O espirito da nossa época empobrece o romance porque obriga os autores a remover dos seus rascunhos o sentimento de estranheza. Revistas literárias endossaram recentemente a “superaçao do realismo fantástico” dos autores latino-americanos. Jean Cocteau também trouxe esta preocupação já atrás, nos anos 30. Se naquela época era o patrulhamento ideológico hoje a pressão vem de outras direções. A nova demanda da critica literária e portanto dos que formam opinião (seja lá o que isso significa) é expurgar toda preocupação com a transcendencia ou com as inquietações do espírito. Parcialidade temporal, pois é o que isso é. Como se não pudesse haver autentica literatura fora da prosa fácil da sub-literatura ou da tradiçao erudita das academicas. Pobre literatura!