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Jornal do Brasil‘Bullyings’ de Estado

Jornal do Brasil – Paulo Rosenbaum

Está em curso uma expansão exagerada da aplicação do conceito de bullying, e não pretendo historicizar a terminologia, vou me aproveitar dela. Bullyings estão famosos, mas não são novidade, apenas reflexos da ausência de uma educação que ninguém mais sabe qual deve ser. O detalhe é que boa parte dos desmontes de personalidades começa nos lares. E é nessa hora que acionamos mecanismos defensivos não conscientes para bufar de alívio: “ainda bem que foi lá longe”, “não são meus filhos”, “aqueles selvagens”. Só que as perseguições ultrapassaram as quatro paredes. Qualquer abuso contra pessoas é opressão. Quando digo “pessoas” não me refiro ao sujeito anônimo, que não conhecemos e provavelmente nunca saberemos quem é. No entanto, cada criança ou adulto vilipendiado, tem nome e identidade.

Palavras são armas brancas, as mais afiadas já inventadas, e o mundo todo afunda toda vez que alguém é constrangido. A fisiologia da agressão começa nas comparações que as tribos fazem entre si: estranhar o diferente, apontar quem não pertence à maioria nem está na média. Pode ser a gorda, o quatro-olhos, a calada, o filhinho de papai, a pobre, o delicado, a negra, o judeu, o oriental, o galego, o delicado, o esquisito, o burro, a oferecida, o puxa-sacos, o que fala errado, os queridinhos da professora, a hippie ou o engravatado. Catálogos de estereótipos são inesgotáveis, e nenhum deles faz jus à nossa capacidade de segregar. Ocorre na escola, no emprego, e em casa. Vale dizer, há uma educação ideológica subliminar oculta pelo manto da competitividade, que ensina a discriminar.

Não é difícil entender por que as portas de contenção estão se arrebentando. A novidade é o bullying de Estado. Os cidadãos não reconhecem mais a autoridade, e o Estado reage, geralmente de forma covarde, contra seus habitantes. Contra o novo inimigo, o Estado aperfeiçoa os recursos: cassetetes, censura, impostos irracionais, legislação autocrática, promessas insustentáveis, ausência de regras claras e abuso de poder. A sentença de George Orwell “uns são mais iguais que outros” nunca pareceu fazer tanto sentido. Não poderia dar outra. Os conflitos ganharam as ruas.

Para ler na íntegra

http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2011/11/03/bullyings-de-estado/