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Um soldado israelense nasceu hoje de novo e num ato pragmático-diplomático inimigos concederam-se trégua.

Há certa paz no ar. O tambor rodou e uma chance à paz foi concedida. Lennon poderia entender.

Mas foi ligar a TV, ver o festival retórico no ar e o clima de utopia logo de desfez.

Não tenho a menor expectativa de uma paz justa e duradoura para a região e nem é possível acusar-me de pesssimista. Além do longo olho nos votos do premier israelense, a retórica de guerra do Hammas não deixa margem para dúvida: a trégua é uma efeméride. Não há nada de religioso em guerras, malgrado elas todas são usadas para massacrar rivais.

Mesmo assim, com todas as ressalvas, o que aconteceu não perde o valor, mesmo diante desse futuro comprometido.

A lição presente é emocional.

E talvez isso seja o que valha.

Nem sempre é possivel ver lei e justiça andando juntas. A lei, as vezes, faz concessões injustas. Em todo caso a vingança foi um pouco derrotada hoje junto com o sangue das vítimas dos que são rotulados eufemisticamente de combatentes, terroristas, quando o que são de verdade e o nome que deveriam portar é de assassinos.

A cobertura das TVs internacionais foi particularmente deprimente pois ao dar um tom “neutro” insinuaram equilavalencia moral entre um militar sequestrado e gente que não teve escrúpulos (nem arrependimento) em aniquilar civis voluntariamente. As forças de defesa de Israel cometem excessos que são investigados e os culpados punidos. Os fanáticos são eles mesmos o excesso e quando elaboram atrocidades planejadas contra alvos civis são exaltados pelo establisment — das milícias aos governantes. Assim, aceitam viver em um sistema sem a preocupação com a justiça.

Guilat está em casa e mostrou que a vingança pode ser derrotada. Apoiadores de homens bomba e fanáticos também dormirão por uns tempos fora das cadeias. Mas perdão? Seria outra coisa.

Perdão seria não ter que ver nada disso, assim. Sabe-se que — de Plato to Nato — toda solução gera outro problema. Pode ser e geralmente é um novo.

A realidade mostra: a paz existe, só não sabemos onde ela está.