• Uma entrevista sobre Verdades e Solos
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” no Jornal da USP
  • A verdade lançada ao solo, de Paulo Rosenbaum. Rio de Janeiro: Editora Record, 2010. Por Regina Igel / University of Maryland, College Park
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” por Reuven Faingold (Estadão)
  • Escritor de deserto – Céu Subterrâneo (Estadão)
  • A inconcebível Jerusalém (Estadão)
  • O midrash brasileiro “Céu subterrâneo”[1], o sefer de “A Verdade ao Solo” e o reino das diáforas de “A Pele que nos Divide”.(Blog Estadão)

Paulo Rosenbaum

~ Escritor e Médico Writer and physician

Paulo Rosenbaum

Arquivos de Categoria: Artigos

Manuscrito achado no Mar Morto ( Blog Estadão)

17 quinta-feira out 2024

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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“Qualquer pessoa que tenha se envolvido seriamente em qualquer tipo de trabalho científico percebe que na entrada
dos portões do templo da ciência estão escritas as palavras: Vocês devem ter fé.
É uma qualidade da qual o cientista não pode prescindir.”

Max Planck

Em 2016 recebi uma bolsa literária para escrever em Israel.  Resolvi caminhar perto das cavernas, nas encostas que contornavam um dos portos do Mar Morto. Chutando pedras deparei com o que parecia ser um fragmento de garrafa de cerâmica. Eu a recolhi, e, dentro, havia um rascunho. Parecia ser uma mensagem destinada ao futuro: estava enrolada como um pergaminho, havia uma camada de cera que o envolvia e continha uma tinta espessa, em relevo, As bordas do documento estavam parcialmente queimadas. Com alguma dificuldade removi o papel, depois afastei um lacre e finalmente pude ter acesso ao texto escrito em uma língua com caracteres curiosos e que se lia da direita para a esquerda. Era aramaico. Passei a noite olhando para aquela descoberta, mas passada a síndrome de Champollion senti culpa e fiquei dividido. No dia seguinte, por amor à história, decidi leva-lo pessoalmente a um museu, onde uma equipe de especialistas imediatamente debruçou-se, maravilhada, sobre a peça arqueológica que descobri aleatoriamente, chutando cascalho. Achei muito curioso, já que até hoje nenhum pesquisador conseguiu ainda fornecer um resultado para estabelecer a datação com precisão. A partir dai necessitei de um certo controle para não entrar em devaneios místicos. Meses depois soubemos que era uma escritura não datada e cujo relatório afirmava:

“O texto, inédito, parece fazer parte de uma comunidade hermética. Pode-se constatar no material a atividade do carbono radioativo em 11 dpm/g. Após cálculos, verificou-se a idade aproximada de 2.500 anos comprovando que o papel e a tinta podem ser aproximadamente desta data. O que causou perplexidade foi a constatação de um dado aparentemente contraditório: a presença de um elemento químico que emite baixa radioatividade e desconhecido na terra. Por consenso, decidimos batiza-lo de Eli 180, isso foi ao mesmo tempo uma descoberta breakthrough e um enorme enigma, esperemos que novas pesquisas científicas o decifrem”

Abaixo a tradução do pergaminho:

“…desde o décimo quinto dia do mês de Tishrei: 100 dias e ainda sob uma neblina indissipável. 100 dias e ninguém declarou liberdade. 100 dias sem um segundo de respiração completa. 100 dias de animação suspensa. 100 dias que não são de silencio, mas do mais ruidoso e severo julgamento de uma nação pela história recente. 100 dias de corações congelados pelo liquido insensato. 100 dias sem aval para legitima defesa. 100 dias de ímpias arbitrariedades. 100 dias de gargantas ressecadas por pedidos adiados. 100 dias em prisões subterrâneas. 100 dias sob a tutela da perversidade. 100 dias de instituições desonradas pela conivência. 100 dias mudos de dor. 100 dias sem conhecer a luz natural. 100 dias de marcha ao abismo. 100 dias de nostalgias premonitórias. 100 dias sem um único dia comum. 100 dias tomados pela estranheza de um mundo novo. 100 dias de mudanças nunca requisitadas. 100 dias de perplexidade 100 dias sem mães, pais, irmãos, avós. 100 dias de uma paz unilateralmente violada. 100 dias que nos remeteu ao cativeiro na Babilônia. 100 dias que vivemos sem viver. 100 dias da brutalidade. 100 dias de uma campanha de abusos. 100 dias de tentamens sórdidos. 100 dias de ameaça existencial. 100 dias de coragem supernatural para enfrentar a covardia mundana. 100 dias de injurias ignominiosas. 100 dias de acusações sem lastro. 100 dias de injurias sem processo. 100 dias de multidões por causas nefastas. 100 dias de sons de laringes estreitadas. 100 dias nos quais quem rompe o cessar fogo é tomado como vitima. 100 dias de pedidos irrealistas. 100 dias de sonhos perdidos por séculos. 100 dias de traumas contínuos. 100 dias de julgamentos seletivos. 100 dias de permanência ao relento. 100 dias de luzes apagadas. 100 dias de mutações na linguagem. 100 dias de uma inimaginável inversão. 100 dias de destinos isolados. 100 dias de meninas perdidas. 100 dias de manobras injustas.100 dias de animais executados. 100 dias lotando abrigos. 100 dias sem pisar em casa. 100 dias errando pelo sul. 100 dias de destinos interrompidos. 100 dias recolhendo fragmentos. 100 dias de espíritos dispersos. 100 dias de déspotas triunfantes. 100 dias mostrando quem é intolerante. 100 dias de álibis repugnantes.

E, a partir do Nissan 14, teremos o inesperado:

Aconteceu naqueles dias e soubemos, Ele é Ele:  A Escada da Ascensão apareceu, e a partir deste dia serão milhares de momentos de reconstrução e união, apreciação mútua, de uma paz eleita com quem escolhermos, de um horizonte nunca percebido pelos olhos, de insubmissa tenacidade, de símbolos preservados, de uma tocha que arde como o sol, de astros que iluminam os dias, de uma leveza sem precedentes, de amenidades da natureza, de berços acolchoados, do afeto de desertos que já não são, do retorno dos bebes, de saúde transcendente, de continentes que foram movidos, de promessas de terra fixadas nos céus. De permanência, rio e mar. E a força vital transformada na própria vida do homem. Chegou este momento. Adesão e devoção. Este é o dia”

Até hoje me pergunto se aquele futebol com as rochas trouxe uma informação antecipada ou era apenas um amontoado de coincidências, fruto do nosso pensamento rápido. Serão as profecias antecipações anunciadas exatamente para que as contornemos?  De qualquer modo, como ortodoxo não observante, fiquei  intrigado com o lema “adesão e devoção”. Nessa ordem. Afinal, até na ciência a fé não pode falhar.

https://www.estadao.com.br/brasil/conto-de-noticia/de-onde-vem-tanta-solidao/
https://www.estadao.com.br/brasil/conto-de-noticia/fact-check-do-futuro/
https://www.estadao.com.br/brasil/conto-de-noticia/davidbengurion-para-yeukuziel-moises/

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5785, você pode estranhar, mas foi hoje que nossa saga começou. (Publicado no jormal “O Dia”e no site do portal IG)

17 quinta-feira out 2024

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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5785, você pode estranhar, mas foi hoje que nossa saga começou.

Paulo Rosenbaum


Não sei como andam as contas, a datação de carbono 14, ou se a matéria é capaz de esculpir sobre si mesma uma idade que, de fato, não é compatível com a cronologia.
Mas acabamos de comemorar Rosh Hashaná, o aniversário do mundo através da imagem do primeiro homem. É uma data universal.
Temos muito o que aprender com o primeiro homem, e uma entrevista seria bem-vinda.
— Adão, que honra tê-lo aqui conosco, já podemos fazer as perguntas?
— Meu caro, não vejo a hora de saber por que é que vocês me trouxeram aqui de volta? É um reality-show? Todos estes equipamentos. No meu tempo era tudo na base da memória, giz e cuspe como dizemos lá na nuvem.
— Não, não. Dirijo um blog no qual entrevistamos pessoas interessantes.
–Eu não sou interessante, tem gente mais legal lá em cima e pelo que andei espiando aqui embaixo também tem uma meia dúzia de caras nada óbvios. Por que eu?
–Como se sente vendo o percurso da humanidade que você ajudou a construir?
— Olha amigo, eu te responderia através das palavras do poeta Stephen Crane:
— Por favor, o espaço é seu….
— É o que dizem todo dia lá em cima: o espaço é todo seu. Mas não é bem assim, fluxos de legiões de anjos, exércitos de arcanjos, entidades físicas, matéria escura, se você apenas soubesse, o espaço é cheio, abarrotado
–Você ir receitar o poema.
— Ah sim, perdão, ele escreveu o seguinte:
“Senhor, eu existo! No entanto, respondeu o Universo, este fato não criou em mim um sentido de obrigação”.
— Eu me sinto mais ou menos assim.
—Está se achando Adão?
— Nada disso. É que já foi pesado assumir a culpa pela expulsão do Eden. Era bem maneiro. Mas era exatamente essa a missão, entregar a responsabilidade nas mãos humanas. Eu tinha que fazer isso…5785 e ainda me sinto culpado. Mas aprendi a assumir, foi assim que conquistamos o livre arbítrio.
— Você não se sente orgulhoso em ver a evolução do mundo?
— Evolução? Não acredito em evolução. Darwin é uma coisa, a outra é essa bagunça que está aí. Qual evolução você se refere?
— Internet, web, tecnologia de ponta, revolução digital, comunicação instantânea, Instagram, Wi Fi, Starlink, X
— X? Não é proibido? Legalismo antes de tudo. Não falo nada que esteja proibido, já basta o lance da expulsão. Acham que foi a minha querida Eva que me colocou numa fria, e mais de uma vez, mas a história real é outra. Ninguém fala, mas depois a gente se entendeu foi o Paraíso.
— Sobre o X, é que tem um Juiz que encanou com o Elon e tirou do ar, picuinha manja? Coisa pessoal entendeu?
— Aham!!
— Esqueça o X, Adão
— Não consigo esquecer o X, lá tem muita info de qualidade.
–E tem muita desinformação também.
— E daí? Viva e deixe viver. Meu, que hipocrisia. Vocês vivem falando em liberdade de expressão, é tudo só da boca para fora? Aqui é ou não democracia? Ora, cada um que escolha o que quer ler, selecionar, ignorar, não foi sempre assim? Mudar de regra a cada segundo, não sei não…
— Pois é Adão, está complicado.
— Só me responde isso: O Brasil vai indo bem?
— Hummm. Olha tem certeza de que você quer ir por aí? Lembra, o Brasil é aquele lugar complexo, onde até o passado é dúvida.
— Sei. Dá para perceber. Está rolando censura e ninguém tem coragem de falar, cadê aquele pessoal que combateu a ditadura? O pessoal do jornalismo investigativo? E o outro cara do poder executivo? Meu, o cara só fala pataquada. Como deixaram um cara desses pilotar o País depois de tudo? Quanto mais eu fico aqui menos eu entendo.
— Está bem, está bem. Vamos mudar de assunto? Mas e o resto Adão?
— Olha se eu fundei mesmo a tal de humanidade me diga onde estão os fundamentos filosóficos desse pessoal? Desci em Brasília e arrepiei. Depois dei uma voada por aí. O que é que a tal ONU está fazendo de decente? Seria lá que deveria rolar o diálogo, não?
— Sim, tentam fazer as partes conversarem
— Véio, aquilo é uma entidade fantasma. Eu li. Vi quem estava na comissão de direitos humanos. Valha-me Senhor!!
(TROVÃO AGUDO)
— Perdão Altíssimo, era só força de expressão!
(RELÂMPAGOS ESPARSOS)
–Mas Adão, aqui a mensagem tem que se otimismo e esperança.
— Como escreveu Kafka, há esperança, não para nós…
— Você está meio down hoje, o que houve?
— É que não dormi bem, muito foguetório lá Oriente Médio, e o seu pessoal colocando a culpa na vítima. 181 mísseis e 3 exércitos de inimigos da humanidade contra Israel e ninguém fala nada?
— Meu pessoal? Como assim, não sou responsável por toda a mídia.
— Esse negócio de consórcio pega mal, central mundial de imprensa. Fica feio filho, isso é fraude com a opinião pública.
— Ninguém mais liga para a opinião pública, o que conta são algoritmos.
— Ritmo? Batucada? Isso a gente gosta?
ADÃO ENSAIA UNS PASSOS DE SAMBA NA LINHA DE FRENTE
— Não senhor, algoritmo é um padrão criado, usamos Inteligência Artificial.
— Ah. Aquilo? A geringonça que criaram para acabar com a Inteligência natural?
— Não vai me dizer que você é militante anti-tecnologia?
— Detesto militantes, mas vi o estrago nos poetas que começaram a usar esse troço para fazer poemas. Desastre.
— Voltemos ao tema. Todos aqueles que você criticava acima também são teus descendentes!
— Fácil culpar os pais, não é mesmo? E eu? Que não posso culpar ninguém, quer dizer.
ADÃO OLHA FURTIVAMENTE PARA O ALTO, MAS É LOGO DISSSUADIDO DE PROSSEGUIR POR UMA TEMPESTADE DE GRANIZO EM MEIO A UM CÉU LIMPO
— Como eu ia dizendo, discutimos muito isso lá na nuvem 36, a do pessoal não alinhado. Se for isso vamos ter que fundar uma outra coisa, a quantidade de fanáticos só aumenta, que coisa, não captaram o essencial.
— Adão, fala aí, o que é essencial?
— Boa pergunta, acho que o essencial é que a humanidade que não caia na mesma armadilha.
— Qual armadilha Adão?
— Do populismo.
— Onde você enxerga populismo?
— Seria melhor você perguntar onde não enxergo. Os terroristas hoje são populistas. Hoje dá para ver que viraram POPs. Ver que eles têm apoio é o fim da picada. Aliás o que é BRICs? E aquela senhora ali ainda preside o banco? No puedo creer.
— Melhor não ir por aí Adão. Não recebo nada, mas pessoal pode me cancelar. Conforme-se. Está tudo dominado.
— Amigo, você só está aqui para contar sua história porque não me conformei. Tomei o risco e por isso ganhamos a oportunidade. Vai me dizer que está com medinho do tal árbitro? E a sociedade civil? E os contrapesos democráticos? O que encheram a gente lá em cima falando disso.
— Se você apenas soubesse…
— Bom, tá chegando a hora, hoje é ano novo.
— Para apenas uma religião não é mesmo?
— Até tu? Nada disso, aprenda! Não sou o primeiro homem biologicamente falando, fui sim o primeiro sujeito com consciência espiritual. E por isso mesmo hoje é o aniversário da humanidade. O ser humano com essa percepção foi modelado precisamente nesta data. Achei que você tinha estudado o tema antes de me chamar para a entrevista. Não se faz mais entrevistadores como antes…Céus!
(BARULHOS DE AGITAÇÃO CELESTE, TREMOR DO FIRMAMENTO)
— O tal barro? Você acredita mesmo nisso?
— Eu não preciso acreditar, eu sei. Mas não vem ao caso. Tem mais alguma pergunta, está batendo a fome e lá o horário do rango é meio rígido, nada muito gourmet mas dá para o gasto.
— Quais conselhos você daria para a humanidade, já que você é considerado o homem primordial?
— Já fui, antes de cair no conto do ofídio, era o Paraíso, agora estamos aqui. Tenho saudades do Jardim, mas não era tudo isso, lá também não acontecia muita coisa. Eva se entediava. Éramos infelizes e não sabíamos, hoje pelo menos sabemos por que somos ansiosos, temos saudades da perfeição, mas vocês não imaginam a oportunidade que vocês têm em viver no mundo da ação.
— Não etendi.
— Está escrito “mais vale um minuto neste mundo do que 1000 anos no mundo vindouro”. Sacou? O que aconselho? A que todos tenham uma vida com sentido.
— Como encontrar sentido?
— Não assistindo propaganda eleitoral já é ótimo começo.
— E o que mais?
— Não negocie com fanáticos e escolha um mundo que você conhece. E te explico por quê:
A doença é a ilusão, a realidade deste mundo é duríssima, mas é o que temos para mudar o mundo.
— Bom ano novo Adão!
— 5785 parece muito, mas sabe que ainda me sinto jovial? Quem sabe mexemos uns pauzinhos e tudo entra nos eixos? Pode ser Altíssimo?
Adão faz um gesto de clemência olhando fixamente para o firmamento.
(UMA ESTRANHA SUBSTÂNCIA COMEÇA A CAIR DO CÉU, LEMBRA O ALIMENTO CELESTE MANÁ, O ENTREVISTADOR FICA PERPLEXO E RESOLVE EXPERIMENTAR)
— Adão, que gosto espetacular, nunca provei nada igual, isso aqui é o tal do néctar celeste?
— Pode ir se acostumando, assim é e sempre será na terra que jorra leite e mel. Bom ano para você e que a paz desça sobre a humanidade assim como este Maná.

Fui.

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A lágrima que hidrata o deserto: as mulheres sequestradas tem algo a te dizer (Blog Estadão)

17 quinta-feira out 2024

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Paulo Rosenbaum    

A lágrima que hidrata o deserto: as mulheres sequestradas tem algo a te dizer

Vocês esqueceram que ainda existem sequestrados que são reféns na faixa? O que é isso? Amnésia seletiva? Não se preocupe. Nós estamos aqui como âncoras da tua memória parcial. E quanto às mulheres judias sequestradas pelos inimigos da humanidade? Sim, elas estão agora em Gaza há quase 200 dias pensando sabe em quem? Em você. Tudo que elas desejam é voltar para suas famílias, e sabem que esse é o único e incontornável caminho para algo parecido com shalom!

Não, não é cessar fogo, me refiro à Paz, um conceito cujo significado verdadeiro é desconhecido. Você já demonstrou várias vezes que não captou o significado, e tem sorte, porque hoje me descobri com uma paciência didática.

Sim, elas tem você em mente. Exatamente você que pede neutralidade e faz objeções ao direito de legítima defesa quando o inacreditável está acontecendo com elas bem na sua frente. Achas mesmo que você não tem qualquer obrigação moral com elas? Compromisso ético? Por que tua fé é outra? Por que tua ideologia pensa de outro modo? Ou, talvez, você tenha um outro sistema de orientação identitária? Acha que um País não tem a obrigação de tentar recuperar seus cidadãos de uma quadrilha assassina? De derrotar os facínoras que promoveram o segundo maior ataque terrorista da história contemporânea?

Sabe o que cada uma destas mulheres sente a seu respeito?

Na verdade, neste momento elas não podem pensar, estão ocupadas demais recolhendo os destroços nos quais seus corpos foram transformados. Não precisa acreditar em mim: apesar do atraso inédito a amostra está exposta de forma clara no recente relatório que a ONU produziu: a natureza dos crimes sexuais cometidos pelos terroristas jihadistas do Hamas.  Consultem antes de embarcar na reino das falsificações. Natureza que uns poucos jornalistas, acadêmicos e políticos tiveram a coragem de chamar pela nome correto, enquanto outros tiveram a ousadia de classificar como “resistência armada”.  Não se envergonham de dizer, escrever, e publicar asneiras? Mas e tu? Acreditas mesmo nisso? Ouvem os briefings dos porta-vozes do terror?  Por favor, consulte a campanha #nadajustifica e saberás a verdadeira dimensão dos ataques sexuais contra mulheres e meninas. E caso persistas em seu dilema moralmente bizarro, evocando os habituais “mas”e “poréns”, seu nome será grafado, agora e no futuro, em uma pedra fria qualquer para depois ser apagado para sempre junto com o grande painel dos covardes.

Mesmo acreditando que no subtexto de toda ideologia e alinhamento autoritário há uma cegueira, neste caso, diante de todas as provas que você insiste em ignorar, há algo muito mais nocivo. Não apenas porque sua cegueira mostra indícios de premeditação, mas, principalmente, pela seletividade com que você simula indignação. Você escolheu sacrificar qualquer valor moral, como por exemplo condenar estupros e assassinatos, para aderir a uma ideologia efêmera qualquer.

Pode levar um tempo, mas Isso não passará em vão. Sabes por que? Não sou eu que marcarei seu nome e dos seus cúmplices. Quem os anotará serão as vítimas, sobreviventes ou não. Elas, assim como os cadáveres desconhecidos amordaçados não erguem monumentos, não podem escrever, mas tem a história a seu favor. Sabem como erradicar o sorriso cínico da boca dos escarnecedores. Está soando dramático para ti? Pois tú, antissemita disfarçado de antissionista, nem imagina a surpresa que vamos preparar.

Sabemos todos que o acontece no Oriente Médio tem a marca de digitais estranhas, os dedos dos ayatollas, interesses não explicitados das outras potências com nostalgia de grandeza, manipulação da psicologia sobre massas ignorantes. Este conjunto de sinais enlouquecem os papiloscopistas, pois as pegadas dos mandantes estão por toda parte sem que se possa identifica-los.

Por um momento esqueça o grande cenário e concentre-se apenas no microcosmos.

A natureza brutal dos ataques contra mulheres não foi fortuita. Não foi porque sim. Ela tem uma raiz nao apenas misógina, mas está também crença jihadista de que o feminino serve exclusivamente a um propósito objetal. Para os mártires de coisa nenhuma, as mulheres são seres semi animados que devem servir exclusivamente aos propósitos concupiscentes dos machos: reprodução, prazer, submissão e seu complemento covarde, tortura.

Era o que o durante décadas o corpus do núcleo duro feminista denunciava. Porém, curiosamente, dessa vez, com bem menos vontade, empenho e velocidade. Como já dito antes, os movimentos feministas e as mulheres se calaram e sumiram. Entretanto, os adeptos do ritual sangrento adicionaram às motivações anteriores um novo ingrediente: a necrofilia. Exatamente isso. Talvez nem mesmo assim você tenha ficado impressionado. Aliás, me parece que você perdeu a capacidade de se sensibilizar com o vil. A origem de tudo que estamos vendo, o massacre do dia 07 de outubro, violar cadáveres e mutila-los fez parte central do cerimonial. Isso tem um significado, a ideia do ódio ao corpo feminino, e ao que ele representa. Difícil acreditar que todos os 1.800 necrófilos tivessem mães castradoras. É mais plausível acreditar que realmente acreditam num mundo de servidão feminina e reificação da tirania masculina. Mesmo assim, você aceitou marchar a favor do sadismo de violadores. Mesmo assim você é entusiasta dos documentários falsos que renegam as evidências do crime.

O jihadismo apresenta em seu programa um supremacismo fálico chauvinista que exige o rebaixamento das mulheres à condição de fragmentos descartáveis. De que outra forma explicar os relatos e comprovações de pedaços de seios cortados arremessados como brinquedos? Ou de facas furiosas dilacerando o aparelho genital de meninas e  bacias fraturadas por sevicias contumazes?

As mulheres que morreram em 07 de outubro – incluindo as jovens compatriotas brasileiras Carla Stelzer Mendes, Bruna Valeanu e Celeste Fischbein, além do garoto Ranani Glazer, que depois de uma nota fria do Itamaraty, foram simplesmente esquecidos e desprezados pelo atual governo brasileiro — perderam a voz. Para ti não parece vergonhoso? Mesmo assim as 19 reféns sequestradas, ainda vivas, e que estão em poder do exército terrorista tem algo a dizer para você. Elas compreendem que você duvida pelo que elas tem passado, o que elas não conseguem entender é como você ainda consegue se manter incólume? Como dorme sem ficar perplexo? Ou, será que você se diverte com as cenas, discretamente, quando sozinho, no quarto escuro?

Dizem que na tradição sânscrita a palavra “karma” é uma especie de inexorável necessário. Não sei se acredito, mas espero que aqueles que ainda defendem ou fornecem álibis às ações ignominiosas dos inimigos da humanidade possam gozar de pesadelos análogos.

As mulheres que seguem sequestradas e tem sido torturadas rogam, chorando, que da tragédia advenha uma terapêutica que possa hidratar tua sinistra indiferença. A umidade, elas argumentam, é uma terapêutica com potencial para fazer renascer em sua alma estéril um pingo de solidariedade.

Somente assim, com uma única gota de lágrima, o deserto sobreviverá com a paz possível.

E, desta vez, você não estará incluído.

Leia também:

https://www.estadao.com.br/brasil/conto-de-noticia/e-as-mulheres-se-calaram-e-sumiram/
https://www.estadao.com.br/brasil/conto-de-noticia/o-embuste-da-memoria-artificial/
https://www.estadao.com.br/brasil/conto-de-noticia/de-oswaldoaranha-para-presidencia-planalto-gov-mesonychoteuthis/

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O xamanismo involuntário da paternidade (Blog Estadão)

17 quinta-feira out 2024

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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O xamanismo involuntário da paternidade

Numa época de tantos equívocos sobre definição de papéis e gênero, para desespero dos sectários e doutrinadores, ainda persistem algumas atribuições específicas, constitutivas e fundamentais, que são atributos distintos para o pai.

Eis que me encontro num avião para visitar a família que emigrou, o detalhe é que justo hoje o avião desliza em direção a uma região conflagrada, a qual, ainda que torçamos pela paz justa, caminha neste exato momento para o risco de uma grande e imprevisível ampliação do conflito.

Depois de dois voos cancelados, uma companhia aérea aceitou voar para a região. Após uma jornada de escalas e trânsito de 28 horas o piloto francês finalmente deixa claro que depois de determinado momento os cintos deveriam estar afivelados: o momento era quando entrássemos no espaço aéreo de Israel.

Apesar de anunciar com uma hora de antecedência, procedimento padrão, pensei. Até que o locutor acrescentou, enigmático: “vocês sabem porquê”.

Pois bem, mesmo em circunstâncias habituais ser pai não é uma tarefa fácil. A pletora emocional pode ser realizadora, mas foi somente naquele momento que me dei conta que se trata de uma missão de entrega. Tive a premonição, mas foi somente quando aterrissei que soube que fiz a única escolha correta.

Sem dúvida, a experiencia de ter filhos eleva a percepção da alteridade. É preciso minimizar o culto do ego e descobrir que você agora compartilha com o mundo pessoas que durante muito tempo dependerão de seus cuidados.

Até que deixarão de precisar de proteção e serão, eles mesmos, protetores e protetoras para com os seus.

Pergunte para qualquer pai. Tudo isso é uma realidade experimental, muito verdadeira e nada fácil.

Com exceção do trabalho das mães, a vastidão de variáveis com as quais um pai depara dificilmente pode ser equiparada a outra função. Ainda que elas sejam inigualáveis na maioria dos quesitos (com menção honrosa para as mães italianas e judias) o Pai tem sido, historicamente, menos exigido. Isso tem mudado e os pais atuais são não apenas bem mais presentes.* Estão mais conscientes do que necessitam fazer para adensar suas experiências como pais. Isso inclui conhecer as próprias fraquezas e inabilidades quando precisam dar suporte aos filhos.

Mas o pai tem pelo menos uma incumbência que pode ser relativamente exclusiva, e, antecipando, não, não é o papel de provedor.

O pai pode não ter aptidão, vontade ou talento, mas o que ele precisa mesmo é se comportar como um radar.

O radar flutuante que mapeia o terreno num mundo instável. Não se trata apenas de tomar as decisões (as mães costumam se incumbir disso também). Trata-se de uma função para a qual, sem medo de mistificação, aproximar-se-ia de xamânica.

Em quais aspectos?

Ainda que o amor incondicional e instantâneo aos filhos seja este mistério comum ao pai e a mãe há, na perspectiva da paternidade uma outra novidade, seu papel transformador: afinal ele é o que permite com sua presença intrometida e disruptiva que a relação simbiótica passageira entre mãe e filho seja, enfim, interrompida.

No momento das inevitáveis emancipações é ele também quem costuma dar ao emancipado a sensação de confiança e apontar diretrizes para o futuro.

Como metaforicamente a psicologia considera, se a boa mãe é a mãe que, aos poucos, deixa de ser necessária, o bom pai é o pai imprescindível.

Especialmente durante essa delicada transição.

O pai flui, naturalmente, para apontar uma espécie de direção da vida, uma intuição menos sutil, predominantemente ligada às diretrizes de talento pessoal e transmissão das experiências empíricas, que não se limita apenas ao mundo prático.

O pai segue através da vida como conselheiro do percurso — arriscaria afirmar que com menos ênfase no campo das escolhas matrimoniais.

E, muitas vezes referente à busca de sentido, ajudando os filhos a encontrar um quando todos parecem raros ou esgotados.

Apesar de ser tomado como tal, o pai não é âncora. Uma metáfora mais adequada talvez seja a da boia. Se a mãe acolhe e cuida, o pai é quem faz tentar fazê-los flutuar. Se a mãe possui o olho clínico do diagnóstico é o pai que deve ser capaz de estabelecer a terapêutica.

O pai pode ser análogo às referências bibliográficas, aquelas que estabelecem o código de estudo, ou, se preferirem, o sistema de notação familiar.

A demanda é que ele seja um herói, e até na linguagem jurídica é mandatório que o pai seja responsável, tutor, muralha e rocha, mas também é inevitável que, às vezes, mostre-se frágil e melancólico.

Meu pai foi tudo isso, e, reafirmo por vivência pessoal, quando eles nos deixam, e somos finalmente coagidos a segurar a tocha, há uma dor que, a despeito de não queimar, machuca.

E é neste momento, para além do mero protocolo olímpico, que, como pai, você sabe que chegou a hora de levá-la, ela, a chama, adiante, até a geração seguinte.

Um ciclo autorreplicante. o qual temos a honra de fazê-lo perpétuo.

  • Rosenbaum, Silvia Fernanda R. “Permanência a Transformação, Paternidade na Revista Pais e Filhos” Dissertação de Mestrado, PUC–SP 1998.

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A Ideologia do Ressentimento (Blog Estadão)

17 quinta-feira out 2024

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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A Ideologia do Ressentimento

Estamos todos diante de uma grave confusão contemporânea. Encontra-se em curso uma crise de déficit de discernimento sobre os parâmetros que  definem as atribuições de Estado e as de um Governo.

Tomem como exemplo auto evidente o nosso País.

O que pensar de um Estado que apoia passivamente entidades reconhecidamente terroristas? Que faz explicita discriminação entre brasileiros — inclusive violando a Constituição Federal em seu artigo 19, a qual define “é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si”.

Neste caso, estamos nos referindo especialmente aos brasileiros e brasileiras assassinados pelos terroristas que promoveram o massacre de 1.200 vidas no dia 07/10/2023 em Israel. Ataque que desencadeou uma grave instabilidade no Oriente Médio. Instabilidade ainda em curso e com perspectivas sombrias e preocupantes.

E não para por ai, diante das muito bem fundamentadas suspeitas de fraude nas eleições onde o ditador venezuelano impôs-se mais uma vez como atuou e o que fizeram os representantes do Ministério das Relações Exteriores do País?

Silenciaram e consentiram a brutal repressão à oposição venezuelana, onde muitos estão sendo perseguidos, encarcerados, incluindo jornalistas e pessoas que apenas protestavam. Centenas já foram assassinadas ou desaparecem nos cárceres do robusto ditador bolivariano de Caracas.

Podemos até fingir que nada de errado está acontecendo. Podemos ignorar que a política externa de um Pais esteja sendo sequestrada para agradar ideologicamente um único partido — aliás, eis o grande sonho do centralismo partidário em curso — mas não podemos deixar de enxergar a tentação totalitária que paira sobre todos nós.

Há evidente dissonância entre o desejo da população brasileira e aquilo que emana do Palácio do Planalto.A palavra é mesmo “aquilo” pois o que está em construção nem pode mais ser chamado de estratégia racional.
Particularmente chocante foi o envio do atual vice presidente Geraldo Alckmin à cerimônia de posse do presidente (sic) do Irã — lembrando sempre que naquele vibrante e libertária democracia de inspiração teocrática quem escolhe quais candidatos concorrerão é um ayatollah, também chamado pela alcunha de “líder supremo”. Um exemplo típico de inspiração iluminista. O vice presidente esteve ladeado nada menos do que por pelo quatro lideres ou representantes de grupos considerados terroristas pelas entidades internacionais.
O que chama atenção nesta despreparada governança é a negação, ou relativização, pouco importa, de todos os valores republicanos, não só porque parece colocar a ideologia — mal avaliada por sinal — acima dos compromissos éticos do Estado.

Além disso parece impor aos cidadãos do País a visão monopsista de um partido sobre todas as instituições.

Justo nosso Brasil, que havia construido uma extensa, hábil e muito bem sucedida tradição através da habilidade do Barão do Rio Branco, posteriormente herdada pelo Itamarati. Tradição de altivez intelectual, independência diplomática associada a uma prudente equidistância dos blocos geopolíticos mais extremos e que fez do País uma espécie de oásis da moderação.

Não mais, há em muitos representantes do atual governo uma espécie de ideologia do ressentimento. E isso não é, nem de longe, o o que significa o Estado brasileiro.

Dai um alerta, estamos suficientemente  conscientes de que esta longa carreira de moderação e prudência encontra-se à deriva? Com qual finalidade sacrifica-se uma reputação deste porte?

Analistas que se debruçarem sobre quais seriam os pontos possíveis de interesses para o governo agir assim, não há nada que justifique a conduta. Respaldar as ações da Republica Islâmica do Irã denota uma postura de desafio, ao mesmo tempo infantil e contraproducente.

Tratar-se-ia talvez de validar a célebre frase de Bernard Henri-Levy de que as duas grandes religiões contemporâneas são o antissionismo e o antissemitismo?

Ou é algo bem mais perturbador?

Que tal uma súbita aversão a todos os valores ocidentais?

Pois a postura dos atuais representantes do executivo não deixa muitas margens para dúvidas: explicitam abertamente uma aliança com ditaduras e regimes arbitrários como Yemen, Siria, Irã — e até onde se sabe abunda misoginia, homofobia, intolerância e arbítrio, vicissitudes  que até ontem pelo menos não eram constitutivas de regimes mais à esquerda.

E, na mesma proporção, a orientação parece afastar-se cada vez mais das sócio-democracias, dos países com sólida tradição liberal e das democracias de centro onde a divisão dos poderes é inviolável.

Tudo isso está sendo arquitetado para construir um sindicato de governos autocráticos endossados por sufrágios? O problema é que a falta de transparência e a dissonância com os interesses da maioria da sociedade acarreta progressiva perda de legitimidade.

Com a palavra os demais poderes e as instituições que ainda respiram e que depois de quatro décadas de luta conseguiram restaurar a democracia no País. Presenciando tudo o que está acontecendo, me pergunto será que conseguimos?

Não desistiremos, um País nunca poderá ser reduzido a um partido.

Nem um Estado a um Governo

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Normalidade artificial (Blog Estadão)

17 quinta-feira out 2024

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Normalidade artificial

Nas recentes visitas à Israel sempre busco, quase involuntariamente, os sinais de um Pais traumatizado.

Observando as pessoas e suas reações o que emerge da realidade de campo é o que merece ser definido como normalidade artificial.

O que a caracteriza é uma mistura de um pragmatismo estoico com resignação impetuosa.

Nos ônibus, no comércio, nas ruas e parques a vida segue como se tudo estivesse estável. Como se a existência não estivesse em risco com ataques diários em pelo menos três fronts de sete países diferentes, todos subsidiados pelos fieis súditos da tiranocracia dos Ayatollah’s.

E me pergunto se já houve, no curso histórico, algum estado análogo ao “estável” ou apenas vivemos em um mundo de simulacros?

Seria preciso uma extensa alienação programática para conseguir viver com tanta pressão sem acusar o golpe.

Aqui, pondero, o golpe não é acusado, parece precisamente o oposto, quanto mais o País é atacado e vilipendiado, mais sólida, determinada e desafiadora é a resposta da nação.

As campanhas difamatórias contra este Pais e a evidente, inacreditável e abjeta objeção ao direito de defesa não são exatamente inéditas.

E elas estão nos noticiários, na agenda das mídias parciais e na ótica da ideologia instrumental dos bem pensantes. Organismos que não tem coragem para assumir seus vieses, nem tampouco o racismo latente que os guia nas supostas análises faladas com calma, ou grandiloquentemente, nos jornais diretamente de New York, Londres, Rio e São Paulo, ou nas redações de grandes jornais.

Há poucos dias uma exposição organizada pelas ONU apresentou um painel com as vitimas do terrorismo pelo mundo. Mas havia uma exceção: nenhuma menção às vitimas massacradas e raptadas pelos terroristas do Hamas no dia 07/10, nenhuma referência aos 251 raptados (suspeita-se agora que pouco mais de 70 ainda estejam vivos).

Ao que se deveria essa omissão?

Se está lacuna não nos embrulhar o estômago, caberia arriscar a hipótese de que talvez haja algum grau de empatia pelos inimigos da humanidade?

Só não é mais chocante porque existem registros e precedentes históricos, como, por exemplo, a complacência da imprensa e das instituições mundiais durante outros massacres, particularmente na vigência da indústria de assassinatos: o holocausto no inicio da ascensão do IIIo Reich.

Enquanto isso, não bastasse a abundância de condenações apriorísticas contra Israel, somam-se acusações infundadas — outrora conhecida como calúnia —  de apartheid. e as velhas alegações revisionistas de que a posse da terra seria ilegítima. Isso a despeito de provas científicas, documentais e arqueológicas da presença judaica continua na região remontar há mais de 3.200 anos. Mas, esqueçam, não é mais possível evocar provas contra o poder fantasmagórico das narrativas que passaram a usurpar a realidade.

Quando nos debruçamos sobre a realidade de campo a contradição que se observa quanto às acusações de discriminação é tão gritante porque a diversidade e o convívio da sociedade israelense é uma dessas auto evidencias impossíveis de ser subestimadas:

Judeus, drusos, muçulmanos, bahais, sufis, árabes, brancos, negros, hindus, chineses, russos, latinos, religiosos e laicos, dividem ônibus, lojas, escolas praças e parques.

Ninguém pode afirmar que todos se amam (há pouco tempo comemorou-se Tu B”Av, algo como “o dia do amor”), mas digam-me lá onde é que se espera que alguém ainda tenha essa expectativa em qualquer rincão deste planeta?
.
Se houvesse um mínimo de honestidade intelectual a descrição mais fidedigna seria estampar na festeira das publicações “um Pais com uma notável convivência inter-religiosa, étnica e racial ainda que com tolerância reservada”.

Significa um respeito tácito ás diferenças irreconciliáveis. Isso sim traduziria a percepção adequada do que se observa por aqui, ainda que ainda seja muito reducionista. Seria necessário um ensaio cinematográfico para registrar um fragmento da complexidade desta região.

Mas, é evidente, tudo isso não pode aparecer pois o único estado hebreu precisa ser indiciado como vilão, independentemente dos fatos, urge que seja condenado à revelia, sem julgamento ou por tribunais que não podem confessar seus conflitos de interesse.

Os motivos, os argumentos, as explicações para todo este apriorismo, são apenas detalhes insignificantes.

Como os stalinistas e tiranos de todos os naipes políticos gostavam de repetir deem-nos os culpados que arrumaremos um bom processo.

Isso não significa que erros — logísticos, estratégicos, de percepção, especialmente aqueles relacionados às Relações Publicas como muito bem observou um publicitário amigo — não tenham sido cometidos, ainda que não possam ser atribuídos exclusivamente ao atual governo de Israel, mas a um conjunto plural e histórico de decisões.

Um impulso judeocida rege a intrigante irracionalidade que parece ter contaminado parte do Ocidente. Irracionalidade que ora se disfarça de objeções ao sionismo sem sequer compreende-lo.

Ou forçando uma distorção completamente emancipada do verdadeiro sentido original do termo, a saber, o estabelecimento dos judeus em seu lar e território ancestral.

Ora, o álibi para se adotar tal racismo, ideologicamente racionalizado, pode ser a chave para compreender o o fenômeno que “conquistou” e colonizou — não sem bons subsídios de países hostis aos judeus — parcela dos jovens nos EUA e que abraçaram a causa, multidões que marcharam fazendo apologia aos estupros e decapitações praticados pelos inimigos da civilização.

Este fenômeno merece uma analise específica, já que não estará dissociada da bizarra covardia e jogo duplo de Repúblicas que se esforçaram para culpabilizar as vítimas enquanto poupavam os agressores. Ali, assim como em boa parte da imprensa, todos os discursos foram forjados dentro dos campi das principais instituições universitárias que deram guarida para organizações ora financiadas por regimes ditatoriais, ora por partidos ou grandes companhias de tecnologia. Uma delas estimulava abertamente o boicote à entrada de judeus em suas salas de aula.

Reitoras e altos funcionários foram demitidas ou pediram demissão, mas nada estrutural mudou. O antissemitismo cresce, junto com a ignorância e a desinformação.

Isso não é apenas “uma vergonha” como frisava Boris Casoy, é bem mais do que isso.

Talvez não haja terapêutica disponível, mas se houver ela passará, necessariamente, por uma reformulação das academias e dos sistemas de ensino.

Ou, cumpra-se o diagnóstico de uma das pichações nos muros de Paris em maio de 1968: a história ensina, pena que não haja mais alunos.

Leia também:

https://www.estadao.com.br/brasil/conto-de-noticia/o-livro-dos-porques-sem-respostas/
https://www.estadao.com.br/brasil/conto-de-noticia/algumas-respostas-ao-livro-dos-porques-sem-resposta-2/

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Cronologia de um pressentimento (Blog Estadão)

17 quinta-feira out 2024

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Cronologia de um pressentimento

Quando a mãe de  Hersch Goldberg-Polin,  americano-israelense  de 24 sequestrado pelos inimigos da humanidade usou o megafone para gritar da fronteira de Gaza com o pressentimento de que o filho escutasse sua voz, ela tinha esperança.

Esperança de que ao ouvir seu chamado seu filho recuperasse o animo para ter sua vida de volta. Mas muito provavelmente era muito próximo da hora que o jovem de Berkeley estava sendo assassinado a sangue frio pelos idólatras da perfídia. Prefiro esse termo ao que vem sendo usado para designar os fanáticos que assassinam com entusiasmo.

Pois se há violência indiscriminada regada a dinheiro de teocracias corruptas estamos um passo adiante de uma psicopatologia do indivíduo. Presenciamos uma grande e consentida psicose política que contaminou pessoas, instituições e governos.

Quando sua mãe Rachel finalizou seu discurso na fronteira da faixa ela mencionou “Que você esteja na presença da luz de Dus”.

Ela pressentiu, ele já estava.

Para além da dor e do inimaginável sofrimento dos pais e que nestes dias estendeu-se para todo o País, há, nas tragédias, uma lição inconteste, conhecer o preço do sacrifício. Mas pelo que mesmo estas pessoas que apenas divertiam-se em um festival de Música estavam se sacrificando? E quanto aos outros reféns?

O grave conflito tri fronteiriço que atualmente ocorre no Oriente médio não é exclusividade desta região, e as nações que poderiam fazer a arbitragem e forçar uma paz que garantisse de vez a segurança de Israel, simplesmente não estão completamente convencidas de que o fim da guerra seja uma solução.

A verdade do jogo ambíguo permanecerá inconfessa, talvez até as eleições americanas, quem sabe até os acordos para por fim a guerra na Ucrânia, ou até que Taiwan esteja completamente cercada.

A atmosfera nesta região assemelha-se a um triunfo vazio, aquele que não trouxe nem trará sabor de vitória. Isso, mesmo todos tendo consciência de que os inimigos da humanidade precisam ir.  Não há nenhum regozijo em saber que eles, os que eliminam bebes pelo gozo, precisam desaparecer para permitir que continuemos vivos. Ou seja, mesmo todo e qualquer êxito será um fracasso provisório. Levaremos anos para poder levantar-se do trauma e descobrir o tamanho e a profundidade das chagas remanescentes.

Vai acontecer, uma hora deve vingar.

Mas em quanto tempo?

A dor dos que perdem pessoas em circunstâncias que deveriam ser evitáveis é muito mais áspera e humilhante. Destarte havia no sorriso de Hersh alguma bondade calma, que parecia fluir espontaneamente.

É verdade que costumamos enaltecer os mortos e que recai sobre eles uma indulgencia especial depois que seus corpos descem à terra. Mas, neste caso, eu já havia detectado precocemente que ele parecia ser alguém com uma alegria intrínseca, mesmo admitindo que a dor é uma fonte fértil para idealizações. De qualquer modo chamava minha atenção: ele irradiava um tipo de doçura inata.

Neste sentido, o uso espúrio da guerra de ódio e a campanha movida contra Israel e contra os judeus – porque o álibi do anti-sionismo tornou-se simplesmente insuficiente e já não pode mais ser sustentado isoladamente – o racismo mergulhou em uma nova fase. Judeus sendo perseguidos nas ruas de Manhatan, proibidos de entrar em salas de aula, hostilizados por apologistas de violência sexual, eram todos elementos que pareceriam há um ano atrás obras de ficção inverossímeis. Mas tem acontecido sob a cumplicidade silenciosa de muitos. O mundo assiste o conflito arrastar-se de forma inerte. Os que deveriam agir encontram-se estrategicamente ineptos. Faltam lideranças que tenham sincero apreço pelo altruísmo – e não fariam mais nada do que suas obrigações – caso se interessassem pela dosimetria da justiça.

Talvez Hersh tivesse um apreço desmedido pela vida. Possivelmente até mesmo ilógico, e por isso vivesse rindo. Talvez estivesse ciente que seu tempo seria abreviado ou simplesmente apenas estivesse se preparando e postergou sua partida para ouvir o canto da sua mãe em despedida.

O luto também precisa de certa estética, um anteparo romântico, exige algum fragmento de poesia frente às guerras. Trata-se de uma questão de sobrevivência, negar a morte é a constante mais estável da existência.

O contraponto ao materialismo e imediatismo não é uma revolução que recrie mais violência. A oposição à perversidade não pode ser replicá-la em dobro. Talvez nunca haja paz por aqui, a paz que Hersh acabou de conhecer à revelia. Como sua mãe sussurrou perto do seu corpo, “vai em paz, suba até onde você deve subir” e “nos ajude a sobreviver”. Teu sorriso será tua escada rumo aos grandes degraus, e tua convicção pela vida a carruagem da ascensão até o mundo da verdade.

Na tradição judaica, ao saber de algum falecimento, costuma-se exclamar a frase “Baruch Dayan HaEmet”, cuja tradução aproximar-se-ia de algo como “O Senhor é o Juiz da Verdade”.

Também acho.

Mas, neste caso, e em todos os casos daqueles que tiveram a vida precoce e gratuitamente ceifada, roubada pela malignidade e pela futilidade, poderíamos alternativamente recitar:

“Apenas não permita que seja em vão”.

Sou contra implorar, mas suplico: não permita.

—————————

leia também

https://www.estadao.com.br/brasil/conto-de-noticia/normalidade-artificial/

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*O Brasil merece uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU? Talvez, jamais durante a atual administração! * (Blog Estadão)

17 quinta-feira out 2024

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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*O Brasil merece uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU? Talvez, jamais durante a atual administração! *

Andávamos discutindo sobre direitos e deveres. Aí fomos surpreendidos com uma entrevista tua. Foi naquela mesma tarde, eu te vi andando, comemorando e comentando com teus amigos e correligionários que “pegar em armas” tem seu lado justo e todos aqueles bordões fora de contexto. De novo essa história Zé? Não aprendeu nada com a experiência? Que o terrorismo atrasou vinte anos a redemocratização do País? Você sempre abusou da palavra “revolucionário” como se fosse uma contrassenha para todo de ilicitude justificacionista. Talvez ainda ninguém teve a coragem de te dar um toque, mas é que não está mais colando.

Você agora se referia aos recentes acontecimentos no Oriente Médio. Cara, aquilo que eles fizeram em Israel não apresenta nada dos fundamentos de revolução alguma. Se você achou que tinha uma biografia, acaba de perdê-la. O que os “bravos guerreiros da resistência” fizeram foi pura perversidade com intenções genocidárias contra os judeus.

Na penumbra, naquele teu esconderijo onde tramas à noite, você sabe do que falo. Não ouvimos da tua boca nenhuma menção às mais do que comprovadas evidências de tortura, sevicias sistemáticas contra mulheres e meninas, decapitação e cozimento de bebês em fornos. Uma palavrinha sobre os civis sequestrados? Como eu suspeitava, nadinha, pois não. Então pergunto: é isso que significa teu conceito de pegar em armas?

Introduzi este pequeno histórico já que a administração que você defende agora veio com a história de reevocar uma vaga no Conselho de Segurança da ONU.

Então, à guisa de recapitulação histórica, vamos esclarecer algumas coisas.

Você deve ter ciência do grande capital simbólico do Brasil nas Relações Internacionais. Ele foi construído durante décadas. E o papel das diversas administrações, dos mais variados partidos políticos e tendências ideológicas desde a redemocratização tinham entendido que a projeção do País dependia, de alguma forma, conseguir capitanear este modo suave e cordato, aspecto muito particular de ser do povo brasileiro.

Foi assim que o Itamaraty pode ter uma trajetória exitosa em política externa, e isso ocorreu mesmo quando havia governos autoritários no Poder. Trajetória de natureza bem-quista naturalmente moderada e instintivamente moderadora. Tradição que não chegou de maneira fortuita, e foi muitas vezes reconhecida até por lados que estavam em flagrante conflito. Ela moldou a densidade de eficientes gerações de diplomatas, culminando com chanceleres reconhecidos internacionalmente. Nomes como Oswaldo Aranha e Celso Lafer são permanentemente evocados pelo mundo da Diplomacia e entre os que atuam na arte das conversações.

Destarte, todo esse capital corre o risco de ser extraviado pela atual administração. A política externa brasileira não apenas ficou refém de uma visão monopsista, parcial e sectária, incompatível portanto com a tradição acima referida, como fez aproximações exóticas e bizarras.

A hesitação demonstrada em condenar os ataques imotivados contra civis israelenses em 07 de outubro, se alia a uma pusilanimidade difícil de ser compreendida. Some-se a isso, a imperdoável falta de empatia, incorrendo inclusive em transgressão constitucional em não tratar os brasileiros vítimas do terror massacrados de forma isonômica naquela data.

A recusa em reconhecer entidades extremistas que praticam atos contra a humanidade como entidades terroristas é mais uma das faltas gravíssimas deste governo. Não apenas fechar os olhos para os conhecidos exércitos terroristas subsidiados pelo regime islâmico de Teerã, que lutam não apenas contra um País, mas contra todos os valores iluministas, contra a maioria dos consensos civilizados como liberdade e princípios da não malignidade. Dar guarida a um regime obscurantista, misógino, totalitário, enfim contra tudo que se entende como pertencente à cultura, aos valores decentes e humanos, expõe de forma auto evidente no que se transformou a nossa política externa.

O governo atual, com a infeliz contribuição de pitacos malignos do Assessor-Chefe da Assessoria Especial do Presidente da República do Brasil (sic) vem mostrando um alinhamento acrítico perturbador com países e nações que violam drasticamente não apenas os preceitos mínimos da democracia liberal (Cuba e Venezuela, Turquia) como perfilaram-se ao que há de mais atrasado em matéria de direitos humanos, conquistas das minorias, proteção e garantias às mulheres. (Irã, China, Rússia).

E para que?

Quais as vantagens destas interações para o Brasil e para a população brasileira?

O Objetivo seria fazer frente aos consensos construídos com os pactos do ocidente?

Tecer uma arquitetura geopolítica que provoque Washington?

Mas, atenção, nem mesmo os condescendentes europeus estão satisfeitos com a conduta.

Então teríamos uma estratégia ao mesmo tempo anti norte-americana e anti-europeia? Se for isso, congratulações, parecem estar sendo bem-sucedidos em direção à catástrofe diplomática.

Alguém avisou a população brasileira, ou ela só pode opinar a cada 4 anos sem conhecimento de qual é a cartilha de governo que se seguirá após o pleito?

Pelo histórico pregresso, o Brasil poderia até merecer uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU, mas não durante a atual  administração.  Perdeu o bonde e o mérito. Equívocos acontecem, mas pautar uma agenda atrasada e trocar uma tradição outrora respeitada de diplomacia internacional por um alinhamento efêmero com regimes que vão decerto seguir e aprofundar suas aspirações totalitárias, assim como a ruptura e dissonância com a vontade popular, torna a aspiração cada vez distante e mesmo indesejável

Some-se a isso a burocracia baseada em deméritos instituída e costurada pelo secretário-geral daquela instituição — que de “unidas” só sobrou interesses pecuniários sob o manto das estratégias duvidosas e ineptas para apaziguar o mundo – e teremos uma instituição inchada, obesa, repleta de vícios e sob a suspeita de corrupção institucionalizada.  Sabemos que o tipo de paz que vêm sendo construída e ela parece esta reservada apenas para seu imenso e desproporcional corpo administrativo de países cúmplices.

A ideia de ciclos é benévola por isso. Sabemos que o valor do Brasil está para bem além do que aspirações mesquinhas pessoais e partidárias. Está caracterizado portanto um desvio de função da atual administração com sua grotesca plataforma nas relações exteriores, onde alinhamentos ideológicos anacrônicos substituíram a racionalidade e o equilíbrio em detrimento do País e dos interesses da sociedade brasileira.

Pois estes dias de parcialidade e impunidade cedo ou tarde terminarão e darão lugar a uma outra era, com pessoas realmente interessadas em defender os interesses da população.

Com a palavra o sempre lúcido e ex-Ministro da Cultura, Roberto Freire, quando comentou o importante Editorial deste Estadão “Lula alinha o Brasil ao Irã”:

“Até onde vai o desvio promovido por Lula na política externa do nosso país. Subalternidade a um eixo de autocracias e ditaduras liderado pela China, Rússia e Irã. Vale tudo até mesmo teocracias misóginas, obscurantistas e financiadoras de terrorismo a nível mundial.”

As bravatas ideológicas passam, a natureza única do povo brasileiro que deseja uma genuína paz entre os povos e recusa qualquer forma de terrorismo será novamente prevalente em nossa diplomacia.

A paciência pode ser um vício ou uma virtude. Neste caso, não temos pressa, o poder, quando autofágico, costuma se esgotar antes do previsto. O processo já foi deflagrado.

*Paulo Rosenbaum, Paulo Rosenthal & Conselho do Grupo Internacional “Judaísmo sem Partido”

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O Circuito, ou, quem tem medo do ódio? (Publicado no Jornal “O Dia” e na minha coluna do Portal Ig)

17 quinta-feira out 2024

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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O Circuito, ou, quem tem medo do ódio?

“A tolerância é um crime quando aplicada ao mal”

Thomas Mann

Recentemente pesquisadores fizeram um esboço da fisiologia do sentimento de ódio que apresentou padrões distintos de outros sentimentos como medo, ameaça e perigo. Nomearam-no como “circuito do ódio”, um sentimento que invade o sistema límbico, particularmente verificáveis nas estruturas do córtex e no subcortex, particularmente no putamen e na insula, antes que o sujeito possa ter qualquer controle sobre as próprias ações e palavras. A percepção estimula uma reatividade que tenta prever as ações alheias antecipando um eventual confronto.

O ex-premiê britânico do UK, Gordon Brown, concedeu uma entrevista na qual abordou os efeitos indesejáveis da globalização. Apenas esqueceu de um tópico que entretanto talvez seja o principal.  

Estamos falando do ódio globalizado. A palavra grega échthra, cujo significado é ódio, ainda permanece sub explorada. Em uma acepção analógica ela possui um sentido muito mais sofisticado do que detestar. Significa também creditur de ódio, vale dizer, aqueles que são crédulos no rancor.

Parece estranho, mas assim como há os que cultuam a trascendência do amor e a afetividade,  há aqueles que estão no outro espectro: vibram, tem fé e apostam coletivamente na violência e na destruição do outro como leitmotiv. Trata-se, portanto, de uma seita escatológica.

Sua credulidade pode aparecer através de haters ocultos atrás de máscaras, capuz, turbantes, e digitalmente sob Ips ocultos. A despeito dessa grande variedade de racismos e racistas, todos seguem o mesmo ritual: estão mobilizados por um impulso irracional, um instinto de ressentimento irrestrito. E, desafortundamente, a internet com a sua exigência de performance imediata e respostas semi automáticas protegidas pelo anonimato virtual trabalha a favor da credulidade no rancor.

A prova disso são os coros cujas vozes individuais desconhecem quase tudo o que propagam. Onde ninguém sabe explicar bem o que é que se defende durante uma marcha e nem porque atacam a quem atacam.

Nas entrevistas dos grupos que exalaram seu apoio aos grupos terroristas e ressuscitaram os libelos do arquiterrorista que organizou o 11 de setembro verificou-se um elo comum: ambos exaltam, do alto de sua ignorância histórica e geográfica, um ódio subjetivo e genérico dirigido contra o establishment.

Ninguém pode achar que o establishment é uma espécie de paraíso inspirado na bondade e em valores altruístas, mas entre os operadores do ressentimento não há espaço para análise. O que prevalece é uma estupidez cósmica. Na legião acritica encontram-se adoradores de influencers, jornalistas e docentes que professam o radicalismo como pauta, muitos deles financiados por jihadistas de Estado dentro e fora dos ambientes universitários.

Parece paradoxal que um Estado financie grupos que promovem e oferecem apoio ações indiscriminadas contra as pessoas? Pois é mesmo paradoxal, já que não há garantia alguma de que um dia toda esse sublevação financiada não se volte contra o patrocinador.

Inspirados ora na aversão ao ocidente, ora numa tirania populista, a sociedade que os adeptos da radicalização desejam só pode ser a que eles mesmos ditam. Por isso, em todas as eras o fanatismo tem sido um fator de instabilidade geopolitico, especialmente quando bem manipulada por regimes poderosos.

É preciso compreender com clareza: não se trata de uma luta a favor de uma causa, mas de uma insana bagagem de ressentimento, complexo de inferioridade, desejo de poder e dogmatismo político. E ele vem de todos os espectros políticos, afinal o ódio precisa ser racionalizado. O medo vem depois, e é sempre reativo.

No caso atual da resposta que Israel tem dado aos massacres organizado pelo exército terrorista do Hamas, uma cadeia de distorções invadiu a linguagem. Falam de “revide”, “retaliação” e outros refrões inadequados para descrever a ação de Israel saindo das cordas. Mas se consideramos as circunstâncias trata-se de defesa e prevenção. Qual país não faria o mesmo quando atacado por proxys em 3 fronts, financiados por Repúblicas não democráticas e sem nenhum controle social? 

A perversão da linguagem vem inchando o alfabeto com slogans, durante meses calunia-se livremente o estado hebreu com uma intenção genocidária que nunca existiu. O refrão durou até exitosamente grudar na fala coletiva. A tática é manjada, acuse-os de seu principal leitmotiv, até que as massas comprem a ideia no mercado central de valores corrompidos.

A inadmissível verdade é que, na raiz, são todos movimentos contra os judeus, chamemo-los de antijudaicos ou judeofóbicos, uma vez que a palavra antissemita vem se mostrando insuficiente para traduzir a especificidade do ódio. O ódio foi finalmente globalizado pela mass media, e sem os contrapesos adequados que deveriam proteger as garantias individuais.

A fisiologia do ódio é necessariamente ao mesmo tempo simplista e reducionista: é preciso impedir o bem-estar. Para os crédulos no ódio é necessário eliminar a paz através de todos os meios disponíveis para que as guerras pessoais prevaleçam contra a construção de uma sociedade realmente fraterna ou menos bélica. Obviamente essas prerrogativas nada tem de progressistas. Quem é contra os acordos de Abrão? Contra as inúmeras iniciativas — pelo menos cinco — todas recusadas pelos representantes da Autoridade Palestina? Quais das manadas que tem desfilado pelo mundo declararam ser a favor de soluções negociadas? Aqueles que expressam sua linguagem hostil nada apresentam de solidariedade a povo algum.

Todos sabemos muito bem quem são os antagonistas contumazes dos planos de paz. Eis o cúmulo da atitude paradoxal: jihadistas e seu conservadorismo primitivo, o ideário neonazista e a extrema esquerda estão todos juntos comungando dos mesmos propósitos e métodos.

A anacrônica aversão ideológica aos EUA é o que provisoriamente os une. Isso até pode até ter alguma durabilidade, mas só até que o reino das contradições torne-se insustentável. O que sabemos é que, historicamente os malignos consensos antijudaicos costumam terminar em banquetes autofágicos.

A internet e a darkweb deram consideráveis contribuições para a chamada vetorialização do ódio e sob a premissa da liberdade de expressão as plataformas não inibem posts que caluniam, difamam, pregam eliminacão de pessoas, destruição de estados etc.

Os governantes também não estão sendo muito prestativos quando é o caso de ser exemplos contra os discursos de ódio. Tampouco as instituições estão aparelhadas à altura para conter as sucessivas ondas de bulliyngs e conclamações violentas.

“Free speech not free Spit” ou “Liberdade de expressão, não de saliva” deveria ser um dos slogans de campanhas para coibir a pandemia.

Resta saber, o que faremos a respeito? A inércia e a neutralidade não são mais opções. Ou são, e neste caso, teremos que assumir as consequências dessa decisão. É perigoso  insistir na mesma técnica que tem falhado para conter o discurso de ódio. Censura, fact-check, cartazes pedindo para interromper tampouco parecem ter mostrado eficácia.

Deveríamos admitir que talvez ainda não haja uma terapeutica politico-tecnológica eficiente e capaz de prevenir novas tragédias, uma vez que a incitação violenta necessariamente estimulará algum desastre.

Mesmo que o conceito de verdade tenha sido posto em cheque, isso não signifique que ele inexista. Poderíamos começar valorizando a informação de qualidade e expondo a desinformação. Pelo menos eria um sinal de que detectamos o perigo e estamos agindo.

Enfim, o objetivo final da seita do ódio unificado é nos tornar parte dela, ainda que à nossa revelia. Desejam que odiemos com perfeição, que o rancor e o ressentimento sejam impecáveis, que possamos abominar tudo e todos de uma forma tão vil e implacável quanto a que eles pregam. Em síntese, desejam nos eletrocutar expandindo o cícuito.

Basta recusar aceitar o jogo idólatra e adotar o conceito de John Locke “não devem ser tolerados aqueles que adotam doutrinas incompatíveis com as regras da Sociedade Civil”.

Em uma ocasião perguntaram para o prêmio nobel da paz Elie Wiesel o que ele aprendeu depois de passar pelo experiência do holocausto.

Wiesel respondeu:

“—Lute contra o mal imediatamente. Não espere, não tente se convencer de que vai ficar melhor”. [1]

O que estamos esperando?


[1] Kurzweill, A. On the road with rabbi Steinsaltz. Bem Yehuda Pressa, New Jersey, 2021, pág. 58

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Algumas respostas ao livro dos porquês sem resposta (Blog Estadão)

17 quinta-feira out 2024

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Algumas respostas ao livro dos porquês sem resposta

( e alguns testes de hipótese que nunca foram postas à prova)

1 – Por que um povo com uma robusta tradição argumentativa filosófica-ético-política  não vem ganhando o debate, também apelidado de “guerra  das narrativas”? O termo é equivocadissimo pois foi pervertido: pressupõe que “narrativa” represente uma ideologia instrumental volátil da linguagem e não um empenho em expor a lógica histórica dos acontecimentos.

2- E quanto ao caso da legitima defesa de um Pais atacado?  Qualquer um. O que será que significa exatamente quando um País sofre julgamentos de uma forma distinta, peculiar e diferente de qualquer outra nação da Terra? Constata-se que isso vem ocorrendo nas mídias, na ONU, nas academias, nas instituições, em tribunais penais e cortes que ao julgar, foram dispensadas do honroso dever de  declarar conflito de interesse.

Pois urge encontrar um significado quando as acusações são apresentadas sob padrão ético duplo. Chame-se ou não isto de ubiquidade moral. No minimo, estamos diante de um problema  epistemológico relacionado ao conceito de justiça. Poderíamos então nos perguntar: o que, num conflito pode ser definido como justo?

Em toda história da formação da moralidade ocidental especialmente, os códigos de  ética advindos do Pentateuco, dos iluministas e da tradição filosófica humanista decerto não estava escrito que algum Estado soberano devesse permitir que os idólatras da violência e seus representantes legais (sic) ajam com liberdade. Ou seja, deixar em paz aqueles que prometeram e juraram novos massacres — se reorganizem até conseguir novos equipamentos, trenamento e estratégia para impor um peculiar padrão de barbárie justificacionista? 

Dever-se-ia poupa-los porque eles não apenas usam a própria população como escudo, mas porque afirmam abertamente que não estão interessados em desenvolvimento material, psicológico ou cultural do território que ocupam? Reparem bem no que afirmam. Desejam fazer valer uma modalidade de supremacismo religioso, tanto  fanático como  violento. 

Até pouco tempo havia um consenso que nem precisava ser explicitado: ninguém razoavelmente informado aceitaria que se gritasse pelas ruas lemas e slogans como aqueles que preveem a eliminação de uma população inteira. Seria inaceitável que as ameaças mundiais aos habitantes de uma etnia, com evidente explicitação  de intenções genocidárias como vem fazendo multidões que pregam a destruição do Estado hebreu.

E, invertendo a lógica, e principalmente, os fatos, acusam o lado originalmente atacado com falsos testemunhos, indícios inexistentes e alegações que deixariam perplexos os protagonistas dos diálogos contidos no teatro do absurdo. Mas, e ai está o mistério. Ainda assim logram persuadir muita gente. E, num périplo de distorção das evidências, convencem e persuadem os jurados informais e as sociedades — o que nem mesmo um bom criminalista conseguiria — de que a vitima deve ser responsabilizada e pagar por crimes. Não os jamais perpretados, mas os sofridos. E sem direito ao contraditório. Bem ao gosto do caráter fanático. Trata-se, portanto, de uma abolição à revelia de toda lógica dialética. É a mesma turma que, para horror do conceito de Einstein, vem declarando seu desprezo por todas as formas de relativismo.     

4- Talvez seja porque — por motivos pecuniário-ideológicos há uma causa subsidiada por Paises conhecidamente proficientes no ramo do oligopólio e comércio de combustíveis fosseis.

Nota-se que o senso histórico e a lucidez perderam espaço nos lugares de fala. Foram deslocados das posições universitárias, e portanto do mundo intelectual como antes o conhecíamos. Ou talvez, pela ausência de autocrítica chegaram a considerar que passado o efeito imunizante da vacina do holocausto (como certa vez sugeriu o escritor Amos  Oz) escapariam de um inevitável efeito rebote: o ressurgimento de um atavismo antissemita milenar que, de forma enganosa, foi apenas temporariamente suprimido. Mas está longe de desaparecer.  Permanece ocupando aquela região que Hannah Arendt já chamou de circuitos subterrâneos.

Tal inibição do ressentimento antijudaico portanto, nada tinha a ver com respeito, empatia ou solidariedade, mas encontrava-se calada por constrangimento. Amordaçada por uma vergonha tácita. Ocultada pelo medo de assumir as evidencias que sustentavam o nazismo estrutural, e que se repetiu de várias formas e em várias modalidades, século após século.

Os álibis estão todos lá, repetidos pelos revisionistas da vez.

5- Quando confrontados pelas evidencias históricas,  provas arqueológicas e culturais que não sustentam suas teses de ofício são acometidos pelo negacionismo salvador da insuficiência intelectual baseada em ideologia. Não que alguém ainda tenha interesse nos dados estatísticos. Assim foi quando quase 800 mil judeus foram mortos e expulsos destes países E assim foi quando as organizações construíram o plano da guerra de retorno unilateral fundando “campos de refugiados eternos”, pois um dia, essa era a promessa da UNRWA,  voltariam e expulsariam os legítimos donos dos territórios.   Assim foi quando os países árabes tentaram destruir Israel em 1948, 1967 e 1973. Assim foi quando os lideres palestinos negaram ofertas bem razoáveis de paz em cinco ocasiões distintas. Assim foi quando Israel saiu do sul do Libanos confiando em tratados que não foram respeitados. Assim foi quando Gaza foi entregue para o Fatah em 2005 e derrubado por um golpe de Estado. Os governos de Israel podem ter errado, mas na proporção, os adversários foram aqueles que sempre renegeram a paz.         

Também seja preciso aceitar a possibilidade de que o argumento do colonizador versus colonizado tenha entrado no radar do senso comum de forma completamente distorcida. Agora pertence à atmosfera irreflexiva e instantânea do dia a dia, em outras palavras, virou palavra de ordem, estilo e moda. A ditadura fashion revanchista afirma que um lado é necessariamente perverso, independentemente da verdade de solo. Como “provas irrefutáveis” apresentam débeis inferencias baseada em envelhecidas teses revisionistas como as acima apontadas.

6- A midiotização dos agentes de comunicação também auxiliam no endosso da atitude infratiora dos violadores da civilização. Então, parte do mundo passou a ver com simpatia a marcha das massas que reivindicam justiça feita com as próprias unhas. Balançam bandeiras que significam suas próprias sepulaturam pois não seriam poupados pelos combatentes chegados na incineração, estrupros e necrofilia. E para tanto aceitam que se tolha a liberdade. Maiorias que se sentem coagidas a não reagir. Isso até que seja tarde demais; e um novo tipo de autocracia se estabeça: a teocracia da intolerância.  

Tal inação, ou cumplicidade silenciosa desta mesma maioria, tem se tornado cada vez mais marcante. Notem que isso acontece dentro das sociedades que vivem reafirmando seus compromissos com a defesa daqueles que sofrem bullying. Que saem em defesa dos que são torturados por opressão sistemática. Que lutam pelos grupos não hegemonicos vítimas do ódio, da discriminação homofóbica. Que denunciam o cerceamento à busca por identidade e liberdade religiosas.

Querem um  paradoxo mais chocante?

Um regime de conceitos dogmáticos e absolutos habilmente deslocou a linguagem para um controle tão rigido e maniqueísta que todo termo precisa ser inspecionado por checadores de fatos antes que se permita que sejam publicados. Enquanto isso as redes sociais viraram um laboratório fértil para experimentos da I.A. Ela e seus controladores estabeleceram assim um império algoritmo nada esclarecido onde nem mesmo se pode ousar rotula-la como censura, quando é o que efetivamente este controle representa. 

7- Uma outra possibilidade – não interexcludente das demais – seja de que as grandes potências mundiais e o poder investido em seus representantes, não tenham interesse em que os conflitos regionais se resolvam.

Vocês já consideraram que a manutenção de guerras pode ser salutar para o sistema?

O jogo-duplo e a diplomacia baseada em ambiguidades, por exemplo, podem apresentar evidentes ganhos nos pleitos eleitorais. Seus usufrutos são detectados nos discursos que os sustentam politicamente, na projeção de poder que oscila entre o show business bélico e aquilo que se convencionou chamar de soft power. O nobre objetivo alegado é  a imposição de uma pax insustentável e artificial. E a manutenção do status quo do mundo, ainda que às custas de sangue, suor e lágrimas dos bilhões de sujeitos instrumentalizados pela estratégia.

 Outrora seriam pessoas, mas hoje nem podem mais ser tomados como sujeitos, mas suditos que não tem outra saída a não ser sustentar castas totalitárias e um populismo sobretudo irresponsável. Neste sentido, a missão dos manipuladores se funde à visão fanática de mundo: nos tornar tão vis, belicosos e iracundos como eles.

Já que seria impossível nomeá-los todos, poder-se ia usar uma palavra composta, de gosto duvidoso, para anunciar o verdadeiro nome dos responsáveis que, em pleno fim da pós modernidade, nos repatriaram a este Embustão do século VI.

Seria essa mesma a palavra que o leitor chegou a  considerar: são todos uns filhos da uma pura, da mais pura degeneração.   

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