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Dia D

Paulo Rosenbaum

` Tudo é processo, mas que ninguém subestime datas decisivas. O dia D do século vinte foi o maior desembarque para derrotar o mais poderoso inimigo. Parecia imbatível, mas como demonstrado pela história, ninguém é invicto para sempre. As ameaças é que se renovam sem muita criatividade: neoditaduras, populismo sem filiação, Al Quaeda do B, […]

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Tudo é processo, mas que ninguém subestime datas decisivas. O dia D do século vinte foi o maior desembarque para derrotar o mais poderoso inimigo. Parecia imbatível, mas como demonstrado pela história, ninguém é invicto para sempre. As ameaças é que se renovam sem muita criatividade: neoditaduras, populismo sem filiação, Al Quaeda do B, extremas à deriva, e a intolerância está solta.

O dia D da copa, com todo ufanismo dos locutores e patrocinadores, não empolga. Sinal de declínio ou signo de saúde? A indiferença carrega mais significados que a euforia. Transcender o estereótipo não seria já uma meta? Um adeus à pátria do samba e do futebol? Trocaríamos essa energia por sucursais mais promissoras? Não é desafio para quem se aflige com o vazio e já que ser pessimista dá o mesmo trabalho que ser otimista, o que nos custa? Para onde migraria nosso leitmotiv?

Um ano do dia D das manifestações juninas, a enzima da insatisfação, ampla geral e difusa. Em meio ao envelhecimento da representação e da inadequação do Poder, a energia foi drenada ao ralo da violência, do mau humor e dos tribunais selvagens.

A mensagem original continua límpida: basta ao projeto hegemônico. Há uma exaustão aglutinada diante da ineficiência do Estado voraz. Aquele que toma pessoas como adversárias. Pois quem foi que fez questão de misturar as coisas no pronunciamento?

Portanto, este primeiro jogo nasce como paradoxo. Por ironia, justo hoje, mesmo os que amam futebol, estamos todos fartos de jogos. Como se sabe, a democracia não é uma peleja. Pelo menos não uma onde alguém perde para que o outro avance.

Quem aguenta viver sob ameaças diárias às regras constitucionais? Onde é que se dorme tranquilo quando, com a naturalidade com que se chama uma cerveja, o presidente de um dos poderes é jurado de morte?

Modelo caribenho, cubano, venezuelano, portenho? Todo mundo sabe, era tudo para garantir vaga na eventual derrota. Alguém precisa avisar a cúpula que está extinta a era dos aparelhamentos.

Há uma regra histórica que merece respeito, vale dizer, reverência: virar as regras costuma surpreender mais o protagonista. Antes do prazo, calças curtas deixarão a nudez exposta, e, desta vez, ela não será castigada.

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Paulo Rosenbaum
rosenbau@usp.br