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Paulo Rosenbaum

~ Escritor e Médico Writer and physician

Paulo Rosenbaum

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Desrazão do perdão

12 quinta-feira set 2013

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos, Na Mídia

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armas químicas, ética de guerra, convenção de Genebra, dia do perdão, guerra, guerra civil, paz, perdão, Síria, sentido da guerra, utopia, violencia, yom kippur

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Jornal do Brasil

Quinta-feira, 12 de Setembro de 2013

Coisas da Política

11/09 às 18h05 – Atualizada em 11/09 às 18h27

Desrazão do perdão

Paulo Rosenbaum – médico e escritor

Teremos valores inatos? Será a ética um deles? Um exemplo de como os critérios na atual construção social podem ser voláteis é que, por exemplo, a competição entre as pessoas é desejável. Isto é, é aceitável mencionar que “vença o melhor”, aquele que tem talento, ou “o mais dotado de habilidades” . Quem faz mais ganha mais. Mas, surpreendentemente, a verificação empírica deste axioma não passa da esquina. Não é mais pelo trabalho, nem pelo número de horas extras, nem mesmo a relação fiel que alguém tem com a  empresa ou local no qual trabalha. O que define hoje tudo é a network. O poder da rede de influências é que permite que a pessoa tenha mais ou menos oportunidades, e as vantagens da relação com o poder são óbvias. Trata-se, portanto, de uma meritocracia viciada.

Um filósofo que aborde o sentido da ética pode ser interpretado como moralista e, portanto, corre o risco de perder sua credibilidade. Entretanto, sob a vigência do atual contrato social, a ética passa a ser um valor flexível e mutável como outro qualquer. Foi assim que os consensos entre as nações acordaram que armas químicas estariam extirpadas do arsenal militar.

Historicamente, as temíveis “armas de destruição em massa” deveriam ser banidas, já que infligiam as leis éticas da guerra, escritas na célebre convenção de Genebra. Mas, se há uma ética para a guerra, deveria haver uma que regulamentasse a paz. E ela deveria prevalecer sobre as demais. Por outro lado, se dependesse dos pacifistas que não avaliam os contextos, ninguém teria enfrentado Adolf e suas máquinas de triturar partículas, povos inteiros teriam sido exterminados na África e muitas ditaduras estariam ainda em vigor pelo mundo.

As razões éticas para uma guerra? Defesa pessoal, ameaça a um povo ou grupo de pessoas, tirania de uns poucos exercida sobre muitos. Enfim, a razão será sempre pródiga em desdobrar o material para fundamentar justificativas para os tambores.

E quanto ao perdão? Há justificativas para que se perdoe alguém? Qualquer um? Todos? O perdão talvez seja o mais enigmático e deslocado dos atributos humanos. Nenhuma razão o alcança. Ele não se encaixa nas leis da evolução. Não se adequa aos exercícios de lógica. Não se adequa à teoria dos jogos, ele é, sim, frequentemente, confundido com ingenuidade religiosa.

Portanto, é o sentido e o fenômeno que merecem, vale dizer, nos permitem um esboço de análise. Às vezes, decisões são difíceis, e há mais de uma resposta certa para a mesma pergunta. Uma guerra pode ser aética, suja, sangrenta e injusta, e muitas outras coisas, menos ilógica. Ela tem sido historicamente justificada, moralmente regulamentada, frequentemente exercida. Dizem que ela acontece quando se esgotaram os recursos. A incapacidade de dialogar, ou o risco de não promovê-la, representa um risco maior do que o contrário.

A guerra não faz sentido: a não ser em condições onde todas as escolhas pela paz falharam, e, neste caso, como a paz é uma qualidade mediada, a omissão recairá sobre os agentes humanos e suas instituições. As nações e suas agencias têm demonstrado prezar a burocracia, as relações comerciais e a política. Ao mesmo tempo subestima a construção de conceitos compartilháveis de pacificação. A paz não vem imposta, prensada ou imposta, ainda que possa fluir unilateralmente.

Os mesmos valores que permitem localizar o perdão como uma desrazão que ultrapassa o escopo lógico da natureza humana são aqueles que, paradoxalmente, podem nos salvar da destruição. Dar chance à paz é impor o desejo de fazer prevalecer o diálogo contra o silêncio do mundo.

http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2013/09/11/desrazao-do-perdao/

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Com Olhos em Gaza

18 domingo nov 2012

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Tags

aitolás, antiamericanismo, antisemitismo, conflito israelo-palestino, Gaza, guerra, Irã, Israel, justiça, liberdade, regime teocrático, violencia

Com Olhos em Gaza

O Ministério adverte: esse artigo não é recomendável para torcedores fanáticos nem para aqueles que insistem em ter razão a priori.

O que está acontecendo entre Israel e o Hamas, que ocupou a faixa de Gaza depois que as forças de defesa desocuparam aquela região, era o segundo mais previsível dos conflitos. O primeiro será a manobra derivacionista, conduzida sob o estímulo direto do Irã, parceiro de Assad nos massacres contra o povo sírio. Nos próximos dias, se tudo sair direitinho conforme planejado, o regime teocrático vai tentar reabrir novo front ao norte.

O que virá depois ninguém sabe. As superpotências e a ONU estão ocupadas demais com as bancarrotas financeiras nos seus quintais para bloquear a selvageria que acomete a região.

Mesmo assim, é preciso um pouco de suspensão de qualquer crase ideológica para colocar qualquer luz nos fatos recentes. Os palestinos da Cisjordânia, ligados ao Fatah, tem sido mais pragmáticos e, mesmo capengas, os acordos de Oslo ainda dão alguma sustentação a ideia de dois Estados, a única saída para o conflito. Ninguém pode dizer que não há uma vida tensa, porém vigora certa normalidade, e até prosperidade econômica. Na Palestina de cima há uma classe média, politizada e crítica, e um crescimento econômico de 8% ao ano. Nada mal para tempos de recessão mundial.

A convivência tácita entre os dois povos é uma realidade. Era essa a chance de diálogo que vem sendo desperdiçada há pelo menos uma década. Sempre será a paz fugidia, instável e permanentemente tensa, ainda assim paz.

Completamente diferente da situação da Palestina do Sul, dominada pelo Hamas, organização paramilitar islamofascista, que usa a população civil de Israel como alvo preferencial de mísseis destrutivos, falsamente artesanais, há alguns anos, seguidamente. Essas provocações, que obviamente não são só feitas com biribas inócuas, provocam pânico, destruição e morte entre a população civil do sul de Israel, acarretando uma semivida em bunkers para cerca de um milhão de pessoas. Exatamente a mesma população de Gaza, onde por sua vez, prevalece extrema pobreza, apesar de circular muito dinheiro. Lá, como no tráfico dos morros, o fluxo financeiro das doações é controlado com mão de ferro pelos aitolás do Hamas. Esse controle permite sustentação política através da bem sucedida politica assistencialista, que tanto seduz aqueles que querem dominar as massas sem lhes conceder independência de opinião, liberdade de expressão e aquelas palavras horríveis, que provoca sinceros arrepios nos populistas do mundo: consciência crítica.

Apesar da esmagadora superioridade militar das Forças de Defesa israelenses, a tática de guerrilha islâmica dá certo por uma conjunção de dois fatores interdependentes: o medo crescente da população civil e o consequente apoio da população israelense aos governos que usam preferencialmente a linguagem militar dura: só retaliações permanentes protegem. O fato é que não protegem, e na infernal retroalimentação, agora o risco concreto é cair na velha armadilha e abrir novo front, desta vez por terra. O resultado já pode ser antecipado e bem antes da abertura das urnas funerárias: mais foguetes e mais baixas entre civis, dos dois lados.

O agravante agudo é o Egito, agora com a irmandade muçulmana no poder, adepta da prima-irmã da doutrina que inspirou o Hamas. Mas o grande tabuleiro oculto vem do xadrez pesado que o Irã faz para hostilizar o Estado Judaico através do expansionismo xiita e sua pan-influencia, que vai da Síria à faixa de Gaza, passando pelo Líbano com sua sucursal naquele país, o Hezbollah.

Há poucos dias, uma efeméride chamou-me a atenção um fato que desconhecia, no século V, um rei etíope puniu os judeus daquele país por ajudar muçulmanos. Sabíamos dos antecedentes de ajuda mútua na idade média: no século X o mesmo aconteceu com os muçulmanos, desta vez por abrigar e esconder judeus das garras da Inquisição. Ou seja, há precedentes históricos de solidariedade e paz entre estes povos. Isso para dizer que o conflito não é, nunca foi atávico. Atávico virou uma designação politica contemporânea para confirmar que não tem jeito, que devemos nos conformar com o inexorável.

Mas não só não devemos, como não podemos nos dar a este luxo!

O fato de termos chegado a um lugar onde aparentemente não há uma saída visível para ninguém, evidencia que, mais uma vez, a sociologia da ignorância entrou em ação para mostrar todos seus resultados pedagógicos. Nenhum dos lados é santo, mas a culpa está sempre aonde se concentram mais fanáticos.

Estamos em pleno fogo que decerto vai respingar no mundo, quando poderíamos ter, todos nós, evitado mais essa vergonhosa saraivada de mísseis estúpidos.

Não é a toa que precisamos pedir ajuda aos Céus, onde ainda há esperança de vida inteligente.

Paulo Rosenbaum, é médico e escritor. É autor de “A Verdade Lançada ao Solo”

Paulorosenbaum.wordpress.com

Para o link do JB

http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2012/11/17/com-os-olhos-em-gaza/

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