Governo estuda punir mascarados em protestos com até dez anos de prisão

Soldadinhos subsidiados estão a postos para a net conferência. Atentos, todos puderam ouvir a preleção da chefia: pessoal, destruam apenas “objetos simbólicos do poder econômico”

No dia marcado todos apareceram na sede. Até que eles estavam quietos quando o holerite vivo começou a circular. Afinal, em tempos de capitalismo selvagem deve haver algum grau de acomodação (eles preferem chamar de adaptação provisória) das idiossincrasias contra o dinheiro.

Bandeja esvaziada, abriu-se espaço para perguntas da plateia. Superado o constrangimento inicial, lá pelas tantas, alguém  levantou a mão e o líder do partido, distribuidor de cachês e guia ideológico o atendeu sem muito entusiasmo

– Pode perguntar.

– Tem extra?

– Extra?

– É tio, hora extra.

– Não, nem carteira assinada!

– Mas e aquele papo de “produtividade”?

– Reavaliamos a proposta. Isso ai não vai ser possível.

– Mas não é justo. Eu visto a camisa. Na última desci o cassete, meti porrada e arregacei o dobro da moçada. Viu o filminho? E agora vocês vêm com essa merreca? Não, não, não  tem condição.

– Filho, usamos doações e verba partidária, por enquanto não vai dar para pagar bônus de produtividade.

– Ô tio, ai complica! Não dá para bolar outra coisa?

– Vamos pensar, vamos pensar…

(Em sua cabeça o slogan já estava formulado:  “índice de destruição patrimonial”. Ele achava que era bom nisso)

– Sua sugestão irá para a plenária.

 –Dá esse força aí! Fala lá que é investimento, avisa que tem que colocar a mão no bolso se eles querem ver o circo pegar fogo.

http://blogs.estadao.com.br/conto-de-noticia/bonus-de-produtividade/