Constatações contra-intuitivas

                      Constatações contra-intuitivasPT de Dilma e PSB de Campos abrem guerra virtual na disputa pelo Planalto

 

Quer dizer que estamos no meio de uma guerra psicológica? Não pegaria melhor guerrilha cultural? Vê-se de tudo na internet, a principal mídia e a mais extensa rede de notícias do mundo. Dentre as miríades de versões, boatos, ataques anônimos, tudo passa a ser cada vez menos verificável. Já faz tempos que a verdade se descolou da realidade. Depende de onde se lê, da fonte que subsidia a publicação. O que se sugere, com alguma plausibilidade, é que tudo é uma  questão de interpretação.Na novíssima guerra fria nacional, urbana e rural, o que de fato importa é quem conta as vantagens que o eleitor quer ouvir e quem omite o que as agências classificadoras de riscos prefeririam ignorar. A simplificação soa viável no mundo virtual. Parece que etiquetar os outros com alinhamentos políticos — para a vanguarda fundamentalista, esse atraso que não passa, só existe direita e esquerda — nos alivia da tarefa de pensar. Tarefa, eu disse? Mudemos para encargo. Não somos nem Venezuela nem Argentina, talvez nem mesmo América Latina. No parlamento a céu aberto do espaço cibernético, líderes e populares alucinam livremente na linguagem.Mas eis que, se ainda somos uma democracia representativa, teoricamente estaríamos submetidos às regras do jogo. Não deveria haver responsabilidade fiscal, alternância de governo, poderes equânimes e justiça isonômica? Exerçamos pois, por alguns minutos, a auto restrição que os cientistas se obrigam para fazer pesquisas: atitude neutra. É que para que uma pesquisa seja autentica temos que respeitar os achados contra intuitivos, vale dizer, lutar contra as expectativas que temos sobre seus resultados.Conseguiram?Abram de novo os olhos e vejam. Como tudo ficou? Parece claro, não?Ao final, nada sobra nada que seja contra-intuitivo. É que na maior parte das vezes a intuição têm recados úteis. Pode demorar, mas a realidade costuma triunfar sobre a ideologia. Não há golpistas da grande mídia, tergiversadores profissionais, nem inimigos dos governos populares. Aliás pode haver, mas sua força está superestimada pela necessidade de insuflar monstros. A inflação de fato voltou. Gastos superam entradas. Endividados estamos. Há quem diga que a solução seja parlamentarismo. O problema tampouco está na demonização de um único partido, destarte alguns sejam efetivamente mais perigosos que outros. Em especial aqueles que se comportam como seitas e que ameaçam o sistema do qual se beneficiam para, ao final, dar cabo dele.Em artigo publicado neste mesmo “O Estado de São Paulo”, o Prof. Roberto Romano já afirmava: é urgente a descentralização dos impostos. Só assim, e talvez nem mesmo assim, desarmaremos a bomba retrógrada programada para depois do esbanjamento desportivo e eleitoral. É que o volume de concentração tarifária endossa a bagunça dolosa. Faz adensar o poder num Estado inchado, inábil, esbanjador, que prefere sacrificar todos à largar o osso. Duplo estrago: enquanto estrangulam os capilares de nossos paupérrimos municípios, desconstroem a ideia de República federativa. Daí é só um pulo para a tentação totalitária e a banalização dos desvios. A arma não é secreta. É a facilidade com que o arrecadador concentra tudo e, principalmente, da potencia que experimenta ao perceber sua capacidade de gerar dependência e perpetuar o beija mão por esmolas orçamentárias. Não sei se a solução é resistência pacifica. Quem sabe jejum de impostos? A abstinência e a descentralização, num severo regime alimentar forçado, faria muito bem à arrogância fiscal e à gula por hegemonia.  Não há garantia de cura, mas testemunhar o regime emagrecer às nossas custas poderia nos dar algum alento, e, principalmente, renovar a esperança na vida democrática.

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