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Milagre me lembra lágrima, ainda que a palavra nos remeta a outros significados etimológicos.

Sempre que um extraordinário acontece recomendamos a palavra. Mas qual a natureza do milagre?

Provavelmente mais banal do que supomos. A natureza do milagre á exatamente forçar-nos à curva do insondável e é exatamente isso que a finada pós-modernidade não permite.

É colocar-nos de frente com um avanço exagerado das técnicas, da confiança excessiva em um domínio frágil, senão perigoso, da própria natureza.

O milagre, neste sentido, é lugar comum, porque o comum é milagroso. Acontece bem na soleira das nossas portas. A respiração e as trocas gazosas são milagres que acontecem 31 vezes por minuto, a manutenção da temperatura corporal humana de 36,8 C (em média) mesmo quando há frio e calor excessivo também é um milagre. Os pequenos milagres tem uma constância absurda e é bom certa humildade para não atribuir tudo ao ocaso evolutivo.

Acreditemos ou não nele, a natureza do milagre é evidenciar o desafio. E o desafio não é só seguir adiante num mundo exagerado, com as tradições em frangalhos, todas elas.

O desafio é reconhecer a extensão da arrogância frente ao que não sabemos, enfrentar a extensão do incognoscível.

O homem pode produzir milagres e assim a ciência demonstra, o inconcebível é imaginar que o dominamos e que nós estamos no controle: sobrenatural empáfia.

Sempre me interessei por robôs mas também sempre lamentei que, pelo menos nas ficções, eles acabassem se insurgindo contra seus criadores. Não é só uma ética duvidosa, em uma palavra, ingratidão, esta das máquinas. É oportuno para mostrar que, como os velhos robôs, nós também podemos nos enganar.

Podemos até prescindir de uma autoria para o Cosmos e substituir todas elas por esse andróide mítico chamado técnica. Se é essa é a grande neurorrevolução, por favor me acordem quando tudo isso ficar um pouco mais interessante.