo merece ser refundado numa sustentabilidade com sobrenome. E ela não parece ser material, financeira ou industrial. Talvez não esteja nem mesmo na preservação do meio ambiente, segurança ou reservas estratégicas. No atual mal estar no mundo subsiste algo anterior. Uma enfermidade atávica, que os antigos gregos já compararam com a temível hidra de mil braços que habitava o lago de Peloponeso. Também chamada de muitos outros nomes, como mal estar na cultura, e, mais recentemente, de peste emocional. Estamos perdidos numa travessa, sem significados claros, cruzando de uma era para outra sem timão nem timoneiro.

Viramos o milênio como uma legião entorpecida de bens, drogados pela abundancia. E quem não goza de fartura quer entrar no jogo. A fantasia é que lá está a completude. A classe média recém chegada ao paraíso, realiza que não é nada disso. Por sua vez, o poder acelerou a máquina para nos poluir com pão e distração. Um circo que se locupleta com a sociedade sem critérios. Os outros? Obscurecidos pela cegueira que emanamos. Trabalho, esforço e educação foram transformados. Nas sinonímias populares já aparecem como estupidez e perda de tempo. A busca de sucesso a qualquer preço é a prova da deslegitimação de todas as pedagogias. Que importa a biografia do sujeito desde que o resultado seja superávit primário?  Neste contexto, quem se espantaria com a desvalorização dos professores em meio à escolas cujas funções originais foram pervertidas? Quem ainda fica perplexo com o déficit de leitores? Ainda há alguma coisa a ser feita?  Digo, sem cair no moralismo salvacionista, medicalização da vida ou em formulações políticas messiânicas. Deslocar-se para estar no lugar do outro? Há quem seja capaz? A literatura acrescenta experiências, ressignifica sentidos. Não que seja sua função, trata-se de apenas um dos efeitos colaterais favoráveis.  Acontece por que a singularidade é caprichosa e costuma se manifestar na estranheza, no reconhecimento das diferenças. Apollinaire escreveu, “amo os homens não pelo que os une, mas pelo que os divide.” Luis Rufatto pode ter razão: a literatura transforma sujeitos e têm potencial para romper a imutabilidade de nossos tempos.

http://blogs.estadao.com.br/conto-de-noticia/oficio-literatura/

 

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A verdade lançada ao solo, de Paulo Rosenbaum. Rio de Janeiro: Editora Record, 2010. Por Regina Igel / University of Maryland, College Park

14 domingo abr 2019

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Resenha*

A verdade lançada ao solo, de  Paulo Rosenbaum. Rio de Janeiro: Editora Record, 2010.

Por Regina Igel / University of Maryland, College Park

            Há certos sabores que só podem ser apreciados lentamente, para que a língua tenha mais vantagens em degustá-los e  ganhe tempo para informar o cérebro sobre eles. Respeitadas as coordenadas referenciais, é o caso do livro  A verdade lançada ao solo, de Paulo Rosenbaum. É obra que exige lenta leitura, com pausas regulares, preenchidas por contemplações, reflexões e meditações. Para se aprender, pelos caminhos do rabino Zult Talb, o que é a alma, se ela transmigra ou não, onde se pode encontrar Deus, como chegar até o Criador (ainda como ser vivo), enfim, para ser saboreado em seus meandros místicos, filosóficos, científicos, pessoais e universais, este livro tem de ser lido lentamente. (Eu levei um mês mais uma semana para terminar a leitura – pois parei em várias passagens,  para pensar no que acabava de ler…)

É livro denso, pode-se dizer, enciclopédico pois, ao redor de um verbete – devekut –giram três histórias, um epílogo e uma parte iconográfica. Cada uma das três primeiras especula, analisa, questiona, por personagens ativos e diálogos dinâmicos,  o que vem a ser ‘devekut’. Na primeira narrativa, que transcorre na cidadezinha de Tisla, em meados do século XIX (mais precisamente em 1856, que corresponde ao ano judaico 5.616),  a história esclarecedora de ‘devekut’ tem início numa casa modesta, adaptada para ser também casa de orações para os judeus naquele remoto e parcamente povoado lugarejo. O rabino Zult, líder da comunidade, é visto com respeito e com desconfiança: na sinagoga, ele dirigia judeus que respeitavam a religião e eram pouco afeitos a interpretações esotéricas, às quais ele se dedicava de tempos em tempos. Não que ele fosse um rebelde ou motivador de rebeldias religiosas, mas era um homem que não aceitava a palavra escrita como prova irrefutável de uma verdade, nem tampouco a interpretação tradicional do Talmud (o texto que reúne códigos de comportamento ético, composto por uma sequência de rabinos a partir do segundo século da Era Comum aos judeus e cristãos).  Na página em que se identifica “ … Zult era um iconoclasta” (p. 24), se encontra o cerne desta narrativa, que é a imersão na ‘devekut’. O autor coloca uma nota explicativa ao pé do texto (como faz com quase todas as palavras de origem hebraica, em transliteração ao português), esclarecendo que ‘devekut’ significa “aproximação, aderência, apego. Termo místico que define proximidade com Deus. Estado modificado de consciência, no qual os homens podem experimentar no corpo a própria energia de Deus.” No mister de provar tal experiência, o rabino pode ser observado como se fosse um submarino cortando águas profundas, interceptado por diversas correntes (as perguntas, os comentários e observações de seus ouvintes), mas com uma trajetória firme, articulada por sua vontade de experimentar um fenômeno místico, arrebatador, que se manifestaria nele num delírio de integração ao Divino e do qual ele lançaria luzes a seus seguidores. Entender os caminhos de Zult é um desafio – não só para a sua plateia, mas para os leitores também. O iconoclasta – na verdade, um homem interessado no diálogo, numa discussão esclarecedora, numa dialética quase platônica (talvez) – tentava arrancar dos ouvintes a capacidade latente deles em argumentar, discutir, trocar ideias. Seus discursos desafiavam a crosta conservadora da sua comunidade e de conselhos rabínicos, quando defendiam a ideia de que a Diáspora ou o Exílio era melhor para os judeus do que se aglomerarem em Israel, como queriam os sonhadores do seu tempo – que se tornou realidade pela força sionista. Como era formado em Filosofia, por uma universidade não-judaica, Zult trazia para suas prédicas a ideia de que as ciências eram benéficas para todos e que os judeus religiosos não deveriam se fincar apenas na fé ou na espera de milagres, pois a medicina (sua vocação frustrada), por exemplo, era um pilar de suma importância na prevenção e na cura de doenças. Um de seus muitos filhos, o Nay, era um atento interlocutor e provocador, que muitas vezes substituía um público de ouvidos um tanto moucos em suas prédicas, pois o menino de 14 anos lhe fazia perguntas, apresentando desafios e sugestões. E também houve ocasiões em que Zult, o iconoclasta, não tinha público nem filho para contestar suas verdades; mesmo assim, ele falava, ou se calava, preparando-se para receber a ‘devekut’ – e a recebia, gerando em si mesmo uma energia de alta frequência, de pulsação insólita, que o levava a pensar que se impregnava da energia divina. Não que quisesse se igualar a Deus, mas queria usufruir da divindade o que a patologia de ser um ente humano não lhe permitia.

Se a ‘devekut’ foi definida no início da primeira narrativa e gradualmente explicada ao longo das primeiras cem páginas, o título da obra só vai receber esclarecimento para além da página 100, como se fosse necessário preparar os leitores para a essência de uma escrita laica num contexto carregado de religiosidade. “A verdade lançada ao solo” (fragmento que se  encontra no Livro de Daniel 8:12) se tornou uma espécie de mantra ou bússola para o pensamento, utilizada por Zult, na sua busca por uma interpretação do versículo em todas suas possibilidades semânticas ou racionais e místicas ou movidas pelo supernatural. Em resumo, a verdade está diluída no pó ou é o pó que se alimenta da verdade? O livro se apropria dessas (entre outras) versões para explicar Deus, o mal, o bem, a doença, a cura, o êxtase, o milagre, a indiferença, a alma, o espírito, indo do geral ao particular, ao mencionar a necessidade de se estudar textos bíblicos em duplas (como o fazem os estudantes dos seminários judaicos), pois uma leitura individual não é aceitável – faz-se necessário discussão, apresentação de ideias conflitantes, diálogo, é preciso liberar o epílogo, a conclusão, de todo o emaranhado que nos desafia.

O diálogo vem a ser o cerne da segunda narrativa, “A balada de Yan e Sibelius”. Os personagens são dois homens perdidos nos Alpes, em meio a uma nevasca. Um deles é médico, o outro é seu ex-paciente; um deles é o Dr. Talb, descendente do Zult Talb, personagem proeminente na narrativa anterior. Numa área escavada numa montanha gelada, que mal abriga os dois, à espera de não se sabe o quê, ou que o tempo melhore ou que eles se entendam, discorrem sobre a ótica médica e a ótica dos pacientes que não só podem diferir uma da outra, mas chocar-se também.  Fé e razão passam a ser elementos de fricção e ponderações para os dois perdidos na brancura da neve e na negritude da noite. Ambos mantêm o fogo do conhecimento aceso e reciprocamente sopram as chamas, como querendo que um se apagasse para o outro continuar a existir.

Como o fez na primeira história, o narrador interpõe ao texto ‘recados’ ou intercalações de cunho explanatório sobre a religião, hábitos dos judeus ao longo dos séculos e outros temas. Imitariam os ‘comentários’ ou ‘ridushim’, notas ou observações marginais ao texto do Talmud. Nesta narrativa, as interferências explicam certas reações orgânicas a alguns remédios, os efeitos da sua ‘produção industrial’,  a manipulação do corporativismo, o darwinismo, o congelamento dos órgãos internos, a fome contínua, o perigo da morte pela inércia física no panorama congelado  – em enunciados breves, não-invasivos, que complementam o desenrolar dos eventos. Com a precariedade da situação, o judeu impulsiona o tema da ‘devekut’, que passa a ser o jogo dialético entre os dois alpinistas. Ela é então praticada: os sentidos se renovam, os membros congelados se movem, a cabeça se esvazia do medo e da incerteza, a “Presença” penetra pelos olhos dos seus praticantes. “… não tem como comparar com droga nenhuma. Nem alucinógenos, nem estupefacientes, nem nada da farmacopeia”(p. 479). É a fé ou é a alucinação dos corpos deteriorados?

A terceira e última das narrativas, “Sonho não interpretado”, concerne tratamentos de dependentes químicos, na época contemporânea. Um jogo de xadrez se coloca entre médico e paciente e mais: doutrinas espíritas, um papiro que contava vidas dos antepassados do médico (entre eles, o rabino Zult Talb), transes, incursões a cemitérios de judeus poloneses depois do Holocausto, perspectivas para o mundo sob o comando dos norte-americanos,  terrorismo, Al-Qaeda, a destruição das vidas e das torres gêmeas em Nova York, exorcismo, os justos em cada geração judaica… um repertório que instala personagens e questões dentro de uma moldura atual, atravessando Israel, Grécia, Egito, o Brasil e a inclusão do velho Zult Talb, que reaparece em espírito. Atmosfera sufocante, perturbadora e liberadora, instiga perguntas que exigem respostas,  como se indicassem que, no mundo caótico em que vivemos, só o questionamento pode nos encaminhar para o conhecimento.

O Epílogo é uma tentativa de amarrar os eventos principais, transcorridos pelas três narrativas mas, na verdade, são os leitores que devem fazer o acerto das circunstâncias lidas, visualizadas e imaginadas, com o roteiro fornecido pelo autor. Este também insere fotos dos ‘pergaminhos’ deixados por Zult (em papel brilhante, de um colorido esmaecido como num daguerreótipo, em escrita artística), para que as futuras gerações soubessem que a ‘devekut’ é uma atividade que pode e deve ser experimentada para uma aproximação real com Deus, ainda que paradoxalmente seja abstrata, como parte do absurdo da existência humana.

Para quem eu recomendaria este livro? Para aqueles que não sabem absolutamente nada sobre judaísmo, para aqueles que, como eu, sabem um pouquinho e para aqueles que sabem bastante. Esta obra, imersa em conhecimento, divulgado por diálogos e meditações dos personagens, é inédita no repertório de obras brasileiras de ficção, pois mostra intenções implícita e expressas de provocar nossa curiosidade intelectual, espiritual e emocional. Quem a ler, ganhará em conhecimento sobre a religião judaica, seus mitos, rituais, tradições, transgressões e acertos; sobre alma, Deus,  julgamentos humanos e divinos mas, principalmente, ganhará em conhecimento de si mesmo. O estilo da escrita tem volteios e sinuosidades, trazendo às narrativas possibilidades de caminhadas mentais, por uma leitura lenta e gradual. Dêem o tempo necessário para seu cérebro e suas emoções procurarem ‘a verdade lançada ao solo’.

Regina Igel é professora titular de Literaturas e Culturas em Língua Portuguesa no Departamento de Espanhol e Português da Universidade de Maryland. É autora de inúmeros artigos, publicados em diversas revistas especializadas nos Estados Unidos, Europa e Brasil. A Profa. Dra. Regina Igel é também encarregada da seção Brazilian Novels do Handbook of Latin American Studies, uma publicação da Biblioteca do Congresso, em Washington, D.C., e colabora para esta publicação com cerca de 70 resenhas de romances publicados num período de dois anos no Brasil. Foi colaboradora do Jornal “O Estado de São Paulo” (Suplemento Literário e Cultura). É autora dos livros: “Osman Lins, uma bibliografia literária” (1978) e “Imigrantes Judeus, Escritores Brasileiros – O Componente Judaico na Literatura Brasileira (1997).

*Um trecho desta resenha será publicada no Handbook of Latin American Studies, uma publicação da Biblioteca do Congresso, Washington, D. C. que está programado para sair em 2015 (Vol. 60)

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English Version

“Throw Truth to the ground” by Paulo Rosenbaum. Rio de Janeiro: Editora Record, 2010.

By Regina Igel / University of Maryland, College Park

Translated from the Portuguese by Alex Forman and Regina Igel

There are certain flavors that must be savored slowly to give the tongue a chance to absorb them and time enough to inform the brain about them. Keeping the necessary distance from this parallel reference, this is the case of A Verdade Lançada ao Soloby Paulo Rosenbaum. It is a book that calls for a slow reading, with regular pauses for contemplation, reflection, and meditation in order to enjoy, along with the teachings of rabbi Zult Talb, what the soul is, whether it transmigrates or not, where God can be found, how we can meet the Creator (while still living). To fully appreciate its philosophic, scientific, personal, and universal mystical meandering, this book has to be read unhurriedly. (It took me a month and a week to finish reading, because I paused at various passages to think about what I’d just assimilated.)

One could say that the book is dense, even encyclopedic, since it comprises three stories, an epilogue, and an iconographic section revolving around a single term – devekut. Each of the short stories explores what it is to be “devekut” through speculation, analysis; the characters’ own questioning, and their dynamic dialogs. The first narrative takes the reader to the town of Tisla in the mid-nineteenth century (more precisely in 1856, which corresponds to the year 5,616 in the Jewish calendar). The enlightening story of “devekut” begins in a humble home, adapted also to be a house of prayer for the Jews of that remote and scarcely populated village. Zult, the rabbi and leader of the community, is treated with respect and mistrust. He oversees a religious congregation little familiarized with the esoteric interpretations he dedicates himself to from time to time. The rabbi is not a rebel nor is he calling for a religious rebellion, but he does not accept the written word or the traditional interpretation of the Talmud (ethical codes of behavior compiled from the writings of a series of rabbis from the second century of the Common Era for Jews and Christians) as irrefutable proof.  The heart of the narrative is found on page 24, where Zult is shown to be “an iconoclast” and is immersed in the “devekut.” The author adds a footnote (as he does with almost all Hebrew words transliterated in the text) explaining that “devekut” means “approximation, adherence, attachment. Mystical term defining closeness with God. Modified state of consciousness in which men can experience the energy of God in their own bodies.” In order to prove that such an experience exists, the rabbi might be seen as a submarine slicing through deep waters, intercepted by various currents (the questions, comments, and observations of his listeners). But he remains firm in his itinerary, articulated by his desire to manifest a mystical, ravishing phenomena in himself, in the delirium of joining with the Divine, from which he will enlighten his followers. Understanding the ways of Zult is a challenge not only for his audience, but for his readers too. The iconoclast – actually, a man interested in dialog, instructive discussion, and nearly platonic dialectic (perhaps) – tries to draw out his listeners’ latent ability to argue, discuss, and exchange ideas. His lectures challenged the conservative crust of his community and the rabbinical counsel who defended the idea that, for Jews, Diaspora or Exile was better than to congregate in Israel, as the visionaries of the time foresaw, and which later became reality through Zionist efforts. Zult had a degree in philosophy from a non-Jewish university, and he brought to his teachings the idea that science was beneficial to all and that religious Jews should not rely on faith alone or wait for miracles, since medicine (his frustrated vocation), for example, was of unparalleled importance in the prevention and cure of diseases. One of his many sons, Nay, was an attentive interlocutor and provocateur, often making up for the listeners’ silence, on whose deaf ears Zult’s speeches would fall; the fourteen-year-old asked questions, challenged, and made suggestions. And there were also occasions when Zult, the iconoclast, had neither public nor child to challenge his truths; but even so, he spoke or stood silently, preparing himself to receive the “devekut.” Then he would receive it, generating within himself an energy that was of such a high frequency, and of such an uncommon rhythm, that it led him to believe that he was impregnated by divine energy. Not that he wanted to be equal to God, but he wanted to enjoy something of divinity not usually allowed by the condition of being a human being.

As the “devekut” was defined at the beginning of the first story, and gradually explained over the first hundred pages, the title of the book only becomes clear beyond page 100, as if it were necessary to prepare the reader for the essence of a lay text in a context laden with religiosity. A fragment from the Book of Daniel (8:12), “You threw Truth to the ground,” became Zult’s mantra or fixed thinking in his search for an interpretation of biblical verse in all possible semantic, rational, mystical, and supernatural explanation. At last, is truth diluted into dust, or is it the dust that nurtures truth? The book grasps these (among other) interpretations to explain God, good and evil, illness and cure, ecstasy, miracle, indifference, the soul, the spirit, moving from the universal to the particular, when mentioning the necessity of studying the Bible in pairs (as Talmudic scholars do). A single reader is not acceptable since it is necessary to discuss, to present conflicting ideas, to establish a dialog with each other, in order to release the epilogue, the conclusion, from the mass of problems challenging us.

Dialog is at the heart of the second narrative, “A Balada de Yan e Sibelius.” The characters are two men lost in the Alps, in the middle of a blizzard. One is a doctor, the other a former patient of his. Dr. Talb is a descendent of Zult Talb, the preeminent protagonist of the previous story. In a dugout in the frozen mountain that barely shelters the two of them, waiting on who knows what – that the weather clears or that they reach some understanding between them – they discuss a doctor’s and a patient’s points of view which not only differ semantically from each other, but also violently clash. Faith and reason become elements of friction and deliberation for the two lost in the whiteness of the snowstorm and the blackness of night. Both keep the flame of knowledge lit and take turns blowing on its ashes, as if they wanted one to be extinguished so that the other could go on existing.

The narrator interjects “messages” or parenthetical statements of explanation about Jewish religion and customs throughout the centuries, and other subjects. These notes might be an imitation of the “commentaries,” or “Rashi’s notes,” observations written in the margins of the Talmud. In this narrative, the remarks explain some of the organic reactions to some medicines, the effects of “commercial production,” the manipulation of corporatism, Darwinism, the freezing of internal organs, famine, the risk of death by physical inertia in the frozen panorama – in brief, non-invasive comments that complement the evolution of events in the narrative. In this precarious situation, the Jew drives the “devekut” theme, which becomes a dialectical game between the two alpinists. Then, it is practiced: feelings arise again, frozen body parts move, the mind becomes empty of fear and doubt, the “Presence” shines through the eyes of the practitioners. “. . . impossible to compare to any drug. Not hallucinogens nor narcotics, nothing from the Pharmacopeia” (p. 479). Is it faith, or is it some hallucinatory effect emanating from the deteriorating bodies?

The third and last of the narratives, “Sonho Não Interpretado,” concerns the treatment of the chemically dependent in our times. A chess match is placed between the doctor and the patient and more: spiritualist doctrines, a papyrus with the doctor’s predecessors’ lives written on it (among them, the rabbi Zult Talb), trances, incursions to the cemeteries of Polish-Jews after the Holocaust, opinions about the world under American command, terrorism, Al-Qaeda, lost lives, the destruction of the twin towers in New York, exorcism, the Just of each Jewish generation… In a repertoire that crosses Israel, Greece, Egypt, and Brazil, bringing these characters and questions into a contemporary frame, including old Zult Talb, who makes an appearance as a ghost, this suffocating, disturbing, and liberating environment raises questions that demand answers, as if to indicate that in this chaotic world in which we live, only questioning can lead us to knowledge.

The Epilogue is an attempt to tie up the main events in the stories, but in truth it is up to the readers to link these seen and imagined circumstances in the author’s script. He also provides photographs of the “scrolls” left by Zult (inserted on shiny paper, with washed-out coloring like of a Daguerreotype, with artistic writing) so that future generations may be able to know that “devekut” is an activity that can and should be tried to find real closeness to God, even though it is paradoxically abstract, like some of the absurdity of human existence.

To whom would I recommend this book? To those who know absolutely nothing about Judaism, to those who, like myself, know a little bit, and to those who know a lot. Immersed in knowledge disseminated through the dialogues and meditations of its characters, this book may be unique in Brazilian literature, since it demonstrates implicit and explicit intentions to provoke our intellectual, spiritual, and emotional curiosity. Who reads it will benefit from the wisdom surrounding Jewish religion, myths, rituals, traditions, transgressions, and assertions about the soul, God, human and divine judgment. But above all, the reader will learn something about him or herself. The writing style meanders and is sinuous, bringing to the narrative the option of mental perambulations for a slow and gradual reading. Give your brain and feelings the time they need when “You throw Truth to the ground…”

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Desfaçam-se cabeças (Estadão)

14 domingo abr 2019

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Na véspera de ato contra Copa, polícia e manifestantes reforçam tensão

                                                           Governo teme violência em protestos no Mundial e investe R$ 1,9 bilhão

O que mais se vê são opiniões consolidadas, cabeças feitas e gente convicta. A avalanche de palpites e a legião de juízes instantâneos se espalha pelo País empurrando o debate para a duvidosa sombra das certezas. Para que esperar até outubro se todos já sabem em quem vão despejar os votos? O hábito de acreditar em propaganda e na ridícula maquiagem, amplia a abolição do discernimento. No lugar de lançar dúvidas sobre os exemplos dos líderes, de indagar sobre a obsessão pelo consumo, de se inquietar por uma cultura guiada pela competição e orientada para insuflar conflitos, preferimos vereditos ditados pelo twitter.

Sob um discurso salvacionista a violência – na linguagem auto referente, na gesticulação ameaçadora, na assertividade agressiva, nos golpes sujos  — continua sendo semeada desde o planalto e já germina selvagem na planície. Não é bom agouro quando o exército enfrenta a população.  No País e no continente latino americano os comandantes fingem defender a liberdade, enquanto cassam os direitos de expressão. Vozes discordantes passaram a representar traidores golpistas. Toda crítica perseguida para assegurar perpetuidade no poder. O jornalismo independente é apenas a última linha a ser suprimida da pauta.

Num movimento de inspiração absolutista, o establishment político que governa parece torcer contra as instituições. Faz força para emperrar o que já é sôfrego e ineficiente. Podemos nunca ter sido sérios, mas sabotagens dessa magnitude beirariam o incompreensível se não significassem a mais pura malandragem. Reparem, num estalo podemos virar fósseis. Basta uma imagem acusatória, uma calúnia, um dossiê subsidiado para que a tinta seque na cara do adversário.

Camus tinha o faro empírico e podia ser irritantemente preciso: quando não se tem caráter é necessário um método. Ainda que nossas tormentas não sejam as mesmas experimentadas por Hamlet nas tramoias do Reino, sempre soubemos os caminhos que levavam ao desfiladeiro. Chame-se do que quiser, pressentimento, intuição, presságio. A sensação pode ser impalpável, subjetiva e difusa e embora compartilhada nos corações, o consenso continua entalado nas nossas entranhas: há algo de muito podre na República.

http://blogs.estadao.com.br/conto-de-noticia/desfacam-se-cabecas-a-duvidosa-sombra-das-certezas/

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As bibliotecas do Tietê (Estadão)

14 domingo abr 2019

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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É extremamente importante que as novas gerações saibam mais detalhes do que foi o passado recente do Brasil, antes da redemocratização.  Porque fica patente, a maioria desconhece o que era o Brasil da Inflação de 80% ao mês. Assim como ignoram o que significou os anos de mordaça e censura explícita que vivenciamos durante a repressão nos anos de chumbo.

Aparentemente irrelevantes, são as pequenas particularidades que podem resultar numa percepção crítica e menos simplificada da realidade. Se é inegável que hoje vivemos um período de turbulência , condução equivocada da economia, falta de foco das prioridades do governo federal e um pendor para o centralismo partidário, isso não deve, e não pode, automaticamente, transformar o passado numa época dourada.

As histórias dos presos políticos famosos mais agressivos foi muito bem contada e divulgada e hoje conta com a substantiva ajuda de subsídios federais. Mas e os menos famosos? Aqueles que lutaram anonimamente contra a ditadura — provavelmente os que realmente fizeram a diferença, gente com a mesma fibra daqueles que hoje querem expressar discordância com os rumos do País — experimentaram angústias e perseguições não menos inquietantes.

Cito um caso de experiência pessoal familiar para  ilustrar como um estado policial embrutece e entorpece seus cidadãos. Entre os anos de 1968 e 1972 a repressão estava particularmente interessada nos núcleos intelectuais que se opunham ao regime de exceção. Queriam os líderes, mas também todos que tinham potencial paraoferecer alguma resistência ao regime militar. E um dos parâmetros indiciários do sistema era saber, através de informantes e agentes infiltrados, quem possuía “bibliotecas suspeitas” .

No Index Librorum Proibitorum, versão anticomunista, estavam todos os livros de Karl Marx, e tudo que mencionasse as palavras “materialismo”, “dialética” e “direitos humanos”.  Além de outras raridades do glossário subversivo.

Pois foi numa madrugada que um advogado parente bem relacionado acordou meu pai com a lacônica mensagem “jogue agora sua biblioteca no Tietê”. Meu pai sonolento repetiu a frase, a ver se havia captado a mensagem. E recebeu sua resposta, desta vez duplamente lacônica: “isso mesmo, biblioteca no Tietê, já”. E emendou “todo mundo está fazendo isso”. Sem nenhum requinte os livros foram arrastados até a Kombi da família e transportados até a beira da Marginal, onde todos foram despejados nas águas do rio paulista. Sem um critério preciso e seleção afoita, foram para o leito fluvial de Graciliano Ramos a Aristóteles.

Papel é altamente degradável, mas imaginem quão interessante seria, se, durante alguma obra de dragagem, alguma página mais resistente, com uma gramatura mais densa, tivesse sobrevivido para nos contar qual fim levaram todos os acervos afogados.  Espera-se que nenhuma nova versão de expurgo literário – filosófico- artístico – cultural esteja na pauta dos senhores que tem comichão nas mãos para exercer controle sobre a sociedade.

Por isso até hoje temos mais é que tremer sempre que ouvirmos a expressão “questão de segurança nacional”. Mesmo com temas diversos e orientações ideológicas distintas, governos autoritários tem a mesmíssima paixão:  fazer submergir as críticas, junto com as liberdades.

http://blogs.estadao.com.br/conto-de-noticia/as-bibliotecas-do-tiete/

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Terrorismo intelectual (Estadão)

14 domingo abr 2019

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Terrorismo Intelectual

Paulo Rosenbaum

quarta-feira 27/08/14

 Não compreendo por que ainda me surpreendo. Já deveríamos estar acostumados, mas não se conhecem casos de imunidade natural contra perversões na cátedra. Depois dos vitupérios emanados pela irreconhecível esquerda de antanho, depois do lançamento do modelo “pijama de campo de concentração” da grife famosa, e, finalmente, depois das marchas de alemães e franceses pedindo […]

 

 Não compreendo por que ainda me surpreendo. Já deveríamos estar acostumados, mas não se conhecem casos de imunidade natural contra perversões na cátedra. Depois dos vitupérios emanados pela irreconhecível esquerda de antanho, depois do lançamento do modelo “pijama de campo de concentração” da grife famosa, e, finalmente, depois das marchas de alemães e franceses pedindo câmara de gás, redescobrimos que o requinte chegou ao campus. Novas formas de degola a frio desembarcaram no mercado: jihadismo intelectual laico, ou simplesmente, terrorismo intelectual.

Sempre se soube do suporte que intelectuais emprestaram para causas nobres, humanitárias e em defesa da justiça e das minorias oprimidas. Eis o que o sociólogo e militante português Boaventura de S. Santos acaba de publicar artigo numa revista brasileira, no qual evoca e justifica a extinção de um Estado. É claro que não se trata da China, Estado Islâmico ou Andorra. É evidente, ele se refere a Israel. E em quem mais poderia se concentrar? Como outras características as avessas em nossa era, a tradição da elite intelectual tem migrado da ponderação analítica dos fatos — conforme rogava Bertrand Russell — para a redação de peças ideológicas, auto laudatórias e, em alguns casos, contendo grosseiras distorções da razão.

Pudemos registrar a força e penetração da verve antissemita, especialmente entre a esclerosada esquerda latino americana, que descobriu não ter mais causas decentes para defender. Muitos acadêmicos laureados e literatos premiados nunca fizeram parte deste glorioso passado humanista no qual se advogava em favor da tolerância e liberdade, e não se privava do pensamento às custas dos instintos e preferências ideológicas da estação. Não poucos ideólogos a esquerda e a direita demonstraram apreço por teorias eugênicas e chegaram mesmo a oferecer suporte teórico às racionalizações racistas, disfarçadas de conveniências sociológicas.

A estupidez devota do acadêmico português é icônica e supera quase tudo que se viu em matéria de aventura e deturpação.  Isso acontece quando um intelectual começa a achar que pode predizer vida e morte, vale dizer, quais Estados nacionais merecem sobreviver. Do alto de sua auto referencia partisã, o acadêmico — supõe-se que é assim que doutrina seus alunos — propõe soluções mirabolantes, sem a menor consciência ou capacidade de apreensão da realidade de solo. O passo seguinte será vaticinar quais países devem ser extintos e coordenar as etapas do desmonte da Nação com a qual ele não simpatiza. Ao se unir aos que trabalham para deslegitimar Israel ele, automaticamente, legitima grupos terroristas para que prossigam a luta contra o “inimigo sionista” e resistam ao “colonialismo imperial norte americano”. Faz sentido, e ele não está só em sua guerra santa, versão materialismo histórico. Pois aí, uma vez atingido o ponto, já se pode relativizar a natureza perversa do jihadismo internacional. Aquele que deliberadamente sequestra, crucifica, assassina e lança foguetes contra alvos civis. Desconstruindo o direito de legítima defesa, pois se trata do “mal”, do “problema judeu”, a cumplicidade torna-se mais confortável e já se pode encaixar terroristas sob categorias mais amenas, tais como “combatentes”, “resistência”, e “milicianos”. De quebra, com a anacrônica índole maniqueísta bem disfarçada, sentem-se livres para renomear o alvo usando a pecha mais desqualificadora possível. É dentro dessa cortina da fumaça da linguagem, que se pode afirmar que os judeus são, por exemplo, os criminosos nazistas dos nossos tempos, e, ainda, sair aplaudido pela multidão beócia, em franca síndrome de abstinência de bodes expiatórios.

http://blogs.estadao.com.br/conto-de-noticia/terroristasintelectuais/

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Nero e o impeachment (Estadão)

14 domingo abr 2019

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Nero e o impeachment

Paulo Rosenbaum

20 setembro 2015 | 14:46

NeroXXX

Tudo é ficção conspiratória até a lança cravar a pele. E se houvesse uma legislação preventiva operando na República romana, quando tiveram lugar os desastres da legislação de Cláudio César Augusto Germanico Nerón? Discípulo do filósofo Sêneca, não há provas de que ele tenha promovido o famoso incêndio de Roma no ano 64. Mas, depois dos seis dias queimando, Nero impôs pesados tributos aos súditos para reparar os estragos com a catástrofe. Além disso, passa a perseguir conspiradores imaginários e reais, entre os quais seu ex-preceptor, e age contra minorias. Se houvessem mecanismos legais seria ilegítimo afastar o tirano? Foram necessários dois anos para que o Senado romano o declarasse inimigo público. Nero, tenta o suicídio e malogra, para no ano 68, com ajuda de um escravo matar-se com um punhal.

Analogias não são cópias, servem à reflexão.

Entidades como voto sagrado, urna inviolável e demais sutilezas de uma democracia representativa estão sob ataque. Um dos motivos é não haver salvaguardas eficazes contra o mau exercício do poder. Mas o golpe senior de nossos tempos vem justamente de quem está ladrando incessantemente a palavra. Na fragilidade da interpretação licenciosa tudo que obstar o projeto virá com codinome “golpe”. Há quem ainda acredite que um mecanismo previsto em constituição mereça a calunia. A maioria não. Impedir a insanidade e o mal feito, significa ruptura com a legitimidade, é tudo menos golpe. O plano é ver se cola. Mas sempre houve uma diferença entre plano e ação. O dedo do imponderável. O signo do luminol. A cédula reconhecida. A miséria da fartura. Eles agem, enquanto a sociedade, se prostra, paralisada, abúlica. Esperamos que as instituições cumpram não mais do que sua obrigação. Não percebem que, dada as circunstâncias, isso é muito. Por isso, heroísmos precisam de contexto.

Senhoras e senhores, estamos oficialmente confinados. Uma prisão domiciliar sem blindagem. Estamos esperando que as coisas  funcionem, quando foram projetadas para o enrosco. As regras do jogo estão sendo rasgadas, enquanto fingíamos não testemunhar uma operação que esteve em curso por mais de uma década. Eles não superaram a guerrilha. Não aceitaram a pax democrática. Ainda em pé de guerra contra uma sociedade que, à boca pequena, abominam. Decerto que outros partidos também são predadores naturais das riquezas do País. Mais do que certo que o PT não inventou a corrupção. Seu crime imperdoável foi buscar colonizar todas as instâncias, regularizar instrumentos, introduzir a espoliação por resultados, golpear o peito para anunciar que fizeram por nós, quando as evidencias pecuniárias vão mostrando um outro extrato.

Os motores sempre se justificam pelas causas. Mas o que é, dissecada, uma causa ideológica? Quase nada. Uma porção de argumentos sem consistência, voluntarismos propensos à irracionalidade, inferidos por máximas de filósofos do XIX ou propagandistas do XX. O ódio ao liberalismo econômico (mas não só), a tentação de inibir a liberdade, a estratégia de resgatar tudo pelo dinheiro, tem uma origem muito mais primitiva que as diferenças ideológicas. É sempre melhor impedir que os outros façam aquilo que eu mesmo não consigo proporcionar.  É sempre melhor obstaculizar os caminhos de uma sociedade que quer se repensar, que quer decidir sem políticos, ou apesar deles. É sempre aconselhável concentrar impostos que aceitar reparti-los, a única fórmula justa. Tudo já foi dito, redito, editado e reeditado. É portanto a exaustão que nos tolhe a alegria. Cansados com o paternalismo que nos impõe regressão. Nossas perspectivas não são mais para hoje. O consolo se concentra na justiça, que sempre pode disparar o elemento surpresa. E, cedo ou tarde, a tirania e a ditadura do vale tudo cessará. O gosto doce da superação não é vingança, vêm do comovente e do inesperado. E mesmo se que a era da emancipação tardar, ela não há de falhar.

http://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/nero-e-o-impeachment/

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Reparo e perdão (Yom Kippur) (Estadão)

14 domingo abr 2019

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Reparo e perdão (Yom Kippur)

Paulo Rosenbaum

22 setembro 2015 | 16:27

Perdão como Bordão

Esqueçam simetria. Desfaçam equilíbrios. As balanças hoje podem perder qualquer relevância. Perdão é desrazão. Afinal, qual sentido teria conceder anistia sem reciprocidade? A concessão é irracional. A unilateralidade é enganosa. O bordão chamado perdão é perturbador. É quando nossa insônia precede a gentileza. Quando o humor enfrenta seus decretos. O desafio é lento e violento. Perdão poderia ser um método, uma instância operacionalizada na fraternidade. Antes de desligar, pense no desproporcional esforço para contratar o sentimento oposto. Habitualmente, escolhemos a disputa. Enquanto o ódio é uma meta, a tolerância não recompensa. O perdão nada repara. Há, portanto, um indulto que nos agrega e existem ofícios sem justiça. Por outro lado, precisamos reconhecer o imperdoável. Há uma ofensa contra todos os homens, imitigável. Nesse caso, perdão algum pode revogar o ônus. E o que entendemos de rancor? Para o talmudista devemos aprender com as crianças: “as crianças escolhem ser felizes do que estarem certas”. No repente pouco psicanalítico poderia nos ocorrer esquecer para avançar. Renunciar à pressa dos vereditos. A justiça exige espaço. Nós, pacificação. O perdão não trás quitação, cicatrização, anulação ou redenção. O perdão nos obriga a renunciar às certezas. Trata-se de fenômeno antinatural que confronta as leis da adaptação. Abrir mão dos argumentos é aceitar não julgar. Se a beleza do dia do Perdão nasce desse paradoxo, sua ética perdura pela simplicidade: viva e deixar viver.

Tags: Blog Estadão Rosenbaum, dia do Perdão, Reparo e perdão, talmudista, viver e deixar viver, Yom Kipúr

http://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/reparo-e-perdao-yom-kippur/

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Só as ruas esvaziam palácios (Estadão)

14 domingo abr 2019

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Só as ruas esvaziam palácios

Paulo Rosenbaum

30 outubro 2015 | 10:11

RUAS_PALACIOS

A política, depois de percorrer um abismo sobrenatural, desceu ao inacreditável. É com ele que devemos nos acostumar. É um momento no qual toda análise escapa à objetividade. A leitura do quadro atual, saturada, alcançou um lugar comum:  tudo é insuportavelmente igual e a contaminação indistinta. Todas as visões confluem à superfície. Principiante ou veterano, tanto faz, qualquer um que se debruce sobre a atmosfera do Brasil atual não consegue ir além dos relatos descritivos, ou de narrativas ideológicas maquiadas de investigação jornalística. E não se pode simplesmente condená-los. É preciso compreender que um quadro assim pediria um outro sistema de notação. Trata-se de um método ainda não inventado. Pois o panorama não é o de um caos comum. Experimentamos uma estranha falta de esperança. Aquela que extingue toda perspectiva, mas subsiste em nossos corações e mentes.  Apesar de toda pancadaria, sobra algum fragmento de credulidade. De que outro modo explicar a naturalidade com que aceitamos a situação depois de tudo que testemunhamos? Estaríamos anestesiados com a intensidade do implausível? A franca espoliação do País nos legou a desvitalização. De colapso em colapso assistimos a desorganização. Anomia para a qual ninguém apontou solução. Temos que considerar com seriedade a hipótese de que pode não haver uma. As raras respostas se concentraram na saída da crise. E como sair de uma crise construída, que não pode ser alcançada sem a conivência de toda a sociedade? Só que reduzir o dolo a um passivo exclusivo do “outro”, nos coloca sob custódia de um juízo que ninguém domina. Viramos reféns da intolerancia e do maniqueísmo. E, principalmente, sofremos nas mãos de quem domina a ciência do marketing político. A regra do jogo foi erguida, vitalícia, para que ao marchar em falso, migremos sem sair do lugar. Uma educação foi forjada para obter gerações amorfas. Incapazes de sair sem incendiar algum patrimônio. Adestrados para avançar contra inimigos, sempre ao sabor da indicação de alvos pré selecionados. Ninguém por aqui carrega cartazes: “Nossa fome é de renda” nem “Onde está a infraestrutura?” Há muito o sentimentalismo e a paixão se tornaram o padrão para as adesões políticas. A racionalidade,  a análise e a decência são para os que ainda aceitam o contrato social. Esse vale só para o mundo externo. O poder abusa. Usa o belo discurso para gerar uma lógica auto-referente. O resultado desta didática empírica é cunhar uma única moeda, uma única linguagem, num único objetivo: acumular matéria e provendo todos os meios para obtê-la. Nas margens dos palácios dos três poderes, e, dentro deles, vigora a lógica do time, da corporação, do alinhamento automático. É bem mais do que um simples Cor X San, Fla-Flu ou Gre-Nal. Estamos submetidos a um regime de fidelidade mórbida. Ou seja, não importa o que aconteça com o País, não interessa a performance, tampouco a eficácia. E nem venha falar de ética. Por favor, não exiba os vídeos que certificam os crimes. Prefiro não ver. São montagens. É a sua interpretação dos fatos. Sua câmera tem lentes compradas. Isso mesmo, são pagas para distorcer a realidade. A realidade? Sou o único com a prerrogativa para classifica-la. Não estamos em Cuba ou Caracas. Estamos num lugar bem mais perigoso: no hiato despersonalizador. Onde oposição e situação combinaram um revezamento baseado na irresponsabilidade. A República é hoje um desmanche suburbano. Onde o poder emana do povo e será exercido à sua revelia. O Estado se virou contra a cidadania. O bom selvagem convocado desde o Instituto desceu das arvores para se vingar das elites, enquanto a burguesia arrependida ensaia seu último carnaval de rua. Quem apoia a violência como método, corta a própria carne para defender o opressor. E faz parte do malabarismo ocultar os nomes impressos nos passaportes. Mágicos  suprapartidários e transnacionais. A adesão acrítica pode ser analisada pelo prisma da ausência de horizonte. Afinal, a inércia também é uma escolha, senão a principal. Nesta letargia endossamos a paralisia. Só as ruas esvaziam palácios, porque, as vezes, a única forma de se libertar da insanidade é a convulsão.

http://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/so-as-ruas-esvaziam-palacios/

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A pele que nos divide: diáforas continentais

14 domingo abr 2019

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“Ser poeta significa presidir como juiz a si mesmo”

             Henrik Ibsen

A pele que nos divide: diáforas continentais do poeta e romancista Paulo Rosenbaum é editado pela Quixote+Do Editoras Associadas

A Quixote+Do Editoras Associadas, editora mineira em atividade desde Março de 2017, lança “A pele que nos divide: diáforas continentais”, novo livro do poeta e romancista Paulo Rosenbaum.  O livro reúne poemas que para Lyslei Nascimento, professora de Literatura Comparada e Teoria da Literatura na Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais, ecoam a célebre lição de Carlos Drummond de Andrade: “penetre surdamente no reino das palavras, elide sujeito e objeto, chegue mais perto e contemple as palavras: ei-las impregnadas de múltiplos sentidos, em estado de dicionário”.

Para Nascimento, esse estado de dicionário da poesia de Paulo Rosenbaum traduz-se em “impensáveis palavras”, “levas de assombros”, “papéis pisados”, numa lírica tensão entre o que é exato e múltiplo simultaneamente. Para Wander Melo Miranda, que apresenta o livro, “este livro se afasta da orientação dominante na poesia brasileira contemporânea, apegada em geral ao que se poderia chamar de “trivial e corriqueiro” e “por isso o livro é uma espécie de Muro das Lamentações – “descontínua diáspora/livro de bilhetes” (“Ode ao Muro”) – que se ergue como testamento e presságio, conforto e desolação, linguagem e silêncio: palavra tornada coisa em si mesma”.

O conjunto de poemas aqui reunidos surge no momento apropriado, depois de Rosenbaum se firmar como romancista. “Diáforas continentais convida o leitor a experimentar o poder redentor das palavras, capazes de se perguntar sobre a realidade e, ao mesmo tempo, de promover um salto para o maravilhoso e o onírico – ou mesmo para o trágico” escreveu Fernando Paixão no prefácio. E para Nelson Archer, que assina o posfácio do livro, os poemas reunidos em “A Pele que nos divide” configuram-se como metapoesia crítica é , moderna e arcaica ao mesmo tempo, pois diz de sua própria condição judaica. O que Rosenbaum nos oferece neste livro é o proverbial sétimo dia da criação, aquele dia no qual nos dedicamos ao repouso dos músculos, mas não da mente: o shabbat perpétuo da poesia”.

Em mais um momento crítico da história, no qual surtos xenofóbicos e espasmos de truculência disfarçados de solução aparecem ao redor do mundo, um livro de poesias parece deslocado e rigorosamente desnecessário. Pois esta costuma ser a marca da resistência. Todo poema é um instantâneo que não se deixa abater pelo útil nem submeter-se ao necessário. Contra o vendaval de coisas passageiras, a poesia permanece. Afinal, ela é o registro de toda nossa invisibilidade.

Paulo Rosenbaum é poeta e romancista e escreve para o Estadão (blog Conto de Notícia). Médico, pós-doutor em Ciências, é autor de A verdade lançada ao solo (Record, 2010) e Céu Subterrâneo (Perspectiva,2016).

Ficha técnica

A pele que nos divide: diáforas continentais

Autor: Paulo Rosenbaum

Editora: Quixote+Do Editoras Associadas

Capa – concepção e design: Marcelo Girard

Miolo – concepção e diagramação: Caroline Gischewski

www.quixote-do.com.br

Assessoria de comunicação

Quixote+Do – Luciana Tanure

Celular/WhatsApp: (31) 98230-77-36

editora@quixote-do.com.brfullsizeoutput_493b

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A incrível história de uma obsolescência induzida (Estadão)

14 domingo abr 2019

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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A democracia’ o governo do povo, para o povo, pelo povo. Esse é o padrão, o slogan que todos nós fomos treinados a aceitar quando a palavra mágica DEMOCRACIA surge na testeira do jornal, tela do I pad ou no screen dos celulares, certo?

Poís algo muito plástico pode estar acontecendo com o conceito neste exato minuto. E não é apenas um mimetismo provisório, de ocasião, é mesmo um caso de mutação. A democracia pode não mais ser definida pelo sentido original que costumavamos atribuir à palavra. A ruptura é ampla e decreta, além de antecipar a instabilidade sobre o futuro próximo. O significante deslocou-se do significado dando origem às metamorfoses que passaram a servir muitos interesses, menos a quem mais interessa, a saber, a multidão, os beneficiados anônimos. Massas habitualmente magnetizadas pelo populismo ou desatentas a ponto de aceitar que se casse silenciosamente o único artício de voz que lhes resta.

Refiro-me às democracias que, a despeito de votações, referendos e sufragios, não tem seus desejos atendidos. Observem apenas — sem julgar o mérito da questão — a escolha dos ingleses pelo Brexit (e as subsequentes sabotagens do Casa dos Lords) , as eleições recentes no EUA e Brasil (e a histeria aprioristica generalizada) , a insatisfação crescente com Macron e Merkel (e as inssurreições semi anárquicas especialmente em Paris), e enfim o vergonhoso silencioso silêncio sobre as ditaduras de Maduro e Ortega.

E por que?

Os alodemocratas, estas lideranças inovadores e criativas deram um jeito de não atender as demandas populares em seus países sob as mais diferentes alegações. Por exemplo, o sociólogo português Boaventura Sousa Santos, conhecido ideólogo de inspiração marxista, recentemente revelou sua grandiloquente síntese: “vivemos em sociedades politicamente democráticas, mas politicamente fascistas”. Exatamente: o sistema é perfeito, quem não presta são os povos.

A justificativa cultuada por quem se alinha com este sistema de notação é notável: sem modéstia recorre-se ao mais puro maniqueísmo instrumental ideologicamente construído para afirmar que tudo que não for progressista é inferior ou simplesmente “mau”. Não é uma peça original: em função do estado de desinformação dos enormes contingentes de seres incultos contumazes, desconhecedores crônicos, eleitores inabeis e politicamente manipulados “mais desta vez vocês escolheram errado” grita o establishment para enfim profetizar — “Não se preocupem, nós retificaremos vossas decisões”.

Enganados, iludidos e sem conhecimento de causa elegeram um péssimo caminho, quando o que conviria seria mesmo aquele que o bom e velho establishment decretou como o bem personificado, mas como o único viável. O único que serviria para prosseguir com o projeto original, ainda que ninguém saiba bem o que seria isso. A ludopatia do socialismo utópico do “quase acerto”? O capitalismo de Estado que se orgulha de poder funcionar sem sujeitos livres. Portanto, o ingrediente chave para negar o que a maioria realmente deseja e expressa através dos votos parece estar se tornando um padrão. Ele se utiliza de uma espécie de justificacionismo que encontrou quase perfeita universalização no aforismo do Pelé.

Lá atrás o Rei do Futebol afirmara que o “povo não estava preparado para votar”, antecipando que nunca esteve, nem estará. Mas já que precisamos manter a gestalt há quem o justifique pois afinal foram gestões consecutivas do partido dos trabalhadores que nos trouxeram até o abismo atual, abismo que a deseleição corrigiu apenas parcialmente, uma vez que as forças, vale dizer, as torcidas organizadas derrotadas, a inabilidade e o neutralismo instrumental ainda formam um conjunto impagável, porém épico que se expressam através do coro nonsense:

“tomara que dê errado”.

Apesar do montante de irracionalidades, a democracia seguiria oscilante rumo a sua teleologia maior, conseguir acomodar os conflitos, assegurar segurança com liberdade e prover o bem estar da maior parte dos cidadãos de uma nação. Entretanto, a aristocracia residual em união fisiológica absoluta com parte da elite intelectual deliberou que o rumo deve, prudentemente, ignorar a opinião pública. Ou induzia-la a acreditar por persuasão sistemática. A outra fórmula teria sido arquitetada pelo conjunto de intelectuais e mentes brilhantes, apoiada por consensos censitários invioláveis e sustentada pelo longo histórico da tradição de instituições corporativas.

Foi assim que a fragmentação do poder foi sendo instaurada na República através dos perigosos e inflamatórios jogos de justiça. Atenção, pois não se trata mais da independencia de poderes. É outra coisa que está em cima do tabuleiro, os dados lançados numa mesa sem o conhecimento público. O jogo de bastidores, onde os escritórios do Poder centralizado emanam suas estratégias. E onde os segredos do “todos contra todos” são cultuados e desenvolvidos. É assim que, da direita à esquerda vem crescendo a indústria de intolerantes, terroristas avulsos com alcatéias digitais, além de novos e velhos bodes expiatórios, tendo como arquétipo obcessivo os judeus.

O ponto nodal para adrestrar as massas incautas é definir o quantun de consciência necessária para traçar o próprio destino um “povo” (um eufemismo para distinguir as massas dos bem pensantes) precisa ter para ter suas decisões chanceladas e, quem sabe, ter o direito de traçar o próprio destino.

A alternativa é ter a emancipação e a liberdade canceladas e, para isso, inventar um neologismo qualquer.

Que tal Alodemocracia esclarecida?

https://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/a-incrivel-historia-de-uma-obsolescencia-induzida/

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