• Uma entrevista sobre Verdades e Solos
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” no Jornal da USP
  • A verdade lançada ao solo, de Paulo Rosenbaum. Rio de Janeiro: Editora Record, 2010. Por Regina Igel / University of Maryland, College Park
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” por Reuven Faingold (Estadão)
  • Escritor de deserto – Céu Subterrâneo (Estadão)
  • A inconcebível Jerusalém (Estadão)
  • O midrash brasileiro “Céu subterrâneo”[1], o sefer de “A Verdade ao Solo” e o reino das diáforas de “A Pele que nos Divide”.(Blog Estadão)

Paulo Rosenbaum

~ Escritor e Médico Writer and physician

Paulo Rosenbaum

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Empirismo vs. Racionalismo na Medicina Importante Texto De Harris L. Coulter

27 domingo dez 2020

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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The Journal of Orthomolecular Medicine Vol. 9, No.3, 1994 ArtigoEmpirismo vs. Racionalismo na Medicina Harris L. Coulter, Ph.D. Baixe o artigo em texto completo em (PDF)Voltar para os arquivos de 1994Voltar à página inicial do arquivoInscreva-se no JOMApresentado na 23ª Conferência Anual de Medicina Nutricional Hoje, 30 de abril de 1994, Vancouver, Canadá.

Este artigo discute algo que parece um pouco abstrato ou teórico, mas acho que o melhor fato é uma boa teoria. Se você está familiarizado com a base teórica do que está fazendo, isso é melhor do que muitos fatos, alguns dos quais podem nem mesmo ser fatos.Tenho que trabalhar na área teórica porque não sou médico. Não trato de pacientes, então falo ou escrevo sobre o que os outros estão fazendo.Eu me interessei pela teoria da medicina há cerca de 30 anos, quando tive o primeiro contato com a homeopatia – por causa de uma doença em minha família, uma doença grave. Os resultados pareceram extremamente bons, mas quando tentei apresentar essa informação aos meus amigos médicos alopatas, eles zombaram de mim e riram de mim. Eu estava curioso para saber por que eles rejeitavam tanto a homeopatia, e foi isso que me fez começar um projeto de pesquisa para toda a vida.Escrevi sobre o conflito homeopático-alopático, o significado de “método científico” na medicina, sobre a AIDS e sua relação com a sífilis, sobre o ensaio clínico controlado, sobre as vacinações infantis e sobre a história médica em geral. Minha pesquisa acabou resultando na produção de Divided Legacy, uma história de quatro volumes de idéias médicas. Os três primeiros volumes foram publicados na década de 1970, e o quarto volume, que trata da história da medicina moderna, está no prelo agora e será lançado no final do verão ou no início do outono.O que quero discutir hoje é a relevância dessa pesquisa histórica ou teórica para a medicina nutricional. Acho que minhas idéias sobre o curso da história médica e a natureza da teoria terapêutica terão algum valor para aqueles que trabalham com medicina nutricional.Fundamentalmente, o que descobri – ou redescobri – é a existência de um conflito na terapêutica entre o que se chama1. Centro de Medicina Empírica. 4221 – 45th Street. NO. Washington. DC 20016.as filosofias empírica e racionalista.Uso a palavra “redescoberto” porque, de fato, os médicos estavam cientes desse conflito até o ano de 1800 ou por aí, e as histórias médicas escritas antes dessa época discutem esse conflito que remonta aos tempos romano e grego.Mas depois de meados do século XIX, quando a medicina foi dominada pela tecnologia, esse conflito primordial foi esquecido.No entanto, a oposição entre essas duas formas de pensar a medicina continuou, embora subterrânea.As filosofias empírica e racionalista são duas estruturas de pensamento lógicas e consistentes que são, em todos os aspectos, inteiramente antagônicas uma à outra. Os grandes pensadores médicos pertenceram a uma ou outra dessas duas tradições. Os pensadores menores, que são por definição menos rigorosos em sua teorização, geralmente representaram combinações ecléticas das duas tradições principais.O maior pensador empírico foi Samuel Hahnemann, o fundador da homeopatia. Ele estabeleceu um sistema que, como sabemos, continua até hoje. No entanto, desde Hahnemann, houve outros que talvez sejam mais conhecidos por você, como, por exemplo, Louis Pasteur, Emil von Behring ou Elie Metchni-koff, os fundadores da bacteriologia. Esses pensadores também devem ser classificados na tradição empírica.As abordagens empírica e racionalista da terapêutica podem ser exemplificadas em várias modalidades terapêuticas. Os pensadores que acabo de mencionar são bem conhecidos por suas contribuições à medicina farmacológica e à imunologia. Mas é perfeitamente possível praticar medicina nutricional ou osteopatia ou quiropraxia de uma forma empírica ou racionalista. Esses são padrões básicos de pensamento da mente humana, aplicáveis ​​a todas as atividades humanas, não apenas à medicina farmacológica.Alguns dos principais pensadores Racionalistas dos tempos modernos foram: o fisiologista francês Claude Bernard, que morreu em 1878; Robert Koch, fundador da bacteriologia, e Paul Ehrlich, fundador da farmacologia moderna. A medicina que hoje chamamos de “científica” e que os homeopatas chamam de “alopática” representa o racionalismo em uma forma relativamente pura, enquanto disciplinas médicas “alternativas” como homeopatia, osteopatia clássica, quiropraxia, acupuntura em sua forma clássica e, sem dúvida, medicina ortomolecular, representam uma forma empírica de fazer a terapêutica.Qual é a diferença entre as duas doutrinas?Existem dois fatores particulares que os distinguem um do outro. O empirismo é vitalista, enquanto o Racionalismo é mecanicista em sua abordagem do organismo vivo. E a doutrina empírica tende sempre à individualização do tratamento, enquanto a doutrina racionalista invariavelmente vê o paciente individual como um membro de um grupo de doenças, classe ou entidade e se afasta da individualização.A relação primordial na medicina é o médico sentado em um lado da mesa e o paciente do outro lado da mesa, ou o médico em pé ao lado da cama e o paciente deitado na cama, ou seja o que for. O paciente diz muitas coisas ao médico , e o médico pode ver mais com seus próprios olhos. Além disso, vários testes podem ser feitos para desenvolver dados de e sobre o paciente. A questão é: o que o médico faz com esses dados quando eles estão disponíveis?Os médicos empíricos viam esses dados como possuidores de valor máximo em si e para eles. Eles não tentaram penetrar abaixo da superfície, não tentaram especular sobre o que estava acontecendo dentro do corpo do paciente, mas usaram os sintomas como dados sobre os quais basear o diagnóstico e o tratamento. Em outras palavras, eles desconfiavam da anatomia e da fisiologia como fontes de conhecimento médico – porque a anatomia e a fisiologia são gerais e, como tais, vão contra o princípio empírico da individualização. Considerando que certos processos fisiológicos e patológicos ocorrem em humanos como uma classe, o paciente que se apresenta individualmente pode ou não representar essa classe particular de pacientes. Cada pessoa é diferente da média. A média é uma abstração. Cada paciente é diferente e único – esta sempre foi a forte con-vicção dos médicos empíricos.Assim, a única informação verdadeiramente confiável é aquela desenvolvida sobre esse paciente individual. O médico não tem permissão para dizer: você representa a “doença X” e nós o trataremos da maneira como sempre tratamos a “doença X”.Este é simplesmente um ponto de partida filosófico básico na doutrina terapêutica empírica.Uma segunda convicção filosófica era (e é) a seguinte: o corpo vivo, doente ou saudável, está sempre reagindo a todas as pressões do meio ambiente que o afetam.Portanto, a escola empírica sempre foi vitalista.Além disso, o modo de reação não é predeterminado. O organismo reagirá de maneira proposital para superar o estresse que o afeta de fora, e essa capacidade reativa não é determinada pela estrutura física do corpo, conforme expresso em sua anatomia e fisiologia. O corpo cria novos modos de reação em função do desafio que vem de fora. Na verdade, o corpo pode, por assim dizer, criar do nada (ex nihilo) uma maneira de lidar com esse estresse externo.Essa mesma disputa existe na imunologia hoje. Os anticorpos são produzidos em função do estresse antigênico que vem do meio ambiente. A medicina moderna não consegue explicar como o organismo pode sintetizar anticorpos contra milhões de estímulos antigênicos no meio ambiente. Têm sido feitas tentativas para explicar essa capacidade em termos evolutivos, mas o organismo parece produzir anticorpos contra antígenos que acabaram de ser sintetizados, ou seja, que nunca existiram na história. Portanto, a explicação evolucionária é inadequada.A abordagem empírica seria que o corpo é capaz de responder criativamente a qualquer estresse antigênico vindo de fora.A evidência dessa reação é vista nos sintomas do paciente. Portanto, devem ser considerados fenômenos benéficos, sinais de reação, sinais de um esforço do corpo para se curar. Os sintomas não devem ser suprimidos, mas apoiados, fortalecidos ou promovidos, porque representam uma resposta curativa. A medicina hipocrática tinha uma teoria – “cocção”, que significa “cozinhar” – para explicar esses fenômenos. O corpo enfrenta o estresse de uma doença ou influência morbífica “cozinhando-o” para torná-lo, por assim dizer, palatável, assim como os grãos devem primeiro ser cozidos e tornados macios e comestíveis antes de serem consumidos. O processo de “cocção” terminou em uma “crise” após a qual o paciente se recuperou ou morreu.Essa era sua teoria geral do significado da doença.Os empíricos grego e romano tratavam os pacientes com medicamentos que promoviam o processo de cocção – ou seja, com uma espécie de medicamento “semelhante”. Para a tosse, davam remédios que intensificavam a tosse. Para a náusea, deram eméticos. A diarreia foi tratada com laxantes, etc. etc.Se nos voltarmos agora para a Escola Racionalista, veremos que esses médicos consideravam os sintomas do paciente não como sinais de reação ou como dados definitivos de diagnóstico, mas sim como dados que deveriam ser analisados ​​posteriormente. O médico não deveria se limitar meramente à observação dos sintomas, mas deveria aplicar a lógica para determinar seu “significado”, para saber o que estava acontecendo dentro do corpo para produzir esses sintomas. Especificamente, eles queriam determinar e definir a “causa” da doença dentro do corpo que produzia esses sintomas.Portanto, os médicos racionalistas rejeitaram a ideia de que o corpo é uma entidade reativa. Negando o vitalismo, eles adotaram uma visão determinista e reducionista do corpo, vendo sua estrutura material como determinante de seus possíveis modos de comportamento na doença e na saúde. Em particular, eles rejeitaram a possibilidade de que o corpo possa reagir criativamente ao estresse. Eles viam o corpo do paciente como um objeto passivo, o recipiente de insultos do ambiente externo. De uma forma que nunca foi realmente explicada, o estresse externo foi visto como dando origem a uma entidade dentro do corpo do paciente, que eles chamaram de “causa” da doença. Os sintomas do paciente foram interpretados como emanações dessa “causa” da doença. Em vez de ver os sintomas como sinais de reação, os médicos racionalistas adotaram a visão oposta. Para eles, os sintomas eram sinais de uma causa morbífica prejudicial dentro do corpo. Conseqüentemente, eles acharam perfeitamente natural que o médico eliminasse ou suprimisse esses sintomas. Eles se opuseram ao remédio empírico “semelhante” e, em vez disso, usaram o conceito do remédio “contrário”, que anulou os sintomas e, portanto, supostamente curouo paciente.Um ponto muito importante de diferença entre as duas escolas era quanto à classificação de sintomas e doenças. Aqui, novamente, nos deparamos com a ênfase empírica na individualização do tratamento versus a ênfase racionalista no tratamento do paciente como membro de uma classe de doença.Cada doente apresenta uma variedade de sintomas diferentes. Alguns deles se assemelham aos sintomas de outros pacientes (com a mesma condição ou semelhante). Esses eram tradicionalmente chamados de sintomas “comuns”. Outros sintomas do paciente individual serão diferentes daqueles de todos os outros pacientes com a mesma condição ou condição semelhante, e eram tradicionalmente chamados de sintomas “peculiares”.O Racionalismo e o Empirismo adotaram abordagens bastante diferentes para o significado e importância dos sintomas “comuns” ou “peculiares”. O Empirics destacou os sintomas “peculiares” do paciente como os mais significativos. Disseram: o processo fundamental de cocção (manifestado pelos sintomas “comuns”) é o mesmo em todos os pacientes; portanto, as diferenças na forma como a cocção é realizada, como diferentes pacientes passam pelo processo de “cozinhar” a causa da doença, manifestada pelos sintomas “peculiares”, são significativas para o tratamento.Eu encontrei uma citação, em um escrito empírico por volta do século II DC (que foi esquecido por todos os outros pesquisadores), que ilustra essa ideia. O médico escreveu: “O que se vê em todos os casos é menos significativo do que o que se vê em alguns casos. E o que se vê em alguns casos é menos significativo do que o que se vê em um único caso”.Isso, é claro, é o oposto de como os racionalistas viam os sintomas, ou como os sintomas são vistos pela “medicina científica” hoje.Essa abordagem para a análise de sintomas torna muito difícil classificar as doenças em categorias. Se os sintomas “peculiares” de um determinado paciente diferem dos de todos os outros pacientes, o conceito de “classe” da doença perde totalmente o significado.Na verdade, a Escola Empírica sempre sustentou que o número de “doenças” no mundo é infinito. A escola homeopática afirma o mesmo, assim como a acupuntura clássica.O que a Escola Empírica descobriu foi o significado do que hoje chamamos de “medicina holística”. É pelas peculiaridades ou idiossincrasias do paciente individual que seu “holismo” se manifesta. Todo mundo tem dois olhos, nariz, boca, queixo, etc., mas o pintor de retratos sempre enfatizará as maneiras pelas quais as características da pessoa que está sendo pintada – seus olhos, seu nariz, sua boca – diferem das de todos mais no mundo. São essas características peculiares do indivíduo que constituem a “semelhança”, ou seja, sua “totalidade”.Esta é uma compreensão antiga, mas ao mesmo tempo muito precisa e apropriada do conceito “holístico”. Nenhuma definição melhor de “holismo” foi dada.Em contraste com os médicos empíricos, o Racionalista se interessava pelos sintomas “comuns” – por exemplo, de um paciente com pneumonia – e eram esses que eles queriam tratar. Esses eram os sintomas, segundo eles, que apontavam para a “causa” da pneumonia no corpo do paciente. Essa “causa” era a mesma para todos os pacientes. Os racionalistas foram inexoravelmente atraídos a ver o paciente como representante de uma “classe” de doença.Conseqüentemente, eles viam o número de possíveis “doenças” no mundo como relativamente restrito. As doenças não poderiam ser mais numerosas do que o número de “causas”.Uma terceira escola de medicina no mundo antigo, o Metodismo, representou um desenvolvimento extremo desse aspecto do Racionalismo. Os metodistas reconheceram apenas duas ou três classes de doenças possíveis no mundo. Em uma classe, a circulação do sangue pelos poros do corpo (diríamos hoje, “capilares”) foi restringida; na segunda classe, os poros estavam muito frouxos e o sangue fluía muito rapidamente. E havia uma classe mista em que os poros do paciente às vezes eram muito contraídos e às vezes muito frouxos.O Metodismo foi a redução lógica da posição Racionalista. Se houvesse apenas três tipos de doenças, o médico só precisaria de três tipos de remédios. Isso simplificou muito a medicina e tornou a prática muito fácil. Na verdade, um médico metodista declarou que poderia tratar toda a população de Roma sozinho. Ele morreu rico, mas seus pacientes morreram pobres e em breve.O conflito entre empirismo e racionalismo domina todas as discussões de questões médicas. Em qualquer grande controvérsia, um lado sempre refletirá a posição empírica e ado outro lado, a posição Racionalista. Isso é encontrado em larga escala, como no conflito do século XIX entre homeopatia e alopatia, e mais especificamente – dentro da alopatia e dentro da homeopatia, também dentro da quiropraxia e dentro da osteopatia.A história da medicina é mais bem compreendida ou interpretada como um movimento cíclico ou oscilação para frente e para trás entre os dois pólos de pensamento.No início do século XIX, a medicina americana era extremamente racionalista, seguindo os sistemas dos escoceses William Cullen e John Brown e seu discípulo americano (e signatário da Declaração de Independência), Benjamin Rush, que era professor de medicina na Universidade da Pensilvânia por quarenta anos e treinou sozinho algumas gerações de médicos americanos.Isso levou a uma reação na década de 1820 com o surgimento e ascensão da medicina botânica e, na década de 1830, com a disseminação da homeopatia. O último fenômeno era particularmente enfadonho para os alopatas porque os homeopatas (em contraste com os prescritores botânicos) eram quase todos escolhidos entre os próprios médicos alopatas licenciados. A medicina racionalista não conseguiu conter essa oposição dentro de si mesma e, conseqüentemente, dividiu-se em duas: o Instituto Americano de Homeopatia foi fundado em 1844 e, em resposta, a Associação Médica Americana foi organizada em 1846. Seu único objetivo era traçar uma linha entre o terapêutico disciplinas de homeopatia e alopatia, e a proibição da homeopatia foi declarada explicitamente no “Código de Ética” da AMA.Essa divisão permaneceu em vigor até 1903, quando a AMA e as sociedades médicas alopáticas estaduais e locais decidiram alterar o Código de Ética e permitir que os homeopatas ingressassem nas sociedades alopáticas.A razão por trás dessa mudança foi a fraqueza percebida da homeopatia. Durante o período de 1846 a 1903, cresceu continuamente e, no final das contas, abrangeu quinze por cento de todos os médicos americanos. Portanto, era também muito poderoso politicamente, e quando a profissão alopática na década de 1890 tentou persuadir as legislaturas estaduais a aprovar leis de licenciamento médico, estas se recusaram a fazê-lo até que tais projetos fossem também apoiados pelos homeopatas.Empirismo vs Racionalismo na MedicinaMas o dualismo empírico-racionalista também estava em ação dentro da homeopatia. Os primeiros eram aqueles que aderiam à formulação original e estritamente empírica de Hahnemann das regras da prática homeopática. Este último, constituindo a maioria dos homeopatas, rejeitou a formulação original de Hahnemann e preferiu uma doutrina modelada ao longo das linhas Racionalistas do modo terapêutico alopático prevalecente.Esses últimos médicos estavam ansiosos para aceitar o convite da AMA para ingressar nas sociedades médicas alopáticas, onde foram efetivamente sufocados e impedidos de falar sobre homeopatia. Isso levou em pouco tempo ao colapso da homeopatia como um movimento organizado na medicina.Depois de 1903, a alopatia floresceu como nunca antes, reforçada nas décadas de 1940 e 1950 pela revolução dos antibióticos que tanto prometia e de fato trazia alguns benefícios. Mas, como acontecera no início do século 19, o domínio alopático acabou gerando sua própria oposição interna na forma do “movimento de saúde alternativa” dos anos 1960 e posteriores. Desde esses anos de viragem, a homeopatia, a quiropraxia, a acupuntura e várias modalidades nutricionais têm registrado um crescimento surpreendente e aceitação pública.Assim, a dicotomia empírico-racionalista está mais uma vez sendo praticada em ampla escala nacional nos Estados Unidos e em muitos países europeus.Mas, nos últimos cem anos, o Racionalismo também gerou uma série de desvios empíricos dentro de suas próprias fileiras, especificamente em imunologia e farmacologia.A imunologia empírica dentro do Racionalismo pode ser dividida em (1) vacinação preventiva, (2) vacinação terapêutica e (3) tratamento de alergia com técnicas imunológicas. Farmacologia empírica dentro do Racionalismo significa usar como medicamentos substâncias cuja eficácia depende de estimular as capacidades reativas intrínsecas do corpo.Vejamos primeiro a imunologia.O uso da vacinação preventiva começou com a descoberta de Pasteur em 1880 de que uma cultura “atenuada” de um micróbio virulento pode ser usada para “vacinar” indivíduos suscetíveis e, assim, evitar que sejam infectados.No quarto volume de Divided Legacy , dei evidências a favor da ideia de quePasteur teve a idéia de “atenuar” culturas virulentas observando os cerca de 500 homeopatas franceses existentes “atenuando” seus remédios por meio do processo de diluição em série.As principais doenças controladas pela vacinação preventiva na virada do século foram o antraz, a difteria e o tétano.A vacinação terapêutica, a prática de dar a vacina a uma pessoa já doente com a doença, começou com o uso da vacinação anti-rábica por Pasteur em pessoas mordidas por cães raivosos e com o uso da tuberculina por Robert Koch em 1890 como tratamento para a tuberculose. Mas o Tuberculinum foi um remédio homeopático por pelo menos dez anos antes de 1890, e Koch parece claramente ter retirado essa ideia da homeopatia.Mas ele não avaliou a importância de reduzir as doses e ajustá-las ao paciente individual (isto é, individualização). Ele deu tuberculina em tintura a seus pacientes e repetiu a dose todos os dias durante semanas, causando reações excessivamente violentas e muitos milhares de mortes.O escândalo foi tão grande que a reputação do grande Koch quase foi arruinada, e por dez anos ele teve que ficar fora da Alemanha, envolvido em viagens de pesquisa à África do Sul e ao Oriente. A tuberculina voltou a ser usada alopática no início dos anos 1900, quando se percebeu que as doses de Koch eram grandes demais. Quando a dose foi reduzida ao nível do “infinitesimal” homeopático, a tuberculina revelou-se notavelmente eficaz na tuberculose e em outras doenças, e permaneceu como parte da prática alopática até meados do século XX. Na verdade, ainda está em uso hoje.Outra doença tratada com vacinas curativas foi a difteria. A “soroterapia” de Von Behring para essa doença foi um grande avanço na saúde pública.Na Inglaterra, Almroth Wright, durante as décadas de 1900 a 1940, desenvolveu vacinas terapêuticas com alto grau de eficácia em doenças como artrite, pneumonia, infecções estreptocócicas e estafilocócicas, furúnculos, febre tifóide, tifo, tuberculose, tosse convulsa, erisipela e outras 50 ou mais condições diferentes.Em muitos casos, esses pioneiros da imunologia estavam cientes da conexão com a homeopatia. Von Behring reconhecia essa relação e não relutava em elogiar Hahnemann e a escola homeopática, embora isso às vezes tornasse sua vida de professor difícil. Almroth Wright, que tem um bom amigo de Sir John Weir, o principal homeopata da Inglaterra da primeira metade do século 20, também foi às vezes constrangido a reconhecer a relação entre a homeopatia e seus próprios procedimentos. Por outro lado, Koch nunca admitiu tal relação com respeito à tuberculina; é minha opinião que sua relutância em reduzir as doses de tuberculina à faixa em que era possível usar se devia ao seu medo de ser rotulado de simpatizante homeopático.Muitas outras vacinas preventivas foram desenvolvidas na primeira metade do século 20: BCG para tuberculose, vacinas para febre amarela, cólera, peste e, por último, mas não menos importante, contra as doenças da infância: poliomielite, tosse convulsa, sarampo, caxumba, Sarampo alemão (rubéola) e outros.No uso do medicamento “semelhante”, esses procedimentos são semelhantes à homeopatia. Mas, em um aspecto importante, eles não seguiram o procedimento homeopático: nenhum esforço é feito para individualizar. Isso é especialmente verdadeiro para as vacinas contra a doença da infância (coqueluche, sarampo, caxumba), que são prescritas em todas as áreas, sem nenhum esforço para verificar de antemão se a criança vai reagir violentamente ou não. O resultado tem sido uma grande praga de reações adversas a essas vacinas – sobre a qual tenho escrito extensivamente.Almroth Wright, que desenvolveu a vacinação terapêutica com alto nível de eficácia, fez um grande esforço para individualizar. Mas seus seguidores não estavam dispostos a investir o mesmo tempo e esforço, e seus resultados foram menos bons do que os dele.A partir disso, meus colegas da fraternidade de história médica concluíram erroneamente que o próprio Wright não obteve bons resultados e que a vacinação terapêutica era um mito.Isso apenas mostra que a ideia empírica de individualização é um ponto doutrinário que é muito difícil para os pensadores alopáticos (Racionalistas) aceitarem.A área de alergia e seu tratamento foi outro desvio empírico dentro da alopatia. Ele surgiu pouco antes da Primeira Guerra Mundial, mas a primeira descoberta de alergia à erva daninha foi feita por um médico homeopata britânico.cian, Charles Blackley, na década de 1870 e publicado no British Journal of Homeopathy. O campo da alergia / alergologia, baseado na ideia da reatividade vital do organismo e sua hipersensibilidade a diversos estresses ambientais, foi durante décadas pouco considerado dentro da alopatia, que sempre prefere ver o paciente como passivo e não reativo. Mas quando a existência de estados alérgicos foi finalmente reconhecida, a profissão alopática adotou duas abordagens opostas ao tratamento. A abordagem Racionalizante (conhecida como “imunologia clínica”) exige a supressão da reatividade do organismo usando o medicamento contrário : adrenalina, corticosteróides e outras drogas supressoras. A abordagem empírica, denominada “ecologia clínica”, preconiza o tratamento com o medicamento semelhante (a técnica de neutralização da provocação), ou seja, uma dose da mesma substância em forma altamente diluída para provocar uma reação e, assim, diminuir a sensibilidade do paciente.Os imunologistas clínicos criticam o uso da técnica de neutralização da provocação por ser muito trabalhosa e demorada, isto é, por exigir um alto grau de individualização.A alopatia moderna também contém uma forte tendência da farmacologia empírica – medicamentos que funcionam como similares e são usados ​​para estimular a reatividade do organismo do paciente. Esses remédios, como mostrei em muitos escritos, muitas vezes eram tirados da escola homeopática, embora esses empréstimos geralmente não fossem reconhecidos.Na primeira metade do século 20, os textos alopáticos mencionam: acônito, arnica, actaea racemosa, agaricus muscarius, arseni-cum, aurum metallicum, berberis, hydrastis canadensis, veratrum album e dezenas de outros que foram usados ​​segundo crus homeopáticos indicações.Na segunda metade do século, a farmacologia ficou cada vez mais sob a influência da indústria de manufatura farmacêutica alopática, mas tais medicamentos permaneceram em uso alopático comum mesmo assim – freqüentemente com a observação de que o “mecanismo de ação” permanece desconhecido. Estes incluiriam: beladona, café e cafeína para dores de cabeça, cravagem para dor de cabeça (o medicamento OTC Cafergot), café para hiperatividade em juvenis, lobélia e estramônio para asma (o medicamento OTC Asthmador), nitroglicerina para angina de peito, ópio e seus derivados para dores de cabeça, veneno botulínico para estrabismo e outros distúrbios visuais, platina (cisplatina, platinol) para câncer testicular, toxina da cobra em doenças cardíacas e oculares, veneno de krait na miastenia gravis, veneno de cascavel na epilepsia, veneno de abelha melífera na artrite, sais de ouro no reumatismo, quinidina nas doenças cardíacas, etc. etc.Freqüentemente, esses medicamentos são criticados como perigosos devido à proximidade das doses terapêuticas e tóxicas. Isso é bastante natural no caso de medicamentos que operam pelo princípio da similaridade. Mas como isso significa que a dose tem que ser ajustada ao paciente, ou seja, individualizada, os alopatas muitas vezes preferem descartar esse procedimento, por exigir um grande aporte de tempo e esforço.Este breve levantamento da história médica dá origem a um quebra-cabeça final: como definimos “medicina científica”? Qual das duas doutrinas é ciência médica e qual é sectarismo?No conflito entre empirismo e racionalismo, entre homeopatia e alopatia, entre ecologia clínica e imunologia clínica, vemos um choque entre a visão empírica / homeopática de que o médico lida com os indivíduos e a visão racionalista / alopática de que o médico lida com classes de doenças ou direitos de doença. Para o primeiro grupo, “ciência” significa dar ao paciente exatamente o que ele precisa. Para a segunda, “ciência” significa prescrever o medicamento que foi desenvolvido para aquela classe ou categoria de “doença”.Não é difícil concluir que o primeiro é verdadeiramente científico, enquanto o segundo não. A terapêutica que dá a cada paciente exatamente o que aquele paciente precisa deve ser preferida em relação à terapêutica que trata cada paciente apenas como um membro de uma classe. Portanto, deve ser considerado “científico”.Mas essa conclusão nos coloca em uma posição estranha. Pois a medicina que definimos como “não científica” – isto é, a alopatia – tem muito domínio na sociedade hoje, enquanto as disciplinas empíricas, embora em ascensão, ainda são minoria.Se pensarmos um pouco nisso, entretanto, é perfeitamente razoável. Praticar uma forma científica de medicina como a homeopatia é mais exigente e envolve mais cuidado e trabalho do que praticar uma medicina não científica.tific. A maioria dos médicos, como a maioria das pessoas em todas as profissões e ocupações, prefere evitar o trabalho duro sempre que pode.O que tudo isso significa para a medicina nutricional? Acho que a medicina nutricional, especialmente em sua forma ortomolecular, deve ser identificada com o lado empírico do espectro, essencialmente em virtude de sua ênfase na singularidade de cada paciente. Roger Williams, por exemplo, escreveu que cada paciente é único, cada um tem seu próprio conjunto de necessidades nutricionais, cada um é diferente um do outro.E, como o Dr. Hoffer me disse, os outros nutricionistas não gostaram de Williams por causa disso, indo tão longe a ponto de proibir seus livros, colocando-os em uma espécie de Index Librorum proibitorum para nutricionistas.O estresse na individualização está muito sob a pele dos racionalistas médicos, que simplesmente não conseguem aceitar a ideia de que cada paciente é diferente de todos os outros. Por isso colocaram os livros de uma das mais conceituadas nutricionistas do século 20 na lista das leituras proibidas!Um segundo paralelo entre a medicina nutricional e o empirismo é que a medicina nutricional, especialmente em sua versão ortomolecular, aborda de forma muito generosa o número de medicamentos possíveis no mundo, ou seja, o número de remédios nutricionais possíveis.Nesta mesma reunião, ouvi uma discussão considerável sobre o conflito entre as descobertas dos nutricionistas sobre novos usos para várias substâncias e a recusa da instituição médica em reconhecer esses novos usos. Nossa amada Food and Drug Administration tornou-se famosa por rejeitar inicialmente alegações nutricionais – afirmando que não há uso conhecido para alguma nova substância nutricional e até mesmo querendo colocar os descobridores e proponentes de tais substâncias na prisão – e então, dez anos depois, mudando de ideia e reconhecendo a descoberta, afinal.As pessoas que fazem o trabalho real com novas substâncias representam o lado empírico da ciência nutricional, que estão abertas a novas vitaminas, novos medicamentos, novas idéias.Um paralelo final seria que a medicina nutricional, como a filosofia terapêutica empírica em geral, sempre se esforça para promover os esforços de autocura do próprio corpo, em vez de administrar substâncias que suprimem esses esforços.Por essas três razões, a medicina ortomolecular se enquadra, em minha opinião, no paradigma empírico e difere muito da visão racionalista da nutrição: que há um número limitado de substâncias nutricionais necessárias e que os pacientes devem ser vistos como membros de classes de doenças nutricionais (escorbuto , beri-beri, pelagra, etc.).Agora, qual é o valor desse conhecimento? Pode ser útil para você em sua prática ou em sua vida diária? Ainda não posso responder a essa pergunta, mas posso sugerir que existem algumas vantagens em se conhecer os antecedentes históricos da medicina ortomolecular.Em geral, é uma boa ideia saber de onde você veio, apenas porque isso lhe dirá quem são seus inimigos e para onde você está indo no futuro. A pergunta foi feita esta manhã por que os médicos alopatas agem da maneira que agem, por que são tão teimosos, por que não querem receber novos conhecimentos. É um recurso integrado? Eles têm QI baixo? Por que eles se comportam dessa maneira?A razão é que eles acreditam tão fortemente no paradigma Racionalista quanto o resto de nós acredita no paradigma Empírico. Se você disser a um desses médicos que cada paciente é diferente de todos os outros, ele pensará que você é um pouco maluco. Claro, ele vai dizer, há uma certa diversidade biológica, mas o que importa é o que todos esses pacientes têm em comum. E isso é que todos eles precisam de X gramas de vitamina C toda semana, etc. etc. Se você questionar esse elemento de crença, eles ficam chateados e se sentem ameaçados. Essa é uma das razões pelas quais eles relutam tanto em receber novos conhecimentos do lado empírico do espectro.Essa maneira de pensar racionalista é muito congruente com a estrutura geral de pensamento do final do século XX. Pensamos em termos de engenharia, em causas e efeitos. Conseqüentementeesses médicos equiparam “ciência” ao conhecimento dos mecanismos de ação. Se um nutricionista ortomolecular anunciar: nós observamos o efeito dessa vitamina e queremos usá-la, embora não entendamos seu mecanismo, eles não reconhecem isso como “científico”.O empirismo sempre considerou a observação cuidadosamente controlada como um conhecimento confiável. E, como afirmei no início, ela rejeita por princípio qualquer conhecimento excessivamente elaborado do funcionamento interno do organismo. Porque, embora se possa conhecer tais mecanismos em geral, nunca se pode saber se tal conhecimento é verdadeiro para um único indivíduo concreto.Seria necessário realizar uma autópsia em cada paciente, e a maioria dos pacientes não deseja ser autopsiada apenas para promover o avanço da compreensão nutricional.Finalmente, eu diria que este tipo de conhecimento pode ser de uso político para o movimento Ortomolecular ao ensinar a você quem são seus aliados em potencial e quem também são seus inimigos. E isso, creio eu, será útil no futuro para escolher o seu caminho no campo minado que sempre aguarda aqueles que querem praticar uma medicina verdadeiramente científica, ou seja, verdadeiramente empírica.Harris L. Coulter, Ph.D., é o autor de Divided Legacy: A History of the Schism in Medical Thought. Volume I. Os padrões emergem: Hipócrates a Paracelsus (580 páginas); Volume II. As origens da medicina ocidental moderna: JB Van Helmont para Claude Bernard (785 páginas); Volume III. The Conflict Between Homeopathy and the American Medical Association (550 páginas); Volume IV. Medicina do Século XX: A Era Bacteriológica (790 páginas). Washington, DC: Center for Empirical Medicine, 1973, 1975, 1977, 1994.

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Diário de apartamento 8 – Hesitação e o desejo de viver (Blog Estadão)

27 domingo dez 2020

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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No texto de Kafka “Retorno ao Lar”, traduzido por Anatol Rosenfeld, há uma frase cujo poder de desestabilizar atingiria até mesmo o mais convicto dos estoicos:  “Quanto mais tempo se está a hesitar diante de uma porta, mais estranha vem ela a se tornar”.

Pois é possível que nossa espreita diante desta porta esteja prestes a terminar. Isto é, ela será rompida à revelia. Não, infelizmente não será o fim desta virose.

Já se sabia, mesmo depois de um considerável êxodo dos grandes centros urbanos provocado pela pandemia, que para os “de maior risco” como é o meu caso a decisão de sair nunca seria fácil. Lembrava da frase,”Não saia nunca”. Sair de casa, da rua, do bairro, da cidade. Jargões, quando esmagadoramente repetidos, penetram na cultura e viram vício de informação.

–Você vai sair? Guiar 300 km e ainda pegar uma balsa? Que coisa mais arriscada meu amigo.

Foi o que ouvi quando comuniquei ao amigo com o qual jogo xadrez à distância que sairia da cidade.

–É um risco calculado, tentei tranquiliza-lo.

— Preferia que você usasse a defesa siciliana. Ora, com quem vou praticar as vitórias consecutivas se você…

— Pode falar, não se deixe dobrar por tabus: se eu for contaminado, precisar de tratamento, sair da vida…

— Até a volta, então. Ele se despediu abruptamente e um pouco constrangido.

Depois de nove meses quase recluso convenci-me através de um sonho que precisava romper com a sensação de prisão domiciliar, e, uma vez vencida a lei marcial, os obstáculos da censura e as exigências sanitárias, ousei viajar com a família.

É preciso considerar que durante as notícias desencontradas sobre o vírus e suas consequências, as exigências por nossos direitos foram se enfraquecendo. O número de restrições, arbitrariedades e massacres justificacionistas contra as liberdades individuais foram sendo costurados, vale dizer, foram sendo impostos, sem persuasão, sem instruções preliminares, sem campanhas educativas consistentes. O que se viu foi pura cena de arbitrariedades racionalizadas sob o uso de decretos cujos slogans genéricos tinham como base “desejo de salvaguardar a saúde e o bem estar da população”.

Apesar de a própria OMS ter alertado de que procedimentos restritivos indiscriminados apresentariam potencial risco de sublevação, motins e rebeliões contra ordens de fechamento, os governantes preferiram assim agir. E, até aqui, na maior parte dos casos, observou-se apenas ordem e mansidão, a mesma que costuma acometer rebanhos paralisados, acríticos, efeito tardio sobre os acuados pelo pânico. Mas as coisas vem mudando e rapidamente.

É o subtexto desta mansidão que nos interessa, independentemente do mérito de  suposta eficácia das medidas adotadas. Estão quase nos convencendo de que os direitos republicanos não são exatamente uma conquista por mérito do cidadão, passaram a ser magnânimas concessões do poder. Uma democracia que segue esta trilha causa mais calafrios do que regozijo. A verdade é que, sem mecanismos para retifica-la e arranca-la dos estranhos atalhos da doutrina  garantista, das concessões que gratificam a transgressão e dos entulhos autoritários apelidados de flexibilidade hermenêutica, o próprio caráter de representação política vai sofrendo uma corrosão cada vez mais difícil de ser reparada.

Agora pensem novamente no ônus da prova. A quem cabe prover saúde? Mas não é que itens de primeira necessidade e essenciais precisam vir venham acompanhados de segurança e transparência?  O Prof. Walter Maffei, de abençoada memória, sempre alertava contra os modismos em medicina, das patologias aos novíssimos medicamentos. Se a doença em voga é perigosa e mortal para alguns — como de fato é — para muitos representará apenas confinamento e bancarrota, isolamento e loucura. Para os que acham que é um preço razoável a se pagar, reduzo-me ao silêncio.

A complexidade exige que se supere o bidimensional e que se observe a realidade como um holograma. Os clínicos que o digam. Mas o fato que precisa ser analisado é que os efeitos colaterais das decisões também precisam entrar tanto no radar dos epidemiologistas de plantão, como no das equipes transdisciplinares.

Mas elas de fato existem? Se existem, onde estão? Alguém soube de um conselho assim reunido?

E se estes fatores extra saúde stricto sensu como desemprego e desesperança não entrarem na avaliação é porque a manipulação tem sido maior do que a acurácia científica. Por que tanta controvérsia sobre tratar precocemente? Isso tem sido devidamente investigado? É evidente que grande maioria não negará o poder da proteção vacinal. O que é desnecessário é a coação e decisões judiciais de sanções contra quem não está convencido ou seguro.  Quando há responsabilidade a começar por quem deveria servir de modelo.

Meu amigo enxadrista costuma dizer

— Entre nós, os modelos e os eleitos expiram antes do prazo.

Ninguém quer se arriscar sem necessidade. Não sem que se atestem os parâmetros de segurança, eficácia e sobretudo transparência. Não bastam discursos de políticos ou relatórios pomposos de experts assalariados, cujo compromisso prioritário parece ser com o poder.

Foi depois de um sonho que decidi viajar para uma ilha, e, como diz o texto, nenhum homem é uma ilha. Destarte, posso dizer que a experiência mostrou algo distinto. Quando se trata da vida prática somos uma infinidade de arquipélagos. Era ingenuidade imaginar que não seria assim, afinal por mais que a modernidade tente homogeneizar as respostas individuais são as idiossincrasias que comandam as decisões humanas, assim como as variadas sensibilidades às doenças e às substancias medicinais.

Nunca considerei que fosse tão confuso. É possível atestar o resultado prático desta confusão saindo nas ruas nas diversas cidades para constatar — como minha esposa observou — que as pessoas e os agrupamentos humanos vivem simultaneamente em universos paralelos. Encontramos  pessoas obsessivas, resignadas com um ultra confinamento fóbico, mas também aquelas que já abandonaram todas as precauções e seguem vivendo como se nada estivesse acontecendo. Não acho que a polêmica aqui seja entre “afirmacionistas” ou negacionistas e me recuso a julga-los. Acho eticamente desprezível julgar o contexto alheio sem todos os dados. Concluo apenas que o caminho do meio e o bom senso estejam mesmo em desuso.

O uso político do medo é uma arma tanto velha como eficaz. E é saudável que as pessoas estejam desconfiadas das informações de um sistema que deu múltiplas demonstrações de desprezo em relação à opinião pública.

Voltando a Kafka, quando a porta vai mostrando sinais não mais de estranheza, mas de ruína, o desejo de escancara-la supera a hesitação.

Se o Dr. Maffei estivesse vivo eu não hesitaria em perguntar e foi o que fiz no sonho que enfim me encorajou para colocar os pés na estrada e viajar:

— E quanto a este vírus Prof.?

— Você sabe que não gosto de falar sobre medicina, prefiro ouvir música clássica. Mas já que me perguntou, isto tudo dai vai passar e você sabe por que, não sabe?

— Acho que sim Prof.

— O vírus quer viver e se espalhar, seu objetivo biológico não é matar o paciente, por isso, com o tempo e com as mutações, a tendência é que ele seja de fato mais contagioso, mas ao mesmo tempo produza menos sequelas e seja menos letal.

— E o que devemos aconselhar as pessoas?

Ele me olhou desconfiado e com seu peculiar jeito peremptório falou em voz baixa:

— Mas é evidente que prevenção, tratamento precoce se houver e os cuidados de sempre.

— Sem esquecer que o risco sempre existe…

— Olha aqui, e me olhou com severidade, e sob uma expressão quase iracunda: a única coisa que o médico não tem o direito é de desanimar o paciente.

Quando acordei a decisão estava tomada.

Abrir a porta e enfrentar a fobia já não era mais uma questão de vontade. A hesitação foi substituída pelo desejo de viver, cuidadosamente, mas viver.

Diário de apartamento 8 – Hesitação e o desejo de viver

brasil.estadao.com.brDiário de apartamento 8 – Hesitação e o desejo de viverNo texto de Kafka “Retorno ao Lar”, traduzido por Anatol Rosenfeld, há uma frase cujo poder de desestabilizar atingiria até mesmo o

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O problema com o Irã é do mundo (e continua sendo)

15 terça-feira dez 2020

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Jornal do Brasil

Hoje às 07h16 – Atualizada hoje às 07h19

De 2011, assunto pendente e sem solução.

O problema com o Irã é do mundo

Jornal do Brasil Paulo Rosenbaum

Passando uns dias em Boston (Massachussets, EUA), foi possível avaliar in loco a reação dos norte-americanos em relação ao desempenho recente de Obama. O intuito seria estimar que seu descompasso com a opinião pública poderia ter aumentado conforme a atual administração americana explicitasse as prováveis medidas em relação à corrida iraniana para obter o artefato bélico nuclear. A opinião pública americana, mesmo farta de guerras e ainda muito dividida quanto a um possível novo front, pareceu ter assimilado bem o didatismo do presidente. Na entrevista coletiva no Havaí em que colocou as cartas na mesa ele foi além do jogo para a plateia e explicou –– o novo problema que um acesso à bomba iraniana traria, desestruturando de vez o já decrépito tablado, e para bem além do Oriente Médio. 

Foi Herbert Marcuse quem escreveu que o equilíbrio estratégico entre as potências se dava exatamente na tênue gangorra: posse e ao mesmo tempo inexequibilidade de uso do arsenal nuclear pelas superpotências. O emprego de armas de destruição em massa –– como um bom jogo da velha –– determinaria sempre empate ininterrupto e derrota bilateral. Nesse frágil balanço é que se evitaria que o mundo terminasse como no pesadelo de Einstein: não se pode prognosticar o curso da terceira guerra mundial, a quarta, entretanto, seria travada a paus e pedras. 

É preciso compreender que o problema com o Irã não é só de Israel, concerne ao mundo. Enquanto Israel parecer ser o único e maior interessado em que o Irã não coloque as mãos na bomba –– significa que a política externa dos persas e sua bem remunerada mídia estão funcionando muito bem. Foi brilhante construir como único arqui-inimigo um adversário relativamente demonizado e em geral malquisto na imprensa internacional! 

Por isso precisamos colocar as coisas nos contextos apropriados. Para quem conhece um pouco melhor a política doméstica dos aiatolás sabe que por lá, hoje, inexiste qualquer espécie de controle social e, que, sob violenta autocracia, a eventual decisão de ataque (ou contra-ataque) dirigido a quem quer que seja, depende do aval de duas ou três pessoas da chamada Guarda Revolucionária que agem sob inspiração ideológica. Ninguém pede que se acredite nisso piamente. Seria mais prudente ouvi-los no original, mesmo que seja através das raras declarações que já vieram a público. Isso para que cada leitor decida sozinho quais são as intenções desses homens e o quanto se deve levar a sério sua obstinação. Para os fiéis teocratas de Teerã parece lícito e exequível destruir o inimigo mesmo que não haja vencedor. Não me peçam para explicar, mas esse é o modo como parecem fundamentar as coisas. 

Malgrado a guerra ainda parece ser pulsão longe de domesticada pela humanidade, por isso, talvez, a aura da paz tenha semblante anti-natural, e se faz à revelia do instinto. 

Ninguém pode apostar ao certo quais os desdobramentos de decisões militares preventivas, mas as chances ofertadas à paz se estreitam escandalosamente. Quando o mundo se cala –– essa doença crônica da humanidade –– o comum é que a omissão cobre os débitos na fatura seguinte. Nesse caso, se o conjunto de nações não conseguir união e consenso para recusar jogar o jogo que eles fingem não jogar, o Irã continuará o protelatório até ganhar o tempo necessário como, aliás, vem fazendo. Quando enfim anunciar que tem as ogivas embaladas dentro dos mísseis (pois tecnologia para alcançar Israel e segmentos da Europa já há) será leite derramado, e um desastre maior estará mais próximo para todos. 

O sempre detestável começo de uma guerra já é seu fim, especialmente para os mortos, feridos e inocentes que ficarem no caminho das balas. É claro que a diplomacia internacional se abanará e correrá no afogadilho para obter o cessar-fogo dizendo que já fez o possível, quando, na verdade não, a começar pelo Brasil. Ajudar o Irã e seu povo de verdade seria, usando de todos os meios disponíveis e urgentemente, demovê-los da ideia de produzir aquilo que tanto obseda o regime. Tarefa perdida opina a maioria, mas, ao menos, demonstraria real vocação à liderança e enorme solidariedade à civilização. 

A política externa brasileira lulupostista regida por um viés antissionista portanto antissemita – sob o disfarce de slogans como soberania e independência – pautou suas ações pelo imediatismo pseudopragmático e só faz reforçar a tese de que a política global, num cenário cada vez mais sórdido, se tornou mais business de expansão mercadológica do que um constante reparo na distância entre os povos. Pena, pois o assento permanente no Conselho de Segurança requer mais visão de horizonte, ousadia estratégica e audácia para sacrificar oportunismo às decisões difíceis, porém vitais.

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Anti-Zionism is Anti-Semitism 3 – Can Justice Be Found? (Blog Estadão)

09 quarta-feira dez 2020

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Anti-Zionism is Anti-Semitism 3 – Can Justice Be Found? “

“Freedom for wolves means death for sheep”.

Isaiah Berlin

BLOG Conto de Notícias – Friends, I would like to invite you to this interview with the theme of a continuation of previous texts: ” Anti-Zionism is anti-Semitism 3 – where can justice be found? “

I invited for this interview, André Lajst political scientist, doctoral student in Social Sciences at the University of Córdoba, Spain and director of the non-governmental organization “StandWithUs” Brazil “, and Flávio Goldberg, lawyer and master in law. I asked them to answer and discuss questions and provocations formulated by the Blog.

I begin with an excerpt from the resolution recently approved by the French National Assembly: The National Assembly … believes that the operational definition used by the International Holocaust Remembrance Alliance allows the more precise designation of what contemporary anti-Semitism is ”, the text of the resolution reads partially:

“He considers it an effective instrument to combat anti-Semitism in its modern and renewed form, as it encompasses expressions of hatred for the State of Israel justified only by its perception as a Jewish collective.”

(Times of Israel, 03, 12, 2019)

What is the evident current bias of the UN against Israel – represented by the mathematical disproportion in the number of resolutions hostile to the Hebrew State – in which way? Is it not a paradox that the entity that helped create the state is at the root of such partial and arbitrary resolutions?

FG- A large number of countries are experiencing backward political regimes that identify with oligarchic models such as Muslims in addition to the anti-Semitic appeal with a leftist bias. Israel is a “scapegoat” for virtues, not for ills.

AL – In fact, it is a contradiction. There are several reasons, but I can name a few. First, the proportion of countries aligned with democratic values ​​and freedom in 1947 is greater than it is today. The UN has more than 190 voting members, half of which are not liberal democracies.

A second aspect would mention the cold war, the Soviet axis and the alignment of this superpower with anti-Israel countries. With the end of the cold war, these countries, especially the Arab and Islamic countries, totaling 57 nations, understood that if they voted en bloc, a resolution to condemn Israel would always be passed.

A third aspect, which uses the same logic as the second, is precisely the UN format. A democratic assembly with 190 members, each representing a party (country), which votes solely and exclusively for national interest. In this way, absurdities like Iran presiding over a human rights commission or Syria presiding over a disarmament commission is possible.

BLOG Conto de Notícias – In your opinion, what aspects need to be attended to in order to increase awareness of prejudices and ethnic-racial discrimination? Campaigns have been tried and some bills have been tried, but when it comes to anti-Zionism there seems to be leniency from legislators in relation to the topic. France, where anti-Semitism has revealed itself as a growing and disturbing wave, the law referred to above has been passed, but is that enough?

AL – Who should define what would be the practice of racism against Jews, are the Jews. In the 70’s there was an attempt, perpetuated by the Soviet Union, supported by several Arab countries, when they passed a resolution at the UN that determined that Zionism, the national movement of self-determination of the Jewish people, as a form of racism. In 1991 that resolution was overturned, however, those who want to turn Zionism into something it is not, use that resolution to try to tarnish the true definition of Zionism. The IHRA, International Holocaust Remember Alliance , an international organization recognized by several countries, has written a new and contemporary version of anti-Semitism. In this definition, criticizing Israel is not anti-Semitism. IHRA makes that clear. Criticizing any country or government is legitimate. But to buy Israel with Nazi Germany, to imply that the Israeli army commits genocide or that the Gaza Strip is Auschwitz, saying that the concept of the existence of a national home for the Jewish people is a racist enterprise, that is, it is anti-Semitism. 

To combat this phenomenon, all countries should adopt the IHRA definition of anti-Semitism and implement legislation to punish hate crime offenders. What happened in France is a start but it is far from enough.

FG – Anti-Zionism must be characterized as Discrimination against a Jewish State, therefore a crime of racism. It cannot be treated as an ideological position, even because its leaders often belong to bodies composed of terrorists.

BLOG News Story – I wonder how much people understand the Jews’ desire to return to their original habitat, and have a national home. For if they fail to understand, they can very easily be deceived by parties and populists who try to criminalize this desire. Then they resort to slogans against Israel that sometimes “catch”, are the lies that it is a genocidal state, or that it is an apartheid (sic) regime. But we know that at the root of this hostility, contrary to what these people justify, is not the “well-being of the Palestinians”, but an atavistic, ancestral hatred, which psychologists, sociologists, philosophers and jurists have already addressed without reaching a credible consensus. How do you face these dilemmas so alive today?

FG – The existence of a Jewish state attacks the apocalyptic imagery of paranoid Christians and Muslims. Legal repression is the only civilizing remedy to prevent the spread of this hatred.

AL – I believe that the existence of a modern and westernized Jewish State in the Middle East, attacks the humiliation that Islam went through after the end of the Middle Ages and the beginning of the Modern Age, especially after the press revolution. Islam developed much more than Europe in the Middle Ages, which focused on wars and divine theories. Throughout the modern age, with enlightenment, renaissance and science, Europe came to dominate and consequently conquer the East. Islam has seen its empires fall, its culture despised and its honor violated. This feeling of greater resentment is also externalized by the presence of Israel. In the reading of many in the Middle East, Israel is a European colonialist project, when in fact it is a Jewish national movement, Semitic, that is, non-European, which was materialized precisely by the flight of these people from European powers. When Jews are seen as a mere religion that wants to shut themselves up in a country, the conclusions of these people become something simple, superficial and mistaken. The parties and politicians who ignore other human rights violations around the world, ally themselves with dictatorships because they are aligned with his worldview, and accuse Israel of crimes that he never committed, I conclude that this is the most contemporary and politically version correct form of anti-Semitism.

BLOG Conto de Notícias – Inspired by the aforementioned approval of the law by the French National Assembly, is there room in Brazil to propose a bill that makes anti-Zionism a kind of vicarious anti-Semitism?

AL – I believe so. It is necessary for jurists to identify and exemplify the terms defined by the IHRA definition. Criticism of any country is legitimate and it is necessary that freedom of expression be protected within the law. However, as described in French legislation, expressions of hatred of the State of Israel with demonizing connotations, use of discriminatory language, which encourages the public to disapprove and even reject the existence of a national home for the Jewish people, should be seen as a discourse hateful and therefore illegal.

FG – Yes, and also take to the courts for consistent jurisprudence the anti-Semitic root of anti-Zionism. A systematic judicialization of hatred against Israel is urgently needed.

BLOG Conto de Notícias – In the recent electoral election for mayor in the city of São Paulo, a party and its candidate, whose platform is explicitly governed by a hate speech to Israel, sought to quibble when the candidate was asked about what the official posture would be. broken. Shouldn’t public opinion be aware of the candidates’ personal positions on such sensitive matters? What right has a party – which should submit to what the federal constitution advocates – to claim hatred for a country, and therefore for the people who live there? Are there mechanisms in current legislation that can curb the call for hate crime without harming the right to free expression?

FG – PSOL and its candidate for mayor of São Paulo, recently associated Higienópolis, a neighborhood of Jewish concentration to the “elite” and Cidade Tiradentes to poverty in a picture of “miserable Palestinians” and “Zionists”

AL – When a political party expresses different opinions on different subjects, such parties and politicians do this for two reasons: either to establish a specific agenda or to establish a specific ideology. In both cases, it is not just a right as a duty of the population that feels harmed and even offended by these positions, to demand a retraction or clarification regarding these matters. The PSOL, in the figure of certain party figures, has, for many years, exposed prejudices, delegitimizations and dehumanizations in relation to the State of Israel. These exhibitions come to the fore through letters, articles, videos, visits to regions of the Israeli-Palestinian conflict and other manifestations that generate discomfort and even feelings of prejudice among many Brazilian Jews. Obviously, all Brazilian parties and politicians, a democracy, are in their constitutional right to express their opinions on various issues, but there is a fine line between legitimate criticism of any nation and the spread of lies, untruths and the desire for the destruction of a nation. In this context, as it is the only nation of the Jewish people in the world, there should be clear and simple legislation that would prohibit this hate crime. Freedom of speech can never be confused with the free expression of hatred and fakenews about an entire nation. A few years ago, the speeches of many PSOL members were softened for political reasons. However, even with dubious speeches and, at the same time, soft to the ears of many, just read between the lines to realize that the speech of candidates and party leaders are, in fact, the same speech of groups and movements that preach the boycott of Israel and do not support its existence as a Jewish and democratic state.

BLOG Tale of News – Finally I would like you to make considerations and new questions that would lead us to fruitful debates. A parliamentary office that could move people to a state of lesser belligerence, perhaps the improvement of peace, after all the word “shalom” is one of those repeated in the Pentathéuco, the Torah.

FG – Unfortunately, in a situation of pandemic and economic crisis, demagogues even linked to criminal gangs elect “ghosts like Jews or Zionists” as responsible and in these circumstances only legal action has a concrete effect.

AL – Aversion to Zionism is not an aversion to a specific Israeli policy. Zionism is nothing more than the proper name of the national self-determination movement of the Jewish people. Just look at the history of Israel and notice that the country has people from the right, left, liberals, conservatives, religious, seculars, all of them, Zionists and aware of the importance of maintaining Israel as the national home of the Jewish people. Forms of government, public policies and other differences within Israel do not diminish or increase people’s Zionism. Therefore, the aversion to the national movement that created the self-determination of the Jewish people is, in other words, the aversion to the right of the Jewish people to self-determine. Since those who protect this feeling do not oppose, in the gigantic majority of times, the existence of any nation, but focus specifically on Israel, it follows that this aversion is a prejudice against the Jewish people. This prejudice may not be related to your religion, as it was in the Middle Ages in Europe, or your race, as perpetuated by the Nazis, but rather to be related to your nation, as it is with Israel.

BLOG Conto de Notícias – André, from your point of view the use of purposefully dubious language leads the public and the world public opinion to a doubt that establishes a false gradation: anti-Zionism would be just a position of political objection to Israel, while Anti-Semitism would be a prejudiced / racist stance. Is not making language clear that both mean hatred of Israel and Jews would be an important move?

AL – Political polarization created armored agendas, in which a person chooses the entire agenda of a party or candidate. There is no greater ignorance than considering the whole agenda of a party or politician correct without analyzing point by point everything that this agenda protects and believes in. Criticism of Israel is healthy and happens daily inside and outside the country itself. This is not wrong. But we have seen a trend that demonizing the country has been interpreted as a legitimate criticism, when in fact, it is not.

BLOG Conto de Notícias – Could Flávio detail the ways for these legal actions to be articulated at this time?

FG – A criminal action for racism, as already defended by the Federal Supreme Court that the crime of hatred against Jews or spreading anti-Semitic ideas is a crime of racism and knowing that some racists in the constitutional term of the word try to hide their crime using of the word Zionism or addressing “Zionists” which should be punished with the same rigor of the law because it is a teleological and systemic interpretation adopted by the constituents and members of our Judiciary who understand the political, historical and social view to define such conduct .

BLOG Conto de Notícias -Assess how in the definition of the internet (Wikipedia) a bias is already expressed that somehow endorses the posture: “Eventually, the term is also often applied to political opposition to the Israeli government, especially if motivated by denunciations of systematic human rights violations by the Palestinians, including war crimes [citation needed] sic, but also to the denial of the right of existence of the State of Israel. ”

Pay attention to the quote “war crimes (citation needed)” sic. Do you consider it important to monitor and report this type of definition, which is far from neutral information?

FG – Civil society initiatives are welcome worldwide. It turns out that, since the UN, including national and international human rights groups, they tend to disproportionately target Israel. I explain: national states – those Christian, Muslim or syncretic in origin – have condemnable and arbitrary practices. Israel is one more of them. But because it is an openly Jewish state, it is not treated with equal criticism, this reveals an obviously anti-Semitic, discriminatory and cowardly practice, and the worst, in the name of so important Human Rights. The culmination of this is revealed in movements like the BDS (boycott, divestment and sanctions) directed against Israel. Lately, such a movement even targets Israeli intellectuals in the academic field, which in itself is discriminatory, anti-Semitic and cowardly.

AL – In conclusion: I consider anti-Zionism a form of anti-Semitism. This place of speech is present in most Jewish, political and religious organizations worldwide.

___________________________________________

The feeling of contemporary hostility towards Jews, inside or outside Israel, relives dark days that usually start against Jews until they escalate and reach widespread intolerance in the near future. Governments and citizens must fight together against anti-Zionism (hatred of Israel and its inhabitants) and anti-Semitism (animosity against Jews) as well as against all forms of discrimination as a moral duty. Duty that transcends the Hebrew people, because it is not just another battle in favor of the civilizing process, the care now is not to repeat the old mistakes. 

For that, as our guests in this interview suggested, a specific permanent court for the matter may be needed, which is not itself contaminated with an ideological bias against Israel. 

As prosecutor Henry T. King Jr spoke at the final sentence of the Nuremberg trial on August 19, 1947:

“We will strive to establish a permanent court , to give future generations
something they can use to prosecute those who are betting on war against humanity.”

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Antissionismo é antissemitismo 3 – a justiça pode ser encontrada? (Blog Estadão)

09 quarta-feira dez 2020

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Antissionismo é antissemitismo 3 – a justiça pode ser encontrada?“

“Liberdade para os lobos significa a morte para as ovelhas”.

Isaiah Berlin

BLOG Conto de Notícia – Amigos, gostaria de convidá-los para esta entrevista tendo como temática uma continuação de textos anteriores: “Antissionismo é antissemitismo 3 – onde a justiça pode ser encontrada?“

Convidei para esta entrevista, André Lajst cientista político, doutorando em Ciências Sociais pela Universidade de Córdoba, Espanha e diretor da organização não governamental “StandWithUs” Brasil”, e Flávio Goldberg advogado, e mestre em direito. Pedi a eles que respondessem e discutissem questões e provocações formuladas pelo Blog.

Inicio com um trecho da resolução recentemente aprovada pela Assembleia Nacional Francesa: A Assembleia Nacional… acredita que a definição operacional usada pela International Holocaust Remembrance Alliance permite a designação mais precisa do que é o antissemitismo contemporâneo ”, lê-se parcialmente o texto da resolução:

“Considera-o um instrumento eficaz de combate ao antissemitismo em sua forma moderna e renovada, na medida em que engloba manifestações de ódio ao Estado de Israel justificadas apenas pela percepção deste como um coletivo judeu.”

(Times of Israel, 03, 12, 2019)

O evidente viés atual da ONU contra Israel — representado pela desproporção matemática do número de resoluções hostis ao Estado hebreu — deve ser encarado de qual modo? Não é um paradoxo que a entidade que ajudou a criar o Estado esteja na raiz de resoluções tão parciais e arbitrárias?

FG- Grande número de países vive regimes políticos atrasados que se identificam com modelos oligárquicos como os muçulmanos além do apelo antissemita com um viés esquerdista. Israel é “bode expiatório” pelas virtudes não pelas mazelas.

AL -De fato, é uma contradição. Os motivos são vários, porém posso citar alguns. Em primeiro lugar, a proporção de países alinhados com valores democráticos e liberdade em 1947, é maior que nos dias atuais. A ONU tem mais de 190 membros votantes, sendo que metade desses países, não são democracias liberais.

Um segundo aspecto, citaria a guerra fria, o eixo soviético e o alinhamento desta superpotência com países anti Israel. Com o fim da guerra fria, esses países, principalmente os países árabes e islâmicos, que totalizam 57 nações, entenderam que se votassem em bloco, uma resolução para condenar Israel sempre seria aprovada.

Um terceiro aspecto, que usa a mesma lógica do segundo, é justamente o formato da ONU. Uma assembleia democrática com 190 membros, cada qual representando um partido (país), que vota única e exclusivamente por interesse nacional. Desta forma, absurdos como o Irã presidir uma comissão de direitos humanos ou a Síria presidir uma comissão de desarmamento, é possível de acontecer.

BLOG Conto de Notícia -Nas vossas opiniões quais os aspectos precisam ser atendidos para que haja uma conscientização maior em relação aos preconceitos e à discriminação étnico-racial? Campanhas já foram tentadas e alguns projetos de lei também, mas quando se trata de antissionismo parece haver uma leniência dos legisladores em relação ao tema. A França, onde o antissemitismo tem se revelado como uma onda crescente e perturbadora, a lei acima referida foi aprovada, mas isso basta?

AL– Quem deveria definir o que seria a pratica de racismo contra judeus, são os judeus. Na década de 70 houve uma tentativa, perpetuada pela União Soviética, apoiada por diversos países árabes, quando passaram uma resolução na ONU que determinava que o sionismo, o movimento nacional de autodeterminação do povo judeu, como forma de racismo. Em 1991 essa resolução foi derrubada, porém, aqueles que querem transformar o sionismo em algo que ele não é, usam essa resolução para tentar manchar a verdadeira definição do sionismo.  A IHRA, International Holocaust Remember Alliance, uma organização internacional e reconhecida por diversos países, escreveu uma nova e contemporânea versão do antissemitismo. Nesta definição, criticar Israel não é antissemitismo. A IHRA deixa claro isso. Criticar qualquer país ou governo é legitimo. Porém comprar Israel com a Alemanha Nazista, insinuar que o exercito de Israel comete genocídio ou que a Faixa de Gaza é Auschwitz, dizendo que o conceito da existência de um lar nacional para o povo judeu é um empreendimento racista, isto sim, é antissemitismo.

Para lutar contra esse fenômeno, todos os países deveriam adotar a definição de antissemitismo da IHRA e implementar legislação para punir os infratores por crime de ódio. O que houve na França é um começo mas está longe de ser o suficiente.

FG – O antissionismo tem que se caracterizar como Discriminação contra um Estado de judeus, portanto crime de racismo. Não pode ser tratada como posição ideológica, inclusive por seus líderes frequentemente serem de órgãos compostos por terroristas.

BLOG Conto de Notícia – Me pergunto o quanto as pessoas entendem o desejo dos judeus de voltar ao seu habitat original, e terem um lar nacional. Pois, se não conseguem compreender, podem ser muito facilmente ser ludibriadas por partidos e populistas que tentam criminalizar este desejo. Então lançam mão de slogans contra Israel que às vezes “pegam”, estão as mentiras de que é um Estado genocida, ou de que se trata de um regime de apartheid (sic). Mas sabemos que na raiz desta hostilidade, ao contrário do que tais pessoas justificam, não está o “bem estar dos palestinos”, mas um ódio atávico, ancestral, sobre o qual já se debruçaram psicólogos, sociólogos, filósofos e juristas sem chegar a um consenso crível. Como vocês encaram estes dilemas tão vivos em nossos dias?

FG – A existência de um Estado judeu agride o imaginário apocalíptico de cristãos e muçulmanos de formação paranoide. A repressão legal é o único remédio civilizatório para impedir a disseminação deste ódio.

AL– Acredito que a existência de um Estado Judeu moderno e ocidentalizado no Oriente Médio, agride a humilhação que o Islã passou após o fim da idade média e o início da idade moderna, principalmente após a revolução da prensa. O Islã se desenvolvia muito mais do que a Europa na idade média, que focava em guerras e teorias divinas. O longo da idade moderna, com o iluminismo, o renascimento e a ciência, a Europa passou a dominar e consequentemente conquistar o Oriente. O Islã viu seus impérios caírem, sua cultura ser desprezada e sua honra violada. Este sentimento de rancor maior, é externalizado, também, pela presença de Israel. Na leitura de muitos do Oriente Médio, Israel é um projeto colonialista europeu, quando na verdade é um movimento nacional judaico, semita, ou seja, não europeu, que se concretizou justamente pela fuga destas pessoas de poderes europeus. Quando judeus são vistos como uma mera religião que quer se fechar em um país, as conclusões destas pessoas se transformam em algo simples, superficial e equivoca. Os partidos e políticos que ignoram outras violações de direitos humanos em todo o mundo, se aliam a ditaduras por elas serem alinhadas com sua visão de mundo, e acusam Israel de crimes que ele jamais cometeu, concluo que essa é a versão mais contemporânea e politicamente correta do antissemitismo.

BLOG Conto de Notícia – Inspirado na já referida aprovação da lei pela Assembleia Nacional Francesa, há espaço no Brasil para propor um projeto de lei que torne o antissionismo uma espécie de antissemitismo vicariante?

AL– Acredito que sim. É necessário que os juristas identifiquem e exemplifiquem os termos definidos pela definição da IHRA. Críticas a qualquer país são legitimas e se faz necessário que dentro da lei se proteja a liberdade de expressão. Porém, conforme descrito na legislação francesa, manifestações de ódio ao Estado de Israel com conotações demonizadoras, uso de linguagem discriminatória, que incentive o publico a desaprovar e até mesmo rejeitar a existência de um lar nacional para o povo judeu, deve ser encarado como discurso de ódio e, portanto, ilegal.

FG – Sim e também levar aos tribunais para jurisprudência coerente desde já a raiz antissemita do antissionismo. Urge sistemática judicialização do ódio contra Israel.

BLOG Conto de Notícia – No recente pleito eleitoral para prefeito na cidade de São Paulo, um partido e seu candidato, cuja plataforma é explicitamente regida por um discurso de ódio a Israel, buscou tergiversar quando o candidato foi questionado sobre qual seria a postura oficial do partido. A opinião pública não deveria ficar a par de quais os posicionamentos pessoais dos candidatos em matérias tão sensíveis? Que direito tem um partido — que deveria se submeter ao que preconiza d constituição federal — de conclamar ódio a um país, portanto ao povo que lá habita? Há mecanismos na atual legislação que podem coibir a conclamação ao crime de ódio sem ferir o direito à livre expressão?

FG– O PSOL e seu candidato a prefeitura de São Paulo, recentemente associaram Higienópolis, um bairro de concentração judaica à “elite” e Cidade Tiradentes à pobreza num quadro dos “palestinos miseráveis” e “sionistas

AL – Quando um partido político emite opiniões diversas sobre assuntos diversos, tais partidos e políticos fazem isso por dois motivos: Ou para firmar uma agenda específica ou para firmar uma ideologia especifica. Em ambos os casos, não é só de direito como um dever da população que se sente prejudicada e até mesmo ofendida por estes posicionamentos, cobrar uma retratação ou esclarecimento a respeito destes assuntos. O PSOL, na figura de determinadas figuras do partido, tem, há muitos anos, expondo preconceitos, deslegitimizações e desumanizações em relação ao Estado de Israel. Estas exposições veem a tona através de cartas, artigos, vídeos, visitas a regiões do conflito israelo-palestino e outras manifestações que geram um desconforto e até mesmo sentimentos de preconceito entre muitos judeus brasileiros. Obviamente que todos os partidos e políticos brasileiros, uma democracia, estão no seu direito constitucional de emitirem suas opiniões em diversos assuntos, porém há um limite tênue entre a crítica legitima a qualquer nação e a disseminação de mentiras, inverdades e desejo pela destruição de uma nação. Neste contexto, por se tratar da única nação do povo judeu no mundo, deveria existir uma clara e simples legislação que proibisse esse crime de ódio. A liberdade de expressão jamais pode ser confundida com a livre expressão do ódio e fakenews a respeito de uma nação inteira. Há alguns anos os discursos de muitos membros do PSOL foram suavizados por motivos políticos. Porém, mesmo com discursos dúbios e, ao mesmo tempo, suaves aos ouvidos de muitos, basta ler as entrelinhas para perceber que o discurso de candidatos e dirigentes do partido são, na verdade, o mesmo discurso de grupos e movimentos que pregam o boicote a Israel e não apoiam sua existência como Estado Judeu e democrático.

BLOG Conto de Notícia – Finalmente gostaria que vocês fizessem considerações e novas perguntas que nos levasse a debates profícuos. Um parlatório que pudesse deslocar as pessoas para um estado de menor beligerância, quiçá o aprimoramento da paz, afinal a palavra “shalom” é uma das repetidas no pentatêuco, a Torá.

FG– Infelizmente numa situação de pandemia e crise econômica demagogos inclusive ligados à quadrilhas criminosas elegem “fantasmas como judeus ou sionistas” como responsáveis e nestas circunstâncias só a ação legal tem efeito concreto.

AL – A aversão ao sionismo não é uma aversão a uma política específica de Israel. O sionismo nada mais é do que o nome próprio do movimento nacional de autodeterminação do povo judeu. Basta olhar a história de Israel e notar que o país possui pessoas de direita, esquerda, liberais, conservadores, religiosos, seculares, todos eles, sionistas e conscientes na importância da manutenção de Israel como o lar nacional do povo judeu. Formas de governo, políticas publicas e outras divergências que existem dentro de Israel não diminuem ou aumentam o sionismo das pessoas. Portanto, a aversão ao movimento nacional que criou a autodeterminação do povo judeu é, em outras palavras, a aversão do direito do povo judeu em se autodeterminar. Visto que aqueles que protegem esse sentimento não se opõem, na gigantesca maior parte das vezes, a existência de nenhuma nação, mas focam especificamente em Israel, se conclui que essa aversão é um preconceito com o povo judeu. Esse preconceito pode não ser em relação a sua religião, como acontecia na idade média na Europa, ou a sua raça, como perpetuado pelos nazistas, mas sim ser relacionado a sua nação, como acontece com Israel.

BLOG Conto de Notícia – André, do seu ponto de vista o uso da linguagem propositalmente dúbia leva o público e a opinião pública mundial a uma dúvida que estabelece uma falsa gradação: antissionismo seria apenas uma posição de objeção política a Israel, enquanto Antissemitismo sim seria uma postura preconceituosa/racista. Deixar claro na linguagem que ambas significam ódio à Israel e aos judeus não seria um movimento importante?

AL – A polarização política criou agendas blindadas, em que uma pessoa escolhe toda agenda de um partido ou candidato. Não há ignorância maior do que considerar toda a agenda de um partido ou político correta sem analisar ponto a ponto tudo que esta agenda protege e acredita. A crítica a Israel é saudável e acontece diariamente dentro e fora do próprio país. Isso não é errado. Mas temos visto uma tendência que demonizar o país tem sido interpretado como se fosse uma crítica legitima, quando na verdade, não é.

BLOG Conto de Notícia – Flávio poderia detalhar quais os caminhos para que estas ações legais pudessem ser articuladas neste momento?

FG – Uma ação criminal por racismo, como já defendida pelo Supremo Tribunal Federal que o crime de ódio contra judeus ou propagar ideias antissemitas se configura crime de racismo e sabendo-se disso alguns racistas no termo constitucional da palavra tentam esconder seu delito utilizando-se da palavra sionismo ou se dirigindo à “sionistas” o que deve ser punido com o mesmo rigor da lei por se tratar de interpretação teleológica e sistêmica adotada pelos constituintes e membros de nosso Judiciário que entendem pela visão política, histórica e social para definir tal conduta.

BLOG Conto de Notícia -Avaliem como na definição da internet (Wikipedia) já se expressa um viés que de certa forma endossa a postura: “Eventualmente, o termo também é muitas vezes aplicado à oposição política ao governo de Israel, sobretudo se motivada por denúncias de violações sistemáticas de direitos humanos dos palestinos, incluindo crimes de guerra [carece de fontes] sic, mas também à negação ao direito de existência do Estado de Israel.”

Prestem atenção na citação “crimes de guerra (carece de fonte)” sic. Consideram importante monitorar e denunciar este tipo de definição que está longe de uma informação neutra?

FG – Iniciativas da sociedade civil são bem-vindas no mundo todo. Acontece que, desde a ONU, incluindo grupos de Direitos Humanos nacionais e internacionais, costumam inserir Israel como alvo de maneira desproporcional. Explico: os Estados nacionais – aqueles cristãos, muçulmanos ou de origem sincrética – possuem práticas condenáveis e arbitrárias. Israel é mais um deles. Mas por ser um Estado abertamente judeu não é tratado com igualdade de crítica, isso desvela uma prática obviamente antissemita, discriminatória e covarde, e o pior, em nome dos tão importantes Direitos Humanos. O ápice disso é revelado em movimentos como o BDS (boicote, desinvestimento e sanções) direcionadas contra Israel. Ultimamente, tal movimento mira inclusive intelectuais israelenses em campo acadêmico, o que por si só é discriminatório, antissemita e covarde.

AL – Ao modo de conclusão: considero o antissionismo uma forma de antissemitismo. Esse lugar de fala se faz presente na maior parte das organizações judaicas, políticas e religiosas, no mundo todo.

___________________________________________

O sentimento de hostilidade contemporâneo contra judeus, dentro ou fora de Israel, revive dias tenebrosos que costuma começar contra judeus até escalar e atingir a intolerância generalizada num futuro próximo.  Governos e cidadãos devem lutar juntos contra o antissionismo (ódio à Israel e aos seus habitantes) e antissemitismo (animosidade contra judeus) assim como contra todas as formas de discriminação como um dever moral. Dever que transcende o povo hebreu, pois não se trata apenas de mais uma batalha a favor do processo civilizatório, o cuidado agora é para não repetir os erros antigos.

Para isso,  conforme nossos convidados nesta entrevista sugeriram, talvez seja preciso uma corte permanente específica para o assunto, a qual não esteja, ela mesma, contaminada com um viés ideológico contra Israel.

Como discursou o promotor Henry T. King Jr na sentença final do julgamento de Nuremberg em 19 de agosto de 1947:

“Vamos lutar para estabelecer uma corte permanente, para dar às futuras gerações
alguma coisa que eles possam utilizar para processar aqueles que apostam na guerra contra a humanidade.”

https://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/antissionismo-e-antissemitismo-3-a-justica-pode-ser-encontrada/

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As pajens eletrônicas – Contra as mordaças digitais (Blog Estadão)

06 domingo dez 2020

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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A insistência do Estado e seus associados em tratar as populações de seus países como infantes pode estar apenas começando.

No caso da pandemia a falta de criatividade e a eficiência vem explodindo na cara dos contribuintes: testemunhamos um fenômeno inédito que tem sido naturalizado. Trata-se da substituição de campanhas de conscientização por multas e prisões, argumentos por decretos, e solidariedade, por flerte com medidas totalitárias.

Durante uma crise sanitária desta gravidade, por mais bem preparadas que as equipes que preparam políticas públicas de saúde sejam, jamais deveriam instruir isoladamente os chefes do executivo como proceder. Pelo menos não da forma peremptória e isolada como tem acontecido. Um assunto epidemiológico desta envergadura e impacto das medidas é de tal forma abrangente sobre a vida dos cidadãos que já deveria haver consenso de que só um trabalho transdisciplinar é capaz de ter o aval da população.

Os interesses numa democracia são múltiplos, polissêmicos e, na maior parte das vezes, conflitantes. Portanto, a arbitragem deveria emergir de um poder que moderasse os conflitos para além do viés ideológico. Um poder sobretudo confiável. O fato é que a guerra de narrativas veiculadas incessantemente impede e afasta do horizonte os consensos mínimos. Vale dizer, acordos e pactos que vem prontos, mas que nada se assemelham a confluência de interesses. São, no máximo, consensos de petit comitê.

Estes tem sido ditados. articulados e implementados por minorias que provisoriamente ocupam o comando. E como estão completamente apartados da opinião pública,  — força motriz da democracia, hoje rebaixada à segunda categoria — consideram-se livres para governar sem ela, ou até mesmo contra ela.

Minorias arbitrárias que hoje estão no comando — e parecem desprezar as garantias constitucionais  — aspiram a hegemonia e abertamente já discursam contra o rodízio do poder, conclamando alterações das normas jurídicas bem no meio do jogo. Os argumentos costumam ser os mesmos: manter a governabilidade, fazer contrapesos aos povos que não sabem votar adequadamente (sic), vale dizer, adotam a conhecida máxima: “a causa é muito mais importante do que o eventual atropelo das normas”.

Muitos governantes e legisladores — protegidos pelo álibi da votação que recebem — operam com a certeza senão da impunidade, da prorrogação da punitividade, geralmente seletiva, na figura da legitimação de instâncias infinitas. Uma parte da distorção cronica se deve às medidas excepcionais seriadas que os sistemas de poder vem adotando para corrigir problemas gerados por suas próprias inépcias.

Some-se a isso a insegurança jurídica promulgada por hermenêuticas ininteligíveis, e adotadas sem a mínima preocupação de resguardar o principio da impessoalidade e da equidade, e teremos o de sempre: um país com epidemia de distorções intelectuais.

Para bem além das teorias conspiratórias, os hoje onipresentes “checadores de fatos”, na vulgata, mais conhecidas como “mordaças digitais”, vem gozando do direito adquirido para colocar “tarjas de veto”, quando não censurar versões de fatos com as quais discordam, representam uma inaudita e gravíssima ruptura do contrato social. Nem na ditadura o censurado deixava de ser avisado que seu conteúdo fora mutilado. Medidas, que, curiosamente, vem contando com o beneplácito de expressiva parte dos veículos de comunicação de massa. Seria bom que as instituições jornalísticas e que sempre defenderam a liberdade de imprensa  se pronunciassem.

Este “cala-boca” interpretativo significa endosso ao controle das versões e das opiniões, numa clara violação do direito a liberdade de expressão, apelidado de controle de informações falsas. Sempre haverá uma justificativa para censura ou já não ouvimos antes a celebre justificativa “por ameaça à segurança nacional”. Ora, não é difícil fazer a extrapolação: quem defende a violação instrumental da Constituição Federal, defende a ditadura.

Porquanto colocar em dúvida a credibilidade das eleições seria bem menos desastroso do que colocar os críticos de máquinas das votação sob suspeição de “inimigos da democracia”. Decerto inimigos da liberdade existem — às vezes dentro das próprias hostes partidárias pleiteando cargos e mesmo dentro do núcleo duro do poder — e é certo que precisam ser combatidos com transparência.  Já a interposição de mais opacidade e endossar a censura apenas se presta a agudizar as desconfianças e disseminar as teorias de complôs. Por que este e tantos outros temas transformam-se em tabus? Às vezes, parece, à revelia das instituições.

O justo é aquele que odeia a injustiça. O monitorador moralista, o supremacista do bem, toma por vicissitude esta notável virtude. Duvidar, inquirir, arguir: não são estas algumas das garantias de que ainda vivemos num estado democrático de direito?

Confiamos no direito à livre expressão garantida na carta constitucional. A menos que o correio a tenha extraviado, supomos que ela deve estar à disposição dos únicos destinatários cabíveis: nós, o Povo.

https://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/as-pajens-eletronicas-contra-as-mordacas-digitais/

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Avalanche de perguntas impertinentes (Blog Estadão)

29 domingo nov 2020

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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              Avalanche de perguntas impertinentes

“Democracia são dois lobos e uma ovelha decidindo sobre o que vão comer no jantar” Benjamin Franklin

Por que aceitamos partidos que declaram que querem abolir as eleições? Por que os populistas costumam ter êxito? Por que a desinformação instrumental é preponderante? Por que a manipulação política do medo ainda nos guia? Por que a constituição está sendo devorada por carunchos? Por que tecnologias de Inteligência Artificial pode passar a definir o futuro dos seres naturais? Por que os políticos podem ignorar as regras constitucionais? Por que estamos submetidos ao monopsismo que mimetiza diversidade? Por que aceitamos que outros assumam decisões que seriam exclusivamente nossas? Por que achamos razoável que meia dúzia dos homens mais ricos do mundo definam o destino da Terra? Por que naturalizamos os supremacistas do bem? Por que a pandemia inspirou/operacionalizou/operacionalizara formas totalitárias de ordem social? Por que a legislação permite que partidos que pregam a supressão das liberdades individuais participem das eleições? Por que os legisladores estão acima das leis? Por que os burocratas apreciam a lentidão da justiça?  Por que quem julga os membros da sociedade não podem ser julgados? Por que a alcunha de “inimigos da democracia” está sendo aplicada indistintamente a quem ousa perguntar por urnas auditáveis? Por que estamos correndo o risco de que uma parcela da sociedade tutele a maioria? Por que a leniência é seletiva? Por que o maniqueísmo político opera dando a impressão de que temos consenso? Quem disse que autorizamos reset? Quem afirmou que acataremos um poder que decrete o fim das Nações? Quem são os tutores da (des)informação? Por que precisamos obedecer a decretos de quem não tem legitimidade? Por que a democracia não cria mecanismos para protegê-la de quem — usando o álibi do discurso da luta para defendê-la — articula sua destruição?  Quem autorizou os checadores de fatos para censurar interpretações divergentes das suas? Quem está aplicando uma lei marcial para populações inteiras por argumentos sem consenso epidemiológico? Por que a perplexidade não estimula a ação? Por que o estoicismo mata aos poucos? Por que o envelhecimento está sendo criminalizado? Por que os líderes vêm com carga genética dominante de narcisismo? Por que quando estamos perto ficamos cada vez mais longe? Por que a fé é um exercício de luta contra o ceticismo? Por que ao modo das manadas, nos deixamos arrastar à multidão errática? Por que o tempo muda o curso do espaço? Por que nos isolamos em bunkers quando não há guerra? Por que as reuniões do poder dos representantes do povo ocorrem nos bastidores? Por que as eleições livres permitem mordaças eletrônicas? Por que aceitamos o sumiço do centro? Quem resolveu abolir a declaração de conflito de interesse?  Por que prosseguimos como se nada tivesse acontecido? Por que capitulamos frente à opressão que adiante nos esmagará? Por que o populismo vinga(se)? Por que o maniqueísmo ainda é a força que domina a cena política? Por que acefalia política e populismo andam juntos? Por que a legislação eleitoral permite partidos que instigam a intolerância? Por que toleramos a lei marcial? Quem se beneficia com ultimatos?   Por que a morte às vezes simula o que não pode prometer? Por que elegemos estas pessoas?

Elegemos?

O que estamos fazendo?

Seremos salvos aos 45 do segundo tempo?

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Antissionismo é Antissemitismo 2 – Bilhete da Memória (Blog Estadão)

Destacado

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

≈ 1 comentário

Antissionismo é Antissemitismo 2 – Bilhete da Memória

“A tolerância torna-se um crime quando aplicada ao mal”

Thomas Mann (A Montanha Mágica)

A assembleia nacional francesa depois de uma discussão que durou mais de uma década passou uma resolução e decidiu que o antissionismo (o ódio à Israel)  é antissemitismo.

“A Assembleia Nacional… acredita que a definição operacional usada pela International Holocaust Remembrance Alliance permite a designação mais precisa do que é o anti-semitismo contemporâneo ”, lê-se parcialmente o texto da resolução:

“Considera-o um instrumento eficaz de combate ao antissemitismo em sua forma moderna e renovada, na medida em que engloba manifestações de ódio ao Estado de Israel justificadas apenas pela percepção deste como um coletivo judeu.” (Times of Israel, 03, 12, 2019)

E não é difícil compreender porque assim fizeram os franceses, e seria de se esperar que todos os Países civilizados os seguissem como um exemplo de respeito à civilização e de decência intelectual.

Menos de 75 anos do final da Segunda Guerra Mundial, o mundo testemunha uma crescente onda de xenofobia.  O antissemitismo foi o preconceito étnico que mais cresceu nos últimos anos. Record de ataques contra judeus foram registrados no ano de 2019. O número das agressões foi inclusive muito maior do até então considerado ápice da intolerância, pouco antes do início do grande conflito que terminou em 1945. Somente nos EUA foram reportados 2100 incidentes violentos.

Portanto volto a um assunto que já foi tema de um extenso artigo anterior publicado aqui neste mesmo Blog Conto de Notícia. Um dos candidatos a prefeito de uma das maiores cidades do mundo pertence a um partido, o Psol, cuja plataforma – e não apenas seus membros isoladamente — declara explicitamente, contra todas as evidencias disponíveis, que Israel é um Estado que pratica genocídio contra o povo palestino.

Para além do exagero retórico do partido do atual candidato do Psol a prefeitura de São Paulo citamos declaração contida em sua plataforma – “o governo de Bush foi quem mais ostensivamente o praticou, declarando apoio a Israel e a seu massacre, dizendo que o Hamas é terrorista” conforme artigo retirado do próprio site do partido do partido em 2018. A verdade, porém, é que há consenso da comunidade internacional de que após prolongadas investigações contando com experts civis e militares de várias nacionalidades de que não há nenhuma prova de que houve “massacre”e de que o Hamas é uma organização terrorista e como tal foi classificada pelos Estados Unidos, União Europeia e a maioria dos países civilizados.

O site do partido é repleto de exortação ao ódio e notícias falsas, como as publicadas no mesmo veiculo em janeiro de 2019, a verdade é que comparar o holocausto com supostas carnificinas cometidas pelas forças de defesa de Israel com os massacres promovidos pelo exército nazista, está para bem além de ser patética. O nacional socialismo alemão e seus sócios responsáveis pela política sistemática de extermínio dentro e fora dos campos de concentração assassinou 6 milhões de judeus.

Já o partido em questão adota palavras de ordem ameaçadoras, votos de ódio e hostilidade sem contexto ou equivalência moral, e uma provocação particularmente mentirosa:

Em outro trecho do “artigo”(sic) a verdade é mais uma vez torturada com slogans como classificar o regime israelense de “neonazista” (sic). Neste caso é a realidade que protesta já que ao contrário do que afirmam os militantes escribas do partido, a legitimidade e apoio ao Estado de Israel é crescente inclusive no mundo árabe e o exército de Israel está entre os mais éticos do mundo, conforme arquivos da própria ONU.

“Em Israel, tal como foi na Alemanha do terceiro Reich, se trata de um estado que somente pode sustentar-se sobre a base de um militarismo genocida e racista”. Eis mais uma anedota de um partido que nem tenta ocultar sua beligerância anti- Israel e, portanto, contra todos os judeus que encontraram lá paz e refúgio depois da Shoah. E acharam proteção e acolhimento não só naquele País, mas também em lugares como o Brasil, onde os povos estão acostumados a viver em harmonia e mútua aceitação. Convivência pacífica que parece  incomodar o núcleo duro da agremiação.

Estes são apenas alguns exemplos de desinformação irresponsável, com potencial para incitar crimes de ódio, sempre sob o álibi de apoio ao povo palestino e o argumento maniqueísta da generalização. Sequer se enrubescem quando apoiam o regime teocrático e homofóbico iraniano e embarcam na psicose anti norte americana que ainda assombra  parcela significativa da esquerda. Não é uma cegueira seletiva. Não é ingenuidade. Trata-se no máximo de uma modalidade perversa da síndrome de Hiroo Onoda, soldado do exército imperial japonês, que até 1974 viveu escondido nas selvas das Filipinas sem saber que a guerra havia acabado. No caso deste partido, fica mais do que evidente a manipulação e a desonestidade intelectual com finalidade de propaganda política.

Apesar do candidato ter se esquivado das indagações feitas para ele durante a campanha, cristãos, evangélicos, judeus e toda a opinião pública teriam muito interesse em ouvir da boca do candidato que aspira governar a cidade no qual habitam. O que afinal ele realmente pensa sobre tudo isso? E não foi por falta de perguntas ou oportunidade para oferecer suas respostas. Parece, entretanto, que o sujeito optou por um silêncio tácito quando se trata de manifestar seu viés anti-Israel. Vale dizer, só deverá se pronunciar — o que seu partido já faz aos quatro ventos — apenas quando as urnas eletrônicas estiverem lacradas.

A plataforma de acusações do Psol contra o Estado hebreu é muito mais extensa e inclui queimar a bandeira de Israel e dos EUA (Manifestação no Rio de Janeiro, 2012), ameaça de expulsão de membros do próprio partido que não seguissem a cartilha anti-Israel, acusar Shimon Peres de “genocida”, além da sequência de acusações infundadas como vimos acima. Tudo isso divulgado de forma incólume, sem que os checadores de fatos tenham verificado os fatos, como aliás acontece sempre que os fatos não desmentem a ideologia que os checadores defendem.

Recentemente, um pequeno grupo de pessoas que dizia representar a comunidade, judaica elaborou um vídeo declarando apoio ao candidato deste partido. O problema é que o fizeram de forma furtiva, dando a entender que falavam em nome de todos. Surgiram polêmicas e respostas circularam nas mídias sociais. Mas este é apenas um efeito colateral de algo muito maior: o poder desagregador da retórica do ódio camuflado de libelo político.

Felizmente, os judeus são, constitutivamente, um povo plural, no qual cabem várias correntes de pensamento, preferências e até mesmo múltiplas ideologias. Foi a memória acumulativa das perseguições, e a densidade quase genética que se revela não só no psiquismo, mas no próprio corpo, que tem orientado o sentido desta experiência de sobrevivência. Como a experiência é uma sensação individual as sensações — de perseverança e afirmação da identidade — acabam se manifestando de uma forma muito particular em cada espírito. E portanto, como Freud observou em relação aos judeus: uma resistência admirável associada à capacidade peculiar de sobreviver às intempéries.

Mas mesmo em meio a tanta diversidade, tem havido pelo menos um consenso agregador entre os adeptos da tradição mosaica: não há, nunca houve, tolerância com a intolerância.

Nem com os intolerantes.

Essa percepção não veio somente através da leitura, da cultura e nem mesmo pela educação parental, emergiu da vivência e amadureceu através desta experiência de seis milênios, já que um povo tão antigo tem a obrigação moral de se conservar como arquivo vivo. E assim, usar suas memórias como bilhetes auto endereçados ao futuro. Estes devem ser lidos em momentos mais agudos a fim de evitar tragédias e enfrentar com coragem as vicissitudes da história.

O psol, seu candidato e colaboradores merecem algum agradecimento, já que provaram à revelia, mas com todas as cores, a tese de que antissionismo — ou ódio a Israel — é, de fato, uma manifestação vicariante do ódio antissemita.

E ai, recorro ao bilhete da memória onde está escrito com tinta rutilante:  “não deixaremos acontecer, nunca mais”.

Anti- Zionism is Anti-Semitism 2 English Version – Memory Ticket

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Anti- Zionism is Anti-Semitism 2 – Memory Ticket ( Blog Estadão)

27 sexta-feira nov 2020

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Anti- Zionism is Anti-Semitism 2 – Memory Ticket

“Tolerance becomes a crime when applied to evil”

Thomas Mann (The Magic Mountain)

The French national assembly after a discussion that lasted more than a decade passed a resolution and decided that anti-Zionism (hatred of Israel) is anti-Semitism. 

“The National Assembly… believes that the operational definition used by the International Holocaust Remembrance Alliance allows for a more precise designation of what contemporary anti-Semitism is ” , the text of the resolution reads partially:

“He considers it an effective instrument to combat anti-Semitism in its modern and renewed form, as it encompasses expressions of hatred for the State of Israel justified only by its perception as a Jewish collective.” (Times of Israel, 03, 12, 2019)

And it is not difficult to understand why the French did so, and it would be expected that all civilized countries would follow them as an example of respect for civilization and intellectual decency.

Less than 75 years after the end of World War II, the world is witnessing a growing wave of xenophobia. Anti-Semitism has been the fastest growing ethnic prejudice in recent years. Records of attacks against Jews were recorded in 2019. The number of attacks was even much higher than until then considered the height of intolerance, just before the start of the great conflict that ended in 1945. In the USA alone, 2100 violent incidents were reported. 

So I come back to a subject that was the subject of an extensive previous article published here in this same Blog Conto de Notícias . One of the candidates for mayor of one of the largest cities in the world belongs to a party, Psol , whose platform – and not just its members alone – explicitly declares, against all available evidence , that Israel is a state that practices genocide against the Palestinian people.

In addition to the rhetorical exaggeration of the party of the current Psol candidate for the mayor of São Paulo, we quote a statement contained in its platform – “the Bush administration was the one who most ostensibly practiced it, declaring support for Israel and its massacre, saying that Hamas is terrorist ”according to an article taken from the party’s own website in 2018. The truth, however, is that there is a consensus of the international community that after prolonged investigations with civilian and military experts of various nationalities that there is no evidence that there was ” massacre” and that Hamas is a terrorist organization and as such has been classified by the United States, the European Union and most civilized countries.

The party’s website is filled with exhortation to hate and false news, such as the one published in the same vehicle in January 2019, the truth is that comparing the holocaust with alleged carnages committed by the Israeli defense forces with the massacres promoted by the Nazi army, it is well beyond being pathetic. German national socialism and its partners responsible for the systematic policy of extermination inside and outside concentration camps murdered 6 million Jews.

The party in question adopts threatening slogans, vows of hatred and hostility without context or moral equivalence, and a particularly lying provocation:

In another section of the “article” (sic) the truth is once again tortured with slogans such as classifying the Israeli regime as “neo-Nazi” (sic). In this case it is the reality that protests since, contrary to what the party’s scribing militants claim, the legitimacy and support for the State of Israel is growing even in the Arab world and the Israeli army is among the most ethical in the world, according to the archives of the UN itself.

“In Israel, as in Germany in the third Reich, it is a state that can only be sustained on the basis of genocidal and racist militarism.” Here is another anecdote from a party that does not even try to hide its anti – Israel belligerence and, therefore, against all the Jews who found peace and refuge there after the Shoah . And they found protection and welcome not only in that country, but also in places like Brazil, where people are used to living in harmony and mutual acceptance. Peaceful coexistence that seems to disturb the hard core of the association. 

These are just a few examples of irresponsible disinformation, with the potential to incite hate crimes, always under the alibi of support for the Palestinian people and the Manichean argument of generalization. They don’t even blush when they support the Iranian theocratic and homophobic regime and embark on the anti- American psychosis that still haunts a significant portion of the left. It is not selective blindness. It is not naivete. It is at most a perverse modality of Hiroo Onoda syndrome , a soldier of the Japanese imperial army, who until 1974 lived hidden in the jungles of the Philippines without knowing that the war was over. In the case of this party, manipulation and intellectual dishonesty for the purpose of political propaganda is more than evident. 

Although the candidate dodged the inquiries made for him during the campaign, Christians, evangelicals, Jews and all public opinion would be very interested in hearing from the mouth of the candidate who aspires to rule the city in which they live. What does he really think about all this? And it was not for lack of questions or opportunity to offer your answers. It seems, however, that the subject has opted for tacit silence when it comes to manifesting his anti-Israel bias . That is to say, it will only have to pronounce itself – which its party already does with the four winds – only when the electronic ballot boxes are sealed.

Psol’s platform of accusations against the Hebrew State is much more extensive and includes burning the Israeli and US flag (Demonstration in Rio de Janeiro, 2012), threatening to expel members of the party itself who did not follow the anti-Israel booklet , accusing Shimon Peres of “genocide”, in addition to the sequence of baseless accusations as we saw above. All this released unscathed, without the checkers facts have verified the facts, as indeed always happens that the facts do not deny that ideology checkers defend.

Recently, a small group of people who claimed to represent the Jewish community made a video declaring support for this party’s candidate. The problem is that they did it stealthily, implying that they were speaking on behalf of everyone. Controversies arose and responses circulated on social media. But this is just a side effect of something much bigger: the disintegrating power of the rhetoric of political camouflaged hatred.

Fortunately, Jews are constitutively a plural people, in which there are several currents of thought, preferences and even multiple ideologies. It was the accumulative memory of the persecutions, and the almost genetic density that is revealed not only in the psyche, but in the body itself, that has guided the meaning of this survival experience. As the experience is an individual sensation, the sensations – of perseverance and affirmation of identity – end up manifesting in a very particular way in each spirit. And therefore, as Freud observed in relation to the Jews: an admirable resistance associated with the peculiar ability to survive the bad weather.

But even in the midst of so much diversity, there has been at least one aggregating consensus among adherents of the Mosaic tradition: there is, never was, tolerance for intolerance.

Not even with intolerants.

This perception did not come only through reading, culture and even parental education, it emerged from the experience and matured through this experience of six millennia, since such an ancient people have a moral obligation to keep themselves as a living archive. And so, use your memories as self-addressed tickets to the future. These must be read in more acute moments in order to avoid tragedies and to face the vicissitudes of history with courage.

The PSOL , its candidate and employees deserve some thanks, as proved by default, but with all the colors, the claim that anti-Zionism – or hatred of Israel – is, in fact, a vicarious expression of anti-Semitic hatred.

And then , I use the memory note where it is written in bright ink: “we will never let it happen, never again”. 

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Under the threat of having an overtly anti-Semitic mayor in the city of São Paulo, Brazil, with the support of the mass media, I thought it important to publish this article in English as a denunciation of what is happening in the country.

Destacado

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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In a lecture recently held at the Bait Jewish Center, the poet, essayist and writer Nelson Ascher focused on a theme that is often banned or superficially addressed: is anti- Zionism anti-Semitism? The blog News Tale gave an overview of his remarks and added reflections that also involved the problem of reliability of the news and the fake news , the political turmoil in Europe, the role of mass immigration and Islamo -fascismo, who is not left is right or maybe just “non-left”?

Ascher started by using an absolutely synthetic statement to answer his own question

“Why does anti-Semitism exist and endure?”

“Because it always worked”

How does it work and what is the past and contemporary meaning of its effectiveness?

In stating that Zionism was a kind of “second-degree nationalism ” and that there are other “Zionisms” being gestated in Europe due to a lack of identification between the social democracy practiced by the European parliament and the countries it governs. It follows that “second-degree nationalism” can be understood as a reactivity of peoples to attempts to interfere with their customs beyond territorial and financial unity. In this sense, is Europe soon to be threatened by several movements similar to Brexit ?  

In 2018 we had a disturbing record for the number of anti-Semitic attacks in Germany, France and more recently in the United States. If there is no European unlink the current status quo of the refugee crisis that allowed the entry of nearly 2 million people (countries of immigrants from North Africa – the vast majority, frise- are not refugees) coming from intolerant cultures violently anti-Semitic. The problem therefore is more in immigration policy, which seems to have no clear criteria than immigrants themselves. 

The debate has been banned by the systematic evocation of terms prohibited by a censoring euphemism better known as “politically correct”. Any mention of the wild immigration flow has been labeled ” Islamophobic “. It is also self-evident because the expression ” Judeophobia ” is not given the same treatment . The insistence of a large part of the media to condemn Israel a prioristically, in the headlines and in the declarations, attests to this. In the recent crises with the Gaza Strip ruled by the terrorist organization Hamas – and its Iranian proxies – the headlines show the nonsense and prejudiced bias of a significant part of the news media. “Israel attacks Gaza” is the most common call, this after Israel received almost 500 rockets against civilian populations in less than 48 hours. Importantly, as has been emphasized more than once that such terrorist organizations have nothing to do with the the official government of the Palestinians and its president. They are illegal fronts, which actually oppress and hold the people of Gaza hostage. 

According to Ascher, there is a particularity in the case of European anti-Semitism, which often uses the justificationism of the anti-Zionist alibi. It is essential to analyze the role – direct or indirect – played by Angela Merkel and other leaders on that continent. 

Still according to his analysis, some of these self-titled governments of social democracies, regularly pay tribute to Jews killed in the Shoah (Holocaust) and in fact publicly condemn anti-Semitism, which has been outlawed. However, while giving funeral speeches under self-lashes, they neglect the dramatic and explicit aggressive climate against Jewish communities. While other countries seem to do the reverse. In the case of Hungary – a country that you follow the policy with particular attention – we have an example of this apparent paradox: there we have a government classified as extreme right (sic), but it is, at the same time, one of the places where contemporary Jews they seem to be safer when compared to the situation in other European countries. The paradox is only apparent: while a significant part of the left-wing parties chooses to cluster around old anti – Jewish conspiracy theories – formerly the monopoly of the extreme right – there is now a new and incendiary component to be accounted for: as defined by Umberto Eco , it is the Islamo -fascismo.

How can it be explained then that nations that even make the mea culpa frequent for their responsibilities in the genocide practiced by the Nazis with the participation of several other countries, but remain inert in the face of the epidemic of anti-Jewish intolerance that today sweeps Europe, if not with impunity, counting with the omissiveness of governments.

Ascher then recommends the following inflection: what is the “Democratic Rule of Law”. The former president Mubarak for example was directly undermined by Obama’s foreign policy and sequence the Muslim Brotherhood won the elections in Egypt. As we know, the “Brotherhood” is one of the oldest radical Islamic associations. A strategic ally of the Nazi party is today an admittedly jihadist entity . He won by a large margin defeating all moderate parties in what would be one of the first elections in the Arab country in decades. Shortly afterwards, the population itself understood the error and took to the streets – in an event that was wrongly classified as “Arab Spring” – asking for the deposition of the newly elected, which effectively ended up through a military coup led by General Sissi. 

At the time, several analysts attributed the phenomenon of the election of Morsi – recently killed by a heart attack – to an error in the timing of the democratic process: IM was the only organization to keep its structure intact during the subsequent dictatorships that lasted and, therefore, the only one able to compete in the election as an almost exclusive option in that suffrage of a plebiscitary character. Considering the episode, what is the Democratic Rule of Law anyway?

If only an understanding of the historical-political context can define it, what is its consistency?

Right and left have their wild vices and classifications. In turn, those who do not fit the postulates of the left are liable to be labeled right or extreme right. Only “not left” or “not right” is not allowed. Many members of the North American Democratic Party and the English Labor Party – centered on the figure of Corbyn – have instrumented the discourse of the struggle for Palestinian rights by sacrificing historical principles by openly defending anti-Zionist and anti-Semitic stances. This includes standing in defense of the aitolás theocratic regime and defending jihadist organizations – officially recognized by the European Parliament as terrorist entities – such as Hamas and Hezbollah. These are complaints that come from within the English labor party itself.

What would be the ideological and tactical significance of this political tour?

It is disturbing to know that many journalists have started to act in a militant manner. Selecting news according to more ideological standards than reporting facts. It seems obvious that the hermeneutic bias has taken on a much more powerful form than the facts. Even if neutrality is an idealized function, wouldn’t the original role of journalism be closer to encouraging the reader to make his own decisions than to doctrine it ? Not nowadays, when the fake news that comes from official sources are much more compromising – because they are supposedly unsuspected or less suspicious – than those advertised on social networks – always subject to double checking by the most careful users.

After the episode of the accusations of the defeated candidate for the presidency of the Republic, Ciro Gomes, who externalized his prejudice when he evoked “corrupts of the Jewish community”, the most recent Brazilian case of a statement accusing the Jews fell to the magazine “Isto É”. The broadsheet published unfortunate article explicitly anti-Semitic – with the pretext to accuse the current government communications secretary – using the motto compares it to the propaganda chief, Josef Goebbels’s infamous, marquetólogo the fuhrer . The magazine also used the accusatory term to fabulate and identify the enemy, again, “the Jewish community”. The title of the libelo would dispense with further explanations “O Goebbels do Planalto”.

In this sense, the attempt to sabotage the right of any subject of a certain ethnic group to work or act politically for a government that the columnist and the editorial direction of the pamphlet considers inappropriate is evident. In the absence of consistent arguments, the accusation will always fall on the ethnic condition that is most at hand. It sounds more often against Jews.

It is at this moment that we are very close to the impeachment of citizenship. And the suspension of the idea of ​​the secular state by those who should defend it . And so it was possible once again to evoke the myth, this one clearly neo-Nazi, that there would be a “Jewish plot”. Now, there are Jews of all political currents and nuances and the ethnic- religious condition could never be used as an alibi to generalize anything. Unless it is clear that the journalist or writer is already in the fragile intellectual condition of post-analysis . That is, what matters in any story is your personal beliefs and the starting point is already the ending point. Groundless generalizations such as those that routinely appear always start from an ideological, devotional, that is to say, fanatic bias. 

Is there not one of the roots of the discredit today attributed to regulated media in general? The manufacture of disinformation – increasingly identified by the speed and expansion of access to the diversity of information media – is not the very genealogy of false news? News that is now spreading with the magic of the web with frightening resourcefulness? Does this occur while it is possible to observe paradoxically a considerable advance of confidence in what is transmitted through social networks?

After all, what are ” fake news “? And what is its impact on the national and international political scene? Especially in the case of Israel that suffers a considerable number of attacks with financed media and paid blogs to spread, for example, hate speech and intolerance.

In this sense, it can be said that modern anti-Semitism has dressed up as an occasion for anti – Zionism . However , it is an improvised outfit. Under the demountable cloak that deserves to be demystified by serious journalism, there is selective respect for freedom of expression.

Just over 74 years after the end of World War II and the death of more than 60 million people, including 6 million and 250 thousand Jews (these dead after the end of the war when they tried to return to their European homes), the reality only reaffirms the vital importance of the existence of the State of Israel for the Jewish people and their security in the current historical moment. And despite the threats and the revival of the virulent wave of intolerance against the Hebrews, there has never been a time in human history when so few Jews died in massacres. The anti-Zionism then finally is revealed as just another veiled face of one of the most primitive archetypes and recurrent humanity.

Perhaps the great frustration of preachers of hate is that this time the scapegoat has a way of defending itself.

https://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/antissionismo-e-antissemitismo-1/

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