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A peça “Hécuba” adaptada do texto de Eurípedes, que acaba de terminar sua temporada paulista no Teatro Vivo e é uma prova que subsiste nos palcos força cênica e vigoroso poder criador. A cenografia, figurino e direção estão originalíssimas e o coro musical que conduz a tragédia nos leva a um palco para bem além de qualquer dos países às margens do Egeu. Walderez de Barros reencarna a rainha troiana derrotada, que, escravizada, precisa vingar os filhos mortos. Desempenha com a distancia perfeita que o teatro deve ao cinema. Nada é exagerado, desproporcional, ou gratuito e, com a ajuda da poética cinético-musical, a tragédia ganha um ar de aventura e esperança. Aventura dos fantasmas que, das máscaras desembocam palidez na audiencia. Esperança de que mais clássicos possam ter um tratamento tão elegante e profissional como esse. Não só imperdível, o espetáculo impacta e recupera um poder que se pensava perdido, para bem além da distração e do entreterimento: assombra-nos com perturbações universais e comuns.