Para que servem blogs?

Alguém ainda pergunta por que escritores escrevem?

Eu não sei, mas o óbvio não é, não costuma ser verdade. As vezes uma palavra vêm, flutuando. Muito interessada ela acaba se instalando como ideia. E ai alguém, neste caso eu, precisa usá-la. É como uma necessidade de faze-la tornar-se viável. Ele nunca se torna pois se perde, mas esta perdição não é fortuita, ela compõe uma outra coisa.

E se ninguém lê?

Não escrevemos para ser lidos. Eu sei que é doloroso e eu mesmo duvido disso, mas parece ser, no mínimo, uma verosimilitude. Uma verdade psicológica, uma mentira para exportação: precisamos de leitores mas não o fazemos por eles. Quando me sinto pressionado para escrever simplesmente preciso fazer isso, não é acaso, é necessidade. Há várias modalidades de texto e poderia tentar falar sobre cada um deles. Alguém lerá?

Livros tem finalidades?

Muitas. Nenhuma específica. Preciso dizer que as vezes pensava no livro (vicio acadêmico) como uma tese, que testa a hipótese a ser comprovada. Mas um romance é diferente. Muito. Completamente outra coisa. Um romance te domina. E precisa ser assim. Escritores que se isolam não fazem isso para se concentrar melhor. Precisam disso para não enlouquecer os demais com suas metáforas obsedantes que pulam das linhas para nos pressionar. Aqui é real, não se trata de um enigma existencial: a criatura se volta contra o criador. Os personagens passam a exigir coisas, e suas demandas ficam cada vez mais tirânicas, hostis. Para o bem do esclarecimento: esta beligerância não existe em nome de uma coerência temática ou programática: ela se impõe! 

E quanto as modificações? Alguém se moverá após ler?

A literatura não se propõe a ser um instrumento de modificação de nada, nem ninguém. Entretanto, toda experiência muda as relações: entre sujeito e coisas, entre coisas e ideias, entre ideias e comunidades. Uma experiência literária pode, se é que deve, funcionar ao modo de um experimento, forçando o leitor ao esforço de diálogo com o texto. Frequentemente contra o texto. As vezes o leitor é um crítico, as vezes adepto e muitas vezes, a maioria, não se vincula ao fluxo narrativo do escritor. Há algo insanável ali. Não se pode fazer nada, ambos — escritor e leitor —  beiram a impotência pois precisam se conformar com o estatuto de stand-by, de imoblidade, de falencia de uma relação. A culpa? Se há culpa só pode ser do encontro: prematuro, ou assimétrico ou inconsistente.  Ainda bem que nem sempre é assim.

Livros e objetos.

Muitas vezes embarcamos na forma e no ritmo com que o autor nos convida, e é assim que as vezes é uma surpresa. Foi por casos assim que os livros tornaram-se objetos tão poderosos. E não importa o que acontecera com sua forma (eu os prefiro assim e compartilho da sentença de José Mindlin de que não valeria a pena  viver sem livros de carne e osso). Assim, a leitura também é uma experiencia  que faz confluir vários sentidos em um só. No fundo todo livro — com as devidas pedidas licença à Tristan Tzara — é livro-objeto. Todo livro acaba por se construir na tridimensionalidade que ocupa e com a qual nós nos aproximamos deles nas pranchas das livrarias ou nos sites.    

O perfil do Sagrado

Da condição de judeu vejo avançar todas as tendências seculares. O horizonte é de uma fragmentação forte, num rumo que parece se orientar para a secessão. O choque não é exatamente entre civilizações, está acontecendo entre vizinhos.

E o sagrado?

Sem querer analisar com a finalidade de estabelecer diagnósticos a pergunta, a única que faz sentido aqui é esta mesmo: e o sagrado? O que aconteceu com o sagrado? De “celebremos o homem” ao “o importante é cumprir regras” a pergunta sonora e incomoda fica pendente porque faz sentido. O ceticismo arrumou uma capa simpática a muitos: estreitar os laços com a ciência. Mas a ciência não pode ser, ideológica, se formos usar apena uma palavra. Pode aliás, mas não deve ser movida por ela. Isso não significa nada. Ainda assim ela têm sido abusivamente usada assim, ideologicamente. Ainda que nos elementos mais rudimentares de sua configuração ela deveria sofrer de uma neutralidade, quase ingenua, que a colocasse como uma fazedora de perguntas — a maioria estraga-prazeres — que levariam a função de questionamento às raias da insanidade.

AA+ Uma nota favorável no Caderno de Cultura do Jornal Valor Econômico

 No site do Jornal “Valor Econômico”

AA+ Alta Qualidade

Paulo Rosenbaum Record 574 págs., R$ 69,90 / AA+

Numa aldeia da Polônia, em 1856, um rabino com dons proféticos, Zult Talb, quer que um manuscrito sobre o místico “devekut”, estado modificado de consciência no qual os homens podem experimentar no corpo a própria energia de Deus, atinja o futuro. A partir desse vilarejo, o médico e doutor em ciências Paulo Rosenbaum percorre o tempo e o mundo – cidades mediterrâneas, Alpes suíços, Europa oriental. Com elementos dramáticos, religiosos e políticos, o autor, que já publicou dez livros sobre medicina e de poesia, estreia em romance. O percurso de busca de significados se encerra com uma estranha experiência vivida por um médico descendente do rabino num plantão em que o paciente é portador de uma mensagem do passado que precisa ser esclarecida com urgência.

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                          Jornal Impresso – Nota

LANÇAMENTO DO LIVRO

Lançamento do livro “A verdade lançada ao solo”

Data: 9 de dezembro, quinta-feira

Local: MegaStore Saraiva / Shopping Pátio Higienópolis

Horário: 19h

Endereço: Avenida Higienópolis, 674

Verdade Lançada ao Solo

A VERDADE LANÇADA AO SOLO

Paulo Rosembaum

Grupo Editorial Record/Editora Record

588 páginas + 8 de encarte

Preço: R$ 69,90

Formato: 16 x 23 cm

ISBN: 978-85-01-09161-1

Ficção nacional | Romance | Filosofia

            Estreia do médico e poeta Paulo Rosenbaum como romancista, A VERDADE LANÇADA AO SOLO é uma história em três tempos que parte da tradição judaica para questionar o lugar do homem na Terra. Neste livro singular, de rara originalidade autoral, elos inusitados e potentes metáforas desequilibram o leitor num enredo denso, que mistura drama, aventura, religião e política.

            Em 1856, na aldeia judaica de Tisla, no interior da Polônia, Zult Talb é um rabino com dons proféticos. Ele é o ponto de partida de um itinerário que divaga pelo tempo e corre o mundo: Brasil, Alpes suíços, cidades mediterrâneas e Europa oriental. Um dos últimos de uma linha de justos, o rabino filósofo quer preservar um dos segredos mais cobiçados da história: a devekut, um estado alterado de consciência pelo qual se experimenta no corpo a energia de Deus. Antevendo a proximidade de uma grande catástrofe, deve fazer com que seu manuscrito, com a narrativa da experiência, seja remetido ao futuro.

            Costurado através de três episódios, o romance pula gerações e migra do século XIX para o XXI no segundo livro. Dois amigos, um ex-viciado em drogas e um ex-médico, viajam aos Alpes e, enganados pelas promessas de que o degelo generalizado favoreceria amadores nas escaladas, acabam presos pela neve numa estação isolada. Divididos entre a esperança e a resignação, tentam sobreviver no topo de uma montanha, sob condições extremas, enquanto conversam sobre o sentido da vida.

            Na última parte, o médico descendente do rabino de Tisla, afastado das tradições judaicas, vive uma estranha experiência. Durante um plantão, um de seus pacientes é o portador de uma mensagem do passado que, com urgência, precisa ser esclarecida.

            Depois do anúncio da morte da transcendência, do massacre da natureza e da elevação da ciência ao patamar de dogma, há como aproximar novamente a vida espiritual ao mundo dos homens? Este final da pós-modernidade trouxe de volta muitas questões filosóficas que se pensavam superadas: qual o significado das tradições religiosas? Como os mortos e suas memórias entram em nossas vidas? O que é ser justo? Tudo pareceria uma grande utopia se Yan Talb não estivesse disposto a descobrir as respostas.