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A fatalidade é a mãe das escusas. No fundo já intuíamos, para além do IPEA, que os equívocos das análises estatísticas também são seus frutos. Afinal, é o destino que acaba interferindo nos números, no desvio padrão, nas contas governamentais. A fatalidade, antes responsável por acidentes  do acaso como relâmpagos e terremotos, agora também se incumbiu das pontes mal projetadas, incêndios inexoráveis, PACs sem cronograma, e equívocos nas políticas públicas de água e energia.

Está por trás das balas perdidas, da insegurança pública, da crise econômica, da precariedade das cadeirinhas nos parques, dos acidentes na montanha russa. Raiz da inimputabilidade tão na moda — não vi, não sei de nada, não fomos nós — berço das insuficiências e a marca registrada da resignação. A própria gestão do País parece controlada pela megera. A fatalidade está para bem além do bode expiatório. Ela é sintoma do desarranjo na linguagem e de extrapolações que escamoteiam a realidade.

Ela representa o justificacionismo, o álibi irretorquível, o desserviço,  a mão na roda da incompetência universal, o pau para toda obra mal feita. De quebra, se esconde atrás do princípio democrático: todos podem recorrer a ela, do negligente ao inepto, do erudito ao tosco, do homem de partido ao captador de doações eleitorais.

Fatalidade é a mãe.

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