• Uma entrevista sobre Verdades e Solos
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” no Jornal da USP
  • A verdade lançada ao solo, de Paulo Rosenbaum. Rio de Janeiro: Editora Record, 2010. Por Regina Igel / University of Maryland, College Park
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” por Reuven Faingold (Estadão)
  • Escritor de deserto – Céu Subterrâneo (Estadão)
  • A inconcebível Jerusalém (Estadão)
  • O midrash brasileiro “Céu subterrâneo”[1], o sefer de “A Verdade ao Solo” e o reino das diáforas de “A Pele que nos Divide”.(Blog Estadão)

Paulo Rosenbaum

~ Escritor e Médico Writer and physician

Paulo Rosenbaum

Arquivos do Autor: Paulo Rosenbaum

Entrevista concedida a FM TV Internacional

08 quarta-feira fev 2023

Posted by Paulo Rosenbaum in Imprensa, Livros publicados, Na Mídia, Pesquisa médica, Prática clínica

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https://www.linkedin.com/posts/paulo-rosenbaum-742abb29_20230209-fmtv-n-16-m%C3%A9dico-e-escritor-paulo-activity-7029128213566005248-C7Ot?utm_source=share&utm_medium=member_desktop

Entrevista concedida para Isabel Fomm de Vasconcellos da FM TV internacional. Agradeço aos amigos e solicito divulgação, comentários e retransmissão. Link para assistir entrevista logo abaixo.

https://lnkd.in/dsaqNu36
#medicina #medicinadosujeito
#medicinaintegrativa #cuidado #navalhaspendentes #literaturabrasileira #verdadelancadaaosolo
#ceusubterraneo
#inteligenciaquaseartificial

https://lnkd.in/dsaqNu36

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Um suspiro quebra o mundo? (Blog Estadão)

Destacado

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Um suspiro quebra o mundo?

“Um suspiro quebra o mundo“

Talmud

Por que um suspiro quebraria o mundo?

Eu, por exemplo, continuo suspirando sem ainda ter detectado movimentos na crosta terrestre. Alguns estalos ouvi, mas nunca os comprovei empiricamente. O suspiro tem poder para quebrar o mundo porque a audição do mundo tem uma atenção flutuante. Somos como antenas direcionadas que prolongam a inspiração diante das emoções.

Conhecido também como expressão de lamentos, soluços de Jó e trenos de Jeremias. É possível testemunha-los no dia a dia e é importante registar que trata-se de conceito ambivalente: pode significar lamento ou interesse, pena ou desejo.

Basta alguma atenção para testemunhar sua frequência nas ruas, nos mercados, na solidão dos gabinetes, nos transeuntes que trabalham ininterruptamente, e em estudantes sobrecarregados por aulas desinteressantes.

O suspiro tem uma incidência epidemiológica máxima durante processos prévios às decisões vitais. Existem um sem número de modalidades: pode ser prolongado, curto ou ininterrupto. Afável ou agressivo. Penetrante ou raso. O mais comum é o suspiro rápido, aquele que nem percebemos, camuflado numa respiração mais ligeira. O mais vulgar é o suspiro inconsciente que aflige os usuários de redes sociais diante de imagens e textos infames e que geralmente precedem bloqueios sumários. Eles vem como avalanches, e, muitas vezes mesmo com os aparelhos desligados é impossível detê-los e aos seus efeitos colaterais.

O suspiro que aprendemos a admitir quase à normalidade é um suspiro de alívio, sob o “ufa” que sai de nós quando um susto ou o pior já passou. E é quando nos perguntamos se o pior já passou mesmo? Nem sempre, é que, da mesma forma que negamos a morte para escapar da tanatofobia, nos iludimos com a postergação das tempestades e dos tempos obscuros. Há um suspiro quase obrigatório, aquele que sempre ocorre quando diante da dúvida e da interrogação que vai logo ali adiante.

Existem suspiros de euforia seguidos de decepção. Segundo relatam os historiadores coube a Alexandre III, o mais logo e intenso suspiro do qual se tem notícia. Foi quando consultou o famoso oráculo de Delphos. O comandante em chefe queria saber o prognóstico e o destino de seus exércitos. Após um breve momento de empolgação, o suspiro rapidamente transformou-se em hesitação até ser compactado em pânico brando. Segundo testemunhas, com o suspiro foi contido na garganta e ele nunca mais falou no assunto como também nunca se recuperou, até sua morte precoce aos 32 anos.

Há também uma categoria especial do suspiro que é o do resmungo. Camões bem retratou bem em “Os Lusíadas” ao se referir os refrões mal humorados dos velhos do Restelo. Mais contemporaneamente foi reativado aos milhões diante de uma promessa grandiosa que virou um campanha esportiva pífia e humilhante realizada em um País distante. Numa categoria análoga estão os suspiros ocos, os que perderam o significado, os expressos por instinto ou vicio.

Outra curiosidade sobre suspiros: eles podem vir em salvas e chegam a atrapalhar a oxigenação do sangue. A suspirose é um quadro que denota ansiedade (vale dizer, inquietude) acerca do nosso devir. Há ainda o suspiro arrogante dos que imaginam que tudo compreenderam. Nesta modalidade de suspiro a hubris manifesta-se como um déficit cronico de autocritica. Também se incluem nesta categoria o suspiro diante daqueles que detém o monopólio da benevolência, dos filósofos que abandonaram a dúvida, dos literatos que encontraram o elixir do senso comum, dos tecnocratas que, por hora, determinam o que pode e o que não pode ser exibido em horário nobre, pelas injustiças que o povo sofre diante dos bullyings de Estado.

Um dos mais comoventes contudo é o suspiro por pessoas desaparecidas prematuramente, suspiro por pessoas que deixaram insanáveis vazios, e aqueles que emitimos no escuro por todas as faltas, mesmo aquelas que nem desconfiamos. Um dos mais dolorosos é decerto o maladie du pays, que significa as saudades que os expatriados tem de sua terra natal. Alguns relatam que ele é acompanhado por uma dor física atroz, que se assemelha um ardor no peito e descrita como “um espeto de metal em brasa”.

O suspiro do desejo. Este se transforma em um ato infinito e é quase impossível recobrar a respiração. Por um bom prato, diante de causas políticas perdidas, por utopias, pelo tempo perdido.

O suspiro amoroso estranhamente tornou-se cada vez mais raro — substituído ou não pelas paixões políticas, portanto indevidas. Suspeita-se que pode estar sendo praticado longe dos olhos públicos. Especula-se também que talvez esteja sendo estocado para épocas mais estimulantes.

Já o grande suspiro, o suspiro que não racha o mundo, mas o reaglutina, e regenera as partes fendidas. Deplorar ou bendizer, talvez na referida ambivalência resida sua maior virtude: ao quebrar o mundo um suspiro pode, enfim, romper o silêncio que nos cerca para aguçar a benevolência do Universo, ou, nos tornar menos invisíveis.

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Dicionário explícito de sinônimos político-eleitorais (Blog Estadão)

03 quinta-feira nov 2022

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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https://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/dicionario-explicito-de-sinonimos-politico-eleitorais/Dicionário explícito de sinônimos político-eleitorais.

Alinhamento automático – Ímpetos robotizados que costumam enaltecer o grande líder/grande causa de forma emancipada da consciência.

Apoio crítico: Álibi de escasso teor autocrítico.

Apoio velado: Suporte encerado com parafina que sustenta um poste, objeto ou sujeito desequilibrado.

Austeridade econômica: Emissão de cheque em branco para programas de governo secreto.

Autoritarismo – Regime político de quando se perde a autoridade. (ver Totalitarismo)

Censura: Método intuitivo-virtuoso de seleção criteriosa de conteúdos suprimíveis, com prioridade para aquelas vozes que não mais apresentam relevância para a nossa ideologia. Analog. Controle da mídia- Vigilância altruísta da livre expressão com tutela parcimoniosa nunca antes vista.

Centro político: Entidade fóssil, fundamental para a paz social, que já fez parte de um longínquo passado, parece que à época adotavam a razão, a decência e o meio termo como norma de conduta.

Coerência política – Metaf. termo quimérico cuja raiz já estava presente na Escola Pós Pitagórica de Eugenio de Abdera, ou Eugen o Velho, posteriormente também muito difundida entre os discípulos e admiradores do livro “Candide” de Voltaire.

Conservadores: Agrupamentos imersos em salmora ácida que torna o pickles degustável, porém indigesto.

Constituição Federal – Verbete não encontrado.

Darwinismo social – Doutrina que, aos poucos, migrou da relativa racionalidade do estado mínimo para o estado nulo. Liter. “por que nós nos importaríamos com vocês?”

Divisão de poderes: Operação matemática cujo resultado tem sido rigorosamente “noves fora nada”.

Fanatismo – Atitude individual ou coletiva que preconiza a supressão da faculdade de distinção, para substitui-la por obnubilação voluntária. Os adeptos costumam também chama-lo por absolutismo justificacionista e militantismo fundamentalista. Berço das teocracias religiosas e não religiosas.

Frente ampla: Assembleia fashion-censitária de personalidades com costas quentes.

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Acerca da Novíssima Medicina* (Blog Estadão)

03 quinta-feira nov 2022

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Acerca da Novíssima Medicina*

Talvez a Medicina seja a mais solitária de todas as artes. Refiro-me aos devaneios do médico como caminhante solitário. Ele deseja estar com os que ele deseja ajudar, e produz solilóquios e monólogos inconclusivos sobre o que faz e o que deixa de fazer. Que eu tenha testemunhado essa relação não vem sendo parte de nenhuma biografia ou investigação instigante. Mas, a despeito dessa negligência, ou exatamente por ela, as reflexões subjetivas dessa práxis deveriam merecer mais atenção dos pesquisadores e da opinião pública, não exatamente pela relação entre o médico e seu paciente — em suas muitas conotações — mas muito mais pela quietude misteriosa com que todo ato de cuidar deve estar revestido.

O papel da medicina talvez tenha uma amplitude maior do que fazer interferências sobre doenças conhecidas. Existem estados clínicos de difícil classificação: são funções alteradas, sensibilidades em desassossego, ritmos deprimidos e perturbações orgânicas e psíquicas sem resultados laboratoriais conclusivos. Diante desse quadro contemporâneo, qual será a saída? Como escapar do abuso da automedicação, das doses progressivas de antidepressivos? Como evitar os apelos diários ás soluções simplistas? Quais pesquisas são prioritárias, e como acessar informações confiáveis? Há alguma forma de se equilibrar na instável balança da saúde, que oscila entre fatores de risco e proteção? Talvez não haja resposta satisfatória, mas uma coisa é certa: não bastam medicamentos eficazes, tecnociência aplicada ou procedimentos hospitalares sofisticados. Os médicos deverão se preocupar cada vez mais em saber diferenciar as pessoas do que agrupa-las em tipologias. Eis as raízes do Ethos do cuidado. É nesse espaço, território ou lugar que um novo tipo de arte medica para além do ultrapassado conflito entre Medicina standard e Integrativa pode se desenvolver. Deixou de ser utopia, já que a novíssima Medicina Comporta uma ideia das mais práticas: qualquer ação terapêutica deve ser baseada em cuidados pensados para cada um.

Não é incomum ouvir falar sobre as crises da Medicina. Mas, por mais que as investigue, não as detecto, pelo menos não como um drama insinuado, crise de consciência ou esgotamento do modelo científico sobre o qual ela se apoia. Ao contrário, sua hegemonia é cada vez mais sólida e abrangente. Pois, então, onde é que ela, a tal crise, estaria? Afirmo que não é no sucesso da razão tecnológica, pois o êxito das novas tecnologias não é só estrondoso, mas parece possuir a consistência do que é tanto definitivo como irreversível.

O regime de validação dos procedimentos da Medicina é tão extraordinário que não pode se dar ao luxo de se importar demasiadamente com as questões chamadas “menores”, como, por exemplo, os conflitos de interesse que ocorrem nas publicações científicas revisadas por pares, mesmo quando não assumidos. Não é que os conflitos não estejam sendo avaliados, e muito menos que não gerem legítima preocupação, mas é que não há uma solução razoável para eles.

Pode gerar perplexidade, mas, sendo bem pragmáticos: um pesquisador subsidiado é, antes de tudo, um funcionário. Sua função é submeter-se a um regime que lhe pede, explicitamente ou não, prestação de contas. Ele precisa produzir para justificar seu custo na linha de produção/geração de tecnologia, daí que papers, que crescem em profusão geométrica, contra leitores que não dão conta de se atualizar, acabam sendo excedente de luxo. Vale dizer: o problema da produção científica é como uma raiz que não pode ser apropriadamente desmembrada, pois, para controlá-la, precisaríamos de núcleos de pesquisa subsidiados pelo Estado, que também teria de ser relativamente neutro e independente em suas políticas de produção e avaliação científicas. Obviamente, isso não acontece, pois, cada vez menos, os Estados são imparciais em suas políticas de pesquisas.

No caso das pesquisas em biotecnologia médica, infelizmente vale mais o desenvolvimento de uma droga cara para uma enfermidade que tem visibilidade para a opinião pública e gera dividendos políticos e não políticos – ainda que não seja tão prioritária – que medidas de caráter sócio-educativas ou técnicas substitutas/complementares que apresentam menor impacto midiático imediato.

Considerando que os pleitos eleitorais são todos eventos de curto ou curtíssimo prazo, não fica difícil deduzir para qual lado habitualmente pendem as decisões econômicas em saúde. Esse é o atual jogo jogado pelas pesquisas científicas no mundo político dos subsídios, e não adianta nada – parafraseando Ronald Laing – fingir que não vemos o jogo que eles fingem não jogar.

Como a maior parte das experiências com novos fármacos e vacinas, assim como o próprio desenvolvimento da biotecnologia encontra-se em mãos privadas, não há espaço, quiçá interesse, para ultrapassar a dimensão burocrática da discussão. Ela se torna novamente refém dos vícios que as normas antivícios tentavam, em vão, corrigir. Não se trata de entender o enredo da forma como Franz Kafka via o mundo, mas de apontar problemas que, de tão assombrosos, funcionam como pontos cegos ao próprio desenvolvimento dos debates científicos.

Na prática, isso significa que o novo, está, a priori, condenado, pelo menos com sérias chances de jamais nascer, ou de ser prematuramente asfixiado dentro dos meios institucionais. Nesse sentido, os próprios santuários da inovação, as universidades, acabam trabalhando contra si, pelo menos contra o sentido da sua permanência. Há, assim, o novo paradoxo, já que a finalidade das pesquisas – que não é necessariamente ratificadora de procedimentos institucionalizados – é mais exatamente agir contra a natureza que a criou: o surgimento do novo.

A título de exemplo, isso tudo pode ser mais bem observado nas políticas públicas da área cultural: o cinema independente, e qualquer atividade artística que não seja comercial, só conseguem sobreviver com apoio e retaguarda do Estado. Isso induz, pelo menos, a dois tipos de sínteses duvidosas: as denúncias que abusam de generalizações simplistas e abstratas, como condenar o “sistema” pelo estado de coisas, e outra, não menos comprometida, de fazer a defesa do alinhamento automático com o status quo. Isso significa, na prática, certa inércia diante dos tabuleiros viciados.

Pode ser que nada de melhor tenha sido inventado, e que as normas e metodologias que aí estão, apesar de extremamente problemáticas, ainda sejam as menos absurdas. Mas será que sob elas aflorariam as revoluções científicas e, portanto, o próprio desenvolvimento científico e tecnológico? Não poderíamos responder, mas o problema apontado acima continua sem solução, já que o estruturalismo sobre o qual se apóia a produção científica mundial permanece renegando sistematicamente sua vocação fundamental.

A próxima pergunta seria saber se, mesmo nesse ciclo involuntário, que bloqueia toda perspectiva de disruptura, poder-se-ia esperar uma mudança significativa na práxis médica, por exemplo. Colocando de outro modo: como esperar, diante desse cenário, horizontes renovados? Como acreditar na indução de uma novíssima Medicina? Se dependêssemos da produção científica canônica e do aparato instrumental das publicações, do jeito como estão concebidas, jamais alcançaríamos a ousadia. As chances, as boas chances, estão nos lugares que estão fora do mainstream hegemônico. Tais áreas de escape são territórios não completamente mapeados. São continentes desconhecidos que fazem surgir pressões necessárias para a renovação, malgrado seguem correndo por fora. Há, contudo, uma chave para que se possa compreender melhor a força dessas regiões excluídas: as pessoas.

São pessoas que desejam que a Medicina tenha um sentido e uma direção muito diferentes das feições até aqui assumidas. É desse espaço, sem latitude ou longitude definidas, que estão surgindo insatisfações, desconfortos, de qualquer forma uma espécie de mal-estar benévolo, que instiga e fomenta as mudanças. Foi por causa dessa maioria, até há pouco silenciosa, que começou-se a falar de “Medicina baseada em narrativas”, de “Medicina centrada no paciente”, “da Medicina do sujeito”.

São pacientes com suas demandas, suas necessidades de se fazer ouvir, de expressar interpretações de suas biografias junto às queixas clínicas. De avaliar seus próprios estados clínicos. São narrativas com detalhes que mostram a singularidade dos contextos de cada sujeito, o clamor não verbalizado por solidariedade. A busca por pessoas que cuidem. O desejo forte de que o diálogo com os médicos não esteja restrito a meras construções discursivas científicas. O compartilhamento honesto sobre as dúvidas, proteção e riscos atrás de cada intervenção. A atenção focada no que é vital em saúde mais do que na patologia propriamente dita. A qualidade da existência como critério de sucesso mais importante. Todas essas aspirações crescem, mesmo numa sociedade saturada por informações filtradas pelo jornalismo científico, ditadas de acordo com o humor das redações ou articulações políticas urdidas nos corredores.

É desse ponto que as Medicinas integrativas, incluindo muitas Medicinas Tradicionais poderia induzir uma renovação da atitude dos pesquisadores para pode fazer renascer o pendor natural que a ciência tem pelo desafio. Desafio que age contra duas forças contemporâneas que enganam com um embate pré-dialético: cientificismo versus rigor doutrinário.

Um desafio que pode fazer romper a excessiva — e até certo ponto nociva — dependência que temos hoje da tecnociência. Um desafio que recusa o descarte do ultrapassado. Pode ser um novíssimo que agrupe idéias já rastreadas, ressurgimento de pesquisas em desuso, retomada da velha fórmula da Medicina hipocrática baseada em observação e em rituais empíricos. Pode ser repensar as categorias propostas por Samuel Hahnemann que, mesmo bem posicionado entre os homens da sua época, insistiu em afirmar sua resistência, sempre um caminho mais difícil que desfrutar das facilidades da correnteza.

O resultado prático de não se deixa levar pela torrente de sensos comuns instalados na mente do velho continente acerca dos conceitos de doença e tratamentos foi descolar-se da média e anunciar o inédito, pois não se tratava só de apreender totalidades, mas de observar, analisar e medicar sujeitos particulares; entes com sofrimentos difusos extremamente pessoais. Decerto Hahnemann desejou uma Medicina com características muito distintas daquela que conheceu. Percebeu que qualquer novíssimo requer permanente abertura intelectual para reinterpretar bibliografias canônicas, inclusive as por ele produzidas.

Lá no século XIX, e no aqui e agora, dá-se exatamente o mesmo. Os médicos contemporâneos, assim como os dos séculos precedentes, podem facilmente dar de ombros para a força desse empreendimento. Mesmo assim a dimensão arte na prática clínica é incrivelmente teimosa. Há os que evocam as evidências para bloquear qualquer repensar da filosofia clínica. Mas, mesmo diante da progressiva escassez de defensores dentro das artes médicas, sobrevive, com algum vigor, o contra-pensamento. Porém, dessa vez, há o detalhe da inversão: os que estão sussurrando encontram-se fora das fileiras médicas.

Pensemos juntos, então, da seguinte forma: uma nova Medicina nada recusaria a priori, já que compreende, diante da vastidão do mal-estar contemporâneo, que não se pode dar a esse luxo. Aceita o que parece ser o mais racional, o menos invasivo, e o mais de acordo com uma economia humana baseada no conhecimento da vitalidade.

A novíssima Medicina abraça a necessidade de incorporar as ciências humanas às naturais, reinaugurando uma interlocução dispersa no tempo. Embalada pelo terceiro princípio hipocrático, essa Medicina só pode ser aquela que mais convém a cada um.

*Novíssima Medicina, Editora Organon, 2008

Novíssima Medicina: Devaneios do Médico como Caminhante Solitário

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Novíssima Medicina: Devaneios do Médico como Caminhante Solitário

Acerca da Novíssima Medicina*Talvez a Medicina seja a mais solitária de todas as artes. Refiro-me aos devaneios do médico como

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Protetorado Oriental do Embustão (Blog Estadão)

03 quinta-feira nov 2022

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Já estava tudo la em 2017

Protetorado Oriental do Embustão

Paulo Rosenbaum

25 de junho de 2017 | 11h21

Num lugar distante, o Protetorado Oriental do Embustão, uma poderosa organização decidiu que a democracia precisava mudar. Uma reunião de supostamente notáveis com moral ilibada, indicados por não notáveis sem essa qualidade, iniciou aquele que foi chamado de “consenso dos bravos pela governabilidade”. A única coletiva convocada desde que instauraram o novo regime foi dada com exclusividade para a única rede que, desde o inicio da noite apoiou o movimento sob um farto e memorável churrasco. As carnes mais refinadas e impagáveis foram servidas e subsidiadas com dinheiro público naquele que foi carinhosamente apelidado de “Ultimo baile do arquipélago tributário”.

Neste único briefing, o comando avisou que em pequeno comitê e às pressas, reformulara toda a Constituição federal através de interpretações ousadas e repletas da nova hermenêutica, aquela que definiram como “o único parâmetro justo no reino de poderes injustos”.

A nota divulgada para a mídia amiga em rede nacional consistia em não mais do que três parágrafos:

“Considerando a desordem e preocupados com o decisivo momento político nós, este grupo de notório saber e imparcialidade a toda prova, resolveu chamar para si a centralização da nosso Protetorado. Nós, que incansavelmente zelamos pelas leis achamos que três poderes harmônicos é pior do que um único com uma nova visão de justiça prospectiva. Nem todos podem enxergar longe e isso só é conquistado com uma mistura de muito estudo e sabedoria inata para julgar a complexa natureza da realidade política.

Isso posto, decidimos nos outorgar todas as licenças para revisar a carta constitucional, que, como todos sabem, é obsoleta. Em nosso querido Embustão, de agora até que o bolo fermente e cresça para que possamos devolver o poder, passam a valer regras monocráticas, sempre pautadas pelo respeito corporativo e pela independência da opinião publica. Opinião que, aliás, anda ousada e parece falar mais alto do que deve. Fundamos um novo momento usando um neologismo — com as devidas licenças poéticas — de “pleito da denocracia”, por uma democracia denotativa.

Neste campo, como todos deveriam saber, somos os campeões do diálogo e principalmente pelo respeito à autonomia das instituições. Todavia, as mesmas não parecem ter mais vigor ou serventia. Estão obsoletas, falidas, decadentes. Portanto assumimos sem a menor modéstia. Nosso papel atual é salvar nosso protetorado das mazelas de gente que não sabe votar e acompanhar de perto os abusos em campanhas eleitorais. Para isso, doravante todo fluxo será por nós controlado, com vistas a coibir abusos financeiros que não interessam. Que os críticos se calem pois salvar é sim a única palavra: somente com nossa inteligência estratégica, astúcia desapegada e fúria apartidária — como todos puderam observar em nossas transparentes sessões secretas — chegaremos a bom termo, e como nunca antes na história deste Protetorado implantaremos um ciclo de euforia econômica e fiscal sem paralelos nos registros mundiais.

Seguem assinaturas do colegiado que compõe o

Consenso dos Bravos pela Governabilidade do Protetorado Oriental do Embustão.

Protetorado Oriental do Embustão

brasil.estadao.com.br

Protetorado Oriental do Embustão

Num lugar distante, o Protetorado Oriental do Embustão, uma poderosa organização decidiu que a democracia precisava mudar. Uma

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Nem tudo foi dito (Blog Estadão)

03 quinta-feira nov 2022

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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De 2021 com valor indeterminado

Nem tudo foi dito

Paulo Rosenbaum

10 de março de 2021 | 16h41

Encômio aos excelentíssimos homens e gestores públicos

Nem tudo foi dito

Mas calculado, pensado, desperdiçado,

Resta-nos apenas o espaço para renegá-los

Cansamos das desculpas, declarações, dos ditados apócrifos

Nem tudo foi dito,

Mas repisado, manipulado, esquecido

A amnésia exerce a tirania sobre o passado, recém apagado

Tua voz defende o que supúnhamos superado

Mas, não. Nem tudo foi dito

Toda epidemiologia totalitária

Todo álibi a serviço da força, da repressão

O autoritarismo, sob o justificacionismo da patologia

Retirar direitos, restrições excessivas, até capitularmos pelo pânico

Abriram-se as alas para o progresso do regresso

Tua voz pode ser sentida naqueles que esperam vaga

Ali, onde os verdadeiros abnegados agem

E no vácuo das tuas condenações

A ficha corrida com um plano Marshall de desvios

Até quando?

A auto regulação do sistema preserva o próprio

Esmaga a quem deveria servir.

É o sujeito que precisa se proteger das instituições

Inversão para bem além do paradoxo

Nem tudo foi dito, ainda.

O que precisava ser dito nos inibiria para sempre

Do palanque, da tribuna, ou das luxuosas sedes dos partidos

Constranges a vida com refrães empobrecidos

E nos conduz à longa prancha que desemboca em alto mar

Já sabemos o que vocês querem

E pensar quantas vezes concedemos nos sufrágios,

Não por empatia, medo ou inércia

Nem mesmo pelo bem comum,

Foi por pura esperança assimétrica

Agora, tardiamente, sempre é tempo para recusar

Quem pode aceitar o tecido social induzido ao esgarçamento?

Destroçado por acordos melífluos, redigidos com sarcasmo

Pautados na conveniente edição do dia anterior

Nas mídias que militam uníssonas, tanto faz para quem

Na diversidade cosmética que monopoliza a opinião pública

Através dos influenciadores do senso comum

Lemos os textos, matérias pagas, que prenunciam amanhãs

Com o injustificável apetite de quem já nem consegue abocanhar o acúmulo

Nem tudo foi dito

Mas, à tua revelia, repensado

E sobre tua sombra desenhado

De quem é a culpa pela fragorosa inépcia?

Quem fez questão de exercer mandatos?

Vossas atribuições foram usurpadas por narcisismo?

Temos castas que estão acima das sanções?

Nem tudo foi dito

Pois vai um aviso: a mordaça voltará como bumerangue

Das bocas sem voz

E caso contes com nossa vaga memória

Refaremos o trailer

Que outrora asfaltou teu poder até a vitória

Até repassar as cenas

Dos tribunais do vexame, das votações secretas, de álibis esfarrapados

Para propagar tuas anti-façanhas, de dia e de noite

Não era com o que contavas?

Pois a luta se fará nas cidades, nas montanhas,

Dentro e fora dos espaços públicos aparelhados

Nem tudo foi dito

E não estamos mais nas cercanias das cidades

Nem ilhados fora das jurisdições,

Logo desceremos aos milhões

E não será para louvá-los

Ou engrossar teu coro de idolatras

Mas para dizer não à sombra na qual mergulharam o país

Para desmentir tua sanha heroica

Ou vos parece crível nossa aceitação passiva?

Achas mesmo que compramos vossa mitômana versão de democracia?

Somos dotados de uma fibra estoica

É a necessidade inspirada na convicção

De que a liberdade é a única moeda aceitável

É com ela que propagaremos a responsabilidade

Assumiremos o que nos tem sido negado

Pois notamos que é nossa única e última atribuição.

Exclusiva, definitiva, inegavelmente nossa.

Nem tudo foi dito

Porque emancipações são partos difíceis

E as gestações costumam nascer das explosões

Avalanches irreversíveis em tempestades inesperadas

Resultados de hermenêuticas incompreensíveis.

De garantismos sustentados por jurisprudências negacionistas

É dali que nascerá a insurreição

Que paralisará a guerra pela hegemonia da linguagem

Nem tudo foi dito

Homens públicos, incompetências privadas

Tiranias exercidas por marionetes, postes ou algoritmos

E templos miméticos de injustiça que se espalham com a pompa

Das palavras, palavras, palavras, e palavras ressonantes.

Que nem com todo esforço semântico

Tornaram-se relevantes

Nem tudo foi dito, já que agora estamos com a palavra

E tua sorte foi lançada num torneio sem mérito

Nem tudo foi dito porque os ossos por ti enterrados

Ainda estalam dentro de sepulcros improvisados

É que existem crimes que só prescrevem através de canetas pegajosas

E quem sofreu continua gritando através do subsolo,

Mesmo aqueles instalados em covas bem rebocadas

Nem tudo foi dito porque, involuntariamente, tuas mãos revelarão

O que nunca deve ser pronunciado

E entregarão o sangue que te persegue

Nem tudo foi dito porque perdemos o medo

Não tememos mais o exílio

E a submissão, não é mais uma opção

Enquanto vocês simulavam ofertar liberdade

Éramos nós que lutávamos contra o arbítrio

Nem tudo foi dito porque o pesadelo nunca falha

Dura até que o sonho da pacificação se sobreponha

Acabamos de lembrar do “nós contra eles”

Dos abusos, da linguagem caricata, do desprezo

Do abandono de populações inteiras compradas com cala-boca mensais

Do represamento das insurreições com gorjetas

Da oposição fantoche

Enquanto o Estado descia

Resultados de emergências artificiais

Enquanto as reais jamais são contempladas

Para que conscientizar se é possível ordenar?

Nem tudo foi dito, é verdade, pode demorar

Mas te faremos discernir o que você nunca poderá entender

Afastaremos você e teus discípulos

Hábeis em criar anti-destinos e no culto à personalidade

E mundos nos quais as vítimas permanecem emudecidas

Por ora, estamos subjugados, mas amanhã

Amanhã podemos não te dar posse

Hoje aflitos, amanhã saberemos quem nos coagiu

E nos forçou a aceitar os injustos impostos

Hoje calados, amanhã libertados por espalhar teus erros

Nem tudo foi dito

Mas temos uma vantagem

Sabemos que, até aqui, nenhuma tortura fez a história retroceder

E tuas manobras podem terminar em nada

E apesar dos teus idolatras e dos teus enganos bem articulados

Não cederemos à decomposição, ao clamor pelo conflito

Antes, ergueremos muros sem pedras

Com as barreiras da verdade que tanto relativizas

E se nem tudo foi dito

Hoje diremos tudo, de vez, até o último fôlego.

Sem que ninguém interrompa.

E o que ao poder nunca foi dito?

Será um eco

O eco que invadirá a casa das omissões.

Para regenerá-la em ações.

E vossas digníssimas presenças

Serão as mais comemoradas ausências.

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Considerações Pós-Maniqueístas (Blog Estadão)

03 quinta-feira nov 2022

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Paulo Rosenbaum

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Eu respiro Glasnost, você vive cogitando censura. Não me detenho diante dos retrocessos, você os estimula. Comemoro a liberdade, você legisla para restringi-la. Quando se trata de ideologia sou ciclotímico, você tem fidelidade doutrinária. Volto ao caminho do meio, o centro te parece repugnante. Cada dia acordo diferente, você nunca despertou do alinhamento automático. Você pensa nas virtudes da mordaça, eu recuso reduzir-me ao silêncio. Prezo o sujeito, você adula as massas. Penso através de imagens plásticas, você memorizou a cortina de chumbo. Eu preciso da contradição, você ama linearidades. Você aponta para um passado que emula futuro, eu, desconcertado, me deixo dominar pelo agora. Vivo de ansiedades premonitórias, tuas certezas nem desconfiam da inconsistência do mundo. Eu mudo com celeridade e testemunho tua renitente cristalização. Eu fluo, você engessa. Teu rosto está permanentemente oculto, o vento bate na minha cara. Tu selecionas com estratégia, eu vivo improvisando. Reconheço o descontrole do destino, você já disse que o domina. Olhando para o horizonte me encho de duvidas, você anuncia meias verdades. Estufas o peito para anunciar a redenção, eu duvido de mim mesmo. Reconheço tua complexidade, você me simplifica numa palavra. Você diagnostica a todo segundo, eu busco compreender os sintomas. Tua aparente tranquilidade nem imagina como meus sonhos são agitados. Você só interage porque tem objetivos, eu não tenho escolha. Você enxerga pessoas como instrumentos, eu derreto contemplando suas vulnerabilidades. Eu me oponho por não concordarmos, teu antagonismo é por convicção. Eu assumo os ressentimentos, você os justifica. Você delega os juízos, eu reconheço os equívocos. Eu enfrento o poder, tuas cédulas o adulam. Prefiro a paz das aproximações, tua pregação de reconciliação não passa de exortação à capitulação. Seus amigos são treinados para aplausos, os meus poucos são exímios perguntadores. Com dificuldade resigno-me diante das leis injustas, você as endossa. Você so concebe a vitória, para mim o jogo é contínuo. Você entende a democracia como altercação permanente, para mim, aproximação sucessiva de consensos provisórios. Quem nos salvará das propagandas de salvação? Eu aceito a totalidade, você sonha com o partido. Sou propenso a me denunciar, você é infalível. Se reconhecesses o bem comum eu te cederia o trono, você preferiria incendiá-lo.

Não é bem que nos opomos, habitamos dimensões paralelas que não se tocam.

Se toquem.

https://brasil.estadao.com.br/…/consideracoes-pos…/

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03 quinta-feira nov 2022

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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“A instituição não é nada em si mesma. Ela consiste num conjunto de regras, aplicadas aos papéis e aos comportamentos sociais, permitindo à liberdade de cada um realizar-se sem prejudicar a dos outros. Todo pensamento político fundamental deve levar em conta este ponto crucial em que a instituição e a liberdade se entrelaçam, ou melhor, se engendram mutuamente. Se a instituição não se situa nesse trajeto inteligível que Hegel chamava de “realização da liberdade” ela se torna, então, opaca, ilisível, indecifrável, e cada um começa a sonhar com sua liberdade fora das leis.”

Paul Ricoeur in “Interpretação e Ideologias”.

Venho fazendo solilóquios. Talvez este seja apenas mais um deles, mas vai que alcance algum leitor com atenção flutuante. Tenho buscado sutilmente (ou nem tão sutilmente) mostrar em artigos e até através da literatura que — apesar da pletora de slogans :”Pela diversidade”, “Pluralidade”, “Respeito às diferenças”, portanto todos teoricamente a favor da multiplicidade de vozes e metodologias —temos vivido sob o domínio de um sistema que poder-se-ia chamar de intelectuopólio. O monopólio das ideias é uma derivação do pensamento único, do centralismo partidário, da visão de uma cultura de massas que detém um conceito anacrônico de verdade, apesar de estar camuflado sob o manto da abertura e da aceitação das diferenças.

A ideia é incompatível não só com a essência epistemológica da ciência, mas da própria cultura.  A pandemia, por exemplo, demonstrou que há um proceder por parte da ciência e de seus veículos, incluindo a mídia que a suporta através da divulgação científica, a qual vem adotando uma postura monológica sobre uma patologia que toda a comunidade científica sabia (e assim ainda é) muito pouco. Isto é, diante da ameaça busca uma espécie de solução derradeira, de última palavra sobre o que é clinicamente eficaz e o que não é.  Vale dizer, existiria um saber último que se sobreporia a todos os demais. Ora, quem conhece os princípios básicos da crítica do conhecimento sabe que essa é uma posição antagônica à atitude de neutralidade e receptividade que o cientista deve adotar.

Como escreveu Imre Lakatos há uma permanente competição entre programas científicos rivais, destarte isso não significa que o objetivo seja a prevalência vitalícia de um deles sobre todos os demais e a qualquer preço. Ou seja, é preciso estar aberto— e até desejoso — para encontrar evidências e indícios que vão contra o teste de hipótese que comprova ou não uma tese.

O mesmo se passa com as instituições. Pois bem, quais as consequências imediatas de cientistas ferrenhamente engajados em causas ideológicas, portanto políticas, quiçá partidárias? Perdura uma atitude de pré julgamento. Neste caso, adota-se um vício de análise que é capaz de cega-lo, e aos demais, sobre a veracidade e plausibilidade de outras propostas metodológicas, e especialmente de suas conclusões e aplicabilidade empírica. Sob o império da monocultura é que criamos o risco do intelectuopólio. Pode-se até mesmo afirmar que é uma das origens de sociedades tão fendidas com os respectivos danos para o entendimento dialógico.

Vale dizer, a hegemonia de certas teorias e teses se sobreporiam de forma tão arbitrária e sectária que qualquer novo conhecimento seria asfixiado no berço, ou até mesmo antes disso. O comprometimento da originalidade e da criatividade é incomensurável. Isso vale para as ciências duras, mas também para as ciências humanas e portanto estende-se a todos os outros campos do saber. Essa refutação apriorística de tudo que desafia o corpus canônico estabelece um paradoxo insanável: se a pesquisa busca desvelar o novo — Bachelard dizia era preciso provocar para fazer com os átomos fossem evidenciados —  como poderia fechar-se diante de uma possibilidade apenas perscrutada — desde, é claro, que possa ser racionalmente defendida para além dos próprios bolsões ideológico-culturais.

E agregue-se um problema novo: hoje a I. A,, Inteligência Artificial  já tem como redigir artigos, elaborar relatórios e até assinar obras literárias. Como fica a revisão por pares (peer reviewers – corpo de pessoas que julgam a qualidade científica dos papers), quem dará o veredito se devem ou não ser publicadas?

O critério de escolha destes pares para integrar boards editoriais também estabelece um sério problema, pois é sabido que os editores destas publicações — incluindo jornais e revistas comuns — acabam escolhendo revisores juízes e colaboradores com afinidades não só no campo das disciplinas pelas quais transitam, mas também de proximidades político-ideológicas. Esse endogenismo pode ser uma das raízes do aprofundamento da chamada polarização que tomou conta do mundo, especialmente das grandes democracias ocidentais. Engana-se que o fenômeno está circunscrito às matérias políticas, ela se estendeu a todos os setores da vida pública e privada.

Nestes casos, o critério se aproxima de um cientificismo político— pois este é o nome — que ajuda a deslocar a cultura para uma posição sempre dicotômica, a qual, inevitavelmente, desvia-se até chegarmos ao maniqueísmo. E, ao assim proceder, ferem-se os princípios fundantes da arguição acadêmica, que consiste em atitude analítica, na histórica busca pelas melhores perguntas e na permanente luta contra os dogmas.

Ao se posicionar de forma política (e partidária) estão aceitando suspender o juízo em nome da causa. E a causa, como todos sabemos, não não nos leva à desejada fusão de horizontes, mas às idealizações inter-excludentes e, consequentemente, ao desmantelamento das instituições

Portanto temos sido levados a crer que só há paraíso e inferno, esquecendo de toda inexplorada vastidão que existe entre o céu e a terra.

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Intelectuopólio, ou, Monopsismo do Pensamento (blog Estadão)

03 quinta-feira nov 2022

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Intelectuopólio, ou, Monopsismo do Pensamento

“A instituição não é nada em si mesma. Ela consiste num conjunto de regras, aplicadas aos papéis e aos comportamentos sociais, permitindo à liberdade de cada um realizar-se sem prejudicar a dos outros. Todo pensamento político fundamental deve levar em conta este ponto crucial em que a instituição e a liberdade se entrelaçam, ou melhor, se engendram mutuamente. Se a instituição não se situa nesse trajeto inteligível que Hegel chamava de “realização da liberdade” ela se torna, então, opaca, ilisível, indecifrável, e cada um começa a sonhar com sua liberdade fora das leis.” Paul Ricoeur in “Interpretação e Ideologias”.

Venho fazendo solilóquios. Talvez este seja apenas mais um deles, mas vai que alcance algum leitor com atenção flutuante. Tenho buscado sutilmente (ou nem tão sutilmente) mostrar em artigos e até através da literatura que — apesar da pletora de slogans :”Pela diversidade”, “Pluralidade”, “Respeito às diferenças”, portanto todos teoricamente a favor da multiplicidade de vozes e metodologias —temos vivido sob o domínio de um sistema que poder-se-ia chamar de intelectuopólio. O monopólio das ideias é uma derivação do pensamento único, do centralismo partidário, da visão de uma cultura de massas que detém um conceito anacrônico de verdade, apesar de estar camuflado sob o manto da abertura e da aceitação das diferenças.A ideia é incompatível não só com a essência epistemológica da ciência, mas da própria cultura.  A pandemia, por exemplo, demonstrou que há um proceder por parte da ciência e de seus veículos, incluindo a mídia que a suporta através da divulgação científica, a qual vem adotando uma postura monológica sobre uma patologia que toda a comunidade científica sabia (e assim ainda é) muito pouco. Isto é, diante da ameaça busca uma espécie de solução derradeira, de última palavra sobre o que é clinicamente eficaz e o que não é.  Vale dizer, existiria um saber último que se sobreporia a todos os demais. Ora, quem conhece os princípios básicos da crítica do conhecimento sabe que essa é uma posição antagônica à atitude de neutralidade e receptividade que o cientista deve adotar.Como escreveu Imre Lakatos há uma permanente competição entre programas científicos rivais, destarte isso não significa que o objetivo seja a prevalência vitalícia de um deles sobre todos os demais e a qualquer preço. Ou seja, é preciso estar aberto— e até desejoso — para encontrar evidências e indícios que vão contra o teste de hipótese que comprova ou não uma tese.O mesmo se passa com as instituições. Pois bem, quais as consequências imediatas de cientistas ferrenhamente engajados em causas ideológicas, portanto políticas, quiçá partidárias? Perdura uma atitude de pré julgamento. Neste caso, adota-se um vício de análise que é capaz de cega-lo, e aos demais, sobre a veracidade e plausibilidade de outras propostas metodológicas, e especialmente de suas conclusões e aplicabilidade empírica. Sob o império da monocultura é que criamos o risco do intelectuopólio. Pode-se até mesmo afirmar que é uma das origens de sociedades tão fendidas com os respectivos danos para o entendimento dialógico.Vale dizer, a hegemonia de certas teorias e teses se sobreporiam de forma tão arbitrária e sectária que qualquer novo conhecimento seria asfixiado no berço, ou até mesmo antes disso. O comprometimento da originalidade e da criatividade é incomensurável. Isso vale para as ciências duras, mas também para as ciências humanas e portanto estende-se a todos os outros campos do saber. Essa refutação apriorística de tudo que desafia o corpus canônico estabelece um paradoxo insanável: se a pesquisa busca desvelar o novo — Bachelard dizia era preciso provocar para fazer com os átomos fossem evidenciados —  como poderia fechar-se diante de uma possibilidade apenas perscrutada — desde, é claro, que possa ser racionalmente defendida para além dos próprios bolsões ideológico-culturais.E agregue-se um problema novo: hoje a I. A,, Inteligência Artificial  já tem como redigir artigos, elaborar relatórios e até assinar obras literárias. Como fica a revisão por pares (peer reviewers – corpo de pessoas que julgam a qualidade científica dos papers), quem dará o veredito se devem ou não ser publicadas?O critério de escolha destes pares para integrar boards editoriais também estabelece um sério problema, pois é sabido que os editores destas publicações — incluindo jornais e revistas comuns — acabam escolhendo revisores juízes e colaboradores com afinidades não só no campo das disciplinas pelas quais transitam, mas também de proximidades político-ideológicas. Esse endogenismo pode ser uma das raízes do aprofundamento da chamada polarização que tomou conta do mundo, especialmente das grandes democracias ocidentais. Engana-se que o fenômeno está circunscrito às matérias políticas, ela se estendeu a todos os setores da vida pública e privada.Nestes casos, o critério se aproxima de um cientificismo político— pois este é o nome — que ajuda a deslocar a cultura para uma posição sempre dicotômica, a qual, inevitavelmente, desvia-se até chegarmos ao maniqueísmo. E, ao assim proceder, ferem-se os princípios fundantes da arguição acadêmica, que consiste em atitude analítica, na histórica busca pelas melhores perguntas e na permanente luta contra os dogmas.Ao se posicionar de forma política (e partidária) estão aceitando suspender o juízo em nome da causa. E a causa, como todos sabemos, não não nos leva à desejada fusão de horizontes, mas às idealizações inter-excludentes e, consequentemente, ao desmantelamento das instituiçõesPortanto temos sido levados a crer que só há paraíso e inferno, esquecendo de toda inexplorada vastidão que existe entre o céu e a terra. 

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Verdade Lançada ao Solo no “Indica Livros”

03 quinta-feira nov 2022

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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https://tudosobrelivro.com.br/verdade-lancada-ao-solo-a…

Um dos últimos de uma linha de justos, o rabino filósofo quer preservar um dos segredos mais cobiçados da história: a devekut, um estado alterado de consciência pelo qual se experimenta no corpo a energia de deus

Neste livro singular, de rara originalidade autoral, elos inusitados e potentes metáforas desequilibram o leitor num enredo denso, que mistura drama, aventura, religiao e política

Em 1856, na aldeia judaica de tisla, no interior da polônia, zult talb é um rabino com dons proféticos

Antevendo a proximidade de uma grande catástrofe, deve fazer com que seu manuscrito, com a narrativa da experiência, seja remetido ao futuro

Costurado através de três episódios, o romance pula geraçoes e migra do século XIX para o XXI no segundo livro

Dois amigos, um ex-viciado em drogas e um ex-médico, viajam aos alpes e, enganados pelas promessas de que o degelo generalizado favoreceria amadores nas escaladas, acabam presos pela neve numa estação isolada

Divididos entre a esperança e a resignaçao, tentam sobreviver no topo de uma montanha, sob condiçoes extremas, enquanto conversam sobre o sentido da vida

Na ultima parte, o médico descendente do rabino de Tisla, afastado das tradições judaicas, vive uma estranha experiência

Durante um plantão, um de seus pacientes é o portador de uma mensagem do passado que, com urgência, precisa ser esclarecida

Depois do anúncio da morte da transcendência, do massacre da natureza e da elevação da ciência ao patamar de dogma, há como aproximar novamente a vida espiritual ao mundo dos homens? este final da pós-modernidade trouxe de volta muitas questões filosóficas que se pensavam superadas: qual o significado das tradições religiosas? como os mortos e suas memórias entram em nossas vidas? o que é ser justo? tudo pareceria uma grande utopia se Yan Talb nao estivesse disposto a descobrir as respostas.

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Entrevista sobre o Livro

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