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Procuram-se leitores desesperadamente

Todos ouviram a declaração do filho do homem com sobrenatural faro para negócios. Foi preciso coragem para assumir ter lido apenas um livro na vida. Os jornais repercutiram a notícia no tom brincalhão com o qual se aborda as excentricidades do mundo VIP.
O depoimento não teve o impacto que merecia. Fácil explicar, boa parte das pessoas não lê, a começar pelos políticos que nem lêem e sequer contestam e-mails dos seus eleitores. Por um capricho dos Céus nem todos reagem da mesma maneira e me incluo entre os poucos para os quais a notícia daquele solipsismo literário foi uma deprimente mensagem da realidade.
Além da relativa baixa oferta e do ainda caro acesso aos livros precisamos considerar o problema dos exemplos. Sabe-se que filhos de pais não leitores tem reduzidas chances de mostrar apreço pela bibliofilia. Se realizássemos enquete no Congresso Nacional para saber os últimos cinco livros consultados pelos parlamentares, ninguém ousaria duvidar dos resultados chocantes dessa pesquisa.
Aliás, deve mesmo haver um problema estrutural de leitura entre nós, já que o juiz relator do Supremo Tribunal Federal acaba de confessar que não conseguirá ler até o fim os autos do processo do mensalão e que, portanto, o mesmo prescreverá em 2013. Quando nada é suficientemente absurdo já se pode atestar: trata-se de uma época amorfa. Paciência, é só o que temos tido não é mesmo?

para ler o artigo na integra

http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2011/12/15/procuram-se-leitores-desesperadamente/