Conto de noticia
21.março.2014 19:27:46

 

Quando enfim achávamos que era primavera, vimos outonos. As águas de março não fecham mais o verão. Não porque a natureza foi  desprogramada. Seria estranho, milhões de anos com a coisa cronométrica. Também não deve ser porque seguimos a cartilha de Sir Francis Bacon e a torturamos. O clima pode estar até enfeitiçado pela fumaça fóssil, mas será que é para tanto?

Pode ser derivado daquele poder ilusório que sai da caneta da história. Coisa de ficção. Foi só insinuar que ela terminaria, virou vertiginosa, e o mundo veio abaixo. Quando todos achávamos que era primavera, sobrevieram estações despedaçadas, secas de roldão, neve extemporânea, granizo no carpete. Não há nada estável no steady state.

As folhas não têm sabedoria nem auto suficiência para saber quando cair ou persistir, os ciclos estelares é que escolheram outro destino. Os ventos do big bang mudaram de lado. E o tsunami no ruído cósmico de fundo fez o planisfério mudar. E quando se pensava que a Terra estava imune e que pelo menos as fronteiras se aquietariam soubemos da provisoriedade do mapa mundi.  E ai se vê melhor a arbitrariedade com que os povos se espalham pelo mundo.  

Com novo polo magnético, invertemos as pilhas. Os wi-fis geraram micro campos que mexeram com algo além da detecção. Não eram só as redes wireless. Nem os vórtices de energia das super antenas. Pode até ser que uma nova droga esteja sendo infundida na atmosfera. Mas também pode ser que a esfera esteja simplesmente se cansando. Com tanta gente zanzando em sua crosta. Vagabundeando no carbono. Dando bobeira pela vida.

Nossa espécie veio para arrebentar. Perturbar o plâncton. Derreter gelo. Azarar biomas. O papo eco já deu. Mas a moçada curte praia sem lixão. Ninguém quer economizar água e energia. Desligar o ar, tua mãe! Olhamos torto para a espuma no leito fluvial. Organizamos petição pra preservar o cerrado. Nada de economizar. Os vizinhos que entrem no racionamento. São Paulo vai anexar o Paraíba do Sul. Que bando de preguiçosos somos. Que as estações esperem pelo nosso bom humor. O Rio pode continuar lindo, pode não ter pau nem pedra, mas já dá para ver, é o fim do caminho. O resto é toco.