• Uma entrevista sobre Verdades e Solos
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” no Jornal da USP
  • A verdade lançada ao solo, de Paulo Rosenbaum. Rio de Janeiro: Editora Record, 2010. Por Regina Igel / University of Maryland, College Park
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” por Reuven Faingold (Estadão)
  • Escritor de deserto – Céu Subterrâneo (Estadão)
  • A inconcebível Jerusalém (Estadão)
  • O midrash brasileiro “Céu subterrâneo”[1], o sefer de “A Verdade ao Solo” e o reino das diáforas de “A Pele que nos Divide”.(Blog Estadão)

Paulo Rosenbaum

~ Escritor e Médico Writer and physician

Paulo Rosenbaum

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The West’s Unforgivable Perplexity

Destacado

The West’s Unforgivable Perplexity

(Peace is the refusal of barbarism)

No, we haven’t been begging.

We’re on our knees, but not for you.

Never before you.

From now on we chose who would force us into relegation.

We are not begging. Know why?

Inside us, there was something remarkable, an indefinable awareness.

More than that, a sharp and disparate spark.

I don’t even know if we should share it with you.

But you can visit it whenever you remember the keyword.

Keyword that never got to inhabit your mouth.

We will never beg.

Because we have an impulse that takes us far beyond reason.

Of your reason.

We don’t capitulate

We confuse ourselves with expressions that your eyes cannot access.

And for that, but not only for that, we put ourselves in front of your armored vehicles.

We face your bullets, artillery, mortars and crossfire.

There is an honor, elusive for you

Inconceivable to those around you.

She stands in stark contrast to hubris.

And if we return to life, we will dwell in it.

nothing to beg

Here is an honor that endures in the graves and in the streets

In ruins and minefields.

Eight decades ago we were buried with the rubbish of history

Submerged in the waste that Europe blew us away.

However, as the subterranean patience of the cicadas

We will reappear from time to time, like ghosts without gags.

Not to haunt you.

But to make an anthem sound

Whose frequency you do not reach.

we are not begging

Unlike your hosts, not even revenge attracts us.

There are those who reaffirm the educational power of wars

Or the importance of prudent neutrality.

We? We have already overcome this illusion.

Our union is not for the geopolitical homeland.

It was not organized by collusion, agreements or concessions.

Turns out there is one.

Only a praiseworthy fanaticism: that which you do not conceive.

The one that stuns you, the one that your logic cannot unravel.

The one that brings you vertigo, insomnia and madness.

A word that shifts the axes of constancy

That overcomes the tomorrows of old mistakes.

Such a word is spelled in the air, scratched on the slopes

Grooved in the woods, floating in the resin of the tides

Her fanatics do not fear blackmail.

we don’t beg

We knew how to circumvent the perversions of language.

We have overcome your threats to erase us from the world.

We fully understand who your allies are.

Those who benefit from Western autonomy.

Our vision is permeated with this atmosphere.

We are fast and diaphanous

Your missiles will not pursue us.

Miraculously pass through us

Since we once became vapor.

We are the residual smoke of those who lost.

There is nothing to beg.

We are ethereal, weightless and permanent.

Does our ubiquity bother you?

If you call on us, you won’t know where we are

Will we be in the whirlpool that spins you?

Are we still invisible to your binoculars?

We will certainly notice the active executioners.

And we discern the anti-value of each.

we will not bend

We know that history abruptly awakens from lethargy.

We sense the anesthesia of those who should break neutrality.

Fade hypnosis in favor of humanity.

It’s been a long time since our naivety was ripped from us

We conquered the malice of the resistance

Inside the armored basements with courage.

Inside the epiphany: self-defense is so sacred

like life itself

Many out there don’t understand what this is about.

Will never penetrate the meaning

Forget the Iron Curtain

The West’s bewilderment is the very curtain of shame

It is the temporary smoke of the rogue.

From the rain of lies that bury the civilians

As they let the ivory run

Nihil agere

we will never beg

We will leave at the right time to burst over and beyond your detours.

From now on, no path will be safe.

Another type of refinement will appear on our radar.

It captures ignominies, registers the camouflaged inertia of collaborationist pacifism

Records the noise of cluster bombs.

It photographs cowardice covered by military technicality.

Ah, you want to know which side we’re on?

Of those who never moved a millimeter from the trenches

It’s a side battle

Of the primitive against the subtle, of tyranny against justice.

From slavery to the emancipation of autocrats

Yes, it’s our duty to point fingers at criminals

Even those protected by insignia, badges and titles.

Even those we’ll never see the dark faces

no begging

There is a hidden quality in obstinacy,

She reveals herself in the determination

If necessary, against consensus,

If necessary, against common sense

often against all

Now that your pumps subtract the oxygen

Under the melancholy gaze of the common people’s exodus

Under the immoral silence of the allies

Now that the never fell apart in surprise

you know?

This missive was intended for frightened diplomats,

Now I address myself directly to the misery that is your conscience.

Peace is a quality that can only be consolidated under heat.

It is only forged in the pressure of the challenge

It is only possible under the decency of the union.

Inaction becomes impossible.

Peace is the refusal of barbarism.

brasil.estadao.com.br

The unforgivable perplexity of the West (Peace is the refusal of barbarism)

The unforgivable perplexity of the West (Peace is the refusal of barbarism) No, we do not

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Publicado por Paulo Rosenbaum | Filed under Artigos

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 A imperdoável perplexidade do Ocidente (A paz é a recusa à barbárie) Blog Estadão

07 segunda-feira mar 2022

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

≈ 1 comentário

 A imperdoável perplexidade do Ocidente

(A paz é a recusa à barbárie)

Não, nós não estivemos implorando.

Estamos de joelhos, mas não por ti.

Nunca perante ti.

Doravante escolhemos quem nos forçara ao rebaixamento.

Nós não estamos implorando. Sabes por quê?

Dentro de nós, sobrou algo notável, uma indefinível percepção.

Mais do que isso, uma fagulha aguda e díspar.

Nem sei se deveríamos compartilha-la contigo.

Mas poderá visita-la, sempre que te lembrares da palavra chave.

Palavra-chave que nunca chegou a habitar tua boca.

Nós jamais imploraremos.

Porque temos um impulso que nos leva para bem além da razão.

Da tua razão.

Não capitulamos,

Nos confundimos com expressões que teus olhos não podem acessar.

E por isso, mas não só por isso, nos colocamos em frente dos teus blindados.

Enfrentamos tuas balas, artilharia, morteiros e fogo cruzado.

Há uma honra, inapreensível para ti

Inconcebível para aqueles que te rodeiam.

Ela significa um contraste absoluto com a hubris.

E, se voltarmos à vida, nela moraremos.

Nada a implorar

Eis uma honra que perdura nas sepulturas e nas ruas

Nas ruínas e nos campos minados.

Oito décadas atrás fomos soterrados com o lixo da história

Submersos nos resíduos que a Europa nos soprou.

Porém, como a paciência subterrânea das cigarras

Ressurgiremos de tempos em tempos, como fantasmas sem mordaças.

Não para te assombrar.

Mas para fazer soar um hino

Cuja frequência não alcanças.

Não estamos implorando

Diferentemente das tuas hostes, nem mesmo a vingança nos atrai.

Há quem reafirme o poder educador das guerras

Ou a importância da prudente neutralidade.

Nós? Já superamos essa ilusão.

Nossa união não é pela pátria geopolítica.

Não se organizou por conchavos, acordos ou concessões.

Acontece que há um.

Apenas um fanatismo louvável: aquele que tu não concebes.

Aquele que te atordoa, aquele que tua lógica não pode destrinchar.

Aquele que te traz vertigens, insônia e loucura.

Uma palavra que desloca os eixos da constância

Que supera os amanhas de erros antigos.

Tal palavra está grafada no ar, riscada nas encostas

Sulcada nas matas, flutuando na resina das marés

Os fanáticos por ela não temem chantagens.

Não imploramos

Soubemos contornar as perversões da linguagem.

Superamos tuas ameaças de nos apagar do mundo.

Compreendemos perfeitamente quem são teus aliados.

Aqueles que se beneficiam da autonomia ocidental.

Nossa visão está impregnada dessa atmosfera.

Somos rápidos e diáfanos

Teus misseis não nos perseguirão.

De forma milagrosa passam através de nós

Já que uma vez nos tornamos vapor.

Somos a fumaça residual dos que perderam.

Não há o que implorar.

Somos etéreos, sem peso e permanentes.

Nossa ubiquidade te incomoda?

Caso nos invoque, não saberás onde estamos

Estaremos no redemoinho que te gira?

Continuamos invisíveis aos teus binóculos?

Decerto notaremos os algozes ativos.

E discernimos o antivalor de cada um.

Não nos dobraremos

Sabemos que a história desperta abruptamente da letargia.

Pressentimos a anestesia daqueles que deveriam romper a neutralidade.

Desbotar a hipnose em favor da humanidade.

Faz tempo que nos arrancaram a ingenuidade

Conquistamos a malícia da resistência

Dentro dos porões blindados com coragem.

Lá dentro a epifania: a legitima defesa é tão sagrada

Como a própria vida

Muitos por ai não entenderam do que se trata

Jamais penetrarão no significado

Esqueçam da cortina de ferro

A perplexidade do Ocidente é a própria cortina da vergonha

É a fumaça temporária dos desonestos.

Das chuva de mentiras que enterram os civis

Enquanto deixam correr o marfim

Nihil agere

Jamais imploraremos

Sairemos na hora certa para irromper sobre e para além dos teus desvios.

Daqui em diante nenhum caminho será seguro.

Em nosso radar despontará um outro tipo de refinamento.

Ele capta ignomínias, registra a inércia camuflada de pacifismo colaboracionista

Grava o ruído das bombas de fragmentação.

Fotografa a covardia acobertada pelo tecnicismo militar.

Ah, queres saber de qual lado estamos?

Daqueles que nunca moveram um milímetro das trincheiras

Trata-se de uma batalha paralela

Do primitivo contra o sutil, da tirania contra a justiça.

Da escravidão para a emancipação dos autocratas

Sim, é nosso dever apontar dedos para os criminosos

Mesmo os protegidos por insígnias, distintivos e títulos.

Mesmo aqueles que nunca veremos as faces sombrias

Nada de implorar

Há uma qualidade oculta na obstinação,

Ela se revela na determinação

Se for preciso, contra os consensos,

Se for necessário, contra o senso comum

Frequentemente contra todos

Agora que tuas bombas subtraem o oxigênio

Sob o olhar melancólico do êxodo de pessoas comuns

Sob o silencio imoral dos aliados

Agora que o nunca mais se desfez na surpresa

Sabes?

Essa missiva estava destinada aos diplomatas assustados,

Agora dirijo-me diretamente à miséria que é tua consciência.

A paz é uma qualidade que só pode se consolidar sob o calor.

Só se forja na pressão do desafio

Só é possível sob a decência da união.

A inação torna-se impossível.

A paz é a recusa à barbárie.

https://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/a-imperdoavel-perplexidade-do-ocidente-da-cortina-de-ferro-a-cortina-da-vergonha/

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Resenha* Navalhas Pendentes e a vertigem narrativa de Paulo Rosenbaum* resenha por Christini Roman de Lima** (Blog Estadão)

06 domingo mar 2022

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Resenha* Navalhas Pendentes e a vertigem narrativa de Paulo Rosenbaum* resenha por Christini Roman de Lima**

“Navalhas pendentes” é o terceiro romance do médico, poeta e escritor Paulo Rosenbaum. O autor estreou na literatura com “A verdade Lançada ao Solo” (Record), publicado em 2010; em 2016 foi a vez de “Céu subterrâneo”(Perspectiva) , seu segundo livro. Além dos romances, publicou também “A pele que nos divide: diáforas continentais”, livro de poemas editado em 2018. Em seu novo romance, “Navalhas pendentes”, Rosenbaum apresenta uma trama complexa e intrincada em que a indústria editorial é posta em cena por meio de um jogo narrativo que flerta com o nonsense.

O enredo volta-se ao protagonista Homero Arp Montefiore, ao mistério que circunda a editora em que trabalha, a Filamentos, e ao processo de fusão dessa com a “gigante emergente KGF-Foster ©” (WALDMAN, 2015, p. 15) e o escritor best-seller Karel F. A intriga é atravessada pela memória do  protagonista/ narrador e retrata o seu percurso dentro da Filamentos, sobretudo em relação ao seu envolvimento intelectual e sentimental com os romances de Karel, os acontecimentos que levaram à sua

demissão e aos prováveis crimes envolvendo a editora, dos quais ele seria imputado como suspeito. Essas memórias, no entanto, são permeadas por uma doença obscura (muito provavelmente a síndrome de Marfan – responsável pela estatura elevada do protagonista e por inúmeras degenerações apresentadas ao longo da trama), fator que, aliado à narrativa fragmentária, estabelece grande imprecisão a todo o relato.

Homero Arp Montefiore tem origem judaica, fez graduação em letras, cursou especialização em editoração e em tecnologia e informação e ingressou na editora Filamentos como revisor, passando a avaliador de originais dois anos depois e, no instante da narração, trabalhara na Filamentos há mais de uma década. É como avaliador que ele tem o primeiro contato com os textos de Karel,um misterioso autor que se ocultava através desse pseudônimo e que era responsável pelo alavancamento das vendas e, consequentemente, pelo crescimento vertiginoso da editora.

A Filamentos foi criada em 1986, começara de forma modesta, mas “com faro para autores que agradavam determinados público-alvo e nichos de leitores” (p. 55). O quadro funcional, nos seus primórdios, contava com um editor-geral e alguns assistentes. A editora cresceu rapidamente e logo dobrou o número de funcionários. Um tempo depois expandiram e trocaram de sede: “do galpão do Bom Retiro para os Jardins” (p. 71), seguindo para uma luxuosa sede no Itaim Bibi. Dois anos depois, abririam filiais no Rio de Janeiro, em Porto Alegre e em Belo Horizonte. Giaccomo Gentil e sua esposa, Cleo, donos da empresa, conseguiram contratos com estatais e incentivos rentáveis com os ministérios da Educação e da Cultura. O protagonista destaca que “era evidente que Giaccomo enriquecera rapidamente. […] O volume de dinheiro foi sedimentando uma certeza: ele vinha de múltiplas fontes. Ninguém monta um império daquele tamanho com uma única atividade” (p. 71-72). Homero, ao longo dos dez anos de trabalho na editora, começa a suspeitar do funcionamento da empresa: “Foi numa noite insone, como tantas da minha infância, que percebi que os acontecimentos na empresa estavam muito distantes da normalidade” (p. 55). Suspeitas que o perseguem ao longo da trama, ampliando seu alcance até tomar conta do protagonista, de sua vida:

Aquele telefonema serviu para reavivar toda a paranoia. O segredo persistia. Como operavam para

criar todos aqueles livros de sucesso com resultados comerciais impressionantes? Quem era Karel F.,

o principal autor da editora, que, pelo menos desde que comecei a trabalhar lá, nunca apareceu ou

foi visto em carne e osso? Pelo menos cinco dos vinte livros mais populares do mercado editorial nos

últimos dez anos foram publicados pela Filamentos. (p. 33).

A obsessão em relação ao principal autor da editora e sua busca por decifrar a identidade dessa personagem misteriosa abalam suas relações no trabalho. O narrador, mesmo rodeado de suspeitas quanto ao sucesso de vendas da editora, destaca que tudo corria bem até ser chamado para jurado no concurso mais importante do país e de Giaccomo ter exigido que ele participasse. Homero refuta por compreender se tratar de um arranjo de cartas marcadas, mas é obrigado a entrar no expediente. Diana, sua editora chefe, deixa claro: “– (…) nós, os grandes, revezamos os prêmios na mídia, no marketing, nas feiras, nas bolsas das fundações. Tudo funciona assim! Por que a literatura escaparia?” (p. 122).

Giaccomo, para expandir a Filamentos, comprava editoras menores concorrentes e, nesse processo, endividou-se a ponto de necessitar de um sócio que subsidiasse capital à empresa. A partir disso, travou-se uma busca por novas parcerias europeias. Quando a fusão com o conglomerado editorial holandês Foster Inc. estava prestes a se consolidar (processo que levou em torno de quatro anos para se estabelecer), um intrincado ardil parece recair sobre o protagonista. Como a doença que o acomete, a conspiração (ou delírio) alastra-se até deixá-lo quase sem saídas.

O romance de Paulo Rosenbaum (2021) abarca idas e vindas em relação aos fatos apresentados, idas e vindas essas que se interpõem umas às outras numa espécie de vertigem a que o leitor tem dificuldade em desenredar ou atar as pontas dos fios que tecem a trama. Esse aturdimento pode ser creditado à mente de Homero que, acometido por constantes amnésias, envolve-se ou cria uma intriga repleta de complôs que o enleiam na rede de artifícios criados, segundo o narrador, pelos mandatários da Filamentos e da Foster Inc. para incriminá-lo. O labirinto kafkiano que circunscreve as ações das personagens e, sobretudo, a forma do romance pode ser creditado à doença genética que acompanha Homero — no Processo (KAFKA, 2005), Josef K. é processado e passa por um longo processo criminal

sem endender a motivação.

Navalhas pendentes principia in media res, com o incidente em que o protagonista acorda banhado em sangue e com a casa revirada. Uma dúvida passa a atormentá-lo: o sangue era seu ou era de outrem?  Ele descobre um ferimento em seu pescoço que pode ser a origem da hemorragia vista por todos os cantos de seu apartamento: “Demorei alguns minutos para achar de onde brotava a mina de plasma. A nascente vinha de um pequeno talho no pescoço. Mas, e se o sangue fosse proveniente de um grande vaso ou de um aneurisma da aorta? (…) O corte de menos de dois milímetros estava em vias de cicatrizar” (p. 21).

Ao longo da trama a questão permanece e torna-se mais e mais obscura: pessoas desaparecem, um avião cai não deixando sobreviventes e o protagonista é incriminado. Com isso, o narrador estabelece indeterminações e ambiguidades: Homero é responsável pelo desaparecimento (morte?) de Giaccomo Gentil e de Jean Prada (presidente e editor-executivo da Filamentos, respectivamente)? Por que querem incriminá-lo? Qual a relação de Karel F. com o complô? Homerovivenciou tais acontecimentos ou tudo não passa de uma história criada por sua mente? Para o leitor, algumas dessas respostas ficam em aberto mesmo ao término da obra. Coadunado aos mistérios envolvendo a indústria dos best-sellers, o incidente que dá largada ao relato pode ser pensado pelo viés do romance policial com nuances de ficção-científica – envolvendo inteligência artificial para a criação de best-sellers em escala industrial.

O protagonista estaria mergulhado em intrigas que o tornariam uma peça descartável no emaranhado das relações comerciais, a que a indústria editorial não estava isenta. Nessa perspectiva, o editor da Filamentos aproximar-se-ia de Josef K. e da condenação inexplicável e indeterminada a que foi vítima.

Como o personagem de O processo, o narrador de Rosenbaum não entende ao certo porque está sendo perseguido e acusado. Não sabe ao menos se cometeu ou não algum crime. Tudo está envolto em uma bruma intransponível que turva a percepção dele e do leitor.    

De outra parte, o narrador deixa pistas sobre a síndrome que carrega e sua evolução. Fatores que fazem com que todo o relato seja pensado como produto da mente desse sujeito acometido pela enfermidade que afeta não apenas sua memória, como sua consciência em vários momentos. Ele vai destacar em algumas passagens fragmentárias da trama:

Comecei a ter sintomas que meu médico diagnosticou, na falta de outra classificação, de Síndrome

de Burnout, um transtorno ligado ao trabalho(…). Sentia que minha memória vagava em flashbacks

cada vez mais frequentes. Lacuna de minutos transformavam-se em períodos inteiros, dias semanas.

Naquela altura, eu já sabia, estava desenvolvendo mais uma ramificação da doença, aquela que me fazia

confundir etapas cronológicas. (p. 75).

Dali em diante, não me lembro de mais nada que seja uniforme ou distinto. A especulação acerca dos

episódios de amnésia tem uma natureza sádica. Quais bobagens terei proferido? Adormeci ou perdi a

consciência? E a mais angustiante delas: fui manietado ou esfaqueei alguém? (p. 135).

Em seguida, recebia dentro da cabeça uma imagem com um som muito peculiar. Mais uma vez o

chapisco. Sob aquele som tive mais uma de minhas visões: enxerguei o holandês e seu capanga. (p. 199).

Teorias conspiratórias não podem ocupar nem mais um segundo do meu tempo. (p. 181).

Vivo num labirinto de ideias, como aquelas mensagens espalhadas em garrafas, que flutuam em oceanos

que nunca conversam. Desde então, minha missão tem sido justificar minha sobrevivência neste mundo.

Agora, forçado pelas circunstâncias, relato os acontecimentos que vivenciei. (p. 28)

O encaixe dos excertos – dispostos aleatoriamente no romance – levam a suposição de que Homero, numa evolução do seu quadro clínico, possa estar incorrendo em delírios e, consequentemente, a trama em que submerge seria parte de um processo inicial de psicose. Todavia, ele mesmo se questiona quanto à veracidade dos acontecimentos: “Todas essas perguntas só mostravam que os acontecimentos não eram só imaginários” (p. 197).

A cena que é o ponto de confluência da trama (o incidente inicial, com o protagonista acordando ensanguentado), por sua vez, pode ser explicada para além das suposições conspiratórias de Montefiore. Em certo momento, o narrador recorda que ao se cortar enquanto folhava um livro, a “sangria fez com que as sinapses submergissem nos hormônios da determinação” (p. 171). Nesse episódio, ele destaca que tinha problemas crônicos de coagulação e que o corte com a folha do livro provocara um grande

sangramento. Levando esse aspecto em consideração, pode-se pensar que, no dia em que acordou em seu apartamento, o corte que encontrara em seu pescoço pode ter realmente provocado a abundância de sangue com que se deparou.

Em sua reminiscência não linear, Homero evidencia que na noite que antecedeu tal fato, uma das mulheres que o acompanhara até sua casa, Marly, pediu que ele fizesse a barba com navalha: “mas lâminas no rosto, jamais!”. O narrador salienta que navalhas sempre o ameaçaram (talvez em função do seu problema de coagulação):

Navalhas pendentes sempre me ameaçaram, mas não me lembrava de ter largado, no balcão de mármore

preto, aquele canivete aberto, equilibrado. Aquilo tinha um nome e estava descrito nos livros de

psicopatologia: “consciência objetal”. Isso ocorre quando a mera consciência da presença de um objeto

afeta sensorialmente uma pessoa.

(…) Foi aí, exatamente, que o enredo veio à tona de uma vez, com uma consciência súbita acompanhada

de um barulho áspero na cabeça. (…) Senti que o cenário tinha todos os elementos de uma farsa e o

diagnóstico se completou: era um teatro, e fora encomendado para me incriminar. (p. 22).

O sangue, as navalhas e o barulho em sua cabeça fazem submergir o teatro de encenação que, muito provavelmente, fora criado por sua “chave dupla onírica”, o estado mental peculiar a que o narrador se refere para ensejar seu relato.

Navalhas pendentes, portanto, apresenta uma narrativa fragmentária que, aliada ao enredo, abalam a perspectiva do leitor, imprimindo a vertigem do texto e da personagem ao ato de leitura que também necessita de idas e vindas para tentar reconfigurar a história, sem, contudo, preencher as questões que permanecem em aberto, longe de qualquer certeza apaziguadora.

REFERÊNCIAS

KAFKA, Franz.O processo. Tradução e posfácio Modesto Carone. São Paulo: Companhia das Letras, 2005.

ROSENBAUM, Paulo. Navalhas pendentes

Belo Horizonte: Caravana Grupo Editorial, 2021. 330 p.

WALDMAN, Berta. [Epígrafe Editora Filamentos]. In.: ROSENBAUM, Paulo. Navalhas pendentes. Belo Horizonte: Caravana Grupo Editorial, 2021.

*Publicado na Revista Brasileira de Literatura Comparada: http:// www.scielo.br/rblchttps://revista.abralic.org.br ISSN 0103-6963e-ISSN 2596-304XRev. Bra. Lit. Comp. Porto Alegre, v. 24, n. 45, p. 121-125, jan./abr., 2022 editor-chefe:Rachel Esteves Lima editor executivo: Regina Zilberman

** Navalhas Pendentes and Paulo Rosenbaum’s narrative vertigo, Christini Roman de Lima. Universidade Presbiteriana Mackenzie. São Paulo, SP, Brasil. E-mail: christiniroman@gmail.com – indústria editorial;                PA LAV RA S – C H AV E:indústria editorial; mistério; vertigem.

ABSTRACT Navalhas pendentes is Paulo Rosembaum’s third novel and presents the history and mysteries

surrounding Homero Montefiore and the publishing industry, a story crossed by a narrative in vertigo.

KEYWORD: publishing industry; mystery; vertigo.

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The mutation of language in unfinished wars (Published in the newspaper “O Estado de São Paulo”)

26 sábado fev 2022

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

≈ 1 comentário

https://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/a-mutacao-da-linguagem-nas-guerras-inacabadas/

The mutation of language in unfinished wars

Paulo Rosenbaum

My grandmother, of fond memory, was born in the city of Chernwitzi and as a child had to flee the region that belonged to Ukraine. They fled overnight, leaving everything behind when the Cossacks – also known as White Russians – murdered their father, my great-grandfather, inside the house, with a shot in the head. systematic attacks against Jewish populations).

One hundred years later, Wladimir justified his not-so-secret expansionist rage using the expression “denazify” Ukraine. However, in the face of such a noble ideal, the complaint deserves analysis. It forces us to examine the contemporary context of the use of the term “Nazi”. It has been bastardized, distorted, trivialized, misused, and, as if that weren’t enough, used in a perverted way. The term Nazi has been semantically distorted, linguistically vilified, and under these mutations the term now reappears as a polysemic expression, with meanings so expanded that it compromises its intelligibility. In Putin’s strategic mouth it means one thing. In the mouths of neo-Nazi vociferators, another. In those who call themselves native influencers who have recently asked for the legalization of eugenics associations, a third meaning.

And this mutation of meanings in vocabularies has been expanded to a good part of the slogans uncritically propagated by the media. Expressions such as “genocide” and “fascist” “communist” among others are used with elastic indulgence. Why and in what sense? Glossaries have often been used without the necessary rigor, without consensus. That is to say, they are generated by self-referential committees, at political summits, universities or newsrooms, and, for the most part, they are contrary to the understanding of public opinion.

Take the current Russian “president” as an example – 30 years in power and with no signs of being overthrown or viable opposition. Have you been elected through free and fair elections? How did this become possible? The formula can be found in the best-selling “Autocratic Manual of Enlightened Neo-Czarism” (book out of print in Latin America): concentration of power, circumventing the rotation of government with the camouflage of poles, under difficulties invoking permanent threats to the democratic order, enunciate artificial enemies, maintain party centralism disguised as political diversity, and regulate elections in which independent voters and institutions cannot audit. All this under the approval of the single journalism centers. In the case of Russia, spontaneously or compulsorily, relying on the press that is rarely critical, and taming it so that it behaves particularly docilely with power.

In the maneuvers carried out during unfinished wars, the mobilization of language was always used to exalt certain mantras. They magnetize the audience’s passionate structures. And the fragmentation of nomenclatures creates tangles to make it difficult to identify true political trends.

The linguistic chaos constructed aims to deceive public opinion, before it can be properly clarified about the real nature and political orientation of the candidates. Some politicians are masters of this camouflage tactic, others will not even realize that it is available.

All this is reflected in the control of speech and the use of language as manipulation. Domain that transcends mere rhetoric and that usually invades pulpits in lawsuits and war campaigns. It is an instrumentalization that exhorts the thirsty masses to adhere to causes that, not infrequently, are contrary to their own interests.

Several policy analyzes agree on one point: institutions are at risk. And in recent days, while the United Nations Security Council was meeting — with China and India abstaining, the resolution condemning Russia was vetoed by Russia — missiles and bombs continued to hit Ukraine’s civilian population. It is estimated to be the worst refugee crisis since the end of World War II. Simultaneously, the Venezuelan “President”, the Iranian “President” Ayatollah and a Brazilian party launched manifestos repudiating the unjustifiable Ukrainian aggression against Russian armored vehicles.

Tyrants and totalitarianism have their defenders, so it is necessary to recognize them in advance, to scrutinize them with precision, to expose them with courage. The evidential paradigm helps us to know how they usually act: they threaten to regulate the media, muzzle freedom of expression, suppress the polyphony of voices, and, finally, impose their hegemony and their whims against the individual wills of their subjects. Not infrequently, disguised as spokespersons for national salvation, heralds of unification, heroes of the homeland, and fanatics of the gem.

At this point, we still don’t know how the improbable future will surprise us, but it’s not just the reputation of the Western world that is at stake, but the entire cultural structure that organized post-war civilization. We passively assimilate the futile erudition “from Plato to Nato” deceived by the thesis of the end of history. It is recommended to trigger the memory whenever the experts give their opinion.

We live in one of those serious historical moments, where it is forbidden to invoke gradations, concealments, or intermediate solutions. In any case, a return to the world’s previous status quo is ruled out. To our misfortune what is being presented on the menu has been reduced to two options: the autocracy of totalitarian populists and humanity’s right to freedom.

If the West does not choose the latter, and acts accordingly by offering unconditional support to the brave Ukrainian people, we will reap far more than hunger and anomie.

We will harvest Gulags.

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A mutação da linguagem nas guerras inacabadas Blog Estadão).

26 sábado fev 2022

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

≈ 1 comentário

https://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/a-mutacao-da-linguagem-nas-guerras-inacabadas/ A mutação da linguagem nas guerras inacabadas
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Paulo Rosenbaum

Minha avó, de saudosa memória, nasceu na cidade de Chernwitzi e ainda criança teve que fugir da região que pertencia à Ucrânia. Fugiram do dia para noite, deixando tudo para trás quando os cossacos — também conhecidos como russos brancos — assassinaram seu pai, meu bisavô, dentro de casa, com um tiro na cabeça, Eram agentes antissemitas do czarismo realizando mais um pogrom (massacres sistemáticos contra populações judaicas).
Cem anos depois, Wladimir justificou sua nada secreta sanha expansionista recorrendo à expressão “desnazificar” a Ucrânia. Ora, diante de tão nobre ideal, a denúncia merece análise. Ela nos obriga a examinar o contexto contemporâneo do uso do termo “nazista”. Ele tem sido bastardizado, distorcido, banalizado, mal utilizado, e , como se não bastasse, usado de forma pervertida. O termo nazista foi semanticamente adulterado, linguisticamente vilipendiado, e sob estas mutações o termo ressurge agora como uma expressão polissêmica, com significados tão expandidos que compromete sua inteligibilidade. Na estratégica boca de Putin significa uma coisa. Na boca dos vociferadores neonazistas, outra. Naqueles que se dizem influenciadores nativos que recentemente pediram a legalização de agremiações eugênicas, uma terceira acepção.

E essa mutação de significados nos vocabulários tem sido expandida para boa parte dos slogans acriticamente propagados pelas mídias. Usa-se com elástica indulgência expressões como “genocídio” e “fascista” “comunista” entre outras. Por que e em qual sentido? Muitas vezes os glossários vem sendo empregados sem o rigor necessário, sem consenso. Vale dizer, são gerados por comitês autorreferentes, nas cúpulas políticas, universidades ou redações, e, em sua maioria, são contrários ao entendimento da opinião pública.

Tome-se como exemplo o atual “presidente” russo – 30 anos no poder e sem sinais de que será destronado ou sofrerá uma oposição viável. Tem sido eleito através de eleições livres e limpas? Como isso tornou-se possível? A fórmula pode ser encontrada no best-seller “Manual Autocrático do Neo-Czarismo Esclarecido” (livro esgotado na América Latina): concentração de poder, contornar o rodízio de governo com a camuflagem de postes, sob dificuldades invocar permanentes ameaças à ordem democrática, enunciar inimigos artificiais, manter o centralismo partidário disfarçado de diversidade política e regulamentar eleições nas quais os eleitores e instituições independentes não conseguem auditar. Tudo isso sob o beneplácito das centrais únicas de jornalismo. No caso da Rússia, espontânea ou compulsoriamente, contar com a imprensa raramente crítica, e domestica-la para que se comporte de forma particularmente dócil com o poder.

Nas manobras executadas durante as guerras inacabadas a mobilização da linguagem sempre foi usada para exaltar determinados mantras. Eles magnetizam as estruturas passionais da audiência. E a fragmentação das nomenclaturas cria emaranhados para dificultar a identificação das verdadeiras tendências políticas.

O caos linguístico construído visa ludibriar a opinião pública, antes que esta possa ser devidamente esclarecida sobre a real índole e orientação política dos candidatos. Alguns políticos são exímios mestres nessa tática de camuflagem, outros, nem chegarão a perceber que ela se encontra disponível.

Tudo isso se reflete no controle do discurso e no uso da linguagem como manipulação. Domínio que transcende a mera retórica e que costuma invadir púlpitos nos pleitos e nas campanhas de guerra. Trata-se de uma instrumentalização que exorta as massas sedentas por aderir à causas que, não raramente, são contrárias aos seus próprios interesses.

Várias análises políticas coincidem em um ponto: as instituições estão sob risco. E nos últimos dias, enquanto o Conselho de Segurança das Nações Unidas esteve reunido — contando com a abstenção da China e Índia, a resolução condenando a Rússia foi vetada pela Rússia — mísseis e bombas continuavam atingindo a população civil da Ucrânia. Calcula-se que será a pior crise de refugiados desde o fim da segunda guerra mundial. Simultaneamente o “presidente” venezuelano, o “presidente” aiatolá iraniano e um partido brasileiro lançaram manifestos de repúdio à injustificável agressão ucraniana contra os blindados russos.

Tiranos e totalitarismo tem seus defensores, por isso é preciso reconhece-los com antecipação, esmiuçá-los com precisão, expo-los com coragem. O paradigma indiciário nos ajuda a saber como costumam agir: ameaçam regular a mídia, amordaçar a liberdade de expressão, suprimir a polifonia de vozes, e, finalmente, impor sua hegemonia e seus caprichos contra as vontades individuais dos súditos. Não raramente, disfarçados de porta-vozes da salvação nacional, arautos da unificação heróis da pátria, e ufanistas da gema.

Neste ponto, ainda não sabemos como o imprognosticável futuro nos surpreenderá, mas não é apenas a reputação do mundo ocidental que está em jogo, mas toda estrutura cultural que organizou a civilização no pós guerra. Assimilamos passivos a erudição fútil “from Plato to Nato” ludibriados com a tese do fim da história. Recomenda-se acionar a memória sempre que os experts opinarem.

Vivemos um daqueles momentos históricos graves, onde é proibitivo invocar gradações, escamoteamentos, ou soluções intermediárias. De qualquer forma, a volta ao status quo anterior do mundo está descartada. Para nosso infortúnio o que está sendo apresentado no menu reduziu-se à duas opções: a autocracia dos populistas totalitários e o direito da humanidade à liberdade.

Se o ocidente não escolher a última, e agir de acordo oferecendo apoio incondicional ao bravo povo ucraniano, colheremos bem mais do que a fome e anomia.

Colheremos Gulags.

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Amnesty International’s disturbing anti-Semitic bias

Destacado

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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The indestructible aggregating power of solidarity

X

Amnesty International’s disturbing anti-Semitic bias

Paulo Rosenbaum

The post-war world generated a radical rearrangement of political forces and a transformation of strategic alliances. Less than 15 years later, the world was surprised by the tensions of the cold war and its repercussions, with new alignments. In the transformations that the world has undergone in these 77 years, one constant has remained disturbingly unscathed. Disturbing, because it was at the root of the beginning of the conflicts, not only as a backdrop, but as a harbinger of times when the preaching of hatred and intolerance was legitimized under the rhetoric of totalitarianism. We imagined, like so many, that from the brutality and extent of the Shoah ‘s tragedy, a conscience emerged by coercion, almost as a necessity, a self-preserving civilizing imposition of humanity that curbed fanaticism and savagery.

The foundation of the State of Israel in 1948 would function as the corollary of this need for peace, and that conflicts could undergo a successful intermediation, under the influence of the culture of non-violence and dialogic in successive approaches. That is to say, Israel would be the living symbol of this conscience that was born under intense pressure.

Unfortunately, this is not what we witnessed.

And developments of this kind have been happening, despite all the attempts and concessions made, despite the advances of the peace agreements that culminated in the historic record of the Oslo negotiations, despite all the attempts at cooperation to create two states, establish a definitive status to disputed regions and solve the refugee problem (read the excellent just-published “The War of Return”) which, incidentally, was never exactly brought to public opinion as a true-to-fact narrative.

There was, moreover, a noxious, well-fueled, and very well-financed engine operating behind the scenes—and above—the diplomatic networks. A gear of sabotage that never ceased, that was never dismantled after the dismantling of the Nazi gang and its well-articulated ideology of a supremacist and anti-Semitic nature, that is to say, anti- Zionsemite .

It is an ideology that continued to operate in hearts and minds initially in the Middle East, but also in European culture, to finally, in the mid-21st century, contaminate and infect the world with a toxicity never seen before.

The explosion of anti-Semitism – under the old and tinged cloak of anti -Zionism – could no longer disguise its segregating nature , and openly inimical to peacemaking tendencies. From denial of the holocaust, to conspiracy theories that indistinctly demonize Jews and Israel in the same proportion, from justificationist jihadism to the unusual union of the extreme right and extreme left xenophobic and/or nationalists, a very dangerous global movement was formed, at this moment particularly obsessed with boycotting the Hebrew state and its inhabitants.

Often, using ploys such as disinformation, slander, going as far as lawlessness as exhorting violence and encouraging terror against Jews worldwide. The most recent was Amnesty International’s report of notorious intellectual dishonesty, using an age-old slogan and accusing the Hebrew state of “ aparhtheid ” (sic). Evidently using the slogan from a bias of ideological orientation where, basically, those who operate the defamation machine have already shown their biased character – if only I could designate a tendency towards justice. But this is no longer just an unacceptable stain on institutions, which weaken as they are dominated by the need for justice, but to obey the agendas and menus of an anachronistic ideology. If neo-Nazism grows, so does its antipodes on the extreme left – whose project of power shares more points than they would like to admit, such as support for tyrannical regimes, control of the press and restriction of individual freedom – and they begin to operate almost together in a broad front of justificationist anti-Semitism .

There was, therefore, an explosion of pent-up hatred and resentments. Hatred that has culminated in hostilities and anti-Semitic narratives spread throughout the world, especially in the old continent, arriving, more recently, in the United States. And the UN itself, which should be the bulwark of equanimity and the cradle of dialogue between peoples and nations – who could have imagined it – has adopted an anti – Israel bias . UNRCH, that entity’s human rights commission, for example, issued 148 resolutions condemning governments around the world, 49% of them against Israel. In recent years of the 123 convictions, 83.7% targeted the Israeli government. Do you suspect? Just look at the numbers: it is self-evidence.

And here, yes, under our eyes, happens the scourge of the repetition of old mistakes. The world’s media have been echoing with shyness and excessive neutrality news that would deserve indignation, outrage, denunciation and energetic positions. They naturally accept aberrations that should be extinct, relegated to historical limbo. It is undeniable that important favorable advances existed in the period, I cite, for example, the Abrahão agreements and a greater flow of intercultural dialogues, however, unfortunately, they do not reach public opinion with the same ease as the vituperation and backbiting insinuations against the Jews. .

Faced with such an adverse context, the great novelty lies in the emergence of courageous and active organizations such as the “ honest reporting ” and “stay with us” among many others. They are institutions like StandwithUs that fight for clarification, discernment and the truth, building the work of elucidation for the general public. And that, at the same time, adopts a democratic and considered conduct, avoiding the partisan posture , including, when necessary, criticizing the positions of Israeli extremists.

It is these institutes and their collaborators that give voice to the denunciations and that rise up against anti-Semitic, that is to say, anti- Zion -Semitic persecutions . And, at the same time, they condemn violence and intolerance, wherever they come from. Campaigns coordinated by various entities, including Standwithu s (stay with us), not only honor the tradition of Yiddish kait (Jewish culture) in defense of a civilizational tradition, but promotes the culture of peace. Culture whose prerogatives are the coexistence of peoples, political and religious freedom, respect for the sacred and its traditions.

The Jewish way of solving problems will always be to shed more light on the issues, as opposed to obscurantism, sensationalism or escalating conflicts. That, even, or especially, when dealing with difficult topics, especially the thorniest. But we will impose a small particularity: light can and must come from understanding, but we will not shirk the right to denounce those who use the information to, when deviating from the dialogue – use slander as a weapon of war in massive propaganda of attrition as just made Amnesty International.

So stay with us, being together is the most eloquent answer to intolerance, and above all an example of the indestructible aggregating power of solidarity.

Shalom _

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O indestrutível poder agregador da solidariedade X O viés antissemita da Anistia Internacional (Blog Estadão)

Destacado

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Paulo Rosenbaum

O indestrutível poder agregador da solidariedade

X

O perturbador viés antissemita da Anistia Internacional

Paulo Rosenbaum

O mundo do pós-guerra gerou uma radical rearranjo das forças políticas e uma transformação nas alianças estratégicas. Menos de 15 anos depois, o mundo foi surpreendido com as tensões da guerra fria e suas repercussões, com novos alinhamentos. Nas transformações que o mundo sofreu nestes 77 anos uma constante permaneceu perturbadoramente incólume. Perturbadora, pois ela esteve na raiz do início dos conflitos, não apenas como pano de fundo, mas como prenúncio de tempos em que a pregação do ódio e da intolerância se legitimaram sob a retórica dos totalitarismos. Imaginávamos, como tantos, que pela brutalidade e extensão da tragédia da Shoah uma consciência emergisse por coação, quase como uma necessidade, uma imposição civilizatória auto preservadora da humanidade que coibisse o fanatismo e a selvageria.

A fundação do Estado de Israel em 1948, funcionaria como o corolário desta necessidade de paz, e de que os conflitos poderiam sofrer uma intermediação bem-sucedida, sob a influência da cultura da não violência e do dialógico em aproximações sucessivas. Vale dizer, Israel seria o símbolo vivo dessa consciência que nasceu sob intensa pressão.

Infelizmente, não foi isso que testemunhamos.

E desdobramentos deste gênero vem acontecendo, apesar de todas as tentativas e concessões feitas, apesar dos avanços dos acordos de paz que culminaram com o histórico registro das negociações de Oslo, apesar de todas as tentativas de cooperação para criar dois estados, estabelecer um status definitivo para regiões em disputa e resolver o problema dos refugiados (leia-se o excelente recém-publicado “A Guerra do Retorno”) que aliás nunca foi exatamente trazido para a opinião pública como uma narrativa fiel aos fatos.

Havia, além disso, um motor nocivo, bem alimentado e muito bem financiado operando nos bastidores – e acima — das redes diplomáticas. Uma engrenagem de sabotagem que nunca cessou, que jamais foi desmantelada após a desarticulação da quadrilha nazista e sua bem articulada ideologia de natureza supremacista e antissemita, vale dizer antizionssemita.

Trata-se de uma ideologia que prosseguiu operando nos corações e mentes inicialmente no Oriente Médio, mas também na cultura europeia, para enfim, nos meados do século XXI, contaminar e infectar o mundo com uma toxicidade jamais vista.

A explosão de antissemitismo – sob a velho e tingido manto do antissionismo – não conseguiu mais disfarçar sua natureza segregadora, e abertamente inimiga das tendências pacificadoras. Da negação do holocausto, às teorias conspiratórias que indistintamente demonizam judeus e Israel na mesma proporção, do jihadismo justificacionista à insólita união da extrema direita e extrema esquerda xenófobas e/ou nacionalistas, formou-se um perigosíssimo movimento global, neste momento particularmente obcecado em boicotar o estado hebreu e seus habitantes.

Muitas vezes, usando manobras como desinformação, calúnias, chegando à ilegalidade como a exortação de violência e incentivar terror contra judeus no mundo todo. O mais recente foi o relatório de notória desonestidade intelectual da Anistia Internacional, usando um velhíssimo lema e acusando o estado hebreu de “aparhtheid” (sic). Evidentemente usando o slogan a partir de um viés de orientação ideológica onde, basicamente, quem opera a máquina de difamação já mostrou seu caráter – oxalá designasse uma tendência a justiça – tendencioso. Mas esta não é mais apenas uma mancha inaceitável nas instituições, que se enfraquecem na medida que são dominadas no pela necessidade de justiça, mas de obedecer agendas e cardápios de uma ideologia anacrônica. Se o neonazismo cresce, cresce também os seus antípodas na extrema esquerda – cujo projeto de poder compartilha mais pontos do que gostariam de admitir tais como como apoio a regimes tirânicos, controle da imprensa e cerceamento da liberdade individual – e passam a operar quase juntos numa ampla frente de antissemitismo justificacionista.

Notava-se, portanto, uma explosão de ódio e ressentimentos represados. Ódio que vem culminando em hostilidades e narrativas antissemitas espalhados por todo o mundo, especialmente no velho continente chegando, mais recentemente, aos Estados Unidos. E a própria ONU que deveria ser o baluarte da equanimidade e o berço da interlocução entre os povos e nações — quem poderia imaginar- tem adotado um bias anti-Israel. A UNRCH, comissão de direitos humanos daquela entidade, por exemplo, emitiu 148 resoluções condenando governos do mundo todo 49% delas contra Israel. Nos últimos anos das 123 condenações, 83,7% tiveram como alvo o governo israelense. Desconfiam? Apenas olhem para os números: trata-se de uma auto-evidência.

E aqui, sim, sob os nossos olhos, acontece o flagelo da repetição de erros antigos. As mídias mundiais vêm ecoando com timidez e neutralidade excessiva notícias que mereceriam indignação, ultraje, denúncia e posicionamentos enérgicos. Aceitam, com naturalidade, aberrações que deveriam estar extintas, relegadas ao limbo histórico. É inegável que avanços favoráveis importantes existiram no período, cito, por exemplo, os acordos de Abrahão e um maior fluxo de diálogos interculturais, porém, infelizmente eles não chegam ao conhecimento da opinião pública com a mesma facilidade dos vitupérios e insinuações maledicentes contra os judeus.

Diante de contexto tão adverso, a grande novidade está no surgimento de organizações corajosas e ativas como o “honest reporting” e o “fique conosco” entre outras tantas. São instituições como o StandwithUs que lutam pelo esclarecimento, discernimento e a verdade, construindo o trabalho de elucidação para o grande público. E que, ao mesmo tempo, adota uma conduta democrática e ponderada evitando a postura partisã, inclusive, quando necessário, criticando posicionamentos de extremistas israelenses.

São estes institutos e seus colaboradores que dão voz às denúncias e que se insurgem contra as perseguições antissemitas, vale dizer, antizionssemitas. E, simultaneamente, condenam a violência e a intolerância, venha de onde vier. As campanhas coordenadas por várias entidades, entre as quais a Standwithus (fiquem conosco), não apenas honra a tradição do idish kait (cultura judaica) na defesa de uma tradição civilizatória, mas promove a cultura da paz. Cultura que tem como prerrogativas a coexistência dos povos, a liberdade política e religiosa, o respeito ao sagrado e às suas tradições.

O caminho judaico de resolver os problemas será sempre jogar mais luz nas questões, em oposição ao obscurantismo, sensacionalismo ou escalar os conflitos. Isso, mesmo, ou especialmente, quando lidando com temas difíceis, sobretudo os mais espinhosos. Mas imporemos uma pequena particularidade: a luz pode e deve vir do entendimento, mas não nos furtaremos ao direito de denunciar aqueles que instrumentalizam a informação para, ao desviar-se da interlocução – usa a calúnia como arma de guerra em propagandas maciças de desgaste como acaba de fazer a Anistia Internacional.

Portanto, fiquem conosco, estar juntos é a reposta mais eloquente à intolerância, e, sobretudo, um exemplo do indestrutível poder agregador da solidariedade.

Shalom.

https://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/o-indestrutivel-poder-agregador-da-solidariedade-x-o-perturbador-vies-antissemita-da-anistia-internacional/

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“Imagens que cegam no fio da navalha” Ricardo Garro – Resenha do livro “Navalhas Pendentes”* (Publicado no Blog Estadão)

04 terça-feira jan 2022

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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“Imagens que cegam no fio da navalha” Ricardo Garro – Resenha do livro “Navalhas Pendentes”*

A partir da Fotografia Original de Polly Schiveik

Paulo Rosenbaum, em Navalhas pendentes,[1] seu terceiro romance, por intermédio de um narrador que afirma que sua memória só “permite uma narrativa pouco linear, tudo aos solavancos”,[2] envereda o leitor por entre uma história cujo caráter visual é notadamente marcante.

Do brilho metálico das navalhas que cruzam a narrativa do início ao fim, do vermelho do sangue que, na abertura do romance, cobre as roupas, a barba e o apartamento do narrador, ou da luminosidade cegante de uma cidade a beira-mar e do seu contraponto na luz fraca e sutil de um lugarejo no “extremo sul” do continente americano, tem-se cenas de um apelo visual que ilumina e a imaginação do leitor. Elas adquirem um sentido ainda mais amplo quando o leitor se atém aos aspectos de construção e de montagem da memória efetuados pelo narrador, que muitas vezes, se aproximam dos processos de escrita e de edição de um livro – não à toa um dos temas centrais do romance –, ou mesmo da montagem cinematográfica, com sua sucessão de imagens encadeadas entre saltos temporais, flashbacks e flashforwards.

Assim, um dos grandes méritos de Rosenbaum é a forma com que imprime essa visualidade em sua narrativa, pois esta se forma não apenas pela descrição de ambientes, objetos e pessoas, mas, sobretudo, pela imaginação alucinada de seu narrador em primeira pessoa que, entre lapsos de memória e pouca coerência, tenta reconstituir o que parece ser a cena de um crime.

Homero Arp Montefiori, esse narrador alucinado, é um revisor que trabalha para a Filamentos, a maior e a mais importante editora do país, e que acaba se envolvendo em uma rede de corrupção, possíveis assassinatos e roubos intelectuais, tendo como elemento central uma máquina que “escreve” livros a partir de trechos de manuscritos de autores rejeitados pela editora. Com esse argumento, Rosenbaum revela, especula e brinca, não sem ironia, com elementos da própria criação literária, com as relações entre editores e escritores, assim como com o mercado editorial como um todo, ao mesmo tempo em que espalha na trama paranoias e conspirações.

Dessa forma, é difícil afirmar se Homero é inocente ou culpado, se é vítima de uma armadilha ou um sujeito que fantasia crimes e armadilhas, dentro da tradição de narradores nada confiáveis que marcam muito da boa literatura, de Machado de Assis a Jorge Luís Borges. Mas é justamente o caráter alucinado e pouco confiável do personagem que faz com que a característica imagética do romance tome corpo. A imaginação desenfreada que espalha pistas, verdadeiras ou falsas, lembra o que Italo Calvino, no seu conjunto de ensaios Seis propostas para o próximo milênio,[3] assinala sobre características que ele considerava importantes para a sobrevivência da literatura.

No capítulo sobre visibilidade, Calvino argumenta que a imaginação pode ser vista “como repertório do potencial, do hipotético, de tudo quanto não é, nem foi e talvez não seja, mas que poderia ter sido”,[4] e a partir dela ele conecta visibilidade narrativa e os meios eletrônicos que inundam de imagens a contemporaneidade, aproximando a mente criativa a uma mesa de montagem, tal qual o leitor pode vislumbrar em Navalhas pendentes.

Para Calvino, a mente do poeta e o espírito do cientista, em certos momentos, funcionam de acordo com um “processo de associações de imagens que é o sistema mais rápido de coordenar e escolher entre as formas infinitas do possível e do impossível.”[5] Desse modo, a “fantasia é uma espécie de máquina eletrônica que leva em conta todas as combinações possíveis e escolhe as que obedecem a um fim, ou que simplesmente são as mais interessantes, agradáveis ou divertidas. Resta-me esclarecer a parte que nesse golfo fantástico cabe ao imaginário indireto, ou seja, o conjunto de imagens que a cultura nos fornece, seja ela cultura de massa ou outra forma qualquer de tradição.[6]

A seguir essa marcação de Calvino, o romance de Rosenbaum produz imagens que se sucedem de forma rápida e associativa, e seguindo ainda uma lógica investigativa, resvalando, em muitos momentos, na urdidura de narrativas policiais. Mas também alguns aspectos de narrativas de ficção-científica permeiam a trama, e a própria máquina que “escreve” funciona por combinações nas quais “nenhum original era, de fato, descartado. Todos passavam por peneiras digitais […] esses cérebros-símiles de literatos montavam roteiros, enredos e histórias com fragmentos de textos descartados”.[7]

Outro aspecto a ser destacado do romance é a sua contemporaneidade. Ele parece exprimir o imediatismo e o excesso de informações que transformam fatos em falsificações e falsificações em fatos, em meio a teorias conspiratórias que infestam o cotidiano. Uma possível chave para a leitura desse aspecto é a referência ao filme F for fake, de Orson Welles, lançado em 1975, premonitório da contemporaneidade.

A ideia de falso, no romance, se dá tanto pela memória lacunar como pela personalidade cambiante e ambígua do narrador, mas é também um reflexo do meio e da cultura que o envolve, e cuja revelação final torna mais evidente. Certamente que paranoia e conspiração parecem constituir a própria forma do romance, ao envolver todo o entorno do narrador, a partir de sua personalidade.

As cenas dos crimes ou o mundo editorial são apresentadas dentro desses termos, etre a vida pessoal do narrador e a metalinguagem. Daí a desconstrução de verdades absolutas e mentiras relativas. Desde as lembranças de infância, não qual se destaca a figura paterna, apresentado como alguém apaixonado por dicionários, que introduz o filho no mundo das palavras e seus significados, delineia-se o seu futuro profissional, mas também espalha indícios do que se constituirá na ambiguidade discursiva desse narrador. Ao incluir a subjetividade de quem conta a história, o escritor joga com o lugar do indivíduo em meio a uma “sociedade do espetáculo”,[8] que parece cada vez mais dominada por máquinas e algoritmos.

Calvino, em sua proposta sobre a visibilidade, pergunta se o “futuro estará reservado à imaginação individual nessa que se convencionou chamar a “civilização da imagem” e se o “poder de evocar imagens in absentia continuará a desenvolver-se numa humanidade cada vez mais inundada pelo dilúvio das imagens pré-fabricadas”. Para o crítico, no passado

a memória visiva de um indivíduo estava limitada ao patrimônio de suas experiências diretas e a um reduzido repertório de imagens refletidas pela cultura; a possibilidade de dar forma a mitos pessoais nascia do modo pelo qual os fragmentos dessa memória se combinavam entre si em abordagens inesperadas e sugestivas. Hoje somos bombardeados por uma tal quantidade de imagens a ponto de não podermos distinguir mais a experiência direta daquilo que vimos há poucos segundos na televisão. Em nossa memória se depositam, por estratos sucessivos, mil estilhaços de imagens, semelhantes a um depósito de lixo, onde é cada vez menos provável que uma delas adquira relevo.[9]

Nesse sentido, Navalhas pendentes põe em relevo o poder da literatura de construir imagens que se instauram no imaginário do leitor entre o pastiche e a ironia intertextual, partindo do próprio leitmotiv da saturação e do excesso de informação que constituem a contemporaneidade.

Não se pode, ainda, deixar de relembrar o caráter subjetivo que por vezes invade o romance e imprime poesia e reflexão, mesmo que estas logo sejam cortadas por uma lâmina irônica. Cenas como os últimos momentos na biblioteca do pai, ou do refúgio em meio a um grupo de descendentes de índios gigantes nos Andes, parecem representar o lugar do individual e do subjetivo que Calvino desejava que resistisse em meio à saturação de imagens, mas ambiguamente, fazem com que o leitor caminhe sobre fios de navalhas ficcionais.

[1] ROSENBAUM, Paulo. Navalhas pendentes. Belo Horizonte: Caravana Grupo Editorial, 2021.

[2] ROSENBAUM, 2021, p. 135.

[3] CALVINO, Italo. Seis propostas para o próximo milênio: lições americanas. Tradução de Ivo Barroso. São Paulo: Companhia das Letras, 1990.

[4] CALVINO, 1990, p. 106.

[5] CALVINO, 1990, p. 107.

[6] CALVINO, 1990, p. 107.

[7] ROSENBAUM, 2021, p. 295.

[8] DEBORD, Guy. A sociedade do espetáculo. Tradução de Estela dos Santos Abreu. Rio de Janeiro: Contraponto, 1997.

[9] CALVINO, 1990, p. 107.

—–

1

* Originalmente publicado no Arquivo Maaravi: Revista Digital de Estudos Judaicos da UFMG. Belo Horizonte, v. 15, n. 29, nov.2021. ISSN: 1982-3053

Editora responsável – Profª. Lyslei Nascimento, Faculdade de Letras, Universidade Federal de Minas Gerais Brasil, Brasil

Profa. Alessandra Conde da Silva (UFPA)

Profa. Lyslei Nascimento (UFMG)

Editoras deste número

https://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/imagens-que-cegam-no-fio-da-navalha-por-ricardo-garro-resenha-do-livro-navalhas-pendentes/

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Quando o abismo não te olha de volta – A experiência no Canyon Vermelho.* (Blog Estadão)

29 quarta-feira dez 2021

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Quando o abismo não te olha de volta – A experiência no Canyon Vermelho.*

Paulo Rosenbaum

Fotos – Paulo
Rosenbaum

O risco faz parte da decisão daqueles que resolvem emigrar. Mas e quando os pais visitam filhos cuja escolha foi essa? Além da viagem ser um empreendimento perigoso em nossos tempos, as barreiras não se limitam a ela. Os riscos? Risco de ter a saudade exacerbada no lugar de mitigada. Risco de enxergar as condições nada ideais de vida prática mesmo considerando que foi esse o impulso que costuma mover o imigrante. Risco de saber que uma distância de 12.000 milhas não pode ser transposta mesmo por mensagens de texto instantâneas ou ligações de vídeo pela internet. E, por último, o mais difícil, saber que o horizonte substituto do outro jamais se transformara no seu próprio. Foi neste contexto que resolvemos, então, durante a viagem, fazer uma escalada em família.

Escolhemos o canyon vermelho, região sul de Israel, uma pequena área de Wadi Shani, (em hebraico: הָעֲרָבָה, literalmente “área desolada e seca”; em árabe: وادي عربة) uma cadeia montanhosa que começa sua trajetória desde o Deserto do Sinai no Egito, e que tem um desfecho nesta estranha paisagem de deserto. Trata-se de uma formação montanhosa rochosa, pequena, um trajeto de 5 quilômetros, com uma hora e meia de duração a depender do trajeto escolhido. O problema está na volta. O risco paira sobre a vida assim como em toda literatura, e o retorno costuma simbolizar a dor passada. O exemplo icônico é representado pela estátua de sal na qual se transformou a mulher de Lot: a areia que nunca se desfaz.

Mais uma vez estive visitando e ouvindo uma terra que persiste em ser ameaçada e inserida num mapa alternativo do mundo. Evidentemente, para desgosto dos caluniadores, em Israel não há apartheid, não há racismo, claro que isso não significa que a tensão entre os desiguais não esteja presente, como em todas as partes do mundo. O alarmante recrudescimento do antissemitismo, mereceria, dos democratas do mundo e da imprensa livre bem mais do que tímidas interjeições de ultraje.

O mais notável que — mesmo em meio as escaramuças— as relações entre árabes e judeus sejam contínuas há milênios. E mesmo que sejam instáveis e mesmo que sempre estejam sob uma integração oscilante, elas permanecem. Chamou a atenção como a vida se desenvolve em meio a uma multiplicidade de variáveis incomodas. Por exemplo, a tipologia dos povos, costuma ser vasta em todos os cantos, porém, em Israel, isso se transforma em uma metáfora exuberante, pois há uma multiplicidade de tribos e pessoas em estado de pura peculiaridade. Étnica, racial, cultural. Beduínos gourmets, árabes yuppes, judeus ortodoxos rastfari, drusos especialistas em drones, cuidadores tailandeses, russos guias de museus, penitentes em estado extático sem contar aqueles que desenvolvem a famosa síndrome de Jerusalém, quando sujeitos comuns se descobrem prolixos profetas assim que desembarcam na cidade.

A polissemia religiosa, cultural e política é tão ampla que se torna impossível estabelecer qualquer predomínio ou homogeneidade. A divisão é uma das permanências nesta sociedade. Para além de interpretar este fato como virtude ou defeito o curioso – para contornar o vocábulo “milagroso”- é preciso tentar compreender por que todas aquelas pessoas querem estar ali, amontoadas, espremidas em trens lotados, em intransitáveis mercados, alguns a céu aberto, em peregrinações erráticas.

Isso tudo em Jerusalém, mas deslocando-se mais ao sul, em Eilat, pode-se apurar melhor que este é um lugar parecido com todos. Mesmo Israel sendo único, como todos os outros rincões.

Já em Tel Aviv, sob um cosmopolitismo quase artificial, pode-se sentir a modernidade liquida na pele. Antes de tudo ela é afetiva e dosada em shekels, já que hoje passou a ser a cidade mais cara do mundo, superando Paris e Singapura. As pessoas passam a sensação de estar em uma ciclotimia ritual e isso pode ser muito estranho para um visitante. O humor aqui oscila bem mais do que a temperatura. Sim, pois para entender a improvável diversidade do País é preciso capturar senão sua história, seu contexto exclusivo.

Não basta ser o lugar dos judeus, dos sobreviventes do holocausto, nem a terra que, mesmo em meio às turbulências dos arredores, se recusa a ser uma ditadura como tantas espalhadas pelo oriente, e enigmaticamente toleradas pelo ocidente. Este resultado – uma diversidade cheia de couraças, mas duradoura — só pode acontecer sob eleições livres e com rodízio de poder. Por isso mesmo, judeus e árabes convivem mesmo sem as confluências e isonomias idealizadas por analistas militantes e acadêmicos com viés ideológico A coexistência não significa necessariamente paz, assim como compreender não significa perdoar.

É portanto mais do que plausível arriscar que uma das características desta sociedade seja esta: ninguém por aqui idealiza mais nada. A receita? Quase seis milênios transformam qualquer um em pragmático. Dos garçons aos vendedores de suco de romã. Dos fumadores de narguilé aos operários que varrem os pedidos que costumam ser grudados no Kotel (o muro ocidental, também conhecido no jargão do SAC como “muro das lamentações”) a vida prática se impõe com a mesma devoção das tradições e o turista não deve se assustar. A não ser que alguém busque criar espaço com os cotovelos ou uma vendedora de sorvete se recuse a vende-los se você deixou algo fora do lugar no supermercado. Neste caso, abstenha-se de coisas geladas e esfrie a cabeça.

Conflitos costumam ser resultados de complexos, que geralmente são comandados por desejos inconscientes, idiossincrasias e mitos pessoais. Porém aqui existe uma espécie de densidade geográfica espiritual. Sob a carga da experiência acumulada, camadas e camadas de uma arqueologia sentimental ignorada, de qualquer maneira, praticamente indecifrável, se faz presente e predomina.

Se toda análise requer uma síntese é preciso uma que reconstitua a trajetória dos sentimentos e sensações para colocá-los no lugar certo. O judeu, não mais o errante — de Eugene Sue e Sigmund Freud — permanecerá para viver a vida por aqui e onde mais ela estiver disponível. A coexistência no Oriente Médio não significa necessariamente paz, assim como compreender não significa perdoar.

Voltando ao Canyon, lá estava eu pendurado sobre o abismo e sob o olhar apavorado das minhas filhas – de fato estar pendurado sobre a face do abismo é um exercício pouco recomendável para pessoas acima dos 40. Foi quando pensei no meu pai e no recente sofrimento por perdê-lo. Agarrei mais fortemente as alças de metal chumbadas para escaladores. Foi ali, ainda pendurado, apreciando o mundo de ponta cabeça que enxerguei o canyon com outra perspectiva. Vasculhei com os olhos as camadas que demoraram milênios para formar aquela sedimentação, a precariedade das rochas empilhadas e o aviso na placa “Cuidado: fique atento, pedras rolantes”.

Pensei na célebre frase de Nietzsche: a sensação de que enquanto olhava para o abismo ele olhava de volta. Se houvesse uma insinuação do desfiladeiro não era fazer o papel de imã, mas reafirmar sua vocação de um solo, outrora fértil. Minhas mãos vacilaram e deslizei. O insustentável peso do ser pode ser um momento sublime de apego a vida. Aumentei a pressão das mãos sobre as barras de segurança. E, de novo, fiquei atento: pedras rolantes. Uma mensagem digna da porta da cozinha para antes do café da manhã. Ali, com a lua pairando ao fundo em pleno dia, e ainda vendo o mundo sob outro ângulo, o pendente, notei que desde que a morte impôs o frio veredito sobre a família, permaneci alienado. Mais do que distante, fui dominado por um estoicismo melancólico. Em apenas um segundo, eis que fui invadido por um insight: o abismo é só um vazio que não só não te deseja como te despreza acintosamente. Voltei então à avaliação do risco original. É possível que concorremos mesmo para nossa própria extinção, e até ela só se torne possível sob tal condição.

Ainda assim, o apego à vida ficou mais enraizado, e, nunca saberei ao certo se tal adesão foi o instinto de auto preservação ou puro amor pelos demais. Soube apenas que o risco revelara seu valor oculto e fiquei grato pela experiência no canyon vermelho.

E agora, já de volta, posso ouvir a risada das filhas abafando o silencio do abismo.

*Para Marina, Hanna e Iael

https://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/o-abismo-que-nao-te-olha-de-volta-a-experiencia-no-canyon-vermelho/

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A Descoberta do Grande Telescópio* (Publicado no Blog Estadão)

29 quarta-feira dez 2021

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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A Descoberta do Grande Telescópio*

*Para aqueles que não duraram este ano

Eu vi o silencio e recriei os passos do espaço-tempo,

Eu andei sobre as miríades de luzes,

Eu as dispus intercaladas, enquanto aquecia os rostos de velhos, que sorriam.

Eu os escolho porque não mais sabem quem são

Eu provi os embriões de toda matriz

Eu vi o silêncio das profecias quebradas pela realidade.

Eu vi a terra que, devastada, ainda permanece

Eu supro o solo com sementes de horizontes substitutos.

Eu projeto crostas de Terras que nunca se formaram.

Eu testemunhei o espelho que prometeu desvendar segredos

Segredos de um Universo que ainda não se completou.

Eu trouxe para cada mão estendida o espinho que nem chegou a crescer.

Eu fiz arranjos para sonoridades

Timbres que ninguém escutou

Eu atuo solo, aspirando parcerias

Eu compus na pedra mapas de alfabetos

Eu trouxe, contra as sombras, o sopro até que a argila vingasse

Eu interfiro na direção dos ventos para emoldurar destinos

Eu o fiz por uma ninhada, uma florada, e até para a lágrima ilhada

Eu não te dei as asas da gaivota

Nem a leveza das folhas

Para que sulcasses a areia

Eu modelei um signo que não era apenas a letra

Fiz por amor à linguagem,

Eu insisti no símbolo não codificado

Eu trouxe o mérito para cada espécie

Eu soube do sentimento das vítimas,

Entrei no coração dos indecisos

Recusei escolher entre justos e transgressores

Preferi consolar os justos que sofrem

Sob o papel dos intermediários

Eu carreguei todo pai e mãe através dos desfiladeiros da dúvida

Eu te doei filhos e descendência

Eu intercalei peso e leveza, penumbra e fresta, janela e transparência

Eu costurei com tintas, pincelei com cordas, esculpi com o hálito

Eu te mostrei as cordas, o quantum, o bóson, a onipresença da matéria escura

Eu fiz com voz

Fiz com nada

Eu sou aquele que experimenta tudo

Eu te vi nascer, crescer e te inculquei a ilusão de finitude

Eu mudei tudo, simplesmente tudo,

Porque te amei

Assim permanecerei até que o ciclo se reinicie

Eu sou o nunca e o nunca mais

Eu te fiz escolher significados

Te ofereci a liberdade que ainda temes

Te protejo de perigos sequer enumerados

Eu te amo como a ninguém

E não tendo o nome que você imaginou

Nem a textura que o mundo apregoou

Penetrei no mistério que te deixa insone

Regenero tudo que toco

Eu molho e seco

Expandi e separei mares até que as praias nascessem

Estimulei o descontrole que gera

Recriei o que consideravas obsoleto

Ensinei às partículas o giro das órbitas

Sou o que sou

E não é por isso que você é o que você é

Eu estive nos órgãos curados, nas vitalidades refeitas, em cada existência vigente

Vivo sem esperança de retribuição

E só vim porque vocês me esqueceram

Sou, como queria o filósofo, puro acontecimento

Eu produzo sonho e pesadelo

E te entreguei a chave de todas as páginas

Com o texto, propositalmente inacabado

Eu te fiz indagar por mim

E mesmo que a nostalgia te desvie

Da única incumbência:

Eu me transformei no sentido

Para que haja Um sentido.

Um.

https://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/a-descoberta-do-grande-telescopio-para-aqueles-que-nao-duraram-este-ano/

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