• Uma entrevista sobre Verdades e Solos
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” no Jornal da USP
  • A verdade lançada ao solo, de Paulo Rosenbaum. Rio de Janeiro: Editora Record, 2010. Por Regina Igel / University of Maryland, College Park
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” por Reuven Faingold (Estadão)
  • Escritor de deserto – Céu Subterrâneo (Estadão)
  • A inconcebível Jerusalém (Estadão)
  • O midrash brasileiro “Céu subterrâneo”[1], o sefer de “A Verdade ao Solo” e o reino das diáforas de “A Pele que nos Divide”.(Blog Estadão)

Paulo Rosenbaum

~ Escritor e Médico Writer and physician

Paulo Rosenbaum

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Diálogos Interditados

25 quinta-feira abr 2013

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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antiamericanismo, democracia, diálogos interditados, formadores de opinião, hegemonia e monopólio do poder, impunidade, interdição da razão, Irã, jihadismo internacional, mensalão, redução da maioridade penal, significado de justiça, violencia

Interditado

Diálogos Interditados

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Jornal do BrasilQuinta-feira, 25 de Abril de 2013
Hoje às 06h09 – Atualizada hoje às 09h57

Diálogos interditados

Jornal do BrasilPaulo Rosenbaum *

Como previsto por este colunista, vários “formadores de opinião” com sua tradicional pós-graduação em cegueira ideológica tentaram estabelecer “se” e “mas” para condenar com timidez os ataques terroristas em Boston. A vergonhosa relativização arrasta o desfile de falácias. A evocação dos desastres em guerras num passe de mágica se transformam em argumentos justificacionistas. É típico da desonestidade intelectual embolar tudo para simular equiparações onde elas não existem. Como se não bastasse, tentam estabelecer equivalência moral entre a piração religiosa jihadista (cujo prolifico DNA encontra-se no Irã, no Líbano, na Síria, na maioria dos países africanos e agora no varejo, com franquias Al Qaeda) com os conflitos tradicionais.

Como pacifista, não é difícil classificar de repugnantes tanto umas como outras. Mas granadas lançadas a esmo e bombas em eventos públicos têm um peso distinto de conflitos entre nações. Guerras santas e líderes fanáticos não costumam ceder à razão. Pelo contrário, ela é o único alvo.

“Guerras santas e líderes fanáticos não costumam ceder à razão ”No fanatismo não há interferência diplomática. Não há dissuasão. Não cabe diálogo. O terrorismo é uma batalha perdida para a escuridão das pulsões destrutivas, geralmente acobertadas pela ilusão do conserto do mundo. Os terroristas são antes de tudo uns convictos. Têm razão a priori. Por isso recusam o debate.

A guerra pode ser terrível, abjeta, escandalosa, mas ainda pode ser detida, contornada e minimizada. Sempre existem fronteiras a serem negociadas, reparações, compensações e jeitos para obter paz. A tolerância, a compaixão e a simpatia que os fascistas de esquerda e direita mostram pelo terror decorre de uma identidade patológica primitiva, onde o ideário prevalente é o batido “os fins justificam os meios”. Pois estamos bem no meio de uma pandemia fanática, onde quem está interditada é a razão.

O mesmo tipo de absurdo se vê na interdição do debate sobre a redução da maioridade penal no Brasil. Está academicamente comprovado que isso traria baixo impacto na redução da criminalidade — continuo achando pouco crível que absolutamente nada esteja sendo feito para conter a violência no pais e enxergo a omissa mão do Estado nesta inércia — entretanto, a forma como os menores estão sendo manobrados e manipulados por maiores para praticar crimes exige uma contrapartida jurídica. Onde estão os planos de reeducação e reinserção social? Quais perspectivas o Estado oferece para uma massa sem perspectivas? Sem experimentar novas políticas e leis, não podemos saber se a redução da maioridade penal teria ou não impacto na cadeia viciosa de crime-impunidade-inimputabilidade.

Mas, mais uma vez, o debate encontra-se obstaculizado sob a argumentação imaginária de que qualquer mudança criminalizaria apenas o jovem socialmente carente. Não é bem assim. Mas quem quer saber? Quem ousa falar contra uma cadeia de dogmas instrumentalizados por estudos muitas vezes descontextualizados e anacrônicos? Desconfio que o politicamente correto tenha sido uma invenção dos ditadores para blindar os dogmas. A redução pura e simples da idade penal conquanto não seja uma solução pode ser o início de uma discussão democrática de quais limites e sob quais contextos queremos estabelecer as leis: quem merece ser responsabilizado e em quais circunstâncias.

“Ninguém espera que a sociedade seja virtuosa. Longe disso, e Brasília parece concentrar os espertos do mundo”Por fim, merece análise mais minuciosa a frase do presidente da Comissão dos Direitos Humanos da Câmara, que só sai dali se os réus condenados do mensalão desocuparem seus postos parlamentares (pesadelo à parte sermos obrigados a voltar ao assunto). Por incrível que pareça (só neste quesito já que vindo dele a verdade é item perecível), talvez ele tenha alguma razão. Pois, se o preceito de que a justiça deveria ser igual para todos tivesse qualquer efeito, teríamos que na prática contemplar princípios minimamente isonômicos. Ninguém espera que a sociedade seja virtuosa. Longe disso, e Brasília parece concentrar os espertos do mundo. Ninguém está livre do engano, e a ética é um perigo quando usada como flecha. Mas deveria haver um mínimo. Por exemplo, garantias de que gente condenada (ou sob investigação) se afastasse de qualquer representação parlamentar. Mas as brechas jurídicas — risível frouxidão — usadas por escritórios potentes postergam a justiça real. O resultado todos sabem. Penas proscritas e, por fim, exaustão. E dá-lhe legitimação do vale-tudo.

O malefício que a interdição dos debates, da razão e da decência faz à democracia só é comparável à mordaça psíquica que nos impede de gritar. Urremos uníssonos, antes que sejamos condenados aos suspiros.

* médico e escritor, autor de ‘A verdade lança ao solo’ (Ed. Record)

Link do Jb

http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2013/04/25/dialogos-interditados/

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Mais um Post no Blog do Estadão – O Homem que viu o coronel Fawcett

24 quarta-feira abr 2013

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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FawcettIIII_

http://blogs.estadao.com.br/conto-de-noticia/o-homem-que-viu-fawcett/?fb_action_ids=360940724026327&fb_action_types=og.recommends&fb_source=aggregation&fb_aggregation_id=288381481237582

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Mais um post no Estadão

21 domingo abr 2013

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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LoveII

http://blogs.estadao.com.br/conto-de-noticia/nao-mais-intacta/

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A explosão e os norte-americanos

19 sexta-feira abr 2013

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Coisas da Política

Hoje às 15h02 – Atualizada hoje às 15h07
A explosão e os norte-americanos

Jornal do BrasilPaulo Rosenbaum
 
Eles não são tão pragmáticos, nem tão cerebrais. Não possuem o triunfalismo, nem são tão hostis quanto aparecem nos relatos estereotipais da mídia mundial. Os norte-americanos, assim como todos nós, têm os mesmos medos, as mesmas insuficiências e as mesmas capacidades dos outros. O que os diferencia, e isso não é pouco ou desprezível, é a confiança que depositam nas instituições. Elas podem passar por presidentes corruptos, ineptos, fanfarrões ou bananas, isso não os abala, pois aqui o executivo tem uma real contrapartida no legislativo e no judiciário. Não só que levam bem a sério a divisão dos poderes como a lei que os regula é estável e garantida por uma constituição enxuta e exequível. Que não se aclame isso como virtude ou defeito, mas característica, perfil, visão de mundo.

Inimigos internos ou de fora, tanto faz, a depressão residual é a mesma. Ficam todos paralisados esperando que alguém assuma o atentado. A vida segue, mas não como antes. A percepção da vulnerabilidade coletiva tem de fato um peso desproporcional. Assumindo ou não sabemos que parte do mundo obscurantista – me pergunto se é minoria — bate na palma da mão para dizer “bem feito”. Sabemos que tem gente que comemora que crianças percam a vida e adultos sejam mortos ou mutilados. São os mesmos que no escuro, em segredo, torcem pelo pior. Que enxergam equivalência entre matar deliberadamente e os erros e absurdos que as guerras apresentam. A rigor, toda guerra seria um erro se não existissem as que nos libertam dos opressores.

 Não cabe analisar personalidades, cabe reagir a elas. Os que torcem pela destruição dos americanos não os compreenderam adequadamente. Não porque não tenham – como todos os estados que lutaram para se constituir como nações – manchas colossais em sua lista de desserviços prestados a outros Estados, mas porque ignoram sua fibra e preferem ignorar sua a capacidade de resistência.

Depois de 11 de setembro, não só a nação não veio abaixo, como façanhas significativas foram registradas nas áreas de solidariedade, controle da criminalidade e atendimento social. Especialmente em Nova York. Não foram poucos os relatos de diminuição dos conflitos étnicos e raciais. Veio a crise de 2008, que, aos poucos, superam e vão enxergando de novo um horizonte menos tenebroso. A desburocratização nos negócios e a facilidade com que  empresas e pessoas encontram para desenvolver suas ideias nunca foi vista como ganância da burguesia — como a anacrônica esquerda latino-americana costuma decretar para quem quer se desenvolver materialmente.

Há nestas diversidades significativas (nisso são parecidos com os brasileiros) a vantagem, quase uma imposição, de respeito às diferenças. Por bem ou por mal. É necessário conviver com a pluralidade e esse exercício – nem sempre aceito por facções e gente que quer que suas regras sejam as únicas vigentes, de preferência goela abaixo dos demais – determina a sanidade e atualização da democracia.

Os eventos de Boston só mostram como estamos distantes de qualquer encerramento de ciclo. A institucionalização do terror é apenas mais um lance arriscado nas guerras diárias que temos que contabilizar todos os dias. Só significativa que mudança no comportamento dos povos poderá mudar o que nos espera logo adiante. Não que Pyongyang não represente um risco para a humanidade inteira, mas a humanidade inteira tem se submetido a ditadores explícitos e democracias cosméticas. Ambos têm em comum não declararem abertamente suas agendas. 

A justiça pedida por Obama para os que perpetraram o ato durante a maratona precisa ser mais longa e funda. É apenas um começo do trabalho. As cicatrizes fazem parte do ofício de ser povo, e elas costumam demorar para secar. Talvez seja tarde demais para colocar em prática a única solução em que ninguém precisaria contar seus mortos, mesmo assim isso não significa que seja indigna dos nossos desejos. Pelo contrário, é mais provável que ela resuma a dignidade.

* Paulo Rosenbaum é médico e escritor. É autor de “A Verdade Lançada ao Solo”(Ed. Record)

link

http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2013/04/18/a-explosao-e-os-norte-americanos/

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A inexistência dos outros

19 sexta-feira abr 2013

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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antijudaismo, impunidade, Israel, judeus no holocausto, justiça, liberdade, revisionistas do holocausto, significado de justiça, yom hashoah

A inexistência dos outros

Dia 07 de abril é o dia escolhido para homenagear as vítimas do holocausto. Como homenagear quem perdeu a vida para o nada? O argumento de revisionistas e ditadores beócios é que o massacre sistemático contra inocentes que começou com judeus e depois se estendeu às outras minorias, é um fiapo da história se comparado com outras tragédias resultantes da interação entre os homens.

É correto afirmar que outros genocídios já foram perpetrados em larga escala: milhões de índios, armênios, curdos, bósnios e ruandeses não sobreviveram para contar suas histórias. Mas aqueles que comparam guerras regionais e sazonais que acontecem em toda parte com massacres intensivos, movidos pelo ódio aos que destoam, não sabem do que falam. O extermínio seriado de crianças foi a grande originalidade nazista. Neste sentido, ele é obra única. Nada, absolutamente nada pode ser comparado ao infanticídio que produziu 1,5 milhão de crianças anuladas para sempre.

Foi o começo do começo e o fim do fim.

A datação do mundo deveria ser zerada a partir do yom hashoah (o dia das vítimas do holocausto) não porque uma tribo poderia ter sido extinta, nem pelos milhões de inocentes descolados de suas vidas, mas pela cassação da inocência, pelo abortamento completo e absoluto que, em nossa era, construiu a impossibilidade de sonhar. A paralisia que ensurdeceu o mundo, a inércia que nos fez e continua nos fazendo cúmplices. Pela humanidade que não conseguiu contornar o inevitável. É no abismo incessante que podemos enxergar o tamanho da terra que cobriu os corpos.

Mas não podemos mais só apontar para os carrascos uniformizados. Nem mesmo pleitear heroísmo póstumo para vítimas que jamais serão identificadas, sequer saberemos como existiram ou se existiram.

A cumplicidade silenciosa durará a eternidade. A civilização adernou e não há mais luz entre os assassinados pelo mal absoluto. A ausência dos mortos de fome, sede, frio, exaustão, selvageria ou abandono é quem acusa. Ainda que não haja equivalência moral entre um infanticídio sistemático e as explosões de violência dos conflitos e guerras, a tinta de ambos tem a mesma cor. É o carbono da indecência e da auto-predação. Chegamos enfim a era em que deverá ser reconhecida retrospectivamente como aquela que enfim assumiu a ideologia: inexistência do outro. O eu aglutinou todas as formas de existir e a conjugação nas várias pessoas não faz mais sentido. Tú e vós, além de ultrapassados, não merecem estar aqui. O nós virou desacreditada utopia ou só piada de salão.

Não foram só nazistas com seus milhões de fiéis e obedientes seguidores que pariram a sombra mas um mundo sem coragem que apresentou sua estampa frágil e manipulável. O nacional socialismo alemão demonstrou, definitivamente, o valor e o imperativo ético da desobediência civil como única saída, quando a civilização encontra-se sob risco.

Se sonhar é parte vital das nossas funções orgânicas e espirituais, quem tem o direito de colocá-la sob ameaça? De costurar nossas bocas com estopa? A inexistência do outro se tornou pressuposto, mais que isso exigência, mais que isso, o único dogma que restou. Mas ele só se tornou cabível e chancelado a partir dos eventos que tiveram lugar durante os anos que em que o holocausto foi executado.

Ninguém está se referindo a um processo que teve lugar em algum ponto distante e remoto na história. Faz só 75 anos e é prova que a violência ainda que adormecida, está ativa e à espreita. O lobo do homem ainda está vivo e se oculta nas brechas. Talvez seja injustiça com os lobos (raríssimos os relatos de ataques espontâneos de lobos contra o homem), ainda que viva na natureza de todos nós a fração bélica, que não hesita em predar.

Mas o que vai além de tudo, e, talvez mesmo o que mais impressiona é a capacidade humana de ir adiante sob o trágico. Devemos homenagear as vitimas enquanto reverenciamos o tino humano para prosseguir, andando sobre ruínas, sob ossos e vagando em campos devastados.

Homenagear vítimas de violência, em qualquer tempo e local, seria substituir a culpa coletiva por capacidade de renascimento.

Paulo Rosenbaum é médico e escritor. É autor de “A Verdade Lançada” (Ed. Record)

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A inexistência dos outros

19 sexta-feira abr 2013

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aculturamento, antiamericanismo, antisemitismo, Irã, Israel, significado de justiça, tribalismo

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Jornal do Brasil
Quinta-feira, 18 de Abril de 2013

Coisas da Política
11/04 às 08h51 – Atualizada em 11/04 às 08h53

A inexistência dos outros

Jornal do Brasil/Paulo Rosenbaum

Dia 7 de abril é o dia escolhido para homenagear as vítimas do holocausto. Como homenagear quem perdeu a vida para o nada? O argumento de revisionistas e ditadores beócios é que o massacre sistemático contra inocentes que começou com judeus e depois se estendeu às outras minorias, é um fiapo da história se comparado com outras tragédias resultantes da interação entre os homens.

É correto afirmar que outros genocídios já foram perpetrados em larga escala: milhões de índios, armênios, curdos, bósnios e ruandeses não sobreviveram para contar suas histórias. Mas aqueles que comparam guerras regionais e sazonais que acontecem em toda parte com massacres intensivos, movidos pelo ódio aos que destoam, não sabem do que falam. O extermínio seriado de crianças foi a grande originalidade nazista. Neste sentido, ele é obra única. Nada, absolutamente nada pode ser comparado ao infanticídio que produziu 1,5 milhão de crianças anuladas para sempre.

Foi o começo do começo e o fim do fim.

A datação do mundo deveria ser zerada a partir do yom hashoah (o dia das vítimas do holocausto) não porque uma tribo poderia ter sido extinta, nem pelos milhões de inocentes descolados de suas vidas, mas pela cassação da inocência, pelo abortamento completo e absoluto que, em nossa era, construiu a impossibilidade de sonhar. A paralisia que ensurdeceu o mundo, a inércia que nos fez e continua nos fazendo cúmplices. Pela humanidade que não conseguiu contornar o inevitável. É no abismo incessante que podemos enxergar o tamanho da terra que cobriu os corpos.

Mas não podemos mais só apontar para os carrascos uniformizados. Nem mesmo pleitear heroísmo póstumo para vítimas que jamais serão identificadas, sequer saberemos como existiram ou se existiram.

A cumplicidade silenciosa durará a eternidade. A civilização adernou e não há mais luz entre os assassinados pelo mal absoluto. A ausência dos mortos de fome, sede, frio, exaustão, selvageria ou abandono é quem acusa. Ainda que não haja equivalência moral entre um infanticídio sistemático e as explosões de violência dos conflitos e guerras, a tinta de ambos tem a mesma cor. É o carbono da indecência e da auto-predação. Chegamos enfim a era em que deverá ser reconhecida retrospectivamente como aquela que enfim assumiu a ideologia: inexistência do outro. O eu aglutinou todas as formas de existir e a conjugação nas várias pessoas não faz mais sentido. Tu e vós, além de ultrapassados, não merecem estar aqui. O nós virou desacreditada utopia ou só piada de salão.

Não foram só nazistas com seus milhões de fiéis e obedientes seguidores que pariram a sombra mas um mundo sem coragem que apresentou sua estampa frágil e manipulável. O nacional socialismo alemão demonstrou, definitivamente, o valor e o imperativo ético da desobediência civil como única saída, quando a civilização encontra-se sob risco.

Se sonhar é parte vital das nossas funções orgânicas e espirituais, quem tem o direito de colocá-la sob ameaça? De costurar nossas bocas com estopa? A inexistência do outro se tornou pressuposto, mais que isso exigência, mais que isso, o único dogma que restou. Mas ele só se tornou cabível e chancelado a partir dos eventos que tiveram lugar durante os anos que em que o holocausto foi executado.

Ninguém está se referindo a um processo que teve lugar em algum ponto distante e remoto na história. Faz só 75 anos e é prova que a violência ainda que adormecida, está ativa e à espreita. O lobo do homem ainda está vivo e se oculta nas brechas. Talvez seja injustiça com os lobos (raríssimos os relatos de ataques espontâneos de lobos contra o homem), ainda que viva na natureza de todos nós a fração bélica, que não hesita em predar.

Mas o que vai além de tudo, e, talvez mesmo o que mais impressiona é a capacidade humana de ir adiante sob o trágico. Devemos homenagear as vitimas enquanto reverenciamos o tino humano para prosseguir, andando sobre ruínas, sob ossos e vagando em campos devastados.

Homenagear vítimas de violência, em qualquer tempo e local, seria substituir a culpa coletiva por capacidade de renascimento.

* Paulo Rosenbaum é médico e escritor. É autor de “A Verdade Lançada” (Ed. Record)

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Memória do Holocausto

09 terça-feira abr 2013

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Mais um post no blog “Conto de Notícia”

Que dia foi ontem?

Shoah

Qualquer palavra encerra.

Encerrou os que não encontraram olhos abertos

Querem saber que dia foi ontem?

O dia que ameaçaram os amanhãs.

Não esqueceremos

Para ler mais:

http://blogs.estadao.com.br/conto-de-noticia/

 

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Carta para G. Rosa

07 domingo abr 2013

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Veja novo post no blog Conto De Notícia do Estadão

Caro Rosa,

Espero que esteja bem e na santa paz. Desculpe a indelicadeza na demora em responder sua última missiva, modo de dizer, aquilo era um verdadeiro questionário! Dá tanta vontade assim de saber o que vai aqui? Estava procurando me informar melhor sobre aquela expressão que te deixou curioso no jornal, nas suas palavras “atiçado”. Você não se enganou não, era esse nome mesmo: “bônus anticrime”. Pelo que apurei é só um soldo extra para os serviços de segurança que solucionarem mais crimes.

Para ler mais

http://blogs.estadao.com.br/conto-de-noticia/

Cada notícia têm desdobramentos. Sob a forma de conto, prosa ou crônica a exploração imaginária de um fato é a proposta de “Conto de Notícia”. Via de regra, o link para a publicação que deu origem ao texto encontra-se abaixo do post.

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04 quinta-feira abr 2013

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Jornal do Brasil

Quinta-feira, 4 de Abril de 2013

Rio

EconomiaInternacionalEsportesCiência e Tecnologia

Jornal do BrasilPaulo Rosenbaum

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Roga-se uma leitura atenta antes de se arriscar e tentar adivinhar a posição política deste autor. Como defesa prévia é preciso afirmar que não tenho nenhuma simpatia por nenhum dos parlamentares que ocupam cargos nas mesas diretoras. Não é aversão ao poder, mas repúdio aos conchavos. Estamos cegos para distinguir cargo de função.

Antes de analisar a gritaria geral é preciso compreender que essas disputas envolvem, não infrequentemente, negociações e concessões pouco recomendáveis, senão insuportáveis e anti republicanas. É só isso que teríamos obrigação de notar.

Mas a fulanização ou demonização (palavra que vem a calhar no caso) interessa a quem? A opinião pública é que não é, à mídia muito menos (a não ser pelo espetáculo das manchetes), e aos nobres colegas tampouco. As picuinhas periféricas, os escândalos nas margens e o varejo do mal feito, só pode interessar ao poder central.

Concedo que pareça mesmo inacreditável que justo alguém com este background presida um colegiado tão essencial e sensível para a democracia. Mas discordo de climas histéricos e enredos fascistas (com carga pseudo heroica de gente que diz combater fascistas).

No caso do presidente da comissão de direitos humanos o fato resvala no vexame e atingiu o cólume com a última novidade: direitos humanos em sessões secretas.

Entretanto é preciso que se compreenda que o sujeito X, Y, ou Z, não é origem de nada. Eles são destinos, os frutos mais bem acabados do fisiologismo que, a mando do pragmatismo utilitarista, assola a política brasileira.

Trata-se portanto de aberração calculada. Mas que não se engane, todas essas situações são produções bem cuidadas. Só que algumas delas escapam ao controle e não saem conforme planejado. Esqueçam, não há o menor incomodo ou constrangimento pelos acordos aliados e suas consequencias. Essa na verdade é a cara da frente partidária que hoje distribui as cartas do poder no Brasil. Incomodo é modo de dizer. Nada perturba o estoicismo ou o sono dos pragmáticos do planalto. Das duas uma: ou estamos todos enganados ou o golpe é tão bem aplicado que não sentimos nem quando a agulha espeta a carne.

A origem do imbloglio é a ausencia de ideias e conceitos em detrimento das instituições. As nomeações vêm sempre primeiro, antes de tudo evidenciando o desprezo pelos projetos e competências. Lá atrás isso já foi chamado de “carro na frente dos bois”. Pode-se atualizar as imagens, mas é exatamente isso o que temos.

Mesmo que se admita as conquista sociais dos últimos 12 anos, sem encaminhamentos razoáveis para os tres temas que só se costuma mencionar a cada 2 anos — educação, segurança pública e infraestrutura – não se pode afirmar que o país esteja sendo bem administrado.

O país está isso sim bem cotado no ranking como um dos sítios mais violentos do planeta. Os antropólogos dizem “cultural”, os sociólogos, “as raízes vêm das desigualdades”, e os filósofos, bem eles ainda não se pronunciaram. Muitos estão filiados ao partido e qualquer coisa que não seja ostensivo silencio, compromete.

Isso não é pranto nem quer ser um mantra das catástrofes, apenas obra da realidade. E mesmo que a repudiemos, a joguemos para baixo dos carpetes, como tem sido a praxe nos últimos quinhentos anos, ainda assim os problemas são insistentes e por isso reemergem cada vez mais sólidos.

Os direitos humanos são tributarios dos deveres republicanos e não podem pertencer à comissões, cargos ou rifas de poder. Toda concentração de poder é perversão e perversões não costumam combinar com bem estar coletivo.

* Paulo Rosenbaum é medico e escritor. É autor de “A Verdade Lançada ao Solo” (Ed. Record)

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01 segunda-feira abr 2013

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Jornal do Brasil
Quinta-feira, 28 de Março de 2013

Coisas da Política

Hoje às 17h09 – Atualizada hoje às 17h15

Homenagem aos volumes

Jornal do Brasil Paulo Rosenbaum*

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Homenagem aos volumes

Em nossos dias a velocidade das transformações é muito maior do que a capacidade para assimilá-las. Está criado um paradoxo. Senhor paradoxo. A revolução cibernética e a era digital estabeleceram dilemas perturbadores e sem debates satisfatórios. Ainda que os efeitos das revoluções só possam ser avaliados retrospectivamente, nada justifica o silêncio.

Ninguém faz a menor ideia de onde a cultura on line nos levará. Nem como nos sentiremos nesse novo lugar.

A sociedade da informação é só festejada – e talvez deva mesmo ser – mas é vital que alguma lucidez prevaleça sobre as sínteses fáceis.

No quesito informação, o excesso tem um efeito similar à escassez. A polissemia também enlouquece. Navegando…

Ver o post original 510 mais palavras

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Entrevista sobre o Livro

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