De fato, o texto tem esta característica que voce identificou.

Minha prosa é decorrencia natural da fluidez/elaboração poética.

Mas prefiro começar comentando que sinto que meu texto contém uma mistura de estilos e estas distinções (prosa, prosa-poética, ensaio) não fazem muito sentido para fins de classificação. Isso não tem a ver com uma resistência à qualquer taxionomia literária. Num romance voce pode e deve usar todos os recursos narrativos que estiverem ao alcançe. 

Claro que, alguém como eu, que vim da poesia, sempre vai usar essa referência literária como condutora da linguagem. Uma questão de formação.  Isso significa muitas imagens. Excesso de imagens. Formatação de ideias como imagens. Minha poesia sempre ficou assim configurada. Tudo porque penso por imagens.

Essa tendência foi fundamental para modelar o enredo assim como  a construção do personagem Zult e todos os outros. Todos eles apresentam caracterizações que se destacam por processos muito particulares de linguagem. Isso tem a ver com a técnica tradicional mas muito mais com o que aprendo todos os dias coletando histórias inviduais.  Assim ficamos sabendo que cada um tem uma forma muito particular de se manifestar e que estas caracteristicas da fala são essenciais, identificam as pessoas.

Busquei aplicar esse conhecimento aos personagens. Algo muito diferente de um “estilo”, pois enquanto a construção dos perfis tem que obedecer uma verosemelhança e uma certa naturalidade, ainda que intuitiva, os “estilos” em geral são falsos, induzem ao superficial, partem de uma premissa reducionista. 

Na primeira parte o uso de uma linguagem mais formal faz todo sentido pela época histórica no qual o enredo se passa. Mas mesmo ali não existe linealidade: há momentos de poesia, de prosa poética, de ensaio, e todos eles se fundem numa narrativa muito pessoal.

Na segunda parte apesar de Yan e Sibelius estarem numa situação perigosa eles vêm de uma formação acadêmica, e frequentemente, o texto sublinha essa artificialidade. Muitas vezes eles mesmos se denunciam. Fazem auto recriminações quando se pegam sendo muito “civilizados” ou excessivamente polidos numa situação que embruteceria qualquer um. Isso até que a situação chega no limite.  Ai… só mesmo lendo.   

A terceira parte é um capitulo extenso. Continuo depois.