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  • Resenha de “Céu Subterrâneo” por Reuven Faingold (Estadão)
  • Escritor de deserto – Céu Subterrâneo (Estadão)
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  • O midrash brasileiro “Céu subterrâneo”[1], o sefer de “A Verdade ao Solo” e o reino das diáforas de “A Pele que nos Divide”.(Blog Estadão)

Paulo Rosenbaum

~ Escritor e Médico Writer and physician

Paulo Rosenbaum

Arquivos da Tag: antisemitismo

Execráveis tambores, explosões racistas e o mal do mundo

06 sexta-feira abr 2012

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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antisemitismo, demonização anti imperialista, Erza Pound fascistófilo, Gunther Grass nazista, o fim da esquerda, racismo, Süddeutsche Zeitung</, Tarek Ali

Execráveis tambores, explosões racistas e o mal do mundo

 

Günter Grass acaba de agitar seus atabaques ao publicar no Süddeutsche Zeitung, em seguida reproduzido em outros jornais e mídias da Alemanha, um poema de quase setenta versos identificando Israel como A ameaça à paz mundial.Ninguém duvida que o ganhador do Nobel de 1989 tenha lá motivos para expor o país hebreu e adicionar seu nome à legião infame que dá cobertura e credibilidade à intolerância que cresce pela Europa, e não só por lá. Em geral, o endosso que vem da intelligentsia – foram pálidos os poucos chiados de reação — se oculta no discurso amparado pela retórica de esquerda. Mas o que restou da esquerda?
Precisamos recuperar a memória: é verdade, houve uma esquerda.

 

Hoje reduzida e rendida ao anacronismo baseado quase que exclusivamente na demonização anti-imperialista e numa grandiloquência mais nostálgica que autocrítica. O apoio de intelectuais e artistas europeus ao jihadismo, por exemplo – autojustificada como contra-propaganda aos norte americanos e à direita que cresce nas urnas – não consegue sobrevida diante da análise. A racionalização sempre busca meios para justificar impulsos inconscientes.

E a pulsão atual está nua: é capaz de se alinhar com qualquer rebeldia que, por exemplo, pegue em armas contra colonizadores e supostos espoliadores da nação. Por isso mesmo, estampas racistas viraram rotina. O baú de infâmias, antes lacrado, definitivamente se rompeu nas mídias e o fenômeno é mundial. Agora periodistas e articulistas continentais armam suas pistolas e disparam um tiro no próprio pé, bem no meio das redações.

 

O poder de persuasão dos escritores sempre foi superestimado mas quando alguém empresta sua pena à causa, seja ela qual for, precisa assumir o risco de que a obra toda inscreveu-se automaticamente no tribunal histórico, o único que julga com isenção. O problema é que Grass não está sozinho nessa perigosa vertente devidamente acomodada no manto anti-israelense.

É muito mais confortável ser identificado como obstinado antagonista do Estado hebreu, que caçador de judeus.

 

Convenhamos, é outro status.

 

Ah, dizem alguns, condenar um País não é, necessariamente, atacar seu povo, a etnia ou a religião que professam os que ali habitam. Depende. Para o bem ou para o mal, Israel tem sido encaixado numa perspectiva de “pacote”, e mesmo considerando que existem um milhão e meio de cidadãos árabes-israelenses a condenação quase maciça da Mídia às ações governamentais daquele País traz sempre uma única conotação, a de se trata afinal de um “país de judeus”. Pois é essa evocação subliminar, às vezes explicitada, que confere às críticas ao País o caráter de  condenação coletiva do povo judaico.   

 

O conflito israelo-palestino é somente um precário e ordinário pano de fundo para a assustadora retomada, desde que os nazistas foram derrotados pelos países aliados, do mito do judeu dominador. E lá vamos nós de novo resgatar mitologias destrutivas. As projeções de estrelas de David – tradicional emblema judaico – no show de Roger Waters poderiam ser só alusões estéticas e não motivo de preocupação. Porém quem viu o show sabe que insinuações suscitadas pelas projeções não são  paranoias. Associam abertamente o emblema ao dinheiro, aos especuladores, e, portanto ao mal do mundo.  

Além disso, o socialista Gunther tem um probleminha adicional. Precisou omitir de sua biografia por décadas a militância nazista na 10ª Panzerdivision Waffen-SS, pois, como admitiu depois, isso prejudicaria sua carreira. Realmente, se os sábios de Estocolmo sabem de uma coisa dessas…

De qualquer modo, o antissemita alemão se associa ao seleto grupo de gente que o antecedeu, como o poeta fascistófilo Erza Pound e contemporâneos como Tarek Ali. Numa entrevista por aqui o paquistanês analisou seletivamente os desvios dos americanos e israelenses sem dar o menor contrapeso à belicosidade do regime iraniano – nem uma palavra! — ou a sanha xenófoba de regimes islâmicos contra minorias cristãs e de outras etnias em vários países árabes. A desonestidade intelectual passa, necessariamente, pela seletividade com que se elegem os alvos.  

 

Se o Estado de Israel comete erros – e decerto os comete – eles não devem ser separados do contexto que cerca as delicadas circunstâncias em que são cometidos, ainda que, para alguns deles, não deve haver complacência. O regime dos aiatolás é um problema bem mais nocivo ao mundo, assim como o abandono do povo sírio à própria sorte deveria pesar na consciência – se houvesse uma — dos dirigentes chineses e russos.

Uma estranha passividade hipnotizou a vida. Mas o mundo, que testemunha explosões de intolerância, rebeliões e fanatismo não está interessado em refrear o empuxo de guerra entre os povos. Parece que basta observar e a calma reina ao nomear como natural o incremento das hostilidades como “choque de civilizações”. E está na cara que a maior prova de nem termos alcançado o estatuto de civilização, será se realmente o tal choque ganhar vida.  

A história mostra que tanto omissão como resignação tem um preço, e desta vez, pode não haver mais desconto para fornecedores.

Rosenbaum é médico e escritor. É autor de “A Verdade Lançada ao Solo”. (ed. Record)

Para compartihar use o link do JB http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2012/04/06/execraveis-tambores-explosoes-racistas-e-o-mal-do-mundo/

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Hiatos de guerra

08 quinta-feira dez 2011

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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antiamericanismo, antisemitismo, Armas nucleares iranianas, Irã

Jornal do Brasil – 08/12/2011

Hiatos de guerra

Escritores e compositores pop acham que devem opinar sobre tudo. Tariq Ali não fugiu à regra. Acaba de explicar a um jornalista na última Fliporto, em Olinda, que o atual clima contra o Irã envolve Israel porque este não quer ver ameaçado seu monopólio nuclear. Além das exaltações ao ditador do Irã, endossou a montagem do arsenal nuclear do regime persa “cercado de potencias nucleares como Paquistão, Índia, Coreia do Norte, e um pouco mais distante China (sic).” Quem sabe Ali poderia esclarecer se afinal estamos diante de monopólio ou se, nos arredores, já existem armas nucleares em abundância? De quem fala? Quem prometeu varrer Israel do mapa? Uma hora dessas o paquistanês precisará abandonar a ficção e trazer argumentos verdadeiros para prosseguir sua campanha contra “conspiradores sionistas” e “inimigos imperialistas”.

Não faz preocupação quando alguém dispara tantas atrocidades isoladamente. O problema é o coro. Legiões inteiras fazem brotar jargões anacrônicos em suas vitrolas acríticas. Entre nós, há gente que perdeu a timidez e hasteou bandeira a favor do acúmulo de armas de destruição em massa. Bizarro ativismo: pacifistas atômicos sonhando com democracia nuclear.
Segundo especialistas em segurança internacional o fundamentalismo adicionou à análise fatores imponderáveis. Há muita gente interessada em guerra, a começar pela atual administração do Irã, que, para sobreviver como regime sabe que precisa expandir a influencia xiita pelos arredores. A exportação da revolução islâmica de Teerã (bem sucedida no Líbano, Iraque e Síria) hoje está sendo acelerada e, dissipada toda euforia, seus braços visíveis despontam em vários segmentos da “primavera árabe”. No front interno precisam contornar a guerra civil iminente.

para ler na íntegra acesse

http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2011/12/08/hiatos-de-guerra/

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O deslocamento de Israel: que tal mover a Bélgica para o Sergipe?

25 sexta-feira fev 2011

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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antisemitismo, crise no mundo árabe, deslocamento de Israel, Israel, mover os judeus para outro lugar, que tal mover a Belgica para Sergipe?, revisionistas do holocausto

Espera-se que o débito dessa crise instalada no mundo árabe (oxalá a democracia sobreviva) não caia na conta de Israel. Colunistas notaram que pode haver algo diferente: não estão queimando bandeiras do estado judaico. O inimigo se deslocou para dentro das fronteiras de cada estado. Destarte, a mídia persista em não alcançar as sutilezas realmente importantes. Uma delas é até quando esta suspensão da animosidade durará? Pouco, decerto. Cruzadores iranianos aproveitaram a “deixa”e pela primeira vez em 30 anos passaram através do canal de Suez, navegando a poucas centenas de milhas náuticas da costa israelense. Só uma provocação? Mais um abastecimento militar nas costas sírias? Veremos.  

Mas o mais incrível é uma outra coisa. Ficou mais do que frequente ouvir opiniões das mesas dos bares (tivemos que ouvir coisas do tipo da boca do ex-vice presidente) e nos meios pseudo-acadêmicos de que a solucão para o Oriente Médio é o deslocamento de Israel.

A facilidade com que se aventam lugares impressiona:

— Amazônia

— Regiões desabitadas do deserto australiano

—  Os polos (isso resolveria um problema extra: asquenazis ao sul, sefaradis ao norte)

— Qualquer sarjeta! 

Afora o caráter ignobil e fanfarrão da tese, a aposta funciona como débil sedativo para quem sabe que isso não ocorrerá. Muitas concessões podem e devem ser feitas. Mas Israel jamais se moverá de onde está, por um motivo que subverte todas as prerrogativas opostas: aquela região pertence aos judeus. Não se trata de um registro cartorial ancestral e justificacionista. A humanidade deve isso a eles.

A asneira histórica-demográfica têm tomado consistência graças à leniência, quando não aberta simpatia, com sujeitos como os  revisionistas do holocausto,  ditaduras do Irã, Venezuela, e simpatizantes, só para citar os mais pródigos e famosos. Os antisemitas estão mais vivos e ativos em todo o globo. Não são forças desprezíveis e, paradoxalmente, crescem na trégua que a tolerância da pluralidade democrática lhes oferece. Mas isso é razoável? Parece que sim. Basta notar o silêncio conivente da Mídia e a crescente antipatia pelo Estado hebreu.  Fica pior quando se quer fazer a distinção entre antisionismo e antisemitismo. Uma vez incapazes de admitir (ou lidar com enraizadas pulsões) a sua aversão aos judeus é muito frequente o jornalismo usar o enorme manto antisionista.    

O deslocamento? Pode-se fazer sim.  E por que não?

Desde que a aplicação da lei que rege a diplomacia, como por exemplo, a da reciprocidade, fosse aplicada nesse caso. Seria mais ou menos o seguinte: abolir a propriedade privada das terras.

Em seguida moveremos todos os resquícios de apego étnico e tribalista à terra, esta bobagem inventada pela burguesia. Simples assim, por decreto. Pode ser da ONU.

E, enfim, fica-se mais livre para barganhas e promover êxodos mundo afora. Habitantes da Caxemira vão para o Caribe, Palestinos para Madagascar, Coreanos do sul ficam com uma das ilhas vulcânicas do Japão, habitantes do curdistão ficam com Gibraltar, bascos vão para Malta, armenios ficam com as ilhas Falklands ou Malvinas, tanto faz.  

Os belgas, por exemplo, uma vez desapegados de seus retrógrados vinculos com o lugar em que sempre estiveram, seriam deslocados para o interior do Sergipe. Nenhum critério especial na escolha do menor estado brasileiro, apenas uma questão de compatibilidade em hectares.

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