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Além das partes articuladas a vitalidade não é só mais outro item a ser considerado. Ela é essencial na vida e no composto em que se transforma o texto uma vez que ele começa a viver como uma unidade. O livro tem uma natureza que transcende o autor porque — como as obras de arte e as missões individuais — deixam pegadas. Os rastreadores tentam segui-las enquanto ousamos interpretar.

Voltando ao texto do livro: a terceira parte foi a que tomou mais tempo. Primeiro  porque foi a que sofreu mais mudanças, não só como final. As mudanças vieram para tomar a hesitação e a tensão acumulada nas outras partes e despeja-las em final que surpreende. Surpreende pelo sinal aberto que tenta manter, e ao mesmo tempo mostrar que há um fechamento para as tres partes.

O aparecimento de Antiocus Apsev na trama dá o tom de perplexidade  ao texto. Ele ameaça a coerencia da parte II, ele é um desafio para o médico. O grego que vem trazer a mensagem vaga veicula uma duvida que só quem tiver persistencia resolverá. O oculto depende de empenho. O mistério, se existe, é para que ninguém fique completamente tranquilo, assim é que se muda a ilusão do conforto. Ninguém pode ficar indiferente ao que não domina.

A chamada é sempre indireta, fugidia, imperfeita, mas ela existe. Antiocus é um desafio ao médico e um desafio ao ceticismo como ideologia. A palavra que ele traz é um parametro indiciário, vale dizer uma evidencia indireta, de que o mundo transcendente não é ficção. Ele existe e tem pulso. Precisamos senti-lo.

Estes sinais acessórios através de que Deus fala emudece a descrença; ela se torna vazia.

Porque o que não sabemos excede tudo.