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  • Resenha de “Céu Subterrâneo” por Reuven Faingold (Estadão)
  • Escritor de deserto – Céu Subterrâneo (Estadão)
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  • O midrash brasileiro “Céu subterrâneo”[1], o sefer de “A Verdade ao Solo” e o reino das diáforas de “A Pele que nos Divide”.(Blog Estadão)

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O Viés (blog Estadão)

19 sexta-feira dez 2014

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos, Imprensa, Na Mídia

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ideologia e armadilha, O Viés, sistemas de notação

O viés

Paulo Rosenbaum

19 dezembro 2014 | 11:10

perspectiveXX

Em algum momento pode ter sido um recurso instrumental ímpar. Fui seu defensor intransigente. Militei a seu lado. Pesquisei para refazer os caminhos da compreensão que ela inspirava. Uma das conquistas da racionalidade contra as tentações obscurantistas. Mas, a hora chega para todos. É preciso admitir a derrota. Pode ser o único final possível quando o tudo truncado vai prevalecendo sobre a liberdade. Chega de ideologias! As análises, tomadas pelo fervor da convicção, política, religiosa, antirreligiosa, ética, estética e histórica são contagiosas. Texto e o contexto sofrem, esmagados pela pena prévia que descarregará na tinta da impressora. Ficamos sujeitos a acreditar em premissas da convicção alheia, sem que ao menos, tenham sido devidamente explicitadas.

Consideram a análise de alguém que – não importando o cenário real — avaliza todas as ações governamentais. Aquela que considera apenas contingencial, e, talvez, até mesmo justificável, que a partir da colonização partidária do Estado algum progresso tenha sido gerado. Vale também, ainda que menos, para quem não admite um pingo de valor nesta administração federal. Algum pingo há.

A análise ideológica, confundida com sistema de notação, submetida e gerada a partir destas convicções mereceria, em nome das boas normas acadêmicas, algum tipo de reserva editorial. Sugere-se “parte envolvida”, “conflito de interesse” ou apenas “cometi o voto crítico”. O problema ultrapassou a política, escapou para todas as praças. Na bolsa de ideias, a objetividade foi sequestrada pelo voluntarismo partisão. A crítica virou instrumento político. A análise morre quando não se pode sustentar a crítica sem sofrer a classificação padrão, aquela que cabe no refrão da desqualificação.

É verdade, partimos de um ponto, mas a análise profissional do ideólogo não parece ter conseguido, como pediu André Gide, esquecer de todos os livros (de preferência, depois de lidos). Foi substituída pela carta de intenção: só se finca o pé onde outros já pisaram. Pode ser mais fácil, mas exatamente por isso, ceifa a originalidade, essencial na leitura do mundo. As ideologias têm levado à escravidão de filiação política, bibliográfica, de nicho e de público alvo. O viés, no lugar de evitar a cumplicidade com quem mata pela causa ou com quem mata para bloquear a causa, impulsiona o crime intelectual: endosso da opressão.

Já que a análise contemporânea desceu a isso, voltar-se aos textos e recuperar a síntese pode ser — na mordacidade de Schopenhauer — uma forma de protestar contra tantas perucas autorais.

http://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/o-vies/

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