• Uma entrevista sobre Verdades e Solos
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” no Jornal da USP
  • A verdade lançada ao solo, de Paulo Rosenbaum. Rio de Janeiro: Editora Record, 2010. Por Regina Igel / University of Maryland, College Park
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” por Reuven Faingold (Estadão)
  • Escritor de deserto – Céu Subterrâneo (Estadão)
  • A inconcebível Jerusalém (Estadão)
  • O midrash brasileiro “Céu subterrâneo”[1], o sefer de “A Verdade ao Solo” e o reino das diáforas de “A Pele que nos Divide”.(Blog Estadão)

Paulo Rosenbaum

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O dever de desobedecer (Blog Estadão)

25 quinta-feira fev 2016

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blog conto de noticia, blog Rosenbaum Estadão, centralismo partidário, democracia, hegemonia e monopólio do poder, justiça, o dever de desobedecer, significado de justiça

O dever de desobedecer

Paulo Rosenbaum

25 fevereiro 2016 | 01:01

Podemos dizer que estamos sujeitos. No sentido da sujeição, imposição, vale dizer, vivemos à revelia da cidadania. Não acho que se deva comemorar prisões, mas quando se trata deste mercador de ilusões, que através dos truques de marketing, astúcia predadora e conselhos perversos nos enfiou nessa enrascada, a justiça propicia alguma atmosfera de paz efêmera. No entanto, o maior delito não é bem aquele pelo qual ele e seus amigos estão sendo citados. O elemento mais sinistro deste magnífico crime foi usar sua capacidade para promover um estelionato transnacional, provavelmente sem precedentes na história política moderna. A criatividade pode sim ser maligna. Isso se encaixa perfeitamente no espírito de ausência que se espalhou pela sociedade de forma generalizada. A gravidade da situação onde o subsolo do País cede sem que ninguém pareça se alarmar, merece ser mensurada. Testemunhamos a indiferença. As catarses ainda consentidas pelo poder como a indignação virtual — entre apitos, panelas e hostilização pública selvagem — simplesmente não mexem com a estrutura modelada pelo erro, que continua relativamente intacta. Trata-se de um estoicismo induzido pela reiteração, pelo convicta prática de excedente de transgressões. Ou quem ainda não sabe que o Mensalão coexistiu com a Petrolão, que atua simultaneamente com os desvios dos Fundos de Pensão, que coincide com os empréstimos suspeitos do BNDES, que opera junto com os repasses fantasmagóricos para as ditaduras amigas.

Admita-se que o que os move é incompreensível para nós. Nós que achamos que usurpar o poder é bem mais grave do que ilícitos comuns. Nós que poderíamos até aceitar justificativas, jamais o cinismo. Nós que esperávamos zelo com o bem estar e com a coisa pública. Nenhuma política é feita por santos e rejeitar o moralismo puritano é tão importante quanto resistir ao Estado gangster. Mesmo porque a corrupção justifica o Estado policial, que justifica o poder que corrompe. Porém, enquanto estamos aqui discutindo a engrenagem que garantiu ao Partido o controle do Estado e de suas instituições, as verbas oriundas dos desvios continuaram a fluir e a subsidiar o projeto.

Regaram eleições, caprichos pessoais e pagaram apoios. Simplesmente ainda não estamos totalmente conscientes da temporalidade desse processo. Não é passado. Isso os coloca hoje, agora, neste instante, em pleno controle de praticamente todas as instâncias cívicas públicas, da cultura às mídias. No planalto viciado não há espaço para outros, o sol é um oligopólio para alinhados, uma matinê entre amigos, com ingresso grátis para todos afinados com o desejo de hegemonia. Como pode uma democracia se defender se os mecanismos que a salvaguardam estão nitidamente obstaculizados? A divisão não está mais entre democracia instável e autoritarismo, mas, com a independência dos poderes comprometida, a escolha se restringirá entre instabilidade passageira e anomia prolongada. Trair a sociedade não é mais um escândalo. Na incrível ausência patológica de auto critica, na positividade dogmática, na nostalgia de uma revolução que nunca procedeu, os defensores deste governo escolhem morte à capitulação. Sobreviver a ruína requer deixar-se levar pela queda: ainda que se sabia que preveniria fraturas graves, cair sem resistir é uma arte pouco frequentada. Muitos tentam compreender este fenômeno, mas suas raízes já excederam a racionalidade. O esforço poderia nos remeter ao campo da psicopatologia, mas nem esta consegue amparar uma tese sólida quando se trata da devoção com que os enganos são cultuados por aqui. Para eles admitir erros parece significar a derrocada da existência. Sacrificar a República no lugar de assumir a inépcia para governar pode ter se transformado num desporto, praticado ao ar livre, na delinquência solitária de um palácio, ou até mesmo dentro de uma cela. Podemos até arcar com as custas, mas o preço da liberdade deles não consegue mais garantir submissão. É quando desobedecer passa a ser dever.

Tags: blog conto de noticia, corrupção e Estado policial, criatividade e perversidade, Estado gangster, estoicismo, moralismo, o dever de desobedecer, o partido como Estado, república estóica, sociedade indiferente, usurpar o poder

As informações e opiniões expressas neste blog são de responsabilidade única do autor.

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Invisíveis (Blog Estadão)

20 quinta-feira ago 2015

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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blog Rosenbaum Estadão, Estado coloniza vidas, invisíveis, Marx, o poder emana do povo

Invisíveis

Paulo Rosenbaum

20 agosto 2015 | 14:58

Invisíveis,_ou_quase_

Nada parece crível, mas, mais uma vez, estamos invisíveis. Difícil saber o que ou quem nos apagou, o que nos tirou do circuito, o que nos varreu do mapa. Talvez nada, nem ninguém. Mas há uma suspeita. Ela sopra sem desvio. De frente. Dizem que depois de certa altura o naufrago, para enfrentar a onda como destino, só consegue obedecer a maré. O instinto, desqualificado pela realidade. A intuição, esmagada por sal e sede. Entregar-se é o último recurso. Se o poder emana do povo, a impressão é que o poder esta sendo exercido, apesar dele. A vida avança como se só nos precisássemos reclamar. Os outros vigoram como relações instrumentais. Para que recobrar o sentido individual, se estamos em feroz processo de divisão? É bem mais do que nós contra eles. Todos contra todos encerra o ciclo sem apresentar qualquer desfecho. Liberdade e igualdade sem fraternidade apresentam fórmulas vencidas. Nenhum filósofo, ideólogo, nem mesmo Marx poderia ser o operador lúcido de sua própria doutrina. Enquanto capitalismo e socialismo totalizam a pauta falsa no falso debate, um materialismo inquestionável tremula, alheio, soberbo, encantado com sua hegemonia. Instalou-se confortavelmente no sofá e só é perturbado por quando soam alarmes agudos. Sem contextualizações, estamos à mercê dos fatos. Uma realidade que não escolhemos nos controla. Por que precisa ser assim? A democracia depende do voto. E o voto é fruto da inconstância. De quem já controla o poder, ou qualquer fração dele. Por isso não conseguimos mudar. A maldição das comunicações instantâneas é um registro do abuso do tempo. Abreviações de processos, sínteses apressadas, e juízos bate-pronto atuam contra a paz. A paz que perdemos. Ou o Estado e seus agentes precisam colonizar nossas vidas? As demandas de bens e coisas devem prevalecer para comandar os projetos? O amor que falta pode não estar nos objetos, em deuses substitutos, ou na vida eficiente. Também não estará no espírito de uma democracia que se enganchou em frivolidades e dispersão. A preocupação entre nós, e uns com os outros, deveria ser prioritária, disruptora, impulsiva e inadiável. Não se trata de religião. Não se trata de conceitos abstratos. Não se trata de caridade ou tolerância, mas de justiça e cuidados, revigorados em leis compreensivas. Em novos códigos que nos elevem ao altruísmo possível. Que leve em conta a debilidade humana e não enalteça só a vigilância e a punição. Para a hermenêutica não existem fatos puros, apenas reinterpretações. O giro, portanto, cabe exclusivamente às nossas cabeças. E para quem acha que a generosidade é uma excentricidade, nossos monitores não serão regimes políticos, professores, líderes ou a política. A natureza mostrará seus caminhos. Se der certo, nossas marcas não serão desperdiçadas em pegadas sem significado.

http://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/invisiveis/

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