Novo Post no Conto de Notícia, Blog Estadão – Angelina e a prevenção na sociedade patofóbica

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Reavaliando preconceitos e aversões, celebridades têm mesmo seu valor. A atriz Angelina Jolie expandiu drasticamente sua fama com a notícia da mastectomia total bilateral à qual se submeteu depois de detectar através de exames, o risco de no futuro poder desenvolver uma neoplasia maligna na mama.

A decisão provocou corrida aos exames genéticos e intermináveis polêmicas, mas, pelo que se lê e ouve, estamos muito distantes de qualquer consenso, sequer de um debate racional. Como sempre, debates opinativos se transformam em posturas sectárias e apriorísticas: “eu também faria, tem toda a razão” ou “que absurdo, ela deve ter tido razões ocultas para tomar essa decisão”. Assim é que não se vai muito longe. A verdade é que exames de mapeamento heredo-genético ainda estão em fase de pesquisas. Neste estado embrionário, bem poucas cidadãs podem se esclarecer ouvindo e lendo as discussões travadas na mídia.

Vamos voltar um pouco para tentar reconstituir as razões, o contexto e os parâmetros científicos que costumam nortear decisões terapêuticas.

Toda a ideia da epidemiologia clínica sempre foi tentar esclarecer e distinguir os fatores que expõem (com potencial para impactar negativamente a saúde) daqueles que protegem o sujeito (deixar o organismo menos vulnerável). Como saber? Estabelece-se uma linha de risco. O risco é uma linha subjetiva, ainda que possa ser transformado em índice matemático sob dados estatísticos. A saber, existem procedimentos clínicos, nutritivos, hábitos de vida, e ambientais que protegem a pessoa, assim como aqueles que a tornam mais vulnerável.

Então de onde emerge a subjetividade e toda a assim chamada “arte” em medicina?

A medicina não é ciência stricto sensu, no máxima ciência operativa como alguns epistemólogos ousaram classificar. A arte mencionada se  deriva da necessidade de ponderar cada caso em seu devido contexto de individualidade e peculiaridade. Isso torna as regras clínicas mais flexíveis. Alguns reclamam deste caráter relativizador que a medicina adota. Ainda bem que ele existe! Na verdade, trata-se de um importante  esteio de segurança para que a pessoa enferma não seja reduzida a um  mero protocolo.

Em outras palavras, todas as decisões terapêuticas: do parto via cesariana ao transplante cardíaco, dependem pois de criteriosa avaliação do médico, dos cuidadores, da família, da história pregressa, das condições e contextos da pessoa enferma.

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http://blogs.estadao.com.br/conto-de-noticia/

 

Irretocável Política

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Jornal do Brasil

Quinta-feira, 16 de Maio de 2013

Coisas da Política

Hoje às 06h46

Irretocável política

O escalpo político eleitoral a céu aberto durante as votações das Medidas Provisórias, onde emendas multimilionárias são negociadas pelo governo federal, usando dinheiro dos contribuintes para pagar votos dos representantes do parlamento, poderia ter muitos nomes. Voto em cambolhada de grelos.

Quem acompanha noticiários políticos – que tragam tarjas de advertência “ risco à saúde” – já deve ter abandonado de vez a ilusão da lógica, da coerência e de um processo civilizatório. Ainda que o barco esteja sendo mantido na superfície e a economia dê sinais de tímida estabilidade, o maior problema do País é, de longe, a política.

A cerimonia de beija-mão do vice governador de SP contra o anel presidencial só desnuda toda fragilidade. Avolumam-se as tentativas e arranjos partidários para, numa frente inédita, desestabilizar o STF. Há gente graúda e muito capital disponível para apostar que, se tudo der certo, um novo julgamento será provocado e, desta vez, o placar os favorecerá. É como jogar partidas tantas vezes quanto for preciso até que o resultado favoreça o time perdedor.

Esgotados todos os recursos, já não se trata de ser contra ou a favor do que o Supremo decidiu, o que está sendo jogado agora está em outro campo, muito mais perigoso que o veredito da Corte. O que entra na balança é a lisura e autonomia de poder das instituições. Lula acaba de verbalizar que não existe político irretocável. Ninguém nem de longe sonharia com tal aberração. O que interessa é o que seu discurso ocultou. Travestido na língua fácil, a verdadeira afirmação, o mote de seu partido e da frente que os apoia: Políticos são esses aqui mesmo! Aceitem, ou, danem-se e engulam. E para dar o toque final alguém lá da mesa fez um voto de “ódio à classe média”. Curioso.

A estratégia do marketing do PT – apoiado em extensas pesquisas qualitativas – fez fundir a imagem do ex-presidente com a presidenta em quadros de meia tela que ora se sobrepunham e deslizavam de lado, sempre se alternando em nobres promessas. No show: “Você que já tem sua casinha, seu carrinho, seu computador agora terá muito mais…” A farsa teve um extra inédito. A inclusão de um surpreendente texto de propaganda. Agora entre outras benesses ofertadas para quem continuar votando no Partido estava “doutorado no exterior”? Com o triunfalismo barato do uso do diminutivo e fazendo usufruto da estabilidade conquistada também às custas dos governos anteriores, o ex-presidente, como de hábito, joga todos os méritos da fartura em si mesmo e em sua claque. E aproveita para caluniar a mídia como a grande criadora de fantasias. A imprensa livre cria conceitos impossíveis e monstruosos, como políticos ideais, amantes da ética, respeito à coisa pública.

Inverter a conspiração é rigorosamente a repetição de uma estratégia eleitoralmente vitoriosa. Eles se fazem passar por vítimas, não são os perseguidores ou os agentes do mal feito. Inegável, eles são mesmo imbatíveis.

O trágico não se restringe ao momento, mas ao que isso significa em termos de educação política. Não é só repisar as mentiras até que passem como verdades, o que buscam é o aperfeiçoamento progressivo dos vícios. Essa sedução anestesia e funciona bem para o que se presta. De tanto apanhar vamos ficando insensíveis e desinteressados. Daí à generalização é um passo. A imagem de que todos os políticos bebem da mesma taça, vai ganhando materialidade. Gerações vindouras ou os tomarão como exemplo (afinal é só isso que conhecem do mundo político) ou refluirão às suas vidas privadas já que “não tem conserto mesmo”.

Um desserviço à República. E o plano era esse. Explicitar que o sistema foi criado para sustentar o vício.

Sob o profundo desprezo que têm pela opinião pública, os governantes do País abusam da ideologia negacionista. Não há descontrole das finanças, não há epidemia de violência, não há conflito de interesses e tudo bem que o público e o privado estejam de mãos dadas. A novidade está na tranquilidade. Impunidade baseada em evidencias, por suposto. Enquanto amigos da corte nunca estiverem tão protegidos e subsidiados, todos nós nos tornaremos alvos fáceis do arbítrio. Não é delírio. Aconteceu na Venezuela, na Argentina, na Bolívia, no Equador. Operações cala boca e dossiês podem estar sendo preparadas para fazer cortina de fumaça aos capiangos. Nosso crime? Testemunhar a distorção, calculada e seletiva, no uso das leis e das regras constitucionais.

O expressivo silêncio dos intelectuais, a esta altura uma afasia, continua inexplicável.

Estamos por conta. Minha aposta é que não passarão.

Paulo Rosenbaum é médico e escritor. É autor de “A Verdade Lançada ao Solo” (Ed. Record)

http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2013/05/16/irretocavel-politica/

Paulo Rosenbaum no Portal Administradores

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O portal publicou o artigo de Paulo Rosenbaum sobre “Zonas de Exclusão Digital”. Veja:

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A extinção da Infância

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Jornal do Brasil

Quinta-feira, 9 de Maio de 2013

Coisas da Política

Hoje às 06h28

A extinção da infância
Jornal do BrasilPaulo Rosenbaum – médico e escritor

Semana passada pesquisadores nos EUA conseguiram produzir armas de verdade usando impressoras 3D. Um só tiro. A novidade deve aportar logo mais por aqui e, como já é tradição em alguns países, também poderemos presentear crianças artefatos bélicos.
A menina que abraçou o pai com a coragem dos que não calculam tornou-se escudo para a bala. Morreu, o assassino foi solto, depois de se apresentar à Justiça com a versão de legítima defesa. Que nada. Todos testemunharam os fatos no vídeo que o assassino entregou à polícia. Foi a sangue frio.

Meninas e meninos hoje são alvos preferenciais. A sociedade de adultos não só deixou de proteger as crianças, deliberadamente as expõe. Assim, na terra de ninguém, basta estar abaixo dos 18 para sair premiado com o bônus antecipado de impunidade. A minoridade tornou-se álibi automático para o crime. O que diz o Estado? Tergiversa, enrola, ludibria, habilidades que esta administração sabe usar como ninguém. Disseram que precisavam “equacionar isso para a Copa”. Zero de espanto!

Os adultos não só deixaram de proteger as crianças, deliberadamente as expõem
O problema de autoridade tornou-se evidente e fornece pistas importantes para matar a charada: após a ditadura militar, políticos governistas encaram criminosos como vítimas do sistema. Na prática, isso significa endosso político para certos tipos de delito. Em outras palavras, livre interpretação do que conhecemos como transgressão e um convite à anomia.

Como a falta de segurança atinge todas as faixas sociais — especialmente as que não têm esquadrões paramilitares à disposição — e não há mais pílulas para dourar, o governo federal agora culpa entidades abstratas. Para esta cúpula, mulheres molestadas e violentadas, gente executada, agredida e mutilada são estatísticas e acidentes de percurso das injustiças sociais históricas acumuladas. Quando muito, fatalidades.

A deliberada omissão do Estado enseja depressão social coletiva e pediria uma rebelião organizada. Com certeza, mereceria resposta nas urnas, mas isso também não acontecerá. Como sempre, no lugar de escárnio e protestos, seguimos calados para tocar nossas vidinhas privadas.

Há muito mais do que mazelas sociais, distúrbios de personalidade ou perturbações psicóticas no incremento da violência que enfrentamos. Apesar da situação de emergência, o diagnóstico requer tolerância, não linchamentos sumários ou pena de morte já. Em meio à calamidade emocional sem fronteiras que nos atinge, só podemos constatar a presença de um mal-estar difuso e inominável que se enraíza na cultura.

Por sua vez, crianças estão sendo pressionadas a não viverem experiências próprias de suas faixas etárias, e há uma tendência, inclusive acadêmica, para encarar abreviações da infância como “naturais”, e “frutos da pós-modernidade”. Desculpas, é o que são. Nada justifica que pedagogos (ainda a minoria) cedam às pressões do mercado e achem adequado que crianças sejam alfabetizadas aos 3, se preparem para aulas de computação aos 4 para serem bilíngues aos 5.

Crianças estão sendo pressionadas a não viverem experiências próprias de suas faixas etárias
O fato é que somos pressionados, e pressionamos por rendimento, trabalho duro, performance, sucesso e esperteza. Demandamos exatidão e objetividade. Coagimos crianças para terem autonomia sem perceber o insanável custo destas cobranças: perverter as feições próprias da infância. Além disso, fraquejamos nos exemplos. Os resultados estão aí. Famílias disfuncionais, e epidemia de drogas. Nitidamente, como mostra o contexto, não é caso de polícia.

Talvez, num futuro remoto, descubramos que simplesmente prolongar a infância poderia ser melhor para a saúde individual e coletiva. A partição da vida entre lúdica e séria, prazerosa e realista, pode ser só invenção de uma sociedade que não consegue experimentar diversão sem incomodar os demais. E se considerássemos que crescer só faz sentido se levarmos a vida na brincadeira?

No momento, a única classe que insiste no jogo sem regras, praticado contra as vidas alheias, é a dos políticos. Então, nobres colegas, façam-nos um favor: cresçam e desapareçam!

http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2013/05/09/a-extincao-da-infancia/

Novo post no Blog Estadão – Zonas de exclusão digital

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Zonas de Exclusão Digital

(Datiloscrito encontrado na pasta do ativista anticibernético Zenave Jáfoz, hoje em exposição no Museu de Tecnologia de Manaus)

Isso não é testamento, desabafo ou carta de despedida, apenas uma mensagem para gente do futuro.

A vida virtual teve sua parcela de culpa no atual mal estar da civilização, não porque imitaria a vida, exatamente pelo contrário. Poderia ter sido a revolução na educação, mas, na prática, especialmente sob as redes sociais, tornou-se apenas o espelho da ilusão, o narcisismo absoluto. Claro que reconheço que tinha potencial, mas a educação de qualidade deveria preceder a criação de instrumentos tão poderosos.

Do jeito que esteve formatada nos últimos anos a onda digital deixou sequelas, restringiu perspectivas e tolheu habilidades. Potencial que teríamos alguma chance de ter desenvolvido se ainda tivéssemos acesso a uma vida lúdica fora do mundo cibernético.

O link para ler e comentar

http://blogs.estadao.com.br/conto-de-noticia/

Para além do Ghetto

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Para Além do Ghetto

Para Além do Ghetto

Para além do Ghetto

Me chamo…meu nome não é relevante. O que importa é explicar porque tive que voltar. Esta é a terceira ou quarta vez. Geralmente venho com uma missão pontual, desta vez, múltipla. Nos últimos tempos lembro de ter visto artigos e comentários sobre nós, judeus que comandaram a luta contra os nazistas no episódio conhecido como “levante do Ghetto de Varsóvia”. Depois de tanto tempo, não sei bem se estou vivo ou não, a última coisa que lembro foi ter sido espetado no ombro esquerdo por uma baioneta e, se realmente estava morto, posso afirmar que dói. Muito.

Aqui também há burocracia mas tudo vai na velocidade da luz. Essa última viagem foi decidida quando percebemos que as palavras vêm sendo distorcidas. Seria bom informar a estas pessoas que mudam o sentido das palavras que a corrupção começa e termina pela linguagem.

Acompanho religiosamente os jornais e as críticas sobem até nós. Israel têm sido demonizado de todos os lados, sob a complacência de boa parte da mídia do mundo. Revivi as cenas de 1939. Na época sabíamos exatamente de onde provinham os patrocínios. Quem será que financia a campanha desta vez? Dizem que a culpa é dos próprios judeus (já ouvi ontem e anteontem) mas, pelo que li, ninguém aponta para a complexidade real do problema.

Dizem que a culpa é da direita. Mas nada mudou nas acusações e hoje o poder político pertence ao centro. Aqui em cima analisamos tudo e contamos com a máxima diversidade. Uma crença compartilhada, que virou unanimidade: todos aqui acreditam nos homens.

Outra coisa que chama a atenção é que andam dizendo que os judeus não precisam de uma nação: “eles se dispersaram pelo mundo”. É verdade e o exílio involuntário trouxe coisas positivas para nós e os povos com os quais convivemos. O pessoal da administração sempre fala disso com alegria. Isso não significa que um povo não tenha direito a uma terra.

Corrijam se eu estiver errado, mas a partilha feita em 1947 constituiu dois estados, um para nós, outro para os primos árabes. Qual é o problema então? Me sopram que assim que a divisão foi estabelecida os radicais nos atacaram. E isso se repetiu várias e várias vezes. Estou virando e revirando os jornais e parece que há mais de 60 anos as tentativas para encontrar a estrada da paz falharam. Não pode ser verdade. Quem sabota? Quando as duas partes mais interessadas só teriam a ganhar com paz e estabilidade, sim, alguém está sabotando!

A solução seria “paz em troca de terras”. Então fomos ao arquivo morto e revisamos tudo. Parece que um dos lados exige – está em sua constituição — que o Estado de Israel deixe de existir para começar a negociar. Até para nós, daqui do outro lado, há limites para o ceticismo. Trata-se de uma piada, não?

Depois, mais recentemente, o ditador da Pérsia afirma que o holocausto é uma invenção e duas a três vezes por semana solta frases como vamos “varrer Israel do mapa”. Agora quer a bomba atômica. Isso mexeu até com a cúpula aqui por cima. O pessoal ficou realmente aflito e a correria aumentou nos últimos tempos.

Quando decidimos pegar em armas em Varsóvia era para não morrer como mosquitos esmagados. Era uma situação limite. Uns poucos contra a massa que exigia nossa eliminação. Na escala de guerras justas (aqui é proibido usar esse termo) estaria entre as 10 primeiras. Sabíamos do extermínio em massa, deliberado, sistemático e impiedoso. Sim, aquilo era mesmo um genocídio. Mas qualificar o que está acontecendo entre israelenses e palestinos, usando a mesma palavra é uma imoralidade. Claro que daqui de cima nosso apoio aos patrícios não é incondicional. Não gosto de ver um povo como o meu, historicamente oprimido, fazer papel de opressor. Mas avisem para parar com esta bobagem de esquerda e direita. Eu, que já cantei a Internacional com a mão no peito posso garantir. É verdade que nós ainda temos o idealismo espiritual de esquerda, aquele que quer justiça social e fraternidade sem esquecer de Deus nem da paz. É que com ele tão por perto isso não é uma escolha, simplesmente acontece. Com o perdão da insinuação — pode pegar mal — vocês também vão experimentar. Posso confrontar as decisões e fazer objeções ao que está acontecendo por lá, mas há iletrados que estão usando equivalências entre nós e os nazistas. Merecem um belo puxão de orelha. Há limites até para os mortos. Falam que estamos “murando por dentro” o País. Minhas fontes dizem que foi uma medida provisória para se proteger dos ataques de gente que queria explodir qualquer um. Agora chamam isso de terror? Eu sei que fizemos das nossas contra os ingleses e quem usou isso como arma está errado, não importa quando nem onde. Aqui em cima a regra é clara e expressa pelo próprio Criador. Por ordens dele aqui não há propaganda, e ninguém doutrina ninguém. A única exceção são placas visíveis em todo lugar e em todos os idiomas: viva e deixe viver.

Eu já desci outras vezes. Uma delas foi para ver os alemães virem até a Rua de Mila e desmaiar quando se deram conta do que fizeram com nosso bairro em Varsóvia. Voltei para ver as máquinas e buldozeres dos poloneses demolirem nossas casas. As ruínas viraram pó. Uma das poucas vezes na vida que gritei em desespero, mas ninguém ouvia. Eles demoliram tudo. Ali morri mais uma vez. Precisávamos daquelas ruinas. A preocupação constante por aqui é com o futuro — não porque temos vontade de sofrer com as recordações, mas sim ficar mais alertas para o que está ao alcance de vocês evitar. Uma última mensagem que o povo daqui pede: que eu esclareça a palavra genocídio. É uma palavra que não existia em nossa época. Foi criada a partir de tudo que se viu durante a tentativa de nos exterminar embora outros povos também experimentaram. Um compatriota juntou a palavra genós (do grego tribo ou raça) e caedere (do latim, matar, assassinato).

Sinto, mas a administração solicita minha presença e aqui brincamos muito, menos com o tempo. É que Ele já se cansou de assistir o papelão que fazemos. Como a paciência dele é infinita torço para resolvermos já as brigas. Aqui estão todos de acordo com a exortação de ser um só povo. O consenso é de que isso só será possível quando reconhecermos o valor da pluralidade e a identidade de cada uma das tribos.

Sinceramente, M.I. I.

Paulo Rosenbaum é médico e escritor. Publicou “A Verdade Lançada ao Solo” (Ed Record)

o link para a publicação no JB

http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2013/05/02/para-alem-do-ghetto/

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Mais um blog no Estadão: Era uma vez os três poderes

Please leiam, reflitam, escandalizem-se, ou vamos todos dormir.

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EsmagandoII

Sob o pé e a mando do poder Executivo há uma crise institucional, e, ainda que mitigada por negativas sistemáticas dos falsos bombeiros, infelizmente já possui vida real. Alguns homens chamam isso de política, aqueles dotados de olho histórico sabem que isso é outra coisa. Estamos testemunhando uma ameaça real aos princípios elementares da democracia.

A eliminação da burocracia do horizonte democrático — executivismo plebiscitário pleno, à moda venezuelana — e a manipulação fazem parte do longo planejamento rumo à pavimentação da hegemonia do Executivo – que neste momento conta com o Legislativo como seu testa de ferro – sobre os outros poderes.

No balão de ensaio de um empirismo tosco, o núcleo duro de Brasília tenta, por aproximações sucessivas, minar as forças que resistem à sua totipotencia. O objetivo final para além da consolidação do poder ilimitado com a coibição de novos partidos, é torpedear, desmoralizar e enfim quebrar…

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EsmagandoII

Sob o pé e a mando do poder Executivo há uma crise institucional, e, ainda que mitigada por negativas sistemáticas dos falsos bombeiros, infelizmente já possui vida real. Alguns homens chamam isso de política, aqueles dotados de olho histórico sabem que isso é outra coisa. Estamos testemunhando uma ameaça real aos princípios elementares da democracia.

A eliminação da burocracia do horizonte democrático — executivismo plebiscitário pleno, à moda venezuelana — e a manipulação fazem parte do longo planejamento rumo à pavimentação da hegemonia do Executivo – que neste momento conta com o Legislativo como seu testa de ferro – sobre os outros poderes.

No balão de ensaio de um empirismo tosco, o núcleo duro de Brasília tenta, por aproximações sucessivas, minar as forças que resistem à sua totipotencia. O objetivo final para além da consolidação do poder ilimitado com a coibição de novos partidos, é torpedear, desmoralizar e enfim quebrar o Judiciário, ninguém consegue imaginar porque.

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Diálogos Interditados

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Interditado

Diálogos Interditados

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Jornal do BrasilQuinta-feira, 25 de Abril de 2013
Hoje às 06h09 – Atualizada hoje às 09h57

Diálogos interditados

Jornal do BrasilPaulo Rosenbaum *

Como previsto por este colunista, vários “formadores de opinião” com sua tradicional pós-graduação em cegueira ideológica tentaram estabelecer “se” e “mas” para condenar com timidez os ataques terroristas em Boston. A vergonhosa relativização arrasta o desfile de falácias. A evocação dos desastres em guerras num passe de mágica se transformam em argumentos justificacionistas. É típico da desonestidade intelectual embolar tudo para simular equiparações onde elas não existem. Como se não bastasse, tentam estabelecer equivalência moral entre a piração religiosa jihadista (cujo prolifico DNA encontra-se no Irã, no Líbano, na Síria, na maioria dos países africanos e agora no varejo, com franquias Al Qaeda) com os conflitos tradicionais.

Como pacifista, não é difícil classificar de repugnantes tanto umas como outras. Mas granadas lançadas a esmo e bombas em eventos públicos têm um peso distinto de conflitos entre nações. Guerras santas e líderes fanáticos não costumam ceder à razão. Pelo contrário, ela é o único alvo.

“Guerras santas e líderes fanáticos não costumam ceder à razão ”No fanatismo não há interferência diplomática. Não há dissuasão. Não cabe diálogo. O terrorismo é uma batalha perdida para a escuridão das pulsões destrutivas, geralmente acobertadas pela ilusão do conserto do mundo. Os terroristas são antes de tudo uns convictos. Têm razão a priori. Por isso recusam o debate.

A guerra pode ser terrível, abjeta, escandalosa, mas ainda pode ser detida, contornada e minimizada. Sempre existem fronteiras a serem negociadas, reparações, compensações e jeitos para obter paz. A tolerância, a compaixão e a simpatia que os fascistas de esquerda e direita mostram pelo terror decorre de uma identidade patológica primitiva, onde o ideário prevalente é o batido “os fins justificam os meios”. Pois estamos bem no meio de uma pandemia fanática, onde quem está interditada é a razão.

O mesmo tipo de absurdo se vê na interdição do debate sobre a redução da maioridade penal no Brasil. Está academicamente comprovado que isso traria baixo impacto na redução da criminalidade — continuo achando pouco crível que absolutamente nada esteja sendo feito para conter a violência no pais e enxergo a omissa mão do Estado nesta inércia — entretanto, a forma como os menores estão sendo manobrados e manipulados por maiores para praticar crimes exige uma contrapartida jurídica. Onde estão os planos de reeducação e reinserção social? Quais perspectivas o Estado oferece para uma massa sem perspectivas? Sem experimentar novas políticas e leis, não podemos saber se a redução da maioridade penal teria ou não impacto na cadeia viciosa de crime-impunidade-inimputabilidade.

Mas, mais uma vez, o debate encontra-se obstaculizado sob a argumentação imaginária de que qualquer mudança criminalizaria apenas o jovem socialmente carente. Não é bem assim. Mas quem quer saber? Quem ousa falar contra uma cadeia de dogmas instrumentalizados por estudos muitas vezes descontextualizados e anacrônicos? Desconfio que o politicamente correto tenha sido uma invenção dos ditadores para blindar os dogmas. A redução pura e simples da idade penal conquanto não seja uma solução pode ser o início de uma discussão democrática de quais limites e sob quais contextos queremos estabelecer as leis: quem merece ser responsabilizado e em quais circunstâncias.

“Ninguém espera que a sociedade seja virtuosa. Longe disso, e Brasília parece concentrar os espertos do mundo”Por fim, merece análise mais minuciosa a frase do presidente da Comissão dos Direitos Humanos da Câmara, que só sai dali se os réus condenados do mensalão desocuparem seus postos parlamentares (pesadelo à parte sermos obrigados a voltar ao assunto). Por incrível que pareça (só neste quesito já que vindo dele a verdade é item perecível), talvez ele tenha alguma razão. Pois, se o preceito de que a justiça deveria ser igual para todos tivesse qualquer efeito, teríamos que na prática contemplar princípios minimamente isonômicos. Ninguém espera que a sociedade seja virtuosa. Longe disso, e Brasília parece concentrar os espertos do mundo. Ninguém está livre do engano, e a ética é um perigo quando usada como flecha. Mas deveria haver um mínimo. Por exemplo, garantias de que gente condenada (ou sob investigação) se afastasse de qualquer representação parlamentar. Mas as brechas jurídicas — risível frouxidão — usadas por escritórios potentes postergam a justiça real. O resultado todos sabem. Penas proscritas e, por fim, exaustão. E dá-lhe legitimação do vale-tudo.

O malefício que a interdição dos debates, da razão e da decência faz à democracia só é comparável à mordaça psíquica que nos impede de gritar. Urremos uníssonos, antes que sejamos condenados aos suspiros.

* médico e escritor, autor de ‘A verdade lança ao solo’ (Ed. Record)

Link do Jb

http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2013/04/25/dialogos-interditados/