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  • Resenha de “Céu Subterrâneo” no Jornal da USP
  • A verdade lançada ao solo, de Paulo Rosenbaum. Rio de Janeiro: Editora Record, 2010. Por Regina Igel / University of Maryland, College Park
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” por Reuven Faingold (Estadão)
  • Escritor de deserto – Céu Subterrâneo (Estadão)
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  • O midrash brasileiro “Céu subterrâneo”[1], o sefer de “A Verdade ao Solo” e o reino das diáforas de “A Pele que nos Divide”.(Blog Estadão)

Paulo Rosenbaum

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Apaguem a história (blog Estadão)

29 domingo mar 2015

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antiamericanismo, apaguem a história, bullying de Estado, genocidio, kgb, Plano Marshall, Stalin

Apaguem a história

Paulo Rosenbaum

20 março 2015 | 19:22

polifonia

Podem comparar a vontade, não tem comparação. Este é um Pais único numa crise única, momento idem. Não é bem que não haja diálogo, enfim solicitado. Nunca é tarde, mas é preciso remover a mordaça dos interlocutores e passar a uma estratégia pouco praticada: dar voz e ouvidos.

Ficamos ouvindo as medidas que saneariam o mal feito. A boa vontade termina quando a sensação chega: fica evidente que continua sendo culpa dos outros. A saber, nossa. A humildade é — deveria ser — uma medida contra narcísica. Incompatível com quem sempre começa as frases na primeira pessoa “eu”. Quando começo a sentir pena do cenário patético a indignação é revigorada com as imagens de abandono dos que não podem se defender. Não só dos mais pobres, mas de todas as classes que foram iludidas pelo perfil, a pálida sombra. Concluo que foi a aversão do regime ao fundamento da democracia — a polifonia — que nos trouxe até a intolerancia, à mesquinhez, ao abismo de conclusões instantâneas.

Essa administração federal foi incapaz de aprender na carne a abrir mão do projeto hegemônico. Alguém acaba de me falar que numa grande Universidade paulista, alunos defenderam abertamente o direito dos carrascos do estado islâmico. Isso diz tudo. Outorgado o direito, a concessão inclui eliminar quem se opuser.  E por acaso estes estudantes não tem um tutor? Alguém que os guie à reflexão? Para que servem mestres? Neste caso, o titular da pasta é autor de comentários à obra de Bakunin, admira Stalin e carrega no chaveiro a foto do caudilho latino americano. E o País que o professor venera está em pé de guerra. Como no famoso filme de Peter Sellers conscientes do inexorável fracasso, apostam numa recompensa análoga ao plano Marshall. Não deveria nos espantar. Monologo e hegemonia são tandens. Movimentos correlatos como o minucioso trabalho da KGB e outros tantos aparatos repressivos que apagavam das fotos históricas aqueles que caiam em desgraça. A técnica atual evoluiu para seleção bibliográfica rigorosamente revisada pelo partido.

E por que tanta perplexidade com a história e os Museus sendo eleitos alvos preferenciais de militantes genocidas? Os extremos detestam a história e seus efeitos. Eles se incomodam muito quando deparam com a insignificância de suas convicções. Não admitem que haja um acervo de ideias superadas.  Não suportando observar outras fases da civilização, agem sob a curadoria do martelo. Não concebem a existência de processos. E o mais importante: não admitem perguntas. Pelo menos não as inconvenientes.  E um museu é um lugar de incertezas. De busca por respostas. Reúne uma síntese que nunca chega a um fim. Para a civilização a dúvida faz sentido, para quem odeia o ocidente e suas instituições é uma ameaça. Cabeças fanáticas não tem espaço para o inacabado.

Para que pensar muito?  No fundo, são parentes próximos da literatura de auto ajuda: tudo mastigado ou nada feito. A intolerância é um sintoma de esgotamento da cultura. A truculência máxima, da inépcia política. E o caos, sinal de que já houve, em algum ponto, algo diferente. A cultura que passou a exigir um Estado onipresente impôs, ao mesmo tempo, a retirada progressiva das responsabilidades individuais. Mais um aceno para o retrocesso: uma nova era patriarcal sem patriarcas. A ressurreição dos populistas pelo mundo não deixa de ser um dos dividendos deste notável contexto. As eleições tornaram-se álibis perfeitos para abusos. O voto, o escudo que os referenda. A denúncia excessiva é amnésica. O caudal de bullying de Estado é verificado como epidemia de injustiças contra o cidadão. O menu de desmandos variado apresenta da perseguição fiscal à terceirização de pelotões.  A intimidação é o legado mais evidente de uma Pátria que desistiu da educação por fundos partidários e um punhado de slogans de campanha.

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Odisseia da democracia (blog Estadão)

27 segunda-feira out 2014

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos, Na Mídia

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Censura, Censura à revista Veja, censura velada, eleições 2014, Estado e Partido, Nixon, odisseia da democracia, Pinochet, SAC da democracia, Stalin, teorias conspiratórias, Washington Post, Watergate

Odisseia da democracia

Paulo Rosenbaum

26 outubro 2014 | 13:25

Odisseia da democracia

Não se trata mais de candidatos, partidos, ou grupos antagônicos brandindo slogans de guerra. O que está acontecendo supera tudo que já se viu. Perdemos a leveza, e com razão. Quem aguenta rir com Stalin ou Pinochet e outras tentações autoritárias à porta? As teorias conspiratórias transpiraram para a realidade. Mas não é só isso, o que realmente choca é a falta de alguém, maduro, unificador, pacificador, que responda pelo estranho estado das coisas. Que venha de qualquer lado. Notem que não há mais ninguém respeitado. Alguém já ouviu falar em conflito de interesses? Na ciência, assim como na vida política, não é detalhe, trata-se de item fundamental. Um apetrecho básico para que não reste dúvida de que o processo transcorrerá limpo, equânime, e de forma juridicamente incontestável. Me pergunto se isso ocorre? A carência é por uma espécie de Estadista transpartidário e supra governamental. Um moderador nato. Alguma força democrática que colocasse os pingos nos is. Dizem que os momentos pré revolucionários são assim mesmo. Um período de anarquia vigiada, o qual precede o caos absoluto. Qual o vigor de nossas instituições? Como assim? Uma revista é duvidosamente sequestrada das bancas porque trouxe determinados elementos fundamentais para que o eleitor teça suas próprias considerações sobre o caráter ético-moral de quem o governa, e não se fala mais nisso? Que o lado ofendido produza suas contra evidencias. Mas sequestrar a revista ou comprar a tiragem toda é uma inquietante medida autoritária.  Desde o escândalo Watergate, que culminou com o impeachment de Richard Nixon, foi o heroísmo de alguns — que souberam superar pressão, intimidação e ameaças – que triunfou para mostrar crimes políticos (e comuns) à opinião pública. E O Poder do Estado não esteve a serviço da campanha? Quem regula de fato está sendo imparcial? Oscilo se sou só eu que tenho tantas dúvidas ou se todos as tem, mas, como na famosa síndrome, sinto que muitos desenvolveram uma espécie de amor subliminar pelo algoz,  medo de ofender o opressor, culminando com uma reverencia patológica pelos hegemônico.

Confesso, minha estranheza decorre da observação de que parece que não há mais ninguém achando tudo isso bizarro para o que acreditávamos ser uma democracia. Digo estranho para contornar a incomoda palavra “suspeito”. É inquietante ver que quem administra o País mergulhe junto na convicção das paixões. Enquanto isso, numa festa ou estádio de futebol, no ônibus ou nos bares, nas casas e no campo, e até nas filas de votação as pessoas aparentam levar uma vida normal, como se nenhuma exceção estivesse ocorrendo. Como se não houvesse uma tensão iminente, como se não estivéssemos num preâmbulo ameaçador para além dos resultados finais. Para além das agudizações trazidas pelo Petróleo, subsiste um problema crônico, que foi convenientemente esquecido ou abandonado. A óbvia nuvem totalitária de quem se proclama esquerda mas apresenta uma carta em branco com um populismo arrivista e sem um projeto emancipador para quem gostaria de trocar bolsa por renda. Uma esquerda que bem poderia ser chamada de direita, dada as afinidades fisiológicas, os desmandos e a completa falta de respeito com o contraditório.

E quem manda o eleitor querer ser sempre impertinente: querer saber antes o programa que vai eleger, insistir com a casta política que quer conhecer qual a palavra clara do governo. Imaginem só que o sufragista ousa ter a petulância, a curiosidade de querer conhecer as agendas ocultas e dossiês de interesse público. Por que permanecem arquivados como se não se tratasse de nada ligado ao serviço secreto. Ou se trata? Tudo que acontece nestes dias que antecedem o que deveria ser uma festa democrática impede que se comemore a calma fictícia que reina no planalto de estoicismos.  E nem me refiro aqui aos e-mails ameaçadores que eu e outros jornalistas periodicamente recebemos. Me refiro às garantias constitucionais. Onde estarão, neste exato momento? Já as procurei em jornais e partidos, nas seções eleitorais e em amigos advogados, em juristas de plantão e em redes sociais. Ninguém sabe, ninguém viu. Até que atinja algum novo apogeu, a Odisseia da democracia pode demorar a se firmar como cultura. Mas, ás vezes, demora tanto e seus trâmites são tão burocráticos que ela, já cansada de tanto assédio e testemunhando a perversão de alguns de seus princípios fundantes, resolve dizer aos seus usuários: façam bom proveito, mas o serviço de assistência ao cliente acabou de  encerrar suas atividades.

Para comentar usar o link

http://blogs.estadao.com.br/conto-de-noticia/odisseia-da-democracia/

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