Muito. Mas estou aprendendo aos poucos, diminuir a expectativa. Não tem sido fácil. E, pelo que observo, parece ser um problema generalizado dos autores.

Ontem vi o livro nas estantes de duas livrarias de um Shopping Center. Estava lá, perdido entre tantos títulos. Não há como não fazer considerações sobre o que afinal torna um livro best seller. Não que eu não desejasse isso, mas sempre penso a que custo.

Não. Não é inveja dos escritores que vendem aos milhões mas confronto comigo mesmo. A meta é produzir algo que venda? Adoraria que isso fosse um efeito colateral do talento.

Na verdade penso que seja possível adequar boa literatura aso agrado do grande público.  No meu caso, sinto um problema de apego à linguagem. A minha linguagem. Simplesmente não conseguiria produzir algo que — mesmo com sucesso — descaracterizasse os elementos simbólicos e poéticos que me são tão caros.

Um livro depois de nascido não pertence mais à voce mesmo. Mas va convencer os pais de que os filhos são autonômos.  Dá no mesmo. Voce quer ainda  saber como ele anda, e em quais companhia se diverte e mesmo diante das mais insalubres companhias ele pode estar lá, crescendo bem, saudável.

Espero que meu livro ande só. Que desloque as pessoas do conforto. E até para os que pararem na orelha que ele possa, com efeito, sentir que foi tocado.

Se trato os livros como seres vivos?

Não, não trato, mas olha que é ótima ideia.