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A republica se moveu, em círculos. Questão de tempo até a imobilização. É que havia um ponto. Um ponto bem no meio do caminho. Os habitantes saíram do vale, das planícies e, durante mais de ano, assistimos uma maré de juízos. Todos olharam para regiões elevadas, mas o planalto era temerário.

E foi assim, na tal tarde triste, que todos puderam testemunhar onde vivia o ponto excedente, aquele fora da curva. Fora as organizadas, a maioria não queria excesso ou desforra. Se contentaria com a justa medida, imparcialidade e precisão das provas.  

Não, ninguém se impressionou com os combates argumentais. A curiosidade, legítima, era sobre as motivações de cada um. Por que a técnica precisava ser apartada da política? E se eram doutores tão especializados, para quem os lamentos? E por que doses desiguais para quem tem poder político?

A pequena maioria fez a balança derrapar. Derrubada a união e com a sucia apagada da súmula, reformularam a decisão. A curva, agora estava realinhada conforme o plano. Chegáramos à última estação. Daqui em diante, o regime poderá ser reconstruído segundo critérios muito particulares. Fomos alertados. Mas quem ainda não sabia que fusão de poderes é um ativo tóxico para a democracia?

Daqui para frente pode não haver próxima parada. Não há escolha quando outros decidem por nós. Os pontos que escaparam da curva se reagruparam. Pavimentam a novíssima hermenêutica rumo à rodovia da conveniência.

http://blogs.estadao.com.br/conto-de-noticia/ativos-toxicos/