• Uma entrevista sobre Verdades e Solos
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” no Jornal da USP
  • A verdade lançada ao solo, de Paulo Rosenbaum. Rio de Janeiro: Editora Record, 2010. Por Regina Igel / University of Maryland, College Park
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” por Reuven Faingold (Estadão)
  • Escritor de deserto – Céu Subterrâneo (Estadão)
  • A inconcebível Jerusalém (Estadão)
  • O midrash brasileiro “Céu subterrâneo”[1], o sefer de “A Verdade ao Solo” e o reino das diáforas de “A Pele que nos Divide”.(Blog Estadão)

Paulo Rosenbaum

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Paulo Rosenbaum

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Campo dos sonhos

24 quinta-feira out 2013

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Jornal do Brasil

Quinta-feira, 24 de Outubro de 2013

Coisas da Política

Hoje às 06h00

Campo dos sonhos

Paulo Rosenbaum – médico e escritor

Não se trata de Libra, petróleo ou leilão. Nada de apanhador no campo de centeio. Até quando teremos que aturar discursos políticos ufanistas e autorreferentes? Opiniões autocentradas se transformaram na terceira via do totalitarismo. Confunde-se “uma pessoa, um voto” com “uma pessoa, autoridade sobre todos os assuntos”. Por outro lado, temos uma sociedade voltada e regida por especialistas, gente que se esmera numa coisa só.

Na era da massificação é muito provável que estejamos vivendo o tempo onde nunca se entendeu tão superficialmente sobre tantas coisas. Ao mesmo tempo, nunca tantos dominaram tanto sobre tão poucos assuntos. O paradoxo não significa que não seja realidade. Essa é uma façanha com a marca registrada da pós-modernidade terminal. Isso é ou não desejável? Nada de sim ou não.

Aliás, ninguém ainda conseguiu vincular aos sonhos uma área submersa com megatoneladas de fósseis apodrecidos. Sonhar é uma atividade neurológica, experiência diária na qual estão envolvidos os núcleos cerebrais mais sofisticados quando o córtex atenua sua performance. Sonhar reserva mistérios desafiadores para as neurociências. Como as imagens adquirem tanta consistência? Como se processa o senso de realismo deste cinema interior? Muitos têm a sensação de que o sonho não termina mesmo quando passamos do sono à vigília. Quase 1/16 do nosso tempo existencial, essa é contabilidade onírica. É mais ou menos isso que passamos sonhando pela vida. Há até tradições que dizem que neste interregno o espírito provisoriamente desabita o corpo. Quando a respiração, as atividades metabólicas e a temperatura caírem é que tecemos esse enredo curioso. Os sonhos ainda ajudam a solucionar impasses e problemas que a capacidade lógica ordinária não consegue alcançar, segundo pesquisas recentes do neurocientista Robert Stickgold, da Universidade de Medicina de Harvard

Mas há um campo em que o sonho encontra barreira mais espessa, dificilmente superável: o domínio da realidade.

O princípio da realidade pode ser um intruso no campo dos sonhos — uma espécie de bolsa estraga-prazeres

O princípio da realidade pode ser um intruso no campo dos sonhos. Uma espécie de bolsa estraga-prazeres. Não é bem que a maioria de nossos políticos não sonhem. Estão ocupados nos vendendo uma versão edulcorada da fábula. Como aprender a confiar em quem tergiversa?Qual mágica será necessária para que voltemos a crer no resgate da função dos governantes?

Nosso problema, portanto, não é ceticismo. O problema é que somos ingênuos de véspera, e mesmo assim continuamos a acreditar. Sempre uma nova véspera renasce na manhã seguinte. Muito provavelmente, mecanismo de adaptação. Em mais uma lance espetacular da evolução, ela nos faz acordar com fé.

Não sei se a educação poderá sofrer a revolução evocada, porque ainda não pensamos a etapa preliminar: que educação queremos? Os professores, as instituições, maltratados por salários humilhantes, condições indignas, manipulados politicamente até a medula, simplesmente não podem depender da extração do fundo do poço.

Podemos ensinar até em condições precárias, enfrentar mazelas subumanas. Possível até esquecer que vivemos num mundo em que temos contas a pagar. Dar suporte aos filhos de famílias disfuncionais para exercer um papel que extrapola totalmente a função. Mas há limites para a automotivação e o altruísmo. Não podemos mais servir a uma causa que deforma o dever de ensinar. Muito menos em uma estrutura arcaica que nos coage a compactuar com a estupidez. Há ou não uma emergência? Podemos esperar que o óleo e derivados mantenham o valor em algum futuro distante? Ou merecemos mudar o estado das coisas com o que já temos?

Escolho o agora. O futuro já passou.

http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2013/10/24/campo-dos-sonhos/

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03 quinta-feira out 2013

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Jornal do Brasil

Quinta-feira, 3 de Outubro de 2013

Coisas da Política
Hoje às 06h00

O Levante e a Democracia

Paulo Rosenbaum – médico e escritor 

Ontem, dia 2 de outubro,  há 69 anos, depois de 63 dias resistindo, os insurgentes do Gueto de Varsóvia foram esmagados pelas tropas nazistas. Duraram mais do que o Exército francês e polonês. Lutavam com o espírito, pelo espírito. O episódio poderia ser só mais um na história da humanidade, um dentre os milhares de resistência frente à tirania e à opressão. E a opressão costuma se formar sob o tijolo da inflexibilidade e da recusa ao diálogo, isto é, não reconhecer o outro como a si mesmo.  

A surdez precede a mudez, a qual por sua vez deságua na única alternativa quando tudo desparece: a foz da violência. No entanto, aqueles e tantos outros heróis não foram heróis porque pegaram em armas para fazer frente a uma máquina que triturara a Europa e colocou metade do mundo de joelhos. Tampouco, porque eram símbolos de destemor ou ícones da moral pública.  

Aquelas pessoas, mulheres e adolescentes tiveram o mérito de resistir quando a outra opção era capitular à resignação. Quando a luta persiste, mesmo com a derrota garantida, a dimensão heroica torna-se mais clara. Por isso só podemos avaliá-la retrospectivamente. Isso significa que, surpreendentemente, a capacidade humana de acreditar é superior ao pragmatismo. Em tempos de selvageria política não deixa de ser uma inspiração.

Heróis involuntários não têm partido, ideologia, metas ou estratégias. Não são tomados pela exaustão das mesmas coisas que acontecem com as mesmas pessoas sob circunstâncias similares. Nem se deixam dobrar pelas evidencias consistentes e lógicas bem à sua frente. Neste sentido há em tal comportamento uma enigmática irracionalidade que estranhamente não parece estar equivocada. Por que lutar contra demiurgos que não largam o osso? Para que se bater por gente que nos paga com insultos? Como enfrentar a indelicadeza da injustiça que parece predominante?

É preciso saber quando é preciso dizer não, quando a única coisa que realmente funciona é um basta

Pois o caráter redentor daqueles que fazem valer suas presenças não está nem em uma suposta causa. As vezes não há uma causa. A causa é a própria luta. Surpreende que seja assim, poder-se-ia tratar de uma ética inata.  Não se trata do rebelde sem causa, mas da rebeldia que não precisa de causa, já que é preciso saber quando é preciso dizer não. Quando a única coisa que realmente funciona é um basta. Quando o silêncio absoluto vira uma forma de protestar. 

Uma democracia precisa ser encarada analogamente a um ser vivo que precisa dispor das condições para estabelecer raízes, hidratação e nutrientes. Mas o solo não é um provedor infinito, são pessoas que formam os órgãos do regime político. E atenção, não estamos em guerra, ainda que haja um inimigo oculto! Há quem queira dominar e predominar.

Como fazer? São as pessoas que podem mudar pelo voto e por atuação não violenta a cara da sociedade,  e para isso temos que dispensar máscaras e gás, cassetetes e bombas. O anonimato não precisa ser secreto, nem as forças de segurança uma ameaça para as pessoas.

É verdade que ninguém em nossos dias parece querer entrar na briga para perder, mas é que em nossos dias era de se supor que pauladas não seriam mais necessárias, a disposição dialógica, sim. 

Tags: espírito, exércioto, gueto, nazistas, pauladas, varsóvia

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http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2013/10/03/o-levante-e-a-democracia/

 

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Dignidade da Escuta

09 terça-feira jul 2013

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Estudante de medicina terá de atuar no SUS; entidades criticam

Cursos terão 8 anos de duração; representantes da classe veem proposta como ‘paliativa e demagógica
Curso de medicina passará de 6 para 8 anos de duração a partir de 2015. As manifestações que esbofetearam analistas, estrategistas e marqueteiros ainda tentam conservar um pouco da aura romântica e da naturalidade. Destarte fica nítido que lhes falta a força de uma direção, de uma canalização mais eficiente.
 
 
Como tudo, sabe-se que o lirismo perdido daria lugar a maior eficiência. Melhor manter a fantasia. Afoito, desmedido, inoportuno e seletivo o governo tenta reagir ao clamor difuso com soluços. Mas ninguém contorna inação, má gestão e desejo de hegemonia com medidas frenéticas e reducionistas.Além de um timing duvidoso e das assincronias o que falta ao poder é imaginação. A criatividade é que repercute nas expectativas das pessoas. A falta dele nos exaure.

Sem perspectivas, ainda estamos a mercê de acordos feitos nas cúpulas. No lugar da verdadeira escuta os diálogos privilegiam os movimentos organizados e sindicatos e partidos. Falta o principal: aquelas pessoas comuns, resgatadas da pobreza, recolocadas no cardápio social, e que agora desejam algo além do paternalismo subserviente de Estado. O desejo de consumo é um item em escassez no mercado : a dignidade da escuta.

Uma vez que ela foi esnobada, esperava-se um enfoque suprapartidário e transgovernamental. Também não aconteceu. O partido não permitiu. Pactos se costuram sob interesses, o que só faz aumentar o combustível para os desvios. E o mal estar não se cala quando se sente manipulação, ele fica sob descontrole.

Passar cursos de medicina para 8 anos ao invés dos 6 atuais é um espelho perfeito da cadeia de equívocos. O motivo alegado agora não é mais aquele original, ou seja, a de que não seria para suprir a falta de médicos mas de impedir ou desestimular a especializaçao precoce. Ora, a especialização precoce tem causas com raízes mais infiltradas que não se resolvem com as canetas alienadas dos gabinetes de Ministros.

Essas mudanças erráticas e a sistemática repetição de improvisos além de não inspirarem seriedade desnudam a falta de planejamento de longo prazo e mostram o desespero para alavancar candidatos a qualquer preço.

Mudar a mentalidade de formação precoce de especialistas é estimular a medicina preventiva e melhorar as condições de trabalho dos clínicos gerais. Como justificar isso quando se construiu por aqui o mito de que mais saúde significa mais hospitais, medicamentos subsidiados, disponibilidade de exames e procedimentos de alta complexidade além de clínicas especializadas com pesada hotelaria?

Mudanças deste porte demandam tempo e acordos. Portanto dependem antes de mudanças profundas e estruturais nos currículo das escolas de medicina e talvez até de uma mudança na mentalidade. Refiro-me à educação em saúde da própria população.

Maior enfoque à atenção primaria e um atendimento menos hospitalocentrico seriam prioridades.

O estimulo a formação de cuidadores não médicos, implantar a Politica Nacional de Praticas Complementares — já aprovada pelo Conselho Nacional de Saúde — e enfrentar os grandes interesses econômicos que comandam a saúde suplementar no Brasil seriam medidas relevantes.

Leia mais: Estadão

 
 

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21 sexta-feira dez 2012

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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O mundo não termina, o mundo nem começou.

Boas novas para todos!

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03 sexta-feira dez 2010

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A Capa ! Ou eu me entusiasmo a toa?

A verdade_ Capa aberta

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