Tags

, , ,

Jornal do Brasil – 08/12/2011

Hiatos de guerra

Escritores e compositores pop acham que devem opinar sobre tudo. Tariq Ali não fugiu à regra. Acaba de explicar a um jornalista na última Fliporto, em Olinda, que o atual clima contra o Irã envolve Israel porque este não quer ver ameaçado seu monopólio nuclear. Além das exaltações ao ditador do Irã, endossou a montagem do arsenal nuclear do regime persa “cercado de potencias nucleares como Paquistão, Índia, Coreia do Norte, e um pouco mais distante China (sic).” Quem sabe Ali poderia esclarecer se afinal estamos diante de monopólio ou se, nos arredores, já existem armas nucleares em abundância? De quem fala? Quem prometeu varrer Israel do mapa? Uma hora dessas o paquistanês precisará abandonar a ficção e trazer argumentos verdadeiros para prosseguir sua campanha contra “conspiradores sionistas” e “inimigos imperialistas”.

Não faz preocupação quando alguém dispara tantas atrocidades isoladamente. O problema é o coro. Legiões inteiras fazem brotar jargões anacrônicos em suas vitrolas acríticas. Entre nós, há gente que perdeu a timidez e hasteou bandeira a favor do acúmulo de armas de destruição em massa. Bizarro ativismo: pacifistas atômicos sonhando com democracia nuclear.
Segundo especialistas em segurança internacional o fundamentalismo adicionou à análise fatores imponderáveis. Há muita gente interessada em guerra, a começar pela atual administração do Irã, que, para sobreviver como regime sabe que precisa expandir a influencia xiita pelos arredores. A exportação da revolução islâmica de Teerã (bem sucedida no Líbano, Iraque e Síria) hoje está sendo acelerada e, dissipada toda euforia, seus braços visíveis despontam em vários segmentos da “primavera árabe”. No front interno precisam contornar a guerra civil iminente.

para ler na íntegra acesse

http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2011/12/08/hiatos-de-guerra/