• Uma entrevista sobre Verdades e Solos
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” no Jornal da USP
  • A verdade lançada ao solo, de Paulo Rosenbaum. Rio de Janeiro: Editora Record, 2010. Por Regina Igel / University of Maryland, College Park
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” por Reuven Faingold (Estadão)
  • Escritor de deserto – Céu Subterrâneo (Estadão)
  • A inconcebível Jerusalém (Estadão)
  • O midrash brasileiro “Céu subterrâneo”[1], o sefer de “A Verdade ao Solo” e o reino das diáforas de “A Pele que nos Divide”.(Blog Estadão)

Paulo Rosenbaum

~ Escritor e Médico Writer and physician

Paulo Rosenbaum

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Para além do Ghetto

02 quinta-feira maio 2013

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antijudaismo, antisemitismo, Irã, Israel, judaísmo, justiça, revisionistas do holocausto, significado de justiça, utopia

Para Além do Ghetto

Para Além do Ghetto

Para além do Ghetto

Me chamo…meu nome não é relevante. O que importa é explicar porque tive que voltar. Esta é a terceira ou quarta vez. Geralmente venho com uma missão pontual, desta vez, múltipla. Nos últimos tempos lembro de ter visto artigos e comentários sobre nós, judeus que comandaram a luta contra os nazistas no episódio conhecido como “levante do Ghetto de Varsóvia”. Depois de tanto tempo, não sei bem se estou vivo ou não, a última coisa que lembro foi ter sido espetado no ombro esquerdo por uma baioneta e, se realmente estava morto, posso afirmar que dói. Muito.

Aqui também há burocracia mas tudo vai na velocidade da luz. Essa última viagem foi decidida quando percebemos que as palavras vêm sendo distorcidas. Seria bom informar a estas pessoas que mudam o sentido das palavras que a corrupção começa e termina pela linguagem.

Acompanho religiosamente os jornais e as críticas sobem até nós. Israel têm sido demonizado de todos os lados, sob a complacência de boa parte da mídia do mundo. Revivi as cenas de 1939. Na época sabíamos exatamente de onde provinham os patrocínios. Quem será que financia a campanha desta vez? Dizem que a culpa é dos próprios judeus (já ouvi ontem e anteontem) mas, pelo que li, ninguém aponta para a complexidade real do problema.

Dizem que a culpa é da direita. Mas nada mudou nas acusações e hoje o poder político pertence ao centro. Aqui em cima analisamos tudo e contamos com a máxima diversidade. Uma crença compartilhada, que virou unanimidade: todos aqui acreditam nos homens.

Outra coisa que chama a atenção é que andam dizendo que os judeus não precisam de uma nação: “eles se dispersaram pelo mundo”. É verdade e o exílio involuntário trouxe coisas positivas para nós e os povos com os quais convivemos. O pessoal da administração sempre fala disso com alegria. Isso não significa que um povo não tenha direito a uma terra.

Corrijam se eu estiver errado, mas a partilha feita em 1947 constituiu dois estados, um para nós, outro para os primos árabes. Qual é o problema então? Me sopram que assim que a divisão foi estabelecida os radicais nos atacaram. E isso se repetiu várias e várias vezes. Estou virando e revirando os jornais e parece que há mais de 60 anos as tentativas para encontrar a estrada da paz falharam. Não pode ser verdade. Quem sabota? Quando as duas partes mais interessadas só teriam a ganhar com paz e estabilidade, sim, alguém está sabotando!

A solução seria “paz em troca de terras”. Então fomos ao arquivo morto e revisamos tudo. Parece que um dos lados exige – está em sua constituição — que o Estado de Israel deixe de existir para começar a negociar. Até para nós, daqui do outro lado, há limites para o ceticismo. Trata-se de uma piada, não?

Depois, mais recentemente, o ditador da Pérsia afirma que o holocausto é uma invenção e duas a três vezes por semana solta frases como vamos “varrer Israel do mapa”. Agora quer a bomba atômica. Isso mexeu até com a cúpula aqui por cima. O pessoal ficou realmente aflito e a correria aumentou nos últimos tempos.

Quando decidimos pegar em armas em Varsóvia era para não morrer como mosquitos esmagados. Era uma situação limite. Uns poucos contra a massa que exigia nossa eliminação. Na escala de guerras justas (aqui é proibido usar esse termo) estaria entre as 10 primeiras. Sabíamos do extermínio em massa, deliberado, sistemático e impiedoso. Sim, aquilo era mesmo um genocídio. Mas qualificar o que está acontecendo entre israelenses e palestinos, usando a mesma palavra é uma imoralidade. Claro que daqui de cima nosso apoio aos patrícios não é incondicional. Não gosto de ver um povo como o meu, historicamente oprimido, fazer papel de opressor. Mas avisem para parar com esta bobagem de esquerda e direita. Eu, que já cantei a Internacional com a mão no peito posso garantir. É verdade que nós ainda temos o idealismo espiritual de esquerda, aquele que quer justiça social e fraternidade sem esquecer de Deus nem da paz. É que com ele tão por perto isso não é uma escolha, simplesmente acontece. Com o perdão da insinuação — pode pegar mal — vocês também vão experimentar. Posso confrontar as decisões e fazer objeções ao que está acontecendo por lá, mas há iletrados que estão usando equivalências entre nós e os nazistas. Merecem um belo puxão de orelha. Há limites até para os mortos. Falam que estamos “murando por dentro” o País. Minhas fontes dizem que foi uma medida provisória para se proteger dos ataques de gente que queria explodir qualquer um. Agora chamam isso de terror? Eu sei que fizemos das nossas contra os ingleses e quem usou isso como arma está errado, não importa quando nem onde. Aqui em cima a regra é clara e expressa pelo próprio Criador. Por ordens dele aqui não há propaganda, e ninguém doutrina ninguém. A única exceção são placas visíveis em todo lugar e em todos os idiomas: viva e deixe viver.

Eu já desci outras vezes. Uma delas foi para ver os alemães virem até a Rua de Mila e desmaiar quando se deram conta do que fizeram com nosso bairro em Varsóvia. Voltei para ver as máquinas e buldozeres dos poloneses demolirem nossas casas. As ruínas viraram pó. Uma das poucas vezes na vida que gritei em desespero, mas ninguém ouvia. Eles demoliram tudo. Ali morri mais uma vez. Precisávamos daquelas ruinas. A preocupação constante por aqui é com o futuro — não porque temos vontade de sofrer com as recordações, mas sim ficar mais alertas para o que está ao alcance de vocês evitar. Uma última mensagem que o povo daqui pede: que eu esclareça a palavra genocídio. É uma palavra que não existia em nossa época. Foi criada a partir de tudo que se viu durante a tentativa de nos exterminar embora outros povos também experimentaram. Um compatriota juntou a palavra genós (do grego tribo ou raça) e caedere (do latim, matar, assassinato).

Sinto, mas a administração solicita minha presença e aqui brincamos muito, menos com o tempo. É que Ele já se cansou de assistir o papelão que fazemos. Como a paciência dele é infinita torço para resolvermos já as brigas. Aqui estão todos de acordo com a exortação de ser um só povo. O consenso é de que isso só será possível quando reconhecermos o valor da pluralidade e a identidade de cada uma das tribos.

Sinceramente, M.I. I.

Paulo Rosenbaum é médico e escritor. Publicou “A Verdade Lançada ao Solo” (Ed Record)

o link para a publicação no JB

http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2013/05/02/para-alem-do-ghetto/

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A inexistência dos outros

19 sexta-feira abr 2013

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antijudaismo, impunidade, Israel, judeus no holocausto, justiça, liberdade, revisionistas do holocausto, significado de justiça, yom hashoah

A inexistência dos outros

Dia 07 de abril é o dia escolhido para homenagear as vítimas do holocausto. Como homenagear quem perdeu a vida para o nada? O argumento de revisionistas e ditadores beócios é que o massacre sistemático contra inocentes que começou com judeus e depois se estendeu às outras minorias, é um fiapo da história se comparado com outras tragédias resultantes da interação entre os homens.

É correto afirmar que outros genocídios já foram perpetrados em larga escala: milhões de índios, armênios, curdos, bósnios e ruandeses não sobreviveram para contar suas histórias. Mas aqueles que comparam guerras regionais e sazonais que acontecem em toda parte com massacres intensivos, movidos pelo ódio aos que destoam, não sabem do que falam. O extermínio seriado de crianças foi a grande originalidade nazista. Neste sentido, ele é obra única. Nada, absolutamente nada pode ser comparado ao infanticídio que produziu 1,5 milhão de crianças anuladas para sempre.

Foi o começo do começo e o fim do fim.

A datação do mundo deveria ser zerada a partir do yom hashoah (o dia das vítimas do holocausto) não porque uma tribo poderia ter sido extinta, nem pelos milhões de inocentes descolados de suas vidas, mas pela cassação da inocência, pelo abortamento completo e absoluto que, em nossa era, construiu a impossibilidade de sonhar. A paralisia que ensurdeceu o mundo, a inércia que nos fez e continua nos fazendo cúmplices. Pela humanidade que não conseguiu contornar o inevitável. É no abismo incessante que podemos enxergar o tamanho da terra que cobriu os corpos.

Mas não podemos mais só apontar para os carrascos uniformizados. Nem mesmo pleitear heroísmo póstumo para vítimas que jamais serão identificadas, sequer saberemos como existiram ou se existiram.

A cumplicidade silenciosa durará a eternidade. A civilização adernou e não há mais luz entre os assassinados pelo mal absoluto. A ausência dos mortos de fome, sede, frio, exaustão, selvageria ou abandono é quem acusa. Ainda que não haja equivalência moral entre um infanticídio sistemático e as explosões de violência dos conflitos e guerras, a tinta de ambos tem a mesma cor. É o carbono da indecência e da auto-predação. Chegamos enfim a era em que deverá ser reconhecida retrospectivamente como aquela que enfim assumiu a ideologia: inexistência do outro. O eu aglutinou todas as formas de existir e a conjugação nas várias pessoas não faz mais sentido. Tú e vós, além de ultrapassados, não merecem estar aqui. O nós virou desacreditada utopia ou só piada de salão.

Não foram só nazistas com seus milhões de fiéis e obedientes seguidores que pariram a sombra mas um mundo sem coragem que apresentou sua estampa frágil e manipulável. O nacional socialismo alemão demonstrou, definitivamente, o valor e o imperativo ético da desobediência civil como única saída, quando a civilização encontra-se sob risco.

Se sonhar é parte vital das nossas funções orgânicas e espirituais, quem tem o direito de colocá-la sob ameaça? De costurar nossas bocas com estopa? A inexistência do outro se tornou pressuposto, mais que isso exigência, mais que isso, o único dogma que restou. Mas ele só se tornou cabível e chancelado a partir dos eventos que tiveram lugar durante os anos que em que o holocausto foi executado.

Ninguém está se referindo a um processo que teve lugar em algum ponto distante e remoto na história. Faz só 75 anos e é prova que a violência ainda que adormecida, está ativa e à espreita. O lobo do homem ainda está vivo e se oculta nas brechas. Talvez seja injustiça com os lobos (raríssimos os relatos de ataques espontâneos de lobos contra o homem), ainda que viva na natureza de todos nós a fração bélica, que não hesita em predar.

Mas o que vai além de tudo, e, talvez mesmo o que mais impressiona é a capacidade humana de ir adiante sob o trágico. Devemos homenagear as vitimas enquanto reverenciamos o tino humano para prosseguir, andando sobre ruínas, sob ossos e vagando em campos devastados.

Homenagear vítimas de violência, em qualquer tempo e local, seria substituir a culpa coletiva por capacidade de renascimento.

Paulo Rosenbaum é médico e escritor. É autor de “A Verdade Lançada” (Ed. Record)

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A inexistência dos outros

19 sexta-feira abr 2013

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aculturamento, antiamericanismo, antisemitismo, Irã, Israel, significado de justiça, tribalismo

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Jornal do Brasil
Quinta-feira, 18 de Abril de 2013

Coisas da Política
11/04 às 08h51 – Atualizada em 11/04 às 08h53

A inexistência dos outros

Jornal do Brasil/Paulo Rosenbaum

Dia 7 de abril é o dia escolhido para homenagear as vítimas do holocausto. Como homenagear quem perdeu a vida para o nada? O argumento de revisionistas e ditadores beócios é que o massacre sistemático contra inocentes que começou com judeus e depois se estendeu às outras minorias, é um fiapo da história se comparado com outras tragédias resultantes da interação entre os homens.

É correto afirmar que outros genocídios já foram perpetrados em larga escala: milhões de índios, armênios, curdos, bósnios e ruandeses não sobreviveram para contar suas histórias. Mas aqueles que comparam guerras regionais e sazonais que acontecem em toda parte com massacres intensivos, movidos pelo ódio aos que destoam, não sabem do que falam. O extermínio seriado de crianças foi a grande originalidade nazista. Neste sentido, ele é obra única. Nada, absolutamente nada pode ser comparado ao infanticídio que produziu 1,5 milhão de crianças anuladas para sempre.

Foi o começo do começo e o fim do fim.

A datação do mundo deveria ser zerada a partir do yom hashoah (o dia das vítimas do holocausto) não porque uma tribo poderia ter sido extinta, nem pelos milhões de inocentes descolados de suas vidas, mas pela cassação da inocência, pelo abortamento completo e absoluto que, em nossa era, construiu a impossibilidade de sonhar. A paralisia que ensurdeceu o mundo, a inércia que nos fez e continua nos fazendo cúmplices. Pela humanidade que não conseguiu contornar o inevitável. É no abismo incessante que podemos enxergar o tamanho da terra que cobriu os corpos.

Mas não podemos mais só apontar para os carrascos uniformizados. Nem mesmo pleitear heroísmo póstumo para vítimas que jamais serão identificadas, sequer saberemos como existiram ou se existiram.

A cumplicidade silenciosa durará a eternidade. A civilização adernou e não há mais luz entre os assassinados pelo mal absoluto. A ausência dos mortos de fome, sede, frio, exaustão, selvageria ou abandono é quem acusa. Ainda que não haja equivalência moral entre um infanticídio sistemático e as explosões de violência dos conflitos e guerras, a tinta de ambos tem a mesma cor. É o carbono da indecência e da auto-predação. Chegamos enfim a era em que deverá ser reconhecida retrospectivamente como aquela que enfim assumiu a ideologia: inexistência do outro. O eu aglutinou todas as formas de existir e a conjugação nas várias pessoas não faz mais sentido. Tu e vós, além de ultrapassados, não merecem estar aqui. O nós virou desacreditada utopia ou só piada de salão.

Não foram só nazistas com seus milhões de fiéis e obedientes seguidores que pariram a sombra mas um mundo sem coragem que apresentou sua estampa frágil e manipulável. O nacional socialismo alemão demonstrou, definitivamente, o valor e o imperativo ético da desobediência civil como única saída, quando a civilização encontra-se sob risco.

Se sonhar é parte vital das nossas funções orgânicas e espirituais, quem tem o direito de colocá-la sob ameaça? De costurar nossas bocas com estopa? A inexistência do outro se tornou pressuposto, mais que isso exigência, mais que isso, o único dogma que restou. Mas ele só se tornou cabível e chancelado a partir dos eventos que tiveram lugar durante os anos que em que o holocausto foi executado.

Ninguém está se referindo a um processo que teve lugar em algum ponto distante e remoto na história. Faz só 75 anos e é prova que a violência ainda que adormecida, está ativa e à espreita. O lobo do homem ainda está vivo e se oculta nas brechas. Talvez seja injustiça com os lobos (raríssimos os relatos de ataques espontâneos de lobos contra o homem), ainda que viva na natureza de todos nós a fração bélica, que não hesita em predar.

Mas o que vai além de tudo, e, talvez mesmo o que mais impressiona é a capacidade humana de ir adiante sob o trágico. Devemos homenagear as vitimas enquanto reverenciamos o tino humano para prosseguir, andando sobre ruínas, sob ossos e vagando em campos devastados.

Homenagear vítimas de violência, em qualquer tempo e local, seria substituir a culpa coletiva por capacidade de renascimento.

* Paulo Rosenbaum é médico e escritor. É autor de “A Verdade Lançada” (Ed. Record)

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Holocausto Subliminar

29 quinta-feira nov 2012

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antiamericanismo, antijudaismo, antisemitismo, Democracia grega, hegemonia e monopólio do poder, Irã, Israel, judaísmo, justiça, liberdade, tribalismo

Holocausto Subliminar 

 

“O oráculo decreta o destino, o filósofo torce contra si mesmo, esperando que suas previsões fracassem”   

 

Em meio aos assuntos que dominaram a mídia nas últimas semanas está a aberta e escandalosa demonização de Israel: um eufemismo covarde para incluir judeus sem mencioná-los. Trata-se de um claro sinal de que há algo sistêmico em curso. A ONU fez a partilha da ex-colônia britânica e outorgou a dois povos, dois Estados. Como se trata de uma das regiões que mais mudou de mãos na história, não se deve olvidar o pesado passado colonial, que trai a confiança mútua entre as partes, ambas responsáveis pelo desperdício de preciosas possibilidades de acordo. A questão Palestina, portanto, é apenas a tecla da vez. Para alimentar preconceitos e ideologias, como Sartre escreveu, sempre se pode inventar algum álibi.  

 

Temos que encarar o recente cessar fogo como um epílogo de uma guerra bem maior, cujo enredo está entrelaçado com a crise econômica mundial, a explosão de violência e o holocausto subliminar.

Aos poucos, abandona-se, de lado a lado, a ênfase na solução por dois Estados. Na auto-armadilha bem montada, os bem pensantes criaram impasses para si mesmos: como exorcizar Israel e defender o Hamas ou o Hezbollah sem conceder espaço aos argumentos fundamentalistas? Há muito tempo, na palestina do sul, a luta do califado da retidão já não é só contra o Estado Hebreu. Há, portanto, uma espécie de estatuto moral duplo. Se, de um lado, há consenso que após o 11 de setembro a islamofobia seja inaceitável, de outro, a aversão aos judeus tem sido “naturalizada”, normatizada e regulamentada. A banalização é o primeiro passo ao conformismo. Basta espiar as redes sociais, as manchetes e o escandaloso aumento de ataques “espontâneos” contra judeus na Europa. Da construção lingüística, às imagens super exploradas, Israel vem figurando nos textos e nas charges como agressor, belicoso, hostil, quase uma entidade macabra. São conclamações ao ódio, retocadas como análise política imparcial. Não importa como se mova, para onde e com quem se mova estará, a priori, errado.

 

Uma campanha, sim, dessas publicitárias, que conta até com o apoio de nomes de peso, como intelectuais americanos, europeus e latino americanos. Eles emprestaram seus nomes a uma causa e compraram e foram comprados pela ideia de que um Estado Moderno, democrático, com população de 7.9 milhão de pessoas, multiétnico, incluindo quase 1.6 milhões de árabes-israelenses, pode ter seu direito à existência cassado. Não adianta espernear, evocar paranoia conspiratória ou bufar! É isso mesmo: estamos diante de um tentame de deslegitimização do Estado de Israel. Os doutores chegaram à conclusão que ele não merece mais respirar.

 

Como eutanásia e pena de morte são coisas sérias, caberia entender como alcançaram, depois de meia dúzia de cervejas, este brilhante veredicto. Só o inverno da razão explica como mentes iluminadas concebem execrar um Estado e como isso passou a ser não só aceitável, como politicamente correto.  

 

Por aqui, o governador do Rio Grande do Sul subsidiará um fórum para discutir a questão palestina. É mais que sintomático que não tenham convidado ninguém ligado à Israel. Todos fazem parte do time das convicções absolutas, das ideias acabadas, cabeças formatadinhas. E por que dariam voz à outra versão dos fatos? Mais um palanque para insuflar a demonização do outro lado. Aberrações que o centralismo partidário e o aparelhamento do Estado brasileiro tornaram possível. A proposta viola explicitamente os termos da constituição federal, que não só reconhece o direito à existência de Israel e da criação de um estado Palestino, como proíbe a incitação ao ódio religioso, étnico e racial. E, para satisfação dos que prezam guerra, tentam minar o convívio impar e pacífico que árabes e judeus têm por aqui. A esquerda senil, incluindo a ideológica diplomacia brasileira, vai sendo movida pelo dominante e pré-escolar sentimento de antiamericanismo.

 

Mais um bom exemplo de como monólogos podem ser travestidos de diálogos numa suposta democracia.

 

Sob a cegueira antissionista o mundo parece solidário com organizações que, enquanto escolhem deliberadamente civis como alvos, vestem gravatas e negociam com a diplomacia internacional. São neo-terroristas. Quem os apóia, incluindo os senhores catedráticos, deveria rezar à noite para que seus pedidos jamais sejam atendidos. O risco é acordar com pesadelos lembrando Foucault defendendo o aitolá Khoumeini. Diante desse irrefletido apoio o que será do Oriente Médio com o eventual triunfo do fundamentalismo? O quem nos espera com a aplicação literal das leis religiosas ao modo talibã? Como ficarão as democracias, os tribunais, os direitos das mulheres, das minorias, dos muçulmanos moderados, das comunidades cristãs? Como assistiremos a conversão à espada dos “infiéis” das outras etnias?

  

Na verdade, o que hoje incomoda nos judeus contemporâneos é não mais poder confundi-los com a aura de povo vitimizado pela história, os nômades apátridas, eternamente perseguidos e oprimidos. Agora há um país cujo vigor é, em si, a própria mensagem do “nunca mais”. O que hoje estimula o atavismo antissemita enraizado pelo mundo, é que diferentemente de todos os períodos nos últimos dois milênios, Israel existe e resiste militarmente a sua imediata eliminação, como propõem explicitamente em suas “cartas constitucionais” o regime iraniano e todas suas filiais, Hamas, Hezbollah, Jihad Islâmica e Al Quaeda. 

 

Sim, tudo mudou e pouco teve a ver com a primavera árabe. Se antes o acordo era varrer os párias que atrapalhavam o desenvolvimento europeu, agora o defeito intolerável nos judeus, simbolizados pelo Estado de Israel, é sua força, e, a missão, destruí-los primeiro simbolicamente, depois sua nação e, se possível, com o aval da indiferença do mundo, levar a cabo a solução final.

 

Não vai acontecer. O mais provável é que depois do inverno da razão, o tempo mude para dias mais amenos, com trovoadas e pancadas ocasionais, num novíssimo e refrescante verão do mundo.

 

Paulo Rosenbaum é médico e escritor. É autor de “A Verdade Lançada ao Solo”.

 

paulorosenbaum.wordpress.com

 

 

 

Para o link do JB

http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2012/11/29/holocausto-subliminar/
http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2012/11/29/holocausto-subliminar/

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Com Olhos em Gaza

18 domingo nov 2012

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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aitolás, antiamericanismo, antisemitismo, conflito israelo-palestino, Gaza, guerra, Irã, Israel, justiça, liberdade, regime teocrático, violencia

Com Olhos em Gaza

O Ministério adverte: esse artigo não é recomendável para torcedores fanáticos nem para aqueles que insistem em ter razão a priori.

O que está acontecendo entre Israel e o Hamas, que ocupou a faixa de Gaza depois que as forças de defesa desocuparam aquela região, era o segundo mais previsível dos conflitos. O primeiro será a manobra derivacionista, conduzida sob o estímulo direto do Irã, parceiro de Assad nos massacres contra o povo sírio. Nos próximos dias, se tudo sair direitinho conforme planejado, o regime teocrático vai tentar reabrir novo front ao norte.

O que virá depois ninguém sabe. As superpotências e a ONU estão ocupadas demais com as bancarrotas financeiras nos seus quintais para bloquear a selvageria que acomete a região.

Mesmo assim, é preciso um pouco de suspensão de qualquer crase ideológica para colocar qualquer luz nos fatos recentes. Os palestinos da Cisjordânia, ligados ao Fatah, tem sido mais pragmáticos e, mesmo capengas, os acordos de Oslo ainda dão alguma sustentação a ideia de dois Estados, a única saída para o conflito. Ninguém pode dizer que não há uma vida tensa, porém vigora certa normalidade, e até prosperidade econômica. Na Palestina de cima há uma classe média, politizada e crítica, e um crescimento econômico de 8% ao ano. Nada mal para tempos de recessão mundial.

A convivência tácita entre os dois povos é uma realidade. Era essa a chance de diálogo que vem sendo desperdiçada há pelo menos uma década. Sempre será a paz fugidia, instável e permanentemente tensa, ainda assim paz.

Completamente diferente da situação da Palestina do Sul, dominada pelo Hamas, organização paramilitar islamofascista, que usa a população civil de Israel como alvo preferencial de mísseis destrutivos, falsamente artesanais, há alguns anos, seguidamente. Essas provocações, que obviamente não são só feitas com biribas inócuas, provocam pânico, destruição e morte entre a população civil do sul de Israel, acarretando uma semivida em bunkers para cerca de um milhão de pessoas. Exatamente a mesma população de Gaza, onde por sua vez, prevalece extrema pobreza, apesar de circular muito dinheiro. Lá, como no tráfico dos morros, o fluxo financeiro das doações é controlado com mão de ferro pelos aitolás do Hamas. Esse controle permite sustentação política através da bem sucedida politica assistencialista, que tanto seduz aqueles que querem dominar as massas sem lhes conceder independência de opinião, liberdade de expressão e aquelas palavras horríveis, que provoca sinceros arrepios nos populistas do mundo: consciência crítica.

Apesar da esmagadora superioridade militar das Forças de Defesa israelenses, a tática de guerrilha islâmica dá certo por uma conjunção de dois fatores interdependentes: o medo crescente da população civil e o consequente apoio da população israelense aos governos que usam preferencialmente a linguagem militar dura: só retaliações permanentes protegem. O fato é que não protegem, e na infernal retroalimentação, agora o risco concreto é cair na velha armadilha e abrir novo front, desta vez por terra. O resultado já pode ser antecipado e bem antes da abertura das urnas funerárias: mais foguetes e mais baixas entre civis, dos dois lados.

O agravante agudo é o Egito, agora com a irmandade muçulmana no poder, adepta da prima-irmã da doutrina que inspirou o Hamas. Mas o grande tabuleiro oculto vem do xadrez pesado que o Irã faz para hostilizar o Estado Judaico através do expansionismo xiita e sua pan-influencia, que vai da Síria à faixa de Gaza, passando pelo Líbano com sua sucursal naquele país, o Hezbollah.

Há poucos dias, uma efeméride chamou-me a atenção um fato que desconhecia, no século V, um rei etíope puniu os judeus daquele país por ajudar muçulmanos. Sabíamos dos antecedentes de ajuda mútua na idade média: no século X o mesmo aconteceu com os muçulmanos, desta vez por abrigar e esconder judeus das garras da Inquisição. Ou seja, há precedentes históricos de solidariedade e paz entre estes povos. Isso para dizer que o conflito não é, nunca foi atávico. Atávico virou uma designação politica contemporânea para confirmar que não tem jeito, que devemos nos conformar com o inexorável.

Mas não só não devemos, como não podemos nos dar a este luxo!

O fato de termos chegado a um lugar onde aparentemente não há uma saída visível para ninguém, evidencia que, mais uma vez, a sociologia da ignorância entrou em ação para mostrar todos seus resultados pedagógicos. Nenhum dos lados é santo, mas a culpa está sempre aonde se concentram mais fanáticos.

Estamos em pleno fogo que decerto vai respingar no mundo, quando poderíamos ter, todos nós, evitado mais essa vergonhosa saraivada de mísseis estúpidos.

Não é a toa que precisamos pedir ajuda aos Céus, onde ainda há esperança de vida inteligente.

Paulo Rosenbaum, é médico e escritor. É autor de “A Verdade Lançada ao Solo”

Paulorosenbaum.wordpress.com

Para o link do JB

http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2012/11/17/com-os-olhos-em-gaza/

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Pequenos exemplos de como as coisas podem funcionar

30 sexta-feira dez 2011

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Israel, medicina complementar, medicina integrativa

Pequenos exemplos de como as coisas podem funcionar

Jornal do Brasil

29/12/2012

Não creio em nada sistêmico ou definitivo em área nenhuma. Não acho que possamos uniformizar e padronizar todas as normas já que as normas deveriam existir para nos servir e não nos colonizar. Falando da medicina, não importa o que se faça em termos de interferência farmacológica, de prevenção, fisioterápica, cirurgia, nem mesmo se serão vários tratamentos paralelos aos quais o paciente precisa se submeter. O importante, o vital, é que o sujeito esteja no centro da ação clínica.

É deste modo que haverá esperança para que a medicina seja repatriada a uma ação mais ampla, criativa, renovadora.

Qualquer que seja o ato terapêutico, caso adotemos uma filosofia em que o individuo, o sujeito particular seja o enfoque principal os resultados serão, de saída, muito melhores. Oxalá fosse tão simples convencer o mainframe que produtividade jamais substituirá qualidade, E esta revolução está totalmente ao nosso alcance. Qualquer classe social, em qualquer local. Isso pode ser feito desde que uma nova educação em saúde esteja em pauta.

Acabo de visitar o Centro de Medicinas Complementares em Jerusalém, Israel, que atende israelenses e palestinos. Literalmente: é procuradíssimo e respeitável oásis no deserto. Ainda que os serviços públicos por aqui funcionam muito bem, próximos dos parâmetros de primeiro mundo, dentro do centro médico Shaare Zedek, ele parece ser mais eficiente ainda. Um dos grandes complexos hospitalares nessa área que surge como uma grande novidade médica.

Não estamos falando de uma nova droga,descobertas sobre patologias ou novo aparelho para diagnósticos. Trata-se do Centro de Medicinas Complementares e Alternativas, cujo diretor é o médico generalista Menachem Oberbaum. O centro não está separado das outras áreas clinicas e há harmoniosa integração entre elas. Segundo o médico, hoje, os hospitais israelenses são obrigados pelo Ministério da Saúde a não só permitir,como estimular que tratamentos complementares funcionem sozinhos ou em paralelo com a medicina standard.

Quando adoecem as pessoas buscam cura,não conflitos étnicos ou decisões médicas ideológicas. E mesmo em meio as piores rusgas e tensões históricas longínquas, na doença parecem todas acordar de seus tribalismos e, um dia, quem sabe, percebam que essa convívio – que seja na raiva e na contrariedade — deveria seria o estado natural das coisas entre as pessoas.

Em meio a cultura de massas e com o sujeito pedindo socorro, o massacre que pretende eliminar qualquer aspiração à singularidade está em curso. Não há nada de conspiratório no que afirmo, mas é assim que a sociedade vem funcionando. Mesmo assim, ainda não podemos ousar ensaiar uma nova medicina. Ela esbarraria sempre em pensatas endurecidas, e em gente que não suporta a dúvida.

Uma nova medicina teria um caráter tão pluralista e tão radicalmente democrático que transcenderia dicotomias anacrônicas do tipo medicina complementar X alopatia, cuidado X procedimento, atenção primária X atenção secundária/terciária, hospitalocentrismo X Unidades Básicas de Saúde, medicina X psicologia e assim em diante.

Uma novíssima medicina teria o mérito de parar para ouvir quem realmente precisa de assistência. E eles precisam de tudo, sobretudo Cuidado. Uma novíssima medicina tenderia a abolir e fundir todas as formas de atuação em saúde com o objetivo de ter sempre em conta o sofrimento de cada pessoa. Mas a nova medicina que vemos não é essa. Ela está muito mais encaminhada para a segmentação aos cuidados, para a edificação de super especialidades e experts, que entendem, só e completamente, a parte do corpo que desejam modificar.

A psiquiatria, por exemplo, que se rendeu aos padrões neurológicos strictu senso poderia liderar, e ser uma vanguarda das especialidades médicas contemporâneas. Mas ela talvez tenha se tornado a mais mecanicista porque, grosso modo, interpreta uma fantasia cara e perigosa como, por exemplo, a ação dos psicofármacos, como uma solução real para problemas mentais, das pequenas infelicidades ao cansaço. Jamais chegaremos aos 100% da eficácia na abrangência saneadora que deveríamos proporcionar as pessoas, mas a mera incorporação do psiquismo, das inquietudes espirituais, e das demandas pessoais, todas elas, já fariam uma enorme diferença.

Muitas vezes não se consegue compreender que a novidade do momento jamais esteve na comprovação biocientifica ou em uma ortodoxia teórica incompreensível mesmo que baseada em ëvidencias”. Esteve, isso sim, no lugar de sempre. Aqui, bem aqui, escancarada à nossa frente: qualquer boa ação clínica tem que levar em conta o sujeito. Nem sempre, mas muitas vezes isso basta.

Paulo Rosenbaum é médico e escritor, autor de “A Verdade Lançada ao Solo” (Ed. Record)

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O deslocamento de Israel: que tal mover a Bélgica para o Sergipe?

25 sexta-feira fev 2011

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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antisemitismo, crise no mundo árabe, deslocamento de Israel, Israel, mover os judeus para outro lugar, que tal mover a Belgica para Sergipe?, revisionistas do holocausto

Espera-se que o débito dessa crise instalada no mundo árabe (oxalá a democracia sobreviva) não caia na conta de Israel. Colunistas notaram que pode haver algo diferente: não estão queimando bandeiras do estado judaico. O inimigo se deslocou para dentro das fronteiras de cada estado. Destarte, a mídia persista em não alcançar as sutilezas realmente importantes. Uma delas é até quando esta suspensão da animosidade durará? Pouco, decerto. Cruzadores iranianos aproveitaram a “deixa”e pela primeira vez em 30 anos passaram através do canal de Suez, navegando a poucas centenas de milhas náuticas da costa israelense. Só uma provocação? Mais um abastecimento militar nas costas sírias? Veremos.  

Mas o mais incrível é uma outra coisa. Ficou mais do que frequente ouvir opiniões das mesas dos bares (tivemos que ouvir coisas do tipo da boca do ex-vice presidente) e nos meios pseudo-acadêmicos de que a solucão para o Oriente Médio é o deslocamento de Israel.

A facilidade com que se aventam lugares impressiona:

— Amazônia

— Regiões desabitadas do deserto australiano

—  Os polos (isso resolveria um problema extra: asquenazis ao sul, sefaradis ao norte)

— Qualquer sarjeta! 

Afora o caráter ignobil e fanfarrão da tese, a aposta funciona como débil sedativo para quem sabe que isso não ocorrerá. Muitas concessões podem e devem ser feitas. Mas Israel jamais se moverá de onde está, por um motivo que subverte todas as prerrogativas opostas: aquela região pertence aos judeus. Não se trata de um registro cartorial ancestral e justificacionista. A humanidade deve isso a eles.

A asneira histórica-demográfica têm tomado consistência graças à leniência, quando não aberta simpatia, com sujeitos como os  revisionistas do holocausto,  ditaduras do Irã, Venezuela, e simpatizantes, só para citar os mais pródigos e famosos. Os antisemitas estão mais vivos e ativos em todo o globo. Não são forças desprezíveis e, paradoxalmente, crescem na trégua que a tolerância da pluralidade democrática lhes oferece. Mas isso é razoável? Parece que sim. Basta notar o silêncio conivente da Mídia e a crescente antipatia pelo Estado hebreu.  Fica pior quando se quer fazer a distinção entre antisionismo e antisemitismo. Uma vez incapazes de admitir (ou lidar com enraizadas pulsões) a sua aversão aos judeus é muito frequente o jornalismo usar o enorme manto antisionista.    

O deslocamento? Pode-se fazer sim.  E por que não?

Desde que a aplicação da lei que rege a diplomacia, como por exemplo, a da reciprocidade, fosse aplicada nesse caso. Seria mais ou menos o seguinte: abolir a propriedade privada das terras.

Em seguida moveremos todos os resquícios de apego étnico e tribalista à terra, esta bobagem inventada pela burguesia. Simples assim, por decreto. Pode ser da ONU.

E, enfim, fica-se mais livre para barganhas e promover êxodos mundo afora. Habitantes da Caxemira vão para o Caribe, Palestinos para Madagascar, Coreanos do sul ficam com uma das ilhas vulcânicas do Japão, habitantes do curdistão ficam com Gibraltar, bascos vão para Malta, armenios ficam com as ilhas Falklands ou Malvinas, tanto faz.  

Os belgas, por exemplo, uma vez desapegados de seus retrógrados vinculos com o lugar em que sempre estiveram, seriam deslocados para o interior do Sergipe. Nenhum critério especial na escolha do menor estado brasileiro, apenas uma questão de compatibilidade em hectares.

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