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Paulo Rosenbaum

~ Escritor e Médico Writer and physician

Paulo Rosenbaum

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Populismo blindado e Maquiavel

18 quinta-feira out 2012

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aspiração totalitária, centralismo partidário, democracia, eleição em São Paulo segundo turno, Eleições 2012, fins justificam os meios, hegemonia e monopólio do poder, manipulação, maquiavélico, Maquiavel, niccolò machiavelli, política, polis, populismo blindado, segundo turno, silencio premiado, vale tudo, voto útil

Populismo blindado e Maquiavel

Diz-se que tudo que entra na linguagem popular tem razão de ser. Quem já não ofendeu alguém usando a palavra “maquiavélico” ? Mas será que estamos fazendo jus ao filósofo Niccolò Machiavelli (1469-1527)?

Sua famosa frase é mal citada e pessimamente instrumentalizada por políticos de todas as grandezas. Raramente a frase toda é contemplada em seu contexto: “Na conduta dos homens, especialmente dos príncipes, contra a qual não há recurso, os fins justificam os meios.” Ouviram? “Contra a qual não há recurso”, isso significa que, nesse caso, teremos que aceitar resignados as arbitrariedades do príncipe e os meios que sua alteza julgar apropriados para nos governar.

O que está em jogo neste segundo turno das eleições é muito mais que a obvia antecipação da eleição presidencial de 2014: é a tentativa da atual administração federal de consolidar seu populismo blindado. É o atual estilo de governar na América Latina. É imperioso que a sociedade interponha recursos contra o príncipe.

O candidato do governo federal até convenceria como figura que se força à simpatia e a ingenuidade de um acadêmico que está para se tornar político, mas o caso é outro quando se analisa suas companhias. O problema é que ele se tornará mero instrumento nas hábeis mãos de quem o alçou até lá. Nesse caso, o morubixaba já declarou que faturar em sampa é “questão de honra”. Ora, nenhum pleito deveria ser, por definição, questão de honra, pois a política além de ação coletiva, quando colocada a serviço dos caprichos pessoais já degenerou num absolutismo plebiscitário.

Por isso mesmo há que se questionar o famoso aforismo positivista de que “contra fatos não há argumentos.” Há. Muitos. O primeiro deles é que um eventual triunfo do candidato do governo federal em São Paulo representaria a consagração do jeito vale-tudo de fazer política. O que torna a reflexão sobre o mensalão mais assustadora é que ele pode se universalizar e portanto legitimar-se como praxe política. Obviamente, nem todos no partido tem essa índole, mas é público que para os chefes esse é o caminho.

Sim, há uma política baseada em vingança e lealdade revestida com silencio premiado que lembra a lei do bico calado das organizações criminosas. Nesse sentido, estamos todos comprados, comprados pelo sucesso, pela economia acelerada, pelas benesses que o estado promete, pelas vagas no ensino superior, pelo acesso ao consumo.

O problema na verdade é que eles ainda consideram o pais um regime de exceção e o sistema, digno de ser derrubado. Acordem! Encontrar soluções passando por cima das leis é a verdadeira conspiração contra a democracia, não importando os resultados finais. O suborno portanto não vem só da corrupção ativa dos políticos, mas de nossa submissão alienada aos critérios que nos tem sido enfiados garganta abaixo. Diz-se nos fóruns internos do partido que vão “tocar fogo” no país para exorcizar as condenações. Claro, isso será assim que passar as eleições, já que as pesquisas mostram que a esmagadora maioria das pessoas entrevistadas, de todas as classe sociais, acham que as condenações foram justas, que o governo federal esteve envolvido, que gostariam que a impunidade diminuísse. Também já se ouve, à boca pequena, que haverá pressão sobre a presidenta para indultar os réus. Se isso realmente acontecer, a fogueira subirá ao status de incêndio de grandes proporções.

É contra esta lógica que a percepção da opinião pública resiste e aos poucos está aprendendo a se defender.

Assim mais uma vez pode se repetir o fenômeno do voto útil em São Paulo, não exatamente contra o ex-ministro da educação mas contra tudo que ele representa, contra quem governará por ele ou com ele, tanto faz. Isso não significa que seu oponente tenha a coalização dos sonhos ou um candidato modelo, mas qual é a alternativa? O problema é que em São Paulo, quiçá no Brasil, sempre foi assim.

O pragmatismo pode funcionar para as alianças e conchavos mas não solucionam questões vitais da cidade. Quando questionados, eles dizem que nada disso interessa e dá-lhe refrão: tiramos milhões da miséria! Aplausos e nada mais que a obrigação do Estado com a justiça social. Mas o que isso tem a ver com crimes comuns, corrupção e aspiração totalitária?

Para fazer uma política justa e alcançar o bem estar que atinja todos, o foco deveria estar nas cidades, no dia a dia dos bairros, dos espaços públicos, na reunião da periferia com o centro. Isso, infelizmente, não acontecerá. Ganhe quem ganhar, as ações serão todas dirigidas e pensadas considerando outro foco, o plano nacional, a maldita rampa.

Uma lástima para os habitantes da polis que, mais desta vez, terão que esperar a vez. Fossem os políticos realmente republicanos não enxergariam mandatos como questão pessoal, nem o poder como instrumento arrivista.

O tênue consolo vem do futuro. À revelia do poder, a opinião pública brasileira amadurece com suor e lágrimas, e é com toda essa umidade que a corrosão da blindagem virá antes do que se pensa.

Paulo Rosenbaum é médico e escritor. É autor de “A Verdade Lançada ao Solo ”Ed. Record.

Paulorosenbaum.wordpress.com

Para acessar link do JB

http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2012/10/18/populismo-blindado-e-maquiavel/

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O que não se pode conjugar: a manipulação política do medo.

23 sexta-feira mar 2012

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infanticidio, manipulação, massacre Realengo, massacres Beslan, massacres Toulouse, o medo como arma política

O que não se pode conjugar: a manipulação política do medo.

Curioso que alguns verbos sejam mais difíceis de conjugar. Pode ser constrangimento ou inibição inconsciente. Com a conjugação de “morrer” e “massacrar”, está praticamente garantida omissão em alguns tempos verbais. Em “massacrar”, certeza, pularemos a primeira pessoa do singular e iremos direto para “eles massacram!”

Os infanticídios escolares mais alarmantes dos últimos anos — Toulouse, Beslan, Realengo, Virginia e Mumbai — costuram sua unidade numa notável coerência mórbida. Sempre há uma lógica – vale dizer, uma racionalização – para qualquer tipo de atrocidade. E o bordão de imbecilidades justificacionistas parece não ter fim. Estamos em dias tão anômalos que é possível testemunhar gente afirmando, inclusive de dentro da comunidade judaica, que os mortos no holocausto eram europeus pecadores, que crianças mortas por engano no Afeganistão eram filhas do terror e que os latino-americanos tem os carrascos políticos que merecem.

Bem feito para todos vocês! É o grito que se ouve lá de dentro.

Nada muito novo desde que Goebbels bolou as bases do marketing político moderno. É assim que até hoje o objeto de ataque em propaganda é decidido: elege-se o que pode aparecer mais no alto no monturo e lá vão eles. É que o departamento de criação das agencias e laboratórios terroristas notaram que a ação bestial contra crianças e multidões inocentes mobiliza e ajuda na captação de recursos. Foi assim que a Al Qaeda mudou o rumo das eleições na Espanha com o ataque ao metro de Madrid em 2004. Essa é a lógica imediata da escolha de alvos cada vez mais tenros. Logo será a vez dos berçários e maternidades.
Assim que se soube da chacina em Toulouse e-mails jorraram nas redações dos jornais: os de solidariedade concorriam com mensagens raivosas, anti-semitas e xenófobas.

Mas e a maioria? Onde é que se escondeu?

Precisamos pensar neste continente majoritário que escolhe silenciar. Psicanalistas e sociólogos vem alertando para a iminente irrupção do neo-fascismo (camisas verdes ou vermelhas pouco importa) e o motivo é evidente: ninguém quer interromper o jantar ou parar para avaliar o “estado da arte” que estamos legando para as próximas gerações.

E não há violência gratuita! Transeuntes, banhistas e ciclistas estão sendo caçados em cima das calçadas, no mar e em vias públicas. Civis descontentes chacinados. A violência passou a ser uma regra entre nós. E sob o clima de anomia generalizada sentimos que não há mais chão para descer. Mortificados com a sedação da esperança, o narcótico agora se chama realidade inexorável. Um monstro contra o qual ninguém tem mais saco para enfrentar.

Rendidos e acostumados a tolerar tudo como está, chegamos a um estado zen maléfico. Alcançamos o raio de curvatura da passividade e medo. Diante de tantas barbáries consolidadas e da pasteurização do terror, o universo pode querer acabar logo ali desde que minha energia elétrica não seja cortada. Não há mais como lidar com o sem sentido da jurisprudência perversa em que tudo parece estar se tornando.

Escolhemos o conforto contemplativo sem interromper rotinas, e não é que o show deve só continuar, ele precisa prosseguir contando com nossa salva de palmas. Para atenuar – ninguém é de ferro – trocamos postagens sobre os infortúnios da Terra.

A ação solidária precisa ir para bem além da solidariedade virtual. O “ativismo de teclado” é mais uma semente que a corporação inercial implantou para nos convencer que a ação cibernética desdobra-se diretamente ao real. Simplesmente não é verdade. O que sim estamos aprendendo é levar uma vida comportadinha, no cabresto que nos obriga só olhar para frente.
Se essa é a única alternativa melhor seria escolher o abismo.

É necessário criar raízes mais amplas que encontrem sentido na paz e na solidariedade. É preciso ressuscitar a utopia para que não pairem dúvidas de que a realidade é apenas mais uma invenção humana.

Que venham as metamorfoses.

Comente e retransmita a partir de

http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2012/03/23/o-que-nao-se-pode-conjugar-a-manipulacao-politica-do-medo/

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Sabemos o que você acabou de teclar: a nova polícia do pensamento.

23 quinta-feira fev 2012

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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computadores, google, manipulação, marketing político, New York Times, polícia do pensamento, privacidade, sigilo on line

Sabemos o que você acabou de teclar: a nova polícia do pensamento.

Seus dados armazenados estão seguros e voce confia no sigilo de tudo que tecla, correto? Está seguro que todas aquelas bobagens que deletou antes de postar ficarão apenas na sua memória? E a menos que algum hacker maluco cisme com você, não há o que temer, confere? Caia na real. Não há mais nenhum motivo razoável para acreditar em privacidade.
Segundo reportagem do New York Times, a máscara ruiu desde que, por desconfiança, um estudante de direito austríaco solicitou seus próprios dados ao Facebook. Para sua perplexidade, em poucos dias recebeu um dossiê de 1.220 paginas inclusive tudo que havia deletado e jamais postado.

Não para por aí.

Coisas muito similares aconteceram com o Google há alguns anos, quando, do dia para a noite, um livro com copyrights havia sido inadvertidamente disponibilizado para download. Milhões o baixaram. Pois não é que a noite, enquanto os usuários dormiam, ele foi simplesmente sugado dos computadores.

As empresas citadas admitiram os erros. Prometeram reter dados por tempo menor. Medidas quase inócuas, diante da gravidade do problema.

Se os dados das pessoas tem valor comercial, mais informações, mais dividendos no mercado acionário. Acontece que seus dados valem muito mais que dinheiro. Estamos falando da grande moeda: aquela que dá acesso ao poder.
Saber o que cada usuário lê, ouve, escrutinizar preferências pessoais, e as navegações que fazemos, alimenta um vastíssimo mercado de pesquisa de tendências. Tudo não passaria de mais uma sacada comercial: você usa e dá em troca as informações que eles precisam.

Mas a jazida de ouro puro não está aparente: são as estatísticas colhidas que depois descem às planilhas do marketing político. Em poucas palavras, manipulação das massas.

A lógica oculta desta transação, a grande jogada, é o controle cybertecnológico que pode incluir extorsão e chantagem. É a versão 2.0 da nova polícia pragmática do pensamento.

Para ler na íntegra acessar o link do Jornal Do Brasil http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2012/02/23/sabemos-o-que-voce-acabou-de-teclar-a-nova-policia-do-pensamento/

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