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Jornal do Brasil

Quinta-feira, 4 de Abril de 2013

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Jornal do BrasilPaulo Rosenbaum

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Roga-se uma leitura atenta antes de se arriscar e tentar adivinhar a posição política deste autor. Como defesa prévia é preciso afirmar que não tenho nenhuma simpatia por nenhum dos parlamentares que ocupam cargos nas mesas diretoras. Não é aversão ao poder, mas repúdio aos conchavos. Estamos cegos para distinguir cargo de função.

Antes de analisar a gritaria geral é preciso compreender que essas disputas envolvem, não infrequentemente, negociações e concessões pouco recomendáveis, senão insuportáveis e anti republicanas. É só isso que teríamos obrigação de notar.

Mas a fulanização ou demonização (palavra que vem a calhar no caso) interessa a quem? A opinião pública é que não é, à mídia muito menos (a não ser pelo espetáculo das manchetes), e aos nobres colegas tampouco. As picuinhas periféricas, os escândalos nas margens e o varejo do mal feito, só pode interessar ao poder central.

Concedo que pareça mesmo inacreditável que justo alguém com este background presida um colegiado tão essencial e sensível para a democracia. Mas discordo de climas histéricos e enredos fascistas (com carga pseudo heroica de gente que diz combater fascistas).

No caso do presidente da comissão de direitos humanos o fato resvala no vexame e atingiu o cólume com a última novidade: direitos humanos em sessões secretas.

Entretanto é preciso que se compreenda que o sujeito X, Y, ou Z, não é origem de nada. Eles são destinos, os frutos mais bem acabados do fisiologismo que, a mando do pragmatismo utilitarista, assola a política brasileira.

Trata-se portanto de aberração calculada. Mas que não se engane, todas essas situações são produções bem cuidadas. Só que algumas delas escapam ao controle e não saem conforme planejado. Esqueçam, não há o menor incomodo ou constrangimento pelos acordos aliados e suas consequencias. Essa na verdade é a cara da frente partidária que hoje distribui as cartas do poder no Brasil. Incomodo é modo de dizer. Nada perturba o estoicismo ou o sono dos pragmáticos do planalto. Das duas uma: ou estamos todos enganados ou o golpe é tão bem aplicado que não sentimos nem quando a agulha espeta a carne.

A origem do imbloglio é a ausencia de ideias e conceitos em detrimento das instituições. As nomeações vêm sempre primeiro, antes de tudo evidenciando o desprezo pelos projetos e competências. Lá atrás isso já foi chamado de “carro na frente dos bois”. Pode-se atualizar as imagens, mas é exatamente isso o que temos.

Mesmo que se admita as conquista sociais dos últimos 12 anos, sem encaminhamentos razoáveis para os tres temas que só se costuma mencionar a cada 2 anos — educação, segurança pública e infraestrutura – não se pode afirmar que o país esteja sendo bem administrado.

O país está isso sim bem cotado no ranking como um dos sítios mais violentos do planeta. Os antropólogos dizem “cultural”, os sociólogos, “as raízes vêm das desigualdades”, e os filósofos, bem eles ainda não se pronunciaram. Muitos estão filiados ao partido e qualquer coisa que não seja ostensivo silencio, compromete.

Isso não é pranto nem quer ser um mantra das catástrofes, apenas obra da realidade. E mesmo que a repudiemos, a joguemos para baixo dos carpetes, como tem sido a praxe nos últimos quinhentos anos, ainda assim os problemas são insistentes e por isso reemergem cada vez mais sólidos.

Os direitos humanos são tributarios dos deveres republicanos e não podem pertencer à comissões, cargos ou rifas de poder. Toda concentração de poder é perversão e perversões não costumam combinar com bem estar coletivo.

* Paulo Rosenbaum é medico e escritor. É autor de “A Verdade Lançada ao Solo” (Ed. Record)