• Uma entrevista sobre Verdades e Solos
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” no Jornal da USP
  • A verdade lançada ao solo, de Paulo Rosenbaum. Rio de Janeiro: Editora Record, 2010. Por Regina Igel / University of Maryland, College Park
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” por Reuven Faingold (Estadão)
  • Escritor de deserto – Céu Subterrâneo (Estadão)
  • A inconcebível Jerusalém (Estadão)
  • O midrash brasileiro “Céu subterrâneo”[1], o sefer de “A Verdade ao Solo” e o reino das diáforas de “A Pele que nos Divide”.(Blog Estadão)

Paulo Rosenbaum

~ Escritor e Médico Writer and physician

Paulo Rosenbaum

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Pode acontecer hoje (Estadão)

13 sábado abr 2019

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Pode acontecer hoje

Paulo Rosenbaum

06 agosto 2015 | 11:21

forçasXXX

Neutralizem-nos. Desfazer é a palavra. A concessão ao ódio, pueril. A profusão sentimental, irreflexiva. Justiça instantânea, perigosa. Destoar da hegemonia é girar, numa outra direção. Evidente, tudo pode mudar. Uma revolução pode operar no silêncio. A política é lábil, mutante, ciclotímica. Distorçam-na como arte ou torçam nas arenas. Aprender a esquecer como convém aos pactos datados. Vivemos numa não ficção. Um vento não remove um Estado. Mas também não o edifica. O radical limita-se a um vício de informação. O acirramento interessa: para poucos. A ilusão hegemônica está em pé. Não é que o projeto acabou, foi adiado. Rejeitam a ideia de que o mundo não é um menu acabado. Preferem o manual onde, numa balança infinita, só se ensina dois lados.

Não só pelo 16 de agosto, mas porque nossas ações exigem rumo. Usem a rota b. Ninguém quer golpe, bastaria oposição. Desmonta-la, sempre foi um mal negócio. No jogo democrático oposição é vital. Respeitada e respeitável, ela, quando vigora, exerce poder moderador. Se assim fosse, renuncias, afastamento e outras tribulações não seriam traumas. Uma República deveria ser o conjunto das instituições. Sem reunificação (aceitemos o desacordo), sem conluio, (assumamos as disputas) apenas alguma circunscrição da desforra. Comutem por um outro estar. Mudem as flores por vasos mais enxutos. Na vigília digital não há esperança de sono ou coesão. “Contamos com vosso sonambulismo”, eles vêm nos pedindo. Mas, em nossas realidades, não há indício de respiro. Não te falaram que as urbes tirariam todo nosso fôlego? Que a rarefação do poder estava garantida? A confusão, sortida? Era verdade, mas ninguém varou a noite para avaliar.

O jogo democrático não é  exatamente negócio de lobistas. O jogo pode não ser equânime, justo ou coerente, precisa ser pacífico. Exige renuncia à brutalidade, desvio do confronto e, elegância mínima. É que as lutas se despistam nas guerras. Se te convencerem de um destino bomba, não será esquerda ou direita. Que se prolonguem as vidas dos homens sensíveis. Mas que não te assombrem. Nem nos sacrifiquem na idolatria do culto personalista. Dirijam irritações contra a milionésima parte dos abusos. Dos desmandos aos comandos. Adensem os artefatos até se transformarem em palavras. Afiem a civilização. A Pátria seria educadora se comovesse alguém. Nunca é tarde. Mas, a certa altura, perdemos a razão, junto com o sentimento. Rumo ao fundo dizem. Até que a sangria não coagule. Até que os autores meçam-se por cãibras. Até que os analistas mexam nos roteiros que filtram. Até que a Nação seja um cárcere sem fronteiras. A cadeia deveria ser para ninguém. Nem as aberrações das leis, feltro para justificar o arbítrio.

Que ninguém se engane. Os intelectuais podem estar silenciosos mas os poetas não desapareceram. Guardam a visibilidade oscilante. No parapeito de cada surto. No limite do susto. Nas paginas anuladas, borradas de insultos. Nas impressões foscas. Na fuga das rimas. No êxodo do cuidado. Na contagem regressiva dos soluços. Não foi ainda ontem que mudamos tudo? E as unhas de quem sofria encobriam o ruído de quem comia?  Até o fim do dia. Abandonar a surdez para enxergar todos os outros. Enquanto isso, vaga uma meia lua constrita pelo excesso de olhares. Ela não inibe a dor, nem os sonhos. É que o milagre opera na surpresa. Desce ao simples. Pode acontecer hoje.

http://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/pode-acontecer-hoje/

Tags: 16 de agosto, blog Rosenbaum Estadão, jogo democrático, pode acontecer hoje, silêncio dos intelectuais

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Quem radicalizou foi o poder (Estadão)

13 sábado abr 2019

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Quem radicalizou foi o poder

Paulo Rosenbaum

16 agosto 2015 | 12:58

 Ladocerto

Nunca houve como saber de antemão. Foi em paz. Qual será o lado certo da história? Uma máxima precisa ser considerada: a obediência à tirania é uma modalidade de golpe. Democracia não é jogo estático. Se não existem lobos, tampouco ovelhas. A quem interessa a aversão, a repulsa e a generalização? A turma da bala sempre esteve distribuída uniformemente, mas entre nós, graças a uma estranha tolerância, não se fortaleceu como maioria.

Ontem, nenhuma mídia televisiva mostrou os preparativos para a marcha. Por que? Assinantes ou não. Telespectadores engajados ou não. O direito à informação é vital para a democracia. Foi só através deste direito que ficamos sabendo de tudo que estava, e está, sendo urdido. Por isso, uma marcha pacífica precisa ser respeitada e protegida. Hoje arriscam flashes, tímidos.

Faz parte desta mesma democracia, acordos, contas desesperadas, conchavos de última hora, mas e se os bastidores retiverem segredos dolosos à República? E se a sociedade estiver sendo alijada de um processo no qual ela é a protagonista principal? E se as leis passarem a proteger o direito de quem quer caçar os direitos? E se a mordaça aprisionar a liberdade de pensamento e de expressão?

A legitimidade através do voto é uma presunção de legalidade. Ela se auto justifica sob a vigência plena da constituição e do Estado de Direito.  As regras são estáveis enquanto houver mecanismos para corrigir a injustiça do arbítrio e instâncias às quais recorrer. Em completo isolamento, o poder mingua nas ruas, e suspira sitiado em eventos encapsulados. A governabilidade é fruto da confiabilidade. Sequestrada pela fisiologismo terminal, agora agoniza na paralisia e nos acertos suspeitos: quem radicalizou foi o poder.

Há quem queira distorcer a índole pacífica de um dia como hoje. Neste caso, a virulência está nas mãos e nas penas de gente que insiste em desqualificar os 93% que discordam da atuação do regime. Têm todo direito em desqualificar, mas ao indicar o termo “golpista”, estão avalizando o sentido oposto. A história costuma ser rigorosa com panfletários chapa branca, mas ela será ainda mais avessa aqueles que apostarem na manutenção do status quo.

Tags: 16 de agosto, blog Rosenbaum Estadão, golpistas, legalidade, legitimidade do poder, quem radicalizou foi o poder

http://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/quem-radicalizou-foi-o-poder/

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Fração ideal (Estadão)

13 sábado abr 2019

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 Fração ideal

Paulo Rosenbaum

04 setembro 2015 | 12:04

O Jogo

Não é só imaginação ou interpretação. Devemos estar vivendo uma das eras mais idiossincráticas desde a segunda guerra mundial. São tantas peculiaridades e tantas arestas para aparar que — entre melindres e chiliques — preciso te dizer, senhor, deu para pressentir a nervura do subsolo. Só uma visão estoica do mundo pode nos apartar dos textos inflamados, manchetes e chamadas. De que outro modo escapar da obtusidade do politicamente correto? É que o consenso sempre foi senso comum disfarçado de diálogo. Por isso, tanta gente interessada em manter esquerda e direita, nós e eles, bons e maus. Quer coisa melhor que um maniqueísmozinho para ocultar a complexidade? Quer solução mais caseira de garfar a subjetividade e, em seu lugar, colocar estabilizante de humor ou reduzir tudo ao “jeito certo” e “jeito errado” de olhar o mundo?  O exagero sempre foi um recurso didático. Improvável? Pois acompanhem: o reino jurídico sempre será frustrante e como só a justiça traria paz, esqueçam paz, equanimidade, isonomia, meio termo, equilíbrio, caminho do meio. Tudo desceu à obliquidade. Déspotas locais e déspotas internacionais encontraram a fórmula mágica para se livrar das responsabilidades: populismo baseado em nonsense. Avanços sucumbiram à desorganização do Estado.  E por que persistimos? Por que não nos damos por vencidos? Que força misteriosa é essa que nos faz prosseguir em marcha? Numa vigília automática. Num antagonismo assombroso ao uníssono. O que nos faz imaginar que o calejamento, enfim, amolecerá o mundo? Como pudemos sonhar com tanta liberdade? Só encontro uma resposta: é a idealização que nos mata. É que, para além da interpretação, mas antes da perfeição, há um mundo, maior, mais vasto e não limitado às acareações silenciosas. Há um atmosfera onde ninguém precisa compartilhar o ar viciado dos bastidores. Há um campo, livre e limpo, das ideias claras e distintas que pode nos devolver a respiração, ainda que curta. E se você é como eu, e resiste em aceitar que o milagre é possível, não será preciso ir muito longe. Estarmos aqui e agora não prova tudo, mas diz muito. Se somos apenas uma fração do ideal, é por isso mesmo que estamos ligeiramente adaptados ao mundo das imperfeições, e, quem sabe aptos à mutação benévola. Que seja em breve, ainda nossos dias!

http://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/fracao-ideal/

Tags: Blog Estadão Rosenbaum, desorganização do Estado, déspotas locais, estabilizante de humor, fração ideal, mutação, populismo, populismo baseado em nonsense

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O último baile da pedalada fiscal (Estadão)

13 sábado abr 2019

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O último baile da pedalada fiscal.

Paulo Rosenbaum

04 janeiro 2016 | 22:06

 

De longe o Brasil ainda incrementa sua potencia como País de futuro. Futuro do pretérito. Enquanto a maior parte das nações se preocupa em oferecer bem estar aos seus cidadãos — sem idealizações, abundam corruptelas — nosso staff ocupa-se com o que? Doutrinas inúteis, dogmas obsoletos e teorias comprovadamente insustentáveis ecoadas pelo anacronismo militante de boa parte do establishment intelectual. Endosso, que vai se tornando cada vez mais ilegítimo, pois alienado da realidade do País. Mas, de longe, do bem distante, do incomodo ostracismo que voluntaria ou involuntariamente alguém escolhe esconder-se, ficamos cada vez mais sem graça. Perdemo-la especialmente quando, ao nos ver, os habitantes de outras fronteiras abrem os braços para nos perguntar:

—O que aconteceu com vocês?

Resta oferecer os braços de volta, com a expressão precária de que também nós fomos rebaixados à ignorância. Isso remete a uma  trajetória pessoal, quando, durante a ditadura, a família foi “aconselhada” a abandonar o País. Hoje, é outra a natureza do exílio. Quem lutou pela democracia não pode se conformar com o saldo das três últimas gestões desse governo. As anteriores tiveram lá suas mazelas, mas não existe espaço para que alguém ouse compara-las. Tentativas não faltaram, o que faltou foi estabelecer alguma equivalência moral entre as gestões. E qual a diferença essencial? O embate foi habilmente deslocado para conservadores e progressistas. Mero disfarce. O matiz populista é o que fez toda diferença. Essa, a parte óbvia. O que não é evidente, e portanto raramente explicitada, é a inclinação hegemônica do projeto de poder. Negada pelo grupo e subestimada pela oposição e outros analistas políticos, ela avança a despeito de todas as evidências comprometedoras que a envolvem. Não é exaltada porque é exercida numa opacidade à prova de balas. Inspirada num modelo muito próprio, decerto nem chavista nem peronista, trata-se de uma espécie de mutação da malandragem política, um mix de maracutaia baseada em slogans, voluntarismo personalista e narrativas grandiloquentes.

Identifica-se aqueles que escolheram a omissão ou a conivência para “conservar imaculada a coerência”. E quanto aos demais? Continuarão a aceitar o papel de vitimas? A filosofia dominante tornou-se insuficiente, ou comprometida demais, tanto faz, para analisar a gravidade da situação. Que vai muito além da econômica e social. É da natureza da culpa achar que, para fazer alguma frente à injustiça social e aos males do mundo, somos obrigados a aceitar o preço da tragédia. Socializar o atraso não é mesmo tarefa simples. É preciso ir até o fim, forçar o fundo do poço, esquecer qualquer forma de renúncia, desarrumar o que entrava nos eixos e, acima de tudo, ter convicção para forçar teses mitômanas. E ai passar a operar por um lado, como se o milagre fosse auto evidente, e, do outro, culpar a outra metade para imortalizar o conflito encomendado. Vale dizer, a conflagração subsidiada.

Tudo não passaria de especulação se as pessoas não estivessem sendo afetadas pela patologia estoica que acomete a chefe do executivo. Ela e seu grupo,  convictos da predestinação, passam ao largo da opinião pública e, guiados pela improviso, impõem a agenda inepta. E, já que o exílio prolongado perturba a lucidez do exilado, nestes penúltimos dias, o balanço merece a amplitude do otimismo: se dependedessemos das noticias para sobreviver já estaríamos liquidados. Para nossa sorte, a realidade costuma surpreender. O último baile da pedalada fiscal é indício de fim de ciclo. E como o ano, tudo que muda merece comemoração.

http://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/o-ultimo-baile-da-pedalada-fiscal/

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Teatro do Opressor (Estadão)

13 sábado abr 2019

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Teatro do opressor

Paulo Rosenbaum

07 fevereiro 2016 | 14:35

OpressãoXXX

Indique-me um, apenas um. Alguém que enxerga com clareza. Que distingue o rigor do emaranhado. Que não foi cego pelo excesso de interpretações. Quem se exaspera em uma democracia? Aqueles que governam? Quem fala tua língua? Quem ilude a montante? O jogo de cena chegou ao fim do tablado. Agora teremos que aceitar, de qualquer forma assumir: estamos rigorosamente sós. Sós, não porque não haja mais gente com a mesma sensação. Não porque estamos no mesmo espaço e sob o mesmo desamparo.  Sós, porque nossos dias estão sendo gastos num horizonte avessos à fusão. No planalto sem relevo. Na rota costurada por quem não se importa. Se as instituições subsistem é à nossa revelia. Se nunca nos arrependêssemos seria nosso dever e obrigação, perguntar: como deixamos chegar a este ponto? O silencio indica uma sociedade sem audição. Rendida ao berro crônico. Pois o recesso não é mais do parlamento, o clima é de cancelamento geral. Fomos apresentados para um outro carnaval. Não queremos mais ouvir, decerto nem ver. O que será que nos paralisou? Estreitamento, mesmo os mais entusiastas podem precisar conceder. A pátria, postergacionista, induziu alienação, revolta e submissão. Por isso não se enxerga mais meio do caminho. Qualquer trilha é precária, derrapante e insegura. As clareiras, rondam brasas. Os atalhos, tomados pelo reducionismo típico. Na performance do governo, a instalação provisória. Nós, civis amadores, gente que até esteve confiante, quer vencesse um ou outro, pouco importa, perdedor ou ganhador, iriam ambos, em nossa imperdoável ingenuidade, nos assegurar a vida. Mas a República, recém dilacerada, foi entregue à legião de anti ourives. Regressamos ao beco, de onde nunca pudermos sair. Uma quadra atacada pelos vícios da violência. Cercada pelo império do descuido. Sitiada pelos maestros do descompasso com seu orgulho sem sentido. Podemos ter falhado, decerto capitulamos impotentes frente à estupidez. Sem dúvida, alimentamos a anomia com nossa mania por desmentidos. “Não, eles não fariam isso”. “De forma alguma ousariam”. “São alarmismos, invenções e disparates, ninguém subjugaria todo o Estado”. Pois é por isso mesmo que persiste a esperança. O paradoxo não poderia ser mais brutal. Na aceleração de um blackout moral e no empuxo de um abandono sem precedentes, uma forma toma corpo. Sem nome e sem passado a responsabilidade pessoal, irrigada pelo colapso, pleiteia espaço inédito. Em meio aos disparates e às buzinas acabaremos reencontrando a voz que sufocáramos. Uma resposta aos enganos. Aprendizado doloroso, ética parece discurso desqualificador. Será portanto um carnaval único, reconstituído a partir da incompletude das cinzas. O trajeto não será longo, na verdade, seguirá breve. Da paralisia à alegria, o bloco partirá rumo ao desconhecido. Se alguém ainda se preocupa com os solavancos basta levantar do trem para enxergar o que já deixamos para trás. É pouco provável que alguém se arrependa. E, mesmo que sim, o destino, que não costuma ser revisionista, decretará o recomeço. Trilhos não faltam.

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O dever de desobedecer (Estadão)

13 sábado abr 2019

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O dever de desobedecer

Paulo Rosenbaum

25 fevereiro 2016 | 01:01

Podemos dizer que estamos sujeitos. No sentido da sujeição, imposição, vale dizer, estamos à revelia da cidadania. Não acho que se deva comemorar prisões, mas quando se trata deste mercador de ilusões, que através dos truques de marketing, astúcia predadora e conselhos perversos nos enfiou nessa enrascada, a justiça propicia alguma atmosfera de paz efêmera. No entanto, o maior delito não é bem aquele pelo qual ele e seus amigos estão sendo citados. O elemento mais sinistro deste magnífico crime foi usar sua capacidade para promover um estelionato transnacional, provavelmente sem precedentes na história política moderna. A criatividade pode sim ser maligna. Isso se encaixa perfeitamente no espírito de ausência que se espalhou pela sociedade de forma generalizada. A gravidade da situação onde o subsolo do País cede sem que ninguém pareça se alarmar, merece ser mensurada. Testemunhamos a indiferença. As catarses ainda consentidas pelo poder como a indignação virtual — entre apitos, panelas e hostilização pública selvagem — simplesmente não mexem com a estrutura modelada pelo erro, que continua relativamente intacta. Trata-se de um estoicismo induzido pela reiteração, pelo convicta prática de excedente de transgressões. Ou quem ainda não sabe que o Mensalão coexistiu com a Petrolão, que atua simultaneamente com os desvios dos Fundos de Pensão, que coincide com os empréstimos suspeitos do BNDES, que opera junto com os repasses fantasmagóricos para as ditaduras amigas.

Admita-se que o que os move é incompreensível para nós. Nós que achamos que usurpar o poder é bem mais grave do que ilícitos comuns. Nós que poderíamos até aceitar justificativas, jamais o cinismo. Nós que esperávamos zelo com o bem estar e com a coisa pública. Nenhuma política é feita por santos e rejeitar o moralismo puritano é tão importante quanto resistir ao Estado gangster. Mesmo porque a corrupção justifica o Estado policial, que justifica o poder que corrompe. Porém, enquanto estamos aqui discutindo a engrenagem que garantiu ao Partido o controle do Estado e de suas instituições, as verbas oriundas dos desvios continuaram a fluir e a subsidiar o projeto.

Regaram eleições, caprichos pessoais e pagaram apoios. Simplesmente ainda não estamos totalmente conscientes da temporalidade desse processo. Não é passado. Isso os coloca hoje, agora, neste instante, em pleno controle de praticamente todas as instâncias cívicas públicas, da cultura às mídias. No planalto viciado não há espaço para outros, o sol é um oligopólio para alinhados, uma matinê entre amigos, com ingresso grátis para todos afinados com o desejo de hegemonia. Como pode uma democracia se defender se os mecanismos que a salvaguardam estão nitidamente obstaculizados? A divisão não está mais entre democracia instável e autoritarismo, mas, com a independência dos poderes comprometida, a escolha se restringirá entre instabilidade passageira e anomia prolongada. Trair a sociedade não é mais um escândalo. Na incrível ausência patológica de auto critica, na positividade dogmática, na nostalgia de uma revolução que nunca procedeu, os defensores deste governo escolhem morte à capitulação. Sobreviver a ruína requer deixar-se levar pela queda: ainda que se sabia que preveniria fraturas graves, cair sem resistir é uma arte pouco frequentada. Muitos tentam compreender este fenômeno, mas suas raízes já excederam a racionalidade. O esforço poderia nos remeter ao campo da psicopatologia, mas nem esta consegue amparar uma tese sólida quando se trata da devoção com que os enganos são cultuados por aqui. Para eles admitir erros parece significar a derrocada da existência. Sacrificar a República no lugar de assumir a inépcia para governar pode ter se transformado num desporto, praticado ao ar livre, na delinquência solitária de um palácio, ou até mesmo dentro de uma cela. Podemos até arcar com as custas, mas o preço da liberdade deles não consegue mais garantir submissão. É quando desobedecer passa a ser dever.

http://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/o-dever-de-desobedecer/

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Não reprisem barbáries (Estadão)

13 sábado abr 2019

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Não reprisem barbáries

Paulo Rosenbaum

05 junho 2015 | 13:20

barbariesantamariaXX

Merece ser lida com indignação a orientação contida no Memorando/Circular de número 02/2015, datado de 15 de maio de 2015 redigida pelo Reitor substituto da Universidade Federal de Santa Maria (RS) José Fernando Schlosser.  Junto com o documento que o antecede e assinado por três mãos, ele pede para ser informado da presença de discentes e/ou docentes israelenses no programa de pós graduação. Diz estar atendendo ao várias entidades representadas pelo “Comitê Santamarienense de Solidariedade ao Povo Palestino”.

Schlosser se perfila lado a lado aos mais rematados antissemitas da história, singularizando pessoas por sua origem. O ancestral ódio judeofóbico se instaura oficialmente em nossas faculdades pelas mãos deste indivíduo que, assim, em nome de minorias, supostamente, prejudicadas, advoga a xenofobia e toma a nuvem por Juno. Um real representante do universo acadêmico deveria defender as liberdades individuais e proteger seus pupilos em todas as circunstâncias, jamais promover segregação.

É evidente que seria preferível evitar concentrar a polêmica sobre um só nome. Porém foi pelas mãos do magnificentíssimo substituto que o manifesto federal mais recente na história de nossas instituições de ensino, abertamente judeofóbico, veio a público.

Claro que, mais uma vez, utiliza-se do desgastado álibi universal que pensa poder contornar o antissemitismo com a troca mágica de uma palavra por outra. O uso de “israelense” no lugar de “judeu” tem se tornado a marca de uma prática falsificadora na linguagem contemporânea. Se largamente usada, ainda é pouquíssimo denunciada, e menos ainda, acatada como o que realmente é: uma manobra semântica de disfarce judeofóbico.

Na verdade, por outros motivos e em contingencias históricas distintas, lembra uma das primeiras leis promulgadas em abril de 1933, que restringia o número e a atividade dos judeus em escolas e universidades alemãs. Como se sabe, a isso se seguiu a cassação, destituição e perseguição dos professores e alunos nas Universidades da Alemanha.

Um panfleto desta natureza seria compreensível como desculpa para iletrados e incultos, porém não deveria valer para quem chegou a conquistar qualquer título acadêmico como diz possuir o autor do referido libelo.

Parece ridículo mas é necessário explicitar que solidariedade nenhuma, seja ao povo palestino, sírio, iraquiano ou ucraniano, justifica hostilizar, constranger, boicotar ou segregar povo de qualquer País, religião ou etnia. Oxalá que o reitor substituto estivesse isolado no protagonismo para reeditar perseguições que pensávamos superadas. Assim como os nazistas precisavam queimar livros para destruir o passado, a reflexão e o pensamento crítico, intelectuais e uma considerável quantidade de pessoas imagina que frente ao injusto, o ato de silenciar pode aceitar a classificação de neutralidade. O silencio tem uma carreira conhecida: se transforma em conivência, e em sua rápida metamorfose migrar para apoio tácito é uma mera formalidade.

Para nossa perplexidade, há mais gente, supostamente esclarecida, que endossa essa discriminação. O que recentemente se ouviu de professores universitários é digno de perfilar entre as causas indefensáveis. O apoio à discriminação étnica macula muito mais do que a honra individual destes docentes, desabona a honestidade intelectual, último patrimônio do pensar. Ao acusar Israel de praticar um regime de apartheid e espalhar notícias deste tipo em redes sociais e em aulas magistrais estas caluniam um País e difamam um povo. Se demonizar um povo não é mais crime, o que seria?

É preciso reconhecer que essa versatilidade com as palavras obedeceu longo processo de amadurecimento. Entre nós, floresceu sob décadas de pregação de intolerância do lulopetismo, insuflada nos fóruns sociais da esquerda retrógrada — a direita truculenta, já suficientemente conhecida, não merece menção — que oportunamente eclipsa valores humanos fundamentais para defender causas. Em geral, uma ideologia, palavra de ordem ou fé sectária, que não podem ser contrariadas, não importa a aberração política que  impliquem.

Cria-se um ambiente no qual xenófobos, racistas e antissemitas ficam autorizados a escapar do armário e pregar suas diatribes. Para quem acha que tudo isso não passa de fantasia, basta lembrar do clima na franca e empolgante campanha de demonização de Israel na última guerra contra a milícia extremista Hamas.

Num mundo com superavit de paradoxos, alguém deveria ficar chocado com mais esta demonstração de decadência de nossas Universidades? Se não fossem por todos os outros motivos, pela infâmia. Para o que exatamente o Zoilo deseja ser informado de cidadãos israelenses do corpo discente e docente nas dependências da Universidade? A finalidade é clara ainda que inconfessável: expandir a propaganda de constrangimento. As guerras migram às propagandas, não é novidade. O fato novo aqui é a produção de um documento oficial que autoincrimina o professor pelo delito de racismo.

Se proibíssemos um habitante do País Z de vir e se quiséssemos impor sanções contra este sujeito em tempos de paz, teríamos que explicitar os motivos e fulanizar a escolha:  “Aquele sujeito prega intolerância”. “Este outro, defende a litigância entre povos”. “Este é um terrorista perigoso”.  Neste caso, vários de nossos políticos teriam que ser barrados ou banidos do ambiente acadêmico. Mas não se trata disso. Em seu ofício, o reitor e seus apoiadores suspeitam de qualquer habitante de Israel. Isto significa que todos eles merecem ser boicotados por serem israelenses ou judeus, o que, no fim e ao cabo, dá no mesmo e pouco importa. E o que dizer dos árabe-israelenses, drusos israelenses, cristãos israelenses, agnósticos e outras minorias fora do catálogo?

Considerando tudo, o inaceitável mesmo é o silencio da maioria. O silencio dos culpados significa a conivência maciça com uma segregação anunciada. Significa que estamos em terreno aberto e respaldado para a prática de arbitrariedades e generalizações inaceitáveis. Por que não realçar a paz e instigar o diálogo no lugar de banir? Que tal um realce na inclusão? Que tal discutir o discutível e capinar a intolerância? Para aqueles que acham exagero o barulho que se faz em torno deste memorando, recomenda-se examinar melhor a história. Especialmente ênfase no estudo de períodos nos quais aparecem os primeiros indícios de legislação intolerante e discriminatória. Antes que nos submetamos à sua repetição é preciso começar a enxergar para além de uma historiografia superficial e das boatarias.

É nossa chance de prevenir a barbárie. Ou reprisa-la.

Este texto foi escrito em coautoria com Floriano Pesaro

Tags: antissemitismo, apartheid, boicote, Gil e realce, Israel, judeofobia, judeofobia e antiisraelense, Leis raciais de Nuremberg, palestina, povo iraquiano, povo sírio, povo ucraniano, Show em Tel Aviv, Universidade Federal de Santa Maria, xenofobia

http://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/nao-reprisem-barbaries/
Paulo Rosenbaum
rosenbau@usp.br

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Cinismos hediondos (Estadão)

13 sábado abr 2019

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Cinismos hediondos

Paulo Rosenbaum

01 junho 2015 | 17:41

TraidorXX

Não recomendo. Foi torturante, mas tive que ver. A votação de ontem terminou de madrugada. Hoje a tortura mental, impassível, prossegue na TV Câmara. O problema central ainda é a manipulação montada da linguagem. Trata-se de um técnica que se expandiu pela nação. Independentemente da análise do resultado, pois ontem o ministro não interferiu na votação da votação da redução da maioridade, insinuando que a votação cassaria a já apavorada classe media e abarrotaria presídios já abarrotados?. O representante do psol não vaticinou lá pelas 23:17 que se o “estado não protege, não pode punir”? E o outro não complementou com “sou solidário com as vítimas, tanto quanto às vitimas que cometeram estes crimes”? E enfim mais alguma voz da da base: “lembrem-se, nem sempre o povo sabe escolher o que é justo”, involuntária alusão à famosa frase de Pelé durante a ditadura de que o “povo não está preparado para votar”. O que se nota é que a discussão que se arrasta desde 1993 não é só anacrônica e inoportuna, ela é, no fundo, recheada pela disputa entre dois partidos.

Sob o calor do clamor dos 87% a favor da redução da maioridade e sob a sombra dos míseros 9% de aprovação da presidente, a discussão — que acusava o tempo todo o senso comum como mau conselheiro em matérias legislativas — não passou exatamente de exposição de sensos comuns e chavões revestidos de estatísticas contraditórias. Chama a atenção  a pobreza absoluta do debate argumental. Aparando os figurinos, a dicotomia entre PT e PSDB parece ter determinado a aniquilação das condições mínimas de racionalidade no parlamento.

Ainda assim, o partido do poder têm sido o grande responsável pela obstrução de tudo que se refere à modernização dos costumes. Obstruiu a atualização do ECA, suprimiu o orçamento da segurança pública, relegou a educação. O partido, que sempre se perdeu no timing, paga pela inércia, pela paralisia, pelo oportunismo. Agora, em pleno incêndio, resolveu dialogar e se mostra artificialmente indignado sob o lema cabotino “por que tanto ódio?”. Ódio é uma coisa, desejo furioso por justiça é outra.

Percebe-se que o parlamento não está de fato interessado nos temas que afligem os jovens, nem em esmiuçar as raízes da guerra civil ou examinar formas de controle da violência. A impressão que dá é que os dogmas, sob desfile de cláusulas pétreas, tenham que ser repetidos à exaustão para que eles mesmos se convençam de que sabem sobre o que estão falando. No final, consegui formular meu voto: sou a favor do aumento da maioridade mental para parlamentares, mas só para cinismos hediondos.

http://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/cinismos-hediondos/

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O sequestro (Estadão)

13 sábado abr 2019

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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O sequestro

Paulo Rosenbaum

18 julho 2015 | 18:46

Vai andando!

Por que parou?

Estou pensando!

vai por mim, não é uma hora boa para pensar Filho. Temos que ser práticos. Estamos com essa encrenca ai atrás e até agora ninguém respondeu!

O que sugere?

Checaram a mordaça? Amarraram bem?

Serviço profissional, Por que? Ouviu algum pio?

Tá surdo? Não percebeu que está gemendo?

Vai lá e da mais um aperto para ver se cala a boca.

Pronto!

Ele falou alguma coisa?

A baboseira toda. Que nunca pensou que pudesse acontecer e achou que tinha muito mais gente interessada na saúde dele. Quando expliquei, ficou chocado!

Você explicou o que?

Que ninguém queria pagar resgate, que o preço era muito alto. Que muita gente torcia para sangrar mais!

És mesmo um Imbecil! O cara entregue, todo mundo tirando lasquinha e você ainda dá mais uma torturadazinha?

Acorda Zoilo, foi ele quem pediu, fiquei com pena e contei a real. Você minha testemunha, sou contra a ilusão.

Como tem ingênuo neste mundo. Esperança é o fim da picada. Quem ainda cai nesse tipo de conto?

Você ficou pancado? Começou a acreditar nas mentiras que contamos esses anos todos? Só pode estar de brincadeira, ou já esqueceu que somos sócios?

Éramos!

Ah agora tú vai pular fora agora? Recado: não cabe crise de consciência em bote salva-vidas.

(Risada nervosa )

Presta atenção: era 50/50, mas com gente gulosa não tem negócio!

Ficou louco? Está me ameaçando? Para já esse carro.

Quer bancar o manda chuva comigo?

Você esta acelerando esta geringonça!

Vai vendo

Para essa droga.

Segura que estou detonando

Um acidente grave, em cadeia,  envolvendo centenas interrompeu o sequestro, quase à beira do abismo. Os motoristas que se revezavam na direção sumiram de cena. Nunca mais se ouviu falar deles.  No porta malas encontraram a vitima ferida, com sinais de maus tratos, espoliada e desidratada. Libertada, saiu do buraco, cambaleante e desorientada. Deu uma singular declaração antes de voltar, pensativa, ao seu posto original:

Uma Republica vale se puder sobreviver aos seus condutores!

http://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/o-sequestro-2/

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Kepler 452 (Estadão)

13 sábado abr 2019

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Kepler 452

Paulo Rosenbaum

24 julho 2015 | 09:53

KeplerXX

Caros habitantes,

Queríamos dar as boas vindas para todos neste dia histórico. Aviso que estamos usando o tradutor automático para 214 línguas.

Nenhum antigo parece ter valorizado suficientemente aquela previsão. Na verdade, grosseiro erro de estimativa, pois era mais do que uma advertência. Foi tomada como desafio moral. Inútil, diziam todos eles. Mas isso foi antes do grande incêndio. Hoje, daqui, podemos enxerga-la com telescopia de lentes de água e vapor solar. Em tese, com a aceleração linear, alguém poderia, caso ousasse, voltar e atingi-la em 1.400 anos luz. Ou, se preferem, na velha cronologia, em 236 anos, 22 dias e 18 horas.

Obviamente, como ninguém desconhece, isso está fora de questão por toda contaminação atmosférica e pelo deslocamento do eixo magnético. Sem contar o aquecimento e a radiação. Sim, aquele sol minúsculo nos impediria pisar ali, naquele que já foi um solo fecundo segundo os arquivos e as poucas marcações que restaram da biopaleontologia. Ninguém a deseja mais a não ser por uma estranha nostalgia. Nunca se esquece de um berço. Não se pode desprezar aquela que foi objeto de todas nossas especulações e depositária dos desejos da espécie até não muito tempo atrás.

Quem poderá esquecer as amostras que hoje preservamos no Museu Copérnico II? As experiências de desmaterialização no eixo polar? A concentração de verde no hemisfério sul? A extração recente dos painéis de sondas e embarcações perdidas em missões frustradas (na época de combustível liquido fóssil) são um patrimônio da memória. Muitos eram, assim como em nosso velho mundo, a favor da destruição desses registros de memória. Congratulemo-nos todos já que a argumentação não passou nos testes dialógicos.

A energia dos núcleos como armas não poderá mais ser esquecida. Nossa responsabilidade deixou de ser só com aquele sistema solar, hoje obsoleto até a órbita de planeta com a grande tempestade, graças aos nossos erros.  Neste ano 127 da novíssima experiência humana, podemos avaliar retrospectivamente o que fizemos com o velho habitat e evitar amanhãs de erros antigos.  Por isso, é com grande alegria que inauguramos este memorial na via Kepler com a famosa frase do escritor Arthur C. Clarke (infelizmente, profissão quase extinta nesse nosso novo mundo, que apenas ameaça renascer)

“Os dinossauros desapareceram porque não tinham um programa espacial”

http://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/kepler-452/

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