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Epidemia de intolerância

Colocar voto na urna pode assumir várias conotações. Gosto da democracia, mas não posso dizer o mesmo em relação ao comportamento da maioria dos candidatos já que o que realmente interessa geralmente corre por fora das telas e jornais. Sempre me perguntei por que a desonra – corrupção, fraude ou até simples suspeição de conduta imprópria — era frequentemente motivo de suicídio entre políticos japoneses? Pois por aqui, tivemos raríssimos casos acometendo parlamentares brasileiros — mesmo contabilizando versões mais brandas como os acessos de culpa.
Chega a ser notável como as mesmas caras reemergem em cada pleito, com o passado deletado, pedindo votos e verbas como se nada tivesse acontecido. Eles devem ter razão, nada aconteceu. Mirem-se no exemplo do bom Delúbio que acaba de declarar que “não há nenhuma prova que o mensalão tenha existido”. Ficamos muito gratos pela lembrança. Então cabe perguntar, serão nossos políticos geneticamente refratários à culpa? E, nesse caso, que grande oportunidade para a ciência. Vamos investigar Brasília e sua peculiar atmosfera sem vestígios de superego. Sempre se pode escolher um corte mais sociológico e pesquisar o que leva nossos representantes a imaginar os eleitores como paspalhos desinformados.
Gostaria muito de compreender: por quais motivos somos complacentes, quase relapsos, com o “mal feito”, destarte altamente intolerantes no trânsito, na escola, no convívio diário com os nossos. Parece que simplesmente esgotamos a capacidade de nos indignar com o que realmente alteraria os rumos da democracia: um povo unido, solidário, gritando do mesmo lado. Como recuperar a capacidade de reagir sem pender à brutalidade, ao tribalismo, ao partidarismo?
Recuso o diagnóstico de que a experiência humana fracassou. Como tantos que recebem más notícias, luto contra o veredicto. É que às vezes, a realidade toma uma dimensão tão grotesca que torna a esperança artigo sem efeito. Evoco o caso do motorista de ônibus em São Paulo que, apresentando mal estar súbito, talvez apenas um episódio de hipotensão arterial, provocou trágico acidente e depois acabou trucidado por covardes bêbados que saiam de um baile funk.

Leia o artigo na íntegra acessando:

http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2011/12/01/epidemia-de-intolerancia/