Esperem! Haverá evocação de equivalência moral. A omissão será ela mais uma vez, a chancela. Serão chamados de resistência, milicianos, combatentes. O critério de nomenclaturas vêm morrendo. Quem usa terroristas pode ser etiquetado de direita. O que, de forma nenhuma, se contorna é que vivem de horror. Semeiam descontrole. Colhem bem mais do que aram. Serão as justificativas de sempre. O luto de sempre. O catálogo de desculpas. Mortos não reclamam. Cadáveres não advogam. Crianças  executadas não reivindicam. Fala-se muito por elas. Faz-se nada. Olho por olho, vingança e reciprocidade são retóricas sem futuro. O futuro de todos vai sendo caçado. Ninguém percebe? Tudo, menos olhar para a tragédia. Tudo, menos apreender o contexto. Crime execrável, hediondo, sinistro e maléfico. Bárbaro. Mas se querem a realidade: acontecerá de novo e mais outra vez.

Precisa ser tragédia? Dois povos tomaram viver lado a lado como danação? Perderam a capacidade de conversar e, hoje, passaram ao desprezo mútuo. Internados na insanidade. No ancestral metabolismo da matança. Mas existem outras mortes. Menos evidentes. O silencio e a leniência. O condicional. O talvez se. O se vocês tivessem. Ninguém mais quer consolo. Cansei de “meus sentimentos”. Repudio pêsames. Anulem-se condolências. Uma única bandeira.  Sabotar a paz, o único emblema visível. Mas paz não é, nunca será, auto imolação. Nem pedir cabeças. É chegada a hora dos incineradores espalharem as cinzas. De inocentes. De instrumentos. A vida é um objeto.  Matar a sangue frio é dobrar a morte à uma causa. A diplomacia vai de jargão em jargão. Auto restrição. Controle. Afinal é a civilização. Governos constituídos precisam se conter. Menos com estadistas que se acalmam com a naturalização do inconcebível. Com a aceitação do insustentável. Assumo a parcialidade, mas só a miopia voluntária para não notar a enorme diferença entre os dois lados.

Podem persistir na equação de equivalência. Mas não. Inútil. Não foi um holocausto qualquer. A chacina desses garotos revelará bem mais do que gostaríamos de enxergar.

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