• Uma entrevista sobre Verdades e Solos
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” no Jornal da USP
  • A verdade lançada ao solo, de Paulo Rosenbaum. Rio de Janeiro: Editora Record, 2010. Por Regina Igel / University of Maryland, College Park
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” por Reuven Faingold (Estadão)
  • Escritor de deserto – Céu Subterrâneo (Estadão)
  • A inconcebível Jerusalém (Estadão)
  • O midrash brasileiro “Céu subterrâneo”[1], o sefer de “A Verdade ao Solo” e o reino das diáforas de “A Pele que nos Divide”.(Blog Estadão)

Paulo Rosenbaum

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Paulo Rosenbaum

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Pai? ( Blog Estadão)

09 domingo ago 2015

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anomia, Blog Estadão Rosenbaum, dia dos pais, pai

paipresença

Pai?

Está ouvindo?

Queria levar um papo. Agora é urgente.

Se estiver ai faça um ruído, cutuque a porta, dá uma raspada no gesso, sei lá.

Vou falar, quando puder de algum sinal de vida, combinado?

O que fiquei pensando é que aqui a coisa está tão pesada que a gente já está apelando para qualquer lado. Talvez você pudesse me dar uma força. Temos uma situação como nunca houve neste País — e por favor nem venha com uma daquelas suas gargalhadas. Oh velho, tudo tem sua hora.

(cutucão na porta)

De verdade, é presidente que não exerce, vice que não assume, fora que não se vê consenso em lugar algum. Os outros poderes? Você sabe, nem preciso falar. Era para ser parlamentarismo, mas o senhor sabe melhor que a maioria, eles seguem a boiada. Mas nem é isso que está me preocupando. O que está deixando todo mundo maluco é que não há ninguém que ofereça solução. Para bom entendedor. Tem gente que acha que a solução é cadeia geral. Também tem a turma do liberou geral.  Na linha do “restaure-se a moralidade ou locupletemo-nos todos”. Pobre isso, né? Eu sei bem o que você esta pensando: enquanto eu estava lá em Arembepe vendendo artesanato você estava bem aqui, lutando contra a ditadura e enfrentando os valentões que queriam matar pela causa.  Mas Pai, entenda que aquilo era barra para mim. A alienação sempre foi um alívio. Sabe a coisa de fingir que não é com você? Hoje também tem muita gente nessa. Não quero te decepcionar mas tenho que contar: tem gente pedindo a volta deles.

(raspada de gesso)

Isso mesmo. Como se fosse solução. Mas tem que haver uma saída. Que seja uma redução de dano. Eles preferem sacrificar a República que os cargos. Não dá para chamar gente assim de homens públicos.

Isso aí. Acredita? E a esquerda, lembra a sua querida esquerda? Sinto te dizer que a que está no poder não é mais esquerda muito menos democrática. Defende aliança com ditadores, caça jornalistas, quer controlar a mídia, todos cheios de grana suspeita e se alinharam com os piores tipos para faturar as eleições. Os bem pensantes? Parece que boa parte dos intelectuais está dominada. O pessoal está sem autocrítica ou se beneficia dos abusos, ou ambos. Tá difícil, eu te falei. Desculpa te falar isso tudo bem hoje.

Me perdi, o que estou para te perguntar:  aí é melhor que aqui?  Eu já sei que você vai repetir o que falou a vida toda: “mais vale um minuto aqui do que 1000 anos ai”. Mas é que o tempo aqui está passando cada vez mais rápido.

Era exatamente o que você sempre dizia, isso aqui só vai dar certo quando não tiver mais paizão, o salva pátria, o rei da cocada. O populismo é uma praga que dá certo. Tem um pessoal que quer guerra. Ainda na base do quanto pior melhor. Eles insistem em montar o circo. Tem aqueles irresolutos de sempre com o velho problema, que está mais para psicanálise que para sociologia. Eles não querem se indispor com os históricos, morrem de medo de serem chamados de golpistas. Não assumem a identidade. Já deu. Ninguém tem paciência. E desde quando obedecer a constituição é golpismo? Pai, eu sei que você achava de todos eles e como me arrependo de, na época, não ter concordado contigo. Tua frase exata era “não importa quem está lá, o País vai caminhar, ele é maior que todas as figuras públicas juntas”. Mas não tem duvidas que eles estão escondendo o horizonte das pessoas, fingindo que sabem para onde estão nos levando. Já se ouviu que não vale a pena salvar, e o pior é que talvez seja isso mesmo.

Ninguém respeita mais nada. O reino dos direitos sem deveres. Incrível que é tal qual você previu. Todo mundo acha que pode tudo, todos estamos na mesma, mas uns estão menos na mesma que outros. E tem mais uma pergunta: o que que você quer de presente de dia dos pais? Te dou algumas opções: uma viagem às vinícolas do sul (dizem que a safra é das melhores), um bote inflável (para o caso sabe?) ou uma revista de figurinhas com os melhores momentos da Copa do Mundo com um encarte “os grandes cartolas da Fifa”.

(sons indecifráveis)

Não é em alemão não. Acredita que reeditaram? Tinha tanta gente tirando da nossa cara que eles acharam que seria pop. Pode rir, eu aguento a gozação, você merece.

http://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/pai/

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O momento do Pai

14 domingo ago 2011

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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dia dos pais, momento do pai, pai, transformação do papel do pai

Há uns anos, numa bela tese de mestrado em Psicologia Social, minha esposa, Silvia Fernanda Rosemblum Rosenbaum fez um levantamento do papel do pai e suas transformações.

Ali, como agora, a permanência talvez seja mais importante que as transformações.

Que dizer do pai presente? Que de uma hora para outra parecia ter sido a grande novidade depois que as mulheres conquistaram progressiva liberdade e autonomia?

A presença do pai muda, mas jamais se transforma completamente.

O novo pai, assim como o velho, é uma espécie de forte, de complemento sólido para as coisas instáveis.Fora do simbolo ele ainda fixa possibilidades.

Ninguém discute a vantagem, simbiótica, genética e corporal da mãe em relação ao pai. Mães são imbatíveis. Mas em ambos estão as qualidades que duram. Mesmo nas trepidações e instabilidades neste final de pós modernidade, são indestrutíveis, como símbolo e como presença, como exemplo e como sonho.

Pais mortos estão um terreno ainda mais dificil, mas igualmente, o campo santo que ocupam, pode nos fazer compreender — nos pequenos, ou quase efemeros papéis — sua desmesurada importância.

Pois no desaparecimento do Pai saímos da dependencia absoluta e passamos a uma emancipação súbita, quase agressiva.

Alguns pais que não estão mais aqui, são lembrados e suas memórias não estão mortas.

Pais são patrimoniais.

Pais são as costelas das origens possíveis. O dorso e a embarcação. O navegar e a terra firme.

Numa época em que o masculino têm tantas dificuldades em se expressar para além do machismo e da negação de sua essencia, o pai sobrevive.

Permanece.

A amizade do pai, relativamente pouca valorizada entre filhos e filhas adolescentes, ganha terreno depois, quando os filhos já podem entrar nas comparações, e talvez reparar qual a qualidade da distância entre a família e todos os outros.

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