• Uma entrevista sobre Verdades e Solos
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” no Jornal da USP
  • A verdade lançada ao solo, de Paulo Rosenbaum. Rio de Janeiro: Editora Record, 2010. Por Regina Igel / University of Maryland, College Park
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” por Reuven Faingold (Estadão)
  • Escritor de deserto – Céu Subterrâneo (Estadão)
  • A inconcebível Jerusalém (Estadão)
  • O midrash brasileiro “Céu subterrâneo”[1], o sefer de “A Verdade ao Solo” e o reino das diáforas de “A Pele que nos Divide”.(Blog Estadão)

Paulo Rosenbaum

~ Escritor e Médico Writer and physician

Paulo Rosenbaum

Arquivos da Tag: conto de notícia

A Imensa Curiosidade (Blog Estadão)

31 domingo maio 2015

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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conto de notícia, imensa curiosidade, Leon Bloy, morte e brevidade

A imensa curiosidade

31 maio 2015 | 14:15

curiosidadeXX

Quando perguntado em seu leito de morte o escritor Leon Bloy respondeu ao amigo

–O que sente?

–Uma imensa curiosidade

Se ninguém voltou de uma situação tão liquida e certa quanto à explosão de uma supernova, a morte e a incerteza acerca da vida depois do fim, continua sendo um enigma perturbador. Não pelos detalhes mórbidos, mas pelas idiossincrasias de cada cultura. Há paraísos naturais e artificiais. Em alguns castidade, em outros, santificada lascívia.

O escritor Leon Bloy, as vésperas, poderia ter se rendido ao ceticismo ou à languidez, mas escolheu a porta aberta. Se você não é médico ou nunca acompanhou uma última expiração, talvez esse relato soe mais abstrato do que de fato é. Nossa cultura exorcizou tanto a morte que, fora os obituários, preferimos ignorar sua onipresença. Esquece-la sob o trago, amando ou numa corrida são medidas quase corriqueiras. Mas nenhum destes álibis resistem ao que essa velha ceifadora tem a nos dizer.

Há duas saídas: fazer ouvidos moucos ou prestar mais atenção à nossa senhora, a brevidade. Isso não significa, ainda que totalmente plausível, aceitar a correspondência entre a brevidade da vida e a irrelevância.

Destarte, o que mais chama a atenção na frase de Bloy é menos a morte e muito mais sua extraordinária atitude, comprimida na palavra curiosidade. Ela é raridade, desejo de saber, e também fenômeno. O escritor nos instiga para além da palavra: e se fôssemos mais curiosos para além da quitação peremptória? E se conservássemos a naturalidade lúdica da infância? E se, com ela, espantássemos a monotonia das constâncias? Como se precisássemos dela para nos arrepiar. Das pequenas às medianas circunstâncias da vida somos viciados no imprevisível.

Podemos negar, mas ninguém aspira rotina. E o que é curiosidade senão abrir-se ao contra intuitivo? Nossa urgência é com a passagem do tempo, mas, curiosamente, nossa esperança vem do inesperado.

Desta perspectiva, abelhudo passa a ser virtuose. Ninguém espere o indulto para chegar à indiscrição. Mas e se a bisbilhotice se tornar necessária?  É provável que nosso mais inconfesso leitmotiv esteja colado à nossa última perquirição. Pois é a sede insaciável que se opõe à indiferença.  É o levantar das orelhas que enfrenta o desdém. É o tange-foles que se insurge contra a repetição. O curioso busca o excepcional. A investigação, o encontro com o surpreendente. E o ávido espera por um novíssimo. Anotem as últimos dizeres de uma pessoa, elas podem ser um assombro, ou o espetáculo que as palavras não descrevem.

Talvez seja só um instinto adormecido: já que, como denunciou Hamlet, nunca ninguém voltou, buscamos a perplexidade como uma redução de dano frente ao silêncio comedido do universo.

http://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/a-imensa-curiosidade/

Tags: conto de notícia, imensa curiosidade, leitmotiv, Leon Bloy

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Pequenas belezas (blog Estadão)

30 sábado maio 2015

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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A Verdade Lançada ao Solo, conto de notícia, pequenas belezas, poesia

Pequenas belezas

29 maio 2015 | 10:33

belezaxxx

Era só mais um dia fosco, no outono apagado

e tua vida não podia mais ser medida,

nem dimensionada, contida ou revelada,

mistura de cabelo e cenário,

de volume e norma

de constância e forma

tua simetria me sondava à revelia

na pequena beleza que se dissipa,

um perfil que, misterioso, despista

toda curiosidade e assume, num anjo obliquo

meu oficio:

contemplar sem a pretensão de te retratar

e no fim, te perder e me desviar, o método de amar.

hhttp://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/pequenas-belezas/

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Eduquem-se rapazes! (blog Estadão)

27 quarta-feira maio 2015

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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A Verdade Lançada ao Solo, conto de notícia, educar e doutrinar, eduquem-se rapazes, maieutica, Socrates

Eduquem-se rapazes!

educacaodemassasx

Paulo Rosenbaum

27 maio 2015 | 14:58

– Então era só isso? Era esse o diagnóstico? A nova direita precisa se educar? Mas e quanto à velha esquerda, os patronos de sempre, o sistema político que não se recicla?

– Querido, você não compreendeu. Há tradição política tanto numa quanto noutra. Falo desta molecada que está perturbando, não entendem nada de política. Saem às ruas para tumultuar. Você observou que eles não tem uma liderança?

– Espere um pouco. Molecada? Quem são esses moleques?

– Esta rapaziada de classe média que marcha e fala bobagem, que querem fazer tudo na marra, sem negociação. Eles não têm estofo.

– Na marra? Sem negociação com a sociedade? Mas quem faz isso é o atual governo. Está falando do atual governo?

– Uff. Não, filho, falo destes manifestantes, bando de conservadores reacionários. Gente sem noção, subvers…deixa para lá.

– Eu fui na manifestação. Vi gente falando bobagens, mas a maioria pedia mudanças. Todas as classes estavam lá. Não era para, antes de tudo, analisar o fenômeno? Pois dois milhões expressaram seu descontentamento e sua desilusão. O partido exagerou, ou o senhor discorda?

(o professor virou de lado, com a boca reclinada, a língua empurrando o palato)

– Já vivi muito e tenho experiência para dizer que eles não sabem o que fazem. Depois que tudo isso passar, vão ver quem tinha razão. Só há uma verdade, nos últimos 13 anos vivemos uma revolução neste País, como nunca antes. Quem não percebe isso não merece ser ouvido. Os desvios fazem parte do processo. Vou além, quem não está gostando que caia fora. Ouvi dizer que Miami está com tarifas promocionais. Podemos seguir com a aula? Onde estávamos mesmo?

(o aluno levanta)

– Vamos ser doutrinados ou educados? O senhor não disse que a democracia é um jogo? Um jogo de forças, onde a luta justa era por oportunidades iguais? Sua aula é contraditória com sua postura pessoal. Vou ser honesto: não é a primeira vez que eu me sinto oprimido por ter uma opinião diferente da sua. E tem mais estudantes que se sentem assim. Desculpe a ousadia, mas o senhor extrapolou sua função. Se valorizo seu conhecimento, isso não significa que aceito ser persuadido por suas certezas. Como todo mundo aqui, vim para aprender, não ser doutrinado por suas convicções.

– Melhor se sentar e calar essa boca, rapaz.

– Por que?

– Vou chamar os seguranças.

– Isso é ser intelectual progressista? É isso uma democracia?

– Na minha sala mando eu.

– Estamos numa discussão acadêmica? Sua primeira aula foi sobre maiêutica, lembra? Sócrates e o método de indução de perguntas para desenvolver o raciocínio crítico?

– Não eram bem essas as perguntas. Saia da minha aula, agora! O senhor está expulso da discussão acadêmica.

– Esse foi o melhor aprendizado empírico que já tive sobre liberdade de expressão e respeito à diversidade de pensamento. Grato mestre.

(vaias e aplausos)

(aluno senta-se e lentamente começa a recolher seu material)

O professor sai da sala e grita do corredor:

– Seguranças, seguranças!!

http://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/eduquem-se-rapazes/

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Inadmissível (blog Estadão)

22 sexta-feira maio 2015

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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abolição da culpa, conto de notícia, inadmissível, Maioridade penal, vítima primária e secundária

Inadmissível

Paulo Rosenbaum

22 maio 2015 | 14:44

Assim que largou a lâmina, o criminoso transformou-se em vitima do sistema e em seu auxilio, vieram os defensores da inocência presumida de réu confesso. Sabe qual é a primeira acepção de vítima no dicionário? Um objeto ou ser vivo destruído ou sacrificado por uma causa ou um objetivo. Mas o conceito de vitima está sendo desmontado pela interpretação ideológica. Logo, parte significativa da mídia escolheu reproduzir frases e lamentou pela vítima secundária e entendeu as motivações da vítima primária.

Agradeço sua entrevista, ela elucidará muito o panorama.

Como assim isso é novo para mim? Não soube? Acabam de conceber, é oficial: no nosso País temos só vítimas, as primárias e as secundárias. Sobraram alguns crimes, mas o grosso não é mais isso. Todo mundo hoje é uma vitima. Aproveitando a ocasião o Sr. poderia explicar o que quis dizer com ” isso é inadmissível?”

O que ninguém pode aceitar? Perfeito. Permite adiantar para o Sr? Ontem, encontrei um dicionário subjetivo e queria muito submete-lo à sua apreciação. Pode ser? O senhor não tem tempo? Posso ler. É só mesmo um verbete, o ” inadmissível” . Já está na mão. Mais tarde não. Não deu para perceber? O tempo está esgotado. Acho que o senhor não compreendeu bem. Não é meu tempo ou o seu, não há mais tempo para ninguém. Onde o encontrei? Isso importa? Por que o senhor está correndo? Não tem problema, vou caminhando do seu lado. Não se preocupe, sempre consegui ler andando. Já que o senhor não está parando começo aqui mesmo:

– Inadmissível: podem ser facas inimputáveis. Equivalência moral entre criminoso e vítima. Estado omisso. Segurança entregue à sorte. Desprezo sistemático pela sociedade. Indignação forjada. Educação postergada Alianças de ocasião. Perdão à revelia da criatura imolada. Concorda? Mas como, se ainda nem comecei? Veja só o que acaba de dizer. Em meios aos atenuantes, vítimas continuam vítimas. A injustiça social é explicação ou desculpa? Vale para a Lagoa e Alemão, Copacabana e Galeão? O senhor não acha que o vale vida não deve conhecer latitude, longitude nem vicissitude? Tem gente que não é responsável pelos próprios atos? Então, por favor, explique qual é a idade da moral? Tudo bem, vamos então mudar para ética. Que seja. Por acaso o senhor ouviu o que estão dizendo por ai? Eu sei, eu sei, é tanta coisa para escutar que é melhor ficar surdo. Mas tive a paciência de gravar para que vossa excelência ouvisse.

“Sob injustiça não pode haver paz, logo, vale tudo”

Espantoso não? Não estou insinuando nada, a fita é muito clara. O senhor e seus aliados estão deixando a coisa andar? Eu entendi, claro que entendi. É para deixar todos em igualdade de condições. Socializar a desigualdade. E como é que as coisas se ajeitarão? Não é bem assim? Então explique, sou todo ouvidos. Será na coletiva? Ah, na palestra de doutor honoris causa. E qual o título da vossa aula magistral excelência?

“A medida certa para que o Estado não sucumba nem ao capitalismo selvagem nem ao populismo de ocasião?”

Quero estar lá. E logo depois, para onde vai a comitiva? Inauguração de fábrica chinesa de rojões? Qual será o tema do discurso? Meio batido. Ouvir o que ela tem a dizer sobre o “Pátria educadora”? Não vai dar. O senhor está me convidando? Cadeira VIP para a imprensa? Quanta honra, mas justo nessa tarde terei compromisso. Mas isso é muita indiscrição excelência. É meio delicado, mas para o senhor posso contar. Tenho agendada uma audiência no tribunal de pequenas causas. Não, nada sério. É que resolvi processar o Estado. Não, nada disso. Não sou um desses querelantes malucos. A causa é mais do que justa. Promete guardar segredo? Não, não estou brincando. O processo está tramitando há anos. O juiz foi ameaçado, testemunhas precisaram ser escoltadas, e o senhor não imagina quantas vezes tivemos que adiar o julgamento. Agora será em local secreto. A causa? Estou pleiteando o direito de permanecer vivo.

http://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/inadmissivel-2/

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Memória dos Românticos (blog Estadão)

11 sábado out 2014

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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"o que fazer"político, conto de notícia, indução de conflitos, memória dos românticos

Memória dos românticos

Paulo Rosenbaum

10 outubro 2014 | 18:42

Estamos bem na metade da ponte, e a tendência é que se encontrem bem lá, no meio. De um lado acordos, alianças, confluência, liga. De outro, luta, conflito, colisão polaridade, e antagonismo. No fundo, todo adulto pobre ou rico, erudito ou leigo, rural ou urbano, nortista ou sulista, sabe intuir: exceto no futebol, vitória nunca foi fazer o outro lado engolir a derrota. Pode ser de grande valor acionar a memória nos incertos dias do presente.

O interesse pelo bem comum, teórica característica do que fazer político, pode estar não só ultrapassado, como ter sido destituído sem consulta prévia. Deu lugar a uma geração de hábeis representantes cismáticos, porfiosos, rabulisticos e facciosos. Ao se açular uns contra os outros e, abraçar diretamente o partido, quem estão submetendo ao combate? Não é mais um postulante contra o outro, nem rinha de ideias. Agora, é povo contra povo. A maioria nem percebe, trata-se de um jogo que, lá atrás, poderia ser chamado de zangui-zarra, renzilha ou chantagem. Nele, a esgrima de baixa qualidade, fingindo discutir valores, promove a deselegância. Com efeito, o refrão já está pronto e na ponta da língua: “é política, vale tudo.” Se ao menos pudéssemos resmungar, encaixar a agressão em alguma figura jurídica, ou, simplesmente, migrar para um reino menos litigante.

Mas, pensou-se em tudo. Nada parece estar ao nosso alcance a não ser entrar na bolha e assumir o contágio. No manual dos litigantes está o alfabeto do ajuste de contas, buscar ocasião de bulha, falar entre os dentes, medir-se em duelo, em uma palavra, haver-se.

Quando lá do fundo da sala te perguntarem: é essa então a tal festa democrática? Já poderás dissuadi-los e responder que não sabe. Mas, na memória dos românticos haveria outra: não é nem a sombra do que poderia ter sido.

Para comentar usar o link

http://blogs.estadao.com.br/conto-de-noticia/memoria-dos-romanticos/

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Timing e justiça poética (blog Estadão)

05 domingo out 2014

Posted by Paulo Rosenbaum in Na Mídia

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conto de notícia, eleições 2014, justiça poética, manifestações juninas, timing e justiça poética

Timing e justiça poética

Paulo Rosenbaum

05 outubro 2014 | 06:42

Juro, é incompreensível. Eles bem que prometeram, o bicho iria pegar. E mesmo assim, ninguém ainda sabe qual vai dar. Não é descrédito nos instituto de pesquisa, apenas respeito pelo imponderável. Timing sempre foi vital. Na política, perdê-lo costuma ser desastroso. Custava a história postergar junho de 2013 para meados deste ano? Fosse assim, a aspiração de parte significativa de brasileiros estaria previamente garantida e alguma oposição vingaria. A eclosão precipitada, o parto prematuro e a pressa do processo histórico pode ter nos custado caro. Um perturbador continuísmo. A arrogância maciça. O totalitarismo de gabinete. Ou será que tivemos transformações das quais ninguém se deu conta? Mobilidade urbana? Reformas políticas não oportunistas? Descentralização de impostos? Controle da inflação? Ajustes nas contas públicas? Transparência e diálogo? Não só tivemos Copa, como os benefícios palpáveis perduram invisíveis. Por capricho aleatório dos eventos, corre-se o risco de engolir mais enganos sucessivos, submissão à manipulação e observar o agônico torniquete contra as liberdades democráticas. Num País rachado a tentação controladora fica mais plausível. Nesta peculiar democracia programa de governo tornou-se agenda secreta: só em primeiro de janeiro. O mérito pela diminuição das desigualdades? Deveria ser coletivo, e vêm de longe. Resultado direto do espantoso respeito inicial pelas conquistas do plano real. Mas a cegueira pode ter se tornado pandemia contagiosa. Um jogo não deveria observar regras? A constituição não exigiria garantias e igualdade de oportunidades aos candidatos? Ou a máquina do Estado foi declarada propriedade do partido? E só para saber: qual órgão da República cuidaria da matéria difamação e calúnia no horário político gratuito? No futuro, podemos nos pegar rindo da navalha sobre a qual estamos suspensos. Infelizmente, o presente têm mais rigor: só nos permite votar, cruzar os dedos e esperar pela justiça poética do timing.

Tags: eleições 2014, justiça poética do timing, manifestações juninas, timing e justiça poética

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Três garotos (Blog Estadão)

19 quinta-feira jun 2014

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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conto de notícia, Hebron, Sequestro de três garotos em Israel, Três garotos

Garotos, não sei com quem vocês estão, nem se ainda estão, nem como estão. Se, por alguma desventura do papel, esta carta chegar até vocês, peço para que a leiam juntos, até o fim. O motivo pelo qual escrevo de tão longe? Pedir perdão. Por que eu pediria desculpas? Por ser adulto. Por não ter […]

Garotos, não sei com quem vocês estão, nem se ainda estão, nem como estão. Se, por alguma desventura do papel, esta carta chegar até vocês, peço para que a leiam juntos, até o fim. O motivo pelo qual escrevo de tão longe?

Pedir perdão.

Por que eu pediria desculpas? Por ser adulto. Por não ter feito nada para impedir que as coisas chegassem a esse ponto. Está confuso? Vou explicar.

Sei que pode estar muito frio ou muito calor. Sei do medo e da fome. Como qualquer um que é arrancado dos pais, vocês estão aflitos, descuidados e perdidos. Mas é bom que saibam, vocês não estão órfãos.

Estamos todos aqui, vigília total. E não só rezando, nem pedindo, nem implorando. Estamos naquele estado no qual acreditamos mais ainda numa proteção sobrenatural. Parece maluquice, mas não é sobre isso que queria falar. Queremos que vocês saiam logo daí. Sei que é fácil falar. Mas é preciso que vocês saibam que uma hora dessas vocês sairão da caverna, da toca, do buraco. O destino de todos os cativeiros é a liberdade.

Por isso, preciso contar que quando vocês voltarem, além de cobertores, comida preferida de cada um e roupas frescas, nós vamos nos esforçar como nunca.

Como nunca, porque precisamos reconhecer que nós não fizemos o máximo. Não só por não poder enxergar e proteger vocês, mas, principalmente, por não termos chegado à paz. Sem paz, tudo acaba sendo distorcido, como, por exemplo, eles terem levado vocês para longe de nós.

Não sabemos se eles são uma organização, terroristas ou milicianos. Nem mesmo se são aqueles homens que geralmente vivem disfarçados de gente religiosa para justificar o injustificável.

Não sabemos se eles estão deixando que vocês vejam os jogos, ouçam notícias, ou recebam jornais. O que importa mesmo é não esquecer, nem por um minuto, que vocês estão aqui, conosco, grudados em nossos corações e mentes. E mesmo que o mundo ainda não tenha feito o devido esforço para encontra-los, e que muitos se esqueçam do que está acontecendo, é bom que vocês entendam que a maior parte de nós pensa em vocês, dia e noite.

Já li que o mundo só terá nova cara quando os filhos dos outros tiverem a mesma importância que os nossos. Vejam como é importante não generalizar: saibam que um garoto palestino escreveu e organizou uma petição para que quem levou vocês, entenda que não conta com o apoio dele.

Ele não pertence à vossa etnia, não é da mesma classe social, provavelmente não é nem mesmo dessa região. Sua tribo não poderia ser mais distante. Olhando de longe, talvez até pudesse ser confundido com um inimigo.

Por que fez isso? Por que se arriscou? Por que correu o risco de ser a voz que discorda? Porque sabe o valor da liberdade? Pode ser. Mas arrisco dizer que é porque ele enxerga vocês como iguais, crianças, adolescentes como ele, jovens como ele.

Ele, mais do que os povos contaminados pelo ódio e viciados na guerra, sabem que vocês não tem nenhuma culpa pelo jogo que os adultos escolheram jogar. De algum modo, ele compreendeu que tudo isso é uma grande insanidade. Para ele não importa que a maioria ao seu redor ache natural sequestrar crianças. E por ter compreendido isso talvez ele tenha feito o que milhões deveriam fazer sempre que gente inocente sofre: recusar a loucura. Mesmo aquela que parece sensata para a maioria.

É óbvio que não significa que possamos nos dar ao luxo da ingenuidade. As vezes, para conter os loucos, temos que usar força, pelo menos até que a crise passe. Até que eles não ofereçam mais risco para os outros, nem para eles mesmos.

Ainda assim precisei escrever isso para vocês e explicar: impressionante o número de amigos que aparecem numa hora dessas.

Deixo meu abraço, minha carta, e renovo meu pedido de perdão. Para que vocês saibam que não importa o que estejam fazendo, nem para onde estejam levando vocês: têm muita mais gente aí do que vocês podem enxergar.

Não vai demorar. Muitos outros vão se unir a nós. Muitos outros vão saber. Milhões terão coragem de escrever. Diversas nações e torcidas. Incontáveis gritarão por aí que nenhuma religião, tribo ou País, vai ser capaz de manter para sempre os argumentos que destroem a paz. Fiquem conscientes que vocês hoje a representam. A liberdade de vocês pode significar mais que o alívio do reencontro, pode representar a abolição de maus decretos e prisões. A liberdade de vocês pode movimentar o que está parado há muito tempo.

Posso sentir daqui. Percebo que seus corações estão pesados. Sei que choram, que soluçam, que pedem pelos seus pais. Se há algum bom motivo para que vocês se alegrem? Daqui em diante redobraremos os esforços para que nenhuma criança do mundo sofra pelos erros dos adultos.

Forte abraço e shalom

Para comentar usar o link:

http://blogs.estadao.com.br/conto-de-noticia/tres-garotos/

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Significados significantes! Blog “Conto de Notícia” Estadão

13 sexta-feira dez 2013

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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conto de notícia, falsos intérpretes, linguagem dos surdo-mudos, significado, significantes

Conto de noticia
Conto de Notícia, Paulo Rosenbaum
 
13.dezembro.2013 01:01:02

 

Sentido para Sinais

 

‘Basicamente, isto é diversão’

Intérprete analisa sinais de ‘falso’ tradutor em funeral

 

Ficou parado e imóvel. Deixou cair chaves das mãos. Queria ter filmado cada palavra, mas não conseguiu alcançar o celular. Entendeu os trechos importantes da mensagem:

“o dia glorioso chegou hoje, a libertação está próxima” “você aí que me ouve, seja muitas coisas ao mesmo tempo”, “saia por aí, coincida com você mesmo”

 

– Num funeral?

–E dai?

 

Não soube explicar por que, mesmo parado, ficou pululando no mesmo lugar. Nem por que a vida se abriu instantaneamente. Diferente, era muito diferente. Não o efêmero de praxe. Seu dia fez o click no estalo. Quando imaginaria “escutar” aquilo do homem poderoso? 

Só depois leu, no noticiário do dia seguinte: o tradutor não compreendia um só sinal da linguagem dos surdo-mudos. Pensam que ele se importou?

–O significado? Eu mesmo atribuo.

Na mesma tarde deixou tudo para trás, móveis, comida, família, e abriu um ateliê no pé na montanha.  

Para comentar use o link do Blog

 

 

 

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Arautos do preto no Branco

02 segunda-feira set 2013

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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a criminalização da crítica, arautos do preto no branco, conto de notícia, filosofia marxista, furos do legislativo, MP subjetiva

Uma ira epidêmica

O que está acontecendo com as pessoas? Por todo lado está mais fácil encaixar uma gritaria, reações desproporcionais, histeria coletiva. Podemos fingir que nada acontece e até achar que não estamos em crise, mas não é possível controlar as idiossincrasias: uma hiper reatividade instantânea se instalou e impera nas relações interpessoais. E, sem alguma harmonia, nem sonhar com estabilidade e paz social.

Tentamos de todo modo dissuadir a paranoia, mas há um método, e o discurso que o constrói.

Alguém está bem satisfeito pela divisão da sociedade e a marcha ruma à polarização.

Dia desses gente truculenta quebrou vidraças de prédios residenciais num bairro de classe média no Rio de Janeiro,  e os moradores desceram á rua para perguntar:

– É assim que vocês protestam? Tentando nos destruir mano?

E a resposta:

– Vai lá burguesinho, fica vendo tudo da tua janela rapá

O curioso é que provavelmente eram da mesma classe social, a hoje quase hegemônica classe média, moravam no mesmo bairro, e não seria absurdo se descobrissem  que os filhos compartilham a mesma escola ou creche. Quem foi capaz de dividir as pessoas assim? Se não há mesmo uma arquitetura magistral e sórdida por trás de tudo isso deve ser a seleção natural fazendo das suas: luta entre classes na mais nova modalidade: luta entre as mesmas classes! Quem mandou a realidade cabular as aulas de filosofia marxista?             

Como luta de classes hoje é um passo anacrônico em direção a um passado impossível novas criações vieram, passaram pela inspiração stalinista e estão chegando até nós com seus refrões intolerantes. Repetidos acriticamente. Berrados a céu aberto. Podem ser xenófobos, classistas, racistas, ou só estúpidos. Definitivamente a grosseria desembarcou aqui.  

Ela está no varejo mas a inspiração no atacado veio do poder. Ela sempre raivosa, comandados na defensiva. Bom humor? Nem pensar. Respondem agressivamente à qualquer crítica. Ai começam a pipocar os saudosistas da ditadura e pronto, reinventou-se o ridículo climinha entre direita e esquerda. Isso só poder ser uma adição. Gente que precisa de uma dose de maniqueísmo diário na veia. Pode vir de pessoas hostilizando médicos, médicos hostilizando outros médicos, e, no fim, a peleja fica clara: jogar a população contra os críticos. O conflito de interesses foi abolido, suspenso por uma MP subjetiva. A crítica e o debate oficialmente criminalizados. Qualquer coisa serve. Como a oposição, esvaziada, perdeu a voz, e os furos do legislativo são auto evidentes, é a sociedade, na perigosa e instável ausência de intermediação política, que fica obrigada a acolher mais este papel.

Para ler mais:

http://blogs.estadao.com.br/conto-de-noticia/arautos-do-preto-no-branco/

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Diretrizes em esparadrapos

11 domingo ago 2013

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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ABEM, atenção primária, conto de notícia, diretrizes em esparadrapos, hegemonia e monopólio do poder, hospitalocentrico, investimento em saúde, Ministro da Saúde, Programa de Saúde da Família, Unidade Básica de Saúde

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A saúde pública no Brasil é precária e os contrastes mais evidentes estão nos grandes centros urbanos. Hospitais que disponibilizam procedimentos de alta complexidade se associam a UBS (unidades básicas de saúde) com atendimentos que oscilam em performance, regularidade e infraestrutura. Em um posto de saúde, falta material de sutura, menos de dez quadras atrás um hospital privado com equipamentos de última geração. O sofisticado convive com o precário e o supérfluo muitas vezes ocupa o lugar do básico.

Para além da desigualdade social do País, convenhamos que a situação acima descrita não é de hoje nem se trata de erro de planejamento recente. Há muito tempo relegou-se o atendimento primário e ambulatorial e deu-se preferência e prioridade aos planejamentos que davam visibilidade a uma saúde publica centrada nos atendimentos secundários e de cunho hospitalocêntrico. Era mais do que imperícia de planejamento, tratava-se de uma estratégia de marketing que traria mais dividendos políticos. A lógica de que a carência no setor era de especialistas invadiu até os tradicionais critérios ambulatoriais, por excelência redutos da atenção primária, e alguém teve a ideia de ofertar clínica de especialidades nestes mesmos locais.

Apesar de precária, a rede publica de saúde apresentou avanços nos últimos 20 anos. A expansão da oferta de medicamentos subsidiados, o aumento da capacidade de atendimento e um incremento na infraestrutura se fizeram sentir. O PSF, programa de saúde da família foi, dentre todos os programas, um dos mais bem sucedidos porque associou o conceito de saúde comunitária descentralizado com os critérios de atenção primária. Em termos de investimentos em saúde medicina até 2000 o Brasil investia U$ 107/ano e hoje atingimos U$466/ano contra uma média mundial de U$ 571/ano. Ouvimos sempre que este é o possível para se oferecer para a população. Porém quem se dá ao trabalho de debruçar sobre as planilhas, nota que o contexto todo cria um contraste desfavorável. Estamos muito aquém do possível.

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http://blogs.estadao.com.br/conto-de-noticia/

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