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Não sei se minha impressão é correta, mas vejo a explosão da modalidade de amigos virtuais de forma pessimista.

Em primeiro lugar a forma como se comunicam é, no mínimo, estranha. O uso do que se chama de “redes sociais” mostra como estamos desesperados por contato. Mas qual é o tipo de contato que desejamos? Talvez o disponível. O único disponível. Com a sociedade nocauteada por esta mistura de carbohidratos e corrupção, ela precisa recorrer.

A falencia, relativamente recente, da vida social real, — e portanto da própria sociedade — as facilidades (e impermeabilidades) que a virtualidade proporciona vem substituindo a presença por meros espectros dessa presença. Não me refiro a todos os covardes que fazem comentários maldosos, espúrios, preconceituosos sob o anonimato e pseudonimos, para depois voltar para sua tocas de má consciência.

Enfoco os que, na impossibilidade de construirem uma vida social familiar ou temática por afinidades e empatias, se iludem à revelia (atenção este autor entende, admite e apoia a ilusão e os os sonhos e sabe, por experiência, que cair na irreal é vital). Isso significa que é uma ilusão sem compartilhamento. O problema todo é que a essencia dessa ilusão é precisamente estar imerso em uma multidão amorfa, sem face. Sem face, é preciso repetir. E repetir parece ser o núcleo duro desta ilusão. O desejo gregário é substituido por uma aproximação vicária, inconsistente.
— Quantos amigos voce formou recentemente?
— Quantas velhas e sólidas amizades voce trocou por letras solidificando-se no seu plasma, enquanto do outro lado voce não tinha ideia do cheiro, da pele, dos olhos. Céus, os olhos. Não, cameras não valem. E as vozes?
— Mas temos skype.
— Não, não vale.

Há um perigo grave, desapercebido, silencioso e brutal no mundo digital e nos espaços cibertecnos — e não, agora não estou com a sensação de que me engano. Somos uma geração de robôs latinos que ensinam seus filhos que na mesa vale ficar postando mensagens enquanto fingimos estar ouvindo o que os outros nos falam.

— E para quem voce escreve?

Provavelmente para ninguém. E eu sei. Sei que meu dilentantismo tem um preço. Mas é que sou consumista quando se trata de buscar ar.